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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MOBILIDADE URBANA: Paulista é rico e não transpira

01.09.2014
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO,
 
Presidente do sindicato dos taxistas reclama da implantação de ciclovias na cidade de São Paulo: “Paulista é um povo rico. O cara não quer ir trabalhar de bicicleta e chegar suado no escritório”
 
bicicleta para o trabalho
 
“Paulista é um povo rico. O cara não quer ir trabalhar de bicicleta e chegar suado no escritório.” Natalício Bezerra, presidente do sindicato dos taxistas, reclamando da implantação de ciclovias no município de São Paulo aos repórteres Artur Rodrigues e César Rosati, da Folha de S.Paulo.
 
Antes de mais nada, motoristas, acostumem-se a compartilhar ruas e avenidas com bicicletas. Isso não é modismo, isso não é coisa de jovem vagabundo, de ongueiro suicida ou de gente que não entende que São Paulo não é Paris. A realidade mudou. E, atenção, pois isso pode chocar: as pessoas têm direitos, mas bicicletas, motos e carros sozinhos, não.
 
O mundo está mudando, aos poucos, para garantir esses direitos já previstos. Quer vocês gostem ou não. É inexorável. E a discussão não é se bicicletas terão espaço daqui para frente, mas sim se pessoas que pensam como Natalício terão espaço daqui para frente. Pode não ser hoje ou amanhã, mas esse pensamento irá virar peça de museu.
 
Dito isso, lembrei-me das incontáveis vezes em que me explicaram as razões pelas quais o “povo paulista” era mais que os naturais de outros Estados do Brasil – conversas que, invariavelmente, terminavam criticando “baianos” (gentílico genérico com a qual alguns paulistas tratam quem vive acima do Trópico de Capricórnio por sua suposta “indolência”).
 
Como já disse aqui antes, para quem não sabe, incutimos o espírito bandeirante em nossa criançada desde cedo para que ela, quando adulta, saiba colocar os outros exatamente em seu lugar. Hoje, fico matutando se determinismo geográfico era disciplina oferecida na escola ou se era ensinado como conteúdo transversal. O fato é que pais de alguns amigos defendiam sandices sob justificativas que fariam corar o doutor Joseph Goebbels. Em grande parte por ignorância, mas alguns por convicção formada na reflexão. Desses, eu tinha medo.
 
Agora me diga: qual a chance de uma pessoa condicionada, desde cedo, no “paulistanismo”, o nacionalismo paulista, que funciona como uma espécie de seita radical aos seus adeptos, conseguir enxergar para além de uma divisão territorial e se reconhecer como iguais? Pessoas que ouviram a promessa de que seriam os ricos maquinistas da “locomotiva da nação” ao perceberem que São Paulo é apenas mais um?
 
Dentre os jovens paulistas que desaguaram nas ruas no ano passado, uma parte deles foi preparada, ao longo do tempo, pela família, escola, igreja e mídia para encararem o mundo sem muita reflexão. Não significa, contudo, que sejam conservadores, mas acreditaram em respostas simples e empacotadas feitas para tudo seguir seu curso. Quando questionados, mostram estar perdidos no vazio. E com raiva, porque – ao que tudo indica – o mundo que lhes foi apresentado não é bem aquele que vão ter que viver.
 
O desafio é, a partir de agora, construir com eles a narrativa de um mundo realmente mais democrático. Em que cidade seja das pessoas e não de automóveis e na qual todos sejam vistos como iguais.
 
A bandeira do município de São Paulo traz a expressão em latim “Non Ducor Duco”. Não sou conduzido, conduzo. Uma besteira sem tamanho tão grande quanto a frase destacada no início deste texto.
 
Pobres holandeses e dinamarqueses, gente subdesenvolvida que acha bonito chegar com axilas de pizza para trabalhar. Paulista, não. Paulista é povo rico. Tem belos fins de tarde alaranjados por conta da poluição do ar e épicos congestionamentos. Passa a vida no carro. E não transpira.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/08/paulista-e-rico-e-nao-transpira.html

Serra não é pai dos genéricos nem do programa anti-AIDS. Mas foi uma mãe para Vampiros e Sanguessugas

01.09.2014
Do BLOG DO MELLO, 29.08.14


José Serra diz que é economista. No entanto, ninguém sabe em que faculdade ele teria obtido o diploma. O conselho de classe não o reconhece.


José Serra diz que é engenheiro. Idem item anterior.

José Serra diz que é o pai do programa dos medicamentos genéricos. É mentira. O decreto 793 que criou os genéricos foi assinado em 5 de abril de 1993, no governo do presidente Itamar Franco, pelo então presidente e seu ministro da Saúde, Jamil Haddad [confira decreto aqui].

José Serra diz que criou o programa de combate à AIDS brasileiro, que é exemplo para o mundo todo. É mentira. Reportagem da melhor jornalista especializada em medicina no Brasil, Conceição Lemes, publicada no Viomundo historia o programa [repare que o nome de Serra só aparece no último parágrafo, em 1998, quando os primeiros passos do programa são de 15 anos antes]:


1983. É implantado no Estado de São Paulo o primeiro programa de controle da aids no Brasil.  O seu coordenador era o dermatologista Paulo Roberto Teixeira Leite. Na sequência, é criado o programa no Estado do Rio de Janeiro. Começa também a organização do embrião do Programa de Aids do Ministério da Saúde.

1984. O Programa de Aids do Ministério da Saúde surge no âmbito da Divisão de Dermatologia Sanitária, que tinha como chefe a dermatologista Maria Leide de Santana. José Sarney era o presidente da República e Carlos Santana, ministro da Saúde. Nessa época, chegam ao programa Lair Guerra de Macedo Rodrigues (bióloga), Pedro Chequer (médico epidemiologista e sanitarista), Euclides Castilho (médico epidemiologista), Luís  Loures (clínico geral, na época), Celso Ferreira Ramos-Filho (infectologista), entre outros grandes nomes.
 “A Lair manteve diálogo constante com o Paulo Teixeira”, frisa Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que, desde as primeiras reuniões, participou do Programa Nacional de Aids. “A Lair sempre o chamou para essas reuniões.”
1986. O ministro da Saúde, Roberto Santos, cria oficialmente o PN-DST/Aids no governo do presidente José Sarney.  Em 1985, porém, alguns dos seus núcleos já funcionavam.
1991. Começa a distribuição gratuita do AZT (único antirretroviral disponível) e de alguns medicamentos para infecções oportunistas. Foi Lair Guerra de Macedo que, numa das viagens ao exterior, trouxe escondidas na bagagem as primeiras caixas de AZT que chegaram ao Brasil.
1992. O atendimento é ampliado. O Ministério da Saúde inclui os procedimentos para tratamento da aids na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).  O cardiologista e professor Adib Jatene, considerado um dos maiores cirurgiões cardíacos do país, assume o Ministério da Saúde, colocando Lair na coordenação-geral do PN-DST/Aids. Fernando Collor de Mello era o presidente da República.
“A eficiência com que Lair comandou o setor trouxe as primeiras perspectivas otimistas sobre o controle da doença”, observa Jatene. “Foi sua capacidade de propor, sua coragem de defender e sua eficiência em executar que nos colocaram na direção correta, consolidada por tantos que, com competência e dedicação,mantiveram as ações em crescendo, garantindo, em área tão sensível, o reconhecimento de uma liderança que partiu de Lair.”
Mariângela Simão faz coro: “A doutora Lair foi a pioneira. Foi quem colocou – e com sucesso! — a aids na agenda política do governo”.
Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo, acrescenta: “O professor Jatene também foi fundamental. Se ele não tivesse a visão estratégica de que o Brasil tinha que produzir os próprios antirretrovirais, não se teria garantido o acesso universal ao tratamento antiaids. Foi dele a decisão política de fabricar no País o AZT e o ddI [didanosina, outro antirretroviral] ”.
1993. O AZT começa a ser produzido no Brasil.
 1995.  Em janeiro, o professor Adib Jatene assume o Ministério da Saúde pela segunda vez. Moderniza o PN-DST/Aids, dando-lhe novo rumo e capacidade econômico-gerencial. Permanece até novembro de 1996. Nesse período, são dados três passos vitais: apoio aos projetos das ONGs ligadas à área de prevenção e tratamento de HIV/aids; as primeiras recomendações para utilização dos “coquetéis” antirretrovirais; decisão de comprar os inibidores da protease, a nova família de drogas anti-HIV, que começava a ser comercializada.
“Em março de 1995, editamos a portaria ministerial regulamentando a compra e a distribuição de medicamentos para HIV/aids, para garantir acesso gratuito ao tratamento”, relembra Jatene.  “Em 1996, convocamos uma reunião em Brasília com 60 infectologistas para debater qual seria a atitude mais adequada do Ministério da Saúde em relação ao ‘coquetel’. Ele já existia, era capaz de controlar os sintomas e permitir sobrevida longa aos pacientes com aids, permitindo que mantivessem suas atividades profissionais. A recomendação foi de que fornecêssemos os antirretrovirais a todos os pacientes com aids.”
Pela primeira vez no mundo, essa proposta era apresentada. Sensibilizado com o problema, o senador José Sarney, então presidente do Senado, apresentou e conseguiu aprovar contra a opinião de alguns setores do governo (do presidente Fernando Henrique Cardoso), a Lei 9313 de 1996.
“Com a Lei Sarney, o Ministério da Saúde ficou legalmente autorizado a disponibilizar gratuitamente os antirretrovirais”, continua Jatene. “O Brasil se tornou o primeiro país a abordar a aids não apenas nos aspectos educativo e preventivo, mas também ao oferecer o tratamento mais eficaz de forma universal e gratuita.”
Mário Scheffer reforça: “Sem a Lei Sarney a distribuição gratuita e universal dos antirretrovirais não teria se tornado política de Estado, realidade até hoje”.
1998. Em 31 de março, José Serra assume o Ministério da Saúde. O PN-DST/Aids existia, o acesso universal ao tratamento antiaids era real e alguns antirretrovirais já estavam sendo fabricados no Brasil.[Fonte]

Mas José Serra não ficou de braços cruzados no ministério da Saúde. Não podemos negar suas realizações, sem cometer uma injustiça. Vamos a ela.


Foi durante a gestão de José Serra que teve início o que viria a se tornar conhecido como o Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia dos sanguessugas ou máfia das ambulâncias.

O esquema funcionava tão bem, que o principal beneficiado por ele, o dono da Planan, Luiz Vedoin, queria Serra presidente em 2002:

"A quadrilha dos sanguessugas começou a funcionar em 2000, segundo a Polícia Federal.
Serra foi questionado sobre a declaração de Luiz Vedoin, um dos donos da Planam, de que torcia pela vitória do tucano na eleição presidencial de 2002. A Planam forneceu ambulâncias superfaturadas a prefeituras por meio de emendas feitas por parlamentares. Vedoin disse que os pagamentos pelas ambulâncias nunca atrasavam no governo FHC e que, por isso, queria que Serra fosse eleito presidente."


"A quadrilha dos sanguessugas começou a funcionar em 2000 [Serra ministro], segundo a Polícia Federal.

Serra foi questionado sobre a declaração de Luiz Vedoin, um dos donos da Planam, de que torcia pela vitória do tucano na eleição presidencial de 2002. A Planam forneceu ambulâncias superfaturadas a prefeituras por meio de emendas feitas por parlamentares. Vedoin disse que os pagamentos pelas ambulâncias nunca atrasavam no governo FHC e que, por isso, queria que Serra fosse eleito presidente." [Fonte: Folha]

Também durante a gestão de Serra à frente do ministério da Saúde funcionou a todo vapor a Operação Vampiro.


O candidato a governador de São Paulo José Serra tem assuntos pendentes em Brasília. Entre março de 1998 e fevereiro de 2002, quando ocupou o cargo de ministro da Saúde, seis subordinados dele se juntaram à máfia dos “vampiros” para comprar derivados de sangue com dinheiro público – e a preços superfaturados. Todos foram indiciados; cinco deles, por formação de quadrilha. O relatório sigiloso da Operação Vampiro, que a Polícia Federal finalizou em agosto, concluiu que existia uma “organização criminosa” controlando as compras de hemoderivados na gestão Serra. Na quinta-feira 21, o procurador da República Gustavo Pessanha dava os últimos retoques no texto da denúncia que apresenta à Justiça Federal de Brasília, nesta segunda-feira 25. Empilhados, os documentos alcançam um metro de altura. Há detalhes no inquérito que podem trazer mais dores de cabeça para José Serra. Para começar, a investigação prova que Serra sabia da existência da quadrilha.


Em suas investigações, a Polícia Federal descobriu que, em 2001, chegou uma denúncia anônima encaminhada diretamente a José Serra e protocolada no Ministério da Saúde. Segundo o relatório da PF, a denúncia “dá conta da prática de diversos crimes”. Havia dois acusados. Um deles era Platão Fischer Puhler, diretor do Departamento de Programas Estratégicos e um dos homens de confiança do ministro. O outro era o empresário Jaisler Jabour, que mais tarde se descobriu ser o chefe do braço na iniciativa privada dos vampiros. Segundo a denúncia, Platão estava cometendo “as maiores barbaridades” no milionário setor de compras, em parceria com Jabour. Ele dizia que a preferência dos envolvidos era por compras internacionais, que facilitariam depósitos em contas bancárias estrangeiras. “O que está ocorrendo nesta área é um escândalo”, dizia a denúncia. A polícia constatou que Serra recebeu o documento. E leu. O que fez Serra? Em vez de protocolar um ofício formal na PF, mandou o próprio Platão, o acusado, ir lá para denunciar a si mesmo. Curiosamente, nada aconteceu. [Fonte: IstoÉ]

Assista ao vídeo de uma solenidade em que José Serra entrega algumas das ambulâncias superfaturadas:



OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.
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Fonte:http://blogdomello.blogspot.com.br/2014/08/serra-nao-e-pai-dos-genericos-nem-do.html