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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Jornal Nacional: Dilma demite Bonner!

18.08.2014
Do BLOG DO MIRO
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada:
O Bonner achou que a Dilma era o Aécio ou o Eduardo e ia empurrar a Dilma contra a parede no debate de 15′ no jn.

Deu-se mal.

Numa televisão séria, Bonner teria voltado para o Rio sem emprego.

Dilma não se deixou emparedar e assumiu o controle de todas as respostas.
Empurrou a questão da corrupção pela goela abaixo dos tucanos – que sobrevivem no jn.

Lula e ela estruturaram o combate à corrupção. Deram autonomia à PF e ao MP.

No Governo dela e de Lula não tinha um Engavetador Geral da República.

A Controladoria Geral da União se tornou um orgão forte no combate ao malfeito.

Ela aprovou a Lei de Acesso à Informação (podia ter dito que o partido do jn, o PSDB, tomou como primeira providência ao chegar ao poder, com FHC, extinguir uma Comissão de Combate à Corrupção).

(Aliás, Bonner disse, na abertura, numa gaguejada, que o PSB era o PSDB … Lapso freudiano …)

Dilma ressaltou que nem todas as denuncias (do jn) resultaram em crimes comprovados.

Bonner tentou jogar a mais óbvia casca de banana: obrigar a Dilma contestar o julgamento do do STF sobre o mensalão.

Ela tirou de letra: Presidente da República nao discute decisão de outro Poder.

Bonner insistiu.

Deu-se mal.

A Poeta, finalmente, justificou a passagem, e invocou o Datafalha para dizer que o problema do brasileiro é a Saude.

Dilma enfiou-lhe pela garganta o sucesso retumbante do Mais Médicos, que atende 50 milhões de brasileiros.

Bonner revelou sua aflição, mal se continha na cadeira, bradava “a Economia !”, “a Economia !”, como se fosse sua bala de prata.

Dilma continuou, no comando dos trabalhos, a falar do problema da Saúde.

Quando bem quis, concedeu ao Bonner o direito de falar sobre a Economia!

E ele veio com xaropada da Urubóloga.

(Interessante que o Bonner pensa que ninguém percebe que a pergunta dele, na verdade, é uma longa exposição daquilo que ele quer que o espectador pense que seja a verdade dos fatos. Ele quis falar mais que a Dilma. Ele se acha…)

Inflação explodiu !, disse o entrevistador/candidato.

Sobre a inflação, Dilma mostrou que ele não sabe nada.

A inflação é negativa.

Todos os índices estão em ZERO!

Sobre o crescimento, falou uma linguagem que o Bonner ignora: “indicadores antecedentes”.

Os dados de hoje sobre o consumo de papelão e energia indicam elevação do PIB no segundo semestre.

Dilma estourou os 15 minutos.

Continuava a falar, enquanto o Gilberto Freire com “I” (*) devia berrar no ponto do Bonner “corta ela !”.

E ela na dela.

Terminou por dizer que não foi eleita para fazer arrocho salarial. Ou para provocar desemprego.

“Corta!”, devia berrar o “ï” no ouvido do Bonner. “Corta ! Não deixa ela falar!”.

E ela, na dela: “vamos continuar a fazer um país de classe média, como o Presidente Lula começou a fazer.”

“Corta, Bonner!”, no ponto.

“Eu acredito no Brasil”, disse ela, como se conversasse com o neto, numa tarde de domingo.

Só faltou dizer: “Bonner, eu não sou o Aécio, o Eduardo e muito menos a Bláblá”.

“Pode vir quente!, meu filho. Esse teu dedo indicador só assusta a Fátima!”

*****

Em tempo: Da
Agência Brasil:
CRIAÇÃO DE EMPREGOS FORMAIS CRESCEU 3,14% NO ANO PASSADO

Dados divulgados hoje (18) na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que o número de empregos formais cresceu 3,14% no ano passado em relação a 2012. Segundo a Rais, em 2013, foram criados 1,49 milhão de novos postos de trabalho formais.

O resultado está acima do do ano anterior, quando o incremento ficou em 2,48%, o que correspondeu a 1,148 milhão de empregos estatutários e celetistas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que 2013 foi o ano com menor taxa de desemprego, 5,4%.

O aumento no número de postos formais de trabalho foi puxado pelo crescimento de 4,85% na criação de vagas de estatutários, o equivalente a mais 414,7 mil empregos. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, esse aumento é devido à troca de servidores municipais, com a posse dos novos prefeitos, em 2013.

(…)


* Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/08/jornal-nacional-dilma-demite-bonner.html#more

GLOBO FAZ ENTREVISTA AGRESSIVA CONTRA DILMA: Agredida pelo Jornal Nacional, Dilma se defende

18.08.2014
Do BLOG DO SARAIVA
 
Foi inacreditável a ação eleitoral do Jornal Nacional contra a presidente Dilma Rousseff; William Bonner fez perguntas quilométricas; Patrícia Poeta chegou a fazer cara de nojo e a colocar o dedo em riste diante de Dilma em razão do "nada" que teria sido feito na área da saúde em 12 anos, ditos com ênfase pela apresentadora; Dilma mal teve a oportunidade de responder perguntas que eram acusações, como sua suposta incapacidade de se cercar de pessoas honestas e os números da economia; quando teve oportunidade falar, Dilma disse que seu governo "estruturou o combate à corrupção" e que "nenhum procurador foi chamado de engavetador-geral da República"; ela lembrou ainda o baixo desemprego e a inflação que se aproxima de zero nos últimos meses; não foi entrevista, foi agressão, fora de qualquer padrão civilizado de jornalismo; presidente conseguiu falar sobre o programa Mais Médicos e informar que a inflação está baixando, com zero de elevação em julho.
 
 


247 - Com posturas até então desconhecidas do grande público, os apresentadores William Bonner e Patrícia Poeta deixaram a elegância de lado e partiram para o ataque sobre a presidente Dilma Rousseff, na entrevista ao Jornal Nacional concedida no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta segunda-feira 18. Ambos estavam vestidos de preto, indicando luto pela morte do ex-governador Eduardo Campos, cujo último compromisso eleitoral foi a entrevista da quarta-feira 13. Eles não dirigiram nenhuma pergunta sobre o fato à presidente.

  Bonner parecia o mais irritado, mas Patrícia não quis ficar atrás. Ela chegou a apontar, em riste, o dedo para a face próxima da presidente, insistindo que o governo dela e do ex-presidente Lula não fizeram "nada" na área da saúde. A presidente conseguiu dizer, entre interrupções da entrevistadora, que hoje, ao contrário do passado, o atendimento de saúde pública atinge 50 milhões de brasileiros.
 
  No início da entrevista, Bonner perguntou, por mais de um minuto, sobre "corrupção e mal feitos", citando uma série de ministérios e também a Petrobras.
 
 - Qual a dificuldade de formar uma equipe de governo com gente honesta?, questionou ele, mais ao estilo botequim de esquina do que o que emprega normalmente, todos os dias, à exceção dos domingos, na bancada do JN. O jogo de apertar a presidente ficou claro desde o primeiro momento.
 
  A própria Dilma percebeu e não se intimidou com a postura da dupla. Procurou responder a todas as perguntas e manter a calma, mas não dando as respostas que Bonner e Patrícia esperavam. Dilma tinha argumentos na ponta da lingua.

 - Fomos o governo que  mais estruturou o combate à corrupção e aos mal feitos, respondeu ela.
 
 - Nenhum procurador geral da República foi chamado no meu governo de engavetador geral da República", acrescentou, numa referência nada sutil a Geraldo Brindeiro, dos tempos do governo Fernando Henrique.
 
  BONNER NUNCA FIZERA PERGUNTAS TÃO LONGAS E EM TOM TÃO DURO
 
  O âncora do Jornal Nacional insistiu no tema da corrupção, usando cada vez mais ênfase sobre a presidente:
 
 - Um grupo de elite do seu partido foi condenado por corrupção, são corruptos, posso dizer por que a Justiça já julgou, mas o seu partido protegeu essas pessoas. O que a sra. acha dessa postura do seu partido?
 
  Dilma não respondeu diretamente, optando por lembrar sua posição institucional:

 - Enquanto eu for presidente da República, não externarei opinião pessoal sobre decisões do Supremo Tribunal Federal. Eu tenho a minha opinião, mas não vou externá-la.
 
 - Mas o que a sra. diz sobre a postuta do seu partido? A sra. não diz nada?

 - Olha, Bonner, eu não vou entrar nisso de me manifestar contra a decisão de um poder constitucional. Isso é muito delicado, merece o meu maior respeito.
 
  PATRÍCIA APONTOU O DEDO EM RISTE PERTO DA FACE DE PRESIDENTE
 
Patrícia, que até então estava calada, perguntou sobre saúde, afirmando que "nada fora feito" nos governo Dilma e Lula, e que "as filas se multiplicam nos hospitais e postos de saúde". Dilma, outra vez, procurou responder sem aceitar a indagação como provocação.

Patrícia não gostou do que ouviu, e lá veio Bonner atacar de novo:
 
- A sra. considera justo culpar ora a crise econômica internacional, ora os pessimistas pelo baixíssimo crescimento da economia brasileira, pela inflação alta?
 
 - A inflação cai desde abril, Bonner, agora mesmo saiu um dado oficial mostrando que houve zero por cento de aumento de preços em julho. Por outro lado, todos os dados antecedentes ao segundo semestre, aqueles que anunciam o que vai acontecer na economia, mostram que haverá crescimento em relação ao primeiro semestre.
 
 Bonner não pareceu satisfeito com a resposta, mas em razão do tamanho das perguntas que havia feito antes, percebeu que o tempo de 15 minutos estava estourando. Foram, de fato, questionamentos quilométricos os que ele fez.
 
- Eu vou garantir um minuto para a sra. encerrar, disse ele, visivelmente insatisfeito.
 
- Obrigado, Bonner, eu quero dizer que acredito no Brasil, reiterou Dilma, que ainda foi mais duas vezes interrompida para que fosse cumprido o tempo estabelecido.
 
 - Eu compreendo, vou suspender a minha fala, encerrou Dilma, com classe, diante dos entrevistadores que se mostraram em pleno ataque de nervos.
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Fonte:http://saraiva13.blogspot.com.br/2014/08/agredida-pelo-jornal-nacional-dilma-se.html

MÍDIA GOLPISTA DE 64 TENTA INFLUENCIAR AS ELEIÇÕES DE 2014: Mentiras ajudaram a derrubar Jango

18.08.2014
Do portal do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA,14.08.14
Por Mauro Malin, na edição 811
 

A sociedade brasileira se especializou em contornar problemas. É uma tradição muito enraizada. Marcos Nobre, da Unicamp, declarou ao Valor: “No Brasil, não estamos acostumados a polarizações reais. Tenta-se, ao máximo, acomodar todo mundo no condomínio de poder” (13/8; Mudanças no transporte público ficam para 2015). Bem fez Chico de Oliveira quando se lançou, dois anos atrás, ao estudo sério do jeitinho brasileiro (ver “Jeitinho e jeitão, artigo publicado na revista piauí).

 http://carloslula.com/wp-content/uploads/2014/04/apoio.jpg

Sempre que, no Brasil, se pode tomar uma consequência como causa, para evitar o verdadeiro problema, isso é feito. Veja-se o exemplo atualíssimo dos candidatos “ficha suja”. São apenas ingredientes inevitáveis de um sistema político perempto, mas rapidamente campanhas cívicas fervorosamente secundadas pela mídia os colocam na berlinda.

 http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2013/09/globo.jpg

Não tem grande proveito, a não ser disfarçar a sujeira presente em toda e cada instância dos processos eleitorais. Se a má literatura serve para que se saiba discernir a boa literatura (ou música, pintura etc.), a interdição de “fichas sujas” pode criar a falsa imagem de que os demais são “fichas limpas”, o que é, na melhor das hipóteses, uma farsa complacentemente aceita.
 http://2.bp.blogspot.com/-0QI_OWCfy-s/UX0QwA4nJxI/AAAAAAAAFHY/AeDhaem-Gjw/s1600/papel-da-grande-midia-na-ditadura-brasileira.gif
PCC, PT, Rota, PSDB

O grau de ignomínia desse estado de coisas pode ser aferido por duas situações simétricas: as ligações do PT, via família Tatto, com parlamentares eleitos pelo partido em São Paulo acusados de conexão com o PCC (Luiz Moura, estadual, e Sineval Moura, vereador da capital), e a concessão de legenda pelo PSDB a oficiais PM da reserva oriundos da mortífera tropa de choque chamada Rota. Caso insuficientemente conhecido do vereador Coronel Telhada, que se apresta agora a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista pelo partido de Fernando Henrique Cardoso.

 http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/files/2014/04/marcha-da-familia-1964.jpg

Caso insuficientemente conhecido porque Telhada conseguiu banir da Folha de S.Paulo o repórter André Caramante, que mostrara como o perfil do coronel no Facebook celebrava o fuzilamento de “bandidos” por “boinas pretas” (ver Um repórter ameaçado de morte, por Eliane Brum). Com isso, Telhada inibiu uma apuração jornalística mais sustentada. Se já era difícil, depois do episódio ninguém quer mesmo se (des)entender com a Rota.

 
 
 Política, não moralismo

As maiores lideranças desses dois partidos participaram destacadamente do processo de redemocratização (o PSDB ainda embutido no PMDB). Se houvesse um mínimo de coerência política, jamais poderiam ter qualquer tipo de relação com entes tão antidemocráticos como o PCC e a Rota. Seriam, ao contrário, seus adversários.
Mas a lógica eleitoral, a realpolitik dentro do sistema vigente, parece impor todo tipo de transação. Parece, não propriamente impõe. Em cada eleição há candidatos que não se dobram às regras mafiosas em vigor. Alguns conseguem bons resultados.

 http://revistaescola.abril.com.br/ditadura-militar/img/fotos/ditadura-militar-marcha-familia-com-deus-pela-liberdade.jpg

A lógica das transações opacas não é uma imposição, mas se sustenta porque convém aos participantes. Conserva, em contexto de incalculavelmente intensa mudança tecnológica da comunicação, o predomínio de métodos e ferramentas que estão ao alcance dos atuais detentores de poder, desde que haja dinheiro para comprá-los e usá-los. Esse dinheiro, como se sabe, tem seu preço.

 http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2013/07/rio11-e1374017673715.jpg
 
Um negro carioca

Uma lapidar comprovação dos malefícios do marketing eleitoral está em reportagem de Consuelo Dieguez na piauí de agosto (“O candidato S. – A máquina da Fiesp, as alianças e os métodos de Paulo Skaf”). Trata-se de uma passagem que relata conversa de Paulo Maluf com Skaf. Maluf recomenda ao candidato do PMDB ao governo paulista a contratação de Duda Mendonça. Seu argumento: “O Duda me ajudou a eleger um negro carioca [Celso Pitta] para a prefeitura de São Paulo”.
 
Muito bem. Mas qual é o balanço da passagem de Pitta pela prefeitura? Que políticas públicas ele adotou, com quais resultados?

O marketing eleitoral, baseado na intuição dos marqueteiros com muito tempero de pesquisas de opinião, é responsável pela produção de um discurso político infraginasiano. Esse discurso desafia a inteligência do leitor/eleitor com argumentações cautelosamente concebidas e elaboradas segundo a gramática dos marqueteiros. O marketing eleitoral é um dos grandes inimigos atuais da democracia. E deveria ser proibido aos governos, que usam nele diretamente verbas públicas (os candidatos usam-nas indiretamente).

 http://3.bp.blogspot.com/-4uEDbkwpMQc/UD1lfEbz_dI/AAAAAAAAC8k/UQbyuLNqwOE/s1600/1964+-+Marcha+da+Fam%C3%ADlia14.jpg

O resultado não é, como se supõe, o convencimento de manadas, mas o distanciamento das massas da política convencional, território em que se decidem, executam, avaliam e controlam políticas públicas. Distanciamento que só não é maior porque o voto é obrigatório e a ausência do eleitor, punida com penas pesadas se ele não arranjar tempo para ir até uma zona eleitoral comprar seu perdão.

O distanciamento, ilustrado de forma vulcânica pelas jornadas de junho e julho de 2013, ocorre porque não há manadas. A metáfora é infeliz. O que há são cidadãos com graus diferentes de envolvimento no processo político. Numa simplificação brutal: os que se beneficiam dessas práticas e os que, imensa maioria, sofrem suas consequências.

Mídias cúmplices

Todas as mídias jornalísticas são hegemonicamente cúmplices voluntárias e involuntárias desses descaminhos da democracia. Fazem sua parte no jogo rasteiro. Se tivessem preocupação com o país, seu papel seria denunciar a mistificação. Por exemplo: publicam-se cifras de arrecadação e despesas das candidaturas majoritárias (presidente e governador), mas nem uma palavra sobre como de fato é usado esse dinheiro. Outro exemplo: defende-se a encenação fraudulenta em comissões parlamentares de inquérito em nome do preceito lulista de que “todo mundo faz” (ver Janio de Freitas, “Se é crime, são dois”).

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Quando – como no acidente que matou Eduardo Campos, sua comitiva e os dois pilotos do Cessna, em Santos (SP) – o rumo dos acontecimentos foge ao roteiro dos comandos de campanha (onde os marqueteiros pontificam) e da Justiça Eleitoral, o jornalismo se desprende dos moldes e reencontra o caminho da informação, da análise e da emoção (legítima, não fabricada). A diferença é total.

Golpismo sem retoque

E, no entanto... No entanto, o país caminhou. A mídia já teve participação política muito pior do que a calhordice atual. A campanha jornalística que coadjuvou os golpistas de 1964 foi algo inconcebível no Brasil de hoje. No livro 1964 na visão do ministro do Trabalho de João Goulart Almino Affonso (2014), o autor descreve:

“Perdida a oportunidade de uma frente ampla política e social, o governo parecia um barco à deriva. A direita estava cada vez mais agressiva. O deputado padre Vidigal (PSD-MG) não se acanhava de convocar à violência na mais absoluta impunidade: ‘Armai-vos uns aos outros!’. (...) [O deputado da UDN mineira Olavo] Bilac Pinto dava-se ao desplante de denunciar o governo Goulart pela entrega de armas aos sindicatos rurais e da orla marítima.
“Escudado nessa fantasia, chegara ao extremo de aconselhar a ‘população civil a armar-se, para resistir’. Interpelado na Câmara dos Deputados, sucessivas vezes, pelas lideranças do governo, Bilac Pinto tergiversava, sem apresentar provas que sustentassem suas afirmações. A imprensa lhe dera absoluta cobertura! Vale lembrar as manchetes dos maiores jornais na edição de 16/1/1964: ‘Estarrecedoras revelações do presidente da UDN’ (Diário de São Paulo); ‘Bilac Pinto quer dar armas ao povo para defender a legalidade’ (Jornal do Brasil); ‘Bilac Pinto denuncia organização do golpe’ (O Estado de S. Paulo); ‘Bilac Pinto: o governo arma os sindicatos para o golpe’ (O Globo); ‘Democratas despertam: armar a população civil para obstar a subversão’ (O Jornal); ‘Presidente da UDN faz grave denúncia à Nação’ (Estado de Minas); ‘UDN denuncia a subversão do Governo’ (Tribuna da Imprensa).
“Tudo isso no mais absoluto vazio de provas e indícios. Era a campanha que estava em marcha: visando envolver o presidente João Goulart na articulação de um golpe de Estado, a UDN tentava escavar distâncias entre o governo e a sociedade.”

O partido de Bilac Pinto e Carlos Lacerda (e de figuras menos vis) nem sobreviveria ao golpe, como seu homólogo, o PSD. Mas quem pagou mesmo a conta da desgraça administrada pelos militares foram os brasileiros mais pobres, mais frágeis.

Motivo torpe

José Serra é outro político colhido pelo vendaval de 1964 que publicou memórias (Cinquenta anos esta noite, 2014). Sua crítica à imprensa da época também é elucidativa:

“Cada diretor da UNE tinha direito a retirar, em dinheiro, o equivalente ao salário mínimo da época. Os cofres da entidade não estavam cheios do ‘ouro de Moscou’, como proclamava a direita e ecoava a grande imprensa de São Paulo e do Rio. Os recursos vinham do governo federal, graças a emendas ao orçamento incluídas por um deputado da UDN, Paulo Sarasate (...) .”
E, adiante:

“Por volta de setembro de 1963, Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, escreveu um artigo insultando o então ministro da Educação, Paulo de Tarso Santos, com adjetivos ferozes, como nunca vi até hoje alguém fazer nem nos blogs sujos. (...) O motivo não revelado era simples e pouco ideológico: o MEC deixara de imprimir materiais escolares nas gráficas de algumas de suas empresas.”

Carlos Chagas, que publicou em 2014 o livro A ditadura militar e os golpes dentro do golpe, 1964-1969, da série A história contada por jornais e jornalistas, complementa o quadro com um flagrante de bastidores:

“Muitos governadores não escondiam que armavam suas polícias militares para se opor a Brasília, como Magalhães Pinto, em Minas, e Ademar de Barros, em São Paulo. Carlos Lacerda, na Guanabara, era um caso à parte: o maior propagandista civil do golpe, mas mantido, propositalmente, à margem das articulações, conhecido que era por sua incontinência verbal. Se soubesse dos detalhes, num arroubo emocional contaria tudo na televisão.
“Esse clima não parecia ser transmitido por O Globo, à exceção de algum editorial mais duro contra o comunismo. Roberto Marinho, entretanto, estava metido até o pescoço na conspiração, assim como, em São Paulo, Júlio Mesquita Filho, do Estadão.”

O resumo do papel da imprensa naquele período é feito por Boris Fausto no capítulo “A vida política” do livro Olhando para dentro, 1930-1964, quarto volume (2013) da coleção História do Brasil Nação – 1808-2010:

“A tragédia dos últimos meses do governo Goulart residiu na tendência cada vez mais acentuada de se descartar a via democrática para a solução da crise. A direita ganhou os conservadores moderados, sobretudo amplos setores da classe média, para sua perspectiva de que só uma revolução promoveria a ‘purificação da democracia’, pondo fim aos perigos do comunismo, à luta de classes, ao poder dos sindicatos e à corrupção. A grande imprensa e o rádio, que influenciavam a classe média e mesmo setores populares, empreenderam uma campanha sistemática de combate ao governo.”

Café Filho, que depois mudaria de lado, terminava seus discursos com uma advertência alusiva ao golpe do Estado Novo: “Lembrai-vos de 37!”.

Quando vir a direita muito assanhada explorando os erros da esquerda, lembre-se de 1964, valente leitor. Principalmente se isso incluir campanhas de mídia como as que recentemente transformaram em “terroristas”, a partir de obscuras manipulações de inquéritos policiais, manifestantes algo selvagens, rasos em política.

https://f5dahistoria.files.wordpress.com/2010/09/cb-jornal-ultima-hora-1c2ba-de-abril-de-1964.jpg
 Nota do BLOG DO IRINEU MESSIAS: A  presente foi matéria foi editada, apenas com a acréscimo das fotos.
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/mentiras_ajudaram_a_derrubar_jango

Deus e o diabo na terra da Globo

18.08.2014
Do portal da Agência Carta Maior
Por Saul Leblon 

Há 60 anos do suicídio de Vargas, o conservadorismo reedita em farsa a tragédia. Ensaia um simulacro de catarse nacional varguista em torno da morte de Campos.


O conservadorismo brasileiro já viu o poder escorrer pelos dedos algumas vezes. Mas nunca de forma tão abrupta como há 60 anos, quando Getúlio Vargas cometeu o suicídio político mais demolidor da história em 24 de agosto de 1954.

Chocada com a morte de um governante que preferiu renunciar à vida a abdicar do mandato como exigia o cerco virulento das elites, a população foi às ruas em um misto de consternação e fúria para perseguir e escorraçar porta-vozes do golpismo contra o Presidente.

A experiência da tragédia abalou o cimento da resignação cotidiana. No Rio de Janeiro, a multidão elegeu a dedo o seu alvo simbólico: cercou e depredou a sede da rádio Globo que saiu do ar.

Carros de entrega do diário da família Marinho foram caçados, tombados, queimados nas vias públicas. Prédios de outros jornais perfilados no ultimato pela renúncia conheceram a força da ira popular.

Com a mesma manchete do dia anterior, atualizada pela fatalidade, os exemplares do único jornal favorável ao governo, o Última Hora, eram disputados nas esquinas por uma população desesperada, perplexa, em luto.

A tiragem extra de 850 mil exemplares, providenciada a toque de caixa pelo editor Samuel Wainer, sustentou a declaração premonitória de Getúlio 24 horas antes. Agora, porém, revigorada pela mão do editor: “O presidente cumpriu a palavra: ”Só morto sairei do Catete!”.

O resto é sabido.

O sacrifício impôs duro recuo ao golpismo que só executaria seu plano original de tomar o poder dez anos depois, em 1964.

Passados exatos 60 anos da morte de Vargas, o conservadorismo brasileiro reedita agora uma trama ainda mais ousada.

Construir um simulacro de catarse nacional varguista a seu favor, emprestando à justa consternação pela morte de Eduardo Campos uma dimensão histórica que ela não tem.

Assim como a de Tancredo Neves também não teve.

Ambas por uma razão difícil de abstrair: nem um, nem outro personificaram, de fato –e assumidamente-- um polo da correlação de forças em disputa pelo comando da sociedade e do desenvolvimento brasileiro.

Vargas, ao contrário, encarnara um divisor real, consagrado nas urnas de outubro de 1950, de forma esmagadora, apesar do asfixiante boicote que lhe foi imposto pela mídia.

Na resposta ao cerco, a campanha de Vargas levaria uma frota de caminhões a cruzar o país munida de caixas de som e filipetas.

Em cada morada do voto fazia-se a ampla distribuição de panfletos. Neles, a promessa revolucionária --para a época-- de um Brasil nacionalista e de feição popular.

Quatro milhões de eleitores deram seu voto a esse desassombro; o dobro dos obtidos pelo ‘brigadeiro das elites’, Eduardo Gomes.

Iniciou-se, então, aquilo que passou à historia como o ‘segundo Vargas’, para se diferenciar de seu primeiro ciclo no poder, iniciado com a revolução de 1930, que se estendeu pela ditadura de 37.

O ‘segundo Vargas’ criou o BNDE (sem o ’s’ ainda) em 1952; a Petrobrás em 1953, no auge da campanha ‘o petróleo é nosso’ ,e decretou um aumento de 100% do salário mínimo no 1º de Maio de 1954.

Era uma rota de colisão incontornável.

Ao mesmo tempo em que espetara as estacas necessárias à dimensão industrializante da soberania nacional, com infraestrutura, restrições à mobilidade do capital estrangeiro e expansão do mercado interno, Vargas atraía as espirais de um cerco de interesses que hoje, como ontem e sempre sonegaram legitimidade a um dinâmica de desenvolvimento inclusiva.

Só uma grosseira remodelagem da história poderá atribuir a Eduardo Campo ou a seu avatar feminino idêntica importância histórica.

Nem mesmo com sinal trocado.

Campos, antes e, ao que tudo indica, Marina de agora em diante, transitam num espaço de ambiguidade resultante do fracasso conservador em tornar palatável a restauração neoliberal no país, após 12 anos de governo do PT.

Seu candidato do peito, José Serra, mostrou-se indigesto ao eleitor por duas vezes e, por fim, ao próprio partido. O digerível Aécio Neves antes mesmo do embicar no aeroporto da fazenda do tio Múcio, bateu num teto baixo em torno de 20% dos votos, insuficiente para arrastar Dilma ao 2º turno.

A delicada operação em curso consiste em dar abrangência nacional-varguista à comoção do povo pernambucano pela perda do líder que governou o estado por duas vezes; e de transferir esse sentimento para uma terceira persona, Marina Silva, de modo a injetar competitividade eleitoral em uma quarta, Aécio Neves, e assim provocar uma segunda volta às urnas na base do ‘todos contra Dilma’.

Não surpreende que a ‘providência divina’ seja evocada para costurar esse frankenstein histórico.

Nessa alquimia destinada a produzir um adversário sobre-humano, uma junção de vivos e mortos para derrotar Dilma, caminhamos perigosamente do êxtase para o delírio conservador.

Não é preciso esfalfar neurônios para imaginar quem será o núcleo diretor dessa superprodução destinada a reeditar em farsa a tragédia de 54.

A persistir a ladainha das últimas horas, ingressaremos num degrau grotesco de manipulação da opinião pública para sustentar o que se pretende a partir de um fato gerador que não o comporta.

Glauber Rocha que entendia a força do misticismo na sociedade brasileira sem dúvida trabalhou esses elementos de forma mais complexa do que a encenação grotesca que se anuncia como realidade.

Glauber morreu há 33 anos, em 22 de agosto de 1981. Tinha apenas 42 anos de idade, mas aos 25 já havia realizado Deus e o Diabo na Terra do Sol.

O filme estrearia no Rio de Janeiro três dias depois do lendário comício da Central do Brasil e duas semanas antes do golpe de 64.

‘Deus e o Diabo’ guarda a atualidade de uma metáfora da encruzilhada brasileira, uma sociedade mergulhada em contradições estruturais dilacerantes mas sem força transformadora para efetivar as famosas ‘reformas de base’.

No filme, o vaqueiro Manoel encarna o povo brasileiro, a ‘massa pobre’, diria Glauber. Injustiçado pelo coronel para quem trabalhava,  Manoel depois de mata-lo e ser perseguido engaja-se sucessivamente na procissão desesperada do beato Santo Sebastião e no bando de Lampião.

Mas não encontrará  redenção nessas manifestações primitivas de rebelião, que Glauber valorizava como uma ruptura com o racionalismo bem comportado e inócuo diante da opressiva ordem dominante.

O cinema do premiado diretor de ‘Terra em Transe’, porém, não hesitava também em denunciar os limites dessa chave alternativa,  expondo-a no paradoxo de uma estética aflitiva na qual os personagens parecem presos ao chão enquanto a câmera se move vertiginosamente ao seu redor.

Deus e o diabo se confundem na terra  do sol, parece nos dizer Glauber. A figura dilacerada do jagunço Antônio das Mortes, talvez o personagem matricial da sua saga, dividido entre a consciência social e a obrigação pistoleira, é a síntese dessa tragédia.

Mas nem tudo é ambiguidade. Pelo menos isso o cinema de Glauber, deixou claro em relação ao país: 'Deus nos deu  a vida;  o Diabo inventou o arame farpado', dizia .

A farsa em curso nos dias que correm visa justamente embaralhar esse divisor.

Quer  vender  arame farpado como sinônimo de redenção da vida brasileira.

A ver.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Deus-e-o-diabo-na-terra-da-Globo/31627

Jarbas, o que não respeita nem mortos nem vivos

18.08.2014
Do portal BRASIL247, 17.08.14
 
                                                                     
Convivência entre contrários no velório de Eduardo Campos foi prova de respeito ao ex-governador e à democracia; presidente Dilma Rousseff prestou solidariedade à viúva Renata Campos e também à adversária Marina Silva; presidenciável tucano Aécio Neves e ex-governador José Serra estiveram ao lado do ex-presidente Lula e do prefeito Fernando Haddad; diferenças partidárias iam ficando de fora da cerimônia fúnebre, não fosse o senador Jarbas Vasconcelos; adversário de Miguel Arraes e humilhado por Campos duas vezes nas urnas, ele discriminou presença de Dilma, a quem acusou de atitude falsa; na verdade, foi Jarbas quem chamou Eduardo, em vida, de "fazer de idiota o povo pernambucano" e de "mau caratismo"; reaproximação se deu por interesses eleitorais regionais; se havia alguém que não precisava ter ido, era o próprio Jarbas; "Eduardo deixou seus afazeres para eleger a mãe conselheira do TCU, numa prova de nepotismo", atacou Jabas da tribuna do Senado; vídeo 
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Fonte:https://www.brasil247.com/pt/247/poder/150409/Jarbas-o-que-não-respeita-nem-mortos-nem-vivos.htm