quarta-feira, 30 de julho de 2014

MÍDIA PARTIDARIZADA: A campanha dos dois pesos e umas 19 medidas

30.07.2014
Do blog ESQUERDOPATA

Balaio do Kotscho 
A certa altura da sabatina, que mais parecia um interrogatório feito por quatro jornalistas de diferentes veículos, como se fossem um só, a presidente Dilma Rousseff deu uma pista de como pretende atuar nos debates eleitorais. Em 90 minutos de perguntas duras e respostas por vezes confusas, Dilma passou a primeira parte na defensiva, falando ao mesmo tempo das dificuldades econômicas do momento e das conquistas sociais do seu governo. Quase nada disse sobre as propostas e projetos para um novo mandato, que é o que o eleitor quer saber dos candidatos para definir seu voto.
 
A conversa seguiu em banho-maria até que foi levantado o inevitável assunto do mensalão petista. Dilma procurou ser didática e não subir o tom nas respostas, mas foi ao ataque: "Tem dois pesos e umas 19 medidas. Porque o mensalão foi investigado. Agora, o mensalão mineiro do PSDB, não foi. Quando foi o nosso caso, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos o processo"
Um jornalista logo a corrigiu para lembrar que o mensalão tucano foi, sim, investigado, mas não julgado até agora (embora fosse um caso mais antigo). "E quando vai ser?...", perguntou Dilma, deixando implícita a resposta de que nunca será julgado, exatamente porque o Judiciário trabalha com dois pesos e umas 19 medidas.
O mesmo pode-se dizer também do comportamento da mídia na cobertura da campanha presidencial, em que as denúncias contra o PT e o governo nunca saem das manchetes, e os rolos mal explicados da oposição, que raríssimamente são investigados e publicados, como o do trensalão paulista, logo desaparecem do noticiário, como está acontecendo agora com o enrolado Aécioporto em Minas.
A economia dominou a maior parte da sabatina, com os jornalistas desfiando uma série de índices negativos nas últimas semanas, o que, segundo a presidente, está gerando um "pessimismo inadmissível". Dilma sabe que este será o grande desafio da sua campanha pela reeleição.
"Eu acho que o mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa está acontecendo com a economia. E você sabe que na economia é mais grave, porque economia é feita de expectativa. Se alguém bota na cabeça que a situação está descontrolada..."

Dilma lembrou de forma indireta a manchete da "Folha", uma das organizadoras do evento, no dia da abertura da Copa: "Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque". Vai ficar na história. Deu tudo ao contrário, como sabemos: a seleção foi humilhada dentro de campo e deu tudo certo na organização.
 
De fato, assim que acabou a Copa, revertendo as previsões catastróficas da mídia, começou mais uma campanha organizada pelo inefável Instituto Millenium para mostrar todos os dias que o país está indo à breca, com desindustrialização, inflação alta, crescimento baixo e ameaças de aumentar o desemprego, sem novos investimentos.
É o clima de baixo astral sonhado pela oposição para prejudicar a candidata do governo. Dilma estava inconformada com o episódio do bancão espanhol Santander que, na véspera, tinha distribuído uma carta a seus correntistas mais abonados, alertando-os que podem perder dinheiro se Dilma for reeleita diante da gravidade da situação econômica. Nesta hora, a Dilma velha de guerra perdeu a paciência e soltou os cachorros:
"É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro, de forma institucional, na atividade eleitoral e política".
Conteúdo à parte, Dilma continua errando na forma, dando respostas muito longas, e assim acaba se atrapalhando, sem responder objetivamente às perguntas, como aconteceu no final, quando lhe perguntaram o motivo para guardar R$ 150 mil em espécie debaixo do colchão. É o hábito de responder ao repórter e não a quem está em casa, um defeito de comunicação que os marqueteiros presidenciais já poderiam ter corrigido.
Não tem que encarar o repórter, tem que olhar para a câmera, sabendo que por trás dela está um eleitorado ávido querendo saber o que cada candidato propõe de concreto para melhorar a vida no nosso país. Se os entrevistadores não perguntam, há que se encontrar uma forma para indtroduzir o assunto sempre que possível.
 
Nas três sabatinas até aqui promovidas, com Aécio, Eduardo e Dilma, falou-se muito de problemas do presente, denúncias do passado e muito pouco sobre o futuro, que deveria ser o eixo de qualquer campanha eleitoral, já que se trata sempre de uma renovação de esperanças, por maior que seja o desencanto.
Por falar nisso, alguém já viu algum sinal de campanha eleitoral nas ruas, nas casas, nos carros do nosso país? Fora as propagandas em carros de candidatos a deputado, nem dá para imaginar que vamos ter eleições daqui a apenas 65 dias.
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Fonte:http://www.esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/a-campanha-dos-dois-pesos-e-umas-19.html

Aécio: “vão demitir muito no Santander”. Senador, eles já fizeram isso e não foi pela Dilma

30.07.2014
Do blog TIJOLAÇO, 29.07.14
Por Fernando Brito
 
satader
O Senador Aécio Neves, com sua incrível incapacidade de ir além do furor udenista, vai aos jornais dizer que “vão ter que demitir muita gente” no Santander por conta da  especulação  descarada no mercado financeiro com as dança das pesquisas eleitorais.
 
Senador, não se preocupe, não vai ter um demitido por isso, porque é o que a cúpula do banco pensa. No máximo, vão achar um para segurar o rojão e ajustam ele em outra instituição amiga. E olhe lá se sequer isso vão fazer.
 
Porque as desculpas do Santander são mero jogo de cena.
 
Mas numa coisa o senhor tem razão.
 
Muita gente é demitida no Santander.
 
Logo que o Banespa foi comprado por ele, foram milhares.
 
Todo ano tem uma leva, Aécio. Foram milhares, milhares de trabalhadores que não eram “analistas” regiamente pagos.
 
Ganhavam uma miséria.
 
Na véspera do Natal de 2012, quando o banco espanhol demitiu sem justa causa 1.153 funcionários. Não consta que tenha sido por defenderem Lula ou Dilma.
 
É porque eram descartáveis.
 
A coisa foi tão feia, seu Aécio, que os bancários ganharam na justiça o direito de chamar o Santander de Satãder.
 
O relator do processo movido pelo banco contra a Confederação dos Bancários , desembargador Ronei Danielli, achou até que a revolta se justificava “”a partir de um estudo criterioso das manifestações dos entes sindicais (fls. 26-53), é possível aferir que se destinam a protestar contra as demissões em massa promovidas pelo banco em dezembro de 2012, além das condições de trabalho proporcionadas pela empresa”.
 
- O emprego da imagem do demônio, utilizando a expressão “Satãnder” (fls. 26-27), em alusão ao nome da empresa, não se mostra capaz, ao que tudo indica, de danificar gravemente a imagem da instituição bancária multinacional (…)
 
A sentença está aqui.
 
O Santander mundial tem 25% dos seus lucros aqui e só 8% na Espanha.
 
Parte da história das ligações do banco com a ditadura franquista e com a seita Opus Dei está no video abaixo, em reportagem da Record, provocada por uma reportagem da insuspeitíssima Veja.
 
Lá na Espanha, o Santander tem saudades do Francisco Franco.
 
Aqui, do Fernando Henrique.
 
Está difícil para Aécio dar uma bola dentro.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=19518

SABOTAGEM ECONÔMICA DO SANTANDER: Casa de Mãe Joana?

30.07.2014
Do portal BRASIL247, 29.07.14
Por Ribamar Fonseca 
 
Será que em nosso país não existe nenhuma legislação em que a atitude do banco estrangeiro possa ser enquadrada, de modo a respaldar uma sanção legal?
Afora atitudes isoladas de desagrado, como a do vice-presidente Michel Temer, que cancelou sua presença num evento promovido pelo banco no Rio de Janeiro, até agora o governo brasileiro não adotou nenhuma sanção contra o Santander, o banco espanhol que tentou interferir nas eleições presidenciais deste ano no Brasil, advertindo os seus clientes endinheirados, através de carta, sobre o perigo que a possível reeleição da presidenta Dilma Rousseff representará para a economia. "Se a presidente se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas – diz textualmente a carta do Santander – um cenário de reversão pode surgir, o câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice Bovespa cairia". Ou seja, o caos econômico.
 
A presidenta Dilma Rousseff limitou-se, durante uma entrevista, a classificar a carta do banco espanhol de "inadmissível" e "inaceitável", sem acenar com nenhuma sanção pela interferência indébita. Será que em nosso país não existe nenhuma legislação em que a atitude do banco estrangeiro possa ser enquadrada, de modo a respaldar uma sanção legal? Se não houver, o Palácio do Planalto precisa urgentemente providenciar, junto ao Congresso Nacional, a votação de uma lei capaz de conter ações político-partidárias de instituições estrangeiras, do contrário o Brasil se transformará numa casa de mãe Joana, onde todo mundo se sente no direito de meter o bedelho.
 
A propósito, não deixa de ser surpreendente a posição do candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, que apoiou a atitude do Santander. Essa posição já é um prenúncio do que poderá acontecer num eventual governo tucano: os banqueiros, incluindo os estrangeiros, voltarão a mandar e desmandar em nosso país, como aconteceu no governo de FHC. Por sua vez, o colunista Merval Melo, que tem se revelado um oposicionista fanático, também aprovou a atitude do Santander. Na sua opinião, é o governo que não pode "interferir numa empresa privada, impedindo que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país". Ocorre que não foi uma opinião sobre a economia, mas sobre a eleição, com evidente oposição à Presidenta. Nem houve nenhuma interferência do governo no banco.
 
Agora, imaginem se um banco brasileiro, com agência em Madri, tivesse a ousadia de opinar sobre as eleições espanholas, revelando sua preferência por um dos candidatos? Duvido que os espanhóis, incluindo os jornalistas, aprovassem semelhante interferência nos assuntos internos do seu país. No Brasil, no entanto, já estamos nos habituando a ver maus brasileiros, como Merval, a atuar contra o próprio país, como aconteceu no período da Copa do Mundo de futebol, quando torciam pelo fracasso do evento. Acho até que festejaram a goleada alemã sobre a nossa seleção, soltando foguetes e comendo churrasquinho, enquanto os verdadeiros brasileiros sofriam com a humilhante derrota.
 
O presidente do Santander, Emilio Botín, diante da repercussão negativa da carta do seu banco aos brasileiros de alta renda, pediu desculpas ao governo, responsabilizando um analista pelo fato e prometendo demiti-lo. Quem acredita nisso? A ser verdade o que disse o seu presidente o banco revela falta de organização, pois permite a um funcionário sem graduação tomar uma atitude dessas, em nome da instituição e de tamanha repercussão dentro e fora do país, sem o conhecimento dos seus chefes. O estrago, no entanto, já foi feito, com prejuízos para o próprio banco: o prefeito de Osasco, São Paulo, suspendeu o convênio que credenciava o banco espanhol a recolher os tributos e taxas do município, no montante de R$ 1,9 bilhão anual.
 
De qualquer modo, olhando pelo lado positivo, a atitude do Santander serviu para desnudar a sua verdadeira cara em relação ao governo da presidenta Dilma Rousseff (até então o presidente do banco espanhol posava de amigo em suas visitas ao Planalto) e, também, a posição do candidato tucano Aécio Neves em relação aos banqueiros. Parece não haver mais dúvidas de que, no caso de um eventual governo tucano, os banqueiros voltarão a ser a classe mais privilegiada deste país, onde somente a partir da gestão de Lula os pobres começaram a receber atenção. E graças a esse episódio do Santander não ficou difícil perceber que todos os recursos estão sendo utilizados pelos adversários da Presidenta para impedir a sua permanência no Planalto.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/148370/Casa-de-Mãe-Joana.htm
 

Dilma surpreendeu entrevistadores na “sabatina” do UOL

30.07.2014
Do BLOG DA CIDADANIA, 29.07.14
Por Eduardo Guimarães
A “sabatina” do UOL a que a presidente Dilma Rousseff se submeteu na tarde da última segunda-feira (27 de julho) no Palácio da Alvorada confirmou expectativas no que diz respeito ao ânimo dos entrevistadores, mas surpreendeu no que diz respeito ao da entrevistada.
Para inquirir a presidente, foram escalados Ricardo Balthazar (Folha de SP), Josias de Souza (UOL), Kennedy Alencar (SBT) e José Maria Trindade (Jovem Pan).
Não foi propriamente uma sabatina. Foi, como era previsível, um debate. Os entrevistadores encamparam o papel de oposição, como aliás já foi definido que deve ser pelas entidades que congregam os donos da mídia.
Dizer quem venceu aquele debate, é difícil. Mas, se alguém venceu, foi por pontos. Ninguém nocauteou ninguém.
Os jornalistas dispararam as críticas de sempre ao governo, mas tais críticas resvalaram em uma muralha de argumentos da entrevistada, com muitos números e contra-argumentos pouco conhecidos de um público acostumado a conhecer só o lado midiático da história.
O mínimo que se pode dizer é que se os jornalistas tinham argumentos mais fortes, guardaram só para eles. Disseram, por exemplo, que muitos países já teriam saído da crise financeira internacional, o que Dilma desmentiu.  E ninguém soube dizer que países já saíram da crise.
A presidente fez comparação entre o pessimismo com a economia e o pessimismo com a organização da Copa. Essa imagem foi fartamente usada por ela. Pode-se dizer que com requintes de crueldade, pois relembrou, em detalhes, todas as previsões catastrofistas que não se confirmaram.
Com efeito, a comparação é muito forte. Grande parte da sociedade se surpreendeu por não ter ocorrido na Copa nada do que foi vaticinado pela mídia. Dizer que o mesmo está acontecendo na economia pode até ser questionável, mas a chance de a tese colar é muito alta.
Por que? Porque Dilma citou, também, desastres econômicos vaticinados pela mídia que tampouco ocorreram – alguns diriam que “ainda” não ocorreram, mas, até que ocorram, tudo fica no campo da futurologia.
Como esse diálogo sobre a Copa ocorreu logo no início da sabatina o restante dela ficou contaminado por essa imagem, deixando o expectador isento com dúvidas sobre as previsões catastrofistas tanto quanto sobre as previsões otimistas.
Outro aspecto interessante da entrevista foi o uso da ironia. Se os entrevistadores usaram e abusaram da estratégia, Dilma não fez por menos. Lembrou, por exemplo, previsões furadas da mídia sobre racionamento de energia, que hoje está fora de cogitação.
Claro que, para quem apoia a presidente, o seu desempenho foi excelente, assim como foi desastroso para quem a repudia. Mas, ao expor o fracasso de várias previsões da mídia, Dilma conseguiu, no mínimo, plantar a semente da desconfiança em quem ainda não tomou partido, que, no frigir dos ovos, é quem importa.
O que de novo a sabatina de Dilma trouxe, então? Evidentemente que a disposição dela não só para o debate, mas para partir para o ataque. Em vários momentos, chegou ao impensável: deu a entender que os seus entrevistadores apoiam a oposição, sobretudo o PSDB.
O grande fato político que a sabatina da presidente pelo UOL revelou é o de que ela poderá tirar a mídia para dançar na campanha eleitoral. O Blog garante aos leitores que aqueles jornalistas, no mínimo, ficaram surpresos. E, provavelmente, ficaram preocupados.
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Assista, abaixo, à íntegra da sabatina de Dilma Rousseff pelo UOL
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2014/07/dilma-surpreendeu-entrevistadores-na-sabatina-do-uol/

Campanha do Santander contra Dilma demonstra pouco caso com regras da democracia

30.07.2014
Do blog ESQUERDOPATA,

Banco imperial

O senador Wellington Dias (PT-PI) acha que o Congresso precisa investigar o Santander depois que o banco foi flagrado em campanha contra o governo Dilma. Para o senador, que fez a vida profissional como funcionário da Caixa Econômica Federal, não custa lembrar:

“Um banco é uma concessão pública e não pode valer-se dessa situação para atuar numa eleição,” lembra Wellington.

A gravidade da questão reside aí.

A legislação eleitoral brasileira não impede que uma instituição financeira – ou qualquer outra empresa privada – retire uma parte de seus lucros para fazer uma contribuição a determinado partido político. Eu acho errado e condenável pois ajuda a criar eleitores que valem 1 voto e outros que valem 1 bilhão de reais. Mas a lei permite – e é por isso que a regra de financiamento de campanha precisa ser modificada.

Mas a orientação a seus gerentes voltados a clientela de renda mais alta tem outra natureza. Implica em usar o negócio – que deve obedecer a regras específicas do Banco Central – para pedir votos. E isso não é aceitável, explica o senador.

Da mesma forma que ninguém desautorizado pode sair por aí emprestando dinheiro sem correr o risco de ser acusado de agiotagem, nem comprar ou vender dólares sem ser chamado de doleiro, um banco não pode transformar-se num comitê eleitoral. Como qualquer outra empresa privada, tem sua função social a cumprir.

A lembrança de que, em 2002, tivemos a campanha do Lulômetro, estimulado por executivos do Goldman Sachs, um dos grandes bancos de investimento do mundo, não diminui gravidade do que ocorre em 2014. Apenas confirma um mesmo fenômeno.

Há instituições que colocam-se acima de qualquer dever com o futuro do país, o bem estar dos cidadãos e obrigações com o país que os acolhe.

É falta de respeito.

Pouco caso com o regime democrático.

É um comportamento ainda mais impressionante quando se recorda que que os clientes brasileiros oferecem, ao Santander, uma bolada de 20% ou mais dos lucros que a instituição obtém em suas operações no mundo inteiro. É mais do que o dobro daquilo que o banco obtém no mercado da Espanha, seu país de origem. Pelo menos uma vez os lucros assegurados pela filial brasileira chegaram a 28% do total do banco.

O Santander deu um salto no Brasil – tornando-se um dos principais bancos europeus -- depois que participou da privatização do Banespa, o maior entre os bancos estaduais.

Foi pela compra dessa carteira de clientes, que lhe dava acesso a folha de salários dos funcionários púbicos do Estado mais rico da federação, que o Santander conseguiu um lugar entre as cinco maiores do país. A operação, que desfalcava São Paulo de um lastro respeitável para investimentos futuros, enfrentou a oposição do governador Mário Covas, e não custou pouco.

O Santander pagou R$ 7 bilhões pelo Banespa e essa quantia foi usada como argumento favorável a operação. O que pouco se divulgou é que o Santander teve direito a abater quase 3 bilhões a título de ágio contábil. Embora esse desconto fosse previsto por uma lei de 1997, o fato do deságio ser concedido a um grupo estrangeiro chamou a atenção de quem acompanhou a privatização de perto, encontrando grande resistência, por exemplo, quando o caso chegou a Receita.

A seu favor, o Santander poderia dizer em 2014 que o comunicado lamentável apenas deixou claro, em voz alta e letras de forma, aquilo que outras instituições fazem em voz faixa e sem assinar recibo.

A verdade é que os bancos privados tem praticado uma política sinuosa depois que, em função da crise de 2008, o governo Lula decidiu abrir os cofres dos bancos estatais para garantir o crédito e impedir o desmonte da economia.

A primeira reação dos bancos privados foi abandonar o mercado de crédito por anos seguidos, permitindo que os estatais ganhassem terreno um ano após o outro – para chegar a 47% do mercado, um número recorde, em 2012.

Pressionado, o governo federal iniciou uma política de retirada do mercado, para abrir espaço para o retorno das instituições privadas. Mas isso não aconteceu. A marcha-a-ré dos estatais coincidiu com a alta nos juros, que permitiu ao sistema retornar ao conhecido universo rentista, de quem acumula fortunas bilionárias sem fazer força – pois o Tesouro paga a conta.

O crédito publico recuou e o privado não apareceu, situação que ajuda a entender – ao menos em parte – os números decepcionantes do crescimento recente. Os bancos seguem cobrando juros altíssimos, sem relação sequer com aumentos da Celic, sem serem incomodados pela concorrência dos bancos públicos.

Prevê-se, a partir de setembro, uma retomada do crédito nos bancos públicos. Será seguido, como se sabe, por um coralzinho contra a presença do estado na economia. E ninguém vai lembrar que um banco que já esteve ligado ao desenvolvimento de São Paulo agora é usado para fazer campanha presidencial junto a seus clientes.

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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/campanha-do-santander-contra-dilma.html

GLOBO MANIPULA, COMO SEMPRE, CONTRA DILMA: GLOBO CONSTRÓI NOVO ALVO: A "DILMA BOLIVARIANA"

30.07.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/148399/Globo-constr%C3%B3i-novo-alvo-a-Dilma-bolivariana.htm

Os empresários entram na campanha eleitoral

30.07.2014
Do blog CRÔNICAS DO MOTTA, 29.07.14

Os empresários brasileiros começam a se movimentar na campanha eleitoral, principalmente a de presidente da República. 


Matéria da Agência Brasil informa que a poderosa CNI, a Confederação Nacional da Indústria, tem uma agenda de reivindicações para apresentar aos presidenciáveis, na qual destaca uma reforma tributária - essa que todo mundo deseja, mas que na hora agá todos os atores envolvidos se negam a fazê-la -, e essa desgraça chamada metaforicamente de "flexibilização das relações do trabalho", que nada mais é que a derrubada da CLT.

Outros pontos da agenda dos empresários são generalidades, como "maior competitividade", "estratégia agressiva para as exportações" e blablablá.

A entidade diz ainda que não apoia nenhum candidato, mas a gente sabe que isso é conversa mole, papo furado, mentira deslavada.

O empresário brasileiro, com uma ou outra exceção, vai de Aécio Neves ou de Dudu Beleza, tanto faz. 

Por razões que a própria razão desconhece, odeia Lula e Dilma e gostaria de ver os petistas ardendo no fogo do inferno.

Justo os petistas, que em 12 anos de governo, têm atendido quase todos os pleitos dos empresários e facilitado a sua vida o máximo possível - vide as inúmeras desonerações tributárias, as generosas linhas de crédito, os vários programas de infraestrutura, sem contar, é claro, com a formação de um mercado consumidor que antes se restringia a 10, 20 milhões de pessoas.

A verdade é que não gostam dos trabalhistas porque, simplesmente, acham que não é da sua natureza gostar do trabalho - afinal, eles representam o capital...

A seguir, a íntegra da matéria da Agência Brasil:

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou hoje (28) os pontos que, na avaliação da entidade, devem ser prioritários para o próximo presidente da República, entre eles um esforço coordenado para atacar o problema da competitividade. Também estão na lista  a reforma tributária, a flexibilização das relações de trabalho, investimentos em infraestrutura e uma estratégia mais agressiva para conquistar mercados no exterior.
As propostas são parte de 42 estudos organizados pela entidade e serão base para o encontro de empresários com os candidatos Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB),  na próxima quarta-feira (30).

Segundo José Augusto Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da CNI, o país se tornou “caro e pouco competitivo” em função de fatores como custo da energia, transporte, burocracia, distorções no sistema tributário e taxas de juros. Ele ressaltou que “são temas horizontais, dispersos em vários ministérios e agências” e que os países que obtiveram bons resultados se organizaram para tratar o problema. “Essa coordenação tem que estar muito próxima do presidente da República. [Ele] tem que dar o empoderamento a um líder para que enfrente essa agenda. Tem que definir prioridades, ter um sistema para monitorar e avaliar os resultados. Senão o governo acaba se perdendo”, disse.

Em relação a um dos entraves à competitividade, a questão tributária, Fernandes disse que o Brasil “é um ponto fora da curva”. Ele citou como exemplo uma simulação encomendada pela CNI que mostrou que os impostos chegam a elevar em 10,6% o valor de um investimento no Brasil. “Contratamos uma empresa especializada de consultoria tributária. Essa empresa montou um projeto típico de investimento, no valor de US$ 4 bilhões. Fomos à Inglaterra, Austrália, México e Brasil”, relatou. Segundo o diretor, atualmente, eliminar a cumulatividade de impostos (incidência em todas as etapas do processo produtivo) é o principal objetivo estratégico da indústria.

Outras demandas da CNI são: melhorar o processo de desoneração da folha de pagamento, aumentar o número de tratados internacionais para evitar dupla tributação, permitir ampla compensação de saldos credores de tributos federais, ampliar gradativamente prazos para pagamentos de tributos e, ainda, resolver a questão dos incentivos fiscais no caso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), usado como instrumento da chamada “guerra fiscal”.

Fernandes citou a infraestrutura como a área que obteve mais avanços até aqui e com maior possibilidade de mudanças nos próximos anos. “Temos vários marcos regulatórios que foram construídos. Existem muitas regras dadas, concessões, os aeroportos privados começam a aparecer”, declarou. Segundo ele, a CNI defende aumento da participação do setor privado por meio de concessões e parcerias público-privadas. A entidade também quer mais qualidade nas licitações, instrumentos para que as obras não sejam paralisadas e reforma institucional do setor de transportes. “É importante que esse setor seja crescentemente profissional, crescentemente técnico”, avaliou.

De acordo com diagnóstico da CNI, de 2000 a 2010, o valor médio do investimento em infraestrutura no Brasil correspondeu a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas de um país), o equivalente a aproximadamente R$ 73 bilhões ao ano. A entidade destaca que o gasto deveria alcançar 5% do PIB, ou R$ 175 bilhões ao ano.

No caso das relações de trabalho, a CNI considera a legislação atual “rígida”. “O mundo mudou. A forma de organização da produção mudou, de forma bastante revolucionária. 

Mesmo quando empresários e trabalhadores querem fazer uma mudança que é benéfica ao interesse comum, entram na zona de risco [de descumprimento da lei]. A gente precisa dar mais ordem, mais segurança jurídica a esse ambiente. O que estamos dando ênfase aqui é à negociação coletiva. Ela não pode ser desqualificada na Justiça”, defendeu Fernandes. O diretor também defende a terceirização, com um marco regulatório que autorize a modalidade de contratação em qualquer atividade.

Fernandes comentou ainda a necessidade de uma estratégia mais agressiva para que o Brasil conquiste mercados no exterior. “Dadas as imperfeições no nosso sistema tributário, você cria um país de empresas tímidas e pouco ambiciosas para enfrentar o mundo. A mensagem que estamos passando aos candidatos é que o mercado do Brasil é um ativo, é importante. Mas não é suficiente. Várias empresas não conseguem ter a parcela devida só com nosso mercado, nem com o Mercosul”.

De acordo com Fernandes, após o encontro de quarta-feira, no qual cada presidenciável terá um tempo para ouvir as propostas da indústria e falar para mais de 700 empresários, a CNI não deve declarar apoio a um candidato específico. “A CNI não escolhe candidatos. 

Procura influenciá-los, mostrar sua agenda, discutir suas opções. Até porque sua base se divide entre os candidatos, isso criaria um extraordinário problema de gestão”, afirmou. 

Segundo ele, a compilação dos 42 estudos também deve ser discutida com candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados. O diretor ressaltou que, no caso de algumas áreas, a CNI preparou portarias, decretos e leis para sugerir aos candidatos.
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Fonte:http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/07/os-empresarios-entram-na-campanha.html