terça-feira, 29 de julho de 2014

A direita teme o Estado

29.07.2014
Do blog ESQUERDOPATA, 26.07.14

É a questão ideológica que ainda marca a iminente disputa eleitoral


Quem não se lembra da frase de George Soros, dita em 2002 e retransmitida pela mídia brasileira, “em cadeia nacional”, de que a vitória de Lula “seria o caos”?

Era a mão visível do mercado pregando o terrorismo.

Em 2014, a coisa não está tão longe disso. O ex-funcionário de Soros e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, apontado como czar da economia se Aécio ganhar a eleição, chegou a afirmar que “a possibilidade” de Dilma vencer no primeiro turno “poderia ter o mesmo efeito que a vitória de Lula em 2002”.

Naquele ano, o dólar, premeditadamente, foi empurrado para a porta dos 4 reais e ameaçava a estabilidade econômica. Hoje, após transitar por gabinetes refinados no universo empresarial e político, eis o que pensa Fraga, interpretado por jornalistas sintonizados com os interesses conservadores, já prontos a descartar o desfecho da eleição no primeiro turno.

“A derrota do PT no segundo turno poderia fazer a Bolsa de Valores retomar o crescimento depois de ter caído quase 40% nos anos Dilma.”

Dilma significaria o caos, ou quase. Provaria isso o efeito do empate técnico, no segundo turno, projetado pelo resultado da pesquisa DataFolha mais recente. Conhecidos os porcentuais, o Ibovespa subiu “empurrado pelas ações das estatais”.

Aqui o argumento econômico não encobre mais o conteúdo político. Esse é o conflito do “lobo mau” (o Estado) com a “raposa” (o mercado), que, como se sabe, não pode ficar sozinha no galinheiro.

Não por acaso este início de disputa eleitoral mostra uma mudança no discurso da oposição. Inicialmente, Aécio cresceu quando passou a disparar contra o PT. Valeu-se da pauta de acusações que norteia os tucanos. Agora, para driblar o difícil conflito de programas administrativos, pelos quais Dilma leva vantagem, os tucanos se aproximam do terrorismo econômico para conter a influência do Estado.

O medo produz o pesadelo. Teme-se o avanço estatal se o governo continuar sob controle de Dilma. Isso expõe, com falsa razão, o contágio ideológico.

É verdade e não se trata de segredo que o Estado, no governo Dilma, tem função importante na condução das políticas de governo exatamente onde o mercado falha ou não investe por dúvidas sobre o retorno lucrativo.

Essa é a verdadeira moldura do debate da eleição de 2014.

Em dois meses, arredondando os dias, os brasileiros vão escolher quem os governará por mais quatro anos, a partir de 2015. E já não há dúvida, salvo uma mudança sobrenatural, que a disputa será mais uma vez entre petistas e tucanos. Eduardo Campos (PSB) está fora. Faz apenas o papel de coadjuvante.

O PSDB comandou o país por oito anos com Fernando Henrique Cardoso. O PT vai completar 12 anos de poder, contando os oito anos de Lula e os quatro de Dilma.

Essa é uma luta política encarniçada e vai muito além de rivalidades pessoais passadas, entre os dois ex-presidentes ou entre os atuais postulantes ao cargo. No caso de Dilma, o segundo mandato. A competição busca o poder. Expõe diferenças programáticas e consolida o embate, que não foi expulso da história, entre a direita e a esquerda.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/a-direita-teme-o-estado.html

DILMA JÁ SABE O QUE E QUEM ENFRENTAR

29.07.2014
Do blog CONVERSA AFIADA, 28.07.14
Por Paulo Henrique Amorim

Quem busca exibir-se não é ela, mas são eles.

O Coronel Pantaleão quis saber se ela transaciona ministério na cadeia


A Presidenta Dilma Rousseff se submeteu à primeira sabatina do PiG (*) na temporada eleitoral em que, como insiste o Datafalha, culminará  com sua reeleição no primeiro turno.  

Dilma deu um passo adiante nas formulações que tem feito até aqui: ela espera ardentemente que a campanha se radicalize entre pobres e ricos – numa “luta de classes”, como disse o repórter da Fel-lha (**), hoje, porta-voz da Jovem Pan.

Ela gostaria, sim, de mostrar como os  pobres melhoraram de vida nos Governos Lula e Dilma, quando todos ganharam.

E os pobres ganharam mais.

Embora, como diria o Jabor, seja muito chato entrar num avião e ter uma empregada doméstica ao lado.

Um horror !

(Não deixe de votar na trepidante enquete: quem sustenta o tripé do FHC ?)

Dilma demonstrou que está bem preparada.

Soube enfrentar com sangue frio e até bom humor as provocações – como as de Josias de Souza, que a acusou de ceder a uma chantagem para nomear um ministro negociado dentro da cadeia, por um mensaleiro.

Gente fina, esse Josias.

Aliás, ele parecia o Joaquim Barbosa.

Não ficou de pé.

Mas, se recostou na cadeira como o Coronel Pantaleão do Chico Anísio.

À vontade, dono do pedaço.

Só faltou ir de pijama

Se acha !

As perguntas deram a Dilma uma ideia de como os candidatos de oposição e o PiG – tudo a mesma sopa – vão se comportar nos próximos debates.

A agenda é:

- inflação desembestada (o FHC NUNCA ficou dentro da meta !);

- baixo crescimento do PIB;

- desemprego = ao da Espanha e da Grécia;

- Pasadena;

- corrupção desenfreada;

- mensalão;

- concessão é igual a privataria (tucana );

- datafalha e globope, com rejeição cavalar, especialmente em São Paulo;

- o Satãder tem razão;

- a Copa foi, de fato, um fracasso retumbante.

Não vai fugir disso.

E aí ela dominou a discussão e desidratou a entrevista.

Os repórteres voltaram para casa sem manchete.

Ela não pisou em nenhuma casca de banana.

E estava preparada para enfrentar todas as perguntas – e até por que guarda R$ 150 mil em dinheiro, em casa. (Leia em tempo.)

(Pergunta que os quatro valentões jamais fariam ao Principe da Privataria, ao Padim Pade Cerra – de que vive ele ? – e ao aecioporto …)

A sabatina teve uma grande vantagem.

Além de oferecer um palanque à Dilma.

Mostrou como funcionam os entrevistadores do PiG.

Sao todos funcionários da Fel-lha (são, foram, ou querem ser).

Eles não fazem perguntas.

Isso é coisa para a ralé.

Não estão minimamente preocupados em informar seus leitores/espectadores.

Eles fazem afirmações para si próprios e seus patroes.

Quem busca exibir-se não é ela, mas são eles.

Também não tem importância se a pergunta já foi feita há pouco, com outras palavras: o importante é que saibam que cada um foi capaz de fazer aquela pergunta valente à Primeira Mandatária da Nação !

Eu sou Maximo, viu patrão ?

No próximo corte na redação, não me inclua !

Não importa se, em quatro anos de Governo, ela tenha feito 21 mil MW de energia – e por isso não houve o anunciado apagao da Urubologa.

E que o Principe da Privataria, o do Yes, we care , fez 1 MW !

1 !

O que subtraiu dois pontos percentuais do PIB !

Isso não tem a menor importância.

Como não vai ter a menor importância ela estabelecer essa comparação na campanha eleitoral.

O que importa é saber se o patrão viu os rapazes.

Porque, como diz o Mino Carta, no Brasil, os jornalistas são piores que os patrões.

(Em tempo: ela não sabe ao certo por que guarda R$ 150 mil em dinheiro, em casa. Talvez pelo mesmo motivo por que, por muito tempo, dormisse de sapatos. Habito adquirido no regime militar, quando esteve três anos trancada, sob torturas, no Presidio Tiradentes, e o seu Frias emprestava as caminhonetes aos torturadores. Ela explicou que, se não estão guardados, ela aplica na poupança. Aí alguém ponderou que a poupança rende juros. Ela disse que é de outra geração. Ela não se preocupava com dinheiro, não era assim que se media “o sucesso”. O que importava para ela era “mudar o Brasil”. O que também é a obsessão dos entrevistados e seus patrões. Mudar para pior.)

Em tempo2: liga o Vasco: 

- O Josias tratou a Dilma como se fosse a Terta.

Em tempo3: colaboração desinteressada de amigo navegante que conhece todos os esses entrevistadores da Fel-lha: o Coronel Pantaleão e a onça:




Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/07/28/dilma-ja-sabe-o-que-e-quem-enfrentar/

Aécio Neves do PSDB defende o caráter do ex-Senador cassado Demóstenes Torres

29.07.2014
Do BLOG DO SARAIVA, 28.07.14
 
Na tribuna do Senado Federal, o Senador Aécio Neves defende o caráter e a clareza das ações do ex-Senador cassado Demóstenes Torres
 
Veja o impressionante vídeo em que o Senador do PSDB Aécio Neves defende o caráter e a dignidade do Ex-Senador Demóstenes Torres do DEM, cassado por ser flagrado trabalhando em conluio com um Bicheiro afim de beneficiar o contraventor em seus negócios pessoais com jogos ilegais. Leia abaixo do vídeo a transcrição do texto.
 


 
Aécio Neves do PSDB e Demóstenes Torres
Aécio Neves do PSDB e Demóstenes Torres
Demóstenes Torres:
Com a Palavra o Senador Aécio Neves
Aécio Neves:

 Ilustre Senador Demóstenes,

 para nós que o conhecemos, e o conhecemos em profundidade, talvez soasse desnecessária Vossa presença hoje na tribuna do Senado Federal pra tratar dessa questão. Mas eu compreendo, compreendo a iniciativa de Vossa Excelência em falar ao Brasil e prestar os devidos esclarecimentos aos brasileiros em primeiro lugar, porque Vossa Excelência é uma figura nacional. Aos goianos por duas vezes o trouxeram a essa casa e por último aos seus pares.
A serenidade Senador Demóstenes que Vossa Excelência demonstra acompanhada da clareza de vosso pronunciamento e da firmeza com que se coloca perante aos seus pares só confirmam o caráter de Vossa Excelência e isso torna-se ainda mais relevante porque vem emoldurada pela unanimidade das manifestações de seus pares de todas as vertentes políticas. Vossa Excelência é um homem digno e sempre agiu dessa forma em todos cargos públicos que ocupou e digo mais, Vossa Excelência Senador Demóstenes é dos mais preparados e destemidos homens públicos desse País e por isso mesmo, dos mais respeitados. Esteja seguro, Vossa Excelência, sua família e aqueles que como eu tanto o admiram, será dessa forma que Vossa Excelência continuará a ser vista pelos brasileiros, pelos goianos e pelos seus pares, com respeito e enorme admiração.
Demóstenes Torres:

 Agradeço a Vossa Excelência Senador Aécio Neves
 
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Fonte:http://saraiva13.blogspot.com.br/2014/07/aecio-neves-do-psdb-defende-o-carater.html

GILBERTO: "AEROPORTO É SÓ A PONTA DO ICEBERG DE AÉCIO"

29.07.2014
Do portal BRASIL247, 28.07.14

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/148247/Gilberto-aeroporto-%C3%A9-s%C3%B3-a-ponta-do-iceberg-de-A%C3%A9cio.htm

ESCÂNDALOS DE AÉCIO NEVES: O bolsa família de Aécio!

29.07.2014
Do blog O CAFEZINHO, 25.07.14

Aécio Neves não precisa se esforçar muito para provar ao Brasil de que manterá o Bolsa Família.

Seu trabalho será convencer os brasileiros, porém, de que não será apenas a “sua” família que receberá benefícios do governo.

Na matéria abaixo, você verá o tipo de “meritocracia” defendido pelos tucanos.

Detalhe, Aécio é de uma família onde quase ninguém jamais trabalhou no setor privado. Todo mundo sempre teve cargo público de confiança. A começar pelo próprio Aecio, que já foi diretor da Caixa Econômica, nos gloriosos tempos de Sarney.
aecio_caixa_nomeacao_sarney
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CARTA BRANCA

Aécio usou lei delegada para contratar parentes no governo de Minas


Em 2006, o deputado estadual Rogério Correia (PT) apresentou requerimento de informações sobre nepotismo de parentes do então governador Aécio Neves. A lista tinha nove nomes

por Helena Sthephanowitz publicado 25/07/2014 18:36, última modificação 25/07/2014 18:59, em seu blog na Rede Brasil Atual.

Em janeiro de 2007, Aécio Neves (PSDB), no início do seu segundo mandato para governador de Minas, utilizou-se de sua maioria na Assembleia Legislativa para obter uma carta branca para criar cargos comissionados e nomear pessoas (a chamada lei delegada). Nesse processo, o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) usou a legislação para nomear Fernando Quinto Rocha Tolentino, primo de Aécio, em Cláudio, local do polêmico aeroporto construído na fazenda que era do tio.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo a respeito do aeroporto de Cláudio, quem atendeu o repórter e estava com as chaves do local chama-se Fernando Tolentino. Mas essa não foi a primeira nomeação deste primo pelo ex-governador tucano.

Em 2006, o deputado estadual Rogério Correia (PT), da oposição ao governo tucano, apresentou um requerimento de informações sobre nepotismo de parentes do então governador Aécio Neves. A lista tinha nove nomes, inclusive Fernando Quinto Rocha Tolentino:

- Oswaldo Borges da Costa Filho (genro do padrasto do governador), presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico e Minas Gerais;

- Fernando Quinto Rocha Tolentino (primo), assessor do diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER/MG);

- Guilherme Horta (primo), assessor especial do governador;

- Tânia Guimarães Campos (prima), secretária de agenda do governador;

- Frederico Pacheco de Medeiros (primo), secretário-adjunto de estado de governo;

- Andréia Neves da Cunha (irmã), diretora-presidente do Serviço de Assistência Social de Minas Gerais (Servas);

- Ana Guimarães Campos (prima), servidora do Servas;

- Júnia Guimarães Campos (prima), servidora do Servas;

-Tancredo Augusto Tolentino Neves (tio), diretor da área de apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Heliponto na “Versalhes” (veja documento abaixo)

Fernando Quinto Rocha Tolentino é dono do heliponto na Fazenda da Mata no município de Cláudio, segundo documento da Agência Nacional de Aviação Civil (abaixo). Essa é a fazenda que Aécio disse em uma entrevista ser “sua Versalhes” (palácio suntuoso do rei Luís XIV, da França), um dos lugares onde gosta de passar suas folgas.


Desta vez, pelo menos, o heliponto está registrado na Anac como privado, diferente do aeroporto na mesma cidade construído com dinheiro público. Tem pavimento com capacidade para receber um helicóptero com peso de cinco toneladas, incluindo a carga. Comporta um aparelho bem maior do que o Robinson R22 da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) apreendido no Espírito Santo com meia tonelada de cocaína.

Chique essa “Versalhes” do Aécio, não acham? Quando vai de helicóptero desce direto na fazenda da família. Quando vai de jatinho, não precisa nem descer no aeroporto regional de Divinópolis, a menos de 40 minutos de carro. Desce no aeroporto construído a seis quilômetros de distância da fazenda com dinheiro público de Minas.

familia surerus agosto 1896 (1)
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/07/25/o-bolsa-familia-de-aecio/#sthash.ulXZbFIz.dpuf

Dilma em sua versão 4.0 vem aí

29.07.2014
Do blog ESQUERDOPATA, 28.07.14


E foi o que ocorreu com Dilma Rousseff entre os anos 2010 e 2014. Temos uma outra Dilma, eloquente, à vontade, com domínio do tempo jornalístico. Isso ficou patente ao assistir ao vivo a sabatina com os presidenciáveis do pleito presidencial de 2014 promovido pelo consórcio Folha/Uol, no Palácio da Alvorada, em Brasília, na tarde desta segunda-feira, 28 de julho.

Chama a atenção a descontração de uma presidente sempre bem-humorada mesmo que as perguntas que lhe destinavam pareciam mísseis teleguiados por Israel em direção à Faixa de Gaza, a diferença é que a segurança da presidente funcionou como perfeita bateria antimíssil, derrubando logo de início o caráter provocativo das questões e abatendo por completo o lait-motiv dos inquisidores que não era outro que deixá-la sem norte e sem rumo, sem resposta, insegura, encurralada.

A segurança das respostas de Dilma também ficou evidente. Sabia dados econômicos na ponta da língua, e mais que isso, se sentia muito à vontade para desqualificar informes estatísticos aventados por Kennedy Alencar e Josias de Souza, não demonstrando irritação com quem fazia a pergunta e sim, buscando apresentar o enfoque que em cada situação lhe parecia ser o mais correto, verdadeiro, genuíno.

Essa sabatina deixou em apuros a visão de nossa grande imprensa: quase sempre distorcida, colocando por baixo do tapete jornalístico o que de bom é feito pelo governo e dando desmedida exposição midiática a qualquer indicador que demonstre inflação descontrolada, desemprego em alta, desaquecimento econômico. E para isso incansável em expor cenários comparativos os mais inusitados como: a maior taxa de desemprego na indústria em meses com maior números de lua no quarto minguante; a maior escalada inflacionária desde que foi inventada a penicilina ou desde quando foi descoberto o ex-planeta Plutão; desde que foi lançado nas farmácias e drogarias de todo o país o regulador Xavier; ou ainda, dos tempos em que Monteiro Lobato criou a boneca Emília e se envolveu  na campanha nacionalista "O petróleo é nosso!"

E nossa imprensa chega às raias do risível quando investe pesado em pintar tempestades perfeitas irrompendo assim do nada, como se surgisse ao acaso em perfeitos dias ensolarados.

Com domínio do lugar da fala, Dilma foi a senhora absoluta do tempo da entrevista, colocou sob sua perspectiva o que era de seu desejo explicitar, soube com rara habilidade de comunicadora – coisa que ela realmente não é ou pelo menos nunca demonstrara antes ser – não se prender à maneira e ao contexto com que os temas eram levantados pelos entrevistadores.

E estes contextos eram claramente desfavoráveis ao seu governo. A maior parte dos tópicos foram levantados tendo como pano de fundo claro clima de confrontação, aquele clima que se bem emoldurado, costuma render além de boas manchetes jornalísticas, farto combustível a ser alardeado pela oposição como fraqueza da presidente que tenta a reeleição.

E tudo assumia tinturas de escândalo, escárnio, menosprezo ao governo da entrevistada. Algumas das bombas logo desarmadas foram:

Santander: Dilma considerou a ação do banco espanhol para influenciar no processo eleitoral como inadmissível, afirmou ainda estar estudando medidas a serem tomadas e disse que o pedido de desculpas do banco foi não mais que protocolar, ou seja, que o governo brasileiro não ficara satisfeito com as explicações e, que pretende,algo entre 0 e 10 como 1,5 ou 2.

Anão diplomático: Acerca do vexame cometido pela chancelaria israelense de taxar o Brasil de “irrelevante” e “anão diplomático”, não só reafirmou que agira de forma certa ao convocar a Brasília nosso embaixador em Israel, como também disse e repetiu que apoia integralmente a posição da ONU de que tem que haver um cessar fogo imediato do bombardeiro de Israel sobre a população civil de Gaza. Falou da importância do Brasil quando da criação do estado de Israel, de grande parte da população brasileira ser descendente dos cristãos novos, aqueles que no século XV  assumiram novos sobrenomes como forma de escapar da diáspora ibérica. Preferiu chamar de massacre ao invés genocídio o que Israel está fazendo em Gaza. E deixou claro que não pretende cortar relações diplomáticas com o estado judeu.

= Mensalão: Dilma afirmou que o processo envolvendo o PT e partidos de sua base aliada, herdada ainda dos governos Lula da Silva foi tratado, se visto em relação ao mensalão do PSDB, como “dois pesos e 19 medidas”. E desconcertou Josias de Souza com essa: “O mensalão mineiro não foi julgado pelo STF e você sabe como será julgado em Minas, não é Josias?”

= Corrupção: Dilma rechaçou a pecha que a oposição e a mídia tenta desde há muito colar no PT de que é um partido que enseja o crescimento da corrupção. Demonstrou que, muito ao contrário do que se acostumaram a difundir, o PT é quem mais investiga qualquer caso de corrupção, é o partido que teve, pela primeira até seus antigos dirigentes condenados, bem ao contrário dos demais partidos que sempre mantiveram a prática de engavetar as denúncias, abafar os escândalos, nada investigar. Dilma reafirmou sua profunda confiança em órgãos como a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público Federal, a Advocacia-Geral da União, o Tribunal de Contas da União.

= Inflação: Dilma nadou de braçada, dando informações detalhadas sobre o comportamento anual das taxas de inflação de 1999 a 2013, e com isso esclareceu que os governos do PT sempre estiveram dentro das metas, e na maioria dos anos, bem abaixo do centro das próprias metas. Destacou a robustez econômica do Brasil em relação a diversos países do mundo. Afirmou que mesmo em meio à crise internacional de tal monta. o Brasil optou por políticas de livre emprego e não pelo desemprego e arrocho salarial, que segundo ela, eram práticas dos governos anteriores ao PT.

= Cuba: Dilma fez clara defesa do seu Mais Médicos, explicou que o maior número de médicos vem de Cuba simplesmente porque foi o país que melhor atendeu aos propósitos do programa que é o de interiorizar o atendimento à saúde básica nas regiões Norte e Nordeste, em lugares remotos do Brasil, áreas indígenas e nas periferias das grandes cidades de todo o país: primeiro abriu para médicos brasileiros, conseguiu pouco mais de mil; depois abriu para médicos do exterior, pouco mais de 12 mil se inscreveram e destes cerca de 10 mil eram de nacionalidade cubana, quando então o governo brasileiro buscou concretizar a parceria com a entidade de saúde que tratava de convênios da espécie (OPAS). Afirmou também que não se trata de salário e sim de bolsa. E que é algo temporário, até que o Brasil consiga formar médicos em quantidade suficiente às necessidade do país e consiga convencê-los a se estabelecer em centenas de municípios-metas do Programa. Depois mencionou que achava um contrassenso que, em pleno século XXI, ainda existisse tanta aversão a Cuba. E afirmou que a totalidade dos países da América do Sul, inclusive o Brasil, são unânimes ao se posicionar contra o embargo/bloqueio mantido pelos Estados Unidos contra a pequena ilha caribenha há tantas décadas.

= Rejeição: Dilma disse que boa parte dessa rejeição atribuída ao PT e ao seu governo tem a ver com o desconhecimento da população das ações do governo e que com o horário eleitoral isso será sanado. Lembrou que um mês antes da Copa do Mundo pesquisas davam conta que mais de 60% da população estavam contra o Mundial e que durante e logo após o evento, cerca de 84% da população mostrou posição amplamente favorável, positiva acerca de Copa no Brasil. Perguntada sobre o que pretende fazer quanto à sua rejeição em São Paulo, apresentou várias grandes obras do governo federal em São Paulo: 600 mil casas pelo “Minha casa, minha vida”, grande parte da construção do Rodoanel. Creditou isso ao nível de desinformação.

= Dinheiro em casa: Josias de Souza quis saber porque ela conservava consigo R$ 152.000,00 em espécie, porque não tinha esse dinheiro em banco. Dilma foi de uma sinceridade desconcertante: ”acho que isso vem do tempo em que eu vivia fugindo, dos três anos em que fui presa durante a ditadura militar, eu era uma fujona”. Matou assim dois coelhos de uma só cajadada. Primeiro, porque relembrou seu passado de resistência à ditadura, coisa que nenhum de seus adversários na corrida pelo Planalto podem trazer para si. Segundo, porque é uma pessoa de hábitos e que prefere ir ao longo do ano ir depositando em poupança. È óbvio que uma pessoa que é perseguida por um regime, como aquele que os militares instauraram no Brasil no período 1964/1985, não cometeria a insensatez de manter conta em banco, até porque nunca se sabia em que residência pernoitaria ou em qual cidade buscaria refúgio. Simples assim.

Ao final, nenhuma pergunta ficou sem resposta. E em nenhuma Dilma fraquejou ou gaguejou, simplesmente porque enfrentou todos os temas com extrema naturalidade e segurança. Aquela naturalidade de quem se orgulha do que fez e a segurança de quem sente orgulho do que faz.

A candidata que tenta sua reeleição em outubro próximo é imensamente diferente daquela desconhecida bancada por um presidente-rei-da-comunicação como o foi Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Por outro lado, foi um bom exercício para jornalistas que sempre se achavam  "a última bolacha do pacote" perceber como a realidade é outra quando há espaço para o contraditório.

Se eu fosse qualquer dos principais adversários da candidata Dilma Rousseff começaria a me preocupar com os debates que virão pela frente. Porque, levando em conta esse aperitivo servido pela Folha/Uol, Dilma nunca esteve tão à vontade como agora para discorrer sobre qualquer tema.

O mesmo não se pode dizer de Eduardo Campos. O pernambucano, neto de Miguel Arraes, posou  tempo demais tentando passar a imagem de que é a encarnação de  um novo modo de fazer política, uma terceira via possível para a política nacional em contraponto ao binômio PT/PSDB, agora nos debates terá que explicar pencas de contradições internas de seu combalido PSB: histórias mal contadas e numerosos atritos envolvendo o consórcio PSB/Rede de Marina Silva e atinentes à distância entre “programático e pragmático”; percepção que nordestinos têm de que ele traiu Lula em favor de sua ambição pessoal; compra de apoio político para seu candidato ao governo de Pernambuco; coligações com expoentes da direita ao estilo Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes; apoio aos candidatos tucanos aos governos de Minas (Pimenta da Veiga) e São Paulo (Geraldo Alckmin).

Quanto ao mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, ele terá que conviver com uma imprensa que decididamente não é a das Minas Gerais. E terá que parar de gaguejar e de mostrar seu incontrolável nervosismo ao tratar de temas triviais em uma campanha presidencial que faz completo contraponto do atual governo ao legado de FHC; aeroportos que vão de Montezuma a Claudio; bafômetro; drogas; evolução patrimonial; rádio Arco-Íris; cerco à imprensa de oposição ao seu governo; perda de posições de Minas Gerais para vários outros estados brasileiros nos últimos 5 anos; mensalão tucano envolvendo seu candidato Pimenta da Veiga ao governo de Minas; Petrobrax.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/dilma-em-sua-versao-40-vem-ai.html

FHC só tem credibilidade na mídia

29.07.2014
Do BLOG DO MIRO,28.07.14

Por Altamiro Borges

FHC deixou o governo, no final de 2002, com um dos piores índices de popularidade da história dos presidentes da República do Brasil. Até hoje, ele é detestado pelos brasileiros. Recente pesquisa do instituto Datafolha apontou que 57% dos entrevistados não votariam, “de jeito nenhum”, num candidato indicado por ele. Mesmo assim, a mídia nativa morre de amores pelo “príncipe da Sorbonne” – o responsável pela implantação do regressivo e destrutivo receituário neoliberal no país, que desmontou o Estado, a nação e o trabalho nos seus oito anos de triste reinado. Neste final de semana, dois veículos da velha imprensa – a revista IstoÉ e o jornal Estadão – voltaram a dar generosos espaços para o ex-presidente.

No Estadão de domingo (27), em entrevista aos jornalistas Alexa Salomão, Gabriel Manzano e Ricardo Grinbaum, o grão-tucano tentou vender a imagem de um político preocupado com a qualidade de vida dos brasileiros. Que o digam os milhões de demitidos e os que perderam renda e direitos trabalhistas durante seu governo. Egocêntrico e vaidoso, ele ainda acha que a “marca” da sua gestão foi a da estabilização da economia. Já a marca da presidente Dilma, esbraveja, seria a de “uma espécie de cabra cega”, em que “nada está funcionando muito bem”. Mas o principal alvo do tucano, numa típica crise de ressentimento e inveja, é o ex-presidente Lula. “Ele é hegemônico, quer tomar conta de tudo”, choraminga.

Já na revista IstoÉ, que foi às bancas no fim de semana, FHC foi ainda mais venenoso. Afirmou que “há uma fadiga em relação ao governo” e que “o PT perdeu a credibilidade”. Na entrevista ao repórter Sérgio Pardellas, ele criticou a mídia, que dá muito espaço à presidenta (sic), o Congresso Nacional, “que ficou muito confinado a ele próprio”, e os sindicatos e movimentos sociais, que foram “aparelhados”. Apesar destes obstáculos, o ex-presidente aposta na unidade tucana – “o PSDB nunca tinha conseguido isso e estamos alcançando agora; uma harmonização grande entre São Paulo e Minas” – e mostra-se confiante numa vitória eleitoral em outubro próximo:  

“A chance de ganhar aumentou. Claro que o aumento da possibilidade de vitória do Aécio decorre dos outros fatores que já elencamos, como o mal-estar no país, o cansaço, os erros de condução da política econômica e, mais recentemente, a quebra de confiança do empresariado no governo... Acho que o eleitor está disposto a ouvir o outro lado porque há uma ruptura de confiança, a economia piorou, há um cansaço e uma fadiga de material. Por isso, considero agora que é provável a vitória do PSDB e de Aécio”. Tanto na entrevista do Estadão como na da IstoÉ, os jornalistas evitaram perguntas mais apimentadas. Nesta última, ainda se falou do “mensalão mineiro” e no “aecioporto”. A resposta foi curiosa.

Para FHC, o julgamento midiático no STF de ex-dirigentes petistas “arranhou muito” a imagem do partido. “O PT perdeu credibilidade. O Lula não perdeu popularidade naquele momento, não sei hoje”. Já no que se refere ao “mensalão mineiro”, o ex-presidente reconhece que o caso “teve pouca repercussão”. Quanto ao “aecioporto”, ele despistou: “O Aécio explicou que a construção se fez em área já desapropriada e pertencente ao Estado de Minas e que seu tio-avô contesta o valor da desapropriação. Se é isso, qual a acusação? Se há denúncia, que haja apuração, mas não creio que isso arranhe a candidatura”. A IstoÉ, porém, não deixou de bajular o ex-presidente.  

“Aos 83 anos, mais de uma década depois de deixar o Planalto e sem qualquer pretensão política, ele se comportou, durante as duas horas de entrevista, como uma figura pública capaz de fazer análises objetivas do momento do País”.

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Leia também:









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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/07/fhc-so-tem-credibilidade-na-midia.html