domingo, 29 de junho de 2014

GOL CONTRA>Oito modos de futebol e crime organizado se misturarem na América Latina

29.06.2014
Do portal da REVISTA SAMUEL, 24.06.14



Pela segunda vez na história do Mundial de Futebol, o Brasil é o país anfitrião do maior evento esportivo do planeta. Talvez a principal diferença entre o torneio de 1950 e o de 2014 esteja no alcance e na instantaneidade com que bilhões de pessoas acompanham os jogos, resultados e fatos relacionados à Copa.
Ao mesmo tempo em que o futebol e as Copas ganharam cada vez mais adeptos e torcedores, maior passou a ser a cobertura da mídia do evento que acontece a cada quatro anos. No caso do Brasil de 2014, são cerca de 20 mil jornalistas de todos os cantos do mundo relatando, fotografando e mostrando o que acontece no país.
A Samuel, agora em sua versão eletrônica, também dedica o período da Copa a trazer o que a mídia independente do Brasil e do mundo vem registrando sobre o antes, o durante e o depois do evento, seus participantes e espectadores. Textos e vídeos postados diariamente darão a medida dos diferentes olhares e observações que irão marcar o cotidiano dos 32 países representados no evento.
Veja todo o material do especial Samuel na Copa:
Equipe do América de Cali em 2012: esforço para romper com influências criminosas


O futebol é há muito tempo uma força unificadora na América Latina. Mas o “jogo bonito” tem atraído ao longo dos anos mais do que apenas torcedores. Seja pelo desejo de prestígio, lavar dinheiro ilícito ou simplesmente ganhar dinheiro, o futebol profissional também tem atraído alguns dos mais infames reis do narcotráfico na região, num processo que corrompe jogadores, técnicos e dirigentes.

Abaixo está uma lista com 8 exemplos do que acontece quando o mundo do esporte se encontra com o submundo.

1. Narcotraficantes que se tornam proprietários

Em 1983, o então ministro colombiano da Justiça, Rodrigo Lara Bonilla, denunciou que seis equipes do futebol profissional do país estavam “nas mãos de indivíduos ligados ao tráfico de drogas”. Entre os nomes listados por Lara estava o América, uma equipe profissional da cidade de Cali, sudoeste da Colômbia, de propriedade dos irmãos Miguel e Gilberto Rodríguez Orejuela, os chefões do Cartel de Cali. Depois que o cartel foi desmantelado no final dos anos 1990, há evidências sugerindo que o América continuou a receber dinheiro das redes do tráfico de drogas. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos adicionou a equipe à sua “Lista dos Chefões do Tráfico” em 1999 por causa de sua contínua ligação com os irmãos Rodríguez Orejuela, congelando assim todos os bens do time nos Estados Unidos. Apesar disso, acredita-se que o América de Cali manteve seus repulsivos vínculos por algum tempo,  e em 2007 até foi vinculado a organizações paramilitares.

O América de Cali finalmente foi retirado da “Lista dos Chefões” em abril de 2013, quando o Tesouro citou os “esforços enormes feitos nos últimos anos, tanto pela equipe como pelo governo colombiano, para romper completamente com influências criminosas que haviam ofuscado o time”.

2. Proprietários de times que se tornam narcotraficantes

Em janeiro de 2014, as autoridades mexicanas prenderam Tirso Martínez Sánchez, apelidado de "El Futbolista" (jogador de futebol). Durante sua carreira no crime, Martínez foi proprietário do clube profissional Queretaro e suspeita-se que controlava dois outros, o Irapuato e o Celaya, por meio de terceiros em vários momentos.

Ao mesmo tempo, ele mantinha contato próximo com alguns dos maiores nomes dos cartéis do México, incluindo Amado Carrilo Fuentes, conhecido como “Senhor dos Céus”, do Cartel de Juárez, e Arturo Beltrán Leyva, da Organização Beltrán Leyva. Além de ser o chefe de uma grande organização do narcotráfico procurado por enviar mais de 70 toneladas de cocaína para fora da Colômbia entre 2000 e 2003, acredita-se que Sánchez tenha se beneficiado de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a transferência de jogadores em parceria com outros ricos empresários, por meio de uma empresa conhecida como Promotora Internacional Fut Soccer.

3. Jogos da reconciliação

Para algumas redes ilegais no hemisfério sul, o envolvimento no mais popular esporte da região se dá menos pela oportunidade de negócios e mais pela publicidade. Esse é o caso do maior grupo guerrilheiro da Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que atualmente estão negociando um acordo de paz com as autoridades colombianas em Havana, Cuba.

No final de 2013, a equipe de negociação dos rebeldes ganhou as manchetes ao propor uma série de Jogos pela Paz em Cuba e na Colômbia, com o objetivo de obter exposição internacional para as conversações.

A proposta inicial de realizar os jogos veio de Carlos Valderrama, um craque do futebol colombiano, que sugeriu em uma entrevista ao jornal El Tiempo que o jogo poderia ajudar a promover a reconciliação no país. As Farc pegaram a ideia e divulgaram um comunicado à imprensa em Havana no qual o principal líder rebelde nas negociações, Iván Márquez, dizia que a guerrilha estava “preparada fisicamente, atleticamente” para as partidas.

O grupo também convidou outras estrelas do futebol, como o esquerdista jogador argentino Diego Maradona. Um porta-voz do presidente Juan Manuel Santos disse que o governo estava disposto a coordenar os jogos, mas ainda não anunciou o momento ou data para eles.

Estátua de Valderrama em Santa Marta: craque colombiano propôs jogos de reconciliação

4. Traficantes e benfeitores

As Farc não são as únicas que conhecem o potencial do futebol para fazer boas ações de relações públicas. No México, o chefão do Estado de  Michoacán, Wenceslao Álvarez, conhecido como “El Wencho”, pode ter comprado a equipe de segunda divisão no, os Mapaches, de Nueva Italia, pela mesma razão

Antes de ser preso em 2008, Álvarez era uma espécie de camaleão em sua carreira criminosa. Membro ativo do Cartel do Golfo antes de trabalhar para a Família Michoacana, também se acredita que tivesse estreitas ligações com os Zetas, de acordo com o Tesouro dos Estados Unidos. Quando a polícia invadiu os escritórios dos Mapaches, prendeu vários integrantes do time, os quais se beneficiavam grandemente das atividades ilegais de seu chefe. Uma equipe de investigações de Los Angeles descobriu que todos os jogadores tinham salários altos demais, dirigiam veículos de luxo e recebiam novos uniformes a cada jogo. Os promotores incluíram a equipe em uma lista de frentes legais de renda ilícita.

Para alguém como Álvarez, um traficante que comandava um império das drogas que ia dos campos de coca na Colômbia às ruas de Atlanta, o time era pequeno demais para lavar quantias significativas de dinheiro. A compra da equipe parece ter sido mais para conquistar apoio em sua base territorial do que uma iniciativa de negócios.

De acordo com o historiador mexicano de esportes Carlos Calderón, ele conseguiu o efeito pretendido: “Esse cara era visto como um benfeitor na região onde a Família Michoacana operava porque formava times e criava escolas de futebol para as crianças, dando-lhes camisas e sapatos, tudo com o dinheiro das drogas”, disse Calderón à revista de esportes “El Gráfico”.

Mapaches: o time mexicano de segunda divisão era pequeno demais para lavar quantias significativas de dinheiro
 

5. Jogadores como “mulas”

Em 2003, por exemplo, um ex-zagueiro do clube mexicano Necaxa, Carlos Álvarez Maya, foi preso no aeroporto internacional do México depois que as autoridades descobriram mais de 1 milhão de dólares em dinheiro em sua bagagem. Quando lhe perguntaram sobre a quantia, Álvarez deu a resposta-padrão usada por quase todas as “mulas” de dinheiro e drogas, que temem retaliação se delatarem: ele disse à polícia que um “estranho” se aproximou dele no estacionamento do aeroporto e lhe ofereceu dinheiro para transportar a mala.

6. Jogadores se tornam alvos

Há muitos exemplos de jogadores de futebol embrenhados no mundo violento das drogas. Um dos mais dramáticos envolveu o paraguaio Salvador Cabañas, ex-atacante do clube América, do México, que levou um tiro à queima roupa na cabeça em 2010. Surpreendentemente, ele sobreviveu, embora os médicos não tenham conseguido remover a bala de seu cérebro.

Depois do incidente, fontes na polícia disseram suspeitar que o jogador possa ter sido alvo do atentado por causa de dívidas por drogas não pagas. O suposto atirador, depois identificado como José Jorge Balderas, conhecido como “JJ”, certamente tinha conexões criminosas impressionantes. JJ, que foi preso em 2011, era ligado a Édgar Valdez Villarea, de cognome “La Barbie”, homem-chave da Organização Beltrán Leyva. Em seu depoimento, La Barbie confirmou o papel de JJ no ataque ao jogador. Ele disse que JJ e Cabañas eram amigos, mas no dia do ataque o jogador “estava de mau humor e eles começaram a brigar”.
 
7. Autoridades e agentes como traficantes

O dinheiro fácil do comércio de drogas seduz não só os jogadores, mas também os dirigentes do futebol profissional. Na Operação Ciclone, de fevereiro de 2009, a polícia espanhola prendeu 11 pessoas por supostamente usarem suas ligações com o esporte para encobrir uma rede internacional de tráfico de drogas que se estendia da Argentina até a Europa.

Os nomes incluíam um ex-jogador profissional e outro em atividade, bem como vários agentes de recrutamento. Autoridades disseram que o cabeça da rede era Zoran Matijevic, que o jornal espanhol El País identificou como empresário de jogadores licenciado pela Fifa. Ele e seu sócio, Pedrag Stankovic, ex-jogador do Hércules de Alicante CF, foram acusados de financiar diretamente a compra de pelo menos 600 quilos de cocaína como parte de um esquema de contrabando.

A Fifa agiu rapidamente para evitar danos à sua imagem. Depois da prisão de Matijevic, a federação informou que não licencia empresários de jogadores desde 2001 e que essa prática só é realizada pelas associações nacionais.

8. Pablo Escobar e o Atlético Nacional

Pablo Escobar era um grande fã de futebol e principal contribuinte de um dos mais importantes times profissionais da cidade de Medellín, o Atlético Nacional. Isso era tanto uma decisão de negócios como uma demonstração de apoio a seu time favorito. Vendas de ingressos, salários de jogadores e lucrativos contratos de transmissão de partidas ofereciam, todos, um meio fácil para seu império criminoso lavar uma parte de seus enormes lucros. Como revelou o ex-treinador Francisco Maturana no documentário “Los dos Escobar”, de 2010, esse afluxo de dinheiro elevou consideravelmente o perfil do time. De acordo com Maturana, “a chegada do ‘dinheiro quente’ ajudou a pagar bons jogadores aqui e trazer estrangeiros, e com isso o futebol melhorou”.

Com a ajuda de sua escalação estrelar naquela época, em 1989 o Atlético Nacional alcançou o que nenhuma outra equipe colombiana conseguira antes: conquistou a Taça Libertadores da América, o título de maior prestígio nos torneios de clubes na América do Sul.

Documentário “Los dos Escobar”: chefe do narcotráfico colombiano era financiador do Atlético Nacional

Quando foi morto a tiros em um telhado de Medellín em 1993, o chefão do narcotráfico foi enterrado com a bandeira do time. Com a morte de Escobar, porém, o Atlético Nacional perdeu um de seus principais financiadores, e a falta de financiamento do Cartel de Medelín contribuiu para uma onda de deserções de jogadores de destaque no time.

Tradução Maria Teresa Souza

Texto originalmente publicado no portal do InSightCrime, organização cujo objetivo é promover pesquisa, análises e investigações sobre o crime organizado na América Latina.

****
Fonte:http://revistasamuel.uol.com.br/conteudo/view/20643/Gol_contra__.shtml

Devassidão de Huck [TvGlobo] vulgariza o Brasil, e o MP?

29.06.2014
Do blog MEGACIDADANIA, 27.06.14

A devassidão da Globo e Huch
O Ministério Público tem a obrigação constitucional de abrir imediatamente procedimento contra a Rede Globo.

Libidinagem é incentivar, estimular, tirar proveito, induzir, atrair, facilitar, a lascívia da mulher.

É só qualquer promotor que queira fazer juz ao nobre trabalho que exerce, dignar-se a CLICAR AQUI e escolher o enquadramento criminal adequado.

A ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), publicou em sua conta no twitter alguns comentários que a seguir reproduzimos.

Ministra condena exploração sexual Huck
Para facilitar o trabalho, esperamos que diligente, do pessoal do MP, reproduzimos abaixo as mensagens que foram publicadas, pela ordem, no site da Rede Globo, na página facebook e no twitter de Luciano Huck.

Luciano Huck campanha escandalosa TT Face e Site

O que nos assusta é que não se trata de um programa de namoro simplesmente - como já vimos muitos. Mas como pode um apresentador de grande alcance na mídia brasileira, com um público muitas vezes adolescente, vender a ideia de "príncipe encantado estrangeiro" desconsiderando toda a luta nacional para ocombate à exploração sexual de crianças e adolescentes e a situação de cuidado especial que grandes eventos proporcionam?

O governo fez uma série de ações justamente para coibir exploração sexual durante a Copa do Mundo, incluindo aplicativos para notificação automática, e estamos todos de olhos abertos para a violência contra as mulheres.

*

É momento de mostrar ao mundo que o Brasil recrimina este tipo de conduta.

É sempre importante destacar que a Rede Globo tem sobre si uma forte suspeita no caso do desaparecimento do processo da Receita Federal, naquilo que já é conhecido pelo refrão MOSTRA O DARF.

Vamos exigir democraticamente que o MP cumpra a Lei, pois do contrário Globo e Huck poderão afirmar que MP significa Meu Protetor.


****
Fonte:http://www.megacidadania.com.br/devassidao-de-huck-tvglobo-vulgariza-o-brasil-e-o-mp/

PSDB ENTREGUISTA: Mídia, mercado e PSDB fazem sabotagem contra Petrobras

29.06.2014
Do blog ESCREVINHADOR, 25.06.14
Por João Antônio de Moraes e Vagner Freitas*

Na terça-feira, 24, o governo da presidenta Dilma Rousseff deu um importante passo para a retomada da soberania nacional sobre uma das maiores reservas de petróleo do planeta, que é o pré-sal brasileiro. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a Petrobrás a explorar as reservas de óleo que excederem os cinco bilhões de barris que foram contratados em 2010 através de Cessão Onerosa feita pela União durante a capitalização da empresa. Trata-se de uma região, cujo potencial de produção pode ser superior ao do Campo de Libra: entre 9,8 bilhões e 15,2 bilhões de barris de óleo.

O mercado e as petrolíferas privadas queriam que as áreas excedentes fossem devolvidas à Agência Nacional de Petróleo (ANP) para serem licitadas. Mas a presidenta Dilma preservou o interesse nacional e contratou diretamente a Petrobrás para explorar essas reservas estratégicas, como prevê o Artigo 12 da Lei de Partilha. Em outubro do ano passado, a FUP e a Plataforma Operária e Camponesa para a Energia realizaram uma grande mobilização nacional para impedir o leilão de Libra, cobrando do governo que já utilizasse naquele momento esse dispositivo da Lei 12.351/2010.

Liderados pela FUP, os petroleiros realizaram uma greve sete dias, que virou símbolo de resistência e indignação contra a decisão equivocada do governo de dividir com as multinacionais o controle do maior campo de petróleo da atualidade. A luta não foi em vão. A pressão surtiu efeito e pela primeira vez nas últimas duas décadas, a Petrobrás voltará a ter o controle integral sobre áreas estratégicas de petróleo, que nos próximos anos deverão dobrar suas atuais reservas.

Isso não acontecia desde que o PSDB e o DEM acabaram com o monopólio da estatal, criando no governo Fernando Henrique Cardoso a Lei 9.478/1997, que concedeu às empresas privadas o controle sobre o petróleo brasileiro. Esse cenário só mudou em 2010, por pressão da FUP, da CUT, dos movimentos sociais e de outras centrais sindicais que historicamente lutam pela retomada do monopólio da Petrobrás. O governo Lula criou uma nova legislação para exploração e produção de petróleo e gás no pré-sal e em áreas estratégicas, instituindo o Fundo Social e a Petrobrás como operadora única.

Ao longo destes quase 20 anos de desregulamentação que os tucanos impuseram ao setor petróleo, mais de 50 operadoras privadas se instalaram no país, sem qualquer comprometimento com o desenvolvimento nacional. Além de precarizarem condições de trabalho e de agredirem o meio ambiente, as multinacionais não fizeram sequer uma encomenda à indústria local.

Foram os navios e plataformas contratados pela Petrobrás que recuperaram a indústria naval brasileira. Em função das encomendas realizadas pela estatal, nossos estaleiros voltaram a gerar empregos e investimentos, que antes do governo Lula eram canalizados para fora do país. O setor naval, que dispunha de apenas 2.500 trabalhadores em 2002, hoje emprega mais de 80 mil e deve contratar mais 20 mil operários nos próximos três anos.

Portanto, a reação negativa do mercado financeiro e da mídia à decisão do CNPE só confirma o que a FUP e a CUT já vêm denunciando há tempos: por trás dos ataques sistemáticos à Petrobrás estão os interesses eleitoreiros e comerciais dos setores do país que tudo fazem para impedir que a empresa continue cumprindo o papel estratégico no desenvolvimento nacional, principalmente após tornar-se a operadora única do pré-sal.

A sabotagem do mercado, derrubando as ações da única petrolífera do mundo que consegue dobrar suas reservas, evidencia ainda mais a campanha ostensiva contra a Petrobrás. O que está sendo questionado, portanto, é quem deve ser beneficiado pela riqueza gerada pelo pré-sal: o povo brasileiro ou as empresas privadas.

Essa é a disputa que coloca em lados opostos os que enaltecem o modelo de concessão, herdado dos tucanos, e aqueles que lutam por avanços no sistema de partilha, que devolveu à Petrobrás o monopólio na operação de campos estratégicos de petróleo e gás. Para a FUP e a CUT, petróleo é soberania e, portanto, deve ser controlado integralmente pelo Estado. Somente assim, os recursos gerados por essa riqueza poderão ser aplicados em políticas públicas que melhorem as condições de vida da população. Por isso defendemos uma Petrobras 100% pública.
Leia outros textos de Plenos Poderes
****
Fonte:http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/midia-mercado-e-psdb-fazem-sabotagem-com-petrobras.html

SINDICALISMO INTERNACIONAL: João Felício, ex-presidente da Cut, é eleito presidente da CSI, por Jaci Afonso

29.06.2014
Do portal BRASIL247, 27.06.14
Por Jaci Afonso

A eleição do companheiro João Felício para o cargo de Presidente da Confederação Sindical Internacional - CSI - representa um avanço da atuação da CUT no cenário internacional, que começou há mais de vinte anos.
A história demonstrou que estávamos corretos ao tomar a decisão de não estabelecer uma filiação sindical internacional durante a fundação da CUT e nos primeiros anos de funcionamento. Isto nos permitiu acumular experiências e estabelecer relações bilaterais comdiferentes centrais de outros países.
Nos primeiros cinco anos de existência a CUT desenvolveu uma política internacional, calcada na busca de articulação com o sindicalismo da América Latina, tendo a campanha pelo Não Pagamento da Dívida Externa ao FMI como principal demanda. A CUT foi uma das principais formuladoras do Movimento que teve seu ápice com Conferencia contra a Dívida Externa em Campinas (em 1987). Nessa época era Secretário de Relações Internacionais da CUT o companheiro Jacó Bittar, que foi dirigente dos petroleiros e um dos fundadores da CUT.
Em 1988 assumiu a SRI o companheiro Osvaldo Bargas, que foi dirigente dos metalúrgicos do ABC. Tinha início a construção da estrutura da SRI, tendo como eixos centrais: a inserção no movimento internacional (através da filiação a CIOSL); o estabelecimento de relações entre os principais ramos (que se organizavam na CUT) e os Secretariados Profissionais Internacionais (as primeiras confederações a se filiarem internacionalmente foram a dos bancários e a dos metalúrgicos); a consolidação de um amplo programa de cooperação externa, envolvendo áreas como formação, saúde no trabalho, mulheres e relações trabalhistas (foi nesse período que foram criadas as Escolas de Formação do Cajamar, da 7 de outubro, o DESEP e o INST).
Foi um período rico em intercâmbios de ideias e experiências e pudemos acumular formulações políticas sobre os temas do trabalho, sistema de relações trabalhistas e novas tecnologias. Mais que isso, pudemos absorver muito do processo de construção do seu modelo de um sindicato democrático e autônomo, fruto das grandes mobilizações do pós guerra.
Em 1991, depois de um longo debate, o 4º CONCUT aprovou a filiação a uma central mundial e atribuiu à Plenária Nacional a tarefa de elaborar uma Política de Relações Internacionais e indicar a que central a CUT se filiaria: à CIOSL (Confederação Sindical Internacional de Sindicatos Livres), à CMT (Confederação Mundial de Trabalhadores) ou à FSM (Federação Sindical Mundial)
Na 5ª Plenária Nacional da CUT - Julho de 1992 foi aprovada a filiação a CIOSL e à sua representação regional, ORIT (Organização Interamericana de Trabalhadores). Tinha inicio uma nova etapa na política internacional da central.
Foram vários fatores que nos levaram à decisão e um dos principais foi internacionalização da economia brasileira (em 1990 Sarney havia iniciado o processo de abertura comercial, que foi alargado por Collor nos dois anos seguintes). Pela mesma razão, as centrais sindicais dos países mais industrializados tinham interesse na filiação da CUT. Aumentava a transnacionalização da economia global e o Brasil se transformava em um polo de maior atração de investimentos.
Outro tema importantíssimo foi o papel da CUT na criação da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul e na decisão das entidades sindicais da região de acompanhar e intervir no processo de negociação do Mercosul. Trabalho que teve prosseguimento nos anos seguintes, onde continuamos desenvolvendoimportante papel.
Em 1994 o companheiro Kjeld Jakobsen (ex-dirigente dos sindicatos dos eletricitários de Campinas) assumiu a Secretaria de Relações Internacionais e, além de dar continuidade aos programas anteriores e investiu, em uma articulação com as organizações sociais nas Américas, na construção de um vigoroso movimento de luta contra a ALCA. Em 1997 a CUT sediou primeira Cúpula Social das Américas em Belo Horizonte e no ano seguinte foi criada a Aliança Social Continental em um encontro no Chile. Esse processo foi tomando dimensões maiores e foi um dos fatores que pesaram para a derrota da ALCA na Cúpula das Américas, na Argentina em 2005.
Além disso passamos a ter uma participação em vários fóruns internacionais e um maior protagonismo na OIT. Foi nesse período que foram criados o Observatório Social e o Programa Cutmulti, que permitiram que a CUT tivesse uma atividade mais articulada com os grandes sindicatos para combater as praticas anti-sindicais das multinacionais e as violações dos direitos sociais fundamentais (trabalho infantil, trabalho escravo, discriminação etc).
Em 2002 o companheiro Jose Olívio Miranda de Oliveira (1947-2008), do Sindicato dos Engenheiros da Bahia, que havia ocupado as Secretarias de Política Sindical e de Organização, foi eleito secretário adjunto da CIOSL (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, atual CSI (Confederação Sindical Internacional). Zé Olívio ampliava assim nosso espaço no sindicalismo internacional, base que depois permitiu que em 2007 ele fosse nomeado diretor da ACTRAV/OIT para a América Latina e,sem dúvida, contribuiu para a conquista do quadro atual.
Em 2003 a Secretaria de Relações Internacionais passou a ser ocupada pelo companheiro João Vaccari (ex Presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Em linhas gerais a política da CUT se manteve a mesma, mas passamos a atuar mais na CSA (na época ORIT). Em 2004 a ORIT fez seu Congresso em Brasília e aprovou a transferência de sua sede para o Brasil. Nesse Congresso o companheiro Rafael Freire, que integrava a Executiva da CUT, foi eleitoSecretario de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável, cargo que ocupa até o momento.
Todo esse processo resultou na nossa maior participação na direção e funcionamento da CSA e com maior presença na CSI, levando a eleição de João Felício, ex Presidente da Apeoesp e CUT Nacional e atual Secretario de Relações Internacionais para o cargo de Presidente (no Congresso da CSI em Berlin, na Alemanha, em maio passado).
É importante salientar que a candidatura da CUT teve unidade dos Brasileiros (CUT, FS, UGT e CNPL) e o apoio dos dos países africanos, latinos americanos, alguns asiáticos e os europeus latinos. Isso demonstra que devemos reforçar a atuação Sul x Sul, reforçar a ação contra as políticas anti-sindicais das transnacionais e em favor do multilateralismo.
Nós devemos retomar e intensificar a política de articulação no continente latino americano, cobrando a reformulação na política do Mercosul, para aprofundar o processo de integração; devemos discutir uma atuação da CSA e do movimento sindical sul americano na a construção da UNASUL; atuar e acompanhar os debates e acordos do BRICS (articulação Brasil, Índia, África do Sul e China) e do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul); através de nossa participação na CSI e no TUAC ter uma maior intervenção no G 20 e reforçar nossa presença nos fóruns multilaterais internacionais.
A livre circulação de bens e capital criou as condições para a formação dos blocos econômicos regionais, mas também datransnacionalização da economia. Esse processo horizontalizou o relacionamento entre as organizações sindicais dos países em desenvolvimento e desenvolvidos, daí a importância dessa eleição na CSI.Como também é muito importante a atuação dos ramos nas Federações Sindicais setoriais. Devemos atuar para que a agenda dessas organizações incluatambém as preocupações da classe trabalhadora dos países em desenvolvimento e não seja hegemonizada pelos interesses apenas dos sindicatos dos países mais industrializados.
Mas a globalização produziu também uma forte crise no sistema financeiro dos países centrais, atingindo diretamente os Estados Unidos, a União Europeia. O Brasil e outros países da America do Sul, que desde 2003 têm vivido sob governosde corte desenvolvimentista, social e popular, conseguiram atravessar essa situação, mas ressentem-se do quadro atual. Uma das consequências desse processo foi o redirecionamento das correntes migratórios e a transformação do Brasil em um polo de atração deimigrantes – do Haiti, de países africanos como Angola, Moçambique, Nigéria, Senegal, etc. Também da America do Sul – Bolívia, Paraguay e Peru.
Esse é um tema novo para o sindicalismo brasileiro e a CUT começa a enfrenta-lo. É preciso ampliar esse debate deveenvolver as principais categorias e um amplo processo de negociação com as esferas executivas (federal, estadual e municipal) para que o Brasil tenha uma política de recepção dos migrantes, baseada nos compromissos internacionais que nosso país já assumiu.
Entendemos que os novos desafios sindicais não serão superados sem a existência de uma central mundial forte que combine a capacidade de articular o movimento sindical internacional com o poder de coordenar as lutas dos trabalhadores de toda parte do mundo. Também consideramos que o enfrentamento desses novos desafios exige maior articulação do movimento sindical internacional com a sociedade civil e com os novos atores sociais que emergem no cenário mundial.
A eleição do companheiro João Felício para presidir a CSI acontece neste cenário de grandes desafios para a organização da classe trabalhadora. A CUT colocará a serviço do fortalecimento do movimento sindical internacional sua capacidade de diálogo com as centrais em todo o mundo e sua experiência na construção de um sindicalismo classista e democrático. João Felício, com sua trajetória política sindical que se confunde com a construção da CUT, com certeza estará à altura deste desafio, representando o Brasil e as entidades que nos apoiaram e defendendo nossas propostas no exercício das suas responsabilidades à frente da presidência da CSI.
****
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/144908/Novidade-no-Sindicalismo.htm

Análise: Quem atirou na Argentina?

29.06.2014
Do portal OPERA MUNDI, 
Por Mark Weisbrot | Outras Palavras (*) 

Juiz considera ilegal que Argentina pague somente fundos que aceitaram negociar dívida

Quando Cristina Kirchner concorreu à presidência da Argentina pela primeira vez, em 2007, havia um anúncio de campanha em que crianças pequenas respondiam à pergunta: “O que é FMI (Fundo Monetário Internacional)?” Elas davam respostas engraçadinhas e ridículas, tais como “FMI é um lugar com muitos animais”. O narrador, então, dizia: “Conseguimos fazer com que seus filhos e netos não saibam o que significa FMI.”
Até hoje, não há nenhum caso de amor entre o FMI e a Argentina. O Fundo articulou o terrível colapso econômico de 1998-2002 no país, bem como numerosas políticas fracassadas nos anos anteriores. Mas quando a Corte de Apelações para o Segundo Circuito dos EUA decidiu em favor dos fundos-abutres, que tentam receber o valor integral da dívida argentina, que compraram por 20 centavos o dólar, até mesmo o FMI foi contra.
De modo que muitos observadores surpreenderam-se, na segunda-feira passada (23/6), quando a Corte Suprema dos EUA recusou-se até mesmo a rever a decisão do tribunal. A Corte Suprema precisa de apenas quatro juízes para conceder petição para “certiorari”, ou rever a decisão de instância inferior, e este era um caso extremamente importante. A maioria dos especialistas concorda que ele tem sérias implicações para o sistema financeiro internacional. Ainda mais importante: a Corte de Apelações decidiu que, se a Argentina pagar os mais de 90% dos credores que aceitaram um acordo de reestruturação da dívida, entre 2005 e 2010, ela está obrigada também a pagar os fundos-abutres1.
O que significa isso? No final de 2001, em meio a uma recessão profunda e incapaz de financiar enormes pagamentos da dívida, a Argentina entrou em moratória. Foi a decisão certa; a economia do país iniciou uma recuperação robusta, apenas três meses depois. Quatro anos mais tarde, 76% dos credores aceitaram uma reestruturação da dívida, que incluiu a redução de cerca de dois terços do valor de seus créditos. Por volta de 2010, mais de 90% dos credores havia aderido, aceitando novos títulos no lugar dos anteriores.

Daniel Alarcón: "para muitos latino-americanos, o Brasil é quase uma miragem"

Dia Mundial do Refugiado é destaque da semana em Opera Mundi

Ucrânia assina acordo econômico com União Europeia

A decisão do tribunal norte-americano significa que um fundo-abutre, ou qualquer credor “resistente”, pode impedir ou destruir um acordo anterior, negociado com o resto dos credores. Como não existe algo como uma lei de falências para os tomadores de empréstimo do governo, a decisão pode limitar severamente a capacidade de credores e devedores chegarem a acordos civilizados, em casos de crise da dívida soberana. Esta é uma grande ameaça ao próprio funcionamento dos mercados financeiros internacionais.
Então, por que a Corte Suprema dos Estados Unidos decidiu não julgar o caso? Talvez porque tenha sido influenciada por uma mudança de posição do governo norte-americano, que o teria convencido de que o caso não era tão importante. Ao contrário da França, Brasil, México e do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, o governo dos EUA não entrou com um amicus curiae2 na Suprema Corte, apesar de ter feito uma apresentação, no caso. E – aqui está o grande mistério – tampouco o fez o FMI, embora tenha manifestado publicamente preocupação com o impacto dessa decisão.
****
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/35841/analise+quem+atirou+na+argentina.shtml

DIAS: A PRESIDENTA TRAÍDA

29.06.2014
Do blog CONVERSA AFIADA, 28.06.14

No Rio, as razões de Cabral e Pezão não são as de Brutus e Cássio, nem por isso deixaram de apunhalar Dilma pelas costas

Do ComPadilhando


Conversa Afiada reproduz artigo de Mauricio Dias, extraído da Carta Capital:

A PRESIDENTA TRAÍDA


As razões de Cabral e Pezão não são as de Brutus e Cássio, nem por isso deixaram de apunhalar Dilma pelas costas

Traição anunciada, traição consumada. O ex-governador Sérgio Cabral e o ex-vice dele Luiz Fernando Pezão, este em busca de um mandato completo de quatro anos, tornaram difícil, talvez impossível, as viagens de Dilma Rousseff ao Rio de Janeiro, para fazer campanha eleitoral em palanque armado pelo PMDB, partido com o qual o PT tem instável aliança nacional.

Nos últimos dias, Cabral e Pezão selaram desconcertantes acordos políticos com o PSDB, o PPS e o DEM no plano estadual. Esse grupo inspira o uso daquele velho jogo de palavras. É um trio partidário capaz… de tudo. Têm, agora, a missão de carrear votos para Pezão e também para o presidenciável tucano Aécio Neves. Um reforço inesperado para a oposição no terceiro maior colégio eleitoral do País com um contingente de 12 milhões de eleitores.

Para o PMDB, o racha resulta da rebelião local do PT. Após sete anos e três meses a serviço dos peemedebistas, por imposição da direção nacional, os petistas fluminenses decidiram lançar candidato próprio ao governo estadual. Lindbergh Farias, um ex-cara-pintada que emergiu da eleição de 2010 com histórica votação para o Senado. Foram 4,2 milhões de votos. Mais de um terço do total do estado.

Com a força dessa votação e apoio do ex-presidente Lula, lançou-se como pré-candidato ao governo do estado. Dilma e o PT estão diante de um caso clássico de traição. Há rompimentos em outros estados. No Rio, entretanto, há rastro de traição. Tem um gosto mais amargo. Além de substancial ajuda material do governo federal, a relação política era alimentada por juras públicas de amor sincero e lealdade política.  Sérgio Cabral não digeriu o sapo. Tentou bloquear a candidatura de Lindbergh. Fracassou quando foi chorar no ombro da presidenta. Ele mesmo divulgou a resposta dela: “Isso é coisa do Lula”.

Lula, de fato, tem um projeto de dominar politicamente o Sudeste, onde está quase 50% do total de eleitores brasileiros. Isso faz parte de uma virada no discurso dele. Ficou visível na recente convenção do PT, onde ele apareceu com uma camisa branca com a sigla “PT” sob o blazer preto desabotoado. Franca exibição. Desta vez, o ex-presidente temperou a necessidade de alcançar o objetivo nacional, a reeleição de Dilma, com ênfase na eleição de governadores, senadores e deputados petistas.  Sérgio Cabral pagou com a mesma moeda a resposta que ouviu de Dilma. Mas a moeda dele tinha cara e coroa. Refundida virou um punhal.


A arma branca estava preparada desde que emergiu um movimento chamado “Aezão” (Aécio mais Pezão), aparentemente comandado por Jorge Picciani, milionário político interiorano, presidente do PMDB fluminense e extremamente ligado a Cabral.  Diante dos afagos de Cabral e Pezão, a reação, naquele momento, parecia uma ovelha desgarrada do rebanho.

Logo após o momento em que as pesquisas começaram a indicar uma possibilidade de Dilma não ganhar no primeiro turno, armou-se a cena final de violação do acordo. Ou seja, a traição. Cabral e Pezão não são movidos pelas razões que levaram Brutus e Cássio a apunhalar César. Cabe, porém, lembrar Marco Antônio: segundo Shakespeare, diante do corpo sangrado  do cônsul abatido  aos pés da estátua de Pompeu, diz: “A ambição torna as pessoas duras e sem compaixão”.

Ambição, seu nome é política.


Clique aqui para ler “Dilma: PiG errou sobre a Copa”

E aqui para “Dilma vai mostrar o PAC. Já o Aécio…”
****
Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/06/28/dias-a-presidenta-traida/