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terça-feira, 24 de junho de 2014

CORRUPÇÃO NO FUTEBOL: O jogo fora do campo

24.06.2014
Do portal REDE BRASIL ATUAL, 14.06.14
Por LALO LEAL

Dirigentes ávidos por recompensas econômicas e políticas seguem controlando um dos maiores negócios comerciais do planeta

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Respira-se futebol nos ares brasileiros e o aroma traz memórias longínquas. A mais remota é de um final de tarde de domingo. Meu pai desliga o rádio de cabeceira e comenta: “O Brasil perdeu”. A data: 16 de julho de 1950. 

Nas páginas dos jornais e nas cabeças dos cartolas aquela Copa já estava ganha antes da final. O jogo com o Uruguai era só para comemorar o título e deu no que deu. Flávio Costa, técnico da seleção, concluiu: “O futebol brasileiro só evolui do túnel para dentro do campo”.

A nova derrota, quatro anos depois, na Suíça, confirmou a impressão de que o nosso futebol necessitava de mudanças drásticas na organização. As medidas tomadas deram certo e o resultado veio com a conquista brilhante na Suécia, em 1958, repetida sem tanto brilhantismo no Chile, em 1962.

A euforia dessas vitórias dava o tri na Inglaterra como favas contadas. Os apetites dos eternos aproveitadores voltaram à tona. Todos queriam tirar uma casquinha.

Um exemplo: para contentar o maior número possível de clubes foram convocados para a fase preparatória 44 jogadores. Depois, como só podiam ir 22, escolheram dez do Rio, dez de São Paulo (os principais centros do futebol no país), um de Minas Gerais e outro do Rio Grande do Sul (estados em ascensão futebolística). Critérios de convocação político-geográficos.

Com esse tipo de organização não passamos das oitavas. Lembro das fisionomias abatidas de Djalma Santos, Gilmar, Bellini, Zito e Garrincha, machucados, assistindo das cadeiras, ao lado da tribuna de imprensa, a derrota diante de Portugal, em Liverpool.

A volta ao Brasil foi emblemática. Encontrei a delegação no aeroporto de Londres, pronta para embarcar. Viríamos juntos num voo da Varig.

Minutos antes da partida somos chamados para um ônibus que nos leva a Brigthon, cidade turística localizada a cerca de 100 quilômetros da capital. Lá é servido um demorado almoço seguido de um retorno sem pressa para o aeroporto. Tudo para que as chegadas no Rio e em São Paulo ocorressem durante a madrugada, o mais longe possível da ira dos torcedores brasileiros.

Como já ocorrera após a derrota na Suíça, a remodelação foi total e a seleção se recupera de maneira grandiosa com a conquista no México, em 1970. Seguimos assim, com grandes sucessos e profundas decepções, até chegarmos à Copa de hoje.

Saem do túnel para o gramado jogadores de alta qualidade técnica num conjunto, às vezes, primoroso. Fora do campo nada mudou. Dirigentes ávidos por recompensas econômicas e políticas seguem controlando um dos maiores negócios comerciais do planeta A grande diferença neste 2014 é que está sendo possível separar, pelo menos para análise, o que se passa no campo dos malfeitos administrativos. Para isso, a contribuição de jornalistas brasileiros e estrangeiros, fazendo investigações e publicando livros, tem sido determinante.

Cito dois exemplos, entre outras importantes publicações: Um Jogo cada vez Mais Sujo, do jornalista inglês Andrew Jennings, e O Lado Sujo do Futebol, dos brasileiros Luiz Carlos Azenha, Leandro Cipoloni, Amauri Ribeiro Jr. e Tony Chastinet.

Documentam as falcatruas milionárias perpetradas pelos dirigentes do futebol. No centro de muitas delas, estão os acertos para garantir a determinadas emissoras de televisão os direitos de transmissão dos jogos.

São negócios bilionários que permitem à Fifa, por exemplo, manter uma reserva de US$ 1,3 bilhão na Suíça, mesmo sendo uma organização sem fins lucrativos. Só da Copa da África do Sul a entidade levou, livres de impostos, US$ 2,35 bilhões.

Guardadas as proporções, várias federações nacionais seguem no mesmo padrão. Basta ver os salários pagos pela CBF aos seus dirigentes. Ao mesmo tempo, o meia Alex, do Coritiba, um dos lideres do Bom Senso F.C., lembra que depois do final dos campeonatos estaduais cerca de 500 jogadores ficaram desempregados.

A esperança é de que uma nova vitória brasileira – diferente das outras – não iniba as mudanças urgentes de que necessita o futebol do campo para fora.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/96/o-jogo-fora-do-campo-8827.html

José Miguel Wisnik: Vaia a Dilma no Itaquerão, grau zero da dignidade civil

24.06.2014
Do blog VI O MUNDO


Superficial e pesado
A famigerada vaia a Dilma, na abertura da Copa, tem alguma coisa de destampatório infantil

por José Miguel Wisnik, O Globo, via Blog da Maria Frô

Não gostei de me ler no GLOBO falando sobre a vaia verbal a Dilma na abertura da Copa. Quando recebi o telefonema da repórter, imaginei que se tratava do formato enquete, em que se colhe uma frase de cada uma entre muitas pessoas, e não uma entrevista com destaque e fotografia, sugerindo a intenção de um pensamento completo. Prezo muito o esforço para se chegar à formulação de um pensamento minimamente sustentável. É o que tentarei fazer aqui.
Vaias e aplausos são ruídos com sinais opostos. Não têm palavras, mas têm direção e sentidos. Ruídos são ondas sonoras desorganizadas, caóticas, com poder destruidor e mortífero. Mas na forma de aplausos, produzidos pela cascata do bater das mãos, resultam numa soma de frequências graves, médias e agudas que se parecem com o chamado “ruído branco” do mar, lavando o aplaudido num banho consagrador. Já os apupos são viscerais, guturais, contínuos, monocórdicos, como se tentassem soterrar a vítima num monte de excremento sonoro.

Discursos em estádios de futebol são candidatos praticamente eleitos a tomar vaias. O jogo de futebol, que não se faz com palavras, ocupa um espaço imaginário que está no avesso dos cerimoniais e das solenidades. Estas afirmam as hierarquias, os papéis e os valores que sustentam a ordem estabelecida. A massa no estádio de futebol, que tem muito de um carnaval acirrado pela disputa, quer se ver livre disso. É o que diz a frase de Nelson Rodrigues, “estádio de futebol vaia até minuto de silêncio”. A massa vaia o presidente, a presidenta, o juiz, o morto, o que estiver atrapalhando a promessa de gozo. E os brasileiros, diferentemente dos argentinos, vaiam a sua seleção, se esta estiver atrapalhando a promessa de gozo.

A famigerada vaia a Dilma, na abertura da Copa, tem alguma coisa desse destampatório infantil. Mas é menos, ou nada, inocente. Mais que vaia, era um mote verbal ofensivo, dirigido, pontual. Sem nada de original, adaptava uma frase ritmada recorrente em estádios, especialmente em São Paulo, onde a massa é menos imaginativa: “ei, juiz, vai tomar no cu”. Sempre achei esse mote, mesmo no contexto futebolístico, um atestado de primarismo, com sua métrica estropiada e sua rima caolha. Com o nome “Dilma” mal ajambrado ritmicamente no lugar de “juiz”, resulta em definitivo no que há de mais tosco em matéria de “dinamogenia política”, como chamava Mário de Andrade essas manifestações de massa, cuja riqueza ele analisou num comício em São Paulo em 1930.

Frases ritmadas, cantadas em coro pelas multidões, em aglomerações esportivas ou políticas, são sintomáticas do que está acontecendo ali, tanto nos conteúdos quanto nas formas, que são, aliás, inseparáveis. Há uma rica variedade de cantos de torcidas, por exemplo, no futebol do Rio de Janeiro. Freud fala em chistes, cuja elaboração verbal, brotada do inconsciente, com suas rimas, ritmos e duplos sentidos, gratifica o prazer da língua, ao atingir seus alvos de maneira tendenciosa. Cita chistes agressivos, que substituem com palavras o ataque físico, e chistes obscenos, que desnudam e humilham alguém perante outros. Mas, num caso ou no outro, justificados pela engenhosidade do trocadilho, pelas aliterações, pela imaginação que faz rir, por um senso certeiro da carnavalização. O ataque verbal a Dilma no Itaquerão era, além de tudo, um chiste destituído de qualquer chispa de inteligência, um exemplo quimicamente puro da liga do agressivo com o obsceno, inconscientemente orgulhoso de ser burro, no grau zero da dignidade civil.

Já que os estádios não são mais caldeirões sociais, mas arenas para o consumo abonado (e por isso mesmo foram todas construídas ou reconstruídas para a Copa), faço coro à vaia aos VIPs, como escreveu Augusto de Campos, ao protestar contra o uso banalizador, distorcido e ambíguo do seu poema “VIVA VAIA” pela “Folha de S.Paulo”. E também, em desagravo, ao seu VIVA DILMA. A vaia tem um recorte de classe.

Ao mesmo tempo, reverbera aquelas vibrações rancorosas e obscuras que perpassam a sociedade brasileira. As culturas combinam seus aspectos superficiais com seus aspectos profundos, seus pesos com suas levezas. No Brasil, reina uma conhecida alergia àquilo que é profundo e pesado, e uma considerável congratulação com o que é leve e superficial. No entanto, muito das suas mais geniais criações, na literatura, na canção e no futebol, participam de uma etérea e singular leveza profunda. Muito da alegria da Copa do Mundo, agraciada pela dimensão latino-americana que ela assumiu em território brasileiro, é expressão disso. A vaia verbal a Dilma, por sua vez, representa o que pode haver de pior nisso tudo, numa direção ou noutra: a sombria conjunção do superficial com o pesado.

 Leia também:

Nassif: Copa, Brasil ganhou, mídia perdeu, factóides viraram pó
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/jose-miguel-wisnik-vaia-a-dilma-dignidade-civil-zero.html

Maitê Proença diz: contexto do programa em canal da Globo permite chamar Nordeste de "aquela bosta".

24.06.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

#NãoTemCopaNaGlobo #CalaBocaGalvaoeMaitê

A emenda saiu pior do que soneto. Um comentarista do programa "Extra-ordinários" no canal Sportv das Organizações Globo, em um debate, chamou o Nordeste de "aquela bosta". 

Diante de protestos contra preconceito e esteriótipos, ele, em vez de pedir desculpas, se defendeu com arrogância, piorando as coisas (o vídeo não permite compartilhamento e quem quiser ver está aqui).

Disse que estava "cagando" (o linguajar dito na TV foi exatamente esse) para os internautas que protestaram, a quem chamou de "idiotas", "bando de babacas".


Emendou com arrogância querendo dar "carteirada" de intelectual no telespectador, dizendo que para discutir com ele sobre o Nordeste, tinha que ler os 15 livros de Câmara Cascudo que ele diz ter lido. Depois, quase balbuciando em meio à intervenções de outro comentarista que procurava colocar panos quentes, disse que estava era "brincando", como se reforçar esteriótipos, preconceitos e alimentar ódios fossem brincadeiras aceitáveis.


Para piorar, a apresentadora Maitê Proença (*) disse que "essa gente é de uma leviandade..." (referindo-se a quem se sentiu ofendido, sobretudo nordestinos, mas também todos os brasileiros que amam o Nordeste), e concluiu "... o cara tem que entender que o contexto desse programa permite esse tipo de coisa".


Deixa eu ver se entendi. O contexto do programa permite chamar o Nordeste de "aquela bosta" numa boa? E leviano é quem se sente ofendido? E quem é chamado de "bosta" é que deveria pedir desculpas ao programa da poderosa TV GloboSat?


É por isso que não dá para assistir qualquer canal que seja das Organizações Globo. Nem jogo da Copa. Só contratam e só convidam quem detona o Brasil, o Nordeste, o povo brasileiro, nossa cultura, nossa gente. Para eles chique é só Nova York, Paris, etc.


E os patrocinadores, hein? Quando um executivo da Philips destratou o Piauí durante o movimento "Cansei", houve um boicote geral, com ninguém comprando produtos da empresa. 


Será que a Claro, o Itaú, o McDonalds, a Ipiranga, a Kia e Budweiser (mesmo fabricante da Skol, Brahma e Antarctica) querem ir pelo mesmo caminho?

Para entender o caso.




Se o amigo leitor não sabia, como eu que só fiquei sabendo por causa da polêmica, pois não assisto, o canal Sportv das Organizações Globo tem um programa de bate-papo com alguns comentaristas chamado "Extra-ordinários", apresentado por Maitê Proença.

Um comentarista gaúcho, Eduardo Bueno, jornalista conhecido como Peninha, chamou a região Nordeste de “aquela bosta" enquanto falava da invasão holandesa na região, durante o período colonial.


A ofensa despertou o repúdio geral nas redes sociais na internet.


(*) Maitê Proença tem um histórico recente de anti-petista raivosa. Nas eleições de 2010, para apoiar José Serra (PSDB), ela cunhou a frase “machos selvagens nos salvem de Dilma”, apelando para homens machistas não votarem em mulher.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/06/maite-proenca-diz-que-contexto-do.html#more

O ressentimento de Faustão com a Copa no Brasil

24.06.2014
Do BLOG DO SARAIVA
O estilo Faustão de #nãovaitercopa é de fazer inveja à defesa de Honduras / Zé Paulo Cardeal / Globo
"A culpa não é dele nem de sua equipe: é do domingo, que vai pouco a pouco se libertando do cativeiro da tevê aberta e ganha mais opções. Por Nirlando Beirão 

Nirlando Beirão, CartaCapital / QI

Fausto Silva anda muito nervoso ultimamente. Perdeu muito do humor que o consagrou e de sua verve inteligente e debochada. Aderiu aos rabugentos do #nãovaiterCopa e, já que tem Copa, sim, tenta manter a bandeira do encrenqueiro, distribuindo, sem nenhum fair play, insultos ao evento esportivo. A delicada defesa de Honduras deve estar morrendo de inveja do novo estilo Faustão.
 
O que estará acontecendo com ele? Não confere a suspeita de que pesa no ex-gordo o ressentimento com os quilinhos a mais que ele, de uns tempos para cá, recuperou. 

Não consta, tampouco, que Faustão esteja em momento de renovação de contrato, o que explicaria o seu alinhamento precavido com a agenda político-eleitoral do patrão bilionário. Na verdade, o cidadão Fausto Silva já declarou o voto na oposição. Faz sentido. A turma que faz plantão na sua lendária pizza semanal é a mesma do camarote vip que vaia e ofende.
 
Se o ex-cronista de campo perdeu de vez a esportiva é porque a vida profissional não lhe faculta mais goleadas no ibope. Fausto Silva devia é, apesar das pressões, relaxar.
 
A culpa não é dele nem de sua equipe. O culpado é o domingo, cada vez menos Domingão do Faustão. O domingo brasileiro vai pouco a pouco se libertando do cativeiro da tevê aberta. Há mais opções na própria tevê. Aquele exército de popozudas que vem esfregar o traseiro no rosto do espectador entorpecido tem seus dias contados.
 
Tem razão o Faustão em se irritar com a dobradinha Lula-Dilma. Os pobres ficaram economicamente menos pobres – e culturalmente menos indigentes.
 
 Azar de quem, como os autocratas dos auditórios, apostou no contrário.
 
*Publicado originalmente na edição impressa de CartaCapital com o título "Perdeu a esportiva"
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Fonte:http://saraiva13.blogspot.com.br/2014/06/o-ressentimento-de-faustao-com-copa-no.html

Gilberto Carvalho, Lula e a “elite branca”

24.06.2014
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
A manifestação raivosa e literalmente obscena contra Dilma Rousseff na Arena Corinthians durante a cerimônia de abertura da Copa foi interpretada de formas diametralmente opostas pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e pelo ex-presidente Lula.

Para o primeiro, o segundo errou ao avaliar que os insultos partiram da “elite branca”, que pôde pagar, em média, mil reais para assistir à cerimônia, confortavelmente instalada na “área VIP” do estádio.

A Folha de São Paulo, que faz oposição cerrada a Dilma, não perdeu tempo e estampou o diagnóstico de Carvalho em manchete principal de primeira página – a tese dele reforça a teoria da oposição midiática, de que Dilma “já perdeu”.

Segundo relatos esparsos de leitores que estiveram no local, porém, os insultos à presidente teriam partido do camarote do Itaú. Carvalho não discute. Acha que, assim mesmo, nos setores populares também há muita gente com raiva dela

O diagnóstico de Carvalho, que virou manchete na Folha, foi feito durante reunião entre ele e blogueiros, uma reunião à qual este que escreve não pôde comparecer por razões particulares.

Carvalho diagnosticou que as críticas da mídia ao governo Dilma, que as camadas mais altas da sociedade compraram há muito, começam a “escorrer” para as camadas mais baixas, razão pela qual julga que o ataque à presidente no “Itaquerão” não pode ser debitado só à tal “elite branca”.

A Folha de São Paulo correu para entrevistar Carvalho, prevendo que poderia obter mais munição contra Dilma. Na segunda-feira (23), publicou a entrevista.

Nessa entrevista, ele não só reafirmou sua discordância de Lula quanto à origem dos insultos a Dilma, mas aprofundou uma tese à qual Folha tratou de dar grande publicidade: “O PT erra no diagnóstico sobre a insatisfação com o governo”.

Um trecho da entrevista de Carvalho à Folha revela como ele se contaminou com essa teoria.

“(…) Quando chego em Curitiba (sic) e encontro um garçom falando que o PT é o mais corrupto da história. Quando vejo em Fortaleza meninos cobrando a questão da corrupção. Quando vi no metrô meninos entrando e puxando o coro do mesmo palavrão usado no estádio, não posso achar que é um fenômeno apenas na cabeça daquilo que está se chamando de elite branca (…)”

A Folha, espertamente, questionou Carvalho sobre a origem da teoria sobre a “elite branca”. 

Lembrou que “Foi Lula quem puxou esse discurso”. O ministro diz que “não quer polemizar com Lula” e que seu objetivo foi “alertar” – supostamente o PT e o próprio Lula – para o que chamou de “generalização da insatisfação”.

Carvalho é um dos ministros mais próximos a Dilma – trabalha em sala contígua à da presidente. É um quadro antigo do PT. Não se entende por que esse alerta teve que ser feito publicamente. Pareceu ingenuidade…

Seja como for, na terça-feira a Folha publica mais um trecho da entrevista com o ministro. 

Nesse trecho, ele relata encontro que manteve encontro com um grupo de trinta black blocs – desde que esses espécimes começaram a promover vandalismo, Carvalho tem mantido interlocução com eles na esperança de enfiar algum juízo em suas cabeças vazias.

O ministro cometeu o mesmo erro que muitos que se aproximaram dessa turma ligada a partidos à esquerda do PT vêm cometendo, o erro de encarar a visão política dessa meninada como visão do povo.

Não é o caso de Carvalho, é preciso dizer. Ele sabe muito bem que esses protestos violentos são um grande erro. Mas muitos homens e mulheres maduros, já na quinta ou sexta década de vida, deixaram-se seduzir pela juventude e pelo idealismo boboca de pretensos revolucionários, garotos que não fazem a menor ideia do que é lutar de verdade contra a opressão e que se acham verdadeiros “Che Guevaras” por quebrarem algumas vitrines de lojas de carros e caixas-eletrônicos.

Porém, o que pode ter impressionado Carvalho certamente foi encontrar jovens pobres entre um movimento que teve origem nas universidades, onde professores ligados a partidos de extrema esquerda enfiaram esse lixo importado do Norte do planeta (a tática black bloc) na cabeça dos alunos. Assim, jovens pobres foram no embalo, atraídos pelo clima de rave (festas de estudantes) das “jornadas de junho”. E nada mais.

A partir da popularização dos protestos, ano passado, alguns líderes de movimentos sociais ligados aos mesmos partidos de esquerda viram oportunidade de colher frutos para suas legítimas demandas.

A visão de Carvalho se baseia nesse ambiente. A de Lula, em uma vida inteira e em sua origem entre a pobreza.

Aonde quero chegar: é um erro confundir com o povo esses movimentos da esquerda ultrarradical que admitem em seus protestos o que há de pior na ultradireita, contanto que neonazistas e outros energúmenos ajudem a provocar caos no trânsito e a quebrar tudo.

O povo mesmo, tem falado muito pouco. Quem é pobre e melhorou de vida, mas vive exposto aos ambientes da elite, acaba indo no embalo. Mas a maioria do povo nem chega perto da elite, seja nas universidades, seja nos locais em que pobres vão lhe prestar serviços.

Nas grandes cidades, a situação é pior. Sobretudo em Estados como São Paulo, onde a vida piorou muito devido aos governos do PSDB, que deixaram o transporte público chegar a uma situação de caos, que transformaram a escola e os hospitais públicos em lixo.

Nenhum governo federal conseguirá promover grandes melhoras em áreas que são da competência municipal e estadual.

Mas veja, leitor, a situação em São Paulo: Fernando Haddad está promovendo uma revolução nos transportes com os corredores de ônibus. Outras medidas simples serão tomadas. Apesar de o governo dele ter problemas para se comunicar, lá pelo quarto ano de governo a população paulistana sentirá a diferença.

Seja como for, há que fazer o povo entender que o governo federal comanda, precipuamente, a política econômica, estimula investimentos, empreende grandes projetos nacionais, mas a administração cotidiana da saúde, da educação, do transporte público é responsabilidade de prefeitos e governadores.

Contudo, essas manifestações tresloucadas acabaram empurrando para o governo federal – e, consequentemente, para o PT – uma culpa que até pode ser, também, do partido desse governo, mas que também é de todos os outros partidos.

Nos grandes centros urbanos como São Paulo, a vida tornou-se um inferno devido ao governo do Estado e aos governos municipais. Governos de todos os partidos. Premidos por grandes dívidas, Estados e municípios não conseguem enfrentar os problemas, que vão se avolumando.

Contudo, em uma coisa concordam Lula, Gilberto Carvalho e este blogueiro: a comunicação do governo Dilma é que permitiu que a mídia empurrasse para o governo federal uma responsabilidade que não é dele.

Tendo, porém, a concordar com Lula quanto à questão da “elite branca”. Ela e os pobres que influencia estão longe de ser o povo, estão longe de ser maioria. Mas claro que não será fácil Dilma vencer a eleição presidencial que se avizinha.

Contudo, se a campanha da reeleição for incisiva contra as críticas injustas, e se souber refrescar a memória dos adultos e mostrar aos garotos o que era o Brasil até 2002, dificilmente  o PSDB conseguirá tirar proveito dessa insatisfação de setores da sociedade.

Nesse contexto, o sucesso da Copa e os excessos dos revolucionários de butique já estão abrindo os olhos de muita gente.

Esses cinquentões ou sessentões da academia ou do jornalismo que diziam orgulhosamente que apoiavam os protestos tresloucados contra a Copa, já estão fechando os bicos e fazendo cara de paisagem.

Esse caso específico da Copa está sendo subestimado pela direita truculenta e pela esquerda abilolada. O Brasil e o mundo já perceberam como tem havido exageros nas críticas ao governo Dilma. O efeito político disso ainda não pode ser mensurado, mas não será pequeno.
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Fonte: http://www.blogdacidadania.com.br/2014/06/gilberto-carvalho-lula-e-a-elite-branca/

Nassif declara derrota da mídia para o Brasil

24.06.2014
Do portal BRASIL247

247 – O colunista Luis Nassif constata a derrota da mídia diante do sucesso da Copa do Mundo no Brasil. No site do GGN, ele lembra a imagem de fracasso que foi passada pela imprensa nacional durante os preparativos. Leia:


Já se tem o resultado parcial da Copa: reconhecimento geral - da imprensa nacional e internacional - que é uma Copa bem organizada, com estádios de futebol excepcionais, aeroportos eficientes, sistemas de segurança adequados, logística bem estruturada e a inigualável hospitalidade do povo brasileiro.

Vários jornais (internacionais) já a reconhecem como a maior Copa da história.
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Agora, voltem algumas semanas atrás, pouco antes do início da Copa.

A imagem disseminada pela imprensa nacional - era a de um fracasso retumbante. Por uma mera questão política, lançou-se ao mundo a pior imagem possível do Brasil. O maior evento da história do país, aquele que colocou os olhos do mundo sobre o Brasil, que atraiu para cá o turismo do mundo, foi manchado por uma propaganda negativa absurda. 

Em vez das belezas do país, da promoção turística, do engrandecimento da alma brasileira, da capacidade de organização do país, os grupos de mídia nacionais espalharam a imagem de um país dominado pelo crime e pela corrupção, sem capacidade de engenharia para construir estádios - justo o país que construiu duas das maiores hidrelétricas do planeta -, com epidemias grassando por todos os poros.

Um dos jornais chegou a afirmar que haveria atentados na Copa, fruto de uma fantasiosa parceria entre os black blocks e o PCC. Outro informou sobre supostas epidemias de dengue em locais de jogo da Copa.
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O episódio é exemplar para se mostrar a perda de rumo do jornalismo nacional, a incapacidade de separar a disputa política da noção de interesse nacional. E a falta de consideração para com seu principal produto: a notícia.

Primeiro, cria-se o clima do fracasso.

Criado o consenso, abre-se espaço para toda sorte de oportunismos. É o ex-jogador dizendo-se envergonhado da Copa, é a ex-apresentadora de TV dizendo que viajará na Copa para não passar vergonha.
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Tome-se o caso da suposta corrupção da Copa. O que define a maior ou menor corrupção é a capacidade de organização dos órgãos de controle. O insuspeito Ministério Público Federal (MPF) montou um Grupo de Trabalho para fiscalizar cada ato da Copa, juntamente com o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União. O GT do MPF tornou-se um case, por ter permitido economia de quase meio bilhão de reais.
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Antes da hora, é fácil afirmar que um estádio não vai ficar pronto, que um aeroporto não dará conta do movimento, que epidemias de dengue (no inverno) atingirão a todos, que os turistas serão assaltados e mortos. Fácil porque são apostas, que não têm como ser conferidas antecipadamente.

Quando o senhor fato se apresenta, todos esses factóides viram pó.

A boa organização da Copa não é uma vitória individual do governo ou da presidente Dilma Rousseff. É de milhares de pessoas, técnicos federais, estaduais e municipais, consultores, membros dos diversos poderes, especialistas em segurança, trânsito, empresas de engenharia, companhias de turismo, hotelaria.

E tudo isso foi jogado no lixo por grupos de mídia, justamente os maiores beneficiários. Eram eles o foco principal de campanhas publicitárias bilionárias, sem terem investido um centavo nas obras. Pelo contrário, jogando diuturnamente contra o sucesso da competição e contra qualquer sentimento de autoestima nacional.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/144488/Nassif-declara-derrota-da-m%C3%ADdia-para-o-Brasil.htm

A desinformação como estratégia

24.06.2014
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 17.04.14
Por Luciano Martins Costa,na edição 794

O cidadão brasileiro que assiste aos telejornais, lê regularmente um diário e ouve os noticiosos do rádio se considera, provavelmente, um indivíduo bem informado. Essa percepção é apanhada em pesquisas – que alguns estatísticos chamariam mais apropriadamente de consultas – feitas rapidamente em cima dos fatos.

É o caso típico do apanhado sobre violência contra mulheres, que tanta polêmica provocou por causa de um erro primário cometido pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.Depois de toda a celeuma, um diretor do instituto vem a público observar que faltam dados no Brasil para a criação de políticas públicas contra a violência sexual, entre outras razões porque não há cruzamento de dados entre as polícias, os institutos de medicina legal e o Ministério da Saúde.

Ora, dirá então o leitor ou a leitora atentos e críticos: se nem as instituições oficiais conhecem a natureza e o tamanho do problema, qual é a base de informação do cidadão anônimo que é interpelado por um pesquisador para dar sua opinião?

Isso posto, poderíamos conversar durante horas sobre o fato evidente de que a maior parte daquilo que é apresentado como “opinião pública” pela imprensa não passa de um retrato instantâneo de certo estado emocional provocado pelo impacto do noticiário. E o noticiário, como sabemos, é definido pelo potencial de espetáculo que cada elemento de informação é capaz de produzir. Assim, um escândalo de R$ 10 milhões no âmbito federal é mais valioso do que um malfeito de R$ 100 milhões na instância do município ou do estado, dependendo, é claro, de quem seja o governante da ocasião.

Uma consulta à opinião média das grandes cidades brasileiras talvez resultasse na percepção de que o Brasil está imerso num turbilhão inflacionário, que o desemprego assombra as famílias e que a Petrobras está à beira da falência. Essa interpretação falsa é induzida diariamente pelas manchetes dos diários e pelas performances dramáticas dos atores que trabalham como âncoras de telejornais.
Onde estaria a verdade?

Um mau negócio

A verdade, ou o ponto da espiral de conceitos que mais se aproxima dela, certamente não se encontra nos textos da mídia hegemônica. Também não é provável que esteja presente, em sua inteireza, naquela outra mídia, chamada alternativa, politicamente engajada, que atua basicamente pela lógica do confronto. É muito possível, portanto, que a sociedade brasileira esteja contaminada pelo perigoso vírus da desinformação, que se torna muito mais nocivo quanto maior for o valor simbólico da opinião.

O escândalo em torno da Petrobras, por exemplo, tem base concreta num fato demonstrado pela Polícia Federal – o envolvimento de pelo menos um ex-diretor com o esquema criminoso cuja chefia é atribuída ao doleiro Alberto Youssef – mas é amplificado por uma ruidosa operação de desinformação. A sucessão de notícias, com depoimentos de protagonistas do caso a um plenário de parlamentares ávidos por publicidade, apenas aumenta a confusão e a desinformação.

Em nota oficial publicada na quinta-feira (17/4) no Globo, mas não disponível online na manhã desse dia, a Petrobras oferece uma série de esclarecimentos que os jornais omitem. O site da empresa já havia divulgado, em junho de 2012, uma resposta a reportagem sobre o mesmo assunto publicada no Estado de S. Paulo (ver aqui), sob o título “Petrobras poderá ter perda milionária nos Estados Unidos”, na qual estão disponíveis os dados apresentados nesta semana à Câmara dos Deputados (ver aqui).

No site da Petrobras (ver aqui) é possível acompanhar toda a história da compra da refinaria, por meio do antigo blog fatosedados e nos comunicados a investidores. Ali o leitor encontra as respostas que a imprensa omite e conclui que foi um mau negócio, que parecia bom na ocasião e se revelou um equívoco com a descoberta do pré-sal – como muitos negócios que grandes e pequenas empresas costumam ter em seus portfólios. Mas percebe também o quanto de desinformação é despejada sobre sua cabeça diariamente pelos jornais.

Essa desinformação não decorre de um erro coletivo da imprensa: é parte de uma estratégia.
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Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_desinformacao_como_estrategia

JORNALISTA VIRA-LATAS: Mainardi leva mais uma surra, ao vivo

24.06.2014
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 20.06.14



mainardi jornalista bbc

Antigamente, Diogo Mainardi era intensamente comentado pelos artigos raivosos que escrevia na Veja contra Lula. Hoje, é notícia quando leva surras de mulheres no Manhattan Connection, o programa da Globo que lhe deu ocupação quando sua coluna na Veja acabou.

Primeiro, foi Luiza Trajano (relembre aqui), que, depois de corrigir informações erradas com as quais Mainardi tentava desqualificar o Brasil, se propôs a enviar a ele e-mails com dados precisos.

Agora, foi a vez da diretora de redação da BBC Brasil, Sílvia Salek, convidada a participar do Manhattan Connection.

Mainardi, ao abordá-la, despejou nela uma de suas características mais marcantes: o ódio pelo Brasil, o desprezo a tudo que se refira à terra em que nasceu.

Mainardi é o velho Brasil – hierárquico, preconceituoso, arrogante, afeito a posições e a privilégios. Sílvia é o novo Brasil – cosmopolita, orgulhosa de seu país sem ser patrioteira tola, mente aberta e alerta.

Vídeo:

 
Paulo Nogueira, DCM
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/06/mainardi-leva-mais-uma-surra-ao-vivo.html

Pezão perdeu Dilma. Trocou-a por um Cesar Maia em fim de carreira

24.06.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

pezao
Achar que eleições no Rio de Janeiro são definidas com muita antecedência é erro que aprendi a não cometer desde que Leonel Brizola arrancou de seus “2% no Ibope” para a vitória retumbante de 1982.

Mas me arrisco, a esta altura, a dizer que  ela avança para um enfrentamento entre Lindbergh Farias e uma encarniçada disputa entre Garotinho e Pezão pela vaga remanescente no segundo turno.

Arrisco, porque nada pode servir de bússola eleitoral no meu Estado senão a intuição e as tendências que costuma assumir cada parte do eleitorado carioca e fluminense.

Tenho que concordar com o que diz Anthony Garotinho, ao afirmar que Sérgio Cabral renunciou apenas à derrota que se anunciava depois que Romário cedeu ao bom-senso e firmou uma aliança com Lindbergh.

A aliança com César Maia, que tem como consequência praticamente obrigar Pezão a dar palanque para Aécio Neves no Rio de Janeiro, é apenas mais um movimento na longa e triste trajetória de Sérgio Cabral, um colecionador de traições, da qual, aliás, se enche a política brasileira em geral e a do Rio de Janeiro, especialmente.

De certa forma, Dilma e Lula estão pagando aqui por algo que não devem nunca perder: a boa-fé.

Cabral, a quem Lula deu a chance de banhar-se no Rio Jordão em 2010, é um traste político, a esta altura, mas controla a máquina estadual e a máquina dá sempre algo entre 20 e 30%  numa disputa estadual.

O problema é que Cabral mostrou que não vai entregar isso a Pezão.

Acaba de rifar as possibilidade de que ele fosse o candidato da Dilma, ou um deles.

O que poderia lhe dar a legitimidade que não tem.

E empurra a presidenta para uma necessária composição com Garotinho, como a que já havia com Crivella, que corre em nicho próprio.

Ambos têm a liderança nas pesquisas, hoje, mas possuem reconhecidos limites de crescimento embora possuam um eleitorado sólido.

E Cabral, o que ganha com a adesão a Aécio e a perda de Dilma?

O eleitorado da Zona Sul e em outras parcelas da classe média, hoje um feudo tucano, já não estaria contabilizado como perda nas contas da candidata a reeleição?

E Cabral acha que isso redimirá seu candidato do desgaste que ele acumulou nessas áreas? Ao contrário, será o candidato do PT o principal destinatário dos votos aecistas que não toleram a ideia de votar em Cabral.

Terminou o que era impossível continuar: todos os candidatos a governador apoiarem Dilma.

E a aliança de  Lindbergh com o PSB desobriga-a, também, de ter um único candidato.
Terá três.

E Aécio, terá um ou ficará prisioneiro de assumir a rejeição de Cabral no eleitorado de classe média, o que lhe é cativo?

Porque Pezão, que nada é, corre o risco de não ser nada: nem o candidato de Dilma, nem o de Lula, nem o de César Maia, nem o de Eduardo Paes.

E nem o de Sérgio Cabral, que detonou completamente os discursos e as chances do “seu candidato”.

Pezão perdeu o chão.

Sua candidatura passou a ser, em todos os sentidos, a de Cabral, sobretudo o de não ter personalidade própria.

Cabral esquece que, por mais que duas décadas de traições e mesquinharias tenham apequenado a política no Rio de Janeiro, sobrevive aqui, como em poucos lugares, o sentido nacional dos embates.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=18626