segunda-feira, 16 de junho de 2014

Conselhos de junho

16.06.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 15.06.14
PorLincoln Secco

Os manifestantes das ruas têm motivos para duvidar do governo e contestá-lo em muitas coisas, mas é preciso saber quando ele emite sinais de avanço real.

Agência Brasil
Goste-se ou não do que aconteceu em junho de 2013, é preciso aceitar que aquele mês abriu um novo ciclo político no país. De fato, ele não “produziu” algo novo, mas como todo acontecimento histórico, ele marcou uma passagem.

É preciso também admitir que não sabemos ainda o sentido de junho. Exibiram-se ali imagens contraditórias. Mas há algo nítido naquelas multidões desencontradas que pararam rodovias, ocuparam câmaras municipais, cercaram sedes de governos e atearam fogo no que puderam: aquilo não cabia nas instituições que os anos de 1980 nos legaram.

Nem os partidos de  esquerda (porque a Direita se organiza pela Grande Imprensa), os sindicatos ou os órgãos representativos do Estado eram suficientes para aplacar novas fúrias e antigos ressentimentos.
A figura mais popular da política brasileira, Lula, declarou publicamente que o seu partido podia não gostar daquilo, mas era o povo que estava nas ruas.
 
Todavia,nos dias de tormenta ele  não se arriscou a liderar nada.

Foi a presidenta Dilma Roussef quem apresentou uma proposta: o plebiscito para a reforma política. Mas ela não se dirigiu ao “povo” e sim aos seus pares, os quais querem qualquer coisa exceto uma  reforma política.

Agora, ela volta à carga e assina um decreto que regulamenta a participação popular junto aos órgãos de governo. Seria perda de tempo argumentar com as diferenças filosóficas entre socialistas e liberais ou chamar os cientistas políticos para debater a democracia representativa e a participativa. Nossos políticos não são assim tão interessados em ideias.

História

O problema reside na história concreta do Brasil. Entender junho exige a narrativa dos seus acontecimentos e, decerto, remontar às transformações que o Governo Lula promoveu no regime das classes sociais no Brasil e que, naquela altura, se expressaram no tema da mobilidade urbana.

Também seria preciso entender os novíssimos movimentos sociais que se desenvolveram sob formas horizontais. Sua crítica aos partidos visa sua superação positiva. Mas em junho, a crítica se confundiu facilmente com a da classe média contra um só partido: o PT.

Os anos 1980 funcionaram como um dique diante da tendência inercial conservadora da classe média. Lembra-se pouco que os novos movimentos sociais questionavam todo o legado das ditaduras e não só o daquela de 1964. Os intelectuais da esquerda atacavam o populismo e o Estado Novo. O novo sindicalismo negava a legislação Trabalhista. Ora, aquela crítica se confundia facilmente com o desejo dos empresários de enterrar a Era Vargas, negociar diretamente com os trabalhadores e retirar-lhes a proteção “paternal” do Estado.

Como agora acontece com os novíssimos movimentos sociais, o PT era acusado pela esquerda de negar o passado de lutas dos comunistas e trabalhistas e querer destruir a CLT. No entanto, ontem como hoje, visava-se superar positivamente aquela herança e não simplesmente negá-la.

Os novos movimentos sociais  dos anos 1970-80 conquistaram uma Constituinte conservadora, mas que produziu um texto socialmente avançado. Tanto foi assim que imediatamente a Direita  procurou revisá-lo, como o fez em 1993. Também evitou  regulamentar a maioria das conquistas sociais.

Entre elas estavam os instrumentos de participação popular. Embora o Brasil tenha tido dois plebiscitos nacionais, a nossa Democracia permaneceu meramente representativa e sob a tutela de forças retrógradas eleitas ainda sob o modelo do Pacote de Abril de 1977, quando a Ditadura Militar criou o terceiro Senador por Estado. Estados menos populosos continuaram super-representados e as eleições decididas pelo poder econômico.

Democracia Racionada

A um tipo de democracia assim, na qual os Direitos pertencem àqueles que se classificam previamente para participar da vida política com base na raça e no poder econômico, Carlos Marighella denominava Democracia Racionada.

A Revolução Democrática dos anos 1980 não logrou impedir a constituição de uma Democracia Racionada, mas criou as bases legais para sua superação.
 
Infelizmente, a ela seguiu-se a contrarrevolução neoliberal dos anos 1990. A Direita conseguiu destruir parte dos direitos trabalhistas e reforçar um aparato de repressão e “judicialização” da luta de classes que se manteve intacto até hoje.

A vitória de Lula permitiu que os conflitos sociais pudessem se representar no próprio executivo. Ele cedeu ministérios a gregos e troianos exatamente como Vargas em 1950. Mas ele o fez porque o Congresso que deveria canalizar aqueles conflitos continua sendo a representação invertida da sociedade. Outros governos latino-americanos, mais radicais, optaram por confrontar o Congresso e o judiciário com um poder executivo monolítico. Assim, adotaram novas Constituições e vivem um enfrentamento constante contra seus adversários.

O governo Lula foi uma síntese. De um lado o radicalismo dos anos 1980, derrotado nas urnas, mas vitorioso na esfera dos valores e da própria Lei Magna; de outro lado, o reformismo dos anos 1990, derrotado nas suas pretensões socialistas originais, mas vitorioso eleitoralmente.

Quem São os Aliados?

Ao escolher o caminho da conciliação, portanto, o PT não pode abandonar o único contrapeso à influência de seus aliados da Quinta Coluna (PMDB): sua base social.
A adoção de Conselhos Populares é parte integrante da história do PT. Foi adotada em seus primeiros governos municipais. Os mais exaltados pensavam nos sovietes, é claro,  mas aqueles eram produto de uma revolução e nada há de parecido em situações não  revolucionárias. Por não possuírem caráter deliberativo algum, sequer chegam a contrariar qualquer prerrogativa dos deputados. No máximo é um passo tímido na superação da Democracia Racionada.

Ainda assim, causou o ódio dos adversários.

Num primeiro momento, parece que a Direita se ergueu devido ao seu medo pânico diante de qualquer avanço popular. Mas de novo temos que recordar que nossa Direita não se interessa por ideias, apenas por interesses. A oposição foi contra simplesmente porque era oposição. Mas o fato do Presidente do Senado (que é do PMDB) e boa parte da base aliada do governo serem contrários era menos que ideologia e um pouco mais do que má fé.

Os manifestantes das ruas têm todos os motivos para duvidar do governo e contestá-lo em muitas coisas, mas é preciso saber quando ele emite sinais de avanço real. Por mais tímida que seja, a participação popular incomoda imediatamente muito mais os aliados do PT do que seus opositores declarados.
 
Pela simples razão de que pode quebrar o presidencialismo de coalizão, constrangendo ministérios de partidos aliados a atender demandas definidas pelos movimentos sociais. Imaginem um ministro do PMDB tendo que ouvir “gente comum”! Atualmente, ele ouve sua família, seus clientes e quando muito os seus financiadores...

O PT não pode unir monoliticamente o executivo para forçar o Congresso a mudar. O caminho da Venezuela, Bolívia, Equador ou Argentina não está na sua gênese. A única maneira de superarmos a Democracia Racionada é pela pressão das ruas. A panela de pressão explodiu em junho. Mas sempre que a pressão não é canalizada institucionalmente pela esquerda ela só tem dois caminhos: a dispersão ou a Revolução contra a Ordem, como dizia o saudoso Florestan Fernandes.

Estudar Junho

Uma vez reconstituídos os movimentos de junho de 2013, será necessário recuar a um tempo conjuntural para entender a dinâmica da transformação  moderada do governo Lula. Em seguida, retomar a própria história dos movimentos que lhe deram origem no final da Ditadura Militar. Feito o recuo na direção de nossa  história, reencontraremos junho dotado de sentido mais nítido.

Junho vai se dividir e a esfinge será quebrada. Parcelas da população que saiu às ruas já têm o endereço certo do voto oposicionista. Outros se politizaram ali mesmo e ainda aguardam para decidir. Uma terceira parte pode cair no protesto de longo prazo sem uma estratégia definida.

Na superfície da vida política, três cenários se desenham. No primeiro, Dilma Roussef ganha para fazer um governo igual ou pior do ponto de vista da esquerda. Num segundo cenário, Dilma vence com  força para levar a uma Assembleia Constituinte Exclusiva e a maior participação popular. Num terceiro, ela perde e retrocedemos para o inferno.

É evidente que alguém pode dizer que já vivemos no inferno. É verdade. Mas o Brasil não vai acabar, por isso ele sempre pode piorar. A Revolução contra  Ordem é sempre preferível e se gesta na infraestrutura da Sociedade Civil. Seus movimentos são pouco visíveis, mas ela não está no nosso cenário de curto prazo.
É claro que não cabe pedir a quem se manifesta que deixe  de fazê-lo para preservar qualquer poder estabelecido. Já os partidos de esquerda agem em outra frequência. Eles são financiados pelo Estado, cerceados pela mídia e divididos por interesses materiais definidos. Neles também se representam diferentes ideologias.

Os Conselhos Populares infelizmente não foram instituídos pelas ruas de junho, mas inegavelmente Dilma ouviu “conselhos” de algumas de suas vozes dispersas. Quando Dilma propôs aquele plebiscito, ninguém a apoiou. Até mesmo uma liderança de seu partido a sabotou. A segunda medida que ela tomou (o programa “mais médicos”) demorou a ser defendido pela esquerda. Foi preciso que uma onda racista e anticomunista de médicos direitistas nos chamasse a atenção.

Agora, os partidos de esquerda, sem deixar de lado suas críticas aos limites da proposta, não podem simplesmente ser contra ou ignorar algo que também é deles. Toda a esquerda partidária existente hoje saiu do PT em algum momento ou se aliou a ele. Os Conselhos Populares são parte também de sua história.
Às vezes é preciso unir a estratégia de protesto permanente com os momentos táticos da reforma possível.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Conselhos-de-junho/4/31160

O que vi e vivi na estreia da Copa 2014

16.06.2014
Do portal PRAGMATISMO POLÍTICO, 14.06.14

Detalhes e curiosidades que a TV não mostrou sobre o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil: antes, durante e depois

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Caio Barbosa, Ideias Cadentes
Tendo o privilégio de assistir ao jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, creio ser interessante relatar algumas coisas sobre esta experiência única, detalhes que a TV não consegue (ou quer) mostrar.
Primeiro, chegar ao estádio foi tranquilo. O “Expresso da Copa”, partindo da Estação da Luz direto a Itaquera, foi tranquilo, sem percalços. Na chegada na estação Corinthians-Itaquera, uma grande multidão lentamente se dirigia ao estádio que, de acordo com as placas, ficava a uns 900m da estação. Nada muito problemático; afinal, qualquer torcedor consciente se dirigiu ao jogo com bastante antecedência. No meu caso, saí da região central de São Paulo às 13h e consegui chegar, andando tranquilamente e parando para tirar fotos do percurso, às 14h30. Nas imediações do estádio, tudo muito bem organizado e razoavelmente rápido para entrar. Bastou passar por um detector de metais, validar o ingresso e só. E nem fizeram questão de ver se tinha o meu nome escrito nele ou não.
A propósito, dica para quem quer ir a um jogo e não tem ingresso: havia várias pessoas procurando ingresso e um ou outro querendo vender. E essa estratégia funcionou, pois algumas pessoas conseguiram comprar e assistir ao jogo, e até mesmo sem pagar absurdos. Então, para quem quer tentar a sorte, vale a pena chegar cedo na estação perto do estádio, colocar uma plaquinha de que procura ingresso e negociar.
Dentro do estádio, diversas atrações eram colocadas para os torcedores, assim como stands para venda de refrigerantes, cervejas e uma disputada loja de souvenirs. As filas eram um pouco grandes, mas até que as coisas fluíam rapidamente. Um latão de Brahma 500ml era 10 reais; Budweiser era 13. Caro, mas razoável para eventos de grande porte. O mais legal era que você ganhava um copo comemorativo do jogo: uma ótima lembrança daquele dia.
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Depois de pegar duas fichinhas de cerveja e comprar uma delas para levar para dentro do estádio (as latas ficavam com os vendedores, só podia levar o copo de plástico), foi tranquilo achar o meu lugar, e sentei 10min antes de começar a cerimônia de abertura. No caminho, não notei obras inacabadas ou improvisadas. Poderia até haver, mas não havia nada de chamar a atenção. Contudo, algo a se notar era a quantidade de lugares vazios quando a cerimônia começou. Alguns podem pensar que era em razão de alguma dificuldade dos torcedores de acessar ao estádio, mas não é verdade: o fato é que muitos não pareciam estar se importando muito com isso, e ficaram curtindo os arredores do estádio, ou estavam ainda nas filas para bebidas, comidas e souvenir.
Quanto à cerimônia, a impressão era a mesma: uma apresentação fraca, com exceção da parte final, com o show de Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte, que conseguiu animar a galera. Mas até aí, não me lembro de cerimônias de abertura de Copa do Mundo que foram memoráveis. O maior destaque, e assim estava descrito no programa da abertura distribuído no estádio, seria a demonstração do projetoWalk Again do cientista brasileiro Miguel Nicolelis, no qual um paraplégico iria andar graças a um exoesqueleto controlado pelo cérebro e dar o chute inicial do dia. Entretanto, se não foi possível ver na TV, de dentro do estádio menos ainda. Não foi possível nem ver ou perceber que já tinha ocorrido. Era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que ninguém iria prestar atenção no canto do estádio. Nem os telões deram ênfase ao momento. Uma tremenda bola fora da Fifa, que pareceu até proposital.
Não tecerei comentários em relação ao jogo em si, mas antes do mesmo, é inevitável não citar a parte do hino. Muitos me perguntaram se me emocionei ao cantar o hino junto a todo mundo. Na verdade, não. Imagino que seja que nem uma cena de guerra: se você assiste a todos aqueles guerreiros gritando juntos enquanto partem pro combate, você se emociona. Agora, se você é um desses guerreiros, você está tão compenetrado que nem consegue prestar atenção no que está ocorrendo. Se eu parasse para prestar atenção, talvez me emocionasse. Só que antes de ser um hino, foi mesmo um grito de guerra, e o grande culpado por eu estar levemente sem voz no momento. E saber que pelo menos centenas de milhões de pessoas assistiram àquilo, que emocionou tanta gente, principalmente os próprios jogadores, é algo que dá muito orgulho. É um momento que eu vou guardar pro resto da vida.
O que não deu tanto orgulho foram as vaias e xingamentos à presidente Dilma Rousseff. Ela ocorreu pelo menos umas quatro vezes, o que é lamentável. O motivo para isso tinha uma origem ainda mais nefasta: quem olhasse os torcedores do estádio poderia pensar que o Brasil é um país de gente branca, com muitos loiros, e um ou outro japonês. Negros? Não existem. Sim, havia um ou outro no estádio, mas nenhum entre os mais ou menos 500 torcedores à minha volta. Portanto, as vaias e xingamentos partiam claramente de uma elite branca e despolitizada, que de educada não tinha nada. Mas, se serve de consolo, o ato não era consensual: enquanto muitos ficavam quietos, uma minoria criticava quem estava xingando, e diziam frases como: “se veio xingar a presidente, vai pra casa, está fazendo o quê aqui?”, “coxinhas!”, “torcedores de pay-per-view!”, e até mesmo “ei, Aécio, vai tomar no c…”.
Por outro lado, ainda de notável em relação ao comportamento da torcida foi o apoio incondicional à seleção brasileira em campo. Não era o torcedor típico de estádio, então a animação era contida, mas as vaias ao campo eram só para a Croácia, para tentar desestabilizar o time rival. No gol contra de Marcelo, uma cena bonita: um choque inicial, seguido de gritos de “Marcelo, Marcelo!” para animar o jogador. O incentivo ao time só era interrompido por momentos de tensão. Houve diversas tentativas de “ola”, mas a maioria, frustrada. Perto do fim, até houve uma rápida e estúpida briga entre dois torcedores brasileiros, mas foi criticada pelos outros e separada pelos seguranças no local de imediato.
Durante o jogo, algumas falhas. Aparentemente, alguns refletores desligaram no meio do jogo, mas eu nem percebi, já que (felizmente) ainda era dia. Ainda assim, é uma falha grave. No estádio, era possível ver algumas pessoas com lata, e até mesmo um ou outro com isqueiros e fumando, o que não era permitido. Só que o problema mesmo foi no intervalo: havia poucos pontos de venda de bebida dentro do estádio, o que formou filas que se mantinham mesmo após o 2º tempo começar. Pra piorar, fui pegar a outra cerveja que tinha comprado, e tive que ouvir em duas ocasiões, após duas filas diferentes, que a ficha não era válida ali, em uma evidente desorganização. Felizmente, após reclamar bastante com a atendente, que não tinha culpa de nada, ela foi compreensiva o suficiente de aceitar a ficha por conta própria e fornecer a minha cerveja. Portanto, houve falhas, mas são erros facilmente consertáveis para os próximos jogos, se a organização do evento aprender com eles.
No final, saída tranquila do estádio. Conversei um pouco com algumas pessoas que trabalharam no estádio, querendo saber a opinião sobre a organização e o jogo. Um deles me perguntou quem fez os gols. Infelizmente, os seguranças precisam ficar virados de costas para o campo, apenas observando a torcida, então não conseguiam ver os lances. Eles fizeram algumas leves críticas à organização, mas, no geral, estavam felizes. Perguntei a um voluntário se tinha valido a pena, e a resposta foi rápida e curta: “Muito”. Inclusive, os voluntários fizeram uma bela cena na saída: formaram uma linha em torno do estádio, dando tchau para os torcedores e cantando com um sorriso no rosto: “Eu sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor”. Um tapa na cara de quem criticou quem iria trabalhar de graça, pois não teriam benefícios.
E assim, a impressão geral é de que tudo correu bem e de que o Brasil tem, sim, condições de organizar uma copa. Houve falhas e atitudes deploráveis de parte da torcida elitizada, mas há pontos positivos. E se há algo que compensa tudo de errado é o povo brasileiro. Os brasileiros cumprimentavam, faziam graça e tiravam fotos com os croatas, além de estarem sempre dispostos a ajudar. Se havia algum estrangeiro perdido, logo surgia um brasileiro para ajudar, mesmo sem solicitarem ou mesmo sem falar alguma palavra de inglês. Um deles, após explicar sobre as linhas de metrô, apertou a mão dos croatas e disse com um sorriso: “Welcome to Brazil”. Então se há uma coisa que deve nos dar orgulho é a recepção calorosa e hospitaleira do nosso povo. Essa é, certamente, a lembrança mais valiosa que os estrangeiros vão levar daqui.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/06/o-que-vi-e-vivi-na-estreia-da-copa-2014.html

A Copa e o desespero dos abutres

16.06.2014
Do BLOG DO MIRO,
Por Bepe Damasco, em seu blog:

Nenhum reboco caiu na cabeça dos torcedores nos estádios, nos quais prevalece o clima de congraçamento e festa. Torcedores de todos os países são bem tratados pela população brasileira. O transporte público tem permitido que milhares de pessoas acessem as arenas sem atropelos. Em alguns estados, novas vias inauguradas facilitam a ida e a volta dos jogos. 
 
Nos aeroportos, turistas embarcam e desembarcam com tranquilidade. No campo, temos uma Copa do Mundo de média alta de gols, nível técnico elevado e jogos emocionantes, alguns até épicos como Holanda 5 x 1 Espanha. Cadê as manifestações que inviabilizariam a Copa ?

Decorridos quatro dias de competição, o cenário é diametralmente oposto ao pintado ao longo de sete anos pela mídia cretina e partidarizada brasileira. Massacraram as pessoas o tempo inteiro supervalorizando cada parte dos estádios não concluída, mesmo sabendo que as obras ficariam prontas a tempo. Inventaram essa bobagem de caos aéreo, ignorando que os aeroportos estavam sendo modernizados e que uma força-tarefa reunindo vários órgãos públicos trabalhava dia noite para impedir problemas graves no transporte aéreo.

Mas os profetas do apocalipse só tinham olhos para o que não ficou pronto a tempo (como se algo entregue depois da Copa fosse crime de lesa-pátria) e para sistemas de ar condicionado que eventualmente entravam em pane. E sempre usando o bordão imbecilizado "imagina na Copa."

Fico pensando na cara de tacho dos apresentadores de uma programa que vai ao ar todas as noites na Rádio CBN, um tal de "Quatro em campo". Se fosse possível cronometrar o tempo que esses jornalistas gastaram atacando a realização da Copa, chegaríamos a mais da metade do programa, que dura uma hora. Isso todos os dias.

Exibindo um complexo de vira-latas incurável, se fartaram de dizer que o Brasil fora extremamente irresponsável ao se candidatar a sediar a Copa sem ter as mínimas condições para isso. E viviam a bradar o não cumprimento da matriz de responsabilidades, sempre na linha de criminalizar a atividade política, como se o monopólio da mídia fosse um poço de virtudes.

E o que farão agora os jornalistas do "Quatro em campo" ? Nada, rigorosamente nada. Assim como toda a nossa velha mídia, não serão capazes sequer de ensaiar uma autocrítica, por mais tímida que seja. Vida que segue. Aposto que vão se comportar como se nunca tivessem se pronunciado contra a Copa. Haja cinismo.

Esse é o comportamento padrão da imprensa. Foi assim com apagão que não houve. Com a inflação que não estourou a meta. Com as contas públicas que não inviabilizaram as finanças do país. Com o Bolsa Família que não gerou acomodação e preguiça. Com a valorização do salário mínimo que não arruinou a economia do país. Com o Programa Mais Médicos que não exportou a revolução cubana.

Voltando à Copa, claro que problemas pontuais ocorrem e ocorrerão, o que é absolutamente natural numa competição dessa envergadura. Nada, porém, capaz de empanar o brilho da festa. Contudo, não custa ficar de olhos de bem abertos para a possibilidade de atos de sabotagem por parte dos inconformados com o sucesso do evento, como alerta o Eduardo Guimarães, no blog da Cidadania. Não podemos esquecer que o ambiente de ódio e intolerância disseminado pela mídia é terreno fértil para a ação de descerebrados.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2014/06/a-copa-e-o-desespero-dos-abutres.html#more

DILMA MERECE RESPEITO, DEFENDE NOBLAT

16.06.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/143651/Dilma-merece-respeito-defende-Noblat.htm

Socialite, filha do vice do Itaú orgulha-se de fazer “corinho” com rima no Itaquerão

16.06.2014
Do blog TIJOLAÇO, 15.06.14
Por Fernando Brito

instagram
Em sociedade, dizia o antológico Ibrahim Sued, tudo se sabe.

Ainda mais nestes tempos de “redes sociais”.

Pois uma socialite de nome Maria Imaculada da Penha que se assina, elegantemente, Lalá Trussardi Rouge e é filha do vice-presidente do Banco Itaú, José Rudge,  fez questão de mostrar, no Instagram, que foi mesmo da área VIP – onde, claro, uma VIP como ela estava – que se originou o corinho-baixaria da abertura da Copa.

Dona Lalá tem um blog de moda e uma grife de roupas íntimas que são descritas como “do basiquinho à alta-costura, com rendas francesas e seda pura.”

Nada de errado, cada um faz o que quer e também mostra o que quer nos seus perfis públicos.

Mas, assim, acaba correndo o risco de ouvir o que não quer.

E foi exatamente isso que a imensa maioria de seus muitos seguidores do Instagram fez com a Dona Lalá.

Obrigado, Dona Lalá, por nos mostrar que mesmo entre a gente mais bem aquinhoada deste país há pessoas com um mínimo de educação e senso crítico e que, votando ou não em Dilma,  se comporta como gente civilizada.

Mas, por favor,  a senhora não faça generalizações de dizer que este país não tem educação porque não tem escolas ou hospitais ou segurança.

Talvez porque tenhamos bancos tão poderosos e biliardários como o Itaú, não é?

Mas existe muito neto de pobres, como eu, filhos de simples professoras primárias, sem pai banqueiro e convívio no “jet-set” que tem mais educação que a senhora demonstra, mesmo com seu berço de ouro.

Com isso tento responder ao que pergunta a colunista social Hildegard Angel, que indaga se “ a elite é assim tão baixa, como agirão os iletrados, os desfavorecidos, os que não tiveram acesso à instrução e a uma boa formação no Brasil? ”

Afinal, pior que “la décadence” é quando ela é “sans élégance”.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=18332

Hildegard Angel: O que Dilma deveria ter dito à elite brasileira

16.06.2014
Do portal da Revista Fórum, 13.06.14

Para a jornalista, a presidenta tem que reagir e mostrar que não se acua com os ataques dos grupos conservadores
O que penso da vaia chula de ontem da Elite Branca Brasileira à presidenta, e o que Dilma deveria ter feito e não fez!
Todas as críticas à Abertura sem graça da Copa do Mundo (responsabilidade Exclusiva da Fifa) se apagam, diante do vexame dado pela Elite Branca Brasileira. Da falta de educação. Da falta de modos. Falta de respeito com a própria família brasileira presente, ao cantar um “hino” chulo, bradando ofensas contra a Chefe do Estado Brasileiro, eleita pelo povo. Vexame planetário!
Se a elite é assim tão baixa, como agirão os iletrados, os desfavorecidos, os que não tiveram acessos à instrução e a uma boa formação no Brasil? Devem ter pensado os mais de um bilhão de estrangeiros que assistiam à transmissão direta da abertura da Copa do Mundo.
Mais da metade dos presentes ao Itaquerão eram convidados dos patrocinadores. Gente das multinacionais, do mundo financeiro. O high society. O creme do creme. The top of the top. Bradando em coro contra a presidenta da República a pior das ofensas que pode ser feita a uma mulher.
Lamentei que a presidenta Dilma, ex-aluna do Colégio Sion em Belo Horizonte, tenha mantido os bons modos. Não tenha reagido. Tivesse ela tomado o microfone e, à primeira vaia, acontecida antes do início do jogo, dissesse com todas as letras e energia o que lhe vinha à alma naquele momento, teria feito do limão uma bela limonada. Alguma coisa do tipo:
“- Quero agradecer a vaia dos aqui presentes: a Elite Brasileira. Porque, infelizmente, o alto custo dos ingressos, imposto pelos realizadores do evento, impede que aqui esteja o povo. O preço alto dos ingressos não autoriza que aqui compareça pelo menos uma parcela mínima dos 30 milhões de brasileiros que ascenderam socialmente, saindo da zona de miséria, ou aqueles outros milhões que, graças ao Pró-Uni, puderam realizar e concluir seus cursos universitários, ou mesmo aqueles tantos milhões, que, enfim, alcançaram o almejado sonho da casa própria. Tudo isso devido ao esforço e às metas de 12 anos de nossos governos, que a Elite Brasileira, que com isso parece não se conformar, ofende aqui, através de minha pessoa, com palavras chulas. Palavras que envergonham a Nação, porém não toldam a beleza deste espetáculo e o esforço desta nossa Seleção, que aprendi, desde menina, a chamar de Seleção Canarinho. Pois voem neste belo gramado, Canarinhos nossos, e deem o exemplo de nossa pujança! Estou torcendo por vocês, pelo nosso país, assim como estão todos aqueles brasileiros que nos assistem: os que estão do lado de fora do Itaquerão, por não poderem pagar, e também os aqui do lado de dentro, pagantes ou convidados dos patrocinadores. Pois, apesar das diferenças políticas, somos todos brasileiros ansiosos pelas vitórias de nosso país. Muito obrigada. ”
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/06/hildegard-angel-o-que-dilma-deveria-ter-dito-elite-brasileira/

TvGlobo censura exoesqueleto

16.06.2014
Do blog MEGACIDADANIA, 12.06.14

exoesqueleto ciência brasileira
É o cúmulo da desfaçatez. A Rede Globo, que tem os direitos de transmissão da Copa em rede aberta de televisão, simplesmente fez pouco caso (= censurou) com a apresentação do exoesqueleto desenvolvido pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

O boicote da Globo foi tão acintoso que o portal UOL colocou o seguinte título: Paraplégico chuta bola com exoesqueleto de Nicolelis, mas quase ninguém viu

Internautas condenaram a censura.

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Fonte:http://www.megacidadania.com.br/tvglobo-censura-exoesqueleto/

REFLEXÃO CRISTÃ: Copa do Mundo, Protestos e “Desordem” Social: e Deus com isso?

16.06.2014
Do portal GOSPEL PRIME, 
Por Cleiton Maciel Brito

Copa do Mundo, Protestos e “Desordem” Social: e Deus com isso?
Desde que a FIFA ratificou em 30 de outubro de 2007 que o Brasil seria sede da COPA DO MUNDO DE 2014, prontamente se ouviu da boca do então presidente Lula e dos organizadores do evento que este deixaria um “enorme legado para o país”. Passados 6 anos, e às vésperas da abertura contra a Croácia no dia 12 de junho em São Paulo, esse tal “legado” ainda não foi visto: o transporte público não melhorou, os investimentos em portos e aeroportos serão insuficientes, e o o problema da saúde, educação e segurança e moradia nem entraram na pauta do legado.
Entretanto, diante do contraste¹ entre os bilhões investidos nos estádios exigidos pela FIFA, e das precárias condições dos serviços públicos oferecidos no país², esses temas que ficaram de fora da pauta “Copa do Mundo” foram politizados pelas sociedade civil desde meados do ano passado, quando multidões ganharam as ruas, em protestos que parecem caracterizar um novo “espírito” do homem brasileiro, e descaracterizar a imagem da “cordialidade” supostamente “inerente” ao Brasil.
Mas foi neste ano que esse “espírito” ganhou materialidade mais substantiva, quando vários movimentos sociais (de professores, policiais, metroviários, trabalhadores sem teto) passaram a fazer protestos por melhores salários, melhores condições de trabalho e acesso à moradia, causando aquilo que muitos jornalistas, políticos  e alguns líderes religiosos têm denominado como “desordem social”.
É sobre a forma como estes últimos, os líderes religiosos, têm discutido os recentes protestos sociais que eu gostaria de refletir, tecendo, com efeito, curtas considerações sobre qual deveria ser, a meu ver, a visão cristã sobre a realidade social; mais precisamente, quando esta se encontra “fora da ordem”.
Jornalistas e políticos, de forma geral, buscam justificar seu pensamento sobre momentos de “agitação social” de forma laica, partindo de pressupostos político-filosóficos, entre os quais os que apregoam que mazelas sociais são questões “marginais” dentro da ordem sócio-econômica. Logo, uma maior oferta de liberdade de mercado para os indivíduos e empresas empreenderem levaria a um “ajustamento natural” da sociedade. Nesse ponto de vista, greves, protestos, movimentos reivindicatórios tenderiam a trazer mais crises às relações sociais, posto colocarem em xeque o movimento que conduz ao  “bem-estar”, que se constitui em grande medida, na adequação entre oferta e demanda de trabalhadores, produtos e serviços controlados pela mão do mercado.
Alguns líderes religiosos têm posição semelhante a esta  no tocante às questões sociais, no entanto,  dão um corpo teológico à “mão” do mercado, caracterizando-o, assim, sob um pensamento que poderíamos chamar de “moral social com fundamento transcendental“, posto usarem a Bíblia como fonte de concepção do social. Isso tem implicações que precisam ser melhor avaliadas pela igreja, uma vez que, no afã de declararmos qual seria a “vontade de Deus” para a organização da sociedade, podemos acabar por cair em certo conservadorismo político que esconde – e  não elimina – a exploração, as desigualdades e o preconceito.
Diante dos recentes protestos sociais no Brasil, é exatamente esse pensamento que tenho visto ganhar forma em diversos escritos religiosos, que passam a usar “Deus”, por um lado, como ponto de desqualificação das ações de reivindicação social que sindicatos e outros grupos têm feito, e por outro, como justificação das ações do Estado no restabelecimento da “ordem” (que no caso brasileiro, historicamente, é sinônimo de violência), apoiando-se, para isso, em versículos bíblicos, como o de que “as autoridades são constituídas por Deus para o bem e para fazer justiça” (Romanos 13:1-4).
A questão central, creio eu, é que tais textos precisam ser observados ou “aplicados” com os olhos fitados na formação das distintas realidades sociais, tomando o cuidado de não termos opiniões apressadas sobre o que é “ordem” ou “desordem”. Se assim não procedermos, corremos o risco de pecarmos contra o Senhor ao justificarmos a ação das ditas “autoridades” que, no Brasil, têm negligenciado o próprio mandamento do “promover o bem”. Isso pode ser visto, por exemplo, na ações policiais efetuadas nas periferias das cidades brasileiras, e o tratamento dado pela “autoridade policial” aos pobres, especialmente, negros.
É preciso refletir o que seria o “bem” ou o “mal”, “ordem ou desordem” e o “fazer justiça” no contexto sócio-histórico do Brasil. É a mesma coisa que na Noruega ou Suécia ou Serra Leoa? E ainda: no âmbito da democracia, a sociedade civil (sindicatos, organizações comunitárias, imprensa, grupos religiosos) não é uma autoridade igualmente legítima para reivindicar direitos negligenciados pelo Estado? Mais: se essa autoridade, o Estado, é constituída por Deus³ para a promoção do bem, por que estamos tão mal? Se a culpa é do “pecado”, como asseveram igrejas históricas, países como Austrália, Canadá, Noruega, Nova Zelândia, Japão, etc. são menos “pecadores”, posto serem notoriamente sociedades com forte igualdade social? E se o mérito destes países é da “graça comum”, como alguns argumentam, a nós, latinos, africanos, ela foi-nos dada à conta-gotas?
De forma sucinta: penso que é necessário à igreja historicizar a ação e as organizações humanas, vendo o mundo como estrutura em contradição, que, sob movimento dialético, vai sendo construído a depender das relações e forças sociais em jogo. Do contrário, quer dizer, ao se olhar para a realidade (e mais especificamente, para as autoridades), interpretando-a como forma fina e acabada de uma vontade transcendente, se incorre no erro da não contextualização, da justificação de injustiças sociais, do achar que “tudo será resolvido com o tempo” (mais 500 anos e o Brasil se transformará no paraíso dos trópicos) e que as autoridades per si “fazem justiça”. Enfim, da não observação de que o que somos hoje subjetiva e socialmente é resultante, em grande parte, da atividade histórica dos homens. Talvez seja esta uma das razões que levou o próprio Verbo a ter-se feito carne.
¹ Um outro contraste seria esse: a FIFA e as empreiteiras lucrarão bilhões com a Copa, os jogadores e emissoras de televisão, milhões. Já à população brasileira caberá a “alegria”.
² Seria necessário um artigo específico para problematizar as “causas sociais” dos protestos, o que farei em breve.
³ Em uma análise teológica fria. Penso que a autoridade é constituída por Deus de forma “ideal”, mas não de forma “real”. Há enorme atividade humana nesse processo
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Fonte:http://artigos.gospelprime.com.br/copa-mundo-protestos-desordem-social-deus/