sexta-feira, 13 de junho de 2014

Juristas e acadêmicos lançam manifesto em favor da Política Nacional de Participação

13.06.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 12.06.14
Por Fábio de Sá e Silva - Especial para a Carta Maior

O texto, que se encontra aberto a adesões, é encabeçado por Fabio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP.
Arquivo
Enquanto o Congresso Nacional ameaça colocar em votação projeto de Decreto Legislativo que susta os efeitos da Política Nacional de Participação Social, instituída pelo Decreto n. 8.243/2014, juristas e acadêmicos de todo o Brasil lançaram pela internet manifesto em defesa da medida. O texto, que  se encontra aberto a adesões, é encabeçado por Fabio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, e traz subscritores como o ex-presidente da OAB, Cezar Britto e o professor Adrian Lavalle, da FFLCH/USP.

O texto considera que "além do próprio artigo 1º CF, o decreto tem amparo em dispositivos constitucionais essenciais ao exercício da democracia, que prevêem a participação social como diretriz", em políticas como as de saúde, assistência social, seguridade social, cultura e o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (art. 194, parágrafo único, VII; art. 198, III; art. 204, II; art. 216, § 1º, X; art. 79, parágrafo único).

Além disso, o documento afirma que "o decreto não viola nem usurpa as atribuições do Poder Legislativo, mas tão somente organiza as instâncias de participação social já existentes no Governo Federal e estabelece diretrizes para o seu funcionamento, nos termos e nos limites das atribuições conferidas ao Poder Executivo pelo Art. 84, VI, 'a' da Constituição Federal".

Confira abaixo a íntegra do manifesto e o link para adesão.

Manifesto de Juristas e Acadêmicos em favor da Política Nacional de Participação Social

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” art. 1º. parágrafo único, da Constituição da República Federativa do Brasil.

Em face da ameaça de derrubada do decreto federal n. 8.243/2014, nós, juristas, professores e pesquisadores, declaramos nosso apoio a esse diploma legal que instituiu a Política Nacional de Participação Social.

Entendemos que o decreto traduz o espírito republicano da Constituição Federal Brasileira ao reconhecer mecanismos e espaços de participação direta da sociedade na gestão pública federal.

Entendemos que o decreto contribui para a ampliação da cidadania de todos os atores sociais, sem restrição ou privilégios de qualquer ordem, reconhecendo, inclusive, novas formas de participação social em rede.

Entendemos que, além do próprio artigo 1º CF, o decreto tem amparo em dispositivos constitucionais essenciais ao exercício da democracia, que prevêem a participação social como diretriz do Sistema Único de Saúde, da Assistência Social, de Seguridade Social e do Sistema Nacional de Cultura; além de conselhos como instâncias de participação social nas políticas de saúde, cultura e na gestão do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (art. 194, parágrafo único, VII; art. 198, III; art. 204, II; art. 216, § 1º, X; art. 79, parágrafo único).

Entendemos que o decreto não viola nem usurpa as atribuições do Poder Legislativo, mas tão somente organiza as instâncias de participação social já existentes no Governo Federal e estabelece diretrizes para o seu funcionamento, nos termos e nos limites das atribuições conferidas ao Poder Executivo pelo Art. 84, VI, “a” da Constituição Federal.

Entendemos que o decreto representa um avanço para a democracia brasileira por estimular os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta a considerarem espaços e mecanismos de participação social que possam auxiliar o processo de formulação e gestão de suas políticas.

Por fim, entendemos que o decreto não possui inspiração antidemocrática, pois não submete as instâncias de participação, os movimentos sociais ou o cidadão a qualquer forma de controle por parte do Estado Brasileiro; ao contrário, aprofunda as práticas democráticas e amplia as possibilidades de fiscalização do Estado pelo povo.

A participação popular é uma conquista de toda a sociedade brasileira, consagrada na Constituição Federal. Quanto mais participação, mais qualificadas e próximas dos anseios da população serão as políticas públicas. Não há democracia sem povo.

Para aderir, acesse: goo.gl/LRcdut
 
Já assinaram:

Fábio Konder Comparato – Professor Emérito da Faculdade de Direito da USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra.

Fábio Nusdeo – Professor Catedrático Aposentado da Faculdade de Direito da USP.

Calixto Salomão Filho – Professor Catedrático da Faculdade de Direito da USP e Professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Science Po).

Gilberto Bercovici – Professor Catedrático da Faculdade de Direito da USP.

Cézar Brito - Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.

Celso Fernandes Campilongo – Professor Catedrático da Faculdade de Direito da USP.

Heleno Taveira Torres – Professor Catedrático da Faculdade de Direito da USP.

Adrian Gurza Lavalle – Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer - Professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Diogo Rosenthal Coutinho – Professor Associado da Faculdade de Direito da USP.

Conrado Hübner Mendes – Professor da Faculdade de Direito da USP.

Sheila C. Neder Cerezetti - Professora da Faculdade de Direito da USP.

Fábio Sá e Silva - Professor da Universidade de Brasília (UnB).

Robson Sávio Reis Souza - Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Luiz Carlos Castello Branco Rena - Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Geraldo Prado - Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ricardo Lodi Ribeiro - Professor do Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Wagner de Melo Romão - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

Ricardo André de Souza - Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

Marcelo Semer - Juiz de Direito - Associação Juízes para a Democracia.

Roberto Rocha Coelho Pires - Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Ana Cristina Borba Alves - Juiza de Direito - Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Célia Regina Ody Bernardes - Juiza Federal - Tribunal Regional Federal da 1a Região.

José Geraldo de Sousa Junior - Professor da Faculdade de Direito e ex-Reitor da Universidade de Brasília (UnB).

Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto - Desembargador do TRT de Minas Gerais e Professor da Escola Superior Dom Helder Câmara.

Simone Castro - Procuradora da Fazenda Nacional - Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional da 3a Região.

Daniel Pitangueira de Avelino - Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Valdemir Pires - Professor da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP).

Wagner Pralon Mancuso - Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Kennedy Piau Ferreira - Professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Regina Claudia Laisner - Professora da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP).

Simone Dalila Nacif Lopes - Juiza de Direito - Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
*****
Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Juristas-e-academicos-lancam-manifesto-em-favor-da-Politica-Nacional-de-Participacao%0A/4/31138

ELITE BRANCA E MAL-EDUCADA XINGA DILMA: Aquela não era a torcida brasileira

13.06.2014
Do BLOG DO MIRO,13.06.14
 Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Quem está acostumado a ir em estádios em jogos da série A e B do campeonato brasileiro (sou palmeirense, não desisto nunca), em caneladas de campos de várzea com esquadras de brasileiros e bolivianos ou se lembra do saudoso Desafio ao Galo, estranha quando vê as arquibancadas praticamente monocromáticas da Copa do Mundo.

Por favor, não me leve a mal. Todos têm direito a se divertir.

Mas como temos mais brancos ricos do que negros ricos por aqui (fato totalmente aleatório uma vez que não somos racistas) era de se esperar que isso acontecesse. Ainda mais, considerando-se a facada que pode ser um ingresso diretamente com a Fifa ou via a sagrada instituição do camelô.

Ouvindo o rádio, o locutor cravou: “Olha que maravilha! É a família brasileira voltando para os estádios''. Na verdade, um tipo específico de família, a de comercial de margarina. Pois os jogos de Copa são um momento em que o tecido espaço-tempo se rasga e tudo ganha caras de universo paralelo – regado a muito dinheiro público e ação pesada para manter as “classes perigosas'' longe. Na dúvida, bomba nelas.

Particularmente acho que a consequência imediata mais nefasta da presença de uma torcida que não frequenta estádios regularmente é que ela não empurra o time como necessário.

“Leleô, leleô, lelêo'', “Brasil, Brasil, Brasil'' e “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amoooor!'' (#vergonhalheia) intercalados com grandes momentos de silêncio é algo estranho de se ver. Não estou defendendo que o estádio seja dividido entre a Mancha, a Gaviões e a Independente (essas, sim, capazes de empurrar qualquer coisa e que não param nunca – mas que vêm com a contrapartida de alguns dodóis que não sabem brincar sem bater). 

Apenas afirmando que aquela, no estádio, não era a “torcida brasileira''. Nem de longe! A torcida que, faça chuva ou faça sol, ganhando ou perdendo, está lá apoiando seu time, ao vivo, por mais medíocre que ele seja. Esse pessoal, que ajuda nosso futebol a ser o que é, mereceria estar melhor representado nas arquibancadas do Itaquerão.

Fico imaginando como seria se o preço fosse acessível e o acesso aos ingressos viesse pelas mais democrática das práticas: o sorteio de interessados cadastrados. Talvez mais gente que assistiu a partir do telão no Anhangabaú estivesse em Itaquera.

Pessoal que não tira selfie no trem, a caminho do jogo, e posta nas redes sociais pois já pega o mesmo trem todos os dias para ir ao trabalho.

Galera para a qual, esta quinta (12), não foi sua primeira, nem sua última vez na periferia da cidade.

Turma que trabalhou nas obras que tornaram o circo possível. Mas, agora, vão assistir tudo a uma distância considerada segura pelos donos da festa.
*****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/06/aquela-nao-era-torcida-brasileira.html

A Casa Grande declarou guerra

13.06.2014
Do blog CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário


unnamed (1)
O Brasil ganhou da Croácia e quase tudo deu certo na estreia da Copa. À grupo de endinheirados truculentos coube o papel de nos fazer passar vexame.

Nenhum brasileiro foi tão lembrado ontem e hoje como Nelson Rodrigues. Os elementos de suas crônicas estavam todos lá: os vira-latas, os grã-finos, as vaias, o futebol, a vitória da seleção. A própria Dilma encarnou a heroína rodriguiana. Aliás, de repente nunca ficou tão claro como Dilma nos lembra um personagem de Nelson. Desajeitada, sem graça, trabalhadora, esforçada, ética. Sujeita a terríveis pressões políticas, morais, psicológicas. O maior assombro nosso é que Dilma possa sobreviver a tudo isso.

Nelson comentando uma experiência similar sofrida por Paulo Cézar Caju, ponta-esquerda da seleção, na Copa de 70:

Paulo Cézar sofreu uma experiência inédita: — uma vaia de noventa minutos. Isso corresponde a um linchamento. Só não entendo, até hoje, como ele conseguiu sobreviver. Nem se pense que foi ele o único. Mas não vamos amaldiçoar as vaias ao escrete. Elas o fizeram, elas o virilizaram. A jornada brasileira no México é uma vingança contra as vaias.

A mesma coisa valerá para Dilma. Se sobreviver a esta nova onda de hostilidades da classe média, ela poderá emergir fortalecida pelo sofrimento.

Nelson diria que os xingamentos “humanizaram” a presidente. Ela voltou a ser um igual, uma sofredora. O Brasil não amanheceu pensando na seleção. Amanheceu pensando em Dilma. Com raiva, com pena, com solidariedade, não importa o sentimento. Todos acordaram pensando nela.

Em junho de 1970, Nelson iniciava sua coluna diária assim: “Por que o Brasil não gosta do Brasil e por que nos falta um mínimo de autoestima? É a pergunta que me faço, sem lhe achar a resposta.”

Em seguida, Nelson analisa a Passeata dos Cem Mil, com uma crítica à esquerda. Uma crítica correta, sobretudo quando a lemos hoje:

Quem quiser entender as nossas elites e o seu fracasso encontrará nos Cem Mil um dado essencial. Não havia, ali, um único e escasso preto. E nem operário, nem favelado, e nem torcedor do Flamengo, e nem barnabé, e nem pé-rapado, nem cabeça de bagre. Eram os filhos da grande burguesia, os pais da grande burguesia, as mães da grande burguesia. Portanto, as elites.

Só que a “passeata dos 100 mil”, hoje, não se identifica mais com a esquerda. A classe média brasileira continua bipolar. Num dia, marcha com a família e pede o fim do governo. No outro, marcha com os intelectuais e pede o fim da ditadura.

Um dia acha o governo Dilma o melhor de todos os governos: uma mistura benigna da solidariedade do PT para com os mais pobres, somada à severidade em relação à imagem na mídia dos tucanos.

Sim, durante um bom tempo, os segmentos de maior renda deram ao governo Dilma a maior aprovação que talvez já tenham dado a uma administração.

ScreenHunter_3972 Jun. 13 13.42

ScreenHunter_3973 Jun. 13 13.50

Em abril de 2012, 70% das famílias com renda superior a 10 salários consideravam o governo Dilma “bom ou ótimo”; apenas 2% consideravam-no “ruim ou péssimo”. Hoje, 48% acham seu governo ruim e apenas 23% gostam dele.

Não vou falar hoje das notórias falhas de comunicação do governo Dilma. Mas vou trazer alguns dados interessantes que andei estudando nas últimas horas.

É interessante analisar, por exemplo, as licenças televisivas vendidas pela Fifa para a Copa.



Em quase todos os países europeus, com exceção da França, a Copa será exibida por canais públicos. Na Inglaterra, será, naturalmente, a BBC. Na Alemanha, o ARD.  Na maioria dos outros, será o EBU, o canal público da União Europeia.


- See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/06/13/a-casa-grande-declarou-guerra/#sthash.QodYYomv.dpuf


No caso da França, será o TF1, um canal que pertencia ao Estado até o final dos anos 80, quando foi privatizado, mas guarda ainda a sobriedade de um canal público.

Nos EUA, a licença foi vendida para a ABC, o maior canal aberto do país. Isso me despertou a curiosidade para saber como é a ABC, como ela se porta politicamente. Então descobri análises (aqui também) que mostram a ABC como um canal de perfil pró-democrata, o que, nos EUA de hoje significa estar alinhado à esquerda no espectro ideológico médio nacional. Agradou-me, sobretudo, o fato de uma instituição renomada como a Pew fazer pesquisas tão detalhadas sobre as empresas de mídia nos EUA, analisando o viés político e ideológico de cada uma. No Brasil, a mídia não é pesquisada, não é debatida, não é analisada, a não ser pela blogosfera “suja”. A mídia brasileira paira acima do bem e do mal.

Aliás, acabei descobrindo várias coisas interessantes sobre a mídia norte-americana, que podemos discutir depois, sobretudo a partir

desta pesquisa Pew, bastante recente.

Rápida digressão.

Há uma outra pesquisa extremamente interessante da Pew, que vamos debater aqui em breve, que fala do forte aumento da polarização política nos EUA, com mais republicanos se dizendo de direita e mais democratas se dizendo de esquerda.  Parece que é uma tendência global, e o Brasil pode estar também entrando nessa onda.

“Hoje, 92% dos republicanos estão à direita do democrata médio, e 94% dos democratas estão à esquerda do republicano médio”, diz a pesquisa.

Alguns gráficos:
PP-2014-06-12-polarization-0-01

PP-2014-06-12-polarization-0-02Voltando ao Brasil e ao jogo de ontem, os xingamentos à presidenta corresponderam, de certa maneira, a uma vingança do “controle remoto”. A Globo é a única licenciada para exibir os jogos. Ela vendeu o direito à Band, mas a sua hegemonia na cobertura televisiva do evento é absoluta.

Dilma disse que, se não gostássemos de um canal, podíamos usar o controle remoto. E agora, que a Copa só pode ser vista praticamente num só canal, na Globo? Cadê o poder do controle remoto?

Durante 30 dias, a Globo terá um poder monstruoso sobre a sociedade brasileira. E ela não irá usá-lo com moderação, como já deixou bem claro. Há tempos que esta Copa se tornou a mais politizada de sua história. Muito mais até do que em 1970, na ditadura. Em 70, não havia eleições, a imprensa era controlada (ou auto-controlada) e a disputa simbólica não tinha tanta importância. As Copas recentes aconteceram em países distantes. Não era interesse da mídia mostrar seus problemas, apenas faturar o máximo com o evento.

À presidente, na minha opinião, cabe entender que o xingamento que recebeu não foi apenas à sua pessoa. Todos nós, que defendemos políticas sociais para os pobres, também fomos xingados. Sim, porque a Dilma que foi xingada não foi aquela que fez omeletes com Ana Maria Braga. A Dilma que foi xingada foi a Dilma que aumentou o bolsa família, que expandiu os investimentos em educação e que levou médicos a regiões e cidades que nunca viram um em toda sua história.

A Dilma que foi xingada foi a protagonista do processo mostrado no gráfico abaixo:


ScreenHunter_3976 Jun. 13 15.08
Observe que, em 1992, os 50% mais pobres detinham 13,11% da renda nacional; ao fim de 2002, sua participação diminuíra para 12,98%. Ao final de 2012, atingiu o recorde de 16,36%.

Aí houve uma crise de pânico da classe média, porque chegamos, talvez, ao limite onde o pobre não irá avançar sem tirar do rico. É o que já começou a acontecer.  Quando a empregada doméstica começa a erguer a cabeça para responder ao patrão, e a exigir não apenas salário maior mas uma relação profissional mais igualitária, aí sim a classe média sente que o processo de mudança está afetando, diretamente, sua qualidade de vida. A classe média brasileira está apavorada diante da possibilidade de ter de arrumar a própria casa.

E os pobres que ascenderam à classe média talvez estejam absorvendo os mesmos valores. É o sentimento egoísta de querer trancar a porta depois de entrar na festa. Só que a festa não acabou. O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo. Ainda há muito pobre do lado de fora.

É importante entender: o que assistimos ontem no Itaquerão não foram vaias. Não foi sequer um xingamento. Aquilo foi uma declaração de guerra. A luta de classes voltou com muita força no Brasil, com todos os seus graves riscos à estabilidade social e política.

A democracia é um regime arriscado, até porque tem a vantagem de poder corrigir seus erros em seguida. Tocqueville observava que “a democracia não pode obter a verdade de outra forma que não pela experiência”. No caso dos Estados Unidos, diz ele, o  grande privilégio de seu povo “não era ser mais esclarecido que outros, mas ter a faculdade de cometer erros que podiam ser corrigidos em seguida”.

O escritor nos lembra ainda que as nações não envelhecem da mesma maneira que os homens, pois “cada geração que nasce é como um povo novinho em folha que se oferece às lideranças políticas”.

Esse é o grande trunfo da oposição, e Lula tem repetido isso frequentemente. A sociedade mudou, porque há novas gerações de eleitores, que já não carregam, na memória da carne, as dores causadas pelos maus governos anteriores, dos governos apoiados por nossas mídias.

As eleições deste ano serão as mais classistas da nossa história. Dilma ganhará com os votos daqueles que ainda não entraram na festa, dos pobres que ganham até um salário mínimo, dos nordestinos, das populações das cidades pequenas, das franjas miseráveis das periferias urbanas.

Por isso é tão importante que haja um movimento efetivo para democratizar a mídia, para que os valores e os projetos interessados no destino da parte mais pobre da população não fiquem abafados pelos xingamentos da Casa Grande.

É importante que o governo entenda que democratizar a mídia não é um debate político, não é uma teoria acadêmica, não é uma polêmica desagradável, que “pega mal” na mídia. Não adianta a presidenta dizer que aceita discutir uma regulamentação “econômica” da midia, ou o PT incluir o tema na campanha.

A democratização da mídia, estamos avisando há tempos, é urgente. Não interessa se é ano de eleição. Aliás, justamente pelo fato de ser ano de eleição ela ganha uma urgência trágica, porque o ambiente midiático atual apenas favorece a Casa Grande, que ampliará seu poder, obterá vitórias políticas e tratará de afastar o tema da pauta. Teremos que esperar mais uma década para voltar a discuti-lo.

Os esquálidos, as grã-finas, os truculentos, os que se comprazem em pagar quase mil reais para xingar a presidenta, os que idolatram o “justiceiro” Joaquim Barbosa, estão armados até os dentes para defender seus interesses. Para eles, agora vale tudo. Dilma pode ter mais tempo de TV, mas a oposição terá a grande inteira de programação.

O governo, mais que nunca, dependerá da combatividade de seu exército liliputiano, de seu exército mambembe, machucado pelos bombardeios diários da imprensa conservadora, criminalizado, chamado de “guerrilha”, sujeito a todo tipo de devassas judiciais, atacado por hackers mercenários, ridicularizado quase diariamente pela grande mídia, que também tem narinas de cadáver. Um exército de garrinchas de perna torta, de cachaceiros, de cidadãos cujo único patrimônio é sua criatividade.

Numa de suas crônicas, Nelson lembra que a vitória de 62, proporcionada por Garrincha, permitiu “ao mais indigente dos brasileiros tecer a sua fantasia de onipotência”, e que “as multidões, sem que ninguém pedisse, e sem que ninguém lembrasse, as massas derrubaram os portões”.

O gráfico abaixo, feito a partir dos últimos números do Ibope para o provável segundo turno as eleições deste ano, nos dão uma ideia de que lado, ao menos por enquanto, estão as “massas”…

ScreenHunter_3967 Jun. 13 12.34
*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/06/13/a-casa-grande-declarou-guerra/

'Xingamento à presidente faz mal à política e ao país'

13.06.2014
Do portal BRASIL247

:
247 - Os xingamentos à presidente Dilma Rousseff ontem, antes do jogo de abertura da Copa do Mundo, na Arena Corinthians, foram "um desrespeito e uma deselegância com a presidente", segundo o jornalista Kennedy Alencar.

Em comentário na rádio CBN, ele afirmou: "a vaia tradicional é uma demonstração de insatisfação e deve ser aceita numa democracia. Mas xingamentos com palavrões ultrapassam os limites da civilidade e mostram como o debate público no Brasil regrediu e ficou radicalizado".

Kennedy lembra que "a presidente não é imune à críticas, mas é uma pessoa séria e honesta, dona de uma biografia que deveria ser respeitada. É importante que uma mulher que foi presa e torturada na ditadura militar tenha chegado à Presidência da República".

Segundo ele, "jornalistas e personalidades públicas devem tomar cuidado ao propagar ideias regressivas e xingamentos. E candidatos da oposição perderam chance de condenar um ataque à figura da presidente, que representava o país. Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) já sofreram ataques de baixo nível".

Ouça aqui.
******
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/143421/%27Xingamento-%C3%A0-presidente-faz-mal-%C3%A0-pol%C3%ADtica-e-ao-pa%C3%ADs%27.htm

Colonista (*) social do Estadão gritou em coro

13.06.2014
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Era convidada “especial” do Itaú.

Sugestão da amiga navegante Ana Oliveira no Twitter

Do Azenha:

“Finlândia” vaia Dilma, colunista adere ao coro no camarote do Itaú e Copa é palco central da campanha antecipada

(…)

PS2 do Viomundo: Uma importante colunista social do Estadão, sentada no camarote do Banco Itaú, gritou a plenos pulmões — aparentemente entusiasmada — “Ei, Dilma, VTNC” durante a partida de abertura, para constrangimento de outros convidados, que testemunharam e repassaram a informação.

Não é por acaso que o PSDB está determinado a defender no STF o direito à manifestação nos estádios da Copa: sabe que o público elitizado, presente, pode ajudá-lo a produzir sons e imagens para a campanha eleitoral antecipada, ao mesmo tempo em que descreve Dilma na defensiva, acuada, com medo dos eleitores. A “Finlândia” do título foi definição do jornalista José Trajano, da ESPN.


Em tempo do C AF:
enquanto isso, a concorrente, Ilustre colonista (*)  social da Fel-lha (**) (o fel deteriorado provoca mau hálito; não chegue muito perto) dedicou uma página para mostrar que não conseguiu entrevistar o Leonardo Di Caprio. Como diz o Mino Carta: no Brasil, os jornalistas são piores que os patrões …- PHA


Clique aqui para ler “Itaquerão: Casa Grande e Senzala”.

Aqui para ler “Quem vaia pagou R$ 990 o ingresso !​”

Aqui para ler “As vaias: negro só tinha em campo”.

E aqui para ver na TV Afiada: “Os brancos e suas louras não xingavam o Maluf”.
Bessinha, o Itaú pode salvar a colonista, mas não salva o Estadão

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
******
Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2014/06/13/colonista-social-do-estadao-gritou-em-coro/

Bloqueador não oferece proteção total contra câncer de pele, diz estudo

13.06.2014
Do portal BBC BRASIL, 11.06.14
Por  Helen Briggs, da BBC News

 Protetor solar (BBC)
Pesquisa ressalta importância de combinar o uso do protetor com chapéus e outros recursos

Um estudo britânico recém-publicado faz um alerta para quem acha que, usando protetor solar, está totalmente protegido do câncer de pele.

Segundo pesquisadores da Universidade de Manchester, não se deve confiar apenas no bloqueador como forma de prevenção de melanomas – um tipo maligno de câncer de pele.

"Os resultados ressaltam a importância de combinar o uso do protetor solar com outras medidas para proteger a cútis, como o ato de usar chapéus e roupas folgadas, além de ficar na sombra nos horários de sol forte”, afirma o professor Richard Marais, principal responsável pelo estudo.

Publicada na revista Nature, a pesquisa feita em animais revelou detalhes sobre como os raios UV deixam as células epiteliais mais suscetíveis ao câncer.

É sabido que a exposição ao sol é um dos principais fatores de risco desse tipo de câncer de pele.
Mas ainda havia poucos detalhes sobre o mecanismo molecular pelo qual os raios UV prejudicam o DNA em células da pele.

Perigo

No estudo, os cientistas investigaram os efeitos dos raios UV na pele de camundongos para verificar a ação do protetor contra o câncer.

“Os raios UV atacam os mesmos genes que nos protegem contra seus efeitos nocivos, mostrando o quanto esse agente causador do câncer é perigoso ”, disse Marais.

“Acima de tudo, esse estudo traz provas de que os bloqueadores solares não nos oferecem uma proteção completa contra os efeitos prejudiciais dos raios UV.”

Os pesquisadores descobriram que os raios UV causaram problemas no gene p53, que normalmente ajuda a proteger o corpo contra os efeitos de um DNA com falhas.

O estudo também mostra que o protetor pode reduzir a quantidade de falhas no DNA causadas pelos raios UV, atrasando o desenvolvimento do melanoma nos camundongos.

Julie Sharp, chefe de informação do instituto britânico de pesquisa sobre o câncer, disse que as pessoas tendem a achar que são “invencíveis” a partir do momento que passam a usar bloqueador solar e por isso ficam mais tempo sob o sol, ampliando a exposição aos raios UV.

“É essencial adquirir hábitos seguros para se proteger do sol e não se deixar queimar – queimaduras de sol são, aliás, um claro sinal de que o DNA das suas células epiteliais foi danificado e, a longo prazo, isso pode levar ao câncer de pele”, disse.

O melanoma é o quinto câncer mais comum no Reino Unido, com mais de 13 mil pessoas diagnosticadas com a doença por ano.

No Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que houve 6.230 novos casos deste tipo de tumor em 2012, sendo 170 homens e 3.060 mulheres (2012).

Notícias relacionadas
*****
Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140611_cancer_pele_protetor_mdb.shtml

Três lições que os EUA aprenderam com George Orwell 65 anos após lançamento de ‘1984’

13.06.2014
Do portal OPERA MUNDI
Por Felipe Amorim e Patrícia Dichtchekenian | São Paulo

Cristalizada no tempo, obra mais emblemática de autor inglês apresenta futuro distópico que condensa ficção e realidade

“Eu não acredito que o tipo de sociedade que descrevo necessariamente irá chegar, mas acho que algo semelhante poderia emergir. Também acredito que ideias totalitárias criaram raízes nas mentes dos intelectuais em todos os lugares e tentei tirar destas ideias as suas consequências lógicas”, escreveu o autor inglês George Orwell na última declaração a respeito de 1984, em carta aberta ao United Auto Workers, um dos principais sindicatos de trabalhadores norte-americanos.
Reprodução
Lançado em Nova York no dia 13 de junho de 1949, o clássico transcendeu a temporalidade. A ideia de sua composição já estava na mente de Orwell desde a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), mas o estopim para colocar a mão na massa foi após a Segunda Guerra Mundial, no fim de 1946.

[Primeira edição norte-americana de '1984']
Se o escritor não tivesse morrido sete meses após o lançamento de sua obra mais emblemática, talvez tivesse fôlego para recompô-la a partir de novas perspectivas geopolíticas, como a eclosão da Guerra Fria. De qualquer forma, o que assusta nesta distopia é a própria premonição de Orwell quanto à possibilidade iminente que ela tem de emergir. Mesmo após 65 anos da publicação de 1984 no país, ficção e realidade caminham lado a lado nos Estados Unidos:

“Guerra é paz”
“Uma década de guerra está acabando. Nós, o povo, ainda acreditamos que segurança e paz duradoura não requerem guerra perpétua.” A frase não é uma passagem do livro de George Orwell, é um trecho do discurso de Barack Obama ao assumir o segundo mandato presidencial, em janeiro de 2013. A intenção era sinalizar o esforço de retirar as tropas norte-americanas do Oriente Médio, após mais de dez anos de ocupações no Iraque e no Afeganistão. O cinismo da afirmação esconde o fato de que Washington não está acabando com as guerras, mas apenas mudando o formato do combate.

O carro-chefe das Forças Armadas dos EUA deixou de ser os soldados, fuzis automáticos e carros blindados e passou a ser bombardeios aéreos com drones e operações secretas realizadas pela elite dos seals norte-americanos, que atuam em mais de 75 países invadindo, capturando e executando supostos inimigos — exatamente como fizeram com Osama bin Laden. Esses novos métodos dão à população a impressão de que os tempos são de paz, afinal não há baixas — pelo menos, não do lado dos norte-americanos.

A máxima orwelliana “Guerra é paz”, um dos slogans do governo fictício de 1984, institui a ideia de que a violência é tão constante que torna impossível a distinção entre guerra e paz. Da mesma maneira, a máquina e a indústria da guerra são elementos tão essenciais que a manutenção da paz exige um estado permanente de conflito com os inimigos (externos e, também, internos); do contrário, a sociedade e a economia em 1984 sucumbiriam.

De qualquer jeito, é tentadora a comparação entre o slogan orwelliano e essa política externa “o que os olhos não veem o coração não sente” praticada por Washington. Para os EUA, eliminar o desgaste de uma ocupação militar de longa duração seria o equivalente a pôr fim à guerra. Com essa mudança, essas técnicas de guerra “menos convencionais” podem continuar indiscriminadamente em tempos de paz.

“Que coisa bonita, a destruição de palavras!”
Em 1984, repressão ideológica é feita também por meio do controle do idioma. A “novilíngua” (ou “novafala”) parte de um pressuposto básico: se a palavra que carrega determinado significado não existe, a ideia deixa de existir também. No livro, o governo autoritário pretende extinguir para sempre dos dicionários palavras como “amor”, “liberdade” e “revolução”.

Reprodução/ Motherboard
Marca da administração Obama, mercado dos drones (aviões não-tripulados) movimenta US$ 6 bilhões todos os anos
De certa maneira, a Guerra ao Terror deflagrada pelos EUA após os atentados de 11 de Setembro trouxe algumas mudanças semânticas que lembram um pouco o universo orwelliano. As torturas nos porões de Guantánamo, por exemplo, viraram “técnicas estressantes de interrogatório”. Quando os EUA mataram Osama bin Laden, a Casa Branca afirmou que seu corpo havia sido “sepultado e enterrado no mar” — um belo eufemismo (paradoxal e fisicamente impossível, diga-se) para informar que seu cadáver foi simplesmente arremessado na água.
Por falar em bin Laden, é quase impossível encontrar alguém (do governo ou da mídia) que diga que o terrorista foi assassinado ou executado. O próprio Departamento de Justiça dos EUA, como atesta este documento, tem um conceito bem diferente sobre essa palavra: “A lawful killing in self-defense is not an assassination” (“Uma morte legítima em autodefesa não é um assassinato”, em tradução livre.)

“O Grande Irmão está de olho em você”
As teletelas que apresentam o Grande Irmão (ou “Big Brother”) na obra de Orwell jamais poderiam ser desligadas completamente. “Não havia como saber se você estava sendo observado em um momento específico – era possível controlar todo mundo o tempo todo”, sintetiza uma passagem do livro. A esse dispositivo de poder — que leva o indivíduo à constante sensação de visibilidade, fazendo com que ele se sinta submetido a um poder visível, mas jamais inverificável, —  deu-se o nome de Panóptico. Trata-se de uma técnica de vigilância desenvolvida pelo jurista Jeremy Bentham, em 1785, quando ele idealizou uma construção em forma de anel, com celas que convergiam para uma torre central. Esse sistema pode ser utilizado em presídios, hospitais, fábricas ou na casa das pessoas, como no caso de 1984.

Fickr/AndyRoberts
Crescente instalação de câmeras de segurança, seja em condomínios ou instituições privadas, é um panoptismo consentido
Essa proposta de assegurar a efetividade do poder e garantir a ordem a partir da vigilância foi desenvolvida à exaustão pela NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), tal como revelou Edward Snowden. Em 2013, o ex-técnico do órgão declarou que a divulgação em massa e indiscriminada de dados privados por parte dos governos resultou na espionagem de milhões de pessoas, gerando um debate crítico em escala mundial acerca da dimensão do nível de vigilância dos norte-americanos.

Nos três anos em que trabalhou na NSA, Snowden acessou por volta de 1,7 milhões de arquivos oficiais e divulgou parte deles — atitude que custou milhões para as Forças Armadas dos EUA. Há alguns meses, Obama disse que as escandalosas revelações sobre espionagem da NSA trouxeram "mais prejuízo que transparência". Desde agosto passado, o ex-técnico está asilado na Rússia e faz aparições esporádicas em conferências online.

Snowden jogou luz sobre o pretensamente sutil efeito Panóptico a que os cidadãos estão submetidos. Nas últimas décadas, a crescente instalação de câmeras de segurança, seja em residências e condomínios, seja em estabelecimentos comerciais e instituições privadas, já era um panoptismo consentido. Inspirado no líder supremo da ficção de Orwell, o próprio programa de televisão mundial Big Brother é um exemplo claro do momento em que uma sociedade panóptica se transformou em uma sociedade do espetáculo, em que a exacerbação da própria imagem já se traduz pelo fetiche pela visibilidade. No entanto, a conversão dos computadores, tablets e celulares em teletelas portáteis foi um choque em nível global, comprovando que 1984 de fato não é tão fictício assim.
******
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/35651/Tres+licoes+que+os+eua+aprenderam+com+george+orwell++65+anos+apos+lancamento+de+%E2%80%981984%E2%80%99.shtml

Dilma responde aos xingamentos: Nem tortura me tirou do rumo

13.06.2014
Do blog VI O MUNDO



“Eu não vou me deixar, portanto, atemorizar por xingamentos que não podem ser sequer escutados pelas crianças e pelas famílias. Aliás, na minha vida pessoal, eu quero lembrar que eu enfrentei situações do mais alto grau de dificuldade. Situações que chegaram ao limite físico. Eu suportei não foram agressões verbais, foram agressões físicas. E nada me tirou do meu rumo”, lembrou.

Leia também:

Ademário Costa detona a área VIP: Só podiam ser brancos e ricos
*****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/dilma-responde-aos-xingamentos-nem-tortura-me-tirou-do-rumo.html

A alegria é do povo e ela vai driblar o ódio da direita

13.06.2014
Do blog TIJOLAÇO, 12.06.14
Por Fernando Brito

alegria
Cadê o caos?

Cadê  o fracasso, a incompetência, a incapacidade brasileira de fazer o maior evento esportivo do mundo, ao lado das Olimpíadas?

Pergunte, pergunte isso a todos.

Algumas pessoas reagirão com espanto.

“É, falaram tanto que ia ser um desastre”.

Outras, empedernidas, vão gaguejar “é, mas”, “ah, mas” e outras rabugices do gênero.
Tentaram de tudo para tirar do povo brasileiro uma grande alegria.

Cobraram hospitais, escolas, tudo o que jamais lhe deram, nas décadas e séculos em que, quase ininterruptamente, estiveram no poder.

Tudo era mal-feito, atrasado, desajeitado.

O Brasil era uma vergonha.

E, não obstante, o Brasil hoje é uma festa.

Com direito a brincadeira, protesto, risada, unhas roídas, vaia, aplauso, tudo o que a diversidade humana tem guardado e se solta nas horas de festa.

Que é, na frase genial de Leonardo Boff, o tempo forte da vida, onde os homens dizem sim a todas as coisas.

Em que nos aceitamos, nos irmanamos, nos soltamos para sermos todos os defeitos e qualidade que trazemos em nós.

A direita, meus irmãos, é um bicho gordo e triste.

Sua alegria é só a dos camarotes, de seu mundinho privado e privilegiado.

A alegria do povo, como a encarnou Mané Garrincha, é desarrumada, tem as pernas tortas, toma umas e outras e mais outras ainda e muitas vezes não sabe arrumar direitinho as palavras.

Mas é genial, indomável, transbordante e linda, como a destas crianças cariocas que o fotógrafo Yasuyoshi Chiba, da France Press, teve a delicadeza de captar.

Só quem não ama as pessoas pode olhar para elas sem se emocionar.

Tivemos de suportar meses e meses de tristeza e do coro dominante da tristeza.
Mas agora a alegria vai inundar tudo isso.

E o povo brasileiro estará feliz, feliz como queremos que viva todos os dias, todos os anos, todos os séculos.
*****
Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=18255

Brasil venceu assim que a luz do iPhone se apagou

13.06.2014
Do portal da Revista CartaCapital,12.06.14
ESPORTE FINO
Por Fabio Chiorino 
 
Jogadores correm para abraçar Felipão após o gol de empate, marcado por Neymar (Crédito: Rafael Ribeiro | CBF)
Jogadores correm para abraçar Felipão após o gol de empate, marcado por Neymar (Crédito: Rafael Ribeiro | CBF)

O Brasil estava nervoso e afobado. E quem não estava? Além da pressão natural de uma Copa do Mundo, existia uma obrigação implícita de vencer a estreia jogando em casa. E em São Paulo, o palco historicamente mais crítico em relação à seleção brasileira. 

Ainda causa certo estranhamento observar as arquibancadas das novas arenas construídas para o Mundial. A impressão é que estão lá 60 mil correntistas “premium”presenteados pelos bancos com os ingressos. Não é uma crítica. Mesmo. Mas é algo que me chama bastante atenção. Mas essa torcida, elitizada ou não, reagiu bem ao gol contra de Marcelo. Evitou as vaias, impulsionou como pode. Falta cacoete, é claro, mas se portou de forma digna: apoiou, mesmo ao perceber que a festa se transformava em uma partida dificílima. Naquele momento, as luzes de milhares de iPhones se apagaram e o torcedor enfim levantou a cabeça para enxergar o que acontecia na Arena Corinthians. 

Neymar. Gigantesco. Ignorou a juventude e o excesso de responsabilidade e marcou o gol que deu o respiro que Felipão procurava por debaixo de seus bigodes. Quando o camisa 10 desequilibra demais e seguidamente, surge a preocupação sobre a dependência da Seleção Brasileira em relação a ele, como bem descreveu o José Antonio Lima nesse blog. Mas, enfim, menos mal que esteja do lado brasileiro, e não jogando contra nós. 

Oscar foi a melhor surpresa da partida. Disperso nos últimos amistosos, já se antevia que perderia o lugar para Willian, seu companheiro no Chelsea. Procurou a bola a partida toda, atuando mais como ponta do que como meia. Luiz Gustavo e David Luiz também foram acima da média, mesmo em uma tarde que a defesa brasileira concedeu espaços e contra-ataques demais. 

Alguém precisa ressuscitar Paulinho. Terminou a Copa das Confederações dividindo as atenções com Neymar e Fred. Hoje, parece jogar por carteirada. Roda pelo campo como quem passeia por cartões postais. Não marca nem apoia o ataque. A inconstância no futebol inglês lhe tirou ritmo e o status de inquestionável. As laterais foram outro fator negativo. Assim como observado nos amistosos preparatórios, os espaços por ali são enormes, principalmente nas costas de Daniel Alves, que, definitivamente, não tem vocação defensiva. 

O erro do juiz japonês Yuichi Nishimura, curiosamente o único entre os 24 chamados para a Copa que se dedica exclusivamente à arbitragem, causa a revolta da Croácia, ao mesmo tempo em que coloca o Brasil muito cedo na roda de acusações de favorecimento por jogar em casa. A vitória foi merecida, mas a malandragem de Fred não foi o melhor cartão de visitas. Dos sete passos, o primeiro foi dado. Que o último seja uma linda homenagem a Barbosa, tão injustiçado quanto os croatas nessa quinta-feira.
******
Fonte:http://esportefino.cartacapital.com.br/brasil-croacia-copa-do-mundo/