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domingo, 8 de junho de 2014

MANIPULAÇÃO DA MÍDIA: Imprensa e jornalismo: nada a ver

08.06.2014
Do blog ESQUERDOPATA, 07.06.14

 

Por mais arriscado que seja fazer diagnósticos em situações de alta complexidade, pode-se afirmar que o motor da sucessão de tumultos que assola o Brasil desde o ano passado é a desinformação.

Já se afirmou aqui que pior do que a mentira é a meia-verdade, e pode-se comprovar essa assertiva com a observação do processo pelo qual a imprensa brasileira tem contribuído para a construção do mau humor coletivo que vai se espalhando de forma avassaladora pela sociedade.

O processo é clássico e seu exemplo maior continua sendo a estratégia de comunicação que Joseph Goebbels desenvolveu na Alemanha nos anos 1930 e que em uma década fez com que a insanidade de um pequeno grupo de ativistas contaminasse o país onde a modernidade havia plantado suas raízes no século anterior.

No entanto, é preciso fazer uma retificação importante no paradigma central da propaganda nazista: a frase segundo a qual "uma mentira contada mil vezes torna-se verdade" ganha certa contemporaneidade se dissermos que "uma meia-verdade repetida duas vezes torna-se verdade".

Se o leitor ou leitora afeto à visão crítica dos acontecimentos fizer uma visita ao noticiário dos últimos doze meses, vai observar que o estado de espírito negativo que contamina o Brasil não decorre de um efeito colateral do noticiário: é o propósito central da atividade da imprensa hegemônica.

Certamente, há espaço suficiente nessa afirmação para a suspeita de que o observador pode estar sob influência de teorias conspiratórias, mas a leitura dos jornais nesse período indica claramente o desenvolvimento de uma campanha com objetivo de destruir a autoestima dos brasileiros.

Este observador foi conferir essa hipótese com uma fonte qualificada de um dos maiores jornais brasileiros, assentada em posição de mando na área comercial, e ouviu uma queixa surpreendente: disse o informante que a agenda negativa está prejudicando o próprio jornal, ao produzir um estado de pessimismo que desestimula os anunciantes.

O jornalismo praticado nas redações é nocivo ao negócio jornal.

Não seria a primeira vez que a imprensa, como sistema corporativo, estaria agindo contra seus próprios interesses de longo prazo.

A desinformação como tática

Se a direção dos jornais considera apropriado cultivar uma crise social, com grandes riscos de detonar no rastro dela uma crise econômica, é porque entende que, se a tática for bem sucedida, haverá um ganho para o negócio no futuro próximo, com uma mudança radical no modelo econômico.

Fora dessa possibilidade, resta a alternativa de pensar que a imprensa enlouqueceu.

Ora, atuar de forma nociva contra o modelo que ampliou o mercado interno e deu alento ao mercado publicitário só pode ser entendido como uma forma de suicídio, como apontou o executivo citado acima.

A disputa eleitoral em curso é considerada pela imprensa hegemônica do Brasil como "a mãe de todas as batalhas", porque dela pode brotar o presidente ideal para os padrões das grandes empresas de comunicação.

Mesmo que isso signifique reverter o avanço das conquistas sociais que se iniciaram com a estabilização da moeda, em 1994, e se consolidaram com as políticas oficias de distribuição de renda, os jornais insistem nesse processo.

Ainda no perigoso atalho que corta as complexidades envolvidas nessa questão, pode-se afirmar que a imprensa, como sistema corporativo, já não faz jornalismo.

Faz uma política menor, característica dos lobbies, exatamente igual à prática do "é dando que se recebe", celebrizada pelo falecido deputado Roberto Cardoso Alves e formalmente condenada pela própria imprensa.

Portanto, toda análise que se fizer daqui para a frente precisa deixar claro que, ao se observar a imprensa, não se está necessariamente analisando o jornalismo.

Quando o sistema da comunicação abandona o pressuposto da objetividade para atuar como lobby, mesmo às custas de suas necessidades e interesses de longo prazo, pode-se dizer que houve uma ruptura entre jornalismo e imprensa.

O núcleo tático desse procedimento é a imposição de meias-verdades, que produzem a desinformação geral; a desinformação estimula protestos, crises, decisões equivocadas de investidores, e − o mais grave − descrença no sistema democrático, como aconteceu na Alemanha nazista.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/06/imprensa-e-jornalismo-nada-ver.html

Presidente da Ucrânia anuncia plano de paz durante discurso de posse

08.06.2014
Do portal OPERA MUNDI, 07.06.14
Por Redação | São Paulo 

Vladimir Putin elogiou a intenção de Petro Poroshenko, mas ordenou reforçar a fronteira entre Russia e Ucrânia para evitar incursões ilegais

O novo presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, anunciou neste sábado (07/06), durante seu discurso de posse, que irá apresentar um plano de paz para amenizar as tensões no leste pró-russo do país. “Quero a paz e alcançarei a unidade da Ucrânia. Por isso começo minha gestão com uma proposta de plano de paz”, afirmou.


Eleito no dia 25 de maio, Poroshenko disse que irá oferecer concessões políticas e ampla anistia para os milicianos que não tenham se envolvido em delitos de sangue contra o governo e a população civil, ou tenham financiado “atividades terroristas”, e ressaltou que não pretende "falar com os bandidos”.

Agência Efe
Petro Poroshenko durante o discurso de posse neste sábado

Em relação às tenções com o governo de Vladimir Putin, Poroshenko afirmou que “os cidadãos da Ucrânia não viverão em paz e segurança até que normalizemos as relações com a Federação Russa”. Durante o discurso também garantiu que não quer provocar uma guerra ou se vingar dos opositores.

O embaixador russo, Mikhail Zurabov, que estava presente durante a posse, disse que o discurso foi “uma declaração de intenção promissora” e afirmou que a Ucrânia deveria finalizar as operações militares no leste do país.


Comissão Eleitoral confirma Petro Poroshenko como presidente eleito da Ucrânia

EUA, Rússia e China devem resistir a aumento da vigilância e erosão dos direitos públicos, diz Snowden

Pela 1° vez desde anexação da Crimeia, Putin e Obama se reúnem na Normandia


O novo presidente anunciou que antecipará eleições parlamentares e insistiu que o único idioma do país é o ucraniano. Também negou o pedido dos insurgentes de transformar o país em uma federação e afirmou que a Ucrânia “foi e será um Estado Unitário”. 


Poroshenko garantiu que Kiev deve assinar um Acordo de Associação com a União Europeia em breve e acredita que o acordo é um primeiro passo para que o país ingresse na UE. Em fevereiro deste ano, a rejeição de um acordo com a UE foi o estopim da crise na Ucrânia e a derrocada do então presidente, Viktor Yanukovich.

Agência Efe
Petro Poroshenko e Vladimir Putin ontem durante as comemorações dos 70 anos do Dia D, na Normandia

Nas últimas semanas, o governo ucraniano denunciou que grupos de mercenários russos entraram no país para dar forças às milícias pró-russas em Donetsk e Lugansk, que combatem forças estatais ucranianas.

Após a posse de Poroshenko, Putin ordenou que as fronteiras com a Ucrânia sejam reforçadas, para que  incursões ilegais sejam evitadas.  Durante as comemorações pelo 70º aniversário do Dia D, na Normandia, Putin e Poroshenko se encontraram e o presidente russo elogiou o plano de paz e sua intenção de encerrar os combates entre os rebeldes pró-russos e as forças ucranianas.

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/35582/presidente+da+ucrania+anuncia+plano+de+paz+durante+discurso+de+posse.shtml

Hacker do FBI apoiou ações contra páginas do governo brasileiro em 2011 e 2012

08.06.2014
Do portal REDE BRASIL ATUAL, 07.06.14
Por Diego Sartorato, da RBA
 
Informante da agência de inteligência norte-americana foi o principal articulador do grupo virtual Anonymous durante ataques realizados a diversos órgãos públicos. Governo brasileiro não foi avisado
 
Reprodução            
anon
Ativistas virtuais do grupo Anonymous identificam-se pela máscara do filme 'V de Vingança'
São Paulo – Registros do mIRC, plataforma de chat utilizada por ativistas digitais para evitar o monitoramento de governos e agências de inteligência sobre suas trocas de mensagens, divulgados hoje com exclusividade pelo blog norte-americano Motherboard comprovam o envolvimento direto de um hacker cooptado pelo FBI (Escritório Federal de Inteligência do governo norte-americano, na sigla em inglês) na série de ataques promovidos pelo grupo virtual Anonymous entre 2011 e 2012 contra diversas páginas oficiais do governo brasileiro.
 
 
 
Hector Xavier Monsegur, hacker norte-americano conhecido na rede pelo apelido Sabu, foi preso em meados de 2011 pelo FBI, mas seguiu ajudando a organizar ataques virtuais sob a tutela da agência norte-americana até março de 2012, quando sua condição de informante foi revelada, e seus colaboradores norte-americanos, presos. Nesse período, foi o mentor dos ataques promovidos por representantes brasileiros do Anonymous, coletivo de ativistas virtuais anônimos, por meio da disponibilização de senhas de acesso para diversas páginas oficiais brasileiras.
 
Entre os sites que Sabu ajudou a invadir e derrubar estão o da Presidência da República, o portal Brasil.gov.br e o site da Polícia Militar do Distrito Federal, entre outros. Em abril de 2012, o site da Rede Globo também foi alvo do grupo de hackers organizado por Sabu.
 
O FBI acompanhou todas as ações, inclusive planos para derrubar sua própria página na internet, o que ocorreu em março de 2012. A agência de inteligência gravou e guardou todas as páginas de trocas de mensagens entre Sabu e os hackers brasileiros, inclusive informações sobre como invadir domínios do governo brasileiro, um ano antes de o ex-analista da CIA (Agência Central de Inteligência do governo estadunidense, na sigla em inglês) Edward Snowden revelar que o governo americano mantinha espionagem sobre celulares e e-mails das embaixadas brasileiras, da Petrobras e da própria presidenta Dilma Rousseff. O governo brasileiro não foi informado sobre a investigação do FBI ou as informações reunidas pela agência.
 
Após os ataques, o governo de Dilma Rousseff (PT) apressou a aprovação do Marco Civil da Internet, que dificultou a colaboração de empresas com os esforços de espionagem dos Estados Unidos sobre governos de outros países. O projeto original incluía até a obrigatoriedade de que os servidores com dados de usuários brasileiros tivessem de ser obrigatoriamente instalados no Brasil, mas a proposta não passou pelo Congresso Nacional, que atendeu a pedidos das empresas para evitar os custos de instalação das estruturas e a interrupção de serviços no país enquanto as adequações não fossem feitas.
 
O Anonymous, grupo descentralizado sem organização fixa, serve como "fachada" para diversos ciberativistas que se dizem apartidários e apolíticos, e que militam pelo direito à privacidade de informações de usuários da internet, ao mesmo tempo em que lutam pela democratização da informação pública por meio da internet, em especial arquivos sigilosos de governos e de grandes corporações. O caráter horizontalizado do grupo, no entanto, permite a "infiltração" de agentes que não necessariamente perseguem os objetivos pregados pelo Anonymous em escala global.
 
Em março deste ano, o Anonymous BR, que reúne os hackers brasileiros alinhados com o coletivo, sofreu uma dissidência justamente por conta da "infiltração" de agentes políticos no grupo: um manifesto assinado pelo agrupamento de Curitiba do Anonymous acusou o Anonymous BR de ser instrumento de partidos de direita, que estariam tomando os símbolos e técnicas do grupo para insuflar movimentos exclusivamente contra governos petistas, e em especial o da presidenta Dilma. Pela filosofia anarquista do grupo, governos de todos os partidos brasileiros deveriam ser alvo do Anonymous, acusaram os militantes, que abandonaram o codinome.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2014/06/hacker-do-fbi-apoiou-acoes-contra-paginas-do-governo-brasileiro-em-2011-e-2012-563.html

Brasil é exemplo de sucesso na redução do desmatamento, diz relatório

08.06.2014
Do portal da BBC BRASIL, 05.06.14
Por  Alessandra Corrêa De Nova York para a BBC Brasil

Um relatório divulgado nesta quinta-feira na reunião da ONU sobre mudanças climáticas que ocorre em Bonn, na Alemanha, destaca o Brasil como o país que mais reduziu o desmatamento e as emissões de gases que causam aquecimento global.
Desmatamento (AP)
Brasil foi citado em relatório por redução do desmatamento
O documento, produzido pela organização Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Preocupados, em tradução livre), com sede nos Estados Unidos, explora como, na primeira década deste século, o Brasil conseguiu se distanciar da liderança mundial em desmatamento e do terceiro lugar em emissões de gases e se transformou em exemplo de sucesso.
"As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e sua contribuição para retardar o aquecimento global não têm precedentes", diz o relatório, intitulado "Histórias de Sucesso no Âmbito do Desmatamento", que analisa a trajetória de 17 países em desenvolvimento com florestas tropicais.
"A velocidade da mudança em apenas uma década – na verdade, de 2004 a 2009 – é impressionante".

Queda

Os autores destacam a queda de 70% nas taxas de desmatamento no Brasil na comparação entre os dados de 2013 e a média entre 1996 e 2005 e observam que aproximadamente 80% da floresta original ainda existe.
Ressaltam ainda que, a partir de meados dos anos 2000, as emissões resultantes de desmatamento no Brasil caíram em mais de dois terços, neutralizando aumentos em outros setores e resultando em uma tendência geral de queda.
O relatório observa que, após atingir seu ponto alto entre 2004 e 2005, impulsionado pela expansão da produção de soja e carne, o desmatamento na Amazônia começou a cair, mesmo diante do aumento dos preços internacionais das commodities – prova de que "um setor agrícola forte e moderno pode crescer ao mesmo tempo que a paisagem se torna mais florestada".
Nem mesmo os resultados mais recentes, divulgados pelo governo brasileiro no ano passado, alteram a avaliação dos cientistas em relação ao desempenho do Brasil. Os dados mostraram aumento de 28% na taxa de desmatamento da Amazônia no período entre agosto de 2012 e julho de 2013 na comparação com o ano anterior.
"Situação semelhante já ocorreu em 2008, quando a taxa de desmatamento aumentou por um ano e depois retomou sua trajetória de queda", disse à BBC Brasil o principal autor do estudo, Doug Boucher.
Boucher afirma que a mudança foi alta porque o desmatamento já havia sido reduzido para um nível muito baixo.
"Mesmo com esse aumento, o valor de 2013 foi 9% inferior se comparado ao de 2011".

Ações

O sucesso do Brasil é creditado a uma série de ações que começaram a ser implementadas no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), como a criação de novas áreas protegidas na Amazônia, incluindo reservas indígenas e unidades de uso sustentável, e foram ampliadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), com o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal.
O relatório destaca a importância das moratórias voluntárias adotadas pela indústria da soja, que a partir de 2006 se comprometeu a não comprar grãos produzidos em terras desmatadas da Amazônia, e pelo setor de carne bovina, que seguiu o exemplo de 2009 em diante.
Segundo o documento, também foi crucial a atuação do Ministério Público, com ações judiciais que reforçaram a aplicação das leis e a ajuda de sistemas avançados de mapeamento e monitoramento.
O texto observa que o estabelecimento de acordos com matadouros e exportadores, por exemplo, exigindo que conhecessem as fronteiras das fazendas de onde compram seus produtos, permitiu identificar produtores que desmatam e excluí-los da cadeia de suprimentos.
O documento ressalta ainda as iniciativas de Estados e municípios que promoveram mudanças para reduzir o desmatamento e pressionaram o governo federal por ações mais rígidas.
Outro destaque citado é o acordo de Redd+ (Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal) entre Brasil e Noruega, que prevê incentivos para países em desenvolvimento reduzirem emissões, por meio de financiamento de países ricos.

Países

O relatório dividiu os países analisados em três grupos: o primeiro, onde está o Brasil, é o dos que tiveram sucesso na implementação de programas para reduzir desmatamento e emissões ou para promover reflorestamento. Também integram este grupo Índia, Quênia, Madagascar e Guiana.
Há ainda aqueles países em que os programas não tiveram o resultado esperado, mas mesmo assim foram benéficos. Entre eles estão México, Vietnã e Costa Rica.
O terceiro grupo, formado por El Salvador e países da África Central, aborda casos em que o sucesso foi devido principalmente a mudanças socioeconômicas.
"Na década de 90 do século 20, o desmatamento (global) consumiu 16 milhões de hectares por ano e foi responsável por cerca de 17% do total da poluição que causa o aquecimento global", diz o documento.
"Atualmente, o cenário global parece consideravelmente mais favorável. O desmatamento diminuiu 19%, passando para 13 milhões de hectares por ano na primeira década do século 21, graças ao sucesso de variadíssimos esforços de proteção das florestas, que também estimularam as economias e meios de vida locais".
No caso do Brasil, os pesquisadores admitem que há desafios para manter o sucesso alcançado até agora.
Além do aumento do desmatamento verificado em 2013 na comparação com o ano anterior, os cientistas citam emendas ao Código Florestal como motivo de preocupação sobre o futuro do sucesso do Brasil.
No entanto, afirmam que os resultados obtidos até agora já são motivo de "orgulho".
"Não podemos ignorar o fato de que o sucesso do Brasil até agora tem sido muito grande", disse Boucher à BBC Brasil.
Segundo os autores do relatório, "a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140604_desmatamento_relatorio_ac_hb.shtml

GOLPE DE 64, EM PERNAMBUCO: Os últimos atos de Miguel Arraes antes da deposição

08.06.2014
Do portal DIARIO DE PERNAMBUCO
50 ANOS DO GOLPE
Por Andrea Pinheiro e Tercio Amaral
 
Ex-governador rejeitou propostas de adesão ao regime ou renúncia ao mandato após o golpe militar

Miguel Arraes cercado por militares no Palácio do Campo das Princesas no dia do golpe de 1964. Foto: Arquivo/DP/D.A Press
 
Há exatos 50 anos, o então governador de Pernambuco Miguel Arraes (PSB), já falecido, era destituído do comando do governo do estado em virtude do golpe de estado de 1964.
 
Apesar da tentativa do almirante Dias Fernandes, comandante do 3º Distrito Naval, que no dia 31 de março afirmou ao socialista que os militares baseados no estado resistiriam à ação militar, o governador foi destituído do cargo um dia depois. O Palácio do Campo das Princesas chegou ficar sob a mira de canhões estacionados no Cais do Apolo, no Recife Antigo, e na Rua da Aurora, no Centro.
 
No dia 31 de março, Arraes conversou com o presidente João Goulart, que relatou as dificuldades encontradas pelo governo federal, além da situação política em Minas Gerais.
 
No mesmo dia, o governador que seria deposto enviou uma nota oficial aos jornais do estado garantido que a situação no estado estava "tranquila". Arraes, no texto, também defendia a democracia e a legalidade. O discurso, porém, não estava de acordo com a realidade. O golpe já era quase um fato consumado.
 
No mesmo dia, Arraes se reuniu com assessores no Palácio do Campo das Princesas, onde também residia com a mulher e os filhos. Dois dirigentes do PCB, David Capistrano e José Leite, que estavam na reunião, sugeriram que o governador fosse para o município de Palmares, na Mata Sul, onde teria condições de resistir. O governador recusou a proposta, o que, mais tarde, seria analisado como uma postura bem pensada, já que tropas do Exército, vindas do estado vizinho de Alagoas ocupavam a cidade pernambucana.
 
Miguel Arraes também escreveu e enviou um manifesto aos demais governadores da região Nordeste. No documento, ele pedia que todos resistissem à quebra de legalidade e que apoiassem o presidente deposto João Goulart. O apelo não encontrou ressonância. Na noite do dia 31 de março, como o golpe de estado era um fato eminente, Miguel Arraes decidiu não dormir no palácio.
 
RESISTÊNCIA ATÉ O ÚLTIMO MINUTO DE LIBERDADE
 

Miguel Arraes sendo levado ao 14º Regimento de Infantaria, em Jaboatão dos Guararapes. Ele deixa o Palácio do Campo das Princesas em companhia do assessor e primo Valdir Ximenes e de um oficial do Exército. Foto: Arquivo/DP/D.A Press
Miguel Arraes iniciou o dia 1º de abril em conversas com assessores e sua mulher, a então primeira-dama Magdalena Arraes, que tentou manter a rotina dos filhos, inclusive, indo normalmente à escola. Os tanques do Exército já apontavam para o Palácio do Campo das Princesas. A primeira-dama começou a arrumar as malas das crianças para que elas fossem passar alguns dias na casa de uma das avós. Os filhos do casal foram orientados a não voltar ao palácio depois da aula.

"Chegou um coronel no palácio e disse que Arraes seria preso e ele disse: o senhor não tem autoridade para me depor sou escolhido pelo povo", disse o advogado Ivan Rodrigues, ex-assessor de Miguel Arraes, acrescentando que o coronel prometeu garantias, mas Arraes retrucou. "Ele respondeu: não preciso de suas garantias, sou o governador de Pernambuco e assumirei o governo de Pernambuco esteja eu onde estiver (...)". Ivan foi uma das testemunhas do encontro e disse que Arraes fechou a porta do palácio e deixou o coronel a ver navios.
 
Uma passeata foi organizada no Recife por estudantes em defesa da legalidade, mas o movimento foi sufocado pelo Exército. Os estudantes Ivan Rocha e Jonas Albuquerque foram atingidos à bala e morreram. Três pessoas ficaram feridas. O comandante do IV Exército, Justino Alves Bastos, telefonou para Arraes, que reclamou do cerco ao palácio. O comandante, no entanto, manteve as tropas nas ruas.
 
No final da manhã, dona Madalena deixou o palácio para encontrar os filhos. À tarde, o governador recebeu o então prefeito do Recife, Pelópidas Silveira, e Celso Furtado, presidente da Sudene, no palácio. Após a chegada deles, o Almirante Dias Fernandes foi ao palácio comunicar a deflagração do golpe. O prefeito do Recife, que também seria deposto, tenta deixar o palácio, mas é impedido. Dona Magdalena tenta entrar, mas não é autorizada.
 
Os coronéis João Dutra Castilho, do 14 º Regimento de Infantaria, e Ivan Rui de Andrade Oliveira, do 7º Regimento de Obuses, chegaram ao palácio para comunicar que Jango havia sido deposto, que as Forças Armadas haviam assumido o comando do país, e que Arraes deveria renunciar. À noite, os militares voltam ao palácio para prender Arraes. O local já havia sido esvaziado, só restavam Arraes, o tio Antônio Arraes de Alencar e Valdir Ximenes, diretor da Companhia de Revenda e Colonização, casado com uma prima de Arraes.
 
A MENSAGEM AOS PERNAMBUCANOS NUNCA VEICULADA
 

Antes da ordem de prisão levada pelo coronel Dutra de Castilho, o governador Miguel Arraes gravou uma mensagem aos pernambucanos, que deveria ser distribuídas em rádios do estado. A gravação foi realizada pelo jornalista Eurico Andrade, do jornal Última Hora, que tinha uma versão no Recife. A mensagem não pôde ser compartilha porque as rádios já estavam ocupadas pelos militares.

"Sei que cumpri até agora o meu dever para com o povo pernambucano, sei que estou fiel aos princípios democráticos e à legalidade e à Constituição que jurei cumprir. Deixo de renunciar ou de abandonar o mandato, porque ele está com minha pessoa e me acompanhará enquanto durar o prazo que o povo me concedeu e enquanto me for permitido viver", disse o governador deposto.
 
Miguel Arraes deixou o palácio e foi detido no 14º Regimento de Infantaria, em Socorro, em Jaboatão dos Guararapes. Arraes deixou o palácio em um fusca dirigido por Ximenes. Nesse mesmo dia, a Assembleia Legislativa realizou uma sessão extraordinária, acompanhada por militares dentro do plenário. Por 45 votos contra 16 e um em branco considerou a vacância do cargo de governador.
 
A Câmara de Vereadores do Recife, que estava em sessão permanente desde a noite anterior, cassou o mandato de Pelópidas Silveira. Na manhã do dia 2 de abril, num comunicado veiculado nas rádios, os militares anunciaram que Arraes havia sido transferido para o arquipélago de Fernando de Noronha. O então vice-governador Paulo Guerra (Arena) é empossado governador de Pernambuco.
 
O ex-governador Miguel Arraes concedeu entrevista à Agência Brasil em 2004, quando o golpe militar completava 40 anos. Na oportunidade, então deputado federal, que veio a falecer um ano depois, contou com detalhes como foi que os militares assumiram o poder e, em 1964. Sem aceitar renunciar ao mandato, ele viu o Palácio das Princesas, no Recife, ser cercado pelos militares no dia 1º de abril e, no fim da tarde, foi deposto do cargo. Do lado de fora do palácio, canhões eram apontados para o prédio. Arraes foi exilado na Argélia e só retornou ao Brasil em 1979, com a lei da anistia.
Confira abaixo tópicos da entrevista dele à Agência Brasil, concedida em 4 de março de 2004:
Prisão relâmpago
"Eu estava em Pernambuco, era governador e fui preso no Palácio do Governo, que estava cercado. Prenderam-me no exercício do cargo de governador e não pude fazer nada. Não restava outra coisa a fazer, as resistências já tinham caído no país todo. Fui preso na tarde de 1° de abril, esperando que houvesse alguma manifestação de reação, que não aconteceu".
Sem surpresas
          "Eu sabia que o golpe iria acontecer porque estive no comício de 13 de março de 64 na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. De lá fui para Juiz de Fora participar de uma concentração, e quase não consigo discursar, porque existiam 200 homens civis armados nas ruas. Eles eram comandados por um cidadão chamado Adão Rafael, que, acho, era deputado, sustentado pelo general Olympio Mourão. Depois fui para Belo Horizonte, conversei com Magalhães Pinto, que era governador de Minas, e segui para Brasília. No dia 17 ou 18 de março conversei com Jango e disse a ele que o golpe estava na rua. Então não fiquei surpreso".
Organizar a reação
          "Retornei a Pernambuco disposto a me organizar para a reação contra o Golpe. Isso se fosse possível, se fosse o caso. Não consegui dar inicio, porque não havia mais ninguém resistindo. Ninguém resistiu e seria um suicídio e um banho de sangue em Pernambuco. Seria uma decisão isolada, solitária. Fiquei esperando essa reação até a madrugada do dia 1° de abril. Amanheci cercado pelo Exército e tive que tomar posições para evitar, que alguns loucos partissem para uma reação contra o golpe, que eles pudessem agir isoladamente, emocionalmente, o que não era aconselhável. E aguardei passivo para ser preso, para o que o destino me reservaria naquela situação".
Golpe permanente
"O golpe sempre existiu e foi mais ou menos permanente desde que Getulio Vargas reassumiu o poder. É preciso recordar que, quando ele se elegeu, em 50, em uma grande campanha - e aqui quero ressaltar que não sou getulista, nunca fui do PTB e sou uma pessoa que sempre lutou com uma certa independência no campo político -, essa história começou. A conspiração data da hora em que Getúlio se elegeu. Ele tomou posse porque as forças nacionalistas de esquerda dentro do Exército foram vitoriosas. Quando o general Newton Estilac (ministro da Guerra de Getúlio) se elegeu presidente do Clube Militar, ficou claro que a maioria da oficialidade defendia a posse de Getúlio".
Revolta com a repressão
"Quem luta politicamente não tem direito de ter mágoa, nem alegria, só pode pensar naquilo que deve fazer. Tenho revolta pelos excessos cometidos pela repressão do regime militar sobre outros companheiros, alguns que morreram, outros sofreram torturas, prisão, discriminação, perseguição. Enfim, acho que nós devemos sempre comentar para que isso também não volte a se repetir no Brasil".
Clandestinidade
"Fiquei pouco mais de um ano na prisão e fui libertado por um hábeas corpus do Supremo Tribunal Federal. Depois fui novamente preso e libertado pelos militares. Fui libertado no Rio de Janeiro. Era preso, me soltavam, era chamado para depor, nem incomodava mais meu advogado, que era o doutor Sobral Pinto. Ele tinha ilusões com a abertura, e eu não tinha ilusão nenhuma, mas não podia sair sem ele, sem que ele concordasse. Em determinada altura lhe disse que não dava mais: entrei na clandestinidade por um mês, mais ou menos, enquanto tentava conseguir uma embaixada. A que consegui foi a da Argélia, país onde fiquei exilado durante 14 anos".
Compromisso com a história
"Passei isso tudo, mas quero registrar que não tenho queixas a fazer, e que nem sou uma pessoa que tinha feito algo de extraordinário. Fiz menos que muitas pessoas nesse país. Fiz o que me competia e tinha que fazer".
Em defesa de Jango
"Veja, sou do Nordeste, sempre tinha feito política no Nordeste. Tinha sido deputado estadual duas vezes, fui prefeito do Recife e depois governador. Tinha muito poucos contatos políticos. Conhecia o Jango, conhecia outras pessoas aqui do Sul, mas não tinha uma relação pessoal, de convivência com as pessoas daqui. Mas me dei muito bem com Jango. Acho que ele é muito injustiçado. Ele era um homem que era o que era. Ele nunca disse que era estadista, nunca disse que iria fazer e acontecer neste país. Ele ficava naquilo que era e podia fazer. Era um homem paciente. Sabia ouvir. Dentro disso, acho que cumpriu um papel importante para o país. Naquela oportunidade, Jango, politicamente, tinha muito boas relações públicas. Isso se via perfeitamente".
Influência americana
"Todo mundo sabe que os americanos estavam presentes no Brasil. Eu era governador e tinha em Pernambuco um cônsul americano e 15 vice-cônsules, coisa que nunca aconteceu neste país. Além de assessores por todos os lados. Chegou ao ponto que mandaram para lá, no governo de John Kennedy, um embaixador extraordinário para ver a situação do estado. Aqui eles estavam presentes mais do que em outros lugares da América do Sul. Todo mundo sabe que os americanos tinham despachado uma força-tarefa para cá. Mas acho que o golpe não tinha inteiramente razões para existir, porque o próprio Jango preparou a sucessão dele com muita antecedência. Foram lançados dois candidatos para a Presidência da República, que eram Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. Políticos confiáveis, digamos assim. Representantes da esquerda e de outros setores da sociedade queriam outras saídas do ponto de vista político, mas agiram sozinhos, isoladamente, porque também queriam mudar o país".
Comunismo não. Idéias justas
"Pernambuco não tinha nada de mais. Havia uma mobilização popular muito forte, o que é natural, e estávamos promovendo o Acordo do Campo, que nós fizemos. Queríamos romper, pelo menos, com aquilo que era socialmente insuportável. Os trabalhadores da cana ganhavam um terço do salário mínimo. Não dava para concordar com uma coisa daquelas. Tinham que ganhar pelo menos um salário mínimo, que era o que eles mereciam. Isso não tem nada de comunismo, de socialismo. Tratava-se de justiça concreta".
Semelhança com o Vietnã
"Internamente, não havia nenhuma motivação para o Golpe. Acho que há certas interpretações sobre o Golpe Militar no Brasil: uma delas é de que havia um movimento de massa muito forte no mundo inteiro. Esse movimento de massa, reivindicatório, era muito avançado no Vietnã, onde já tinham as forças de Ho Chi Min se instalando. As forças americanas pretendiam desalojá-los de lá. Esse movimento geral de massa fez com que isso aqui tenha parecido um golpe preventivo, para não se abrir uma outra frente em outro continente, e num país da dimensão do nosso. Então, esse golpe preventivo foi dado poucos meses antes do avanço americano dentro do Vietnã. Eles só se lançaram efetivamente lá, quando o golpe se consolidou aqui. Não posso afirmar que uma coisa esteja ligada a outra, mas os fatos são esses. Há quem interprete dessa forma".
Militarização do mundo
"Vê-se que a partir do golpe no Brasil houve o da Indonésia, em 65, onde morreram 500 mil pessoas fuziladas. Sucederam-se depois os golpes no Extremo Oriente e na América Latina, a ponto de, a certa altura, a América Latina estar coberta por regimes militares, um dos quais o de Pinochet, no Chile. Outro na Argentina. Este, um golpe extremamente violento. A militarização do mundo se deu então naquela hora. Esse panorama só começou a se alterar perto dos anos 70, quando o Vietnã, os vietnamitas começaram a avançar na sua luta, a levar vantagens contra a brutal maquina de guerra que invadiu o território deles. As outras reações que apareciam em várias partes isoladamente, porque havia uma insatisfação generalizada. Houve então a decisão de desmilitarizar. Essa desmilitarização foi apontada num relatório feito por Nelson Rockfeller (prefeito de Nova Iorque), que andou por aqui a certa altura com 200 assessores, dois aviões. Esse relatório não foi muito difundido aqui. A imprensa noticiou apenas os fatos que podia publicar".
Metralhadora e televisão
"O mal trazido ao Brasil pela ditadura foi a falta de informação da população, a manipulação do ensino, aquilo que foi jogado na cabeça das pessoas. Além disso, o silêncio sobre as lutas do povo, que não eram ensinadas aos jovens. A geração que nasceu por volta do ano de 64 não entende a formação de quem se formou antes, daqueles que desde muito cedo foram ensinados conhecendo os problemas brasileiros, os problemas da nossa população. Acho que esse é o prejuízo principal, e acho que a arma principal que está sendo utilizada - disse isso há muito tempo - para substituir as metralhadoras dos militares é a câmera da televisão".
Ligas camponesas
"As Ligas Camponesas eram um movimento paralelo à sindicalização e à união que havia entre os trabalhadores rurais. Eles tinham começado esse movimento entre pequenos proprietários, foreiros, arrendatários de terra. Agora esse movimento comandado por Francisco Julião era mais visível do ponto de vista geral, inclusive porque ele era uma pessoa que tinha uma certa capacidade de transitar em muitos lugares, e fazer dessa bandeira - que é uma bandeira que todos nós concordávamos - conhecida nacionalmente. Mas, do ponto de vista do volume de gente engajada nas Ligas, não era muito expressivo. Não era não. Pegue a votação de Julião (eleito deputado federal). Ele não tinha muita votação, principalmente junto à classe média. Era uma pessoa considerada por todos nós. Fui seu colega na Assembléia Legislativa e atuei ao seu lado depois, nas questões rurais. Também dávamos apoio ao trabalho dele. Não o deixamos para trás".
Em nome dos trabalhadores
"O Acordo do Campo, o primeiro feito no país, entre donos de terra e trabalhadores, deu bastante trabalho, mas os próprios proprietários constataram que essa era a saída que tinha que haver, porque eu disse que os trabalhadores tinham conquistado o direito de sindicalização naquela época. Os sindicatos rurais estavam organizados, quando assumi o governo de Pernambuco. Foi aí que começaram essas negociações. O pessoal da cana-de-açúcar se organizou unificadamente, havia uma unidade muito grande entre eles, portanto era uma força poderosa, disposta a negociar. Então, era apenas uma questão de ajuste, porque estavam vendo que, se não negociassem, seria um desastre, porque ninguém ia botar a polícia para segurar 100 mil trabalhadores. Foi diante disso que eles (usineiros, produtores e revendedores de cana) negociaram. Fui mediador de tudo isso e esse acordo nem a ditadura conseguiu destruir. Ele ficou. Como era uma coisa autêntica, que vinha de uma realidade dura, concreta, eles não puderam mexer. Eles foram procurando cortar as beiradas do acordo, reduzir as vantagens, mas ele é referência até hoje na questão da cana-de-açúcar".
Energia
"O povo nordestino ainda carece de coisas mínimas, e nós estamos nos atrasando, distanciando muito do resto do país pela ausência de infra-estrutura, de condições de crescimento. Em 1963, eu estava no governo de Pernambuco, Celso Furtado era presidente da Sudene (Superintêndencia de Desenvolvimento do Nordeste) e lhe falei sobre a necessidade de aumentar a oferta de eletricidade no Estado com a chegada da rede da Chesf (Companhia Hidroelétrica do Vale do Rio São Francisco), que estava sendo inaugurada com atraso de meio século em relação ao futuro. Queria que a Chesf levasse energia aos povoados, às populações rurais. Foi enviado um projeto para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Foi o Celso que o viabilizou. E veio o golpe, e esse projeto foi aprovado e executado pelos governos militares de forma totalmente diferente daquela que tinha sido prevista. O que se pretendia era democratizar a energia. O que eles fizeram: colocaram energia nas grandes propriedades, e a rede elétrica passava por cima dos pequenos. Então, eram 29 mil propriedades grandes - a menor tinha 200 hectares. Minifúndios e pequenas propriedades não foram atendidos.
Quando volto ao governo, retomo aquele projeto de 1963. Ora, de 63 para 86 já fazia um bocado de tempo. Então havia uma preferência dos governos militares pelos grandes proprietários e não pela população. Devia haver preocupação com todo mundo, com os grandes, com os pequenos e com os médios. E nesses dois governos que fiz depois de voltar, eletrifiquei cerca de 80% das propriedades. Em qualquer lugar tinha energia. Coisas desse tipo são elementares. A população quando vota não está querendo saber se o candidato é do PFL ou de um partido de esquerda. Quer é infra-estrutura para viver com dignidade. É que sempre procurei demonstrar que se faz muito pouco, muito pouco mesmo em coisas que o povo já deveria ter desde o começo do século passado. Só sobrevivi politicamente no nordeste por ser defensor dessas causas".
 
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Fonte:http://hotsites.diariodepernambuco.com.br/1964/ha50anos.shtml

“Busquemos outras abolições”, conclama Tânia Bacelar ao receber Medalha Joaquim Nabuco

08.06.2014
Do portal ISALTINO NASCIMENTO, 06.06.14
Por Taiza Brito
 
Ao finalizar seu discurso na Assembleia Legislativa no último dia 4 de junho, quando recebeu a Medalha Joaquim Nabuco, por proposição do deputado Isaltino Nascimento (PSB), a economista Tânia Bacelar conclamou: “Busquemos outras abolições”.
 
Ela ressaltou que nos últimos anos o Brasil conseguiu avanços importantes, especialmente nas políticas sociais, mas que a desigualdade ainda é a principal marca da sociedade brasileira.
 
“Continuamos desafiados a olhar em nosso entorno e fazer como o patrono desta medalha que ora não recebemos: não aceitarmos o que vermos!”, ressaltou, numa referência aos indicadores sociais que segundo ela continuam a desafiar os brasileiros.

A Medalha Joaquim Nabuco, pessoa física, Classe Ouro, é concedida apenas uma vez por ano a pessoas físicas ou jurídicas imbuídas de elevado espírito público e relevantes serviços prestados ao Estado ou à Pátria. Tânia Bacelar, que também é socióloga, já esteve à frente frente das secretárias estaduais de Planejamento e Fazenda, da secretária de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente do Recife, foi secretária de Políticas Regionais do Governo Federal, atuou na Fundação Joaquim Nabuco, nas universidades Católica e Federal de Pernambuco, e trabalhou por quase três décadas na Sudene, onde iniciou sua carreira.

No seu pronunciamento, Isaltino Nascimento destacou que não indicou Tânia Bacelar por acaso. “Ela carrega na sua personalidade muita sensibilidade e na sua trajetória compromisso com um Brasil novo. Visto que conhece como ninguém a realidade da sua região e a complexidade deste nosso mundo globalizado. Uma pensadora que têm muito a contribuir, pela sua competência, sobriedade. Orgulho para todos nós”, enfatizou o parlamentar.

A sessão, na qual também houve a entrega da comenda de pessoa jurídica à Fundação Terra, de Arcoverde, aconteceu no Palácio Joaquim Nabuco.
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Fonte:“Busquemos outras abolições”, conclama Tânia Bacelar ao receber Medalha Joaquim Nabuco

Latifundiários da mídia, tremei!

08.06.2014
Do BLOG DO MIRO, 
Por Bruno Marinoni, no site do FNDC:

O Rio Grande do Sul sancionou uma nova lei que reserva 20% das verbas publicitárias do Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado para as chamadas mídias locais, regionais e comunitárias. A medida redistribui a aplicação do dinheiro público, antes direcionada, prioritariamente, ao oligopólio midiático.

Se a lei já valesse no ano de 2013, por exemplo, no qual foram gastos cerca de R$ 52 milhões com propaganda oficial pelo Executivo Estadual do Rio Grande do Sul, teríamos R$ 10,4 milhões fomentando o desenvolvimento de pequenas iniciativas em terras gaúchas. Embora a proposta não vá além dos limites do que poderíamos considerar um misto contraditório de “intervencionismo” com “liberalismo clássico” (o Estado alimentando a fé de que o fomento da concorrência é a solução para os nossos males), a desconcentração do poder privado é uma ação importante em um setor que, ao longo de toda sua história, foi dominado pelo oligopólio empresarial e pela exploração comercial.

Os grandes grupos de comunicação no país funcionam como verdadeiros centros de gravidade que parasitam os recursos públicos. Os governos, interessados em autopromoção, injetam dinheiro nas empresas de mídia que concentram as maiores audiências, o maior número de leitores, etc. Assim conseguem mais visibilidade para os seus feitos e colhem os frutos nos períodos eleitorais. O oligopólio se fortalece e aumenta sua capacidade de concentrar público e atrair dinheiro do Estado. Está dado o círculo vicioso.

É preciso vontade política e dispositivos legais que façam com que a propaganda oficial se transforme numa política pública de fomento da pluralidade e da diversidade. A comunicação social, para a maioria dos nossos governos, é pensada como um instrumento de autopromoção, e não um direito que precisa ser garantido a todos e todas. Como resultado, tem-se o giro de uma engrenagem que concentra o poder econômico e ideológico-cultural nas mãos dos mesmos donos da mídia e o poder político nas mãos das mesmas elites regionais e nacionais. A população, em geral, é alijada desse sistema.

O passo dado pelo Rio Grande do Sul é pequeno, mas importante no sentido de democratizar a comunicação e fazer dela um direito garantido. É preciso vincular essa medida a critérios que garantam maior participação da população na formulação das políticas públicas e maior diversidade na distribuição dos meios de comunicação e dos recursos.

Em outros estados do país e no Congresso Nacional propostas parecidas estão tramitando. Vale a pena buscar saber mais e apoiar essas iniciativas para que o impacto abra uma brecha que nos permita imprimir uma dinâmica diferente na história da comunicação do país, até hoje, restrita ao âmbito particular dos interesses das elites político-econômicas.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/06/latifundiarios-da-midia-tremei.html

TABAGISMO: Como o Timor Leste virou recordista mundial de homens fumantes

08.06.2014
Do portal BBC BRASIL, 
Por Peter Taylor BBC News Magazine

Timor Leste (GETTY)
Fumo entre os mais jovens vem aumentando ano a ano no país, dizem especialistas

Quase dois terços dos homens de Timor Leste são viciados em cigarros - uma das mais altas taxas de fumantes do mundo.

Mas como essa nação pobre no sudeste asiático chegou a esse ponto?

O tabaco é hoje parte da estrutura social do Timor Leste. Tanto que, caminhando por ruelas escuras em torno de um mercado, respira-se um ar doce vindo do produto à venda nas barracas, ao lado de pilhas de tomates, abóboras e feijão.

Um maço de cigarro custa menos que US$ 1. Eles ficam amontoados sob guarda-sóis que estampam o nome de marcas, como LA e Vinte e Tres.

Todos contêm advertências sobre os efeitos para a saúde, mas ela têm pouco significado na prática para os fumantes – cerca de metade da população não sabe ler.

Na capital Dili, o icônico caubói do Marlboro ainda cavalga nos pôsters acima das lojas, apesar de já ter descido do cavalo na maioria dos outros países, onde os anúncios foram proibidos ou restringidos.

Problema sério

Timor Leste (BBC)
No Timor Leste, é comum ver propagandas tabagistas proibidas em outros países

Segundo dados da publicação científica Journal of the American Medical Association, 33% da população do Timor Leste fuma todos os dias. Entre os homens, a taxa é de 61% - a mais alta do mundo.

"A cada ano, os jovens estão fumando mais, especialmente os meninos," diz o Dr Jorge Luna, representante local da Organização Mundial de Saúde. "É um problema muito sério."

O consumo que aumenta especialmente entre os jovens que compram cigarros avulsos.

"Um cigarro custa $ 10 centavos. Se você comprar dois, sai por 20 centavos. Se forem quatro, paga-se 25 centavos", diz Luna.

O tabaco cultivado por pequenos agricultores para cigarros de enrolar (fumo de rolo) é ainda mais barato do que as marcas famosas, muitas vezes importadas do país vizinho, a Indonésia.
Nas escolas

As escolas de Timor Leste não adotam nenhuma política de saúde para combater o tabagismo. "Testemunhei professores que fumando enquanto ensinavam", conta Luc Sabot, diretor da Agência Adventista de Desenvolvimento e Socorro do Timor Leste.

"O sistema escolar não tem nenhuma regulamentação sobre o consumo de tabaco nas escolas."

Onde fuma-se mais

Kiribati
Macedônia
Papua-Nova Guiné
Bulgária
Tonga
Timor Leste

Fonte: Institute for Health Metrics and Evaluation/2012

Perto de uma escola, vejo um homem jovem, cigarro na mão, montado em uma moto com a marca da Marlboro, conversando casualmente com uma jovem.

A cena se assemelha à uma polêmica propaganda da marca Vinte e Tres que foi ao ar no ano passado e mostrando um belo jovem, vestido de preto, em uma moto.

O slogan dizia "Orgulhoso de si mesmo". Inicialmente, o pôster não continha nenhum alerta sobre os problemas de saúde relacionados ao fumo.

Após ONGs protestarem, eles foram tirados de circulação - e depois voltaram com um pequeno alerta. Mas, depois que a campanha chegou ao fim, eles foram usados como coberturas de barracos.

Permitido fumar


Em todo o país, fumar é permitido em qualquer parte. A atmosfera em bares, restaurantes, hoteis, cafés está invariavelmente carregada de fumaça.

Há apenas uma exceção: um shopping novinho em folha cujo proprietário é um ferrenho anti-tabagista.

Até mesmo o primeiro-ministro é um fumante inveterado. Xanana Gusmão foi um dos líderes da guerrilha que lutou contra a Indonésia após o país ter anexado o Timor, em 1975, e antes de se tornar independente, em 2002

Timor Leste (BBC)
Polêmica propaganda de marca de cigarro com slogan 'Orgulho de si mesmo' foi banida

Ele foi capturado e sentenciado à prisão perpétua, mas foi libertado pouco antes da independência.

Xanana costuma dizer que o cigarro ajudou a ele e a seus companheiros na luta quando eles decidiram combater em meio a florestas. Ele afirma que receber uma bala indonésia era bem mais arriscado do que fumar.

Xanana admite ser viciado e diz ter tentado parar de fumar três vezes. Quando questionado quanto a banir a propaganda de cigarros, ele repete o discurso da indústria tabagista.

"Banir isso ou aquilo não terá efeito. É necessário educar. Isso leva tempo, mas acredito que, quanto mais pessoas estiverem cientes das doenças que o fumo pode causar, mais gente será capaz de parar por conta própria."

Jovens na mira

Mas a primeira-dama Kirsty Sword Gusmao, que é australiana, está comprometida com a campanha anti-câncer.

Ela teve câncer de mama, e está preocupada com o aumento de fumantes entre os mais jovens.

"Empresas de tabaco na Indonésia e em outras partes do mundo miram em pessoas muitos jovens, que se preocupam com suas imagens corporais e querem parecer decoladas", ela diz.

Alguns, Kirsty afirma, começam a fumar com 10 ou 11 anos de idade.

No entanto, a indústria tabagista nega veementemente fazer propaganda para crianças.

Por enquanto, os hospitais do Timor Leste não estão lotados com pacientes que sofrem de doenças relacionadas ao fumo já que os mais jovens ainda não fumam a tempo suficiente para desenvolvê-las.

Atualmente, o maior motivo de mortes é a tuberculose, mas Dan Murphy, um canadense que gerencia um hospital local em Dili há 20 anos, está preocupado com o futuro.

Cerca de 80% dos fumantes do mundo morem em países em desenvolvimento e "os jovens estão aprendendo que precisam fumar para serem como os cidadãos de países ocidentais mais desenvolvidos".

"Temos de mudar sua forma de pensar e passar a nos preocupar com o amanhã. Tenho medo que seja necessário passar por esta fase e aprender uma dura lição."

Ele não está convencido de que o governo lida seriamente com o problema - o lobby do tabaco, diz Murphy, é poderoso.

"Eles fazem parecer que fumar é prazeroso, algo que torna sua vida melhor, dá significado a ela. Lutamos contra uma máquina de propaganda. Essa é uma batalha dura.
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140606_timor_homens_fumantes_kb.shtml