Pesquisar este blog

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Garantia de atraso intelectual

12.05.2014
Do blog ESQUERDOPATA
Como o estigma "chapa branca" impede o país de fazer um debate necessário sobre seu futuro
Muitos adversários do governo Lula-Dilma gostam de denunciar o Partido dos Trabalhadores como um adepto das ideias de Antonio Gramsci, o líder do Partido Comunista Italiano que, nas primeiras décadas do século XX, formulou o conceito de hegemonia de classe.
Convencido de que a tese do assalto revolucionário ao poder, como havia ocorrido na revolução bolchevique, de 1917, não poderia ser aplicada a todos os países, Gramsci dizia que o partido da classe trabalhadora deveria aliar-se a outras classes sociais, para formular uma política que lhe permitisse governar em nome da nação.
Para construir sua hegemonia, dizia, o partido daquilo que se chamava classe oprimida, na época, deveria formar seus próprios aparelhos ideológicos, seu corpo de intelectuais, seus centros de produção de cultura, seus jornais, seu cinema, seu teatro – numa guerra de movimentos que lhe permitisse, em determinado momento, colocar a conquista do poder. 
É verdade que inúmeros petistas, em vários momentos de sua existência, se debruçaram sobre as ideias de Gramsci.
Mas quem pratica Gramsci, no Brasil de 2014, é a elite que ocupa o poder. Ela busca, de modo consciente, reforçar e manter a hegemonia das ideias da sociedade, atuando em todas as áreas.
Como nós sabemos, não se perdoa nem novelas, que se prestam a veicular valores e a divulgar pontos de vista sob medida para seus interesses.
Gramsci ajudou a entender, me conta um de seus estudiosos, que “a burguesia não precisa de partidos políticos quando seus jornais funcionam direito.”.
Apesar desse imenso aparato ideológico a seu serviço, a elite que tem o poder de Estado e dirige o país desde o Descobrimento, com intervalos reais, mas raros, nos quais nunca foi levada a abdicar de seus direitos fundamentais, encontra-se numa posição de risco em 2014. As dificuldades parecem um pouco menores do que em eleições anteriores, é verdade, mas sua perspectiva histórica segue complicada.
As derrotas eleitorais se acumulam desde 2002, em três vitórias sucessivas para um bloco político que, sem nada de revolucionário nem de radical, tem sido capaz de realizar tarefas históricas, que beneficiam o conjunto da sociedade. São medidas que melhoram a distribuição de renda, a geração de empregos mesmo em situações desfavoráveis, a defesa dos trabalhadores e dos mais pobres, sem falar medidas menos reconhecidas, mas importantes, em outras áreas.
Nesta situação, a elite defende sua hegemonia através de um estigma.
Da mesma forma que criminalizou os adversários políticos através da AP 470, um julgamento de exceção com regras que jamais foram partilhadas com adversários políticos de outras legendas, apanhados em circunstâncias idênticas e até mais graves, procura-se atacar seus críticos com o palavrão “chapa branca.”.
Com essa expressão, tenta-se intimidar aliados do governo e colocar sob suspeita todo esforço para registrar e debater dados e análises que mostram, objetivamente, que as mudanças positivas ocorrida na vida da maioria dos brasileiros nos últimos anos, superam, em muito, erros, falhas e desvios no mesmo período.
Embora essa avaliação favorável tenha recebido a concordância, em graus variados, de mais de 60% dos eleitores brasileiros, usa-se o termo “chapa branca” para destituir a legitimidade desse ponto de vista.
Num país onde os principais jornais apoiaram a ditadura militar. Curvaram-se diante de Fernando Collor. Alegando que o fim da História havia chegado, mergulharam de cabeça nas privatizações de Fernando Henrique Cardoso, chegando a imaginar até que poderiam levar sua parte em ações, procura-se transformar em desvio moral-intelectual toda avaliação positiva do governo Lula-Dilma.
Veja bem: estamos falando do presidente mais popular da história, e da presidente-candidata que lidera as pesquisas de intenção de voto. Como se vivêssemos numa imprensa de comentaristas neutros, repórteres sem ideologia (“investigativos”) e editores equilibradíssimos, a divergência política tornou-se um pecado sem perdão e toda melodia intelectual desafinada é colocada sob suspeita. 
Na dificuldade para enfrentar um debate com dados e argumentos, procura-se impedir a discussão antes dela começar. 
Neste esforço, acentuado num ano de sucessão presidencial o plano está ficando claro. Tenta-se convencer o eleitorado da ideia de que um retrocesso conservador é não apenas necessário, mas inevitável. Nessa narrativa, todas as formas de pensamento devem ser niveladas por baixo.
A fórmula está pronta e é repetida como um estribilho de festa junina: o país não aguenta tantos gastos excessivos e descontrolados. A inflação está explodindo e um arrocho terá de ser feito – qualquer que seja o novo presidente.
O que se pretende neste coro é criar um ambiente conformista, um fatalismo em bola de neve, para transformar as escolhas de 100 milhões de eleitores num ato acessório e no fundo dispensável.
O problema, como se sabe, não é um campeonato ideológico. Não se deve supor um mundo perfeito. Não estamos no reino das utopias nem do marketing. Mas é preciso fazer o teste da realidade.
A inflação média é a menor desde o Plano Real. O desemprego não aumenta e o salário sobe, ainda que mais vagarosamente. O Brasil tem a quinta maior reserva em divisas do mundo, volume compatível com o tamanho da nossa economia. O mercado interno se comprovou como um dos grandes patrimônios do país. 
O poder de compra do salário mínimo nunca foi tão alto em décadas recentes.  Com seus rendimentos, mesmo modestos sob quaisquer critérios, nossos aposentados são capazes de sustentar famílias inteiras em regiões mais pobres do país. O combate ao racismo deixou o papel e se traduziu em medidas concretas para criar novas oportunidades à população negra. As mulheres avançaram em sua emancipação, que ainda não é completa, auxiliada por vários fatores -- inclusive o Bolsa Família. 
O uso frequente do termo “chapa branca” é, ainda, um reflexo de um movimento autoritário que procura se impor no debate político e definir limites ao convívio democrático.  
Descontando os filósofos de butique que adoram anunciar o fim da divisão de direita e esquerda como parte da liquidação do Natal de 1989, quando o muro de Berlim caiu, só a grande a hegemonia ideológica conservadora permite que a direita sobreviva e se reproduza sem ousar dizer o seu nome.    
 
Depois de enriquecer e se reconstruir sob uma ditadura de 20 anos, que gerou monstruosidades tão horrorosas que até hoje não foram investigadas nem corrigidas inteiramente, “chapa branca” evita esse desconforto tão inconveniente. Evita definições precisas e referências claras.
Como a expressão remete a governo – no passado, os carros oficiais tinham chapa branca – a crítica alimenta-se de uma retórica liberal, privatista, anti-Estado.
É chique não ser “chapa branca”.
Sugere independência, ainda que isso seja um puro absurdo.  O acesso a grandes fortunas privadas, que promovem e sustentam financeiramente o pensamento conservador de nossos dias, está longe de ser uma garantia de isenção e superioridade, vamos combinar.  
Mas, num tempo em que a privatização atingiu o nível cerebral, fica sugestão de que ali se encontra mais inovação, mais autonomia, maior ousadia. Defender os interesses dos mais ricos e poderosos chega a ser apresentado como ato de coragem. 
Nos Estados Unidos, os adversários de Barack Obama gostam de acusar o New York Times, o mais respeitado jornal do planeta, de ser governista demais – no dialeto político local, o termo equivale à chapa branca. Ninguém leva essa crítica muito a sério, porque ela é interesseira do ponto de vista político. Quem espalha e divulga este estigma, e até faz campanhas de boicote contra o jornal, são os núcleos duros do Partido Republicano, que cresceram junto com o Tea Party.  Como Paul Krugmann demonstra com clareza em sua coluna de hoje, o que se busca é uma forma de mentir à vontade.
Nenhum desses dados modifica uma discussão necessária sobre a conjuntura do país.
 
Mas permite colocar em seu devido lugar um debate alarmista, desequilibrado, sob encomenda para tentar revogar as conquistas dos últimos anos com o argumento de que o país vai explodir. Deu para entender, certo?
*****
Fonte:http://www.esquerdopata.blogspot.com.br/2014/05/garantia-de-atraso-intelectual.html

Amanhã vai ser outro dia, Barbosa!

12.05.2014
Do blog CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário
 
Jamais se viu tanto casuísmo no Judiciário brasileiro.
 
Depois de ter autorizado Delúbio a trabalhar, Joaquim Barbosa, que parece estar completamente ensandecido, revoga decisão de permitir que o ex-tesoureiro do PT trabalhe fora do presídio. A decisão de JB pode prejudicar 100 mil presos e colapsar o sistema prisional brasileiro, que já sofre com problemas graves de superlotação.
 
É bom lembrar aos coxinhas que o regime semi-aberto não significa liberdade. O preso pode trabalhar fora, mas tem de voltar todos os dias para a prisão. O fato de trabalhar fora lhe permite um processo de ressocialização que está em linha com a tendência clássica dos sistemas penais de países democráticos.
 
Barbosa, no entanto, está inaugurando uma era de trevas judiciais no país, em que a regra é a vingança pública, e não a tentativa humanista de trazer o prisioneiro de volta ao convívio social.
 
Em se tratando de presos que não oferecem nenhum perigo a sociedade, a decisão de Barbosa correspondente puramente num gesto político abominável, que injeta ânimo nos setores mais obscuros e degenerados da sociedade, os quais, após o gostinho do fascismo vitorioso na boca, tendem a sair do armário para defender saídas antidemocráticas para os problemas nacionais.
 
Não é a tôa que todos os movimentos golpistas, que pregam abertamente um novo golpe militar, adoram Joaquim Barbosa, e patrocinam páginas em sua homenagem.
 
Barbosa, o ídolo do antipetismo psicótico, fanático, e da Rede Globo, a qual empregou até seu filho e jamais deixou de elogiá-lo, tornou-se uma figura perigosíssima para a democracia e para o Estado de Direito.
 
Agora entendemos porque ele não quis sair do STF para disputar um cargo eleitoral. Ele quer ocupar a posição para fazer o maior mal possível ao país, ao qual ele só dedica palavras de ódio e desprezo. Nunca vimos Joaquim Barbosa dizer uma palavra simpática em relação ao Brasil. Ele parece amar só a si mesmo. O resto é ódio.
 
Ao agir assim, Barbosa produz factóides políticos que prejudicam eleitoralmente o PT e força a imprensa alternativa a adotar uma agenda triste, reativa, agressiva, tensa. Eu percebo isso por aqui.
 
São arbítrios tão sinistros, que o Cafezinho deixa de lado reportagens investigativas e o debate político programático e ideológico, para externar minha indignação contra a violência casuística e antidemocrática de Barbosa. O Cafezinho fica mais amargo, mais tenso, mais sofrido.
 
É um plano genial e diabólico dos donos do poder, a quem Barbosa serve com obediência absoluta.
 
Com seus arbítrios, Barbosa intimida o governo, que não sabe o que fazer diante de tanta truculência, a qual, por sua vez, embute em riscos tremendos. O tensionamento excessivo leva ao erro, a uma expressão desastrada por parte de uma pessoa indignada. E a mídia, com ajuda inclusive das instituição, não perdoa: põe a expressão na capa de suas publicações, dizendo que se trata de “ameaça de morte” de JB.
 
Desde 1999, através de uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que todo preso em regime semi-aberto tem direito a trabalhar fora. Barbosa rasgou essa jurisprudência, perfeitamente amparada na Constituição, para tomar mais uma decisão de caráter excepcional, qual um carcereiro vingativo, mesquinho e raivoso.
 
Me impressiona ver a oposição pactuar com isso. Creio que se Barbosa agisse assim mesmo com um tucano graúdo, parcelas importantes da esquerda iriam protestar contra um abuso similar. Eu protestaria. Não quer ver nem o pior dos meus adversários políticos sendo tratado com arbítrio e casuísmo. Quero vencer meus inimigos na argumentação política, no voto, não usando a mão pesada do Estado para violentar seus direitos civis.
 
Barbosa está criando corvos, incentivando o recrudescimento da cultura do ódio, da vingança, da violência.
 
Com certeza, escolher uma pessoa tão desequilibrada, tão essencialmente má, para ocupar um cargo tão estratégico para a democracia foi o maior erro de Lula. Um erro cometido em nome de uma boa intenção, porém, que era nomear o primeiro negro para o STF.
 
Barbosa conseguiu enfeixar um poder incrível em torno de si. Seu chauvinismo e sua blindagem midiática intimidaram e silenciaram outros ministros. Suas decisões são sempre monocráticas, tomadas solitariamente. Ele jamais consulta ao plenário.
 
Só que o mundo dá voltas. O poder de Barbosa não é eterno. E seus arbítrios podem ser populares junto aos setores degenerados, mas não junto às camadas mais esclarecidas da sociedade. Como dizia Chico, apesar de você, Barbosa, amanhã há de ser outro dia. Todo o mal que pensas infligir àqueles que odeias, na verdade os deixarão mais fortes junto à posteridade.
 
Aliás, a canção de Chico serve lindamente para Barbosa. Para tentar quebrar esse baixo astral de Joaquim Barbosa, deixo abaixo Clara Nunes cantando Chico:
 
Agora que já identifiquei essa armadilha macabra, de deprimir a opinião pública progressista e atiçar o entusiasmo dos hidrófobos, vou combater renhidamente essa manobra.
*
STF revoga trabalho externo do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares
 
Diante da decisão de Barbosa, o petista terá de retornar imediatamente para a Papuda
Diego Abreu, no Correio Braziliense.
 
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, revogou nesta segunda-feira (12/5) a decisão da Vara de Execuções Penais (VEP) do DF que permitia o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a trabalhar fora do presídio. Condenado no julgamento do mensalão a 6 anos e 8 meses da cadeia, ele está preso desde novembro. Ficou detido inicialmente no Complexo da Papuda, mas cumpria pena desde janeiro no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), de onde podia sair todos os dias para trabalhar como assessor sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
 
Delúbio chegou a voltar para a Papuda em fevereiro, enquanto era investigado pela acusação de ter recebido supostas regalias, mas retornou em março para o CPP. Diante da decisão de Barbosa, o petista terá de retornar imediatamente para a Papuda.
 
O ex-tesoureiro do PT é o terceiro condenado da Ação Penal a ter o trabalho externo revogado pelo presidente do Supremo. Na última quinta-feira, Barbosa cancelou a medida que autorizava o ex-deputado Romeu Queiroz e Rogério Tolentino, ex-advogado do empresário Marcos Valério, a trabalharem na empresa do qual o ex-parlamentar era dono. Já na última sexta, o ministro do STF rejeitou o pedido do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para trabalhar em um escritório de advocacia.
 
A tendência é que outros seis presos do mensalão, que cumprem pena em regime semiaberto, tenham o trabalho externo revogado. A justificativa de Joaquim Barbosa em todos os casos é que a possibilidade de trabalhar fora só existe depois de completado um sexto de pena cumprida.

20130520162228783991u
Diretas_1
*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/05/12/amanha-vai-ser-outro-dia-barbosa/

Decisão de Barbosa sobre Dirceu incomoda CNJ, políticos e advogados

12.04.2014
Do portal REDE BRASIL ATUAL,
Por  Hylda Cavalcanti, da RBA
 
Militantes e parlamentares discutem neste sábado, durante congresso do PT no Distrito Federal, proposta para que o partido apele a cortes internacionais
arquivo abr
joaquim barbosa
Decisão de Barbosa prevê que Dirceu cumpra um ano, três meses e 25 dias dentro da Papuda
 
Brasília – A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, de negar a autorização ao ex-ministro José Dirceu para trabalhar durante o cumprimento da sua pena, e a interpretação dada por ele à Lei de Execuções Penais quanto a essa questão, causou desconforto entre políticos, militantes do PT e vários advogados criminalistas, inclusive entre os integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle do Judiciário.
 
Na quinta-feira (15), completam-se seis meses da decretação da prisão dos réus da Ação Penal 470 (AP-470) e, apesar das opiniões contraditórias de ordem técnica e política sobre o julgamento e a situação dos réus de um modo geral, o que mais tem causado estranhamento é a situação de Dirceu. O ex-ministro, até agora, é o único dos réus condenados a regime semiaberto que tem passado os dias inteiros no presídio da Papuda, cumprindo, na prática, regime fechado.
 
A decisão emitida ontem por Barbosa significa que este regime seguirá em vigor até que Dirceu cumpra um ano, três meses e 25 dias dentro da Papuda, segundo cálculo do presidente da Corte, que cassou até mesmo as próprias decisões depois de decidir que é preciso que o benefício do trabalho externo está disponível apenas depois de cumprido um sexto da pena.
 
A argumentação de Barbosa é de que, embora a jurisprudência tenha favorecido o direito ao trabalho desde o primeiro dia, o artigo 37 da Lei de Execuções Penais prevê o cumprimento de um sexto da pena no fechado, e desconhecê-lo significa igualar o regime semiaberto ao aberto.
 
Para o advogado criminalista Jáder Lacerda, do Paraná, a interpretação feita por Barbosa para basear sua decisão é “descasada da realidade e perigosa”. O advogado lembrou os constantes programas de ressocialização de detentos e afirmou que a prática de liberar o trabalho de imediato tem a ver, entre outros fatores, com a necessidade de o sistema prisional estimular a saída de condenados na mesma situação de José Dirceu. “Não falo como um ato de efeito político, que com certeza também teve esse viés, mas muito mais como uma decisão que vai de encontro com a realidade que se busca para a execução criminal no país”, colocou.
 
O advogado criminalista Otaviano Lacerda, com escritórios no Mato Grosso e em Brasília, entende que, após a condenação, a competência para decidir sobre autorizações ou não de trabalho dos detentos passa a ser do juiz de execução criminal – no caso, do Distrito Federal. E somente em caso de recurso do Ministério Público é que poderia haver decisão do STF. “Vi a decisão do ministro Barbosa e acho que é uma prerrogativa dele interpretar dessa forma, mas para mim é um ponto de vista absolutamente arbitrário e equivocado”, enfatizou.
 
Ao longo do dia será realizado, em Brasília, o congresso do PT no Distrito Federal. Mesmo antes da decisão de Barbosa, já estava definido que um dos temas do evento seria a discussão sobre formas de ampliar o apoio aos condenados na AP-470 e, em especial, analisar a situação de José Dirceu. Conforme informações dos organizadores, será apresentada uma proposta de resolução pedindo a organismos internacionais a anulação da Ação Penal 470. Proposta semelhante, considerada ousada, só foi apresentada durante congresso do PT no Ceará.

Pacto de San José

Isso porque, em todos os estados brasileiros que se mobilizaram para defender os dirigentes petistas, foram definidas moções de apoio e solidariedade aos réus da ação, mas não uma resolução com esse teor, segundo os diretor do partido no Distrito Federal Pedro Henrichz. “Vamos apresentar a proposta da resolução e discutir o tema, para levarmos o caso a todas as instâncias. Não existe outro caminho”, acentuou.
 
Foi o mesmo Pedro Henrichz que viajou a Washington, em janeiro passado, e apresentou, na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), denúncia sobre o julgamento e pedido para que seja exigido o cumprimento do Pacto de San José da Costa Rica (do qual o Brasil é signatário) em relação aos petistas condenados pela AP-470. O Pacto de San José garante a existência do sistema interamericano de direitos humanos e prevê o amplo direito ao recurso, o que teria sido negado aos réus do mensalão, julgados apenas pelo STF.
 
O dirigente do PT deve retornar à sede da OEA até agosto para cumprir com o restante dos trâmites protocolares exigidos na formalização da denúncia e para apresentar o resultado do julgamento dos embargos infringentes pelo STF.

Direitos humanos

O advogado de Dirceu, José Luiz Oliveira Lima, também divulgou artigo afirmando que o caso do ex-ministro “põe em xeque o respeito aos direitos humanos”. “Em mais de 25 anos de vida profissional, nunca vi uma decisão do STF ser visivelmente protelada com o claro intuito de manter preso, em condições de regime fechado, um réu condenado ao semiaberto”, frisou, cerca de 24 horas antes da decisão de Barbosa. "Não há como negar que estamos diante de uma série de medidas protelatórias que o mantém (Dirceu) preso à margem da legalidade e que colocam em xeque o respeito a direitos humanos consagrados internacionalmente."
 
Numa terceira frente de apoio a Dirceu está a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). Com a coordenação do deputado Nilmário Miranda (PT-MG), a comissão realizou na última semana inspeção na Papuda para observar a situação em que estava sendo tratado o ex-ministro – visita que terminou sendo objeto de divergências por ter sido filmada ilegalmente e por ter sido narrada pela deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) de modo diferente do que contaram os demais parlamentares.
 
A inspeção foi marcada a pedido dos filhos de Dirceu, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e Joana Saragoça. Resultará em relatório a ser elaborado e encaminhado às autoridades competentes (incluindo o presidente do STF) com a situação do ex-ministro observada pelos parlamentares. Segundo Nilmário Miranda, apesar de Dirceu ter dito que está sendo tratado com muito respeito e ter demonstrado estar bem durante a inspeção, ao contrário das denúncias de que estaria tendo regalias, ele está sendo tratado de maneira mais dura que os demais apenados.
 
A declaração de Miranda é reforçada pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP), presidente do Fórum Nacional de Direitos Humanos. “Dirceu, além de estar passando o dia inteiro no presídio, tem menos direitos que os demais presos, justamente para não passar a impressão de que é privilegiado”, afirmou a parlamentar.
 
A filha do ex-ministro, fotografada entrando no presídio da Papuda em um carro oficial e acusada de estar tendo tratamento diferenciado para furar a fila de visitantes aos apenados, divulgou mensagem alguns dias atrás falando sobre a cela em que está o ex-ministro. "A cela em que meu pai fica tem uma goteira logo na entrada. Ela não é bem iluminada. São três lâmpadas fluorescentes penduradas por fios que mal iluminam todo o 'quarto'”, relatou.
 
O governo do Distrito Federal divulgou nota destacando que a entrada de Joana na Papuda em carro oficial ocorreu apenas uma vez e em condições especiais, porque ela estaria ajudando numa investigação, a pedido do próprio governo, diante de notícias sobre a possibilidade do ex-ministro vir a fazer uma greve de fome dentro do presídio – o que poderia vir a causar transtornos internos, inclusive entre os outros detentos.

Desconforto no CNJ

Na decisão que nega autorização de trabalho a Dirceu, Barbosa destacou que o artigo 37 da Lei de Execução Penal estabelece a necessidade de cumprimento de um sexto da pena. "A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena”, destacou. Ele reiterou ainda que "as decisões do juízo delegatário ora em exame afrontam a própria sistemática de execução da pena de forma progressiva, ao transformar o regime semiaberto, que é imposto para as infrações médias e graves, em regime aberto”.
 
Para dois conselheiros do CNJ e um ex-conselheiro, que preferiram não divulgar o nome, a medida causa grande constrangimento perante o colegiado do órgão. Isso porque o CNJ realiza, desde 2009, o programa Mutirões Carcerários, que tem como objetivo acompanhar a execução criminal em todo o país.
 
O programa, que chegou a ser destacado nacionalmente com o Prêmio Innovare – como uma das boas práticas implementadas no Judiciário –, além de ter o intuito de revisar processos e estimular os juízes de execução criminal a acompanharem o cumprimento da pena dos detentos que condenaram, também examina o funcionamento das Varas de Execução Criminal. Possui várias ações cujo foco é a reinserção dos detentos ao mercado de trabalho, sobretudo os que cumprem pena em regime semiaberto.
 
“É uma decisão dele (Barbosa) e não é o momento de comentarmos sobre isso no CNJ sem que seja perante todo o colegiado, mas considero incontestável que vai de encontro de muito do que tem sido pregado nesse trabalho, realizado de forma meticulosa ao longo de anos”, resumiu um dos conselheiros.
******
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/05/decisao-de-joaquim-barbosa-sobre-dirceu-causa-desconforto-no-cnj-e-incomoda-politicos-e-advogados-1946.html/view

Chromecast finalmente chega ao Brasil

12.05.2014
Do portal JORNAL CIÊNCIA

Quase um ano após ser lançado nos Estados Unidos, o  Chromecast finalmente chega ao país de maneira legalizada. E salgada, como sempre. Ao ser criado, ele foi oferecido inicialmente pelo preço de 35 dólares – quase 80 reais, a depender do câmbio – lá fora, mas está sendo vendido por 199 reais, aqui no Brasil.
 
 Com a aparência de um pendrive um pouco maior, o aparelhinho é capaz de transformar uma TV digital comum em uma Smart TV, com quase todas as benesses que o dispositivo pode oferecer. E o telespectador dá adeus ao controle remoto: pode-se controlar o aparelho com um smartphone ou um tablet, de agora em diante.
 
 O dispositivo de streaming possibilita o uso de vídeos e aplicativos online, de acordo com a disponibilidade que as empresas do ramo forneçam, mas já existe um bom conteúdo acessível. O mais conhecido é o Netflix, mas também já há versões do Vimeo, Deezer, Skype, Youtube, HBO, Facebook, Twitter e vários outros.
 
 Os serviços não ficarão restritos apenas ao vídeo e ao áudio. No setor dos games, há um filão a ser explorado que vai fazer o novo segmento explodir. Já há jogos simples como Angry Birds, mas espera-se que com a chegada de jogos multiplayers e da adesão de sites de esportes, o negócio se popularize e o preço baixe ainda mais.
 

Baixando aplicativos
 
 Alguns sites de poker, por exemplo, ‎ cresceram e se popularizaram por causa da facilidade de acesso. Joga-se gratuitamente em qualquer PC, Tablet ou Celular, com apenas um aplicativo. Este mesmo app será utilizado, em breve, pela TV. O Chromecast permite que se acesse, facilmente, vários programas, baixando-os e desfrutando de todo o conteúdo oferecido.
 
 Nas tevês inteligentes, todo conteúdo é armazenado no próprio televisor, mas com o gadget da Google, ele fica no aparelho que o controla, seja o tablet ou o celular. Tudo é prático e simples de manusear, quem costuma mexer nos aparelhos não terá nenhuma dificuldade em acoplar a TV e utiliza-la também, como uma extensão.
 
 Esta acessibilidade foi o fator determinante para o Google lançar o produto, haja vista a dificuldade em configurar uma SmarTV. A utilizada pelo Chromecast é a mesma do sistema Android. A empresa lançou – há algum tempo e sem nenhum sucesso – a Google TV, complexa e cara. Com este aparelhinho, o consumidor pode transformar qualquer aparelho de TV com entrada HDMI em uma Google TV, sem pagar muito por isso.
 TVs com o aparelho já incluso, em breve.
 
Com o sucesso de vendas do Chromecast em várias partes do mundo, muito em breve, ele será oferecido junto com qualquer aparelho de TV ofertado nas lojas de eletrodomésticos. O baixo custo facilita que isto aconteça, rapidamente. O Google está conversando com as emissoras de televisão também, para que disponibilizem seu conteúdo no aparelho.
 
 O mercado aponta para um aumento continuo do acesso a vídeos por streaming. Mídias físicas estão sendo esquecidas rapidamente. Até mesmo o Blu-Ray, com qualidade inquestionável, já foi abandonado por aqueles que possuem uma conexão de internet veloz. No Brasil, isso ainda é uma realidade para poucos, mas a tendência é de que venha a crescer também, não há como voltar.
 
O aparelho ainda é produzido fora do Brasil, mas já há planos de nacionaliza-lo, o que reduziria seu custo e preço final, para o consumidor. Vale resaltar que, para que o aparelho transforme a televisão em um computador de tela gigante, há a necessidade de uma conexão wi-fi, já que não há fios, é claro. Vale a pena experimentar e tirar suas próprias conclusões.
*****
Fonte:http://jornalciencia.com/tecnologia/industrial/3901-chromecast-finalmente-chega-ao-brasil

O problema maior não é Joaquim Barbosa: é uma elite que adere ao arbítrio pelo ódio

12.05.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito
 
serpe
Eu me formei no culto ao Estado de Direito, que nos anos 70 era como podíamos chamar a Democracia.
 
E, como não podíamos falar em ditadura, o nome dado era “arbítrio”.
 
Ou seja, a lei “não valia” para todos, era mais dura ou mais branda de acordo com o freguês, sendo que o “mais duro” podia ir até à tortura e ao assassinato.
 
Tudo com base, claro, nos valores cristãos e na família.
 
O que mais me assusta no comportamento de Joaquim Barbosa não é o seu ódio e seu desprezo pelas convenções jurídicas que, apenas para citar uma, fez todo o país crer que os condenados do chamado “mensalão” iriam cumprir pena em regime semi-aberto, revista, como foi, a duração de seus apenamentos após o julgamento dos embargos infringentes.
 
Crença que veio, como todos sabem, de um entendimento pacífico de que era assim que se poderia cumprir penas em tal regime, como fazem 100 mil outros apenados, salvo quando, por seu comportamento agressivo, podem causar prejuízos à integridade física da coletividade: homicidas, loucos furiosos, etc…
 
Acabamos de descobrir que Joaquim Barbosa tornou “de brincadeirinha” tudo aquilo que todos – inclusive seus pares do STF – achava que era a sério.
 
Ele decidiu, sozinho e por uma penada, que não vale para José Dirceu  o que valia para todos. Quem discordar tem um recurso: recorrer para que ele mesmo decida, também solitariamente, o que já decidiu.
 
Joaquim Barbosa pode ser um homem mau, como disse dele o jurista Celso Bandeira de Mello ou um psicopata, como o definiu o promotor  Rômulo Moreira, Procurador-Geral Adjunto do MP da Bahia.
 
Isso pode acontecer a um homem, mas não pode acontecer ao Estado ou à coletividade, embora hoje Ricardo Mello lembre que não se vê qualquer “fúria santa” de Barbosa com temas como os linchamentos, a superlotação carcerária ou os espancamento de sem-tetos.
Muito mais grave é o fato de  a sociedade estar sendo transformada em algo mau e adepta do exercício arbitrário das próprias razões, ainda que aqui não se as discuta.
Porque isso leva à histeria e, com ela, à barbárie legitimada.
 
O ódio político e o interesse eleitoral estão conspurcando o exercício da mais alta magistratura judicial do país sem que senão poucas vozes se levantem.
 
Embora à boca pequena  muitos liberais e até conservadores considerem que Joaquim Barbosa tenha se tornado um siderado pelo seu ódio, poucos têm a coragem de dizer, porque julgam que isso lhes é útil no processo político-eleitoral.
 
A mídia teve o condão de transformar quem pare para pensar em “cúmplice”.
E a sociedade em matilha.
*****
Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=17374

O embate entre blogueiros e grande mídia

12.05.2014
Do portal BRASIL247
Por
Rubens José da Silva
 
Cada vez mais jornalistas de renome vão abandonando o enquadramento das grandes empresas em busca da liberdade dos blogs e da mídia alternativa
 
Quando vários países já avançam em sua Lei de Mídia, nós ainda discutimos a necessidade de uma.
 
Tem sido constante a crítica de blogueiros à atuação parcial e manipuladora da mídia. Como agora, talvez, estejam incomodando de fato - já que, enquanto o alcance da internet cresce, os veículos tradicionais desabam -, alguns profissionais da grande imprensa reagem dizendo-se perseguidos.
 
Durante o 6º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia promovido pela revista Imprensa em Brasília, Ricardo Gandour, diretor do Grupo Estado, disse que "a tentativa de tachar a imprensa de partido de oposição é no mínimo perigoso para a democracia." No mesmo evento, Eliane Cantanhede, colunista da Folha, diz que "o PT e o Lula incitam manifestações contra nós", numa alusão às recentes críticas do ex-presidente à imprensa.
 
Engraçado, os grandes veículos que sempre atacaram, até mesmo com insultos, o ex-presidente, agora se colocam como vítimas. Para eles só lhes cabe o papel de estilingue, jamais de vidraça. Será que já se perguntaram o porquê de estarem perdendo credibilidade?
 
A partir do momento que miram só um lado a imparcialidade foi pro espaço. Por exemplo, quando foi que a famosa colunista da Folha apoiou alguma medida tomada por Lula ou Dilma? Desde 2002 que ela e muitos outros da grande imprensa só veem erros no governo. Será que não houve um acerto sequer? Estão sempre prevendo a iminente tragédia para o país. Ao menor passo caímos no abismo.
 
Ora, nos anos 80 e, principalmente, 90, se uma pessoa depois dos 35 anos perdesse o emprego, era quase impossível ela retornar ao mercado de trabalho. Profissionais eram obrigados a aceitar qualquer coisa, mesmo fora de sua área, para poder levar algum sustento pra casa. Hoje a situação é bem diferente.
 
Sem dúvida que ainda temos muito a caminhar para melhorar o país, mas, ao mesmo tempo, não vivemos essa catástrofe estampada pela mídia que vai contaminando e gerando em todos a sensação de total descontrole e desordem.
 
De acordo com outra debatedora do Fórum, a colunista do Correio Braziliense Denise Rothenburg, "ninguém aguenta mais a acusação de que fazer uma matéria crítica é um golpe". Em sua avaliação "o que falta é equilíbrio", como se nossa imprensa e seus colunistas fossem totalmente isentos e os blogueiros, apenas, ideológicos.
 
Mas é justamente o equilíbrio que anda faltando aos grandes veículos de comunicação, que só exageram pra um lado.
 
Nesse embate entre Davi e Golias, a monstruosa e covarde desigualdade de forças vai diminuindo. E cada vez mais jornalistas de renome vão abandonando o enquadramento das grandes empresas em busca da liberdade dos blogs e da mídia alternativa.
 
Felizmente, para alguns, a consciência sobrepõe-se.
*****
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/139458/O-embate-entre-blogueiros-e-grande-mídia.htm