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terça-feira, 8 de abril de 2014

GABRIELLI EXPLICA A COMPRA DE PASADENA

08.04.2014
Do blog  CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Presidente Lula citou a entrevista dada a Paulo Henrique Amorim, em conversa com blogueiros

Gabrielli: o Brasil não tinha como refinar óleo pesado


Conversa Afiada reproduz entrevista com Sérgio Gabrielli, Secretário de Assuntos Estratégicos da Bahia e ex-presidente  da Petrobras, publicada em agosto de 2013.

Hoje, em entrevista a blogueiros, o presidente Lula disse ter sido a melhor explicação que ele viu sobre a compra da refinaria de Pasadena:
(Clique aqui para ler “Eles não podem deixar o Lula falar”).


GABRIELLI ESCLARECE COMPRA DA PASADENA



Nessa terça-feira (06), Paulo Henrique Amorim entrevistou o Secretário de Assuntos Estratégicos da Bahia e ex-presidente  da Petrobras Sérgio Gabrielli.

Gabrielli participou pela manhã de uma audiência pública no Senado Federal, onde deu esclarecimentos sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, EUA.

Em 2012, uma reportagem da Agência Estado afirmou que a Petrobras pagou pela refinaria um preço dez vezes maior do que ela efetivamente valia.

O MPF do Rio e o Tribunal de Contas da União investigam a compra.


Segue a íntegra da entrevista.


PHA: Foi um bom negócio comprar a Pasadena?

Gabrielli: Foi um negócio absolutamente normal, no período em que foi realizado. Qual é esse período? Um período em que as margens das refinarias nos EUA estavam muito altas; que comprar refinarias com baixa capacidade de processar petróleo pesado era bom; em que nós tínhamos expectativa de crescer na nossa produção de petróleo pesado; e que nosso mercado de derivados estava estagnado desde 1998.Era uma estratégia que estava definida desde 1999.

Desde 1999, a Petrobras definiu como estratégia aumentar a capacidade de refino no exterior uma vez que a visão que se tinha naquela época era de que o nosso mercado não ia crescer. Portanto, não deveríamos crescer no número de refinarias no Brasil. Situação completamente diferente da de hoje, quando o mercado brasileiro é um mercado crescente no consumo de derivados; precisamos crescer no número de refinarias no Brasil; e que nós começamos a produzir, depois do pré-sal, petróleo leve. Portanto, é uma mudança que aconteceu no mercado, no mundo, e no Brasil.



PHA: Naquela altura, não havia capacidade de refino de óleo pesado no Brasil?

Gabrielli: Naquela altura, nós estávamos iniciando um processo de investimento nas nossas refinarias, todas construídas antes de 1980 – a última refinaria no Brasil é de 1980, a refinaria de São José dos Campos. Essas refinarias, foram todas desenhadas para processar óleo leve e importado, porque nós não tínhamos produção de petróleo o suficiente. Portanto, com pouca capacidade de refino de petróleo pesado. E, por isso, precisava ser feita uma série de investimentos. Está tendo fim agora esse ciclo de investimentos nas refinarias.

Esses investimentos foram feitos para construir unidades de coqueamento [processo térmico usado para converter a parte pesada do petróleo em produtos mais leves, destiláveis], e unidades que reduzem o chamado “fundo do barril”, produzindo mais díesel; gasolina; mais nafta; querosene de aviação; mais derivados leves.



PHA: O valor que o senhor pagou pela refinaria de Pasadena foi o preço de mercado, ou foi acima do preço de mercado?

Gabrielli: Foi abaixo do preço de mercado, pela capacidade de destilação. Nós compramos a refinaria, os primeiros 50% da refinaria, por 190 milhões de dólares, por 50 mil de barris por dia de capacidade de refino, portanto, pagamos 3.800 dólares por barril destilado dia.

A média das operações de 2006 é de 9.478 dólares. Portanto, a refinaria de Pasadena foi comprada, em termos de destilação, abaixo da média do preço na compra de refinarias em 2006. O que está sendo confundido é que, além disso, a Petrobras também adquiriu estoques de petróleo e derivados, que foram processados e foram vendidos. Isso levou dos 190 milhões, para os 360 milhões, pelos 50% iniciais.

Os 50% finais, que são fruto de um processo de contestação judicial e arbitral mútuo, tanto da Petrobras como da Astra [sócia da Petrobras no negócio], foram adquiridos por 296 milhões de dólares. Portanto, 296 milhões, mais 190 milhões dá 486 milhões de dólares por 100 mil barris de capacidade de processamento. 4.860 é menos ainda do que a média de aquisições em 2006 que foi de 9.478 dólares por barril em capacidade de refino.

Portanto, volto a dizer, em termos de capacidade de refino, o negócio foi muito bem, dentro da conjuntura de mercado de 2006. Além disso, a Petrobras comprou estoques, e pagou por garantias bancárias, para as transações comerciais. Isso quer dizer que o valor total que a Petrobras pagou não pode ser todo atribuído à refinaria. Tiveram estoques, que foram processados, vendidos e que geraram faturamento. Por uma linha muito simples, a Petrobras faturou nesse período o equivalente – se fizermos a suposição de que ela operou com 70% da capacidade, ela processou 70 mil barris por dia, um processamento de 70 mil barris por dia, mesmo que não tenha margem nenhuma, a preço igual ao petróleo Brent – da um faturamento de 16 bilhões de dólares.


PHA: Não havia alternativa à Pasadena, uma vez que os 50% foram adquiridos dessa empresa belga, a Astra, o que acabou resultando num litígio que obrigou a Petrobras a adquirir os 50% adicionais do sócio?


Gabrielli: A última refinaria que foi construída nos Estados Unidos, nova, chamada refinaria de Greenfield, foi construída em 1976. De lá pra cá, os investimentos eram feitos em aumento da capacidade de conversão das refinarias, ou seja, do processamento de petróleo pesado, e na melhoria da qualidade do produto.

As movimentações na propriedade das refinarias são de compra e troca de ativos em refinarias já existentes. As refinarias são adquiridas por oferta do proprietário da refinaria. E o comprador olha duas questões: primeiro, o tipo de capacidade que a refinaria tem de processar o petróleo que ele dispõe; e, segundo, a localização e a logística de fornecimento de matéria-prima e de escoamento da produção.

No que se refere à logística, Pasadena está extremamente bem localizada. Ela está no Texas, no Golfo do México, ela está ligado ao maior oleoduto que liga o Texas ao mercado do Leste americano, portanto ela é uma refinaria muito bem localizada. O segundo elemento importante é a capacidade de refino, de processar o nosso petróleo. Você não compra uma refinaria top de linha, porque uma refinaria top de linha já está com toda a margem calculada no seu valor. Você compra uma refinaria mais simples, para você investir nela, e receber o retorno na margem do investimento.


PHA: Quando foi construída Pasadena?


Gabrielli: A Pasadena foi construída há muito tempo, mas  foi adquirida pela Astra em janeiro de 2005, por 42 milhões de dólares. A Astra investiu 84 milhões de dólares, as margens mudaram muito profundamente entre 2005 e 2006, o que fez a Petrobras pagar pela metade da refinaria 190 milhões de dólares – o que é absolutamente normal num mercado que estava em grande crescimento.


PHA: No mercado de hoje, na situação atual, com a produção do petróleo mais leve do pré-sal, ainda é uma boa ideia Pasadena?


Gabrielli: Em 2006 e 2007 nós fizemos uma mudança muito profunda na nossa estratégia de refino. Nos saímos da estratégia de buscar refino no exterior para aumentar o refino no Brasil. Nós lançamos a construção da refinaria Abreu e Lima; a construção do COMPERJ para processar petróleo pesado; a construção da refinaria do Maranhão; a construção da refinaria do Ceará; e a reformulação da refinaria do Rio Grande do Norte, a Clara Camarão.

Essa é uma mudança que vem de 2006 para 2007. Porque o mercado brasileiro de combustíveis, diferente do que foi em 1998 à 2005, começa a crescer a partir de 2006 e, portanto, nós começamos a observar que era necessário aumentar a capacidade de refino no Brasil. Ao mesmo tempo, com o pré-sal, nós aumentamos a capacidade de produzir petróleo leve no Brasil;  portanto nós mudamos completamente o cenário de refino no exterior.

Com relação ao exterior, a crise de 2008 derrubou a economia americana, derrubou o consumo de derivados nos EUA, derrubou as margens dos Estados Unidos, e todos os projetos de investimento tiveram puxado o freio no que se refere ao refino.



PHA: Nesse quadro de hoje, ainda se justifica ter Pasadena, ou é melhor passar adiante?

Gabrielli: Não, não justifica ter Pasadena, mas passar adiante depende das condições especificas das margens dos derivados. Se não, você vai vender ela a um preço muito baixo. Então, talvez seja melhor mantê-la para vendê-la mais adiante com uma condição de oportunidade melhor para vender.



PHA: O senhor acredita que o mercado continuará demandando mais refino de petróleo leve, ou mais lá na frente, é possível que o Brasil precise ter Pasadena mais uma vez?


Gabrielli: O mercado americano mudou a relação de óleo leve/óleo pesado. Hoje, o óleo leve está mais barato que o pesado, então, hoje, o óleo pesado já não é tão vantajoso como era no passado.



PHA: Como o senhor avalia a inquirição dos senadores?

Gabrielli: Eu acho que houve um esclarecimento generalizado que vai tirar da pauta essas interpretações equivocadas que tivemos em uma operação absolutamente normal.




Em tempo: Nesta terça-feira (8), Gabrielli esteve por duas horas e meia com a bancada do PT na Câmara, e ratificou que a compra da refinaria foi um bom negócio, como noticiou o Globo:

GABRIELLI DIZ QUE COMPRA DE PASADENA FOI UM ‘BOM NEGÓCIO’



Ex-presidente da Petrobras se reuniu com bancada do PT na Câmara. Estratégia é montar um discurso de defesa da estatal



BRASÍLIA – Em encontro de duas horas e meia com a bancada do PT na Câmara, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli classificou a compra da refinaria de Pasadena como “cíclica”: sendo um bom negócio no momento de sua compra, tendo problemas por mudanças de mercado em 2008 e voltando agora a ser um negócio lucrativo. Gabrielli admitiu que a presidente Dilma Rousseff não tinha todas as informações como presidente do Conselho da Petrobras, na época, mas insistiu que a compra da refinaria foi um “bom negócio” e “correto”. Mas Dilma criticou, em nota, a compra. Perguntado sobre esta contradição, Gabrielli disse que “todos estão corretos” em suas posições.

Para ele, a oposição está fazendo “alegações com motivações políticas e eleitorais”. Ele disse que a refinaria custou em ativos US$ 486 milhões e que o restante foi decorrente de estoques (de petróleo) comprados e vendidos e de despesas bancárias para garantir a operação. A estratégia do PT é montar um discurso de defesa da Petrobras e da compra da refinaria e tentar evitar a instalação de uma CPI específica sobre o assunto.

- É uma refinaria cíclica. A presidente (Dilma) não tinha acesso a todas as informações. Isso é correto. É correto (dizer) que ela não tinha todas as informações, como é correto que esse é um bom negócio. Tudo é correto – disse Gabrielli.

(…)
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/04/08/gabrielli-explica-a-compra-da-pasadena/

MÍDIA ANTI-POVO E GOLPISTA: A Folha tenta se explicar, em vão

08.04.2014
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 26.12.2012
Por Emir Sader, Carta Maior

Nos três momentos mais importantes da história brasileira, a mídia estava do lado golpista, do lado das elites, contra o povo e a democracia. Entre eles, a Folha de S. Paulo, um dos que mais tem a esconder do seu passado e do seu presente 

Os órgãos da imprensa brasileira não podem fazer suas histórias, tantos são os episódios, as posições, as atitudes indefensáveis deles ao longo do tempo. Suas trajetórias estão marcadas pelas posições mais antipopulares, mais antidemocráticas, racistas, golpistas, discriminatórias, de tal forma que eles não ousam tentar contas suas histórias.
carro folha ditadura militar
Veículos da Folha eram usados pelo regime militar. (Foto: Arquivo)
Como relatar que estiveram sempre contra o Getúlio, pelas políticas populares e nacionalistas dele? Como recordar que todos pregaram o golpe de 1964 e apoiaram a ditadura militar, em nome da democracia? De que forma negar que apoiaram entusiasticamente o Collor e o FHC e fizeram tudo para que o Lula não se elegesse e se opuseram sempre a ele, por suas políticas sociais e de soberania nacional? Nos três momentos mais importantes da história brasileira, a mídia estava do lado golpista, do lado das elites, contra o povo e a democracia.
Entre eles, o jornal dos Frias, um dos que mais tem a esconder do seu passado e do seu presente. Uma funcionária da empresa há 24 anos, que fez sua carreira profissional totalmente na empresa, sem sequer conhecer outras experiências profissionais, que já ocupou vários cargos na direção da empresa, decidiu – ou foi decidida – a escrever uma espécie de história ou de justificativa da empresa dos Frias.
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O livro foi publicado numa coleção da empresa. A funcionária se chama Ana Estela de Sousa Pinto e o livrinho tem o titulo Folha explica Folha. Mas poderia também se intitular Folha tenta se explicar, em vão.
Livro mais patronal, não poderia existir, até porque quem o escreve não tem a mínima isenção para analisar a trajetória da empresa da qual é funcionária. Começa com uma singela apresentação histórica das origens da empresa. De resgatável, uma citação do editorial de apresentação do primeiro jornal da empresa, que se diz como um jornal “incoerente” e “oportunista”, numa visão premonitória do que viria depois. Nada do que é relatado considera a historia como elemento constitutivo do presente. São informações juntadas, num péssimo estilo de historiografia que não explica nada.
Logo no primeiro grande acontecimento histórico que a empresa vive, sua natureza política já aflora claramente: apoio a Washington Luís e oposição férrea a Getúlio, tudo na ótica que perduraria ao longo do tempo: “a defesa dos interesses paulistas” ou do interesse das elites, revelando a função da imprensa paulista: passar seus interesses pelos de São Paulo.
Naquele momento se tratava de defender os interesses da lavoura do café. Para favorecer aos fazendeiros em crise, a empresa aceitava o pagamento de assinaturas em sacas de café, revelando o promiscuidade entre jornal e o café.
De forma coerente com esse anti-getulismo em nome dos interesses de São Paulo, a empresa se alinha com a “Revolução Constitucionalista” de 1932, contra a “ditadura inoperante, obscura e inepta em relação ao Estado de São Paulo”. O estado é sempre a referência, sinônimo de progresso, de liberdade, de democracia. O anti-getulismo é visceral: “O diretor Rubens Amaral levava seu anti-getulismo ao extremo de impedir que os filhos saíssem de casa quando o ditador (sic) visitava São Paulo. ‘Dizia que o ar estava poluído”, conta sua filha mais velha.”
Esse elitismo paulistano fez, por exemplo, que o Maracanaço de 1950 só fosse noticiado na terça-feira, na pagina 4 do caderno “Economia e Finanças”.
A autora tenta abrandar as coisas. Afirma que “A posição da Folha foi oscilante ao abordar o governo de João Goulart (1961-64) e a ditadura que o sucedeu.” Mentira, o jornal fez campanha sistemática pelo golpe militar.
Bastaria ela ter se dado ao trabalho de ler os jornais daquela época.
Encontraria, por exemplo, no dia 20/3/1964, a manchete: “São Paulo parou ontem para defender o regime”. E, ainda na primeira pagina: “A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da pátria para defender a Constituição e os princípios democráticos , dentro do mesmo espírito que dito a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento cívico em nosso Estado: “Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade”. E vai por aí afora, reproduzindo exatamente as posições que levaram ao golpe. Editorial de primeira página vai na mesma direção.
Bastaria ler alguns dos jornais desses dias e semanas, para se dar conta da atitude claramente golpista, mobilizadora a favor da ditadura militar, pregando e enaltecendo as “Marchas”. Nenhuma oscilação ou ambiguidade como, de maneira subserviente, a autora do livrinho sugere.
A transformação da Folha da Tarde num órgão diretamente vinculado à ditadura militar e a seus órgãos repressivos, o papel de Carlos Caldeira, sócio dos Frias, no financiamento da Oban, assim como o empréstimo de veículos da empresa para dar cobertura à ações terroristas da Oban, são coerentes com essas posições.
De Caldeira, ela não pode deixar de mencionar que “tinha afinidade com integrantes do regime militar e era amigo do coronel Erasmo Dias”. “Caldeira não era o único com conexões militares. Na redação da empresa havia policiais civis e militares, tanto infiltrados como declarados – alguns até trabalhavam armados.”
Sobre o empréstimo dos carros à Oban, a autora tenta aliviar a responsabilidade dos patrões, mas fica em maus lençóis. Há os testemunhos de Ivan Seixas e de Francisco Carlos de Andrade, que viram as caminhonetas com logotipos da empresa estacionadas várias vezes no pátio interno na fatídica sede da Rua Tutoia. Só lhe resta o apelo às palavras do então diretor do Doi-Codi, major Carlos Alberto Brilhante Ustra – condenado pela Justiça Militar como torturador – que “nega as afirmações dos guerrilheiros”. Bela companhia e testemunha a favor da empresa dos Frias, que a condena por si mesma.
Já um então jornalista da empresa, Antonio Aggio Jr. “reconhece o uso de caminhonete da empresa por militares, mas antes do golpe”. Dado o precedente, ainda na preparação do golpe, nada estranho que isso tivesse se sistematizado já durante a ditadura. Fica, portanto, plenamente caracterizado tudo o que diz Beatriz Kushnir no seu indispensável livro “Caes de Guarda”, da Boitempo, significativamente ausente da bibliografia do livro, sobre a conivência direta da empresa dos Frias na ditadura, incluído o empréstimo das viaturas para a Oban.
Editorial citado confirma a posição da empresa: “É sabido que esses criminosos, que o matutino (Estado) qualifica tendenciosamente de presos políticos, mas que não são mais do que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítimas toda promiscuidade.” (30/6/1972)
Assim os Frias caracterizam os que lutaram contra a ditadura. Fica plenamente caracterizado que a empresa estava totalmente do lado da ditadura, reproduzindo os seus jargões e a desqualificação dos que estavam do lado da resistência.
Passando pelo apoio ao Plano Collor, a empresa saúda a eleição de FHC como a Era FHC, com um caderno especial, assumindo que se virava a pagina do getulismo, para que o Brasil ingressasse plenamente na era neoliberal. Do anti-getulismo a empresa passou diretamente para o anti-lulismo – posição que caracteriza o jornal há tempos -, sempre em nome da elite paulista. A Era FHC acabou sem que o jornal tivesse feito sequer uma errata e nem se deu conta que a nova era é a Era Lula.
A decadência da empresa não consegue ser escondida. Depois de propalar que tinha chegado a tirar 1.117.802 exemplares em agosto de 1994, 18 anos depois, com todo o aumento da população e da alfabetização, afirma que tira pouco mais de 300 mil, para vender muito menos – incluída ainda a cota dos governos tucanos.
Ao longo dos governos FHC e Lula, a empresa foi sendo identificada, cada vez mais, com órgão dos tucanos paulistanos, seus leitores ficaram reduzidos aos partidários do PSDB, sua idade foi aumentando cada vez mais e o nível de renda concentrado nos setores mais ricos.
A direção do jornal, exercida pelos membros da família Frias nos seus cargos mais importantes, tendo a Otavio Frias Filho escolhido por seu pai para sucedê-lo, cargo que ocupa já há 18 anos, por sucessão familiar.
Apesar de quererem explicar a Folha, a impossibilidade de encarar com transparência sua trajetória, o livro se revela uma publicação subserviente aos proprietários da empresa, oficialista, patronal, que reflete o nível a que desceu a empresa ao longo das duas ultimas décadas.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/folha-de-sao-paulo-ditadura-militar.html

Copa será grande celebração com ganhos imensos para o país

08.04.2014
Do blog ESQUERDOPATA, 07.04.14
"Futebol não é mais unanimidade nacional"

Por André Borges - Valor Econômico

Lages, ministro do Turismo, diz que estádios não se tornarão elefantes brancos, desde que sejam bem administrados

Se vestir a camisa da seleção brasileira, o novo ministro do Turismo, Vinicius Lages, arrisca uma final da Copa entre Brasil e Espanha. A aposta é outra, porém, se ele estiver no gabinete do ministério que assumiu há três semanas: "Prefiro uma final com os Estados Unidos. Imagine o impacto disso no turismo?"

Fora do campo, Lages adota um tom mais pragmático ao falar dos benefícios e desafios da realização da Copa do Mundo, seus dilemas com obras de infraestrutura e os desdobramento das esperadas manifestações sociais. Em entrevista ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, Lages prevê uma "grande celebração", mas reconhece as preocupações do governo com as manifestações. Sobre esses movimentos, diz que se trata de reflexos de "um país que amadureceu", onde uma nova classe média "reivindica mais direitos". É preciso aceitar, diz ele, que o futebol "não é mais unanimidade nacional".

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O senhor considera que o país está pronto para a Copa?

Vinicius Lages: Nos preparamos para esse momento. Há o reconhecimento de que o Brasil tem uma hospitalidade diferenciada, é um país que sabe receber o turista. Vimos, na Copa das Confederações, que temos condições de afirmar que o sucesso vai se repetir na Copa do Mundo. Isso não significa que todos os aeroportos, por exemplo, estarão concluídos até os jogos. Seria muito precipitado não considerar algumas ocorrências. Mas acredito que não teremos problemas na Copa.

Valor: Há uma reclamação generalizada por obras de infraestrutura que não serão entregues. Qual a avaliação do senhor sobre isso?

Lages: Desde que o Brasil foi escolhido para acolher os jogos, vivemos um processo em que a sociedade passou a ser mais exigente com a oferta de serviços de melhor qualidade. A classe C não é mais complacente com serviços de baixa qualidade. São questões importantes que o país está vivendo. É preciso reconhecer também que o Estado, de seu lado, está investindo e se preparando para atender essas demandas, está se adequando para acelerar os processos. É claro que ainda vamos ter algumas obras por terminar, mas eu considero que a vida continua, no sentido de que essas estruturas, quer aquelas especializadas para os jogos, quer as demais, farão com que o país e o turismo saiam ganhando.

Valor: Há um consenso de que as cidades ganharam estádios, mas não obras de mobilidade.

Lages: Mesmo que isso fosse verdade, e pode ser que em alguns casos as expectativas de fato ficaram acima do que foi possível fazer, é preciso reconhecer que apenas um equipamento esportivo numa cidade é capaz de gerar uma dinâmica enorme dentro de um setor como o de esportes, alterando o padrão de gestão dos times e de todos envolvidos. O Mineirão, em Belo Horizonte, é um exemplo claro do que isso significou no padrão do futebol mineiro. Mesmo que essa afirmação de não haver obras de mobilidade fosse verdade, os estádios permitem a exploração de um vetor econômico importante.

Valor: Mas não é verdade?

Lages: Não é. Temos várias cidades com obras de mobilidade em andamento. Além disso, imagine o impacto do que está ocorrendo, por exemplo, em outros setores como o de engenharia e de serviços especializados. Essas empresas, hoje, estão bem mais preparadas para montar a infraestrutura desse país. Cerca de 15 mil pequenas empresas foram treinadas para aproveitar oportunidades, com serviços que podem gerar até R$ 500 milhões com o torneio. Isso já é um ganho excepcional. A Copa acelerou investimentos, além daqueles que já estavam em curso.

Valor: Como o senhor avalia as manifestações sociais previstas para ocorrer durante a Copa?

Lages: Estamos monitorando isso de forma integrada com outros ministérios. Acredito que a Copa será uma grande festa, mas há um sentimento de expectativa sobre movimentos isolados. É preciso lembrar que vivemos em uma democracia. As manifestações podem acontecer e é muito bom que aconteçam. O Estado, de seu lado, tem mecanismos de inteligência, está preparado para lidar com esses movimentos, para identificar pontos fora da curva e agir em situações preocupantes. Ainda que possamos ter algumas manifestações, a Copa será uma grande celebração. Agora, paralelamente, temos que nos acostumar com o fato de que o futebol não é mais unanimidade nacional. Isso acabou.

Valor: O que o senhor quer dizer com isso?

Lages: Vivemos hoje em uma sociedade mais complexa, de 200 milhões de pessoas, com uma forte e crescente classe média, que reivindica mais direitos. A situação não é mais tão hegemônica. O país amadureceu, mudou. Entre 200 milhões de pessoas, é natural que muitos não queiram futebol, não gostem do Carnaval. Essa sensação de que podemos ter uma unanimidade, em uma sociedade mais bem informada, passou. Temos que lidar com isso. Agora, também é preciso aceitar a maioria, que entende que a Copa é uma oportunidade sem igual, que nos projetará e muito. Temos estádios com uma qualidade que nunca tivemos, uma infraestrutura urbana requalificada. São suficientes? Ocorrem na velocidade que esperamos e que a expectativa social impõe? Não, mas são transformações urbanas importantes e que estão acontecendo.

Valor: A construção de estádios também é alvo de críticas. Cidades como Brasília, Cuiabá e Manaus são acusadas de terem erguido elefantes brancos. O que o senhor pensa sobre isso?

Lages: Uma das belezas dessa Copa é que ela é inclusiva. Foi uma decisão política envolver todas as regiões do país. Mesmo que se diga que há estádios que possam ter uma baixa utilização, eles darão resultado se tiverem uma estratégia bem montada. Vai depender muito disso. Temos que dinamiza-los, são equipamentos multiuso e que terão de ser rentabilizados. Todos têm custo e manutenção elevados. Tudo vai depender dos modelos de negócio e das iniciativas. Em qualquer lugar do mundo é assim.

Valor: O governo é criticado por ter gasto muito dinheiro com a Copa. Gastou?

Lages: Não vejo dessa forma. Estamos falando de um evento que trará um incremento de pelo menos 0,55% sobre um PIB de R$ 5 trilhões. São cerca de R$ 30 bilhões. Um evento desses tem que ser dimensionado em torno de sua relevância. É um impacto bem razoável, principalmente pelos reflexos de longo prazo que ele deixa. Não é nada pequeno. Além disso, o país não deixou de investir em saúde ou educação, em políticas sociais, infraestrutura não especializada nos jogos, frentes para complementar sua estrutura energética. Há um exagero nessa expressão de que se gastou muito com a Copa.

Valor: Recentemente, o TCU apontou atrasos nas instalações dos centros de atendimento ao turista nas cidades-sedes. Eles serão entregues a tempo?

Lages: Eu solicitei um balanço para monitorar a situação. Muito já estão prontos, mas também temos problemas que estão sendo resolvidos. Faremos um acompanhamento nessa reta final. Em alguns casos, onde as obras não ficarem prontas a tempo, teremos algumas estruturas com centros móveis de atendimento ao turista, instalados em pontos estratégicos.

Valor: Que seleção vai para a final da Copa com o Brasil?

Lages: Como ministro, escolho os americanos na final. Eles virão em massa para o Brasil. Imagine numa final, todo mundo celebrando, audiência no máximo, um empate até os 45 minutos do segundo tempo e eles fisgados até o último minuto. Então, sai um golaço do Fred. Seria espetacular.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/04/copa-sera-grande-celebracao-com-ganhos.html

MINISTÉRIO PÚBLICO TUCANO: MP-SP denunciou parte do Propinão Tucano só depois de prescrito

08.04.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Quando deixam prescrever o crime, é o povo quem é condenado.
Desde 2008, o propinão tucano no Metrô de São Paulo é conhecido, quando foi noticiado no Wall Street Journal dos Estados Unidos que a Alstom havia pago propinas para tucanos paulistas superfaturarem contratos.

Só agora em 2014, depois que o CADE (órgão federal) abriu processo administrativo por formação de Cartel, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia à Justiça contra executivos das multinacionais, burocratas e consultores (os políticos ainda sequer foram denunciados).

Resultado: duas denúncias apresentadas pelo MP já foram recusadas porque foram apresentadas tarde demais. Para o juiz que analisou o caso, os crimes prescreveram.

Cinco executivos haviam sido denunciados: um da Alstom, um da Bombardier, um da Balfour Beatty e dois da T’Trans. Eles se livraram de se tornarem réus em uma ação penal.

Eis a matéria do Estadão:

Justiça considera crimes prescritos e rejeita 2ª denúncia contra Cartel

A Justiça rejeitou nesta segunda-feira, 7, mais uma denúncia contra executivos do cartel de trens e metrô de São Paulo, esta relativa à licitação da linha 2 (Verde) do Metrô de São Paulo, uma das denunciadas pela empresa alemã Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para o juiz que analisou o caso, os crimes prescreveram.

Cinco executivos haviam sido denunciados: um da Alstom, um da Bombardier, um da Balfour Beatty e dois da T’Trans. Eles se livraram de se tornarem réus em uma ação penal.

Com a decisão, das cinco denúncias oferecidas pelo Ministério Público por formação de cartel e fraude a licitação, duas foram completamente rejeitadas, uma foi recebida na íntegra, outra parcialmente e uma quinta ainda não foi apreciada.

Dos trinta executivos, 17 viraram réus até agora. Sete deles nunca trabalharam no Brasil.

Na decisão de sta segunda-feira, 7, o juiz André Carvalho e Silva de Almeida rejeitou a tese do promotor Marcelo Mendroni, que imputou aos executivos três crimes, sendo um de formação de cartel e dois tipos distintos de fraude a licitação. No entender do magistrado isso não poderia ocorrer porque “a mesma conduta não pode tipificar dois crimes distintos (formação de cartel e fraude a licitação)”.

“Ocorre, no caso, o que a doutrina chama por ‘conflito aparente de normas’”, sustentou Silva de Almeida. “Percebe-se que eventual ‘cartel’ formado com vistas a fraudar processo licitatório está inserido na ilícita conduta de fraudar a licitação, de modo que, pelo princípio da especialidade, somente este último deve prevalecer”.

Contudo, avaliou o juiz, como a licitação da linha 2 (Verde) ocorreu em janeiro de 2005, e o prazo máximo de prescrição da frauda a licitação é de oito anos, o crime teria prescrito em 2013. “Como, então, entre a data do fato e hoje decorreu prazo superior ao estabelecido em lei, inevitável reconhecer-se a extinção da punibilidade dos réus pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva”.

A decisão também rechaça a tese de Mendroni de que o crime de cartel é permanente, não se encerrando na data da licitação, e sim quando do encerramento do contrato.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/04/mp-sp-denunciou-parte-do-propinao.html#more

Há corrupção na Petrobras? E na imprensa? E no Datafolha?

08.04.2014
Do blog TIJOLAÇO, 07.04.14
Por Fernando Brito

petrobrassangue
Se me perguntassem se há corrupção na Petrobras, eu responderia “sim”.
Aliás, responderia “sim” se me perguntassem se há corrupção em qualquer empresa ou instituição, pública ou privada.
Como dizer que não há nenhuma irregularidade em uma empresa que emprega, próprios ou terceitizados, mais de 200 mil pessoas? Que tem dezenas de milhares de fornecedores, desde grampos de papel a navios imensos?
Pode haver, como pode haver na Shell, na Chevron, na Statoil…
E o que isso quer dizer?
Nada.
Haja ou não haja, o resultado seria o mesmo, dadas as circunstâncias.
Passem um mês me chamando de ladrão em todos os jornais e televisões e depois façam uma pesquisa sobre minha reputação.
A pesquisa Datafolha sobre a existência de corrupção na Petrobras é exatamente isso: a colheita do que foi plantado.
As mesmas perguntas poderia ser feitas de outra forma e dariam resultados ao inverso.
Você acredita que a Presidenta Dilma fez bem em apontar o que achou uma operação suspeita na Petrobras?
Você acha que a Petrobras é uma empresa com mecanismos de controle rígidos e profissionais?
Mas a pesquisa não é uma pesquisa, é uma peça de propaganda.
Na verdade, de uma campanha, que não é de hoje e nem de ontem.
E que não vai terminar, ao contrário, só vai aumentar.
Quanto mais houver petróleo no Brasil, maior serão as tentativas de desmoralizar a sua guardiã, a Petrobras.
Se houve ou não houve um negócio irregular na Petrobras é uma questão: é apurar e responsabilizar, exatamente o que o Governo e a direção da empresa estão fazendo.
Aliás, só o que não estão fazendo é assumir a defesa política da empresa, quanto à administrativa não há nenhum reparo a fazer.
A propósito, há corrupção nas pesquisas de opinião pública ligadas à política e às eleições?
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=16445

Em “Fórum da Liberdade”, pergunta sobre Perrella gera expulsão

08.04.2014
Do blog VI O MUNDO

Perrella, Aécio, Azeredo
EM PORTO ALEGRE

Jovem pergunta sobre Perrella e é expulso de palestra de Aécio no RS

Estudante foi retirado do Salão de Atos da PUCRS pelos seguranças do evento chamado “Fórum da Liberdade” após perguntar ao senador tucano sobre droga em helicópetero de Perrella

Um estudante da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) foi expulso do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, após fazer uma pergunta ao pré-candidato tucano à Presidência Aécio Neves. Ele questionou sobre o helicóptero da família Perrella – considerada aliada de Aécio – apreendido em novembro passado com quase 500 quilos de cocaína.

O senador ignorou a pergunta e deixou o palco, onde foi convidado para falar sobre “competitividade”. No mesmo momento o estudante de ciências sociais Marcelo Ximenes, 25, foi abordado pelos seguranças e retirado do Salão de Atos da PUC-RS, onde ocorria o evento, a 27ª edição do chamado Fórum da Liberdade. “Quase me agrediram, foi isso o que aconteceu”, disse o estudante, reclamando dos seguranças. “Eu gritei alto (a pergunta), já que não tinha microfone. Se eu colocasse uma pergunta como essa no papel, ninguém ia ler. Esse não é um espaço democrático, como todo espaço da direita. Que democracia é essa que não se pode fazer uma pergunta? ”, questionou Marcelo.

Em seu discurso, o senador fez críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, como tem sido comum em seus pronunciamentos, e quando saiu do palco, após ficar visivelmente incomodado com o questionamento, ele já estava finalizando a sua participação. O público vaiou o estudante após a pergunta. A organização do evento ainda confiscou a credencial de identificação dele e disse que opiniões divergentes são aceitas no fórum, mas que é preciso “educação”.

Em sua conta no Facebook, Marcelo demonstrou sua indignação em relação ao episódio:
“Hoje, durante a palestra do Senador Aécio Neves no Fórum da Liberdade, fui expulso do evento após perguntar em voz alta no meio da plateia sobre o caso do helicóptero de Zezé Perella, seu aliado encontrado com quatrocentos e cinquenta quilos de cocaína no interior de Minas Gerais. Ora, se ele não tem nada a temer, porque simplesmente não pegou o microfone e respondeu minha pergunta de volta? Admito que ficou um tanto complicado, já que seus partidários psdbistas começaram a me ameaçar e agredir verbalmente. No pretenso Fórum da “ Liberdade ” quem tem opinião divergente ou faz algum tipo de questionamento que incomoda é expulso e achincalhado. Aviso ao senador Aécio Neves e aos organizadores deste fórum, que a Liberdade humana não se realiza na maioridade penal como o candidato a presidente tanta prioriza em seu discurso, muito menos no mercado, mas sim no debate franco e aberto, bem como através das reais potencialidades humanas que estão longe de ser exaltadas na competição.

OBS : Lembrando que é bem contraditório para alguém que defende a maioridade penal de forma tão veemente ser conivente com toda essa quantidade de pó no helicóptero de seu aliado político.”

Procurada pela reportagem, a assessoria do PSDB informou que ainda não irá se manifestar.

Relembre o caso

Em novembro passado, um helicóptero que estava no nome da empresa do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), foi apreendida com 445 kg de pasta base de cocaína na zona rural de Afonso Cláudio (ES). A Polícia Militar da cidade investigava o local, que apresentava movimentação suspeita há 15 dias, e flagrou a aterrissagem. Além disso, também foram encontrados R$ 16 mil em dinheiro na aeronave. Piloto, co-piloto e dois homens que receberiam a droga foram presos.

O total de 445 kg de pasta base de cocaína, que equivale a até R$ 10 milhões, segundo cálculo da Polícia Federal, possui entre 92% e 96% de pureza. A droga estava em formato de tabletes, dentro de caixas, que encheram quatro picapes Hilux da polícia.

Com informações do G1

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/em-forum-da-liberdade-pergunta-sobre-perrella-leva-estudante-a-ser-expulso.html

Lincoln Secco: Perseguição a Dirceu garante a Barbosa últimos dias de fama

08.04.2014
Do blog VI O MUNDO, 06.04.14
Por Lincoln Secco, especial para o Viomundo

Perseguição Sem Fim a José Dirceu

Não basta julgar sem provas, é preciso condenar. Não basta o regime semiaberto, ao qual o apenado tem direito certo, é preciso protelar. Agora, um juiz de Brasília encaminhou ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, o pedido do Ministério Público do DF para investigar um suposto telefonema recebido por José Dirceu no presídio.

A razão nada oculta disso é bem sabida. José Dirceu foi absolvido do crime de formação de quadrilha e isto derruba, por extensão, a tese do domínio do fato. Aquela mesma que dizia que mesmo não sabendo “ele tinha que saber”. Uma revisão criminal da condenação por corrupção ativa deveria ser o próximo ato da encenação iniciada em 2005.

Judas

Por outro lado, Barbosa perdeu a serventia para os que lhe deitam os holofotes e lhe acalentaram o sonho da presidência da República. As candidaturas da direita já foram definidas e ninguém mais precisa da partidarização explícita do STF. Até porque o julgamento de Azeredo um dia poderia chegar lá.

Abandonado pelos amigos, Barbosa sente-se numa via crúcis, vendido por Judas. Diante da perda de prestígio, ofereceram-lhe uma vaga na Câmara ou (quem sabe?) no senado em incerta votação. É pouco para um “Cristo” que nasceu na manjedoura. A reação previsível é insurgir-se contra o que ele vê como abrandamento das condenações da ação penal 470. Ataca os colegas de toga, critica a imprensa, e ninguém mais o leva a sério. Afinal, ele mesmo já foi visto por Lula no papel de Judas.

Sobra a obsessão: perseguir o inimigo número 1 da grande imprensa, José Dirceu. Só a continuidade da perseguição lhe garante os derradeiros dias de fama. É simples assim.

E o PT?
Para a esquerda em geral, resta saber que a teoria do domínio do fato pode se tornar um perigo para a Democracia. Daí porque é importante derrubá-la numa revisão criminal do caso de Dirceu. Que antigos companheiros (embora não todos) prefiram abandonar Dirceu é compreensível. Judas fez o mesmo por bem menos: 30 moedas.

Os que estão no poder acreditam-se protegidos pelas amizades de ocasião e a volta do líder significaria um incômodo rearranjo de forças internas no PT. Mas também não poupam energias em inventar uma nova lei “contra o terrorismo”, cujo melhor efeito será o de um tiro no pé. Judas, como sabemos, agora é Ministro da Justiça dos homens.

O sábado de Aleluia

Mas os que estão embaixo já deveriam ter aprendido. Durante um debate na USP no dia 31 de março (corretamente chamado “Às vésperas do golpe”), entre as muitas arbitrariedades da repressão, os representantes dos Advogados Ativistas denunciaram que, recentemente, em Porto Alegre, ocorreu o indiciamento de seis militantes que participaram de protestos no ano passado. O mais surpreendente é que, na impossibilidade de provar o vínculo dos acusados com atos de depredação, o inquérito buscou sustentação na tese do “domínio do fato”…

Ao fim do citado debate, os jovens organizadores saíram ao pátio, chutaram e queimaram um boneco representando um General da Ditadura.

Lincoln Secco é professor de História Contemporânea na Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP.

Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/lincoln-secco-6.html