quarta-feira, 2 de abril de 2014

BREGA FOI APOIADO, SIM, PELA DITADURA MILITAR

02.04.2014
Do blog MINGAU DE AÇO

APESAR DE TER TIDO MÚSICAS CENSURADAS, ODAIR JOSÉ NEM DE LONGE ERA UM REVOLUCIONÁRIO.


Por Alexandre Figueiredo

Definitivamente, não valeu o tendencioso revisionismo histórico de Paulo César Araújo, que no calor da Era FHC produziu o livro Eu Não Sou Cachorro, Não para tentar provar que o brega era "música de protesto" que apavorava os generais da ditadura.

A tese, lacrimosamente difundida na grande mídia, pelo próprio Araújo fazendo ele mesmo pose de "coitadinho" - "Ninguém investiu nas minhas pesquisas", lamentou ele, se esquecendo das verbas da Fundação Ford que recebeu por intermédio da UniRio - , até chegou a convencer muita gente boa e ter virado até unanimidade durante muito tempo.

Mas só depois que blogues como este mostraram o outro lado da coisa é que as teses de Araújo sobre o brega sumiram. Ele ainda se autopromoveu às custas da censura de um decadente Roberto Carlos, mas, depois de tentar seduzir as esquerdas médias para apoiarem os ídolos bregas, Araújo, como um menino que quebra a vidraça da casa vizinha, agora se esconde sob o respaldo midiático da Globo.

Pois agora o "consultor free lancer" de música brega das Organizações Globo começa a ser questionado pela sua visão delirante de que os ídolos cafonas, mesmo "despolitizados", eram "cantores de protesto", e mesmo a hipótese de que alguns sucessos bregas foram censurados não dão respaldo seguro à sua tese.

Pelo contrário. Deixando de lado a memória curta que manipula o passado ao bel prazer dos preconceitos e conveniências do presente, vemos que o brega significou, mesmo, o tipo de música desejado e apoiado abertamente pela ditadura militar. Isso é fato, não é preconceito.

Se Odair José e Waldick Soriano tiveram músicas censuradas - uma música de Waldick, de 1962, "Torturas de Amor", chegou a ser atribuída erroneamente como "protesto contra a ditadura", mesmo sendo uma canção gravada ainda com Jango como presidente de um sistema parlamentarista - , não foi por questões realmente consideradas ameaçadoras ao poder dos generais que controlavam o Executivo.



CONSERVADOR, WALDICK SORIANO TEVE UMA MÚSICA DE 1962 ATRIBUÍDA ERRONEAMENTE PELOS INTELECTUAIS DE HOJE A UM SUPOSTO PROTESTO CONTRA A DITADURA MILITAR.

DIREITA JÁ VIVIA REALIDADE CANTADA POR WALDICK E ODAIR

A censura se deu apenas por letras consideradas tabus por alguns censores. Eram letras sobre sentimentalismo amoroso exagerado ou práticas sexuais, que em si não eram tabus sociais até porque os mais reacionários indivíduos da época viviam tais situações.

Naqueles idos de 1969-1978, época de vigência do AI-5, a direita já praticava sexo antes do casamento, tomava pílulas anti-concepcionais, apreciava pornografia, sofria dor de corno, falava palavrão, usava maconha e cocaína, entre outras coisas escandalosas.

Mas Odair e Waldick, no fundo duas figuras bastante conservadoras - se hoje até Lobão é conservador, não seria Odair José um revolucionário, não é mesmo? - e, só por umas musiquinhas vetadas pela Censura Federal foram equivocadamente classificados pela intelectualidade etnocêntrica de hoje como se fossem Marighellas e Lamarcas musicais.

A direita vivia as músicas cantadas pelos ídolos cafonas. O problema é que vários censores tinham um moralismo ainda mais rígido, inflexível e exagerado. Nem todo mundo que era censurado era "subversivo" e a ditadura militar expurgou até mesmo Carlos Lacerda, um udenista radical que mais defendeu o golpe militar mas foi vítima dele.

Já na época os direitistas mais velhos, com mais de 50 anos de idade, achavam qualquer desvio de comportamento "subversivo". Boa parte da burguesia que foi às "marchas da família" em 1964, já em 1968 vivia o mesmo cotidiano "ousado" cantado por Odair José e se vestia de hippie ou psicodélico. Os membros do Comando de Caça aos Comunistas se vestiam de beatniks. Isso é "subversão"?

DOM & RAVEL SIMBOLIZARAM OS SUCESSOS MUSICAIS DO "MILAGRE BRASILEIRO".

RÁDIOS CORONELISTAS

Paulo César Araújo não conseguiu explicar de forma convincente, numa demonstração de ato falho, por que as músicas bregas tornaram-se populares no período em que vigorou o AI-5, o quinto ato institucional que tornou rígida a repressão e a censura no país.

Ele tentou argumentar que a música brega era uma "reação" aos arbítrios do regime, como se fosse fácil usar emissoras de rádio para propagar a rebelião popular. É uma tese bastante equivocada e que não tem o menor sentido de veracidade.

Se a MPB que aparecia na televisão entre 1964 e 1968 representou uma resistência ao regime militar, foi porque a própria ditadura quis adotar um verniz de "democracia" e permitiu às emissoras de TV certa liberdade de expressão. A pressão dos anunciantes, sobretudo as multinacionais, também influiu muito, e tudo isso acabou quando veio o quinto ato institucional.

Já durante a vigência do AI-5, a música brega foi tocada por emissoras de rádio e TV que já estavam identificados e solidários ao poderio militar, sobretudo rádios regionais que eram ligadas, no âmbito local, ao poder do latifúndio, o mesmo que mandava exterminar agricultores e até padres que representavam risco aos privilégios dos grandes proprietários de terras.

Hoje houve quem falasse que o brega era a "reforma agrária da MPB", uma tese ridícula e sem lógica. O brega sempre foi apoiado por rádios que estavam ligadas ao poderio dos "coronéis" regionais e das oligarquias midiáticas das grandes capitais. O pretexto do "popular" não significava que os ídolos cafonas apavoravam a ditadura militar, muito pelo contrário.

Se os ídolos bregas eram censurados, era por algo que tinha mais a ver com "pequenas travessuras". Um Odair não ameaçava o poderio militar. Muito menos um Waldick. Já Benito di Paula, Dom & Ravel, Paulo Sérgio e outros chegaram mesmo a agradar a sociedade que apoiava a ditadura.

Eles representavam uma visão estereotipada, politicamente inofensiva e comercialmente viável do "popular" defendido pela ditadura militar e pelos civis que a apoiavam. Não tinham uma identidade nacional definida, porque musicalmente eram muito confusos, e seus temas eram inofensivos, inócuos, mesmo quando tentavam falar de política.

Por isso não faz o menor sentido classificá-los hoje de "combativos" contra a ditadura. Eles eram apoiados pela ditadura, eram o modelo de "música brasileira" que a ditadura militar queria para o povo brasileiro.

Essa é a visão que apavora a intelectualidade de "bacaninhas" de hoje, mas, tirando o verdadeiro preconceito da memória curta, percebemos que os ídolos cafonas realmente atendiam aos interesses das forças dominantes que dominaram a ditadura militar, já que a música brega durante anos anestesiou corações e mentes das classes populares do nosso país. O brega foi a água com açúcar da repressão militar.

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Fonte:http://mingaudeaco.blogspot.com.br/2014/04/brega-foi-apoiado-sim-pela-ditadura.html

contrassenso de Joaquim Barbosa

02.04.2014
Do blog MEGACIDADANIA

Grandes erros violaram direitos humanos
Joaquim Barbosa impôs premissas indemonstráveis e nem precisava demonstrá-las, pois manipulou o senso comum iludindo o distinto público e a publicidade opressiva (faca-no-pescoço) impediu que qualquer voz dissonante prosperasse no julgamento da AP 470.

A existência de uma organização criminosa foi desconstruída com o fim das condenações por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

O desvio de dinheiro público do Banco do Brasil, sem a realização de qualquer serviço publicitário, bem como a questão do bônus de volume, são itens facilmente contestados, com base em documentos da própria AP 470, e que a blogosfera divulgou intensamente.

O antídoto necessário para se compreender e formar opinião isenta sobre o conteúdo da AP 470, é o senso crítico e não o senso comum.

O que é Senso:

Senso é o ato de raciocinar, de apreciar e julgar. Ter senso é ter um juízo claro, um entendimento, é ter prudência, discernimento.

A palavra senso tem um conceito bastante amplo, podendo ter vários significados, dependendo do contexto onde é empregada:
Senso comum - é o modo de pensar da maioria das pessoas, são noções comumente admitidas pelos indivíduos;
Senso crítico - é a capacidade de questionar e analisar de forma racional e inteligente;
Senso estético - é a capacidade de apreciar e julgar o que é belo;
Senso moral - é a consciência do bem e do mal;
Senso de humor - é saber rir ou fazer piadas na hora certa sobre motivos certos;
Bom senso - o bom senso é muitas vezes confundido com senso comum, o senso comum pode refletir muitas vezes uma opinião errônea e preconceituosa sobre determinado assunto, enquanto isso o bom senso é ligado à ideia de sensatez, a intuição de distinguir a melhor conduta em situações específicas.

Foi o senso comum que proporcionou condições para que Olga Benário fosse ilegalmente entregue aos nazistas para ser assassinada em uma câmara de gás.

Foi o senso comum que gerou o horripilante apartheid e o abominável nazismo.

É o senso comum que ainda sustenta as injustas condenações decorrentes de um julgamento em que as defesas e até os julgadores não tiveram acesso a fundamentais documentos.

Muitas das noções que formulamos espontaneamente ou recebemos com docilidade se provam, em posterior análise, pobres, deficientes, incompletas e, às vezes, falsas. É o que ocorre com qualquer pessoa que tenha acesso aos documentos ocultados a pedido da PGR/MPF de Antonio Fernando e Gurgel e que o relator Joaquim Barbosa consolidou ao criar o sigiloso inquérito 2474.

A boa-fé das pessoas foi manipulada pela avalanche midiática do PIG, o partido da imprensa golpista.

Ainda hoje existem pessoas que acreditam que Visanet é apenas um simples setor do Banco do Brasil.

O senso comum é a expressão da boa-fé das pessoas e ficamos a imaginar o nível de indignação daqueles que pela primeira vez, utilizando o senso crítico, se defrontam com as aberrações ocorridas neste julgamento de exceção.

O contrassenso de Joaquim Barbosa é ele supor que por sua conduta ilógica, absurda e despropositada nunca será desmascarado.

A velha mídia empresarial despenca em credibilidade exatamente por fatos como este, o julgamento da AP 470. Um ótimo exemplo é a conduta que tiveram no golpe de estado de 1964. A mesma conduta perniciosa tiveram e ainda tem ao não divulgarem para o distinto público os documentos que evidenciam o absurdo das ilegalidades e injustiças.


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Fonte:http://www.megacidadania.com.br/o-contrassenso-de-joaquim-barbosa/

Relatórios inéditos de Pasadena!

02.04.2014
Do blog CAFEZINHO, 01.04.14
Por Miguel do Rosário 

Estranhamente, nos últimos dias, a mídia esqueceu a refinaria de Pasadena. Só há notícias periféricas, políticas, sobre a refinaria. Nada sobre o negócio em si. Quer dizer, a Folha até mandou uma repórter à Pasadena, Texas. Ela publicou uma matéria no site do jornal, mas logo a escondeu, e não a trouxe para a edição impressa (eu não a encontrei, pelo menos). Provavelmente o fato da repórter ter descoberto que Pasadena está operando com boas margens de lucro tenha constrangido uma imprensa que tenta pintar o negócio como um desastre financeiro e, em última instância, político-eleitoral.
A nossa imprensa agora só quer saber de ditadura.
Legal que tenham feito esses cadernos especiais de 50 anos de golpe, embora eu, pessoalmente, não confie em nada que nossa imprensa publique sobre a ditadura. Não vejo nela nenhuma honestidade nesse sentido, ainda mais depois do show de farisaísmo histórico que assistimos nos últimos dias, com todos esses artigos e editoriais oleosos e malandros procurando justificar o golpe de Estado.
O Cafezinho também gostaria de elaborar cadernos especiais sobre a ditadura. Só que, no momento, eu estou interessado em coisas mais atuais, como a CPI da Petrobrás e a refinaria de Pasadena. A ditadura pode esperar um pouco.
Uma coisa que eu percebo é que a imprensa tem a proeza de enganar os próprios jornalistas. Por exemplo, Carlos Heitor Cony escreveu o seguinte, há poucos dias:
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Com todo o respeito a Cony, isso não é verdade. A Petrobrás comprou os primeiros 50% por um preço inclusive abaixo da média do mercado. Os últimos 50% é que ficaram mais caros por causa dos custos processuais e, sobretudo, por causa das garantias bancárias, as quais, porém, deixam o imenso mercado creditício americano aberto e disponível à refinaria.
Por aí se vê que o centro do escândalo é o preço pago pela Astra pela refinaria de Pasadena: US$ 42,5 milhões. Esse valor está viciado, como eu já disse mil vezes, porque não embute o passivo da companhia, nem os estoques.
Imagine que o restaurante da sua esquina está a venda por 1 milhão de reais. Você está interessado em comprar e então vai lá e confere as condições do estabelecimento e pede a um consultor para dar sua opinião. Você, o consultor e todos concordam que o preço é bom, até mesmo ligeiramente abaixo do preço de mercado. Então você compra.
Anos depois, você descobre que o antigo proprietário havia pago somente R$ 10 mil pelo mesmo restaurante. É um escândalo? Claro que não. O preço que você pagou foi o certo. O preço que o ex-proprietário pagou certamente está ligado à condição específica daquele negócio. É isso o que aconteceu em Pasadena. Pode ter havido um “por fora”. Pode ter havido integração de dívida. Não interessa. Quer dizer, agora interessa, porque estão manipulando essa informação com objetivo político-eleitoral.
Para vocês terem uma ideia do prejuízo político causado pela desinformação, o mesmo Cony insinua, maliciosmente, que é possível um impeachment da presidente Dilma por causa de Pasadena. Ora, essa. Quando a maior plataforma do mundo, pertencente à Petrobrás, afundou durante o governo FHC, ninguém veio falar em impeachment, nem mesmo o PT. É muito leviandade de Cony!
Há uma perigosa armadilha montada aqui.  Primeiro eles envenenam a informação, depois é só faturar em cima de qualquer mínima irregularidade relacionada ao negócio. O Globo, por exemplo, deu enorme destaque ao fato de autoridades do Texas estarem cobrando da refinaria US$ 6 milhões em impostos atrasados. Não é uma dívida certa. É uma polêmica judicial envolvendo o governo do Texas e a refinaria. Ou seja, é o tipo de problema que deve existir para toda e qualquer refinaria ou mesmo para qualquer empresa do mundo. O Itaú, por exemplo, briga para não pagar uma dívida tributária de R$ 16 bilhões, que ele contesta judicialmente.
Imaginem, por exemplo, que se descubra que um diretor comercial de Pasadena estava alterando em 0,01% o preço de um determinado produto, em troca de propina paga por um cliente. É um problema que não tem nada a ver com a compra em si da refinaria, mas a informação estará tão envenenada, que ninguém irá notar esse detalhe.
O governo e o PT repetem, por sua vez, a estratégia adotada no mensalão: entregar cabeças, muitas vezes as melhores, aos inimigos.  Se continuarem agindo assim, não vai sobrar mais ninguém no partido para governar o país e comandar estatais. O sonho da imprensa se realizará: um país comandado por técnicos medrosos, mais preocupados com sua própria reputação nos jornais do que com a segurança da nossa democracia.
Enfim, toda essa introdução foi para dizer que tivemos acesso a mais relatórios da Crown Central Petroleum, que era a proprietária da refinaria de Pasadena antes desta ser adquirida pela Astra.  Esses relatórios são fundamentais para entendermos o valor da refinaria, tanto em termos de mercado quanto estratégicos. E todos os dados apontam a inconsistência do valor de US$ 42,5 milhões pagos pela Astra.
Algumas informações eu já adiantei em outro post, mas agora as fontes são oficiais: são relatórios da própria Crown a seus acionistas e às autoridades financeiras. A Crown era uma companhia aberta, com papéis negociados na bolsa, e portanto seus dados eram públicos.
mina de ouro onde eu encontrei os relatórios está no site da “Securities Information from the US SEC EDGAR”, que (se é que entendi direito) é uma agência do governo federal dos EUA que monitora informações de empresas listadas nas bolsas.
Os relatórios mais atualizados são do ano 2000. Está tudo lá. Faturamento da refinaria de Pasadena, valor de mercado, endividamento, perspectivas para até 2009.
Antes de analisar alguns dados desses relatórios, permitam-me revelar outra descoberta. Sabe o Adriano Pires, o queridinho da mídia no tema petróleo? Pois ele mesmo, em seu blog no Globo, escreveu em 2006 um texto entusiasmado em favor da decisão da Petrobrás de adquirir a refinaria de Pasadena.
A estratégia de comprar refinarias fora do Brasil é a mais adequada para a Petrobras. Pois ao invés de exportar petróleo bruto, a empresa passará a produzir derivados no exterior com o seu petróleo, agregando maior valor e aumentando as receitas em moeda forte. Nesse sentido, a compra de metade da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos foi um excelente investimento, pois além de todos os benefícios citados, essa refinaria está localizada no maior mercado consumidor mundial.
Pronto, vamos aos relatórios. Como são muitos documentos, vou dando o link das informações conforme eu as divulgo.
No ano 2000, a média da produção da refinaria de Pasadena era estimada em 93 mil barris por dia, bem próximo de sua capacidade máxima, de 100 mil barris. A refinaria de Pasadena se estende por uma área de 704 mil metros quadrados (174 acres), e por ter sido a primeira refinaria construída no Canal de Houston, ocupa um lugar geograficamente privilegiado.
Os relatórios confirmam o que eu já tinha visto em outras fontes: Pasadena é um pilar (embora de tamanho médio) importante da infra-estrutura energética dos Estados Unidos. A refinaria tem acesso a uma complexa e ampla rede de oleodutos, que a integra aos terminais marítimos da baía de Houston.
Tanto o petróleo usado na refinaria como matéria-prima, como a gasolina já refinada produzida por ela, são transportados por pipelines, ou oleodutos. A empresa opera com oito terminais localizados ao longo de duas grandes redes de oleodutos instalados nos EUA, o Colonial Pipeline e o Plantation Pipeline, que servem o sul e o leste dos EUA, terminando em Nova York e Washington DC.
Ou seja, Pasadena tem um valor estratégico. Não exagerei quando afirmei, em outro post, que ela tem posição privilegiada junto aos principais corredores petrolíferos do país mais rico e que mais consome gasolina do mundo.
Além das instalações da refinaria, Pasadena possui ainda uma área para estocagem de 526.091 metros quadrados (130 acres), com capacidade para estocar 6,2 milhões de barris (2,8 milhões de barris para óleo cru e 3,4 milhões em derivados, refinados e intermediários).
Os relatórios da companhia informam que, nos últimos cinco anos (estamos em 2000), foram investidos aproximadamente US$ 25 milhões em modernização de maquinários.
Num dos relatórios (sempre datados do ano 2000, não esqueçam), consta uma apresentação feita pelos diretores, com perspectivas de faturamento e valor da refinaria até o ano de 2009. No ano 2000, a empresa estimava que, num cenário pessimista, a refinaria poderia valer US$ 64 milhões, num mais realista, US$ 103,6 milhões e, sendo otimista, até US$ 169,4 milhões. Esses valores, contudo, não embutem os estoques nem as dívidas. Esse não é um valor de venda, que pode ser muito mais, a depender das condições do negócio. Também não embute nenhum valor estratégico. É apenas o valor do terreno e das instalações. Repare que a dívida da Crown estava em US$ 130 milhões no ano 2000.
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A Crown Central Petroleum, proprietária da refinaria de Pasadena, tinha outra refinaria, em Tyler, e algumas dezenas de postos de gasolina. Mas Pasadena era, de longe, o ativo mais importante do grupo, e o mais lucrativo. O problema de Pasadena era que essa rentabilidade era instável em demasia, refletindo a volatilidade das cotações do petróleo, exigindo de sua proprietária um colchão financeiro talvez grande demais para o tamanho da Crown.
faturamento líquido de Pasadena no ano 2000 foi de US$ 32 milhões, e a empresa tinha cenários projetados até o final da década. Para 2009, o faturamento foi estimado em US$ 63,43 milhões. Para o ano em que a refinaria seria vendida para a Astra, 2005, projeta-se um faturamento de US$ 37 milhões.
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Vou parar por aqui porque esses dados já me parecem suficientes para termos uma ideia da importância de Pasadena. Á guisa de conclusão, só gostaria de acrescentar que me encontro numa posição curiosa. Estou defendendo Pasadena agora não apenas da manipulação eleitoreira da grande mídia, que é caninamente alinhada aos interesses do PSDB; também a defendo da incompetência política do governo e da presidência da Petrobrás , que parecem não terem percebido o valor estratégico da refinaria que o próprio governo quis comprar, aconselhado por consultoras internacionais e após aprovação unânime do Conselho de Administração da estatal.
O fato de estarmos construindo grandes refinarias no Brasil confere ainda mais valor à Pasadena, porque poderemos realizar trocas tecnológicas e de recursos humanos entre ela e unidades brasileiras.
Sob controle da Petrobrás, Pasadena ganha uma segurança que jamais teve. A própria Dilma pode ligar para o presidente dos EUA ou para o governador do Texas e resolver alguma pendência.
O que mais me preocupa nem é a CPI da Petrobrás e sim se o governo terá coragem e inteligência para entender o valor de Pasadena como um ativo de valor político, diplomático, econômico, comercial. Em suma, estratégico. Durante séculos, o Tio Sam dominou o mercado de petróleo no Brasil. Nos anos 60, dependíamos de navios petroleiros que nos abasteciam a cada quinze dias. Era uma dependência humilhante de refinarias norte-americanas, como a de Pasadena. Isso ajuda a explicar o golpe de 64: nossa dependência econômica era também uma dependência política.
Conforme a Petrobrás foi descobrindo mais petróleo, fomos reduzindo nossa dependência. Com as recentes descobertas da Petrobrás, e agora o pré-sal, tornamo-nos soberanos em petróleo e caminhamos para sermos exportadores. Invertemos o jogo. E agora estamos comprando refinarias nos EUA! Pasadena, nesse sentido, reflete a vitória da democracia contra o golpe de 64.
É isso que dói nos vira-latas! Ver o Brasil ganhando força até mesmo no coração do império! Não espanta que o mesmo Globo, que fez de tudo para impedir a criação da Petrobrás, inclusive manipulando o relatório do Mr.Link, engenheiro americano que veio ao Brasil pesquisar se tínhamos petróleo, agora faça tudo para detonar a refinaria de Pasadena. O Brasil não pode e não deve ousar, parecem dizer.
A oposição ficou histérica quando se divulgou que o governo federal está investindo num porto em Cuba. E agora fica igualmente neurastênica quando descobre que investimos também nos EUA. Se todos entendem que é importante para o Brasil estender seus tentáculos para outros países, onde quer que a gente invista? Na Ucrânia?
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/04/01/relatorios-ineditos-de-pasadena/

O “novo” Aécio é a volta do Brasil de sempre. O da senzala social

02.04.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

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A “coluna social” de Monica Bérgamo, na Ilustrada da Folha de hoje é um retrato sem retoques do que representa Aécio Neves.
Representa Fernando Henrique Cardoso, nada mais, nada menos.
Leia.
É uma visão dantesca do Brasil que, tomara, tenha ficado sempre para trás.
O Brasil governado para o capital.
Não para o povo.
Não para “os que votam como o estômago”, como diz o banqueiro André Esteves.
Esta gente que tem o estranho desejo de comer todo dia, desatenta ao fato de que sempre foi preciso que passasse fome para que os salões do nosso capitalismo brilhassem.
“Esgotou (-se) a capacidade de crescer pelo consumo (da população).”
É como se dissessem: “chega, você já tiveram o que merecem, acabou o recreio, voltem para a senzala social”.
Sonham com a “reconquista” do Brasil, porque não querem o povo brasileiro como parceiro de seu sucesso, mas como uma massa de servos de seus empreendimentos.
Uma elite que não se emenda, que nem mesmo tendo visto do que este país é capaz quando é um só, não aceita os pobres, os negros, os mestiços, o povão senão ali, nas caras telas de Di Cavalcanti penduradas na parede da mansão.
Eles são lindos assim: imóveis, passivos, decorativos.
“Estou preparado para as decisões necessárias, por mais que sejam impopulares”, garante Neves, e um empresário traduz: aumentar as tarifas públicas.
Não o dirá aos que votam com o estômago, mas que importa? Pois se podem ser deixados sem comer, o que é deixá-los sem saber? Eles não estão aqui, senão nos servindo canapés e não entendem o que se diz.
Não vão saber, como não saberão que será vendido o que sobrou do período Fernando Henrique e o petróleo que depois dele se encontrou.
Os negros, os mulatos, os pobres dos quadros de Di Cavalcanti tudo ouvem, porém, nas paredes da mansão.
Fugiriam das telas, se pudessem, para dizer aos seus iguais, de carne e osso o que dizem os “sinhôs”.
Não podem, mas nós podemos.
O que se vai enfrentar nas eleições não é uma decisão sobre o futuro.
É um fantasma do passado.

Aécio: estou preparado para decisões impopulares

Mônica Bergamo
No pequeno púlpito montado na sala de jantar de sua casa, tendo como fundo uma parede com quadros de Di Cavalcanti, João Doria Jr. chama Aécio Neves para falar à seleta plateia de empresários que foram ao encontro com o presidenciável tucano. “Um jovem amigo. Um dos mais valorosos nomes da política brasileira. Ele é o novo!”
Os convidados, que já tinham aplaudido os governadores Geraldo Alckmin, de SP, e Antonio Anastasia, de Minas, voltam a bater palmas.
Mas é quando Fernando Henrique Cardoso é anunciado que o público realmente se empolga.
Empresários como José Luiz Cutrale, maior produtor de suco de laranja do mundo, André Esteves, do BTG Pactual, Guilherme Leal, da Natura, e Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, se levantam para aplaudir aquele que, segundo Doria, é um “exemplo de homem público”, “de ser humano”, “de brasilidade”, “de estadista”. E o grande fiador da candidatura de Aécio.
Antes de ceder o microfone, Doria fala dos 50 anos do golpe militar. “Viva a democracia!”, afirma. E todos, em uníssono: “Viva!”.
FHC se diz “sem palavras”. E inicia um breve discurso de apresentação de Aécio.
Lembrando seu próprio governo, acena com a possibilidade de reformas numa eventual gestão do tucano mineiro. “O reformador só é aplaudido depois de muito tempo.” O Brasil precisa de um novo rumo, segundo ele. “E não dá para mudar com as mesmas pessoas. O cachimbo deixa a boca torta.”
Antes de falar, Aécio chama Armínio Fraga, presidente do Banco Central no governo FHC, para ficar ao seu lado, sinalizando que ele terá papel primordial na condução da economia em seu eventual governo. “Ninguém tem o time que nós temos”, diz o mineiro. “Vou anunciar aos poucos quem estará comigo. Esse time dará confiança ao mercado.”
Aécio segue: “Eu conversava com o Armínio e ele me perguntou: Mas é para [num eventual governo] fazer tudo o que precisa ser feito? No primeiro ano?’. E eu disse: Se der, no primeiro dia’”.
“Eu estou preparado para tomar as decisões necessárias”, diz. “Por mais que elas sejam impopulares.” Num outro momento, repete: “Se o preço [das medidas] for ficar quatro anos com [índices de] impopularidade, pagarei esse preço. Que venha outro [presidente] depois de mim”. Sua ambição, diz, não é ser querido. E sim “fazer o maior governo da história do país”.
O tucano não detalhou que medidas seriam essas. Um dos empresários disse à Folha: “Ele está querendo dizer que vai reajustar tarifas. Não dá mais para empurrar com a barriga, como o governo [Dilma Rousseff] está fazendo, por populismo”.
Começam as perguntas. O banqueiro André Esteves diz que o país vive numa “armadilha do baixo crescimento”, em que se “esgotou a capacidade de crescer pelo consumo”. “Temos que investir” e, para isso, o governo tem que despertar “a confiança”.
Horacio Lafer Piva, ex-presidente da Fiesp, pergunta como o presidenciável fará sua mensagem chegar “aos que votam com o estômago”, referindo-se aos beneficiários de programas sociais do governo. Jorge Gerdau pede que ele se comprometa a não aumentar a carga tributária.
Depois de responder a todas as perguntas, Aécio Neves se despede com uma brincadeira: “Se tudo der errado, eu tenho um craque para entrar em campo”. Ele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=16154

1964: faltou exorcizar os fantasmas do autoritarismo

02.04.2014
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 01/04/14
Por Carlos Castilho 

A imprensa e o Brasil perderam uma grande oportunidade para exorcizar o fantasma do autoritarismo durante a passagem dos 50 anos do golpe militar de 1964. Quase todas as reportagens e documentos jornalísticos a propósito da data primaram pela ênfase nas recordações, mas deixaram de lado a preocupação com a identificação dos processos e contextos que podem ameaçar novamente o nosso inacabado processo de redemocratização.
O ato de reavivar episódios que deixaram cicatrizes profundas em milhares de brasileiros é uma faca de dois gumes, como mostram vários outros episódios da história mundial. Se por um lado faz com que as novas gerações descubram algo que não presenciaram, por outro remexe com ressentimentos e ódios que o tempo não curou. Para os jovens, o golpe de 1964 é um evento suficientemente distante para não provocar grandes emoções, enquanto para quem viveu o medo e a dor física recordar traumas pode despertar uma raiva inútil.
Este é o dilema enfrentado por todo jornalista quando colocado diante da cobertura de uma data associada ao sofrimento de muita gente. Mas, em geral, a imprensa sempre opta pela saída mais fácil, que é a de relembrar o passado. As datas são um item da agenda do chefe de reportagem ou do editor, mas a rotina frenética das redações impede que os profissionais percebam que, mais do que fatos e imagens, estão em jogo sentimentos associados ao calendário.
Os protagonistas e testemunhas da história podem hoje tirar da própria experiência e sofrimento as indicações para que os mais jovens não repitam os mesmos erros e nem revivam os mesmos traumas. A grande contribuição da imprensa poderia ter sido a de valorizar o aprendizado com a história, em vez de apenas recordá-la. Perde-se uma oportunidade tentar entender o contexto de meio século atrás e ver quais as coincidências e discrepâncias em relação ao que vivemos hoje.
A derrubada do presidente João Goulart foi um movimento contra mudanças sociais e econômicas que ocorreu num contexto contraditório. Os reformistas, paradoxalmente, defendiam a continuidade do Estado de direito, enquanto os conservadores romperam com a ordem democrática para preservar o status quo econômico e a estratificação social.
Há algumas semelhanças na situação atual. A partir de 2002, o país passou a viver em clima de mudanças sociais e de redistribuição de renda. Passados doze anos, o impulso reformista perdeu força e passou a identificar-se com a ordem vigente, enquanto a oposição promete mudanças para voltar ao modelo econômico vigente até o início do governo Lula.
Novamente estamos vivendo um impasse entre reformas sociais e econômicas que enfrentam inevitáveis dificuldades em conciliar propósitos teóricos com realidades complexas, e setores políticos interessados na reconquista do poder. Quem testemunhou os tensos meses que antecederam o golpe militar, pode estar vivendo hoje, com alguma preocupação, sensações parecidas às de 50 anos atrás.
A história dificilmente se repetirá porque o tempo se encarregou de eliminar contextos como o que associou a crise de 1964 à Guerra Fria entre Estados Unidos e a então União Soviética. Também é muito pouco provável que os militares voltem a servir de guarda pretoriana para políticos e empresários. Mas o fantasma do autoritarismo continua presente na ostentação de força por efetivos policiais em nível federal, estadual e municipal, bem como nas milícias e serviços privados de segurança. 
A violação dos direitos individuais que em 1964 se expressou pelas prisões arbitrárias, tortura e eliminação física sumária, manifesta-se agora com as escutas ilegais, intimidação generalizada nas favelas, terror urbano e rural, bem como pela rotinização da violência nas cidades. São evidências de processos que continuaram, apesar dos anos, e cuja identificação seria mais útil para as gerações pós-64 do que relembrar histórias de uma época difícil.
A imprensa e as universidades são as únicas instituições que teriam possibilidade de evitar a contaminação pelas paixões e ódios para aprender com o passado e oferecer elementos para a reflexão dos atuais tomadores de decisões. A imprensa perdeu uma grande oportunidade para cumprir o seu papel e contribuir para possamos tirar do passado as lições que o presente nos está cobrando. Mas ainda é possível corrigir a falha.
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/posts/view/1964_faltou_exorcizar_os_fantasmas_do_autoritarismo

MANIPULAÇÃO DE JOAQUIM: Dirceu vai morrer na cadeia?

02.04.14
Do BLOG DO MIRO

Por Paulo Henrique Amorim, no blogConversa Afiada: 
Diz a Folha, aquela que inventou um telefonema do Dirceu, na pág. A7, que “Presidente do STF ordena fim de regalias a presos no DF”.


E que Barbosa quer que o Conselho Nacional de Justiça, que preside, reexamine a decisão de investigar o Juiz da Vara de Execuções Penais, que se deu “uma de Barbosa” e interrogou um governador.

Imagine, amigo navegante, se os tucanos em todos os seus mensalões fossem condenados pelo Supremo.

E que houvesse uma outra acusação contra os petistas e o Supremo decidisse, por 8 a 1, mandar o Dirceu para a Primeira Instância.

O que faria o PiG?

O Ataulfo Merval?

Provavelmente chamaria a Frota dos Presidentes Kennnedy e Johnson para fechar o Supremo!

Clique aqui para ler “PiG envenenou Jango, como envenena a Dilma”.

Pois, foi o que fizeram com o Dirceu e o Azeredo.

Dirceu não tinha privilégio de foro e foi trucidado no Supremo por ter domínio de fato sobre uma quadrilha inexistente e ter roubado dinheiro “público” de uma empresa privada.

Mas, desde o dia 15 de Novembro Dirceu está trancado na Papuda, embora tenha sido condenado ao semi-aberto.

O Ministro Lewandowski, na Presidência do Supremo, lhe concedeu o direito – LEGAL ! – de trabalhar.

Mas, Barbosa, de volta das férias, rasgou a decisão de Lewandowski.

Barbosa tem prazo para deixar Dirceu trabalhar ?

Não !

Há alguma obrigação legal que leve Barbosa a aplicar, desde já, e desde sempre, o tratamento de “semi aberto” a Dirceu ?

Não.

São essas as regalias do Presidente do Supremo.

João Paulo Cunha e Delúbio companheiros de cela de Dirceu, seráo transferidos para outras areas da Papua.

Dirceu vai ficar sozinho.

E Barbosa, do alto de suas “regalias”, pode dizer que ele vai ficar onde está e já goza do “semi-aberto”, porque trabalha na biblioteca da cadeia.

Barbosa pode tudo.

E ninguém fica indignado.

Barbosa realizou um trabalho perfeito.

Merece ser o Presidente Perpétuo do Innovare.

Barbosa interrompeu a carreira de três presidentes do PT e de um Presidente da Câmara.

Nem mil Ataulfos Mervais combinados a 1001 Lacerdas seriam capazes de tanto.

Ele, Barbosa, sim, fez por merecer a máxima regalia: o silêncio, a omissão, a conivência.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/04/dirceu-vai-morrer-na-cadeia.html

Golpista da Veja confunde ensino com apologia à ditadura

02.04.2014
Do BLOG DA CIDADANIA
Por  Eduardo Guimarães
Um vídeo se alastrou pela internet a partir do último dia 31 de março. Foi feito pelos alunos da Faculdade de Direito da USP, instalada no Largo de São Francisco, em São Paulo, desde 1903. Este post não se destina a divulgar esse vídeo, mas a expor fatos que sucederam sua divulgação.
O vídeo mostra protesto feito por estudantes contra o professor Eduardo Gualazzi, quem, no dia do aniversário do golpe de 1964, em vez de dar aula resolveu afrontar não só os seus alunos, mas o próprio Centro Acadêmico XI de agosto.
Para quem não sabe, o Centro Acadêmico XI de Agosto é o órgão representativo dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e recebe o nome “XI de Agosto” em homenagem à data da lei que criou as duas primeiras faculdades de Direito do Brasil, uma em São Paulo e outra em Olinda.
O XI de Agosto é o mais antigo centro acadêmico de Direito do país. Teve participação decisiva nas mais relevantes campanhas políticas nacionais, principalmente nos movimentos de defesa do Estado Democrático de Direito contra a ditadura militar que brotou do golpe de 1964.
O professor Gualazzi cometeu um desatino ao levar para leitura em sala de aula um texto de sua autoria intitulado “Continência a 1964”. O texto exalta a ditadura militar justamente em uma instituição cuja história se confunde com a luta contra essa ditadura.
A ligação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco com a luta contra o regime militar é tão forte que, enquanto Gualazzi fazia apologia àquele regime em sala de aula, o próprio reitor daquela instituição, José Rogério Cruz e Tucci, participava de protesto contra a ditadura a algumas centenas de metros daquela Faculdade.
A intenção de Gualazzi, portanto, foi claramente a de provocar. O que ele estava fazendo, quando sua “aula” foi interrompida pela manifestação dos alunos, não era ensinar. O texto que lia não continha fatos históricos, mas a sua opinião sobre a ditadura.
Professores dão opiniões em sala de aula em todos os níveis de ensino. Isso é comum. Todavia, qualquer professor que disser opiniões em classe corre sérios riscos.
Conto uma história para explicar como é perigoso um professor confundir suas opiniões com a matéria que é pago para ensinar aos seus alunos.
Há alguns anos, uma de minhas filhas, durante aula na faculdade, ouviu de uma professora críticas duras a blogueiros de esquerda e, surpresa das surpresas, também ouviu o nome de seu pai ser incluído na acusação de que tais blogueiros seriam “pagos pelo governo”. Obviamente que ela protestou com veemência na mesma hora e, depois, fez queixa formal da professora, que foi advertida pela faculdade.
Apesar de o vídeo em questão já ter sido muito visto, vale explicar, para quem não viu, que os estudantes organizaram um protesto à altura da ousadia do professor de afrontar não só a eles, mas à própria instituição em que leciona.
O protesto começou do lado de fora da sala de aula. Estudantes simularam gritos de pessoas sendo torturadas e depois entraram cantando em classe, todos vestindo capuzes iguais aos que eram colocados nos presos políticos que a ditadura torturou e/ou matou.
Quem quiser ficar em cima do muro pode dizer que os dois lados erraram. Ainda assim, terá que reconhecer que quem cometeu o primeiro erro foi o tal professor Gualazzi. Contudo, à luz do amplo repúdio (inclusive internacional) à ditadura militar iniciada em 1964, é difícil qualificar a reação dos alunos como um erro. Foi mera reação a uma afronta.
A razão deste post é a de rebater uma versão distorcida desses fatos que está sendo alardeada pela revista Veja através de seus colunistas, entre os quais Rodrigo Constantino. Ele publicou um post em seu blog, hospedado no portal da revista, em que afirma que o tal professor da USP foi “impedido de criticar o comunismo”.
Abaixo, o comentário de Constantino no portal da Veja:
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Vejam como agem os comunistas, esses seres jurássicos que ainda procriam e se espalham, colocando em xeque a teoria da evolução darwinista. São tolerantes, democratas, a favor do debate aberto. Só que não! São autoritários, intimidam quem pensa diferente, querem calar o contraditório no grito. Impediram uma aula sobre as tiranias vermelhas e o contexto de 1964. Invadiram a sala e humilharam o professor. É apenas assim que sabem agir: covardemente e em bando
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Ao fim deste post, o leitor que ainda não assistiu o vídeo em questão poderá assistir. Quem assistiu, sabe que o texto do professor Gualazzi não se destinou a criticar o comunismo e sim a fazer apologia da ditadura militar. O próprio título do texto (“Continência a 1964”) diz tudo.
Chega a ser bizarro que alguém que, como Constantino, apoia um regime cuja principal característica foi a censura por meios violentos se queixe do que enxerga como “censura”.
Aliás, o regime que Constantino defende não se valia de manifestações teatrais para censurar. Preferia métodos mais “eficientes”, tais como torturas, estupros, assassinatos. Sevícias inclusive a crianças e adolescentes diante dos pais, a esposas diante dos maridos etc.
Concluo externando a opinião deste blog sobre a iniciativa dos alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. É mais do que necessário que todos quantos possam não percam a oportunidade de denunciar a ditadura militar. Este país não pode mais conviver com apologias a um crime de lesa-humanidade como foi aquela ditadura.
Cada cidadão consciente dos horrores daquele período terrível de nossa história deve tomar para si a obrigação de não permitir que exaltem aquele processo criminoso desencadeado neste país há meio século. Pesquisas recentes sobre o que pensam os brasileiros mostra que estão divididos sobre o que aconteceu neste país. É inaceitável.
A ausência de denúncias contundentes sobre a violação da democracia e dos direitos humanos durante cerca de duas décadas é o que faz quase metade dos brasileiros julgarem de forma tão equivocada a ditadura militar.
Este blog, pois, exorta a todo aquele que sabe a verdade a que não aceite, de modo algum, apologias de quem quer que seja à ditadura. Pode ser amigo, parente, colega de trabalho etc. Se fizer apologia da ditadura deve ser contestado prontamente, mesmo ao custo da ruptura ou do esfriamento de sua relação com aquela pessoa.
Este blogueiro tem dito nas redes sociais que não tem o menor interesse em manter amizade ou qualquer outra relação com pessoas que apoiam o regime militar de 1964. Hoje há muita informação. Todos sabem dos crimes cometidos naquele período. Quem apoia aquilo, portanto, não presta. Não vale a pena manter relações com alguém assim.
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Assista, abaixo, ao vídeo citado no post:

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Interpelação de Gilmar Mendes
Informo que no último dia 31 de março foi protocolada no Supremo Tribunal Federal a ação inicial contra o ministro Gilmar Mendes. Por instruções dos advogados, por enquanto o Blog não divulgará publicamente o teor da inicial. As pessoas que participam da ação receberão por e-mail cópia do processo.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2014/04/golpista-da-veja-confunde-ensino-com-apologia-a-ditadur/