terça-feira, 1 de abril de 2014

CPI da Petrobras deve exigir o DARF da Globo na Fórmula-1

01.04.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 31.03.14

Um requerimento para CPI da Petrobras:

Considerando que a Petrobras é patrocinadora das transmissões da Fórmula 1 na TV Globo há anos;

Considerando que a TV Globo foi autuada em 2006 pela Receita Federal a pagar R$ 615 milhões devido à sonegação de Imposto de Renda na compra de direitos de transmissão da Copa de 2002 da FIFA através de operações em paraísos fiscais;

Considerando que os direitos de transmissão da Fórmula 1 que a TV Globo adquiriu junto à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) são operações tributáveis de forma igual ou semelhante às da transmissão da Copa;

A CPI da Petrobras deve exigir o DARF (Comprovantes de pagamento do Imposto de Renda) da Rede Globo para investigar se o processo de aquisição dos direitos de transmissão da Fórmula-1 desde a época do escândalo da FIFA em 2002 seguiu ou não o mesmo "modus operandi", já que é razoável pensar que empresas que fazem um planejamento tributário para uma operação, o siga para operações semelhantes.

Mesmo que o contrato da Petrobras seja apenas de patrocínio voltado à venda de produtos nos postos e reforço da marca, nada tendo a ver com contratos da emissora de TV com a FIA, a Petrobras, como empresa pública e patrimônio do povo brasileiro, tem responsabilidade social e compromissos com integridade. Precisa assegurar-se sobre a integridade dos eventos que patrocina para evitar ver sua marca associada indevidamente a eventuais escândalos de terceiros.

O vídeo acima é uma reportagem recente da TV Record sobre a autuação da Receita por sonegação no Imposto de Renda da TV Globo pelos direitos de transmissão da Copa da FIFA de 2002.
*****
Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/03/cpi-da-petrobras-deve-exigir-o-darf-da.html

Golpe de 64 e a imprensa: 50 anos depois, a manipulação continua

01.04.2014
Do blog VI O MUNDO, 31.03.14
Por por Luiz Carlos Azenha




Ao participar no sábado do evento TV Globo: Do Golpe de 64 à Censura Hoje, o professor Luiz Antonio Dias contou um pequeno causo. Ele descobriu nos arquivos da Unicamp pesquisas do Ibope, algumas das quais nunca divulgadas, demonstrando apoio a João Goulart, à política econômica de Goulart e às reformas de base propostas por ele. Pesquisas feitas em 1963 e às vésperas do golpe que derrubou o presidente constitucional, em 64.

Há alguns dias, o professor recebeu uma ligação de um jornalista de O Globo. Como estava na rua e não dispunha dos números exatos nas mãos, arredondou: disse que as reformas de Jango tinham cerca de 70% de apoio popular. No outro dia foi olhar no jornal e constatou: segundo o jornalista, 30% dos entrevistadosrejeitavam as reformas! Ou seja, o jornalista optou pelo viés negativo e cometeu um erro, já que o número real dos que rejeitavam era de 9% — os demais não sabiam ou não responderam.

É a manipulação de informações, versão 2014!

Vejamos outro caso:

O título acima, da Folha, reflete uma escolha editorial. Ênfase a algo dito pelo entrevistado que desqualifica a luta armada de resistência à ditadura. Muito mais importante, a meu ver, é esta afirmação, já que estamos tratando, 50 anos depois, de rever a História:


Por que não foi para o título? Porque chama atenção para o papel da mídia no golpe e, indiretamente, da própria Folha de S. Paulo.

Notem também a pergunta safada incluída na pesquisa do Datafolha:

Claramente, a pergunta é dos apoiadores do golpe e dos organizadores e financiadores da tortura na Operação Bandeirantes: iguala a tortura organizada e financiada pelo Estado, com apoio de empresários como Octávio Frias de Oliveira, a casos que a Folha não define quais são, de parte da resistência. Nojento!

Já o caderno do Estadão sobre o golpe fala em uma sociedade dividida, mas não é enfático ao definir a divisão: de um lado a elite brasileira, com apoio dos Estados Unidos, tendo como um dos principais conspiradores Júlio de Mesquita Neto; de outro, os trabalhistas e as reformas de base, dentre as quais — tremores no prédio do Estadão — a reforma agrária. 

O jornal escreve que deixou de apoiar os golpistas logo depois que eles adiaram as eleições de 65, como se isso diminuisse a responsabilidade do diário moribundo por incitar a quartelada.

Na palestra acima, que vale muito a pena ver, o professor Luiz Antonio Dias fala um pouco sobre este papel. Ele fez seu estudo de mestrado a respeito do papel da Folha e do Estadão nos meses que antecederam o golpe.

Conta de um caderno especial que saiu na Folha, antes do 31 de março, falando de um novo tempo que o Brasil viveria! Sugere, assim, que o jornal sabia antecipadamente que João Goulart seria derrubado.

Fala das notícias falsas plantadas na época  – por exemplo, a de que emissários de Moscou tinham estado com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes e que a revolução comunista começaria por Pernambuco.

Fala dos “tentáculos vermelho-amarelos” da propaganda anticomunista, que justificou a derrubada de Goulart.

O professor cita um argumento do jornal ao publicar uma notícia não confirmada: “Não sabemos bem ao certo, mas a fonte é segura”. Isso lembra muito o que escreveu a Folha sobre a ficha falsa da candidata do PT Dilma Rousseff publicada na primeira página durante a campanha eleitoral de 2010. Ao investigar,depois da publicação, afirmou o jornal que era impossível confirmar ou desmentir a informação.

Em resumo: 1964 é agora! Talvez de forma mais sutil, já que existem as redes sociais para desmentir, mas a omissão, a manipulação, a distorção e a falta de contexto continuam.

O professor também dá uma sapecada no historiador Marco Antonio Villa, o teórico da “ditacurta” que tem obtido grande espaço na Globonews.


Leia também:
*****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/golpe-de-64-e-a-imprensa-50-anos-depois-a-manipulacao-continua.html

Privataria: Ano a ano, os estragos que FHC fez na Petrobras

31.03.2014
Do BLOG DE UM SEM MÍDIA, 30.03.14


Em reação às crescentes manifestações contra a chamada CPI da Petrobras, criada pela oposição ao governo Lula, o senador Sérgio Guerra (PSDB/PE) disse que as críticas dos manifestantes vão “bater no vento”. “Não estamos atacando a Petrobras, estamos defendendo a empresa. Vamos atrás de gente que não merece estar nessa empresa. É desnecessária a forma como se deu o discurso ofensivo contra o PSDB, isso já compromete essa manifestação na sua origem”, avaliou Guerra, em matéria no Jornal do Brasil, dia 22 [de maio de 2009]. Para refrescar a memória do senador e demais entusiastas da CPI, Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), selecionou “Dez estragos produzidos pelo governo FHC no Sistema Petrobras”. 

Crimes sem castigo: Aepet denúncia dez estragos do governo FHC na Petrobras Fernando Siqueira, via Portal do Mundo do Trabalho em 26/5/2009 Estragos produzidos na Petrobras, pelo governo FHC, visando desnacionalizá-la. 1993Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobras, previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica. Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do Orçamento, fazendo com que se esquecessem da Petrobras. Todavia, isso causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento. 

1994Ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, Fernando Henrique manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos seis últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobras teve aumentos mensais, na sua parcela dos combustíveis, em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras de derivados teve, nas suas parcelas, aumentos de 32% acima da inflação. Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$3 bilhões do faturamento da Petrobras para o cartel dessas distribuidoras. A forma de fazer isso foi por meio dos dois aumentos mensais, que eram concedidos aos derivados, pelo fato da Petrobras comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado, em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobras sofria devido a essa desvalorização. Mais incrível: a Petrobras vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores, e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao Tesouro, no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros, em face da inflação galopante então presente. Quando o Plano Real começou a ser implantado, com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos, porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro.  

Print
1995 – Em fevereiro, já como presidente, FHC proibiu a ida de funcionários de estatais ao Congresso para prestar informações aos parlamentares e ajudá-los a exercer seus mandatos com respaldo em informações corretas. 

Assim, os parlamentares ficaram reféns das manipulações da imprensa comprometida. As informações dadas aos parlamentares no governo de Itamar Franco, como dito acima, haviam impedido a revisão da Constituição Federal com um claro viés neoliberal. Fernando Henrique emitiu um decreto, nº 1.403/95, que instituía um órgão de inteligência, o Sial, Serviço de Informação e Apoio Legislativo, com o objetivo de espionar os funcionários de estatais que fossem a Brasília falar com parlamentares. Se descobertos, seriam demitidos. Assim, tendo tempo de trabalho para me aposentar, solicitei a aposentadoria e fui para Brasília por conta da Associação. 

Tendo recursos bem menores que a Petrobras (que, no governo Itamar Franco, enviava 15 empregados semanalmente ao Congresso), eu só podia levar mais um aposentado para ajudar no contato com os parlamentares. Um dos nossos dirigentes, Argemiro Pertence, mudou-se para Brasília, às suas expensas, para ajudar nesse trabalho. Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi o pior contrato que a Petrobras assinou em sua história. FHC, como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, funcionou como lobista em favor do gasoduto. Como presidente, suspendeu 15 projetos de hidrelétricas em diversas fases, para tornar o gasoduto irreversível. Este fato, mais tarde, acarretaria o “apagão” no setor elétrico brasileiro. As empresas estrangeiras, comandadas pela Enron e Repsol, donas das reservas de gás na Bolívia, só tinham como mercado o Brasil. Mas a construção do gasoduto era economicamente inviável. A taxa de retorno era de 10% ao ano, enquanto o custo financeiro era de 12% ao ano.

Por isso, pressionaram o governo a determinar que a Petrobras assumisse a construção. A empresa foi obrigada a destinar recursos da Bacia de Campos, onde a taxa de retorno era de 80%, para investir nesse empreendimento. O contrato foi ruim para o Brasil pelas seguintes razões: mudança da matriz energética para pior, mais suja; ficar dependente de insumo externo dominado por corporações internacionais, com o preço atrelado ao do petróleo e valorada em moeda forte. Foi ruim para a Bolívia, que só recebia 18% pela entrega de uma de suas últimas riquezas, a mais significativa. Evo Morales elevou essa participação para 80% (a média mundial de participação dos países exportadores é de 84%) e todas as empresas aceitaram de bom grado.
FHC_Legado54A
E foi péssimo para a Petrobras que, além de tudo, foi obrigada a assinar uma cláusula de “Take or Pay”, ou seja, comprando ou não a quantidade contratada, ela pagaria por ela. Assim, por mais de dez anos, pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos, sem conseguir vender o gás no mercado nacional. 

Ainda em 1995, o governo, faltando com o compromisso assinado com a categoria, levou os petroleiros à greve, com o firme propósito de fragilizar o sindicalismo brasileiro e a sua resistência às privatizações que pretendia fazer. Havia sido assinado um acordo de aumento de salário de 13%, que foi cancelado sob a alegação de que o presidente da Petrobras não o havia assinado. Mas o acordo foi assinado pelo então ministro das Minas e Energia, Delcídio Amaral, pelo representante do presidente da Petrobras e pelo ministro da Fazenda, Ciro Gomes. Além disso, o acordo foi assinado a partir de uma proposta apresentada pelo presidente da Petrobras. 

Enfim, foi deflagrada a greve, após muita provocação, inclusive do ministro do TST, Almir Pazzianoto, que disse que os petroleiros estavam sendo feitos de palhaços. FHC reprimiu a greve fortemente, com tropas do exército nas refinarias, para acirrar os ânimos. Mas deixou as distribuidoras multinacionais de gás e combustíveis sonegarem os produtos, pondo a culpa da escassez nos petroleiros. No fim, elas levaram 28% de aumento, enquanto os petroleiros perderam até o aumento de 13%, já pactuado e assinado. Durante a greve, uma viatura da Rede Globo de Televisão foi apreendida nas proximidades de uma refinaria, com explosivos, provavelmente pretendendo uma ação de sabotagem que objetivava incriminar os petroleiros. 

No balanço final da greve, que durou mais de 30 dias, o TST estabeleceu uma multa pesada que inviabilizou a luta dos sindicatos. Por ser o segundo maior e mais forte sindicato de trabalhadores brasileiros, esse desfecho arrasador inibiu todos os demais sindicatos do país a lutar por seus direitos. E muito menos por qualquer causa em defesa da Soberania Nacional. Era a estratégia de Fernando Henrique para obter caminho livre e sangrar gravemente o patrimônio brasileiro. 1995 – O mesmo Fernando Henrique comandou o processo de mudança constitucional para efetivar cinco alterações profundas na Constituição Federal de 1988, na sua Ordem Econômica, incluindo a quebra do monopólio estatal do petróleo, por meio de pressões, liberação de emendas, barganhas e chantagens com os parlamentares. Manteve o presidente da Petrobras, Joel Rennó, que, no governo Itamar Franco, chegou a fazer carta ao Congresso Nacional defendendo a manutenção do monopólio estatal do petróleo, mas que, no governo FHC, passou a defensor empedernido da sua quebra.  

Petrobras_Investimentos2013A

As cinco mudanças constitucionais promovidas por FHC 

1. Mudou o conceito de empresa nacional. A Constituição de 1988 havia estabelecido uma distinção entre empresa brasileira de capital nacional e empresa brasileira de capital estrangeiro. As empresas de capital estrangeiro só poderiam explorar o subsolo brasileiro (minérios) com até 49% das ações das companhias mineradoras. A mudança enquadrou todas as empresas como brasileiras. A partir dessa mudança, as estrangeiras passaram a poder possuir 100% das ações. Ou seja, foi escancarado o subsolo brasileiro para as multinacionais, muito mais poderosas financeiramente do que as empresas nacionais. A Companhia Brasileira de Recursos Minerais havia estimado o patrimônio de minérios estratégicos brasileiros em US$13 trilhões. Apenas a companhia Vale do Rio Doce detinha direitos minerários de US$3 trilhões. FHC vendeu essa companhia por um valor inferior a um milésimo do valor real estimado. 

2. Quebrou o monopólio da navegação de cabotagem, permitindo que navios estrangeiros navegassem pelos rios brasileiros, transportando os minérios sem qualquer controle. 3. Quebrou o monopólio das telecomunicações, para privatizar a Telebrás por um preço abaixo da metade do que havia gasto na sua melhoria nos últimos três anos, ao prepará-la para ser desnacionalizada. Recebeu pagamento em títulos podres e privatizou um sistema estratégico de transmissão de informações. Desmontou o Centro de Pesquisas da empresa e abortou vários projetos estratégicos em andamento, como capacitor ótico, fibra ótica e tevê digital. 

4. Quebrou o monopólio do gás canalizado e entregou a distribuição a empresas estrangeiras. Um exemplo é a estratégica Companhia de Gás de São Paulo, a Comgás, que foi vendida a preço vil para a British Gas e para a Shell. Não deixou a Petrobras participar do leilão por meio da sua empresa distribuidora. Mais tarde, abriu parte do gasoduto Bolívia-Brasil para essa empresa e para a Enron, com ambas pagando menos da metade da tarifa paga pela Petrobras, uma tarifa baseada na construção do Gasoduto, enquanto que as outras pagam uma tarifa baseada na taxa de ampliação.

5. Quebrou o monopólio estatal do petróleo, por meio de uma emenda à Constituição de 1988, retirando o parágrafo primeiro, elaborado pelo diretor da Aepet, Guaracy Correa Porto, que estudava Direito e contou com a ajuda de seus professores na elaboração. O parágrafo extinto era uma salvaguarda que impedia que o governo cedesse o petróleo como garantia da dívida externa do Brasil. FHC substituiu esse parágrafo por outro, permitindo que as atividades de exploração, produção, transporte, refino e importação fossem feitas por empresas estatais ou privadas. Ou seja, o monopólio poderia ser executado por várias empresas, mormente pelo cartel internacional. 1996 – Fernando Henrique enviou o projeto de lei que, sob as mesmas manobras citadas, se transformou na Lei 9.478/97. 

Esta Lei contém artigos conflitantes entre si e com a Constituição Brasileira. Os artigos 3º, 4º e 21º, seguindo a Constituição, estabelecem que as jazidas de petróleo e o produto da sua lavra, em todo o território nacional (parte terrestre e marítima, incluído o mar territorial de 200 milhas e a zona economicamente exclusiva) pertencem à União Federal. Ocorre que, pelo seu artigo 26º – fruto da atuação do lobby, sobre uma brecha deixada pelo projeto de lei de FHC – efetivou a quebra do monopólio, ferindo os artigos acima citados, além do artigo 177 da Constituição Federal que, embora alterada, manteve o monopólio da União sobre o petróleo. Esse artigo 26º confere a propriedade do petróleo a quem o produzir. “O petróleo agora é vosso.” 1997 – Fernando Henrique criou a Agência Nacional do Petróleo e nomeou o genro, David Zylberstajn, que havia se notabilizado como Secretário de Minas e Energia do Estado de São Paulo, desnacionalizando várias empresas de energia por preços irrisórios, inclusive a Eletropaulo, vendida para a empresa americana AES que, para essa compra, lançou mão de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e não pagou. 

Cabe salientar que, dos recursos do BNDES, 50% são originários do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – e foram emprestados a empresas estrangeiras para comprar empresas nacionais, que demitiram, em média, 30% dos trabalhadores. Ou seja, o FAT foi usado para desempregar os trabalhadores. Zylberstajn, no ato de sua posse, com o auditório cheio de empresas estrangeiras ou de seus representantes, bradou: “O petróleo agora é vosso”. 

Empossado, iniciou os leilões de áreas, já com alguma pesquisa feita pela Petrobras, com tal avidez entreguista que os blocos licitados tinham áreas 220 vezes maiores do que a dos blocos licitados no Golfo do México. Zylberstajn, inicialmente, mandou que a Petrobras escolhesse 10% das áreas sedimentares, de possível ocorrência de hidrocarbonetos, nas 29 províncias onde ela já havia pesquisado, para continuar explorando por mais três anos, quando, se não achasse petróleo, teria que devolvê-las à ANP. Depois de 6 meses de exaustivos estudos, a Petrobras escolheu as áreas que queria. Surpreendentemente, Zylberstajn, aproveitando que a atenção do país estava voltada para a Copa do Mundo de futebol, em realização na França, retomou 30% dessas áreas que a Petrobras havia escolhido, sob rigorosos critérios técnicos, pelos seus especialistas. Assim, a Petrobras passou a ter direito de explorar apenas 7% do total das rochas sedimentares brasileiras. Esse prazo de três anos se mostrou inviável e foi estendido para cinco anos. Nós publicamos informativos mostrando que as multinacionais tinham oito 
anos de prazo contra os três da Petrobras.  

FHC_Legado58_Petrobras 1998 – A Petrobras é impedida pelo governo FHC de obter empréstimos no exterior para tocar seus projetos – a juros de 6% a.a. –, e de emitir debêntures que visavam à obtenção de recursos para os seus investimentos. FHC cria o Repetro, por meio do Decreto 3.161/98, que libera as empresas estrangeiras do pagamento de impostos pelos seus produtos importados, mas sem, contudo, dar a contrapartida às empresas nacionais. Isto, somado à abertura do mercado nacional iniciada por Fernando Collor, liquidou as 5 mil empresas fornecedoras de equipamentos para a Petrobras, gerando brutais desemprego e perda de tecnologias para o País. Essas empresas haviam sido criadas por meio do repasse de tecnologia que a Petrobras gerava ou absorvia. A presença do fornecedor nacional facilitava em muito a operação da empresa. 

Ainda em 1998, seis empresas multinacionais (duas delas comandaram a privatização da YPF Argentina – Merryl Linch e Gaffney Cline) passaram a ocupar o 12º andar do prédio da Petrobras (Edise) para examinar minuciosamente todos os dados da Companhia, sob o argumento de que se tratava de uma avaliação dos dados técnicos e econômicos necessários à venda de ações da Empresa, em poder do governo. 

Durante dois anos, essas empresas receberam todas as informações que quiseram dos gerentes da Petrobras, inclusive as mais confidenciais e estratégicas, de todas as áreas. Reviraram as entranhas da Companhia, de uma forma jamais realizada em qualquer empresa que aliene suas ações. 1999 – Muda-se o estatuto da Petrobras com três finalidades:
  1. permitir que estrangeiros possam ser presidentes da empresa (Philippe Reichstul);
  2. permitir a venda de ações para estrangeiros;
  3. retirar os diretores da empresa do Conselho de Administração, colocando em seu lugar representantes do Sistema Financeiro Internacional, como Jorge Gerdau Johannpeter (comandante do lobby para a quebra do monopólio), Roberto Heiss, Paulo Haddad e outros;
Reichstul inicia o mandato cancelando atabalhoadamente (propositalmente?) o contrato da empresa Marítima – fornecimento de seis plataformas para perfuração exploratória – um mês antes dela incorrer numa grave inadimplência. O cancelamento salvou a Marítima de pesadas multas e ainda deu a ela argumentos para processar a Petrobras, pedindo R$2 bilhões de indenização pelo incrível cancelamento. Ganhou em primeira instância. FHC_Legado60_Petrobras 

Reichstul viaja aos EUA com o ex-jogador Pelé e, juntos, fazem propaganda do lançamento e venda de ações da Petrobras em Wall Street; o governo vende, então, 20% do capital total da Petrobras, que estavam em seu poder. Posteriormente, mais 16% foram vendidos pelo irrisório valor total de US$5 bilhões. Como a “Ação Direta de Inconstitucionalidade” da Aepet contra o artigo 26, já mencionado, assinada pelo governador Roberto Requião (Paraná), foi derrubada, e a Petrobras é dona das reservas, em detrimento da União, esses acionistas incorporaram ao seu patrimônio um acervo de 10 bilhões de barris – 36% de 30 bilhões de barris nas mãos da Petrobras (incluindo 16 bilhões do pré-sal, já cubados) – os quais, pela Constituição pertencem à União. Como, agora, estamos no limiar do pico de produção mundial, o barril de petróleo, em queda temporária, vai ultrapassar os US$100, esse patrimônio transferido, gratuitamente, valerá mais de US$1 trilhão. 

Considerando que já existiam no mercado cerca de 20% das ações em mãos de testas de ferro, o governo, hoje, detém 54% das ações com direito a voto, mas apenas 40% do capital total da Petrobras (antes das mudanças, o governo detinha 87% do capital total da Companhia). O poder dos novos e felizardos acionistas de Wall Street os levam a exigir da Petrobras a quitação dos débitos que a Companhia tem com o Fundo de Pensão (Petros), de preferência pelo menor preço possível. Reichstul usa R$8 bilhões em títulos de longuíssimo prazo do governo (NTN tipo B, recebidos na privatização das subsidiárias da Companhia – prazos de 23 e 32 anos) e quita a dívida, financeiramente, mas não atuarialmente, pelo valor de face dos títulos. A Petrobras contabiliza a saída dos títulos por R$1,8 bilhão e o Fundo de Pensão os recebe por R$8 bilhões.
 
FHC_Legado61_Petrobras
Reichstul dobra o salário dos gerentes da Petrobras, amplia o número deles, e lhes dá poderes ilimitados para contratar empresas e pessoas. Ganha com isso o apoio para fazer todas as falcatruas que planejava. Desmonta a competente equipe de planejamento da Petrobras e contrata, sem concorrência, a Arthur De Little, empresa americana, presidida pelo seu amigo Paulo Absten, para comandar o planejamento estratégico da Companhia.

  Isto resulta numa série de desastres consecutivos. Entre eles, a compra de ativos obsoletos na Argentina, na Bolívia e em outros países. Os gerentes – cooptados – se fartam de contratar empresas e pessoas, sem controle. A terceirização atinge o estrondoso absurdo de 120 mil contratados, com nepotismo e corrupção, enquanto os empregados efetivos caem de 60 mil para cerca de 30 mil, seguindo a estratégia aplicada na Argentina, de enxugar para desnacionalizar. Abre-se acesso às entranhas da empresa para pessoas alocadas por empreiteiras e concorrentes estrangeiras.

  Reichstul tenta mudar o nome da empresa para Petrobrax, para facilitar a pronúncia dos futuros compradores estrangeiros. Causa uma reação de indignação nacional e recua. Mas segue a sua meta desnacionalizante e divide a empresa em 40 unidades de negócio, seguindo a proposta do Credit Suisse First Boston, apresentada ao Governo Collor, para a desnacionalização da Companhia. Pulveriza as equipes técnicas, desmantelando a tecnologia da empresa e preparando para, por meio do artigo 64 da Lei 9.478/97, transformar cada unidade de negócio em subsidiária e privatizá-las, como iniciou fazendo com a Refinaria do Rio Grande do Sul, a Refap.
 
FHC_Legado59_Petrobras
 
Essa privatização foi feita pela troca de ativos com a Repsol Argentina (pertencente ao Banco Santander, braço do Royal Scotland Bank Co.), onde a Petrobras deu ativos no valor de US$500 milhões – que avaliamos em US$2 bilhões – e recebeu ativos no valor de US$500 milhões, os quais, dois dias depois, com a crise da Argentina, passaram a valer US$170 milhões.

  A avaliação dos ativos foi feita pelo Banco Morgan Stanley, do qual Francisco Gros era diretor, acumulando, desde o início da gestão Reichstul, o cargo de membro do Conselho de Administração da Petrobras. Gros, segundo sua biografia publicada pela Fundação Getulio Vargas, veio para o Brasil, como diretor do Morgan Stanley, para assessorar as multinacionais no processo de privatização. Por meio de sindicalistas do Rio Grande do Sul, entramos com uma ação judicial na qual ganhamos a liminar, cassada, mas que interrompeu esse processo de desnacionalização.

  A gestão Reichstul levou a empresa a um nível de acidentes sem precedentes na sua história: 62 acidentes graves – em dois anos – contra a série histórica de 17 acidentes em 23 anos (1975 a 1998), segundo relatório publicado pelo Conselho Regional de Engenharia do Estado do Paraná.

  Nós pedimos investigação de sabotagem aos vários órgãos de segurança: Polícia Federal, Marinha, Procuradoria Federal. Não investigaram, mas os acidentes cessaram.

  2001 – Reichstul, desgastado, dá lugar a Francisco Gros, que, ao assumir a presidência da Petrobras, num discurso em Houston, EUA, declara que, na sua gestão, “a Petrobras passará de estatal para empresa privada, totalmente desnacionalizada”.

  Gros compra 51% da Pecom Argentina, por US$1,1 bilhão, embora a dita empresa tenha declarado, publicamente, um déficit de US$1,5 bilhão; cria um sistema para mascarar acidentes, nos quais os acidentados não os possam reportar; tenta implantar um plano de Benefício Definido no fundo de pensão – Petros.

  Faz, ainda, um contrato de construção de duas plataformas com a Halliburton, com uma negociação obscura, sem concorrentes, que resulta, além de um emprego maciço de mão de obra estrangeira, em dois atrasos superiores a um ano e meio. Esses atrasos fizeram com que, pela primeira vez na história da empresa, houvesse uma queda de produção, fato ocorrido em novembro de 2004. Apesar desses atrasos, a Halliburton não pagou multa e ainda ganhou cerca de US$500 milhões adicionais da Petrobras, em tribunal americano.

  Com a eleição de Lula para a Presidência da República, antes da sua posse, houve uma renegociação em massa dos contratos de serviço em andamento, com novos prazos, superiores a quatro anos, de forma a criar uma blindagem ao novo governo, impedindo as reanálises, renegociações ou revogações dos contratos feitos sem concorrência, incluindo empresas ligadas aos amigos de alguns gerentes do governo FHC.”

Fernando Siqueira é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras em 26/5/2009. 
*** 
Leia também:

Miguel do Rosário: Documentos comprovam que Astra pagou mais por Pasadena Alguns esclarecimentos importantes sobre Petrobras e Pasadena 
Lobos e cordeiros nos ataques especulativos à Petrobras 
Para ler, divulgar e guardar: O legado de FHC e outras “obras” 
Janio de Freitas: O mistério do futuro
O jogo pesado: Tirar a Petrobras de campo 
Sérgio Gabrielli explica a senadores detalhes da compra da refinaria nos EUA 
A história de Pasadena que a “grande mídia” não contou e o vídeo não editado pela Globo 
Ata confirma versão de Dilma sobre Pasadena Petrobras lança US$8,5 bilhões em bônus e demanda supera US$22 bilhões 
Petrobras bate rivais em todos os indicadores 
Petrobras bate novo recorde de produção no pré-sal 
Petrobras valia US$15,4 bilhões em 2003. Hoje vale R$214,6 bilhões. 
O que a mídia noticia 
Faz algum sentido tratar a Petrobras como uma empresa quebrada? 
Banco ataca e depois “enche o carrinho” de Petrobras 
Mídia golpista e PSDB noticiam: Petrobras tem “32% de chances de falir”. É? Então a Vale tem 59% 
“Consultores” da Folha criam o inédito: Maior campo do mundo é “problema para a Petrobras 
Lucro menor da Petrobras tem nome: investimento gigante 
Petrobras 60 anos, com meta de dobrar produção
Lula critica “bisbilhotice” de Obama sobre Dilma e a Petrobras 
Petrobras tem lucro de 40% mais que o “previsto”
“Bomba” da Época difamando a Petrobras é desmentida em 24 horas
Um recorde após outro: E a Petrobras está em crise? 
FHC ao FMI: “CEF, BB e Petrobras estão à venda.” 
Petrobras vai investir US$236,7 bilhões nos próximos cinco anos 
Petrobras responde à turma da Petrobrax 
PSDB debate Petrobras: É o partido da piada pronta
PSDB, da Petrobrax, ensina como gerir Petrobras 
Petrobras cala a boca do PIG nativo e internacional 
Stanley Burburinho: Entenda o motivo de a mídia golpista atacar a Petrobrax, quer dizer, Petrobras
Petrobras: Dilma terá de pagar dívida de R$4,7 bilhões deixada por FHC

  FONTES: Blogs Limpinho&Cheiroso e Cafézinho.
*****
Fonte:http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com.br/2014/03/petrobras-os-estragos-da-era-fhc.html

oão Vicente Goulart: Washington estava disposta a dividir o Brasil para garantir o golpe; coronel da reserva diz que dinheiro fez general mudar de lado

01.04.2014
Do blog VI O MUNDO, 31.03.14
Por  Luiz Carlos Azenha


João Vicente, ao lado do pai e da irmã, nos anos 60

Cinquenta anos depois do golpe de 1964, ainda há muitas vozes a ouvir, documentos a obter e avaliar e tramas a desenrolar.

Da direita midiática podemos esperar, sempre, muita fumaça. Por que? Porque ela, que se diz encarregada de informar a sociedade brasileira pairando nas nuvens da neutralidade, participou tanto da conspiração quanto do golpe — ou financiando, ou dando voz àqueles que derrubaram um presidente constitucional.

João Vicente Goulart, o filho do líder deposto, é hoje um homem de 57 anos de idade. Tinha, portanto, apenas 7 quando tudo aconteceu. Porém, talvez ninguém no Brasil tenha se preocupado tanto em entender a trama quanto ele, em nome da memória do pai.

Hoje João Vicente está convicto de que o pai poderia sair candidato nas eleições de 1965 e tinha forças políticas para fazê-lo. Ia enfrentar dois candidatos muito fortes, especialmente o ex-presidente Juscelino Kubistchek, mas também o direitista Carlos Lacerda.  Enquanto este foi golpista desde sempre, JK pairou sobre o muro, da mesma forma que Eduardo Frei fez no Chile antes do pichonetazo que matou Salvador Allende. Tudo por oportunismo político.

Porém, pesquisas da época demonstram que tanto Jango quanto sua política econômica quanto as reformas de base propostas por ele tinham alguma sustentação popular.

A direita brasileira, quando fala de 64, também costuma descartar a importância do apoio dado pelos Estados Unidos, alegando que afinal os norte-americanos nem precisaram intervir militarmente. O fato, porém, é que os golpistas só agiram como agiram por terem plena consciência de que contariam com o eventual apoio dos Estados Unidos.

Agora sabe-se que desde 1962 o presidente John Kennedy perguntava ao embaixador dos Estados Unidos no Rio, Lincoln Gordon, sobre possíveis ações contra Goulart. Fez isso, inclusive, em conversa gravada na Casa Branca.

Quem conhece a política dos Estados Unidos tanto quanto conheço, com 20 anos de experiência jornalística por lá, sabe que o grande fantasma de qualquer líder norte-americano, de qualquer partido, é ser visto como “fraco” em política externa.

George Bush, o pai, sofria do chamado “wimp factor” até autorizar a invasão do Panamá, mas nem isso nem a primeira guerra contra o Iraque foram suficientes para garantir a ele um segundo mandato — por causa do estado da economia, perdeu de Bill Clinton.

Harry Truman “perdeu” a China durante seu segundo mandato, mas não tinha nada a provar a ninguém àquela altura: tinha jogado bombas atômicas no Japão sob a alegação de que com isso o fim da Segunda Guerra, no Pacífico, seria acelerada.

Porém, justamente por ter “perdido” a China, não titubeou um segundo sequer na Coreia: despachou tropas norte-americanas para a Península sob a cobertura de uma força internacional da ONU.

A pressão sobre John Kennedy, quando este assumiu a Casa Branca, era enorme. Os generais queriam escalar a guerra no Vietnã — o que o substituto dele, Lyndon Johnson, faria –, mas Kennedy relutou. O fato de que não autorizou cobertura aérea dos Estados Unidos à má sucedida invasão da baía dos Porcos, em Cuba, custou a Kennedy ódio entre alguns falcões do Pentágono.

Perder o Brasil, para Kennedy, seria o mesmo que perder a China. Só que o Brasil ficava no que os norte-americanos viam como seu quintal.

É preciso olhar desta perpectiva para entender o engajamento dos Estados Unidos no golpe de 64, de forma aberta e encoberta.

É preciso entender que a cadeia de comando da Casa Branca sobre o Pentágono, indiscutível em público, é tênue nos bastidores. Oliver Stone, em seu documentário Untold History of the United States, chega a dizer que Kennedy sugeriu que corria o risco de tomar um golpe. Acabou assassinado.

Ninguém sabe exatamente o que aprontou Vernon Walters quando era adido militar da embaixada dos Estados Unidos no Rio, no mesmo período.

Walters era homem de inteligência. Foi o contato dos militares dos Estados Unidos com Castello Branco quando este serviu à Força Expedicionária Brasileira na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, sob comando do exército norte-americano.

Estive com Walters em Bonn, então capital da Alemanha Ocidental, quando ele era embaixador dos Estados Unidos no país. Gravamos sobre a FEB. O então diplomata fez muitos elogios a Castelo e contou causos sobre nossos pracinhas, que chegaram despreparados para o inverno europeu. Walters emprestou a eles os agasalhos usados pelos gringos.

Porém, quando tentei conversar sobre o golpe de 64, Walters calou-se. Falou generalidades. É óbvio que nunca admitiu que foi ele, Walters, quem intermediou a benção dos Estados Unidos a Castelo, “confiável” aos olhos de Washington.

Estou certo de que o nome de Walters se esconde nos documentos sobre o golpe já divulgados nos Estados Unidos (alguns dados são encobertos por tinta preta, por motivos de segurança).

É lógico que enquanto Gordon, o embaixador, cuidava do trânsito entre os civis, publicamente, Walters trabalhava os bastidores, em segredo.

Dinheiro sempre foi uma arma poderosa e é certo que, se um dos dois trabalhou pelo trânsito de dólares, foi o homem da espionagem.

Se alguma dúvida havia sobre a mudança do alinhamento internacional do Brasil depois do golpe, ela foi desfeita em 1965. O país de Jânio Quadros, que havia condecorado Che Guevara, ou de João Goulart, que visitara a China, mandou soldados brasileiros para apoiar os fuzileiros navais dos Estados Unidos que invadiram a República Dominicana. Foi para combater a reforma agrária e a nacionalização de empresas estrangeiras!

Do ponto-de-vista de Washington, valeu ou não a pena ter investido no golpe?

Leia também:

Golpe de 64 e a imprensa: 50 anos depois, a manipulação continua
*****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/vicente.html