sexta-feira, 14 de março de 2014

Quando a mídia passa a conspirar

14.03.2014
Do BLOG DO MIRO, 11.03.14

Por Luis Nassif, noJornal GGN:
O mês de aniversario do Golpe Militar de 1964 provocou uma explosão de manifestações, seminários e grupos de trabalho visando a esclarecer as circunstancias históricas e políticas daqueles episódios.
 
Até agora, no entanto, passou em branco o papel dos grupos de mídia no episódio.
 
*****

Os fundadores da democracia norte-americana pensaram em três instituições - Executivo, Judiciário e Legislativo - controlando-se através do sistema de freio e contrapesos. E a supervisão geral seria dos grupos sociais genericamente denominados de opinião publica que, pelo voto, escolheriam os governantes.

A instituição incumbida de sistematizar a informação e dar voz à opinião pública foram os jornais. A imprensa local se alastra pelos Estados Unidos proporcionando diversidade cultural, política e reforçando a crença no modelo instituído.

*****
 
As novas tecnologias provocam uma mudança radical no modelo.

Com o monopólio das transmissões de telégrafo, a Western Telegraph funda a primeira agência de notícias, a Associated Press, a consegue abrangência nacional. Usa o poder obtido para eleger em 1877 o presidente republicano Rutherford Hayes em um episódio retratado como “a fraude do século”.

*****

Depois, o avanço da telefonia permitiu a montagem das redes nacionais e aí, além da homogeneização da notícia e da opinião, os cabeças de rede traziam os grandes anunciantes nacionais. As redes de TM consolidam o modelo de empresa de mídia, um misto de jornalismo, show e marketing, que se transforma no mais influente formador de opinião não só nos EUA como no Brasil, superando a influência das igrejas, sindicatos e partidos políticos.

*****

Duas novas revoluções tecnológicas enfraquecem o modelo. A primeira, a da TV fechada. A segunda, muito mais ampla, da Internet, acabando com o cartel das concessões do espaço público.

*****

Em pelo menos três episódios de intensa politização da mídia, o que estava por trás eram as estratégias para enfrentar as novas tecnologias: o golpe de 64 no Brasil; a campanha contra Barack Obama, nas eleições norte-americanas; e a campanha sistemática dos grupos de mídia a partir de 2005.

*****

Nos anos 60, os grupos de mídia temiam o avanço de novos grupos através das redes de TV aberta. Nos anos 2010, o risco é a perda de controle para os grupos de telecomunicações e para as redes sociais.

*****

O australiano radicado nos EUA Rupert Murdoch definiu o modelo de atuação das empresas de mídia: lançar um candidato à presidência, desenvolver um discurso virulento (que foi pedir emprestado do grupo de ultra-direita Tea Party) e levar a disputa para o campo político. Barack Obama enfrentou a pior campanha difamatória da história dos EUA.

Esse modelo foi replicado no Brasil a partir da experiência de Roberto Civita na revista Veja. Nesse período, as empresas de mídia trouxeram de volta o fantasma da guerra fria, da suposta cubanização do Brasil, da ditadura do proletariado.

Menos do que uma guerra ideológica, essas campanhas denotavam apenas uma estratégia empresarial de um setor que foi irremediavelmente atropelado pelas novas tecnologias.

*****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/search?updated-max=2014-03-12T11:06:00-03:00&max-results=20&start=20&by-date=false

GOLPISTAS DE 64, VIVOS: Os militares que apoiam o golpe

14.03.2014
Do blog  CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

É preciso deixar bem claro para os militares que ainda não entenderam. A presidente da República é a comandante em chefe das Forças Armadas. Ela é a chefe suprema de vocês. Respeitem-na, ou então aguentem as consequências. 
 
Imagine um militar norte-americano, russo ou inglês, fazendo piadinhas ameaçadoras com o presidente de seus respectivos países? Na China, então, tenho pena do cara que fizesse isso.
 
Qualquer tentativa ou mesmo propaganda de sublevação ou derrubada de governo é um crime gravíssimo de ordem hierárquica, além de um atentado contra o povo brasileiro, o interesse nacional e o futuro das nossas crianças.
 
Exército, Marinha e Aeronáutica devem obediência irrestrita à Presidência da República, porque esta é a instituição que representa a soberania popular.
Numa democracia quem manda é o povo.
 
Alguém tem de martelar isso bem fundo na consciência de todo militar.
 
Quer ser militar? Tem de respeitar a presidente da República.
 
Militar não tem que se meter em política, porque não entende nada desse assunto. Militar tem o direito de votar, ponto final. Se quiser, vote no candidato que representa sua categoria, é máximo de política que pode fazer.
 
Além disso, é ridículo achar que os militares podem resolver o problema da corrupção no país. Foi justamente a ditadura militar uma das principais responsáveis pelas mazelas administrativas que temos hoje.
 
Estou falando isso porque os internautas estão começando a desvelar quem são os militares por trás da organização de páginas no Facebook que pregam a intervenção militar e fazem injúrias à chefe de Estado.
 
Alguns dos organizadores da Marcha pela Família estão reagindo com ameaças de morte aos que procuram explicitar suas contradições.
 
ScreenHunter_3474 Mar. 11 15.52

*****
Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/03/11/os-militares-que-apoiam-o-golpe/#sthash.vhlbVqqD.dpuf

Rico é menos taxado no Brasil do que na maioria do G20

14.03.2014
Do portal UOL
Por UOL ECONOMIA
 
Reclamar dos impostos é hábito comum da elite brasileira. Mas uma comparação internacional mostra que a parcela mais abastada da população não paga tantos tributos assim. Estudos indicam que são justamente os mais pobres que mais contribuem para custear os serviços públicos no país.
 
Levantamento da PricewaterhouseCoopers (PWC) feito com exclusividade para a BBC Brasil revela que o imposto de renda cobrado da classe média alta e dos ricos no Brasil é menor que o praticado na grande maioria dos países do G20 - grupo que reúne as 19 nações de maior economia do mundo mais a União Europeia.
 
A consultoria comparou três faixas de renda anual: 70 mil libras, 150 mil libras e 250 mil libras - renda média mensal de cerca de R$ 23 mil, R$ 50 mil e R$ 83 mil, respectivamente, valores que incorporam mensalmente o décimo terceiro salário, no caso dos que o recebem.
 
Nas três comparações, os brasileiros pagam menos imposto de renda do que a maioria dos contribuintes dos 19 países do G20.
 
Nas duas maiores faixas de renda analisadas, o Brasil é o terceiro país de menor alíquota. O contribuinte brasileiro que ganha mensalmente, por exemplo, cerca de R$ 50 mil fica com 74% desse valor após descontar o imposto. Na média dos 19 países, o que resta após o pagamento do imposto é 67,5%.
 
Já na menor faixa analisada, o Brasil é o quarto país que menos taxa a renda, embora nesse caso a distância em relação aos demais diminua. Quem ganha por ano o equivalente a 75 mil libras (cerca de R$ 23 mil por mês), tem renda líquida de 75,5% no Brasil e de 72% na média do G20.
 
As maiores alíquotas são típicas de países europeus, onde há sistemas de bem estar social consolidados, mas estão presentes também em alguns países emergentes.
 
Na Itália, por exemplo, praticamente metade da renda das pessoas de classe média alta ou ricas vai para os cofres públicos. Na Índia, cerca de 40% ou mais, assim como no Reino Unido e na África do Sul, quando consideradas as duas faixas de renda mais altas em análise.
 

Veja alguns dos brasileiros bilionários na lista da revista "Forbes"

 
Jorge Paulo Lemann, 74, é o bilionário mais rico do Brasil e o 34º no mundo. Sua fortuna é estimada em US$ 19,7 bilhões Leia mais Mastrangelo Reino/Folhapress

Carga alta

Apesar de a comparação internacional revelar que os brasileiros mais abastados pagam menos imposto de renda, a carga tributária brasileira - ou seja, a relação entre tudo que é arrecadado em tributos e a renda total do país (o PIB) - é mais alta que a média.
 
Na média do G20, 26% da renda gerada no país vai para os governos por meio de impostos, enquanto no Brasil o índice é de 35%, mostram dados compilados pela Heritage Foundation. No grupo, apenas os países da Europa ocidental têm carga tributária maior - França e Itália são as campeãs, com mais de 40%.
 
O que está por trás do tamanho da carga tributária brasileira é o grande volume de impostos indiretos, ou seja, tributos que incidem sobre produção e comercialização - que no fim das contas são repassados ao consumidor final.
 
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), impostos indiretos representam cerca de 40% da carga tributária brasileira, enquanto os diretos (impostos sobre renda e capital) são 28%. Contribuições previdenciárias são outra parcela relevante.
 
O grande problema é que esses impostos indiretos são iguais para todos e por isso acabam, proporcionalmente, penalizando mais os mais pobres. Por exemplo, o tributo pago quando uma pessoa compra um saco de arroz ou um bilhete de metrô será o mesmo, independentemente de sua renda. Logo, significa uma proporção maior da remuneração de quem ganha menos.
 
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), impostos indiretos representam cerca de 40% da carga tributária brasileira, enquanto os diretos (impostos sobre renda e capital) são 28%. Contribuições previdenciárias são outra parcela relevante.
 
O governo taxa mais a produção e o consumo porque esse tipo de tributo é mais fácil de fiscalizar que o cobrado sobre a renda, observa o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, João Eloi Olenike.
 
"De tanto se preocupar em combater a sonegação, o governo acaba criando injustiças tributárias", afirma.
 

Veja alguns bilionários da lista da "Forbes" em 2014                  

Bill Gates voltou a ser o homem mais rico do mundo em 2014 após quatro anos em segundo lugar, superando o mexicano Carlos Slim, de acordo com a revista "Forbes"; a fortuna do fundador da Microsoft é estimada em US$ 76 bilhões Leia mais Jean-Christophe Bott/AP

Concentração de renda

Os governos federal, estaduais e municipais administram juntos uma fatia muito relevante da renda nacional. Por isso, a forma como arrecadam e gastam tem impacto direto na distribuição de renda.
 
Se por um lado os benefícios sociais e os gastos com saúde e educação públicas contribuem para a redução da desigualdade, o fato do poder público taxar proporcionalmente mais os pobres significa que ao arrecadar os tributos atua no sentido oposto, de concentrar renda.
 
Um estudo de economistas do Ipea e da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, no Brasil, o Índice de Gini - indicador que mede a concentração de renda - sobe após a arrecadação de impostos e recua após os gastos públicos.
 
Segundo estimativas com dados de 2009, o índice era de 0,591, ao se considerar a renda original da população (antes do recebimento de benefícios sociais e tributos). O número recuava para 0,560 após o pagamento de benefícios como aposentadorias, pensões e Bolsa Família, mas subia novamente para 0,565 após considerar o pagamento de tributos.
 
O índice volta a cair após se analisar os impactos dos gastos públicos que mais reduzem a distribuição de renda são as despesas com saúde e educação, já que a maioria dos beneficiários desses serviços são os mais pobres. A partir de dados oficias sobre o uso desses serviços, os economistas estimaram que esses gastos públicos reduziam o índice de Gini para 0,479 em 2009.
 
O saldo geral disso tudo é que, após o governo arrecadar e gastar, a desigualdade de renda caía 19% naquele ano. Mas num país tão desigual, a queda precisa ser maior, afirma Fernado Gaiger, um dos autores da pesquisa: "O tributo tem uma função de coesão social".
 
Não há boas comparações internacionais recentes disponíveis para a questão, mas um estudo de anos atrás do Banco Mundial, indica que em países europeus a queda da desigualdade é de mais de 30% após a intervenção do Estado, mesmo sem se considerar os gastos em saúde e educação.
 

Conheça 10 solteiros na lista de bilionários da 'Forbes'11 fotos

O ranking de bilionários da revista "Forbes" neste ano traz 1.645 homens, dos quais apenas 3% não são casados. Namorando ou não (para a publicação, não faz diferença), 10 deles foram parar em uma lista dos solteiros mais ricos do mundo. Clique nas fotos acima e confira quem são Leia mais Arte/UOL

Mudanças nos impostos

Os quatro especialistas ouvidos pela BBC Brasil defenderam a redução dos impostos indiretos, que penalizam mais os pobres, e a elevação da taxação sobre renda, propriedade e herança. "Seria uma questão de justiça tributária", diz o especialista em contas públicas Mansueto Almeida.
 
Gaiger, por exemplo, propõe que haja mais duas alíquotas de Imposto de Renda - uma de 35% para quem ganha por mês entre R$ 6.000 e R$ 13.700 e outra de 45% para quem recebe mais que isso.
 
Hoje, a taxa máxima é de 27,5%, para todos que recebem acima de R$ 4.463,81. Muitos não sabem, mas essas alíquotas são "marginais". Ou seja, apenas a parcela da renda acima desse limite é tributado pela alíquota máxima, não a renda toda.
 
No entanto, os especialistas observam que embora seja justo ter mais alíquotas, isso não tem impacto relevante em termos de arrecadação, porque uma parcela muito pequena da população tem renda dessa magnitude. Segundo o IBGE, apenas 111.893 pessoas em todo o país disseram ao Censo de 2010 receber mais de R$ 20 mil por mês.
 
Para 2014, a previsão é de que a Receita Federal deixará de arracadar R$ 35,2 bilhões por causas de descontos e inseções desse tipo. Desse total, R$ 10,7 bilhões são deduções de gastos com saúde e R$ 4,1 bilhão de gastos com educação - somados equivalem a 13% do total dos gastos federais previstos para as duas áreas neste ano (R$ 113,6 bilhões).
Ampliar

Programa do IR 201414 fotos

Este guia do IR 2014 está dividido em nove temas (veja as abas no alto desta galeria de imagens: Programa, Início, Declaração, Atividade Rural, Ganho de Capital, Moeda Estrangeira, Renda Variável, Resumo e Envio). Escolha um desses itens e depois clique nas imagens para ver o passo a passo de cada tema. Ao final das imagens de um tema, clique em outro, no alto, para mudar de assunto Arte/UOL

Impostos de mais?

Apesar de ser lugar comum criticar o tamanho da carga tributária do Brasil, estudiosos do tema dizem que não há um número ideal.
 
O mais importante, defendem, é reduzir as possibilidades de descontos no Imposto de Renda. Hoje, por exemplo, é possível abater do imposto devido gastos privados com saúde e educação. Na prática, isso significa que o Estado está subsidiando serviços privados justamente para a parcela da população de maior renda, ou seja, que precisa menos. "É o bolsa rico", diz Gaiger.
 
"O tamanho da carga é uma escolha da sociedade. Se as pessoas quiserem serviços públicos universais e benefícios sociais, o recolhimento de impostos terá que ser maior. Se quisermos que o educação e a saúde seja apenas privada, por exemplo, a carga poderá ser menor", observa Samuel Pessoa, da FGV.
 
Na sua avaliação, a discussão mais importante não é a redução da carga tributária, mas mudar sua estrutura e simplificá-la, para diminuir as desigualdades e reduzir os custos das empresas com burocracia
*****
Fonte:http://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2014/03/14/rico-e-menos-taxado-no-brasil-do-que-na-maioria-do-g20.htm