Pesquisar este blog

quinta-feira, 6 de março de 2014

A reportagem que nunca foi escrita

06.03.2014
Do BLOG DO MIRO, 05.03.14


Por Luciano Martins Costa, noObservatório da Imprensa:
 
O noticiário policial dos jornais paulistas tem registrado, nos últimos dias, uma frequência preocupante de episódios de depredações e ataques em cidades do interior. Os incidentes têm sido vinculados, ainda que indiretamente, à decisão de colocar sob regime de isolamento os líderes da facção criminosa chamada Primeiro Comando da Capital, que cumprem penas em presídios de segurança máxima.

Nos quatro dias de carnaval, foram dezenas de ataques com coquetéis molotov contra veículos, principalmente ônibus, e prédios públicos e particulares em cinco cidades, com grande concentração no oeste e noroeste do Estado. Em algumas das ocorrências, chama atenção a presença de adolescentes, com idades entre 13 e 16 anos.

Com cautela, porta-vozes da Secretaria da Segurança Pública evitam afirmar que se trata de uma retaliação por conta do cerco ao chamado PCC. Somente em Campinas, catorze ônibus do sistema municipal de transporte foram depredados na madrugada de terça-feira (4/4). Durante o período de carnaval, chegou a 22 o total de veículos vandalizados.

No carnaval do ano passado, registraram-se apenas 6 ocorrências desse tipo, mas em 2011 a cidade havia sofrido nada menos do que 66 ataques a ônibus, o que complica a análise das causas.

Na cidade de Promissão, a 451 km de São Paulo, além de sete veículos também foi atacada a casa de um policial rodoviário. As outras cidades com ocorrências semelhantes foram Assis, Ourinhos e Santa Cruz do Rio Pardo.

Policiais ouvidos pela imprensa acham que a ação foi uma resposta a uma operação que resultou na apreensão de grande quantidade de drogas e na prisão de 199 suspeitos na região. Em outra reportagem, o Estado de S. Paulo divulga relatório do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, órgão da ONU, no qual se revela que o consumo de cocaína no Brasil mais do que dobrou em dez anos. Além de fundamental na rota da droga produzida nos países andinos, nosso país se tornou um dos maiores consumidores, com um volume quatro vezes superior à média mundial.

Quem financia?

Há uma relação direta entre os incidentes no interior paulista e indicadores de consumo de drogas, embora não explicitada nas reportagens: o lucro dos traficantes é tão elevado e seus negócios tão consolidados que toda ação policial de grande escala produz um efeito semelhante ao das crises que abalam as bolsas de valores.

Em alguns casos, a apreensão de grandes quantidades, como ocorreu na véspera do carnaval, quando a polícia recolheu 300 quilos de drogas na sede da Torcida Organizada do Palmeiras, em São Paulo, provoca um rearranjo no sistema de distribuição e o imediato aumento de preços.

As reportagens sempre remetem a dificuldades do governo paulista com o sistema do crime organizado, principalmente em relação ao chamado PCC. Mas o noticiário fragmentado dissimula o principal eixo da questão: falta uma política nacional capaz de controlar o fluxo de drogas através do país, e não há como escapar à responsabilidade da aliança política liderada pelo PT, que domina o poder Executivo desde 2003: os dados da ONU sobre a expansão do mercado das drogas no Brasil, em índices superiores aos do consumo mundial, nesse período, não deixam margem para desculpas.

O desembargador aposentado Walter Maierovitch, certamente o brasileiro mais familiarizado com a questão do crime organizado e ex-titular da Secretaria Nacional Antidrogas, costuma dizer que as operações policiais espetaculares são apenas isso: espetáculos. Na sua opinião, os anúncios de grandes apreensões de substâncias ilícitas apenas sinalizam para o mercado do crime que é hora de aumentar preços. O grande desafio, observa, é atacar as finanças das quadrilhas.

De fato, o leitor nunca encontra respondida nos jornais, a pergunta: a quem pertencem as drogas apreendidas? Por exemplo, quem era o dono dos 445 quilos de pasta-base de cocaína que foram apreendidos num helicóptero que pertence ao deputado mineiro Gustavo Perrella, do partido Solidariedade?

Mas há uma questão ainda mais importante: quem financia o narcotráfico? Repórteres investigativos que foram atrás dessa pauta nos últimos trinta anos esbarraram em delegados de polícia, políticos, empreendedores imobiliários, oficiais da Polícia Militar, donos de casas de prostituição, bicheiros e exploradores de jogos clandestinos – chegaram perto até mesmo de um empresário do setor de educação.

Mas essa segue sendo a reportagem que nunca foi escrita.

*****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/03/a-reportagem-que-nunca-foi-escrita.html

Venezuela: os filhotes da reação

05.03.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 04.03.14
Por Luis Hernández Navarro

Os vínculos entre os jovens dirigentes estudantis venezuelanos e agências de cooperação de direita vão muito mais além da aliança Otpor/Canvas.     

Arquivo
Lorent Saleh é um jovem venezuelano de 25 anos, de língua flamejante, que estudou comércio exterior. É uma das cabeças visíveis da coalizão para derrubar o presidente Nicolas Maduro. Ele dirige a Organização Operação Liberdade, que aponta o castro-comunismo cubano como o principal inimigo da Venezuela.

Lorent começou seu trabalho contra a revolução bolivariana em 2007. Desde então, ele não desiste. Promoveu greves de fome e campanhas para denunciar as “mentiras de Chávez”. Embora tenha abandonado as salas de aulas há anos, ainda se apresenta como um líder estudantil. E, ainda que não tenha nenhum emprego conhecido, viaja pela América Latina para tentar isolar o governo de Maduro.

O jovem Saleh tem bons amigos em diversos países. Na Colômbia, por exemplo, é cobiçado e promovido pela Aliança Nacionalista pela Liberdade e Terceira Força, agrupações neonazistas (El Espectador, 21/7/2013).

 Vanessa Eisig é uma simpática jovem ruiva de 22 anos, que usa óculos e se descreve em sua conta no Twitter como uma “guerreira de luz e bígama, casada com minha carreira e com a Venezuela”. Estuda comunicação na Universidade Andrés Bello e confessa que, ao participar dos protestos, sente que está fazendo história. Vanessa é militante da Juventude Ativa Venezuela Unida (JAVU). Exige a deposição do “usurpador” Nicolás Maduro e de todo o seu gabinete. A organização tem como emblema um punho direito de cor brança que, segundo ela, “é símbolo de resistência e de crítica ao socialismo”.

JAVU, que promove a Operação Liberdade, desempenhou um papel relevante nos distúrbios de rua das últimas semanas na Venezuela. Fundada em 2007, a organização se define como uma plataforma juvenil de resistência, que busca derrubar os pilares que sustentam um governo que “menospreza a Constituição, atinge nossos direitos e entrega nossa soberania ao comando dos decrépitos irmãos Castro”.

Em seu comunicado de 22 de fevereiro deste ano, a JAVU denunciou que forças estrangeiras sitiaram militarmente a Venezuela. “Seus mercenários nos atacam de maneira vil e selvagem. Seu objetivo é nos escravizar”. Para conseguir sua liberdade, assinalam, é vital defender a soberania da nação expulsando os comunistas cubanos que estão usurpando o governo e as Forças Armadas.

A JAVU está inspirada e mantém estreita relação com Otpor (Resistência) e com o Centro para a Aplicação de Ações e Estratégias Não-Violentas (Canvas, na sigla em inglês). Otpor foi um movimento estudantil criado na Sérvia para remover do governo o presidente Slobodan Milósevic em 2000, que recebeu financiamento de agências governamentais dos Estados Unidos. Canvas é a face renovada de Otpor.

  O guru desses grupos é Gene Sharp, que reivindica a ação não violenta para derrubar governos. Sharp fundou o Instituto Albert Eisntein, promotor das chamadas revoluções coloridas em países que não estão alinhados aos interesses da OTAN e de Washington.

Documentos divulgados por Wikileaks tornaram público que Canvas – presente na Venezuela desde 2006 – elaborou para a oposução desse país um plabo de ação, no qual propõe que os grupos estudantis e os atores não formais são os mais capacitados a construir uma infraestrutura e explorar sua legitimidade na luta contra o governo de Hugo Chávez.

A relação entre JAVU, Otpor e Canvas é muito estreita. Como confessou Marialvic Olivares, militante de um grupo de extrema direita: as organizações internacionais que estão nos ajudando neste momento sempre estiveram conosco, não somente apoiando os protestos, mas também ajudando na formação. Sempre nos estenderam a mão. Não temos vergonha nem medo de dizê-lo.

Mas os vínculos entre os jovens dirigentes estudantis venezuelanos e os think tanks e agências de cooperação de direita vão muito mais além da aliança com Otpor/Canvas. Diversas fundações estadunidenses financiam abertamente o movimento dissidente. Também contam com o apoio do Partido Popular, da Espanha, e da organização de juventude de Silvio Berlusconi, da Itália.

 É o caso do jovem advogado Yon Goicoechea, estrela rutilante dos protestos de 2007, e que agora estuda na Universidade Columbia, depois de se filiar ao partido de Henrique Capriles e de abandoná-lo quando não lhe deram o cargo que queria. Em 2008, foi generosamente recompensado por seu compromisso de luta contra Chávez. O Instituto Cató deu a ele o prêmio Milton Friedman para a Liberdade, no valor de meio milhão de dólares.


Outra força que desempenha um papel relevante na tentativa de derrubar Maduro é o Movimento Social Universitário 13 de Março, organização estudantil que atua na Universidade dos Andes.
 
 Seu dirigente mais conhecido é Nixon Moreno, ex-estudante de Ciências Políticas, acusado de violentar a policial Sofia Aguilar, e que hoje está foragido e exilado no Panamá.

Estes jovens sabem o que fazem: promover a desestabilização política. Recebem financiamento internacional. Militam nas fileiras da extrema-direita e do anticomunismo. São xenófobos. Estão vinculados com organizações neonazistas e conservadoras em vários países. E marcham lado a lado com políticos da direita radical como Leopoldo López, María Corina Marchado e Antonio Ledezma.

Apesar de contar com todos esses apoios, Lorent Saleh, da Operação Liberdade, se lamenta: “Estamos tremendamente sós”. Em parte tem razão. Entre os jovens latinoamericanos não despertam simpatia nem solidariedade. Pelo contrário, suscitam desconfiança e repúdio. É por que sua plumagem está à vista. Sua causa não tem nada a ver com o ideário do movimento estudantil popular mexicano de 1968, por exemplo. Não por acaso, receberam o repúdio público dos estudantes chilenos. Para eles, os filhotes da reação na Venezuela são inaceitáveis.
 
Tradução:Louise Antonia León

*****
Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Venezuela-os-filhotes-da-reacao/6/30399

Cantanhêde e Sheherazade: verso e reverso da insensatez, do preconceito e da fanfarronice

05.03.2014
Do Blog Palavra Livre
Por Davis Sena Filho

  
Quando vejo e leio informações sobre o que pensaram(?) e disseram as senhoras jornalistas Eliane Cantanhêde e Rachel Sheherazade não fico abismado e muito menos surpreso. Apenas me pergunto o porquê de um site de política tão importante como o Brasil 247 dá tanta atenção ao que afirmam duas jornalistas sem qualquer noção de civilidade e solidariedade, que vomitam seus preconceitos e perversidades, porque são simplesmente favoráveis ao fim do projeto de País do PT, partido trabalhista que apostou no crescimento do Brasil, por intermédio de pesados investimentos em programas sociais e infraestrutura.

Porque, se alguém parar e pensar com clareza e de forma pontual vai perceber, quase que instantaneamente, que pessoas elitistas, preconceituosas e intolerantes como essas duas meninas já com certa idade não têm a importância política e jornalística que pensam ter e muito menos influenciam no que é relativo ao caminho que a maioria do povo brasileiro escolheu para trilhar, que se resume na busca, intermitente, do seu desenvolvimento social e econômico e da continuação de um programa de Governo apresentado há quase 12 anos à população brasileira, que hoje parte dela se mostra insatisfeita, porque teve acesso a muitas coisas até então “proibidas” e, como gostou das novas experiências, agora quer ter mais.

Querer mais e reivindicar pacificamente ou violentamente, como ocorreram com as manifestações “pacíficas”, “apartidárias” e “apolíticas”, que somente a imprensa mentirosa e de negócios privados viu e ainda vê por conveniência política, ao tempo que teve que cobrir os protestos de helicóptero, porque, do contrário, apanhava nas ruas, não significa que a maioria dos brasileiros quer mudanças políticas e partidárias, como, por exemplo, colocar novamente na cadeira da Presidência da República um tucano neoliberal e que, conforme os anteriores, não tem compromisso com o povo brasileiro e, sim, com os privilegiados inquilinos da escravagista casa grande.

A verdade é que o povo pobre, os trabalhadores, a classe média que recentemente melhorou de vida sabe o que quer. Esses grupos ascenderam socialmente e passaram a ter acesso ao consumo, sendo que muitos de seus filhos ingressaram nas escolas técnicas, nas universidades públicas e, consequentemente, conquistaram melhores empregos e passaram a receber salários mais dignos, bem como perceberam que o direito de comprar, de frequentar restaurantes e shoppings, além de ocupar os saguões dos aeroportos, espaços historicamente ocupados pela burguesia, transformou-se em parte de sua rotina.

Os burgueses e os pequenos burgueses que se revoltam, babam de ódio e demonstram desavergonhadamente todo o preconceito e o desprezo adquiridos durante a vida e herdados de seus ancestrais, como nos casos deSheherazade e Cantanhêde, a primeira imbecilmente a clamar pela volta dos militares e a apoiar a Marcha da Família, prevista para ser realizada em março em São Paulo (sempre São Paulo); e a segunda, depois de fazer um passeio de madame coxinha no exterior, desembarca em aeroporto e lamenta, mais do que as obras e as reformas, a aglomeração de pessoas, a maioria de classe média e média baixa, fato este que, certamente, causa urticária, danos psicológicos e muita raiva até se transformar em ira à madame, pessoa que se acha fidalga e com trejeitos nobiliárquicos. Durma-se com um barulho desses.

Cantanhêde é a Danuza Leão que não suporta ver porteiro em Nova Iorque. E a Sheherazade é a perversa elite branca do Nordeste e que vem para o “Sul Maravilha”, a convite do magnata bilionário Sílvio Santos, dar uma de paladina da moral e dos bons costumes, só que, sem entrar no mérito, comporta-se como uma cangaceira, a fomentar discórdia e a aplaudir até linchamento de ladrãozinho como ocorreu no episódio do garoto que foi preso a um poste por uma trava de segurança de automóvel.

São, realmente, duas pessoas sem discernimento sobre o que acontece e o que já aconteceu no Brasil, a exemplo do golpe de 1964 e até mesmo da escravidão, como lembrou o triste e lúgubre episódio do rapaz preso ao poste. É incrível e por isso surreal que duas pessoas que tiveram todas as oportunidades para vencer na vida tenham mentalidades tão obtusas, baseadas em pseudas teorias de uma pretensa superioridade de classe, como se o mundo pertencesse apenas a algumas pessoas que se autoproclamam donas das razões e de todo dinheiro que se tem para ganhar em qualquer mercado, atividade, segmento e profissão.

Em contraponto a essa farsa ou fraude que são os valores e princípios preconcebidos por gente perversa e dada à estratificação da sociedade em castas sociais, surge com força um Brasil disposto a valorizar o trabalho e a distribuir renda e riqueza ao rejeitar a antiga trapaça de que é preciso fazer crescer o bolo para depois dividi-lo. Nada disso. O Brasil cresceu economicamente e socialmente, de forma exponencial, e essa realidade foi como um soco na ponta do queixo da direita brasileira herdeira da escravidão e acostumada a dominar o poder e a ter a imprensa alienígena como porta-voz de seus interesses, que geralmente não coadunam com os do País de ser totalmente independente e com um povo definitivamente emancipado.

Eliane Cantanhêde e Rachel Sheherazade são apenas marionetes replicantes de uma “elite” decadente e que quer a volta de um sistema econômico neoliberal e voltado a apenas a atender os ricos deste País e do exterior. Lutam para que o Brasil volte a ser de poucos, como se fosse um clube VIP para a burguesia se locupletar e se divertir enquanto o restante maior da população fique a ver navios e a mendigar para ter um simples emprego, como ocorreu no (des)governo de FHC — o Neoliberal I —, aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos, porque o Brasil quebrou três vezes.

Quando resolvo ler alguma coisa, geralmente não muito realista e inteligente de Cantanhêde, ou ouvir, o que é muito raro, o palavreado desconexo e desconcatenado de Sheherazade, custo acreditar que essas pessoas utilizem meios de comunicação de concessão pública e fiquem a propagar a desestabilização do sistema democrático, a convocar marchas golpistas e a aprovar, por exemplo, os quebra-quebras ocorridos neste País e que culminaram com a morte do cinegrafista da Rede Band

A importância jornalística e a influência política das jornalistas é nenhuma. Apenas são provocadoras e contam com as controvérsias e os antagonismos para criarem crises e confusões artificiais, em nome do establishment e de seus patrões. Eliane Cantanhêde e Rachel Sheherazade são o verso e o reverso da insensatez, do preconceito e da fanfarronice. É isso aí.  
*****
Fonte:http://davissenafilho.blogspot.com.br/2014/03/cantanhede-e-sheherazade-verso-e.html

Documento revela plano para derrubar o governo da Venezuela

06.03.2014
Do blog VI O MUNDO, 05.03.14

Carmona substituiu Chávez por três dias. Quem virá agora?

Agentes de desestabilização

Washington busca a troca de regime na Venezuela

Tanto os protestos organizados quanto os problemas econômicos contra os quais os manifestantes protestam parecem ter sido orquestrados pela oposição com o objetivo de desestabilizar o país e derrubar o governo. Incapaz de ganhar o poder através do voto, a oposição venezuelana voltou-se para meios inconstitucionais para derrubar o presidente Nicolas Maduro.

Com apoio apenas limitado dos venezuelanos, a oposição se tornou dependente de ajuda externa dos Estados Unidos e da Colômbia, o aliado mais próximo dos Estados Unidos na América Latina. Os atuais protestos parecem representar a tática mais recente da campanha de desestabilização que Washington vem desenvolvendo contra a Venezuela por mais de uma década, inicialmente para derrubar o presidente Hugo Chávez e agora para derrubar seu sucessor, Maduro.

Desde o mês passado, manifestantes em várias cidades venezuelanas tem protestado contra os blecautes de energia e a falta de produtos básicos de alimentação. Mais de uma dúzia de pessoas morreram nos protestos. Enquanto eles são descritos pela mídia corporativa como manifestações espontâneas resultantes da crescente frustração com a incapacidade do governo de gerenciar a economia, um documento estratégico recentemente revelado sugere que os protestos são a tática mais recente da antiga estratégia de desestabilização orquestrada pela oposição com forças externas.

O documento, que foi obtido e publicado pela advogada Eva Gollinger, ilustra como as correntes manifestações na Venezuela foram orquestradas. Ele foi escrito pela FTI Consulting*, empresa baseada nos Estados Unidos, com duas organizações colombianas (Fundación Centro de Pensamiento Primero Colombia e a Fundación Internacionalismo Democrático) numa reunião de junho de 2013. Mark Feierstein, chefe das operações latino-americanas da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) e líderes da oposição venezuelana, incluindo Maria Corina Machado, Julio Borges e Ramon Guillermo Avelado participaram da reunião.

O documento pede o restabelecimento da democracia na América Latina colocando como alvos os líderes políticos “pseudo-progressistas” da Venezuela. De acordo com o texto, “o plano, aprovado por consenso com representantes valorosos da oposição ao governo de Nicolas Maduro, foca nestes objetivos com o forte apoio de várias personalidades globais, com o objetivo de retornar a Venezuela à verdadeira democracia e independência, que foram sequestradas por 14 anos”.

Em seguida propõe quinze ações, incluindo uma que diz “manter e aumentar a sabotagem que afeta os serviços para a população, particularmente o sistema elétrico, o que resulta em culpa do governo por ineficiência e negligência”. Outra ação busca “aumentar os problemas com a escassez de produtos da cesta básica”.

O documento vai adiante para especificar ações violentas de desestabilização, sugerindo “quando possível, a violência deve causar mortos e feridos. Encorajar greves de fome longas, mobilizações de massa, problemas em universidades e outros setores da sociedade agora identificados com instituições do governo”.

O plano também pede o recrutamento de “jornalistas e repórteres venezuelanos e internacionais da CNN, New York Times, New York Post, Reuters, AP, EFE, Miami Herald, Time, BBC, El Pais, Clarin, ABC e outros”.

Finalmente, o plano pede a membros da oposição que “criem situações de crise nas ruas para facilitar a intervenção de forças norte-americanas e da OTAN, com apoio do governo da Colômbia”.

O documento estratégico propõe um calendário de seis meses para as ações. É interessante que os atuais protestos começaram sete meses depois do plano ter sido desenvolvido.

O presidente Maduro, como seu predecessor Chávez, tem alegado repetidamente que as elites econômicas da oposição, que controlam a produção privada de alimentos, tem deliberadamente criado falta de produtos básicos ao cortar a produção, estocar alimentos e exportar para a Colômbia, criando a impressão de que o governo está gerenciando erradamente a economia e gerando protestos civis. O plano estratégico claramente sugere que a oposição joga um papel na criação da falta de alimentos e nos blecautes elétricos, ambos atribuídos publicamente a mau gerenciamento do governo.

As três entidades que aparecem no título do documento tem relação próxima com Washington. A FTI Consulting é uma empresa global de gerenciamento de risco baseada na região de Washington, enquanto as outras duas, baseadas em Bogotá, destacam o papel do ex-presidente colombiano Alvaro Uribe, um linha-dura que foi o aliado mais próximo de Washington na América Latina durante seus oito anos no poder (2002-2010).

Embora a estratégia não se refira ao governo dos Estados Unidos diretamente, levanta questões sobre a possibilidade da empresa norte-americana de consultoria e de duas organizações colombianas estarem atuando de forma encoberta em nome do governo dos Estados Unidos. Tal estratégia estaria de acordo com a longa campanha de desestabilização de Washington contra a Venezuela com o objetivo de conseguir mudança de regime. A campanha envolveu apoio ao golpe militar de abril de 2002 que derrubou o presidente Chávez**.

O plano fracassou quando o maciço apoio popular a Chávez forçou o exército venezuelano a reinstalar o líder eleito democraticamente três dias depois.

Depois do fracasso do golpe, Washington intensificou suas tentativas para desestabilizar a Venezuela ampliando o apoio às forças de oposição sob a desculpa de “promover a democracia”.

Pouco depois do golpe fracassado, Maria Corina Machado, uma importante líder da oposição envolvida no golpe, formou a organização não-governamental Súmate para organizar e promover o referendo revogatório para tirar Chávez do poder. Os Estados Unidos financiaram a Súmate através da USAID e doNational Endowment for Democracy (NED).

A Súmate se encaixava bem no NED, que foi estabelecido em 1983 para “promover a democracia” e organizações da “sociedade civil” no exterior. Na verdade, os objetivos do NED tem sido os de dar financiamento para forças políticas pró-Estados Unidos na América Latina, África e Ásia de forma a enfrentar governos que desafiam interesses dos Estados Unidos. Com este objetivo, o NED assumiu o papel de desestabilização antes jogado pela CIA em países como o Chile, nos anos 70.

Alan Weinstein, um dos fundadores do NED, disse em 1991: “Muito do que fazemos era feito 25 anos atrás de forma clandestina pela CIA”.

Depois que o referendo revogatório fracassou na remoção de Chávez do poder, em 2004, os Estados Unidos ampliaram ainda mais seu apoio à oposição e às tentativas de enfraquecer o governo venezuelano.

Um telegrama secreto mandado pela Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela a Washington, que foi publicado pelo Wikileaks, se refere ao papel do Office of Transition Initiatives (OTI), da USAID.

De acordo com o telegrama, “o embaixador definiu a estratégia de 5 pontos da equipe no país para guiar as atividades da embaixada na Venezuela no período 2004-2006… Os focos da estratégia são: 1) Fortalecer Instituições Democráticas, 2) Penetrar a Base Política de Chávez, 3) Dividir o Chavismo, 4) Proteger Negócios Vitais dos Estados Unidos, e 5) Isolar Chávez Internacionalmente”.

O telegrama segue notando que “este objetivo estratégico representa a maior parte do trabalho da USAID/OTI na Venezuela… Os parceiros da OTI estão treinando ONGs para se tornarem ativistas… 39 organizações focadas em ações públicas foram formadas desde a chegada do OTI; muitas destas organizações como resultado direito de programas e financiamento do OTI”.

O telegrama destaca como era a estratégia dos Estados Unidos de infiltrar a então base primária de apoio de Chávez entre os pobres: “Um mecanismo eficaz de controle chavista aplica vocabulário democrático para apoiar a ideologia revolucionária do bolivarianismo. 

O OTI vem trabalhando para enfrentar isso através de um programa de educação cívica chamado ‘Democracy Among Us’. Este programa interativo de educação funciona através de ONGs em comunidades de baixa renda. … O OTI apoia ONGs locais que trabalham em bases chavistas e com líderes chavistas… com o efeito desejado de afastá-los vagarosamente do Chavismo”.

Entre 2006 e 2010, a USAID gastou cerca de U$ 15 milhões na Venezuela com uma porção significativa do dinheiro usada para financiar programas universitários e workshops para jovens, sem dúvida com o objetivo de “afastá-los vagarosamente do Chavismo”.

O papel proeminente dos estudantes universitários nos atuais protestos sugere que a estratégia dos Estados Unidos funcionou.

Encarando a ajuda dos Estados Unidos a membros da oposição como violação da soberania da Venezuela, a Assembleia Nacional venezuelana aprovou uma lei em dezembro de 2010 proibindo o financiamento estrangeiro de atividades políticas — atividades que, ironicamente, também são ilegais nos Estados Unidos. Depois da aprovação da nova lei venezuelana, a USAID/OTI transferiu suas operações da Venezuela para Miami.

O Escritório para Iniciativas de Transição (OTI) da USAID foi criado em 1994 e seus objetivos são claros: obter a mudança de regime.

De acordo com a USAID, “os programas do OTI servem como catalizadores de mudança política positiva… Aproveitando janelas críticas de oportunidade, o OTI trabalha em países dados a conflitos para providenciar assistência rápida, flexível e de curto prazo tendo como alvo necessidades-chave de transição e estabilização… Os programas do OTI são desenhados individualmente para atender às necessidades mais importantes da transição, focando nas questões decisivas que vão definir o futuro do país… O OTI busca parceiros para projetos que vão fornecer a faísca para a transformação social”.

O governo dos Estados Unidos não depende apenas da USAID e do NED para solapar o governo venezuelano.

Um documento de 2007 da Agência de Segurança Nacional (NSA) tornado público no ano passado por Edward Snowden descreve “as prioridades da agência em 2007 para os próximos 12 ou 18 meses em termos de ‘signals intelligence’ (SIGINT) ou espionagem eletrônica”.

O documento lista seis “alvos duradouros”, seis países que a NSA acredita que precisam “ser alvos holísticos por causa de sua importância estratégica”.

A Venezuela é mencionada como um dos “alvos duradouros”, junto com a China, Coreia do Norte, Irã, Iraque e Rússia.

O objetivo da NSA na Venezuela era o de ajudar os “políticos dos Estados Unidos a evitar que a Venezuela atinja seu objetivo de liderança regional e que busque políticas que tenham impacto negativo nos interesses globais dos Estados Unidos”.

De seus escritórios em Miami, a USAID continou a apoiar as atividades da oposição venezuelana e seus aliados estrangeiros. O escritório do Solidarity Center [braço sindical do NED, ligado à central sindical norte-americana AFL-CIO] em Bogotá recebeu uma grande doação de U$ 3 milhões para dois anos em 2012, para operações não especificadas na região andina, inclusive na Venezuela. O Solidarity Center mudou suas operações venezuelanas de Caracas para Bogotá depois do golpe fracassado contra Chávez em 2002.

As atividades na Venezuela se tornaram impossíveis depois que foi revelado que o Solidarity Center financiou a Confederação Venezuelana de Trabalhadores (CTV), anti-Chávez, que jogou um papel instrumental no golpe fracassado.

De acordo com o sociólogo Kim Scipes, o escritório do Solidarity Center em Bogotá é gerenciado por Rhett Doumitt, que dirigia a organização na Venezuela durante o golpe.

Enquanto isso, o NED continua a financiar a “sociedade civil”, dando a organizações locais mais de U$ 1,5 milhão em 2012.

Não é surpreendente que o secretário de Estado John Kerry tenha criticado o governo da Venezuela por violência relacionada aos protestos e sugeriu que os Estados Unidos estão considerando impor sanções. Ele também anunciou recentemente a iniciativa de convencer outros líderes da região a se juntar aos Estados Unidos e mediar a crise. Claramente, o objetivo é forçar o governo da Venezuela a negociar com a oposição, que não consegue vencer em eleições justas e livres.

É provável que qualquer processo de mediação liderado pelos Estados Unidos vá resultar num pedido para o presidente Maduro renunciar e na instalação de um governo interino.

É uma estratégia-modelo dos Estados Unidos usada em outros lugares: dar apoio a movimentos de oposição para desestabilizar um país a ponto de justificar a mudança de regime. Dentre as campanhas bem sucedidas de desestabilização de Washington, que derrubaram governos eleitos democraticamente, estão a que tirou do poder o presidente Jean Bertrand Aristide no Haiti em 2004 e a remoção de Viktor Yanukovich na Ucrânia duas semanas atrás.

A figura de oposição que lidera os atuais protestos na Venezuela é Leopoldo López, educado em Harvard, que também foi instrumental na organização dos protestos de rua de abril de 2002, que foram parte do golpe fracassado.

Ele também é o ex-prefeito do município mais rico da Venezuela e integrante de uma das famílias mais ricas do país. López recebeu financiamento do NED apesar de um telegrama diplomática de 2009, da embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, também publicado no Wikileaks, tê-lo definido como “uma figura divisiva da oposição” que é “geralmente descrito como arrogante, vingativo e sedento de poder”.

López abandonou a campanha presidencial de 2012 quando ficou claro que ele não teria os votos necessários para derrotar o principal candidato da coalizão. Ele recentemente se entregou às autoridades para enfrentar acusações de instigar violência, enquanto Maduro expulsou três diplomatas dos Estados Unidos que alegadamente se encontraram com manifestantes nos dois meses que precederam as manifestações.

Como mencionado nos documentos acima, a política dos Estados Unidos tem sido a de desestabilizar o governo da Venezuela com o objetivo de trocar o regime.

Washington apoiou um golpe militar, financiou as tentativas eleitorais da oposição e grupos cujo objetivo é desestabilizar o país. Os atuais protestos constituem a culminação de mais de uma década de políticas voltadas para solapar o governo.

Embora muito da estratégia dos Estados Unidos tenha sido implementada sobre a rubrica de “promoção da democracia”, na verdade o objetivo é a derrubada inconstitucional de um governo eleito e a instalação no poder de uma oposição que tem repetidamente fracassado na tentativa de vencer no voto, em eleições justas e livres.

Garry Leech is an independent journalist and author of numerous books including Capitalism: A Structural Genocide (Zed Books, 2012); Beyond Bogota: Diary of a Drug War Journalist in Colombia (Beacon Press, 2009); and Crude Interventions: The United States Oil and the New World Disorder (Zed Books, 2006). He is also a lecturer in the Department of Political Science at Cape Breton University in Canada.

PS do Viomundo1: O dirigente da FTI Consulting para a América Latina é Frank Holder, conhecido da Polícia Federal brasileira como ex-integrante da empresa de espionagem Kroll.
PS do Viomundo2: Assim que assumiu o poder, depois do golpe contra Chávez, o empresário Pedro Carmona Estanga fechou o Parlamento! Ah, esses democratas!

PS do Viomundo3: No Brasil, o lobby do momento é em busca de alguma manifestação do governo brasileiro que enfraqueça Maduro. Está lá, no ponto cinco do documento da embaixada: isolar Chávez (agora Maduro) internacionalmente. Resta saber se os proponentes são inocentes úteis ou lobistas pagos, em dinheiro ou favores.

PS do Viomundo4: A CNN em espanhol trabalha 24 horas por dia na guerra da propaganda. Destaca de forma proeminente as manifestações de artistas populares, como Rubén Blades e Rihanna, em apoio aos manifestantes da Venezuela. Está lá, no documento das ONGs, contar com a ajuda de “personalidades globais”. Se tiverem milhões de seguidores no twitter, então, melhor ainda…

Leia também

*****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/como-washington-busca-a-troca-de-regime-na-venezuela-e-na-ucrania.html

UNÂNIME, OAB PEDE AO CNJ QUE INVESTIGUE BARBOSA

06.03.2014
Do portal BRASIL247, 25.11.13
****
Fonte:http://www.brasil247.com/+uihkr