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sábado, 1 de março de 2014

Ucrânia, Criméia…Estão brincando com brasas antigas…

01.03.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

crimeia
Não se pode brincar com a situação da Crimeia, na Ucrania, que está levando a uma escalada de tensão militar preocupante.
Nem, simplesmente, achar que os russos estão querendo “invadir” o território da Ucrânia, do qual a Crimeia seria parte natural.
Não é.
Se  situação da Ucrania já é complicada, a da Crimeia é muito mais
Só quem agir de má-fé a tratará de forma simplista.
A Criméia sempre foi – e é – uma região autônoma, como eram as que formavam a Iugoslávia, em relação às quais o Ocidente defendeu a autodeterminação.
A Criméia, originariamente tártara e vinculada ao Império Otomano, passou a ser parte da Rússia no século 18.
Com a ajuda dos turcos, franceses e ingleses tentaram tomá-la, no século seguinte.
Desde 1921 era uma das repúblicas da União Soviética, não integrava a da Ucrania.
Na II Guerra Mundial, os nazistas a dominaram e sob sua cobertura  as minorias ucranianas e tártaras chacinaram os de origem russa e judaica nas praças.
Em quatro linhas é essa a história resumida desta região, que nem mesmo geograficamente se confunde com o território ucraniano, pois é uma península ligada a ele e a Rússia( As Olimpíadas de Inverno  de Sochi foram ali pertinho, a menos de 400 km)
Sua população é formada por 60% de pessoas de origem russa.
Ela continuava a ser  uma República Autônoma, embora tenha decidido, há quase duas décadas, associar-se à Ucrânia.
Numa votação apertada, em 1991, a Crimeia e Sebastopol, seu principal porto e sede da frota soviética no Mar Negro, a declaração de independência da Ucrania foi aprovada por margem apertada (54 a 46%) numa eleição que, ao contrário das demais regiões ucranianas, teve comparecimento relativamente baixo, de apenas 2/3 dos eleitores.
E, ainda assim, foi aprovada com autonomia da região.
É essa autonomia que a comunidade internacional deve proteger.
Senão, o que veremos será a barbárie que aquela terra assistiu nos últimos 350 anos.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=14795

LASSANCE: COISAS DE QUE JB SE ESQUECEU DE FICAR TRISTE

01.03.2014
Do portal BRASIL247

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/131932/Lassance-coisas-de-que-JB-se-esqueceu-de-ficar-triste.htm

Então é esse o “herói do mensalão?

01.03.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

dupla
Não é nenhum site esquerdista, ressentido com o aprisionamento de Dirceu, Genoíno e outros petistas.
É o vetusto Estadão que, com base nas investigações que levaram a Justiça a proibir, por cinco anos, a multinacional alemã Siemens de contratar com o poder público no Brasil, publica:
Diz o jornal que os documentos recolhidos durante a sindicância feita na empresa – que foi a base da decisão judicial – mostram que um contrato no valor de R$ 5,3 milhões (R$ 8,7 milhões, atualizado) para fornecimento de sistemas eletrônicos de movimentação e triagem de carga, teria gerado uma comissão de R$ 150 mil (ou R$ 250 mil, em dinheiro de hoje) para os integrantes do grupo de Roberto Jefferson que controlava a Diretoria de Administração e a  de Recursos Humanos  dos Correios.
Pois muita gente se esqueceu que Roberto Jefferson não foi “apenas” um recebedor de dinheiro do suposto mensalão.
Está denunciado por, ele próprio, comandar um esquema de corrupção com seus indicados dentro dos Correios. A denúncia do MP – fora do Supremo – está aqui.
E este é o ponto, tão esquecido, que o Estadão hoje lembra:
“Jefferson denunciou o mensalão depois que a revista Veja publicou, em maio de 2005, reportagem que abordava o esquema na estatal. A reportagem citava vídeo em que Maurício Marinho recebia R$ 3 mil de propina de um empresário – até hoje, este empresário nunca foi identificado. Na gravação divulgada, Marinho também revelava ser apadrinhado por Roberto Jefferson.
Três semanas depois, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Jefferson revelou o mensalão. O então deputado alegou ter visto digitais do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, também preso atualmente, no vazamento do vídeo. Jefferson acreditava que o PT desejava ocupar o espaço do PTB nos Correios. Daí porque, no seu entender, tentava incriminar Marinho, seu apadrinhado.”
É aí que estão “os instintos mais  primitivos” do “herói do mensalão”.
O de vingança de quem lhe desmontou o maná.
Esta é a fonte contaminada deste processo político, no qual certamente que há irregularidades.
Nenhuma maior, porém, que o endeusamento de um delator movido pela vindita a quem  achava que havia lhe tirados os doces e a tentativa de politizar, a seu favor, um caso onde estava comprometido até a medula.
E que de vingativo foi transformado em vingador pela mídia, ao ponto de um leitor da Folha sugerir que se lhe fizesse uma estátua “como herói nacional”.
Sobre estes moralistas – dos quais honradez passa longe – este sábado de Carnaval é bom para recordar a piadinha:
- Você sabe porque gringo samba sacudindo os dedinhos levantados?
- Não, por que?
- Para que não lhe olhem os pés…
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=14767

MELLO DIZ ESPERAR “DIAS MELHORES” NO SUPREMO

01.03.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/131939/Mello-diz-esperar-%E2%80%9Cdias-melhores%E2%80%9D-no-Supremo.htm

Luciana Genro e a esquerda que a direita gosta

01.03.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Miguel do Rosário

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Quem acompanhou com um pouco mais de profundidade o golpe na Ucrânia, sabe que ele foi apoiado por grupos neonazistas, que são bastante fortes no país, e recebeu dinheiro dos Estados Unidos, abertamente ou via serviço secreto.
A foto abaixo é do blog Deadline. Mas há inúmeras fotos na internet mostrando que os neonazis compunham a vanguarda armada dos protestos.
Ou mesmo que não se tenha certeza disso, deve-se analisar a situação com prudência. É óbvio que se trata de uma conjuntura geopolítica extremamente complexa. Não é prudente festejar um banho de sangue que não trouxe nenhum resultado social, econômico ou político positivo à população. Morreram milhares de pessoas e a economia da Ucrânia está devastada. Não houve nenhuma “revolução” porque nenhuma estrutura econômica foi ou seráreformada.
Apenas trocaram um presidente eleito por outro, não eleito.
ScreenHunter_3408 Mar. 01 12.14
Pois bem. Luciana Genro, candidata a vice na chapa do PSOL a presidente da república, não leu nada disso. Para ela, houve apenas uma “revolução popular”.
Na esteira dessa opinião irresponsável, vemos milhares de analfabetos políticos, nas redes sociais, pregando algo parecido no Brasil, ou seja, uma revolução violenta, conduzida por black blocs armados com coqueteis molotov.
E tudo para quê? Para substituir o chefe de Estado, uma coisa que se pode fazer pelo voto, sem derramar uma gota de sangue.
ScreenHunter_3407 Mar. 01 12.12
E hoje me deparo, num tweet do João Sicsu, que Luciana Genro está fazendo outra dobradinha vil com a direita. Tenta surfar no linchamento político da mídia contra os petistas presos, renovado diariamente, e que agora assumiu a forma de denúncias de “regalias”.
A postura de Genro é lamentável, porque finge combater uma injustiça mas acaba incorrendo numa outra injustiça ainda pior.
O ator negro preso injustamente foi libertado após 12 dias de detenção; será indenizado; ganhou espaço na mídia para se defender.
Nunca foi linchado pela mídia.
Já Dirceu está preso há mais de 90 dias em regime fechado tendo sido condenado ao semi-aberto, além de ter sido condenado a muitos anos por um crime para o qual a própria Procuradoria admitiu não ter provas, lançando mão, por isso, à teoria do Domínio do Fato.
Genro não está vendo que, ao contrário de regalias, Dirceu está sendo perseguido pelo sistema judiciário de Brasília? Joaquim Barbosa inclusive trocou o juiz, numa manobra ilegal, substituindo por outro mais “obediente” a suas diretrizes.
ScreenHunter_3406 Mar. 01 12.10
Essa é a famosa “esquerda que a direita gosta”, que aposta na divisão, na intriga, que não se importa em usar as mesmas táticas desonestas do conservadorismo para atacar quem ela vê como adversário.
Mais um pouco e Genro poderá figurar ao lado de Heloísa Helena, outra heroína da nossa direita, que ajudou a derrubar a CPMF. O imposto da Saúde gerava mais de R$ 40 bilhões/ano antes de ser extinto, no fim de 2007. Se estivesse valendo, e fazendo os devidos ajustes, a CPMF poderia ter gerado, de 2008 até 2014, mais de R$ 300 bilhões, a serem investidos exclusivamente em Saúde Pública, além de ajudar no combate à lavagem de dinheiro e à corrupção, visto que ele criava um rastreamento automático sobre toda operação financeira.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=14776

A campanha mais podre de todos os tempos

28.02.2014
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 16.02.14
Por Vander Fornazieri

Para o jornalista, preconceitos de classe estão aflorados e os meios de comunicação têm grande responsabilidade na radicalização do ambiente político


vander fornazieri/rba
Gabriel Priolli
A partir de 2003, todos os preconceitos de classe possíveis e imagináveis afloraram e se solidificaram contra o Lula 

É difícil encontrar uma redação onde Gabriel Priolli não tenha trabalhado. TV, jornal, revista, ele passou pelas mais importantes, exercendo variadas funções, inclusive a de editor do Jornal Nacional, da Globo. Atuou na imprensa alternativa e foi peça importante na criação de campanhas e programas de TV históricos para o PT de mais de duas décadas atrás e, desde então, acumula experiência em 17 campanhas políticas para diversos partidos e candidatos. Hoje está à frente do blog Apriolli, no qual escreve sobre temas políticos e culturais do país.
Priolli começou como estagiário da TV Cultura, onde ficou até 1980, quando houve demissão em massa de jornalistas promovida pelo governador Paulo Maluf, empossado pelos militares em 1979. Amargou uns tempos de geladeira, às voltas com o preconceito dentro do meio jornalístico contra os profissionais de TV – “acusados” de não saber escrever. Meses depois conseguiu uma cobertura de férias na Folha de S. Paulo, e foi bem. Desmontou o preconceito e emplacou matéria de capa. Começou a fazer cobertura de TV para o caderno Ilustrada, que ninguém gostava de fazer. Mas era tudo o que ele queria. Era a possibilidade de se firmar escrevendo e refletindo sobre uma mídia que não tinha interlocução.
Aliás, segundo Priolli, o grosso do que se escreve sobre televisão, ainda hoje, é de um grau de estupidez abissal. “Você fica pasmo de ver a ignorância das pessoas em relação ao que é televisão. Existe a presunção de achar que ela é uma máquina de estupidificar feita por gente estúpida.”


Quais programas você mais acompanhava como crítico?

Cobria tudo. Assistia muito ao Chacrinha e vi o surgimento do Gugu, na época cotado para ser sucessor do Silvio Santos. Falei do papel de renovação e do debate de temas tabus das séries que a Globo começou a produzir, como Malu Mulher, Carga Pesada, Plantão de Polícia. Acompanhei a última novela da Janete Clair (1925-1983), Eu Prometo, que teve texto finalizado por Glória Perez. Peguei também toda a emergência do vídeo independente, um movimento importante para a televisão e para mim. Eram meus amigos na TVTudo, Olhar Eletrônico, TViva, Vídeo Verso.

Como aconteceu seu trabalho dentro do PT?

Lembro bem da primeira campanha do partido, em 1982, quando ele entrou com aquela linha obreira: “Trabalhador vota em trabalhador”. E em 1984 me aproximei da área de comunicação. Um grupo de colegas fez um programa muito criativo para a TV. Escrevi comentário na Folha, o que era incomum para a época. Acharam o texto pertinente e me convidaram para trabalhar. De repente, estava fazendo a campanha do Eduardo Suplicy para a prefeitura de São Paulo, em 1985, com o Carlito Maia e o Chico Malfitani. Foi aquela do “experimente Suplicy”. Em 1986 esse grupo rachou. Acabei ficando para fazer a campanha do Suplicy para o governo do estado. Foi horrorosa. As campanhas do PT sempre foram conturbadas. Eu acreditava numa linha mais orgânica, de afinidade entre a política e a comunicação. Mas acabou descolando completamente a ponto de botarem as campanhas nas mãos de publicitários. Depois de ter trabalhado os anos 1980 inteiros para o PT, como militante, vendo o partido admitir o ingresso de profissionais de linhas políticas até opostas para fazer suas campanhas, eu peguei minha experiência acumulada e fui trabalhar com comunicação política. Aprendi nesses 30 anos que a decisão de voto é essencialmente emocional.


As propagandas eleitorais estão niveladas?

Hoje todo mundo faz a mesma coisa, com diferenças de estilo aqui ou ali. Propaganda de direita no sentido clássico: escondem-se defeitos, mostram-se virtudes. Há basicamente um apelo emocional ao eleitor no sentido de sensibilizá-lo, de tocá-lo, para depois municiá-lo com argumentos racionais para sustentar, no debate político, a opção feita pelo coração. A propaganda não faz o eleitor concordar com as posições do candidato, mas gostar dele.
Como realizar um debate sério sobre reforma política sem tocar nos monopólios da comunicação? Que diabo de reforma política há de ser essa que não venha acompanhada, ou precedida, de novas regras para o setor?
Para onde vai o belicismo que se vê no cenário político?

Acho que este ano teremos a campanha mais podre de todos os tempos. O ano de 2010 bateu recordes de baixaria, mas vai ser café pequeno comparado ao que nos espera. É lamentável o que acontece e a responsabilidade da mídia é muito grande. Até o governo Lula (2003-2010), a imprensa mantinha uma vigilância crítica, mesmo porque, do ponto de vista de classe, os governos anteriores eram seus, defendiam seus interesses, inclusive os da ditadura. As críticas eram pontuais, na forma. Mas a partir do governo do PT, houve uma mudança total. Por mais que o governo fosse moderado, muito mais tendendo ao centro do que à esquerda, sempre disposto a flexibilizar e a fazer concessões, ainda assim há uma reação radical de não aceitá-lo. Todos os preconceitos de classe possíveis e imagináveis afloraram e se ­solidificaram contra o Lula. É porque é pobre. É porque é operário. É porque é nordestino. É porque não tem dedo… 

Isso contaminou a visão que se tinha do presidente?

Sim, e também a leitura do governo que se fazia. A mídia embarcou na onda neoconservadora internacional. Nos Estados Unidos, os veículos de direita, tipo Fox News, sustentaram que Barack Obama era socialista, marxista. Uma loucura sob qualquer aspecto. Imagina se um dia eles realmente tiverem um presidente de esquerda o que vão falar.

Foi nesse momento que se soltaram as rédeas dos analistas sem pudor nem limites, que no passado eram moderados?

Houve favorecimento e incentivo a esse tipo de gente e a essa conversão de comportamento. Todos os que fizeram, e continuam fazendo comentários de direita, foram e seguem sendo premiados. No lado oposto, o daqueles profissionais que tinham posições contrárias, houve repressão. Aconteceu um expurgo da esquerda nas redações e triagem ideológica nas novas contratações. Os jovens que foram ingressando têm majoritariamente pensamento conservador. Montou-se uma uniformidade ideo­lógica nas redações.
Se existia uma coisa rica na imprensa nos anos 1970, era exatamente a diversidade ideológica. Tinha a “direitaça”, gente ligada aos órgãos de repressão, e tinha gente que participou dos grupos armados de esquerda. Era um saco de gatos. Correntes democráticas, correntes revolucionárias. Isso era muito rico. Nunca tive, até o governo Lula, qualquer constrangimento dentro de qualquer redação por causa de posição política. Nunca dei atestado ideológico para quem quer que fosse. E ninguém queria saber se você era ou não petista ou tucano. Hoje está tudo mudado. Cheguei a ser censurado em artigos que me convidaram a escrever, ou porque não batiam com a posição patronal ou porque tocavam em assuntos tabu, como a regulação da mídia.

Você acredita que exista alguma chance de acontecer no Brasil o que se fez na Argentina, com a Lei de Meios?


Chance sim, mas depende de a presidenta querer levar esse debate adiante, de entender que não é possível fazer a reforma política que ela diz querer fazer sem antes enfrentar a regulação da mídia. Como é possível realizar um debate sério sobre reforma política sem tocar nos monopólios da comunicação? Que diabo de reforma política há de ser essa que não venha acompanhada, quem sabe precedida, de uma pactuação de regras para o setor? A gente vai levar adiante esse despudor completo de grupos econômicos utilizarem veículos de comunicação em campanhas descaradas? Para voltar a ter um mínimo de paz social e política, a gente deve ter padrões de moderação e ética. Isso tem de ser regulado e tem um projeto lá na gaveta da presidenta.

Houve ingenuidade do Lula em relação à mídia?


O Lula sempre teve a crença de que é possível ter debate, diálogo, negociar. Isso baseado na própria experiência dele. Antes de ser presidente, ele virou uma estrela mundial graças à forte exposição na imprensa. Pilotava rebeliões sindicais, era peça importante no xadrez político. Isso era do interesse da elite. E teve relações com os donos da mídia. Ele tinha uma visão, não posso dizer que era ingênua, mas equivocada, de que a partir de certo ponto as contradições de classe não seriam tão fortes a ponto de obstruir seu governo. Acho que hoje ele tem uma visão mais dura sobre essa possibilidade de diálogo franco e convivência democrática com a imprensa. A imprensa abdicou da postura democrática e conscientemente se partidarizou. Virou defensora de agremiações que defendem um ideário específico de classe. À medida que essas agremiações foram se desidratando politicamente em sucessivas derrotas eleitorais, ela passou a ter protagonismo e controle político da oposição. Hoje quem formula as políticas de oposição e as críticas é a imprensa. Os partidos apenas as sustentam e repercutem.

Mesmo assim as vitórias eleitorais, com exceção do ­estado de São Paulo, não acontecem. O povão não acompanha a grande imprensa?

Exatamente. Ao contrário do que pensa a elite brasileira, o povo vota sempre em quem acredita que defende seus interesses mais diretos e objetivos. Se há uma crítica que ainda se possa fazer ao voto popular é que é um voto pouco político. Mas a ideia do eleitor manipulado vai ficando para a história. O eleitor vota nos seus interesses e a mídia dialoga com o eleitor de uma forma muito estúpida. Não conversa com a mentalidade da grande massa. Ela dialoga consigo mesma, com seus pares, com seu ideário de classe média e de elite. São temas limitados, cheios de preconceito e que não ecoam. Há 60 anos eles acham que o tema da corrupção é central no debate político do país e que isso define eleição.
A política é um terreno em constante disputa. Não há espaço vazio. Em junho foi todo mundo para rua, os organizados e os desorganizados, direita e esquerda. A única coisa unitária entre esses grupos é que eles estavam no mesmo lugar na mesma hora. A mídia constrói o discurso para justificar ou combater alguma política ou ação.
Corrupção da qual eles fazem parte…

(risos) Nem vou entrar nessa discussão. É a ideia de que o mar de lama possa ter rentabilidade eleitoral. Porque eles ganharam com esse discurso com o Jânio Quadros (eleito presidente em 1960, renunciou no ano seguinte) e depois com o Collor (Fernando Collor de Mello, eleito em 1989, sofreu impeachment em 1992) acham que sempre funciona quando lhes interessa. Mas de repente temos uma situação política nova, com expansão de programas sociais, que o cidadão olha e pensa “antes não tinha, agora tem”. Foi o Lula. Aí entra a subjetividade do voto e o Lula tem identificação imediata com o povão.

Há, então, fragilidade na imprensa?

Não, essa é uma análise equivocada de esquerda. A mídia tem muita força. Tem capacidade de difusão, de diálogo, de atingir toda a população que a mídia alternativa não tem. Ela tem capacidade de influir numa série de temas, mas não tem controle nem comando. A mídia leva ideias para reflexão das pessoas­. Umas são admitidas, outras não. O descarte da maioria das ideias explica as derrotas que vem sofrendo. E porque não ganha nas urnas mantém posições radicais permanentes, o que provoca insatisfação progressiva em setores da elite, que vão se fascinando com saídas como a judicialização da política. Já que não conseguem ganhar o governo, desqualificam a política como um todo e tentam levar todos para a cadeia.

Da primeira eleição do Lula para cá, a internet cresceu e está no celular de todo mundo. Você acredita que ainda há espaço para o jornalismo impresso?

Se o jornal está impresso ou disponibilizado num portal tanto faz, é o mesmo jornal. O impresso está perdendo espaço, mas a instituição jornal está sólida na sua capacidade de influir no debate nacional. As empresas jornalísticas ainda não conseguiram se recuperar financeiramente da perda que tiveram com a mudança do seu modelo de negócio. Mas é questão de tempo. Pesquisas indicam que cerca de 90% do conteúdo que circula nas redes e é recirculado pelos usuários ainda é gerado pela imprensa tradicional.

Como se resolvem as limitações de conteúdo e alcance da mídia alternativa?

Não se resolve dentro do atual modelo. Reportagem precisa de duas coisas: acesso e dinheiro. Custa caro, é preciso que as pessoas se desloquem. O modelo atual de financiamento historicamente se apoia na publicidade. O conceito de mídia técnica, em que o dinheiro vai para os veículos de maior circulação porque o anunciante está interessado em ter exposição a mais gente, é baseado numa ideia falsa. O governo é um dos anunciantes que se iludem com esse argumento. O modelo não resiste a uma análise mínima. Há muito investimento publicitário que tem clara natureza política. Durante o governo Fernando Henrique, foi feito um estudo que classificou a Veja como “grande partido neoliberal” tamanho o fluxo de dinheiro carreado para a revista sustentar e difundir o ideário neoliberal. Havia um claro descolamento entre a quantidade de verbas publicitárias e a circulação do veículo. A mídia alternativa, de esquerda, que critica o capitalismo, não cabe nesse modelo. O capital vai financiar esse tipo de debate público? Não vai mesmo.

É um círculo cínico...

É hipócrita o argumento que de que a imprensa de esquerda é incompetente porque não consegue circular e falar com a massa, só fala com o guetinho, então não consegue financiamento publicitário privado e fica pedindo dinheiro para o governo. Nunca ela vai conseguir esse financiamento. A Revista do Brasil, por exemplo, tem uma circulação magnífica comparada à imprensa comercial, e certamente não tem por trás alguma grande empreiteira, não tem fila de anunciante pedindo espaço.

Ainda assim, o governo é hesitante em investir na mídia alternativa.

O governo não tem política clara de comunicação, pensada à luz do que significam esses três últimos governos dentro da experiência histórica brasileira, quais são seus alinhamentos, suas metas e sua efetiva base de sustentação. Também não há política de comunicação pactuada com os segmentos da sociedade, dentro ou fora do PT, que lutam pela democratização da comunicação. Então, que tipo de comunicação o governo deve ter e quais as relações que ele deve estabelecer com o mercado de comunicação instituído? Está se seguindo  uma visão conservadora, atrasada, com base nos critérios da chamada mídia técnica, que eu reitero não serem sustentáveis. Há uma impossibilidade em termo, não há mídia puramente técnica. Toda mídia é política.

Mas houve alguns avanços.


Houve esforços durante o período Lula que levaram à fragmentação de parte da verba publicitária entre veículos menores. O que é classificado pela grande mídia como cooptação. Quer dizer, se você põe grana num grande veículo você está fazendo mídia técnica, se você põe num pequeno, está comprando.

Como está a TV pública no Brasil?

Essa só apanha. É agredida, prostituída e violentada o tempo todo. No Brasil há uma inversão de valores. Aqui o público não é aquilo que é de todos. Aqui o público é o que não é de ninguém. Isso vale tanto para o posto de saúde como para a TV. Mas como as pessoas precisam mais de posto de saúde do que de televisão, a TV pública sofre. Embora esteja definido constitucionalmente um modelo de TV tripartite (comercial, pública e estatal), ele não é implementado. Existe um lobby privado que encontrou um discurso confortável que associa qualquer iniciativa a favor da mídia pública à ideia de censura. O governo simplesmente não enfrenta essa discussão.

A TV Cultura tem sido um caso à parte?

A mídia pública, financiada com dinheiro público, estatal inclusive, pertence a todos e não é simplesmente o contraditório da mídia privada. É a mídia de toda a sociedade. Seu compromisso é com a pluralidade. Tem de ter todo mundo, para que eles debatam e você tenha uma visão mais enriquecida. A mídia estatal também deveria ter esse compromisso, embora seja natural que ela tenha a mentalidade do grupo que está à frente do Estado. A gente tem algumas tentativas de fazer TV de qualidade,  equilibrada, que pena com a falta de recursos. Por outro lado, temos a instrumentalização descarada de meios públicos para fins políticos partidários. Isso fica mais clamoroso aqui em São Paulo com a TV Cultura, principalmente se a compararmos com o que ela foi há alguns anos. O governante olha para a televisão pública e pensa: “Se eu tenho de pôr dinheiro eu quero usar”.

Você voltou a trabalhar na TV Cultura. Sua saída do cargo de diretor de jornalismo em 2010 foi pedido do Serra?

Acho que nem precisou. Estava tão disseminada a ideia de que a Cultura é instrumento de governo, que veicula apenas o que lhe interessa, que a reação a uma pauta sobre aumento do preço dos pedágios veio da Secretaria dos Transportes, da assessoria de comunicação: “Como vocês pautam um assunto desses?”. Pra mim, argumentaram que houve quebra de confiança. Eu havia pautado um assunto sensível sem comunicar à direção da fundação. Como diretor de Jornalismo eu ignorava que pauta sobre pedágio fosse sensível à direção da casa. Poderia o ser ao governo do estado e particularmente ao seu candidato. Posso afirmar que minha demissão foi um ato de censura. Tem assuntos que não podem ser tratados na TV Cultura. Isso eu acho inaceitável. A TV pública não pertence ao governo. O governo tem de pagar a conta e não pertence a ele. Quem manda é a sociedade, por meio de um conselho. Mas qual é a pluralidade que esse conselho tem se é composto por pessoas invariavelmente ligadas à linha de pensamento do grupo que governa o estado? Então vale somente a vontade do governador. Só é presidente da TV Cultura quem o governador admite que seja. Tanto que, em 50 anos de existência da emissora, nunca houve uma disputa de chapa para a direção. 

Como é no governo federal?

Na Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) está se tentando, a duras penas, um processo mais democrático, com um conselho mais plural, que tem participação mais crítica. O presidente ainda é indicado pelo governo, mas ele já avança no caminho de uma democratização maior. Mas estamos muito longe de um modelo de TV pública onde a sociedade, de fato, dê as regras.

Mas esse debate não existe.

Não, não existe. Na mídia privada ele é vetado. Nas vezes em que aparece é enviesado. Se a TV é de um governo amigo, é um debate de cultura, educação. Se é de um governo inimigo, é tentativa de fazer propaganda.

O que você assiste na TV aberta?

Assisto futebol e novela. Às vezes assisto ao telejornal para saber como estão desinformando um assunto específico. Existe uma partidarização evidente do noticiário. Não dá para dizer que seja uma coisa nova, mas nunca se fez isso nessa escala e desfaçatez.

A cobertura do que acontece na rua é justa?

A tecnologia empoderou o cidadão de meios técnicos para fazer a circulação de informação. A cobertura do que acontece nas manifestações de rua vem da própria rua. Se você pegar os relatos, fotos e vídeos colocados na internet você tem uma leitura muito mais rica do que a representação fornecida pela imprensa formal. A possibilidade de equilíbrio informativo hoje é dada pela internet. A grande imprensa não fala mais sozinha. Tudo que ela diz é contraditado num grau inédito.

A mídia tenta pautar os movimentos?

Sim, mas quando ela não tentou, ainda mais agora que ela tem um partido? A política é um terreno em constante disputa. Não há espaço vazio. Em junho foi todo mundo para rua, os organizados e os desorganizados, direita e esquerda. A única coisa unitária entre esses grupos é que eles estavam no mesmo lugar na mesma hora. A mídia constrói o discurso para justificar ou combater alguma política ou ação.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/92/a-campanha-mais-podre-de-todos-os-tempos-817.html

Lenta, gradual e frágil: a democracia requer atenção e zelo

01.03.2014
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 16.02.14
Por Redação RBA 

O poder econômico e suas “assessorias de imprensa” estão sempre à espreita. E embora hoje dispensem a necessidade de se recorrer aos quartéis, são sempre uma ameaça à democracia

Arquivo/AE
Aplausos
A elite paulistana aplaude a derrubada de Jango: meios de comunicação aderiram em peso

A passagem dos 50 anos do golpe civil-militar é uma oportunidade de discutir não só as circunstâncias, mas os efeitos para o Brasil, em termos de interrupção de projetos – de vidas, de esperanças. A história oficial, lida nos bancos escolares e divulgada nos meios de informação, tratava o movimento como “revolução”. E o pretexto, uma suposta sanha comunista. Até hoje, há quem alardeie um “perigo vermelho” em qualquer ação considerada mais avançada ou progressista.


Consumado, o golpe teve apoio quase unânime dos principais meios de comunicação. No ano passado, um desses jornalões chegou a fazer uma espécie de mea-culpa por tal postura. Outros se surpreenderam com a face violenta que logo emergiu. Das escolas e redações, estudantes e cidadãos foram privados de conhecimento e de informação, ferramentas básicas contra tentações autoritárias.

O avanço gradual da abertura democrática foi trazendo à luz algumas verdades. Soube-se que os comandos militares não foram os únicos executores e mandantes do golpe. Forças econômicas e civis moveram e financiaram a “revolução”, e empresas e o governo norte-americano participaram de todas as articulações para derrubar João Goulart.

Vieram a “abertura” gradual, a contestada Lei da Anistia, a resistência da linha-dura do regime, a campanha das Diretas Já (que completa 30 anos) e, finalmente, a volta das eleições. Foi difícil e doloroso, mas a democracia, com problemas e entraves, se consolidou. Neste ano, o país terá sua sétima eleição presidencial seguida, uma ­sequência inédita. Mas há quem se infiltre e tente jogar areia na engrenagem, o que reforça ainda mais o papel da comunicação transparente e livre, com diversidade de opiniões. O problema é que o poder econômico e suas “assessorias de imprensa” estão sempre à espreita. E embora hoje dispensem a necessidade de se recorrer aos quartéis, são sempre uma ameaça à democracia.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/92/lenta-gradual-e-fragil-5954.html