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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Mãe usa Facebook para revelar o racismo sofrido por suas filhas adotivas

28.02.2014
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 27.02.14

Mãe faz série de fotos mostrando os comentários racistas dos quais suas filhas adotivas são vítimas

Quando Kim Kelley-Wagner adotou duas meninas chinesas, hoje com 13 e 17 anos, ela nunca imaginou que sua família atrairia tanta atenção. Por isso, a enxurrada de comentários ignorantes e hostis que ela recebia todos os dias acabou a chocando. Mas ao invés de ignorar as críticas, Kelley-Wagner criou uma série de fotos estrelando suas filhas, esperando mostrar ao mundo como as palavras podem machucar.

Kim, 55 anos, diretora de comunicações em uma escola na Virginia, EUA, nunca se casou, mas sempre soube que queria filhos. Sua vida mudou depois que viu uma foto pequena acompanhada de uma história sobre órfãos chineses na revista Time. “Era uma foto de seis bebês sentados em círculo no chão, e uma tinha uma expressão incrívelmente séria. Aquela imagem ficou na minha cabeça.”

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Filha de Kim posa com a frase “Quanto ela custou?” (Reprodução)
 
Na época, a China era um dos poucos países que permitia que solteiros adotassem crianças, então alguns anos depois, em 2001, Kelley-Wagner adotou a pequena Liliana, de 10 meses, e em 2008 ela adotou Meika, com 2 anos de idade e necessidades especiais, pois havia nascido com fenda de pálato e lábio leporino.”

“Os comentários vieram desde o início”, conta Kelley-Wagner. “Nós estávamos fazendo compras, e os funcionários dos caixas ou vendedores diziam coisas do tipo ‘Quanto ela custou?’ ou ‘Você poderia comprar um carro com o dinheiro que custou para adotá-la’ E eu dizia, ‘Você está interessado em adotar?’ Se a pessoa dizia que não eu respondia ‘Então porque você está me perguntando?’. A minha resposta fazia as pessoas pensarem um pouco, e talvez até considerarem o impacto de suas palavras e pedirem desculpas.”

Perguntas e comentários direcionados para mães e para as meninas variavam entre racistas, preconceituosos ou simplesmente sem a noção de estarem magoando. Kelley-Wagner lembra de algumas: “Eles odeiam meninas no país de onde você vem, você sabia?”, “Por que você não se parece com sua mãe?”, “Sua mãe é uma santa de querer você”, “Você é uma bonequinha de porcelana chinesa!”, “Mas quais são os problemas emocionais delas?” e “Por que trazer mais imigrantes para nosso país?”

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Filha de Kim posa com a frase: Sua mãe é uma santa por querer você. (Foto: Reprodução)
“Certa vez, estávamos no mecânico e o rapaz do caixa falou para uma das meninas: ‘Você sabe que ela não é sua irmã de verdade, né?’”, Kelley-Wagner relembra. “Um rapaz que trabalhava lá correu e pediu desculpas pelo colega. Em uma outra ocasião, uma vendedora em uma livraria perguntou: ‘Ah, ela se parece com o pai biológico dela?”

Depois de se esquivar de perguntas e comentários inapropriados por tantos anos, Kelley-Wagner teve uma ideia. “Eu queria transformar essa situação em algo que pudesse ensinar as pessoas, principalmente porque eu não queria que as meninas guardassem tanta negatividade dentro delas.” Então, ela perguntou para suas filhas se elas concordavam em posar para fotos com os comentários escritos em quadros. “Elas toparam na hora”, ela conta. 

“A Lily até disse ‘Acho que as pessoas precisam saber o quanto elas são rudes’. Nós sentamos e fizemos uma lista das frases e eu fiquei surpresa com a quantidade de incidentes dos quais elas se lembravam, e eu não”. Kim intitulou o projeto de “Coisas que dizem sobre minhas filhas adotadas”, e em janeiro ela postou as fotos no Facebook. Essa semana o projeto começou a repercutir na internet e apareceu em outros blogs e sites.

Alguns vêem o projeto como abusivo. “Uma mulher comentou que meu projeto era um erro como mãe”, conta Kelley-Wagner. “Mas eu quero que as minhas filhas entendam o tamanho da ignorância do mundo, e que saibam como lidar com isso.” Ela admite que é difícil manter a calma, mas não quer que as meninas respondam com a mesma falta de educação das pessoas. Pelo contrário, ela quer que elas façam as pessoas refletirem. “Meu conselho para elas é sempre deixar o ofensor sem palavras”, ela diz.

Liliana está aprendendo. Recentemente, um casal abordou a família Kelley-Wagner e comentou: “Eu jamais amaria alguém que eu não tivesse dado à luz”, e Lily respondeu com sagacidade: “Ah, então seu marido saiu de você?”. “Eu não poderia ficar mais orgulhosa dela”, disse Kim.

Ela não acredita que as pessoas sejam cruéis de propósito, e sim que, na maioria dos casos, é simplesmente ignorância. “Eu acho que as pessoas têm curiosidade e não sabem como lidar com isso”, ela diz. “Felizmente, minhas filhas nunca questionaram o lugar delas na nossa família, e nunca se sentiram excluídas”.

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Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/02/mae-usa-facebook-para-revelar-o-racismo-sofrido-por-suas-filhas-adotivas.html

Doze anos de escravidão e mais de 100 de um certo silêncio

28.02.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 25.02.14
Por Léa Maria Aarão Reis

Há diversos fatos perturbadores que se tivessem sido discutidos em Doze anos de escravidão, de Steve McQueen, dariam outra dimensão ao superestimado filme.

Divulgação

Há diversos fatos perturbadores que se tivessem sido discutidos em Doze anos de escravidão, de Steve McQueen, dariam outra dimensão ao superestimado filme.

Onze entre os filmes em cartaz neste início de ano nas telas dos cinemas do eixo Rio - São Paulo  são baseados ou inspirados em livros publicados; são roteiros cinematográficos adaptados. A maioria desses filmes é medíocre, mas alguns deles são muito bons como O lobo de Wall Street, Azul é a cor mais quente e Philomena.

Mesmo quando não são excepcionais, todos eles narram grandes histórias - é o caso de Doze anos de escravidão, do inglês Steve McQueen, baseado no diário de Salomon Northup, um violinista e empresário negro americano, da cidade de Saratoga,  sequestrado em Washington em 1841 e vendido como escravo em Nova Orleans.

Um dos mais badalados filmes da temporada, indicado nove vezes ao Oscar deste ano, ele ajuda a iluminar não só um mero um episódio, um caso individual, mas um sombrio momento da macabra história da escravidão nos Estados Unidos. Agora, a história de Northup ganha uma segunda vida. Até aqui não era conhecida do chamado grande público, da cultura pop de massa - exceção do mundo acadêmico americano, pesquisadores e historiadores das muitas narrativas sobre a experiência vivida pelos escravos, no fim do século dezenove, no país, e relatada por eles próprios em suas memórias.

Bem mais que um filme brilhante – em nossa opinião é mais um trabalho superestimado de McQueen, cineasta que está na moda - como está sendo apresentada esta adaptação cinematográfica do diário de Solomon Northup, ele serve para que “nos próximos 150 anos um cineasta não precise fazer outro filme como este revelando a existência dos 21 milhões de indivíduos que trabalham como escravos, no mundo, exatamente agora, neste momento em que estou falando para vocês”, como disse o diretor, em Londres, ao ganhar o premio Bafta, semana passada.

O filme vale por isto.

Por que a história de Solomon Northup mobiliza de tal modo, mais ainda que outras produções realizadas sobre o tema da escravidão? Talvez não apenas pela violência radical contida no desfile de horrores, humilhação, crueldade doentia, ignomínia e submissão forçada apresentada no longo filme de McQueen.

Solomon Northup era um homem livre, negro, filho de escravo alforriado, bem educado e culto, talentoso violinista e exímio artesão. Casado com Anne, uma moça descendente de negros e indígenas, era pai de dois filhos pequenos e vivia confortavelmente com a família em Saratoga, estado de Nova Iorque.

Por meio de venenosa armadilha na qual lhe foi prometido trabalho rentável como violinista, foi sequestrado em Washington, drogado durante um jantar na notória Taverna de Robey (um antro onde ocorreram outros golpes semelhantes; e sabia-se disso, na época, na cidade) e vai parar, preso e acorrentado, em uma das duas senzalas que existiram, em 1841, vinte anos antes do começo da Guerra da Secessão, à sombra do Capitólio: a senzala Williams, localizada no mesmo lugar do atual National Air and Space Museum do Smithsonian Institute.

No diário de Northup, de 1853 –  isto não é mostrado no filme – ele escreve que ouvia “vozes patrióticas” gritando slogans sobre liberdade e igualdade, fora, nas ruas, se confundindo com o barulho das correntes arrastadas pelos escravos, na senzala em que se encontrava preso, numa esquina da Avenida da Independência, à beira do mall do Capitólio.

Levado, com centenas de outros negros, para o mercado de escravos de Nova Orleans, Salomon foi vendido e, depois, revendido para um segundo dono. Viveu e trabalhou então como escravo durante doze anos, nas plantações de algodão da Louisiana até ser localizado e resgatado por amigos nortistas.

A narrativa do filme de McQueen se concentra nos episódios de ferocidade e loucura religiosa do segundo proprietário de Solomon, o fazendeiro Edwin Epps e da mulher dele, no sul do país, durante o tempo  em que sofreu toda sorte de atrocidades, tentando de algum modo sobreviver.

Pelo menos trezentos casos semelhantes ao de Salomon Northup encontram-se documentados neste período, atesta hoje a historiadora Carmel Wilson. Ela acredita que ocorreram milhares de outros sequestros nessa época, mas nunca classificados.

No filme, o ator inglês Chiwetel Ejijor faz Northup; a atriz mexicana filha de pais quenianos Lupita N’Yongo, a escrava Patsey – era a obsessão sexual de Epps e protegida na medida do possível, por Salomon - e o ator fetiche de McQueen, Michael Fassbander, interpreta o fazendeiro. Os três são indicados para o Oscar. A atuação do último é excepcional.

A imagem simbólica de Doze anos de escravidão, que foi filmado nas imediações da fazenda que pertenceu a Epps, próxima de Nova Orleans, é o chiqueiro localizado no jardim da casa grande e mostrado em diversos momentos. Às vezes lembrando que o tratamento dos escravos era o mesmo – ou até pior – do que o dado aos bichos e em outras passagens sublinhando a condição do fazendeiro: um porco.

Há o que perturbar os espectadores de modo particular em Doze anos, de McQueen, um autor de dois filmes aclamados. Hunger, sobre a greve de fome de Bobby Sands, membro do IRA, na prisão de Maze, na Irlanda do norte, até a sua morte nos anos 80 e o outro, Shame, sobre a vida infeliz de um jovem executivo de Manhattan viciado em sexo e, ele também, um escravo. No caso, do próprio corpo.

Masculinidade, racismo e sexualidade são temas caros ao cineasta que vive na Holanda com a mulher e as filhas, vem das artes plásticas e sofreu com o racismo, particularmente na escola onde estudou, num bairro popular de Londres. Seus trabalhos, geralmente instalações, são reconhecidos como brilhantes pela crítica. McQueen já participou inclusive da mostra Documenta.

Perturba o espectador a violência nauseante pouco estetizada, quase realista. Mas também o racismo e a ferocidade do sentimento de propriedade privada dos donos. “Todos os negros são animais,” diz Epps com naturalidade; e quando lhe tiram Northup das suas garras: ”Não podem levá-lo. Ele é meu! O homem faz o que quer com o que é seu!

Um discurso a ser transposto por quem desejar: “Todos do povo são ignorantes. Não sabem votar. Mas o povo é nosso e fazemos com ele o que quisermos.”

Perturba o espectador o fato de Salomon ser um negro livre, um negro educado e próspero, um “negro excepcional” como o apresentavam seus vendedores. Portando documentos em ordem, foi sequestrado em virtude de sua etnia embora estivesse, não na sua terra, na África, mas teoricamente – teoricamente – no lugar certo (?) e seguro naquele instante: o norte do país. Não na Louisiana.

Salomon se encontrava, ao ser apanhado, na mesma cidade em que Abraham Lincoln escreveu para um jornalista do New York Tribune após o início da Guerra da Secessão, duas décadas depois do seu sequestro: “meu principal objetivo nesta luta é salvar a União e não salvar a escravidão nem destruí-la; se eu pudesse salvar a União ao preço de não libertar um só escravo, eu o faria; e se pudesse salvá-la libertando todos os escravos, eu faria; se pudesse salvá-la libertando uns e abandonando a outros, também o faria."

Ao ver que os nortistas não conquistavam vitórias decisivas, Lincoln aderiu às reivindicações dos abolicionistas e transformou a guerra contra os Estados rebeldes numa luta contra a escravidão.

Perturba, talvez, os espectadores da história de Northup a ideia de que a sobrevivência, às vezes, depende de estômago de ferro, esperteza e razão afiada.

Há diversos fatos perturbadores que, se por acaso tivessem sido discutidos, dariam outra dimensão ao filme de McQueen.
 
Mesmo assim Doze anos de escravidão merece ser visto. Com ou sem Oscar, que isto é secundário.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/Doze-anos-de-escravidao-e-mais-de-100-de-um-certo-silencio%0A/39/30347

Outro motim na Folha! Colunista diz que STF prepara golpe branco

28.02.2014
Do blog CAFEZINHO, 13.01.14
Por Miguel do Rosário

 A gente tem falado isso há anos. O STF tem usurpado poder e se portado de maneira descaradamente golpista. Finalmente, alguém com espaço na grande mídia, premido pelos fatos, começa a levantar essa bola. É uma situação de alerta vermelho para a democracia brasileira.

O artigo de Ricardo Melo, por estar onde está, é uma bomba atômica tão grande quanto a entrevista de Ives Gandra e tem um significado. A ficha está caindo em setores da classe média que mantém a independência de alguns neurônios; não os terceirizaram para os hidrófobos da mídia. A onda que nasceu na blogosfera está começando a bater também em alguns quartos da Casa Grande, embora ainda na forma de manifestações esparsas, isoladas. Na verdade, temos apenas dois nomes na mídia velha que reverberam as preocupações que a blogosfera vem externando há anos: Jânio de Freitas e agora Ricardo Mello. Já é um começo, de qualquer forma.

É isso ou então Ricardo Melo está com os dias contados na Folha.

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Melo: STF ensaia “golpe branco” no Brasil

Por Fernando Brito, no Tijolaço.

O colunista Ricardo Melo, da Folha, publica hoje um artigo corajoso, onde aponta um “ensaio de golpe branco” pela Justiça brasileira, com o Supremo Tribunal Federal à frente.

“A coisa chegou ao ponto de pura esculhambação”, diz Melo, ao descrever o comportamento do presidente do STF, Joaquim Barbosa, no episódio deprimente da decretação “apressada” da prisão do deputado João Paulo Cunha e da saída do magistrado, mais apressada ainda, de férias, sem assinar as ordens que lhe competiam para a detenção do parlamentar.

O (mau) exemplo do STF contagiou todas as esferas judiciárias e até as não-judiciais, agora, se arrogam o direito de dizer o que mandatários eleitos pelo povo (o que eles não são) devem ou não fazer em matéria de leis e ações administrativas.

Um deformação que encontra em Joaquim Barbosa seu maior símbolo: segundo Mello, ele “se acha” a própria Justiça: “ manda prender, soltar, demitir, chafurdar, cassar, legislar -sabe-se lá onde isto vai parar, se é que vai parar.”

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Leia aqui o artigo de Ricardo Melo.”

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/01/13/outro-motim-na-folha-colunista-diz-que-stf-prepara-golpe-branco/#sthash.nr9aphrp.dpuf

Gleisi enquadra JB: "sua indicação é suspeita?"

28.02.2014
Do portal BRASIL247, 27.02.14

247 - A ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), criticou nesta quinta-feira (27) o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, pelas declarações que ele fez em que levantou suspeição sobre a indicação dos ministros que votaram contra o crime de formação de quadrilha aos condenados na Ação Penal 470.

"Ele abre mão da argumentação jurídica e técnica para insinuar que o processo de escolha careça de seriedade e responsabilidade. Estaria sua indicação também sujeita à suspeição?", questionou a senadora em discurso.  "Lamento que o presidente de um Poder sugira trama conspiratória do Poder Executivo e Legislativo para indicações do STF. É um dia triste sim, para a democracia brasileira, as declarações do excelentíssimo presidente do STF", disse Gleisi, acrescentando serem "lamentáveis" "tais ilações".

Embora não tenha dito diretamente, Barbosa deu a entender que à indicação pela presidente Dilma Rousseff de Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki em substituição a ministros que se aposentaram, teria se dado para beneficiar condenados na AP 470. 
Leia aqui as declarações de Barbosa.

Abaixo matéria da Agência Senado:

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) lamentou que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, tenha colocado em suspeita o processo de nomeação e designação de parte dos ministros da Corte. Segundo a senadora, Barbosa fez as observações por divergir do resultado do julgamento que absolveu do crime de formação de quadrilha oito condenados no processo do Mensalão.

- Por não estar de acordo com uma decisão da Suprema Corte, coloca em suspeição todo o processo de nomeação e designação dos membros do STF. Como se ele próprio não fosse resultado desse processo. Isso não faz bem à democracia brasileira. Esse é um processo que tem guarida na Constituição e na história da política brasileira.

Ao final do julgamento, nesta quinta-feira (27), Joaquim Barbosa criticou a decisão da maioria do STF de absolver os oito condenados e afirmou que a atual composição do Supremo “lançou por terra” o trabalho do ano passado.

"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora. Essa maioria de circunstância formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012", afirmou Barbosa, que já havia acusado o ministro Luís Roberto Barroso de fazer "discurso político" ao votar contra a condenação por formação de quadrilha.

A Constituição prevê em seu artigo 101 que os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República, depois de aprovados pela maioria absoluta do Senado.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/131722/Gleisi-enquadra-JB-sua-indica%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-suspeita.htm

Servidores da Saúde reclamam das condições de trabalho no Núcleo Estadual

28.02.2014
Do portal do SINDSPREV.PE, 19.02.14
Por Artur Maciel,da Redação

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O dirigente do Sindsprev-PE, Irineu Messias, realizou uma reunião no Núcleo Estadual do Ministério da Saúde em Pernambuco, na manhã da segunda-feira (17-02). Ele foi conferir queixas dos servidores do órgão acerca das condições de trabalho vigentes na repartição. Segundo os trabalhadores, são precárias as condições de trabalho oferecidas na repartição e as exigências acerca do novo ponto biométrico, implantado recentemente, são desiguais para os servidores da Saúde e de outros órgãos, como os do IBGE.

“A gente é obrigado a registrar, além da chegada e da saída no local de trabalho, a ida e a volta do almoço, mas outros servidores federais não têm a mesma obrigação. Por que a descriminação com a gente?”, questiona uma servidora. Também o deslocamento até as máquinas de ponto, localizadas no térreo e no quarto andar, obriga os servidores a estarem subindo e descendo escadas para cumprir a norma. “Aqui todo mundo tem mais de 50 anos, muitos realizam a refeição na copa e mesmo assim têm que se subir e descer escadas apenas para registrar hora de almoço”, reclama.
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O sistema implantado também é alvo de crítica. Segundo relatam, o programa não dá conta das diferentes cargas horárias do Núcleo, e muitas vezes as impressões digitais não são reconhecidas. Ao tempo que inovações tecnológicas são adotadas para controle das horas dos servidores, condições básicas de trabalho são ignoradas. Exemplo das incontáveis gambiarras nas ligações elétricas e eletrônicas da repartição, oferecendo inclusive riscos de incêndio.

Pior quando chove, pois as janelas fecham mas não vedam e a água se acumula em poças espalhadas por todos os cantos, reclamam. Também acusam a falta de água para beber, de papel higiênico nos banheiros e a presença de ratos e baratas nas dependências do Núcleo. Outra reivindicação é pela implantação de um posto de atendimento médico para os servidores.

Irineu Messias afirmou aos servidores que as reivindicações serão levadas ao conhecimento da Coordenadora Nacional de Recursos Humanos, em Brasília, durante a reunião da Mesa Setorial Nacional. Na oportunidade será discutida também a instalação das mesas setoriais estaduais, ligadas diretamente à coordenação de RH do Ministério da Saúde. “Com a implantação das mesas setoriais estaduais, fatos como esses seriam resolvidos mais rapidamente”, observa o dirigente do Sindsprev-PE, enfatizando que a proposta está sendo bem aceita no Ministério.
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Fonte:http://sindsprev.org.br/index.php?categoria=noticias_principais_01&codigo_noticia=0000002947&cat=noticias

"CAI O CASTELO DE CARTAS DO MINISTRO BARBOSA"

28.02.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/poder/131748/Cai-o-castelo-de-cartas-do-ministro-Barbosa.htm

Barbosa ofende colegas e a democracia

28.02.2014
Do blog CRÔNICAS DO MOTTA

Barbosa diz que foi derrotado por uma
 "maioria de circunstância".
Não seria hora de ele tentar a política?
(Foto: Valter Campanato/ABr)
Graças aos desabafos de alguns de seus ministros, notadamente do presidente Joaquim Barbosa, inconformados com o resultado do julgamento que absolveu José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares do crime de formação de quadrilha, ficou escancarado o caráter estritamente político de todo o processo da AP 470, o "Mentirão".
O destempero de Barbosa é típico daqueles que se veem numa situação limite - no seu caso, a iminência de ver todo o seu esforço para criminalizar o Partido dos Trabalhadores, por meio da condenação de alguns de seus líderes, ir por terra.

Se não fosse assim, certamente o presidente do STF mediria as suas palavras e não teria ofendido, numa só fornada, seus colegas de tribunal, a própria presidente da República - e, por consequência, a democracia que ele tem por dever preservar.

O que Barbosa disse hoje a jornalistas, num intervalo da sessão, é estarrecedor.
Ele conseguiu a façanha de, ao mesmo tempo, expor a sua egolatria, sua intolerância, sua falta de educação e civilidade e, pior de tudo, seu imenso desprezo pelas regras democráticas.

"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora", disse. "Essa maioria de circunstância foi formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012", disse.

“Esta é uma tarde triste para o Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios,  foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”, afirmou.

A sua espantosa declaração segue o tom daqueles que se julgam acima do bem e do mal, acima de seus semelhantes, daqueles que pensam ser possuidores do dom da infalibilidade, daqueles predestinados a conduzir os medíocres pela senda que os levará à salvação.

A história é pródiga em apontar tipos desse naipe - e todos, sem exceção, se deram mal, acabaram renegados pelo próprio rebanho que pensavam comandar.

O fato é que a decisão do STF, apesar de toda a gritaria de Barbosa e outros ministros, serviu para resgatar um mínimo da seriedade da mais alta corte de Justiça do Brasil.
Agora, é torcer para que essa nefasta figura siga o conselho do ex-presidente Lula e decida arriscar a sua verborragia no campo político.

Seria interessante vê-lo como candidato a qualquer cargo, debatendo com alguns profissionais da área.

Seria até didático para o eleitor assistir a esse "campeão" da moral e dos bons costumes às voltas com algumas questões espinhosas, como a compra de um imóvel nos EUA por meio de uma empresa fantasma, viagens de lazer custeadas pelos cofres públicos, reforma de um banheiro em seu apartamento funcional ao custo de R$ 80 mil, também custeados pelos contribuintes, e outras inquirições de caráter mais pessoal.

Gente de caráter muito mais sólido que o dele que se aventurou na política não aguentou dois rounds de luta...
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Fonte:http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/02/barbosa-ofende-colegas-e-democracia.html

Ex-diretor da Siemens diz que Serra dirigiu fraude em licitação de trens

28.02.2014
Do blog TIJOLAÇO, 27.02.14
Por Fernando Brito

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O Procurador Geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias da Rosa, é a última esperança  do  ex-governador Jose Serra para evitar que seja investigado e indiciado pelos desvios de dinheiro público operados entre o governo paulista e a Siemens.

O promotor Marcelo Milani – cumprindo exigência da legislação paulista, que garante aos ex-governadores o privilégio de só serem investigados pelo chefe do MP – enviou a ele o pedido para ir fundo na denúncia do ex-diretor de Transporte da Siemens, Nélson Branco Marchetti.

Marchetti diz que Serra dirigiu pessoalmente (em encontro na Holanda) e através de emissários e de “recados” a fraude no contrato para a “remobilização” de três trens da série 1700 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, firmado com a Alston em cartel com a empresa alemã.

O pedido foi revelado por Fausto Macedo e Bruno Ribeiro, do Estadão, que narram que Marchetti disse à Polícia Federal que “se reuniu com Serra em 2008 em uma feira na Holanda. Segundo ele, o ex-governador lhe disse que, caso a Siemens conseguisse na Justiça desclassificar a empresa espanhola CAF em uma licitação de compra de trens da CPTM, o governo iria cancelar a concorrência porque o preço da multinacional alemã era 15% maior”.

O documento do Promotor Milani está aqui, na íntegra.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=14676

Voto sobre quadrilha: O ataque de Barbosa a Barroso

28.02.2014
Do blog MEGACIDADANIA,  27.02.14

Cai quadrilha Nota da Defesa de José Dirceu

Após a absolvição do ex-ministro José Dirceu, nesta quinta-feira (27.02), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), seu advogado José Luis Oliveira Lima divulgou a seguinte nota:

O STF entendeu que jamais existiu a imaginada organização criminosa e que José Dirceu nunca foi chefe de quadrilha. A absolvição do ex-ministro José Dirceu do crime de formação de quadrilha atinge o coração, o cerne da acusação, demonstrando de maneira cabal a peça de ficção apresentada pelo Ministério Público.

José Luis Oliveira Lima

Por Equipe do Blog (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O BLOG DO ZÉ DIRCEU)
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Fonte:http://www.megacidadania.com.br/caiu-1a-ficcao-da-ap-470/

MANIPULAÇÃO NO STF: Um cheiro de cinzas no ar

28.02.2014
Do portal da Agência Carta Maior
Por Saul Leblon

Fica difícil afastar a percepção de que o carnaval conservador saltou para a dispersão sem passar pela apoteose. O cheiro de cinzas no ar é inconfundível. 

ArquivoComo parte interessada, a mídia jamais reconhecerá no fato o seu alcance: mas talvez o Brasil tenha assistido nesta 5ª feira a uma das mais duras derrotas já sofridas pelo conservadorismo desde a redemocratização.

Quem perdeu não foi a ética, a lisura na coisa pública ou a justiça, como querem os derrotados.

A resistência conservadora a uma reforma política, que ao menos dificultasse o financiamento privado das campanhas eleitorais, evidencia que a pauta subjacente ao julgamento da AP 470 tem pouco a ver com o manual das virtudes alardeadas.

O que estava em jogo era ferir de morte o campo progressista

Não apenas os seus protagonistas e lideranças.

Mas sobretudo, uma agenda de resiliência  histórica infatigável, com a qual eles seriam identificados.

Ela foi golpeada impiedosamente em 54 e renasceu com um único tiro; foi golpeada em 1960 e renasceu em 1962; foi golpeada em 1964, renasceu em 1988; foi golpeada em 1989, renasceu em 2003; foi golpeada em 2005 e renasceu em 2006, em 2010...

O  que se pretendia desta vez, repita-se, não era exemplar cabeças coroadas do petismo, mas um propósito algo difuso, e todavia persistente, de colocar a luta pelo desenvolvimento como uma responsabilidade intransferível da democracia e do Estado brasileiro.

A derrota conservadora é  superlativa nesse sentido, a exemplo dos recursos por ela mobilizados --sabidamente nada  modestos.

Seu dispositivo midiático lidera a lista dos mais esfarrapados egressos da refrega histórica.

Se os bonitos manuais de redação valessem, o  desfecho da AP 470  obrigaria a mídia ‘isenta’ a regurgitar as florestas inteiras de celulose que consumiu com o objetivo de espetar no PT o epíteto eleitoral de ‘quadrilha’.

Demandaria uma lavagem de autocrítica.

Que ela não fará.

Tampouco reconhecerá que ao derrubar a acusação de quadrilha, os juízes que julgam com base nos autos desautorizariam implicitamente o uso indevido da teoria  do  domínio do fato, que amarrou toda uma narrativa largamente desprovida de provas.

Se não houve quadrilha, fica claro o propósito político prévio  de emoldurar a  cabeça  do ex-ministro José Dirceu no centro de uma bandeja eleitoral, cuja guarnição incluiria nomes ilustres do PT, arrolados ou não  na AP 470.

O banquete longamente preparado  será degustado de qualquer forma agora.
Mas fica difícil  afastar  a percepção de que o carnaval conservador saltou  direto da concentração para  a dispersão sem passar pela apoteose.

Aqui e ali, haverá quem arrote  peru nos camarotes e colunas da indignação seletiva.

O cheiro de cinzas, porém, é inconfundível e contaminará por muito tempo o ambiente político e econômico do conservadorismo.

O  que se pretendia, repita-se, não era apenas criminalizar fulano ou sicrano, mas a tentativa em curso de enfraquecer o enredo que os mercados impuseram ao país de forma estrita e abrangente no ciclo tucano dos anos 90.

Inclua-se aí a captura do Estado para sintonizar o país à modernidade de um capitalismo ancorado na subordinação irrestrita da economia, e na rendição incondicional da sociedade, à supremacia das finanças desreguladas.

O Brasil está longe de ter subvertido essa lógica.

Mas não por acaso, a cada três palavras que a ortodoxia pronuncia hoje, uma é para condenar as ameaças e tentativas de avanços nessa direção.

O jogral é conhecido: “tudo o que não é mercado é populismo; tudo o que não é mercado é corrupção; tudo o que não é mercado é inflacionário, é ineficiência, atraso e gastança”.

O eco desse martelete percorreu cada sessão do mais longo julgamento da história brasileira.

Assim como ele, a condenação da política pelas togas coléricas reverberava a contrapartida de um anátema econômico de igual veemência,  insistentemente  lembrado pelos analistas e consultores: “o Brasil não sabe crescer, o Brasil não vai crescer, o Brasil não pode crescer --a menos que retome  e conclua  as ‘reformas’”.

O eufemismo cifrado designa o assalto aos direitos trabalhistas; o desmonte das políticas sociais;  a deflagração de um novo ciclo de   privatizações e a renúncia irrestrita a políticas e tarifas de indução ao crescimento.

Não é possível equilibrar-se na posição vertical em cima de um palanque abraçado a essa agenda, que a operosa Casa das Garças turbina para Aécio --ou Campos, tanto faz.

Daí o empenho meticuloso dos punhais midiáticos em escalpelar os réus da AP 470.

Que legitimidade poderia ter um projeto alternativo de desenvolvimento identificado com uma  ‘quadrilha’ infiltrada no Estado brasileiro?

Foi essa indução que saiu  seriamente chamuscada da sessão do STF na tarde desta 5ª feira.

Os interesses econômicos e financeiros que a desfrutariam continuam vivos.

Que o diga a taxa de juro devolvida esta semana ao degrau de 10,75% , de onde a Presidenta Dilma a recebeu e do qual tentou rebaixá-la, sob  fogo cerrado da república rentista e do seu jornalismo especializado.

Sem desarmar a bomba de sucção financeira essas tentativas  tropeçarão ciclicamente  em si mesmas.

Os quase 6% que o  Estado brasileiro destina ao rentismo anualmente, na forma de juros da dívida pública, dificultam sobremaneira desarmar o círculo vicioso do endividamento, do qual eles são causa e decorrência. 

É o labirinto do agiota: juro sobre juro leva a mais juro. E mais alto.

Dessa encruzilhada se esboça a disputa entre  dois projetos distintos de desenvolvimento.

A colisão entre as duas dinâmicas fica mais evidente quando a taxa de crescimento declina ou ocorrem mudanças de ciclo na economia mundial, estreitando adicionalmente a margem de manobra do Estado e das contas externas.

É o que a América Latina, ou quase toda ela, experimenta  nesse momento.

A campanha eleitoral deste ano prestaria inestimável serviço ao discernimento da sociedade se desnudasse esse conflito objetivo, subjacente à  guerra travada diante dos holofotes no julgamento da AP 470.

O conservadorismo foi derrotado. Mas não perdeu seus arsenais.

Eles só serão desarmados pela força e o consentimento  reunidos das grandes mobilizações democráticas. 

As eleições de outubro poderiam funcionar como essa grande praça da apoteose.

A ver.

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Um-cheiro-de-cinzas-no-ar/30369

Venezuela: Golpe de Estado suave

28.02.2014
Do BLOG DO MIRO, 
Por  Luciano Wexell Severo, no sítio Diálogos do Sul:

Mais uma vez a elite venezuelana, apoiada, treinada e financiada por Washington, arremete contra um governo democraticamente eleito. As lideranças da trama na Venezuela são Henrique Capriles, Leopoldo López, María Corina e Antonio Ledezma. Três playboys e um representante do partido Ação Democrática. Seu cálculo fácil aponta que Nicolás não teria a mesma capacidade de resistência que Chávez diante de um golpe. Existe, inclusive, a preocupação de que os americanos assassinem algum desses “líderes”, aprofundando o cenário de tensão interna e de pressão internacional.
A profunda crise dos últimos anos do século XX abriu o caminho para novas tentativas de projetos autônomos para a solução dos problemas nacionais na América Latina. Em um cenário de repúdio aos programas do FMI e do Banco Mundial, em dezembro de 1998 os venezuelanos apoiaram a candidatura de Hugo Chávez.

A eleição presidencial representou nada mais do que o resultado de um processo histórico, que desde a perfuração dos primeiros poços havia beneficiado as companhias petrolíferas e a uma reduzida elite local, em detrimento da imensa maioria da população. Ressurgiu, outra vez na Venezuela, um movimento continental em defesa da independência econômica, da soberania, da autodeterminação e da integração latino-americana.

Para fazer omelete é preciso quebrar os ovos

As principais medidas do novo governo, tanto no campo econômico como no social, foram no sentido de corrigir as históricas distorções estruturais e refundar o país. Seguindo por esse caminho haveria, como efetivamente tem havido desde 1999, enfrentamentos frontais e irremediáveis com os setores e os interesses mais privilegiados. Qualquer mudança para melhor passa, obrigatoriamente, pela ruptura do injusto estado de coisas. Por esse motivo, desde a posse, o governo bolivariano tem enfrentado situações políticas e econômicas muito desfavoráveis, geradas pela resistência da aliança entre os interesses internacionais –sobretudo estadunidenses– e a oligarquia nativa.

Frente aos atuais cenários, recordamos alguns acontecimentos ocorridos há 12 anos. Naquele momento, as ações interventoras do governo provocaram uma dura resposta da oposição, em uma batalha que durou quase dois anos. Entre dezembro de 2001 e fevereiro de 2003, a Venezuela viveu sua mais complexa crise política e económica. Na vanguarda da campanha opositora estavam a alta gerência da PDVSA, a Fedecámaras, a Central de Trabalhadores da Venezuela (CTV) e os demais setores oligárquicos e conservadores comprometidos com os interesses estrangeiros. Na retaguarda, a Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, a máfia de Miami e a instituição Igreja Católica Apostólica Romana.

Os preparativos para o golpe de Estado foram apoiados pelos grandes meios privados de comunicação, que naquele então agiam ainda mais impunimente do que hoje. No dia 11 de abril, franco-atiradores organizados pela oposição dispararam desde diversos pontos do centro da cidade sobre manifestantes que marchavam tanto em apoio como contra o governo. Os canais privados de televisão, cumprindo sua função em um show orquestrado muito antes, distorceram os fatos e acusaram o governo pelos assassinatos. Antes do desenlace dos lamentáveis acontecimentos, os militares golpistas já haviam gravado e regravado um vídeo no qual condenavam “as mortes” e declaravam a sua “desobediência”. O documentário irlandês “A Revolução não será transmitida” expõe esses acontecimentos de forma bastante clara.

De volta para o passado
 
Em uma cerimônia sombria no Palácio de Miraflores, o autoproclamado presidente Pedro Carmona –que entrou para a história como Pedro, O Breve– demorou poucos minutos para dissolver a Assembleia Nacional eleita pelo povo; anular as Leis de Hidrocarbonetos, de Terras e outras 47 normas jurídicas; anular a Constituição de 1999, uma das únicas do mundo aprovadas mediante Referendo Popular; suspender as exportações de petróleo para Cuba; ordenar a perseguição de ministros, deputados e autoridades de distintos poderes; eliminar o complemento “Bolivariana” do nome oficial da Venezuela; definir que o país sairia da OPEP, entre outras medidas. Este “democrata” recebeu apoio aberto dos atuais “líderes” da oposição venezuelana. Mas, como se sabe, o povo organizado e as Forças Armadas fieis ao processo de transformações garantiram o resgate e o regresso de Chávez ao Palácio.

No final de 2002, houve uma nova ofensiva golpista. Com o decidido apoio dos grandes meios de comunicação, algumas entidades convocaram paralizações nacionais e se declararam em “desobediência civil”. O movimento, que caminhou para uma “greve geral” foi impulsionado essencialmente pela classe patronal. O objetivo supremo era que Chávez renunciasse.

Não demorou muito para que a gerência da PDVSA, ideologicamente submetida aos interesses estrangeiros, assumisse o seu papel. Durante o momento mais tenso do conflito –que durou até janeiro de 2003– foram destruídos equipamentos, máquinas, computadores e estruturas físicas de plantas industriais e refinarias; sequestradas embarcações petroleiras e suspendidas as exportações; explodidos oleodutos e derramado petróleo propositalmente. O país petroleiro viveu um momento bizarro, com racionamento de combustíveis. Além disso, os cidadãos formaram quilométricas filas para comprar água, comida, gás ou gasolina.

O PIB desmoronou 8,9% em 2002. O setor industrial ficou praticamente paralisado: havia caído 13,1% em 2002 e baixou 6,8% em 2003. A atividade manufatureira vinha encolhendo desde os anos de neoliberalismo dos noventa, mas chegou ao fundo do poço em 2002 e 2003. A conspiração planificada desde Washington (ver o livro “O código Chávez”, da venezuelano-americana Eva Golinger) derrubou a produção petrolífera de três milhões de barris diários para menos de 200 mil, freando o aparato produtivo e provocando o fechamento de centenas de empresas. Parece mentira, mas à beira do colapso econômico, em janeiro de 2003, o país foi obrigado a importar petróleo. Os produtos básicos desapareceram e os preços saltaram barreiras inimagináveis. A situação de insuficiência extrema demostrou claramente a extrema dependência venezuelana da importação de diversos bens, estimulando o governo a ampliar projetos relacionados com a “soberania alimentar”, inclusive com o apoio da Embrapa. A inflação, que até então havia apresentado tendência decrescente, explodiu outra vez. O cenário para um novo golpe de Estado ia ganhando corpo.

Os números do Banco Central da Venezuela (BCV) demonstram que durante o primeiro e o segundo trimestres de 2003, o PIB caiu impressionantes 15,8% e 26,7%, respectivamente. No mesmo período, o PIB petroleiro despencou 25,9% e 39,5%. No total, foram sete trimestres consecutivos de retração da economia, quase dois anos de graves consequências geradas pelo golpismo. O PIB per capta, as reservas internacionais e a taxa de investimento como proporção do PIB caíram bruscamente. Ampliou-se o desemprego, a inflação e as taxas de juros. A queda da economia em 2003 foi de 7,7%. Naquele ano, em termos reais, tocou um nível abaixo de 1991. Essa “guerra econômica” foi parte da estratégia para derrubar Chávez.

Tendo olhos, não vedes?
 
Uma das deformações herdadas do período neoliberal é o desprezo pelo processo histórico. A visão de curto prazo, a razão dos modelinhos micro-econômicos e do sistema financeiro: virtual, atemporal, indiferente à realidade, fictícia. Essa poderia ser uma das explicações para que alguns “analistas” se prestem ao vexame de depositar a responsabilidade daquele desastre no governo. Segundo estes mestres da análise da política e da economia, o fechamento de empresas, o crescimento do desemprego, a queda da renta, o aumento da inflação e os resultados negativos da economia entre 1999 e 2003 não seriam resultado das ações golpistas de uma parcela da oposição.

Frente a isso, é bem oportuno recordar que Chávez ganhou as eleições presidenciais de 1998 porque a Venezuela enfrentava a sua mais catastrófica crise econômica, política, social, institucional e moral, depois de quarenta anos de Pacto de Punto Fijo. O país literalmente agonizava como reflexo da submissão plena da Nação às transnacionais e à oligarquia. O assalto estrangeiro sobre a economia nacional era custodiado internamente pela nata da alta sociedade venezuelana, que gozada a vida afogada em uma permanente festa oligárquico-petroleira. Os clubes de golfe, os imensos casarões e os condomínios de alto padrão de Caracas são testemunhos desta infeliz constatação. Fora da capital, ainda praticamente intocados, estão os paraísos privados do Caribe e as imensas extensões de terras no estilo da fazenda El Miedo, do romance Dona Bárbara.

Uma análise séria –seja acadêmico ou informativa– pode constatar que, apesar dos eventuais problemas e de todas as dificuldades que surgem ao longo do processo de transição ao socialismo via edificação de um Capitalismo de Estado, o atual governo não é o criador dos complexos problemas estruturais da Venezuela. Pelo contrário, o governo tem se esforçado exatamente para corrigir essas distorções geradas durante as últimas décadas. Enfim, essa parece ser a interpretação da maioria dos venezuelanos que votam seguidamente pela continuidade da Revolução Bolivariana.

Nunca parece demais afirmar que a Venezuela é um país profundamente democrático. Além de realizar eleições transparentes com alta participação popular –em pleitos reconhecidos pelo mundo inteiro, exceto pelo governo dos Estados Unidos–, o país é um dos que mais avança em políticas sociais inclusivas. Muito mais do que realizar eleições, o governo venezuelano combate a pobreza e a desigualdade social, obtendo conquistas impressionantes nos últimos 15 anos. Os dados são públicos e estão divulgados nos sites de diversas instituições, como a CEPAL, e de órgãos da ONU, como a UNICEF e a FAO.

Piratas voltam à carga
 
Depois de perder as eleições para presidente e para governadores em 2012 e para presidente e para prefeitos em 2013, uma parcela da oposição assumiu uma postura desesperada. O centro do faniquito reside especialmente nas figuras de Leopoldo López e Maria Corina Machado (a mesma que em 2005 foi à Casa Branca encontrar-se com George W. Bush). Ambos teriam rompido com uma denominada “agenda democrática” de Henrique Capriles Radonski. É preciso continuar acompanhando esta suposta ruptura dentro do bloco opositor. Parece muito precipitado e simplista considerar que houve uma divisão entre uma oposição democrática e outra golpista. Inclusive porque faz poucos meses o próprio Capriles se negou a reconhecer a vitória eleitoral de Maduro, promovendo manifestações de vandalismo que resultaram no falecimento de mais de 10 pessoas. Apenas para lembrar, o jovem “democrata” também apoiou o golpe de 2002 e participou ativamente do assédio à Embaixada de Cuba em Caracas (registrado em um bom documentário disponível na internet).

Novamente os golpistas investem na desestabilização política, com atos de vandalismo e quebra-quebra. Mas os seus meios de comunicação, que ainda controlam a maioria das tevês, rádios, jornais e revistas da Venezuela, denunciam uma “repressão feita pelo governo”. As redes sociais estão repletas de supostas fotografias de manifestantes venezuelanos sendo agredidos nas ruas. No entanto, como está sendo formalmente denunciado pelas autoridades do país, se tratam de imagens colhidas de protestos realizados nos mais diversos lugares do planeta. Mostram repressão por parte da polícia grega, turca, alemã… Não é a polícia venezuelana.

Ao mesmo tempo, há meses, os golpistas apostam no sumiço de bens de primeira necessidade. Escondem e desaparecem com os produtos para gerar insatisfação e a explosão dos preços. Mas os seus meios de comunicação, muito bem pagos pelas grandes corporações, denunciam “a inflação mais alta da América Latina”. Mesmo que seja repetitivo, é preciso dizer que adotam a mesma “fórmula para o caos” que derrubou Allende, tratando de desestabilizar a economia e a sociedade com atentados, especulação e terror. É bastante perigoso que a grande mídia privada venezuelana continue disfrutando de total impunidade para mentir, falsificar os fatos e estimular a derrubada do governo. A “liberdade de expressão” não pode ser um mero esconderijo para camuflar a libertinagem e o golpismo.

Neste momento, mais uma vez a elite da Venezuela, apoiada, treinada e financiada por Washington e pela Embaixada americana em Caracas, arremete com força contra um governo democraticamente eleito. As lideranças nativas da trama, as mais evidentes, são playboys oriundos de famílias privilegiadas e antigos representantes dos insepultos partidos Acción Democrática (AD) e COPEI. Por quê nutrem tanto ódio? Porque foram historicamente beneficiados pelo Puntofijismo, seja por meio de empregos na sua PDVSA “privatizada” ou via contratos de empresas. Uma busca rápida a respeito dos seus antecedentes remete a informações esclarecedoras sobre a sua vinculação com a máfia de Miami, com os narcotraficantes da Colômbia e com a organização Tradição, Família e Propriedade (TFP).

Hoje, seu cálculo fácil aponta que Nicolás não teria a mesma capacidade de resistência que Chávez diante de um golpe. O plano é sangrar o governo pouco a pouco. Gerar insatisfações, constrangimentos, inflação, distúrbios e caos. Não parece exagero a preocupação venezuelana frente à possibilidade de assassinato de algum desses “líderes” golpistas, o que aprofundaria o cenário de tensão interna e de pressão internacional. As graves acusações contra Washington estão sendo documentadas.

Virão mais Chávez
 
A situação em 2014 não é a mesma de 2002. Ainda que fisicamente não esteja Chávez, as forças bolivarianas parecem estar muito mais consolidadas. Apesar das dificuldades e inclusive dos eventuais erros, o campo nacionalista, socialista, revolucionário ou bolivariano assumiu o controle sobre a renda petrolífera obtida por meio da PDVSA. Além disso, passou a dominar as Forças Armadas e o acesso às divisas internacionais. Também tem muito mais presença no campo produtivo, por meio de estatais, de empresas recuperadas por trabalhadores ou nacionalizadas, e dos mecanismos de comunicação social. Parece evidente que o cenário do golpe de estado de 2002 não existe mais na Venezuela.

Mas talvez o mais importante de tudo nem seja isso. O elemento principal é que nestes 12 anos o povo venezuelano ganhou muita consciência política e não parece estar disposto a permitir uma volta ao passado. Milhões de homens e mulheres que renasceram, e tiveram a sua dignidade e o seu orgulho resgatados, não admitirão o regresso da crescente exclusão social, da abismal desigualdade económica e da submissão do país ao estrangeiro.

Para concluir, considero útil fazer referência a duas frases bastante significativas. A primeira é de Chávez, de 2004. Há dez anos ele gritou do Balcón del Pueblo, comemorando a vitória no Referendo de 15 de agosto que “Venezuela cambió para siempre”. A outra frase é de Maduro. Em abril de 2013, comemorando a vitória nas eleições presidenciais, previu: “Vendrán más Chávez”. Todo apoio ao povo venezuelano e ao seu presidente.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/02/venezuela-golpe-de-estado-suave.html