sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mídia incita o ódio. Até quando?

14.02.2014
Do BLOG DO MIRO
Por Ana Graziela Aguiar*, no Observatório do Direito à Comunicação:

As cenas de violência contra um jovem de dezesseis anos, amarrado nu a um poste, no Rio de Janeiro, chocaram o país. O jovem foi espancado e estava sendo linchado publicamente, supostamente por ser acusado de roubo. A imagem já é chocante, mas ganhou cores ainda mais intensas com o comentário feito pela jornalista Rachel Sheherazade, âncora do principal telejornal do SBT. Conhecida por seus pronunciamentos conservadores, Sheherazade classificou o adolescente como “marginalzinho” e afirmou que a atitude de “vingadores” é compreensível em um país onde, segundo ela, o Estado é omisso e a justiça falha. Não satisfeita, a jornalista incitou: “O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima é desarmado? Se defender, é claro”.

O comentário de Rachel Sheherazade reacendeu a importante discussão sobre a relação da mídia com os direitos humanos, que percorre desde a incitação à violência e o desrespeito aos direitos humanos e chega à discussão sobre a concessão de rádios e TVs no Brasil. Diante disso, é fundamental recordar que o respeito “à dignidade da pessoa humana” consta já no primeiro artigo da Constituição Federal. Ao incitar a violência, convocar o cidadão a ir para as ruas e “resolver” o que o Estado e a polícia são incapazes de resolver, Rachel Sheherazade feriu de forma grave a Constituição. E não apenas.

Ela desrespeitou também a proteção à criança e ao adolescente, que é reafirmada no artigo quinto do Estatuto da Criança e do Adolescente: “ Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”. Quando concorda com o linchamento público de um adolescente suspeito de roubar algo, a jornalista fere também o ECA e legitima o preconceito e o extermínio sofridos por jovens negros de todo o país.

Além de leis que regem a atuação de todos nós, cidadão comuns em nossa vida em sociedade – e aqui se inclui também Sheherazade, há outras normas que regulam emissoras de rádio e de televisão e que seguem sendo desrespeitadas com frequência, certamente encorajadas pelo silêncio do Estado, do governo, do Ministério das Comunicações. Desresponsabilização que foi utilizada pelo SBT como argumento para se esquivar das inúmeras críticas à postura expressa no telejornal da emissora.

O que não condiz com a verdade. Por se tratar de um bem público e, portanto, que deve ser regulamentado pelo Estado, há uma série de leis que organizam o campo das comunicações e que deveriam ser seguidas. É o caso do decreto que regulamenta os serviços de radiodifusão (Decreto presidencial 52795/63), que em seu Artigo 28, item 12, inciso b, determina que que as emissoras devem respeitar obrigações como “ não transmitir programas que atentem contra o sentimento público, expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico”.

É importante ressaltar que embora a liberdade de radiodifusão seja algo assegurado pelo Código Brasileiro de Telecomunicações, infrações podem e devem ser punidas. O Artigo 122 do mesmo Regulamento dos Serviços de Radiodifusão, em seus item 1, 4 e 5, respectivamente, deixa claro que incitar a desobediência às leis ou às decisões judiciárias; fazer propaganda de guerra ou de processos violentos para subverter a ordem política ou social e promover campanha discriminatória de classe, cor, raça ou religião são faltas graves, cuja pena pode variar de um a trinta dias de suspensão para permissionárias e/ou concessionárias dos serviços de radiodifusão.

Cabe ao Ministério das Comunicações fiscalizar de forma ostensiva todo o conteúdo veiculado por emissoras de rádio e televisão e fazer com que o Código Brasileiro de Telecomunicações seja respeitado. Além desse acompanhamento por parte do Estado, é papel também do cidadão tomar a comunicação como um direito seu e atuar diretamente na observação e denúncia de desrespeitos aos direitos humanos observados no sistema de radiodifusão.

É a partir de um olhar crítico do cidadão que teremos menos “Racheis Sheherazades” e mais espaço para um jornalismo que cumpra realmente com a função social de informar e educar. E a resposta à provocação feita pela jornalista, quando nos convida a “adotar um bandido” deve sempre ser a de: sim, queremos acolher e proteger um ser humano. E queremos que a mídia faça o mesmo ou que seja responsabilizada pelo descumprimento da legislação e de suas funções.

* Ana Graziela Aguiar é jornalista e integrante do Intervozes

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/02/midia-incita-o-odio-ate-quando.html

Cubano diz à Folha que o Brasil foi só uma “escala para o EUA”

14.02.2014
Do blog TIJOLACO
Por Fernando Brito

corzo
A reportagem de Isabel Fleck na Folha de hoje, onde o médico cubano Jose Armando Corzo informa que já veio para o Brasil, trabalhar no “Mais Médicos” como “escala” para seu plano de emigrar para os Estados Unidos põe luz na história da “fuga em massa” dos médicos de Cuba ( cinco, de cinco mil!) do programa.
“Quando fui para o Brasil, já sabia da existência do visto e que ali eu poderia entrar com o meu pedido”.
O visto em questão é o do programa Cuban Medical Parole Program, criado em 2006 por George W. Bush para aliciar médicos cubanos que trabalhassem por contrato ou em missões humanitárias no exterior.
Não vale para mexicanos, para guatemaltecos, para dominicanos, para surinameses. Nem para brasileiros.
Eles recebem um visto de permanência e, depois de um certo tempo, a cidadania americana.
Mas não poderão trabalhar como médicos, sem que passem antes por um processo de revalidação do diploma, segundo eles próprios mais difícil que o brasileiro.
O processo descrito à Folha, que envolveu o deslocamento (ou, mais provavelmente, os deslocamentos) de um médico que oficialmente não tinha recursos em dinheiro para fazê-lo do interior  do Maranhão para o consulado americano em Recife, para solicitar e, depois de seis semanas, receber um “visa” para os EUA ( não creio que este pipo seja enviado pelo Correio) e, após, para um aeroporto com vôo para Miami, onde ele se encontra agora, revela que houve financiamento para sua fuga.
Não é difícil imaginar de onde partem estes recursos.
Outras Ramonas, Ortélios e Corzos farão o mesmo.
Cuidar de seus interesses pessoais.
Boa viagem.
Só, por favor, não os façam de heróis da liberdade, porque neste caso seria melhor ir entrevistar o pessoal da fila de brasileiros para obter um simples visto de turista nos EUA.
Ou o Dr. Jose Angel Isaac, o outro médico cubano que continua atendendo o povo miserável de Timbiras, no Maranhão
Isso é Guerra Fria, nada mais.
Lá fora, dos EUA contra Cuba.
Aqui, dos que são contra um programa, com cubanos, espanhóis, argentinos ou até marcianos são contra um programa que leva médicos a brasileiros pobres, miseráveis, desassistidos, onde, mesmo que pagando R$ 10 mil reais por mês, pouquíssimos médicos brasileiros não querem ir.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=14021

PROTESTOS VIOLENTOS: PROVOCADORES DE ALUGUEL

14.02.2014
Do blog AMORAL NATO

A baderna paga a R$ 150 demonstra o fracasso de quem não tem capacidade de atrair a população para suas ideias

 Paulo Moreira Leite

A notícia de que dirigentes de alguns partidos de esquerda não-petista decidiram pagar R$ 150 para garantir presença em seus protestos políticos  não é grave. É deprimente.  
Se é imoral comprar votos numa eleição, eu acho ainda mais condenável comprar presença em manifestação. 
 
É prova de um grande fracasso político. 
 
Apenas lideranças incapazes de formular propostas para atrair uma parcela significativa população para  seus projetos têm necessidade de fazer isso. 
 
Claro que nossa história está recheada de cabos eleitorais profissionais e que a maioria dos partidos com alguma estrutura -- e mesmo organizações pequenas -- tem lã seus  funcionários pagos. Já fui a vários comícios, de vários partidos, onde a massa presente era composta de funcionários públicos forçados a bater palma. É vergonhoso, é desagradável, mas não é disso que estamos falando.
 
Estamos diante de pessoas que são arregimentadas -- e pagas -- para cometer atos de provocação.
 
É possível travar um debate legítimo com uma pessoa que comete atos de violência.

Ela pode estar convencida de uma ideia errada -- mas há um debate a ser feito. Você pode queimar a garganta falando sobre a conjuntura, a relação de forças, os valores democráticos, o diabo. 
 
Outra coisa é enfrentar alguém que é pago para fazeruma provocação.  
 
O que se faz? Paga-se R$ 200 para o cara mudar de ideia? 
 
É claro que essa situação serve de estímulo a um coral conservador contra a democracia, a favor da criminalização dos movimentos sociais e, não se enganem, contra a luta política em geral.

O alvo final é a democracia.  
 
Veja o absurdo: a morte de Santiago Andrade, provocada por um rojão arremessado por um capanga -- o nome está errado? é forte?  -- contra um cinegrafista que poderia ter tido a vida salva se lhe tivessem dado equipamento adequaqdo, ameaçou criar uma crise política real.
 E era tudo teatro, artifício. encenação -- apenas o sangue era de verdade.  
 
Há outro ponto curioso para se observar. 

Como ficou claro em junho de 2013, a baderna e mesmo a violência dos protestos chegaram a receber estímulos -- dentro de certo limite -- por parte da oposição ao governo Dilma. A razão era óbvia. Estes movimentos ajudavam a desgastar o governo Dilma, associavam o Planalto com a ideia de baderna, o que poderia se transformar num motivo a mais para se tentar mudar o voto do eleitorado em 2014. 
 
Resta saber o que vai acontecer agora. 

Como aconteceu em outras eleições, partidos de esquerda planejam lançar candidatos próprios em 2014.

É  claro que, sem nenhuma chance real de vitória, todos serão preservados -- na medida do possível -- em sua função de roubar votos à esquerda do governo, ajudando a oposição conservadora em seu esforço estratégico de garantir uma eleição em dois turnos. Todos estão unidos na bandeira Não vai Ter Copa, lembram? 
 
Todos têm o direito de apresentar propostas e defender suas ideias. Mas a provocação e o embuste não fazem parte de métodos aceitáveis de disputa política. 
 
O fundo da questão é este.
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Fonte:http://amoralnato.blogspot.com.br/2014/02/provocadores-de-aluguel.html

IBDP elogia autonomia nas decisões do CRPS

14.02.2014
Do portal do INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO, 26.11.13
Por Design e Assessoria de Comunicação 

Nas atividades relacionadas a julgamento de recursos, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) não está vinculado aos pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social aprovados pelo Ministro de Estado, bem como as súmulas e pareceres normativos da Advocacia-Geral da União. O Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) elogia o conselho pela nova orientação, editada na semana passada, a qual dá mais autonomia ao CRPS.

O CRPS funciona como um tribunal administrativo e tem por função básica mediar os litígios entre segurados e o INSS, conforme dispuser a legislação, e a Previdência Social. Para o IBDP é fundamental que exista um órgão efetivo de revisão das decisões do INSS, com liberdade na interpretação da legislação. “Não teria sentido um Conselho de Recursos apenas para reafirmar o que o INSS entende”, explica Jane Berwanger(foto), presidente do IBDP.

Entre os demais enunciados, editados pelo CRPS, estão: A revisão dos parâmetros médicos efetuada em sede de benefício por incapacidade não rende ensejo à devolução dos valores recebidos, se presente a boa-fé objetiva; O tempo de serviço laborado como professor pode ser enquadrado como especial, nos termos do código 2.1.4 do Quadro anexo ao Decreto 53.831/64, até 08/07/1981, data anterior à vigência da Emenda Constitucional n° 18/1981; É permitida a cumulação de auxílio-suplementar ou auxílio-acidente com aposentadoria de qualquer espécie, concedida de 25/07/1991 a 10/11/1997.

Estas orientações guiam todos os conselheiros que julgam processos administrativamente. “O presidente do conselho tem dado mostras de que pretende cada vez mais transformar o CRPS numa alternativa viável para solucionar conflitos, desafogando o Poder Judiciário”, afirma Jane.
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Fonte:http://www.ibdp.org.br/noticias2.asp?id=1165

WANDERLEY: OS WHITEBLOCS SÃO OS ASSASSINOS INTELECTUAIS

14.02.2014
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

“Os whiteblocs disfarçam o salário na pregação ao amparo do direito de expressão”.

Conversa Afiada reproduz da Carta Maior a cortante e incomparável lucidez do professor Wanderley Guilherme dos Santos:

A NOVA ERA DA VIOLÊNCIA


por Wanderley Guilherme dos Santos

Professores universitários do Rio de Janeiro, de São Paulo e outras universidades falam do governo dos trabalhadores como se fosse o governo do ditador Médici, embora durante aquele período não abrissem o bico. Vetustos blogueiros, artistas sagrados como marqueteiros crônicos, jovens colunistas em busca da fama que o talento não assegura, políticos periféricos ao circuito essencial da democracia, teóricos sem obra conhecida e de gogó mafioso, estes são os mentores da violência pela violência, anárquica, mas não acéfala. Quem abençoa um suposto legítimo ódio visceral contra as instituições, expresso em lamentável, mas compreensível linguagem da violência, segundo estimam, busca seduzir literariamente os desavisados: a violência é a negação radical da linguagem. Mentores whiteblocks, igualmente infames.

A era da violência produziu a proliferação dos algozes e a democratização das vítimas. Antes, a era das máquinas trouxe a direta confrontação entre o capital e o trabalho, as manifestações de protesto dirigiam-se claramente aos capitalistas em demanda por segurança no serviço, salário, férias, descanso remunerado, regulamentação do trabalho de mulheres e crianças. Reclamos precisos e realizáveis. Politicamente exigiam o fim do voto censitário, o direito de voto das mulheres, o direito de organização, expressão e manifestação. Exigiam, em suma, inclusão econômica, social e política. 

Os mentores dos algozes possuíam nome e residência conhecida. Os executores eram igualmente identificáveis: as forças da repressão, fonte da violência acobertada pela legislação que tornava ilegais as associações sindicais, as passeatas, os boicotes e as greves. As vítimas estavam à vista de todos: operários, operárias, desempregados, além de cidadãos, escritores e jornalistas solidários com a causa dos miseráveis.

Não há porque falsificar a história e negar que, ao longo do tempo, sindicatos mais fortes e oligarquizados também exerceram repressão sobre organizações rivais, bem como convocatórias grevistas impostas pela coação de operários sobre seus iguais. A era das máquinas não distribuía a violência igualitariamente, mas algozes e vítimas possuíam identidade social clara.

A atual era da violência, patrocinada por ideólogos, jornalistas, blogueiros, ativistas (nova profissão a necessitar de emprego permanente), professores, artistas, em acréscimo aos descontentes hepáticos, testemunha a agregação de múltiplos grupelhos, partidos sem futuro e fascistas genéticos aos tradicionais estimuladores da violência, os proprietários do capital, São algozes anônimos, encapuzados, escondidos nos codinomes das redes sociais, na covardia das palavras de ordem transmitidas a meia boca, no farisaísmo das negaças melífluas. Os whiteblocs disfarçam o salário e a segurança pessoal nas pregações ao amparo do direito de expressão e de organização. Intimidam com a difamação de que os críticos desejam a criminalização dos movimentos sociais. Para que não haja dúvida: sou a favor da criminalização e à repressão das manifestações criminosas, a saber, as que agridam pessoas, depredem propriedade, especialmente públicas, e convoquem a violência para a desmoralização das instituições democráticas representativas.

As vítimas foram, por assim dizer, democratizadas. Lojas são saqueadas, vidros de bancos estilhaçados, passantes, operários, classes médias, e mesmo empregados e subempregados que a má sorte disponha no caminho da turba são ameaçados e agredidos. A benevolência do respeito à voz das ruas é conivência. Essas ruas não falam, explodem rojões. Não há diálogo possível de qualquer secretaria para os movimentos sociais com tais agrupamentos porque estes não o desejam. E, quando um quer, dois brigam.

A era da violência é obscura. Não me convencem as teorias do trabalho precário porque não cobrem todo o fenômeno, também é pobre a hipótese de uma classe ascendente economicamente com aspirações em espiral (já sustentei esta hipótese), e, sobretudo, não dou um centavo pela teoria de que almejam inclusão social. Eles dizem e repetem à exaustão que não reclamam por inclusão alguma, denunciada por seus professores como rendição à cooptação corrupta.

Os autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por acontecer são os whiteblocs. Têm que ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia. Não podem levar no grito.

Não deixe de assistir à “resposta dos black blocs ao editorial do jn”.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/02/14/wanderley-os-whiteblocs-sao-os-assassinos-intelectuais/

O JOGO SUJO CONTRA O MAIS MÉDICOS

14.02.2014
Do portal BRASIL247
Por Davis Sena Filho

Davis Sena FilhoA direita sabe que o Estado de São Paulo é essencial para sua sobrevivência política, e programas, a exemplo do Mais Médicos, são pedras nos sapatos do PSDB e da imprensa de mercado, arco e flecha da direita brasileira, uma das mais poderosas e violentas

O porta-voz dos latifundiários brasileiros, deputado Ronaldo Caiado (GO), político de extrema direita filiado ao DEM — partido herdeiro da golpista UDN — apareceu com uma médica cubana a tiracolo. A médica é considerada pela imprensa burguesa uma "dissidente", como se ela em algum momento tivesse sido perseguida politicamente no Brasil ou fosse obrigada a trabalhar como "escrava", conforme publicações de má-fé no site oficial do PSDB e de alguns jornalões e revistas de direita, que, sistematicamente, tentam sabotar o Programa Mais Médicos por causa de interesses eleitorais e corporativistas.

Contudo, o direitista Caiado não se aguentava de satisfação. Parecia que o latifundiário goiano tivesse ganhado um prêmio bilionário sozinho em loteria de Las Vegas, pois seu riso era de júbilo e escárnio, bem como sua maneira mequetrefe de aparecer na mídia conservadora realmente encheu os olhos dos médicos coxinhas encastelados no Conselho Federal de Medicina (CFM), cujo presidente, Roberto Luiz d'Ávila, dá o tom oposicionista e corporativista a um programa de governo que visa, sobretudo, atender às reivindicações das manifestações de junho de 2013, que exigiam, dentre outros pleitos, o aumento no número de médicos para atender à população, principalmente às pessoas que moram nas periferias das grandes cidades e nos rincões do Brasil.

O Mais Médicos é composto por profissionais de diferentes nacionalidades, inclusive por médicos brasileiros que se dispuseram a ingressar no programa. Todavia, a direita se interessa apenas pelos profissionais cubanos, por questões ideológicas de fundo mesquinho, pois o propósito é fazer com que o Mais Médicos não conquiste a simpatia e a admiração do povo brasileiro, porque entidades como os CRM, o CFM, a Associação Médica Brasileira (AMB) lutam contra a democratização da medicina e a direita partidária, aliada à imprensa de negócios privados, consideram que o fracasso do programa vai beneficiá-los eleitoralmente.

A derrota do Mais Médicos representa para esses grupos conservadores, que historicamente não têm quaisquer compromissos com o desenvolvimento do Brasil e a emancipação do povo brasileiro, a derrota do PT e do Governo trabalhista, além de eleitoralmente significar um fator bastante negativo à candidatura do ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao Governo de São Paulo, Alexandre Padilha, que está a efetivar caravanas por todo o estado bandeirante, a discutir os problemas da saúde, da educação e da segurança, além de prometer efetivar suas propostas se, porventura, for eleito em outubro deste ano pelo povo paulista.

A direita sabe que o Estado de São Paulo é essencial para sua sobrevivência política, e programas, a exemplo do Mais Médicos, são pedras nos sapatos do PSDB e da imprensa de mercado, arco e flecha da direita brasileira, uma das mais poderosas e violentas do mundo e que não mede esforços e consequências para retornar ao poder, controlar o Governo Federal, e, consequentemente, sonegar o acesso ao bem-estar social ao povo brasileiro, como sempre fez no decorrer de 514 anos de história deste País e quer continuar a fazê-lo.

Por isto e por causa disto, é que uma simples desistência de uma médica cubana se torna uma novela pastelão, de péssimo enredo, cujo ator principal, roteirista e diretor é o extremado à direita, deputado Ronaldo Caiado, um dos caciques do DEM, chefão latifundiário da União Democrática(?) Ruralista-UDR e que luta, ferrenhamente, contra a reforma agrária e quaisquer ações que visem a igualdade social e o direito a oportunidades. Ronaldo Caiado é radical e pessoa influente, porque tem relações importantes no Brasil e no exterior com entidades civis e partidos de direita. Como chefe da UDR, boicotou e sabotou, de todas as maneiras, a Constituinte e, radical que é, afrontou os parlamentares que desejavam uma reforma agrária mais ampla, bem como não escaparam de sua fúria e desfaçatez até os políticos moderados, no que tange à reforma agrária.

Médico, o deputado líder do DEM – o pior partido do mundo – é um dos próceres na Câmara em defesa dos interesses econômicos do sistema privado de Saúde, como o são também os doutores CRM, CFM e AMB, onde, por "coincidência", está a trabalhar a médica cubana, Ramona Rodriguez, aquela que pediu asilo no Brasil por se sentir perseguida, pasmem: no Brasil! Ela contou uma história rastaquera que estava a ser perseguida pela Polícia Federal. A mesma "perseguição" da qual foram vítimas os boxeadores cubanos no Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro.

A partir daí, a delegação cubana sofreu inúmeros constrangimentos e desrespeitos da imprensa conservadora, à frente a Globo, sendo que depois de algum tempo os boxeadores voltaram para Cuba, bem como ficou comprovado que os atletas foram aliciados por um empresário alemão picareta, que, após os episódios usados politicamente pela imprensa corporativa, saiu "fora" e as coisas voltaram à normalidade. O mesmo processo descarado se repete com os médicos cubanos, profissionais altamente qualificados em universidades cubanas mundialmente respeitadas, pois reconhecidos pela dedicação e competência em âmbito planetário.

Por isto e por causa disto, os médicos formados em Cuba recebem assédio do mercado privado de saúde em todos os países onde trabalham mediante contratos firmados entre os governos e organizações conhecidíssimas e respeitadas como a Opas e a OMS. Contudo, o mundo, apesar da queda do Muro de Berlim, continua com suas ideologias, preconceitos e interesses políticos e econômicos. A luta ideológica nunca cessou, e Cuba é um país ícone e fortemente simbólico por ser socialista para o mundo ocidental capitalista, a ter os Estados Unidos como a locomotiva do capitalismo e que não tolera, de forma alguma, que qualquer país mude seu regime político e econômico ou que queira ser autônomo e independente, como ocorre com Cuba, uma ilha que fica a poucos quilômetros da Flórida e que no passado era o quintal de lazer, entretenimento, jogos e prostituição dos ricaços norte-americanos e cubanos, que até os dias de hoje não se conformam com a ascensão de Fidel Castro ao poder em 1959.

Cuba sempre foi boicotada e sabotada. Desde 1962 sofre com um embargo econômico e financeiro dos Estados Unidos, que se rogam a polícia e o judiciário do mundo e fazem o que querem em termos de ações e atos ilícitos em termos mundiais, porque a ONU e outros órgãos internacionais não passam de "rainhas da Inglaterra" para os yankees, que recorrentemente agem de forma unilateral e dessa forma procedem até quando invadem, bombardeiam e saqueiam países, a exemplo do Iraque, do Afeganistão, da Líbia e agora tentam, de maneira dissimulada e manipulada, fazer a mesma coisa com a Síria e a Ucrânia, este último a tratar com uma direita feroz que pretende derrubar um governo eleito e que não pretende e nunca pretendeu se alinhar aos interesses dos Estados Unidos.

Para quem não sabe, o governo estadunidense criou o visto Cuban Medical Professional Parole (CMPP). Tal visto foi criado em 2006, no governo de direita e de ações unilaterais do presidente George W. Bush, que certa vez se autodenominou "o senhor da guerra". Evidentemente, os EUA sabem que os médicos cubanos são profissionais gabaritados, com formação sólida, além de formados em um país socialista, realidade esta que é extremamente simbólica às oligarquias e ao grande capital norte-americano. Não existe visto similar para outras nacionalidades, especificamente aos médicos.

Quando eu vejo os doutores CRM, CFM e ABM a questionar a capacidade técnica e profissional dos médicos cubanos, realmente me dá uma vontade de rir como nunca senti na vida. Considero pilhéria, bazófia, gozação, deboche ou coisa do tipo quando vejo médicos brasileiros, do alto de suas arrogâncias e prepotências, a se comportar como verdadeiros coxinhas mimados e tomados pelo preconceito que os levam ao ódio, como ocorreu nos aeroportos deste País quando somente os médicos cubanos e não os outros estrangeiros, foram xingados, vaiados e chamados, hediondamente, de escravos. É o fim da picada. E é por isto que o Governo trabalhista resolveu atender as vozes das ruas e, por seu turno, pôr em prática o Programa Mais Médicos.

A crise na saúde é possuidora de várias questões e procedimentos levados ao longo do tempo. E uma dessas questões, além do pouco caso de governos anteriores que se dedicaram a fortalecer e a privilegiar a saúde privada, como fizeram também com a educação, é que os médicos brasileiros, sem generalizar, tornaram-se meramente em agentes dedicados ao lucro, ao dinheiro e aos seus interesses pessoais. Quando algo entra em crise anacrônica como é o caso da saúde no Brasil, muito também se deve aos procedimentos e à conduta dos médicos e dos servidores e profissionais que no segmento trabalham.

Milhares de médicos neste País cuidam apenas de suas vidas particulares, de seus consultórios, bem como se preocupam apenas com o emprego em entidades de saúde privadas. Faltam ao trabalho, assinam o ponto e vão embora e tratam mal ou são omissos ou atendem com desleixo e impaciência os pacientes que sentem dor e querem um atendimento humanizado. O cidadão também é responsável para que possamos ter uma sociedade mais civilizada e solidária. E, francamente, não é o caso de inúmeros médicos, que somente pensam em dinheiro e levar uma vida de bem-estar. Isto é fato. Ponto! É uma vergonha o que se vê nas televisões e na internet quando médicos trapaceiam em seu trabalho ou tratam mal os que estão enfermos e fragilizados.

Tudo isto acontece porque vivemos em uma sociedade de consumo, individualista, gananciosa e, por sua vez, dedicada ao hedonismo. Grande parte dos médicos brasileiros não está nem aí para o sistema de saúde e, por conseguinte, recusa-se a trabalhar nos rincões do Brasil, em suas periferias, bairros longínquos e favelas. Não querem interiorizar o direito à saúde, mas entram em contradição quando se mostram contra ao Programa Mais Médicos. É isto mesmo. Não querem trabalhar no interior e nas periferias, porém, tem a cara de pau de se insurgir contra um programa que deu certo, apesar de algumas desistências, que, evidentemente, não vão prejudicar a rotina diária de atender milhões de brasileiros, que antes não recebiam atendimento profissional de um médico.

O senhor latifundiário e médico Ronaldo Caiado, o DEM, o PSDB, os doutores CRM, CFM e ABM e os magnatas bilionários de imprensa, com a cooperação política de alguns promotores e juízes coxinhas, podem alardear à vontade e mentir sobre os Programa Mais Médicos, mas o povo brasileiro sabe onde aperta o sapato, bem como compreende que sua vida melhorou nos últimos doze anos. Volto a repetir: são insignificantes as desistências. Atualmente, são 6,6 mil médicos a trabalhar por intermédio do programa governamental. Desses, 4,5 mil são cubanos. De acordo com o Ministério da Saúde, mais 2.890 médicos vão começar a trabalhar em março, sendo que dois mil são de Cuba, país exemplar em medicina e que tem know how em enviar médicos para atender em todo planeta quando os governos solicitam cooperação.

Enquanto Cuba envia médicos aos países, os Estados Unidos e as potências europeias enviam soldados. Esta é a diferença. O pedido de asilo da doutora Ramona tutelada pelo doutor UDR Caiado é no mínimo estapafúrdio e sem noção. E explico por quê? Como alguém se diz perseguida em um país e pede asilo no mesmo país em que vive e trabalha? Já que o assunto são os doutores, somente o doutor Sigmund Freud explica. Ou talvez os comentaristas, analistas e colunistas de prateleiras da imprensa que detesta o Brasil e tem preconceito contra o que é popular. É a imprensa alienígena. O doutor UDR Caiado, os doutores CRM, CFM, ABM, a imprensa de mercado e o PSDB jogam sujo, e o nome do jogo é Eleições 2014. É isso aí.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/130267/O-jogo-sujo-contra-o-Mais-M%C3%A9dicos.htm

Fascismo à Brasileira

14.02.2014
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 28.02.14

Parece crescente e cada vez mais evidente no Brasil que importantes setores da classe média e classe alta simpatizam com ideais semelhantes aos que formaram o caldeirão social do fascismo

Historicamente a adesão inicial ao fascismo foi um fenômeno típico das classes dominantes desesperadas e das classes médias empobrecidas e apenas pontualmente conquistou os estratos mais baixos da sociedade, ideologicamente dominados pelo trabalhismo social-democrata ou pelo comunismo. Nos mais diversos cantos do mundo, dos nazistas na Alemanha e camisas-negras na Itália, aos integralistas brasileiros e caudilhistas espanhóis seguidores de Franco, as classes médias, empobrecidas pelas sucessivas crises do pós-guerra (1921 e especialmente 1929), formaram o núcleo duro dos movimentos fascistas.
Esse alinhamento ao fascismo teve como fundo principal uma profunda descrença na política, no jogo de alianças e negociatas da democracia liberal e na sua incapacidade de solucionar as crises agudas que seguiam ao longo dos anos 1910, 20 e 30. Enquanto as democracias liberais estavam estáveis e em situação econômica favorável, com certo nível de emprego e renda, os movimentos fascistas foram minguados e pontuais, muito fracos em termos de adesão se comparados aos movimentos comunistas da mesma época. Porém, uma vez que a democracia liberal e sua ortodoxia econômica mostraram uma gritante fraqueza e falta de decisão diante do aprofundamento da crise econômica nos anos 1920 e 30, a população se radicalizou e clamou por mudanças e ação.
Lembremos que, quando os nazistas foram eleitos em 1932, a votação foi bastante radical se comparada aos pleitos anteriores; 85% dos votos dos eleitores alemães foram para partidos até então considerados mais radicais, a saber, Socialistas (social-democracia), Comunistas e Nazistas (nacional-socialistas), os dois primeiros à esquerda e o último à direita. Os conservadores ortodoxos, anteriormente no poder, estavam perdidos em seu continuísmo e indecisão, sem saber o que fazer da economia e às vezes até piorando a situação, como foi o caso da Áustria até 1938, completamente estagnada e sem soluções para sair da crise e do desemprego, refém da ortodoxia de pensadores da escola austríaca, tornando-se terreno fértil para o radicalismo nazista (que havia fracassado em 1934).
Além disso, o fascismo se apresentava como profundamente anticomunista, o que, do ponto de vista das classes dominantes mais abastadas e classes médias mais estáveis (proprietárias) menos afetadas pelas crises, era uma salvaguarda ideológica, pois o “Perigo Vermelho”, isto é, o medo de que os comunistas poderiam de fato tomar o poder, era um temor bastante real que a democracia liberal parecia incapaz de “resolver” pelos seus tradicionais métodos, especialmente após a crise de 1929. O fascismo desta maneira se apresentou como último refúgio dos conservadores (sejam de classe média ou da elite) contra o socialismo. Os intelectuais que influenciavam os setores sociais menos simpáticos ao fascismo, o viam como um mal menor “temporário” para proteger a “boa sociedade” das “barbáries socialistas”, como o guru liberal Ludwig von Mises colocou, reconhecendo a fraqueza da democracia liberal face ao “problema comunista”:
Não pode ser negado que o Fascismo e movimentos similares que miram no estabelecimento de ditaduras estão cheios das melhores intenções e que suas intervenções, no momento, salvaram a civilização européia. O mérito que o Fascismo ganhou por isso viverá eternamente na história. Mas apesar de sua política ter trazido salvação para o momento, não é do tipo que pode trazer sucesso contínuo. Fascismo é uma mudança de emergência. Ver como algo mais que isso, seria um erro fatal. (L. von Mises, Liberalism, 1985[1927], Cap. 1, p. 47)
Além da descrença na política tradicional e do temor do perigo vermelho num cenário de crise, houve ainda uma razão fundamental para as classes médias adentrarem as fileiras do fascismo: o medo do empobrecimento e a perda do status social.
Esse sentimento – chamado de declassemént ou declassê no aportuguesado, algo como ”deixar de ser alguém de classe” – remetia ao medo de se proletarizar e viver a vida miserável que os trabalhadores, maior parte da população, viviam naquela época. Geralmente associava-se ao receio de que o prestígio social ou o reconhecimento social por sua posição econômica esmorecessem, mesmo para pequenos proprietários e profissionais liberais sem títulos de nobreza (ver Norbet Elias, Os Alemães). Esse medo entra ainda no contexto de uma evidente rejeição republicana, uma reação conservadora do etosnobiliárquico que dominava as classes altas e parte das classes médias urbanas nos países fascistas, à consolidação dos ideais liberais (mais igualitários) na estrutura social de poder e de privilégios, isto é, na tradição social aristocrática. Não foi por acaso que o fascismo foi uma força política exatamente onde os ideais liberais jamais haviam se arraigado, como Itália, Espanha, Portugal, Alemanha e Brasil.
Por fim, cumpre lembrar que os fascistas apelam à violência como forma de ação política. Como disse Mussolini: “Apenas a guerra eleva a energia humana a sua mais alta tensão e coloca o selo de nobreza nas pessoas que têm a coragem de fazê-la” (Doutrina do Fascismo, 1932, p. 7). A perseguição sem julgamento, campos de trabalho e autoritarismo não só vieram na prática muito antes do genocídio e da guerra, mas também já estavam em suas palavras muito antes de acontecerem. No discurso e na prática, a sociedade é (ou destina-se) apenas para aqueles que o fascista identifica como adequados; há um evidente elitismo e senso de pertencimento “correto” e “verdadeiro”, seja uma concepção de nação ou de identidade de raça ou grupo. E essa identidade “verdadeira” será estabelecida à força se preciso.
Mas porque estamos falando disso?
Parece crescente e cada vez mais evidente no Brasil que importantes setores da classe média e classe alta simpatizam com ideais semelhantes  aos que formaram o caldeirão social do fascismo?
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Vimos em texto recente que a sociedade brasileira, em particular a classe média tradicional e a elite, carrega fortes sentimentos anti-republicanos (ou anticonstitucionais), herdados de nossa sucessão de classes dominantes sem conflito e mudança estrutural, sem qualquer alteração substancial de sua posição material e política, perpetuando suas crenças e cultura de Antigo Regime. Privilégios conquistados por herança ou “na amizade”, contatos pessoais, indicações, nepotismos, fiscalização seletiva e personalista; são todas marcas tradicionais de nossa cultura política. A lei aqui “não pega”, do mesmo jeito que para nazistas a palavra pessoal era mais importante que a lei. Há um paralelo assustador entre a teoria do fuhrerprinzip e a prática da pequena autoridade coronelista, à revelia da lei escrita, presente no Brasil.
Talvez por isso, também tenhamos, como a base social do fascismo de antigamente, uma profunda descrença na política e nos políticos. Enojada pelo jogo sujo da política tradicional, das trocas de favores entre empresas e políticos, como o caso do Trensalão ou entre políticos e políticos, como os casos dos mensalões nos mais variados partidos, a classe média tradicional brasileira se ilude com aventuras políticas onde a política parece ausente, como no governo militar ou na tecnocracia de governos de técnicos administrativos neoliberais. Ambos altamente políticos, com sua agenda definida, seus interesses de classe e poder, igualmente corruptos e escusos, mas suficientemente mascarados em discursos apolíticos e propaganda, seja pelo tecnicismo neoliberal ou pelo nacionalismo vazio dos protofascistas de 1964, levando incautos e ingênuos a segui-los como “nova política” messiânica que vai limpar tudo que havia de ruim anteriormente
Por sua vez, como terceiro ponto em comum, partes das classes médias tradicionais e a elite tem um ódio encarnado de “comunistas”, e basta ler os “bastiões intelectuais” da elite brasileira, como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino ou Olavo de Carvalho ou mesmo porta-vozes do soft power do neoconservadorismo brasileiro, como Lobão e Rachel Sherazade. É curioso que o mais radical deles, Olavo de Carvalho, enxergue “marxismo cultural” em gente como George Soros (mega-especulador capitalista), associando-o ao movimento comunista internacional para subjugar o mundo cristão ocidental. Esse argumento em essência é basicamente o mesmo de Adolf Hitler: o marxismo e o capital financeiro internacional estão combinados para destruir a nação alemã (Mein Kampf, 2001[1925], p. 160, 176 e 181).
A violência fascista, por sua vez, é apresentada na escalada de repressão punitivista e repressora do Estado, apesar de – ainda – ser menos brutal que o culto à guerra dos fascistas dos anos 1920 e 30. Antes restritos apenas aos programas sensacionalistas de tv sobre violência urbana e aos apologistas da ditadura como Jair Bolsonaro, o discurso violento proto-fascista “bandido bom é bandido morto”, que clama por uma escalada de repressão punitiva, sai do campo tradicionalmente duro da extrema direita e se alinha ao pensamento de economistas liberais neoconservadores que consideram que “o criminoso faz um cálculo antes de cometer seu crime, então é o caso de elevar constantemente o preço do crime (penas intermináveis, assédio, execuções), na esperança de levar aqueles que sentirem tentados à conclusão de que o crime já não compensa” (Serge Hamili, 2013). Assim, a apologia repressora se alinha à lógica do punitivismo mercantil de apologistas do mercado, mimetizando um Chile de Pinochet onde um duríssimo estado repressor, anticomunista, está alinhado com o discurso  neoliberal mais radical.
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Rachel Sheherazade
E, ainda, somam-se a isso tudo o classismo e o racismo elitista evidentes de nossa “alta” sociedade. Da “gente diferenciada” que não pode frequentar Higienópolis, passando pelo humor rasteiro de um Gentili, ou o explícito e constrangedor classismo de Rachel Sherazade, que se assemelha à “pioneira revolta” de Luiz Carlos Prates ao constatar que “qualquer miserável pode ter um carro”, culminando com o mais vergonhoso atraso de Rodrigo Constantino em sua recente coluna, mostrando que nossos liberais estão mais inspirados por Arthur de Gobineau eHerbert Spencer do que Adam Smith ou Thomas Jefferson. A elite e a classe média tradicional (que segue o etos da primeira), não têm mais vergonha de expor sua crença no direito natural de governar e dominar os pobres, no “mandato histórico” da aristocracia sobre a patuléia brasileira. O darwinismo social vai deixando o submundo envergonhado da extrema direita para entrar nos nossos televisores diariamente.
Assim, com uma profunda descrença na política tradicional e no parlamento, somada a um anti-republicanismo dos privilégios de classe e herança, temperados por um anticomunismo irracional sob auspícios de um darwinismo social histórico e latente, aliado a uma escalada punitivista alinhada a “ciência” econômica neoliberal, temos uma receita perigosa para um neofascismo à brasileira. Porém, antes que corramos para as montanhas, falta um elemento fundamental para que esse caldeirão social desemboque em prática neofascista real: crise econômica profunda.
Apesar do terrorismo midiático, nossa sociedade não está em crise econômica grave que justifique esta radicalização filo-fascista recente. Pela primeira vez em décadas, o país vive certo otimismo econômico e, enquanto no final dos anos 1990, um em cada cinco brasileiros estava abaixo da linha da pobreza, hoje este número é um em cada 11. A Petrobrás não só não vai quebrar como captou bilhões recentemente. A classe média nunca viajou, gastou no exterior e comprou tanto quanto hoje, nem mesmo no auge insano do Real valendo 0,52 centavos de dólar. O otimismo brasileiro está muito acima da média mundial, mesmo que abaixo das taxas dos anos anteriores.
No entanto, apesar de tudo isso, parte das antigas classes médias e elites continuam se radicalizando à extrema direita, dando seguidos exemplos de racismo, intolerância, elitismo, suporte ao punitivismo sanguinário das polícias militares, aplaudindo a repressão a manifestações e indiferentes a pobres sendo presos por serem pobres e negros em shopping centers. Isso tudo com aquela saudade da ditadura permeando todo o discurso. Se não há o evidente declassmént, o empobrecimento econômico, ou mesmo um medo real do mesmo, como explicar esta radicalização protofascista?
Não é possível que apenas o tradicional anti-republicanismo, o conservadorismo anti-esquerdista e o senso de superioridade de nossas elites e classes médias tradicionais sejam suficientes para esta radicalização, pois estes fatores já existiam antes e não desencadeavam tamanha excrescência fascistóide pública.
Não.
O Brasil vive um fenômeno estranho. As classes médias tradicionais e elite estão gradualmente se radicalizando à extrema direita muito mais por uma sensação de declassmént do que por uma proletarização de fato, causada por alguma crise econômica. Esta sensação vem, não do empobrecimento das classes médias tradicionais (longe disso), mas por uma ascensão econômica das classes historicamente subalternas. Uma ascensão visível. Seja quando pobres compram carros com prestações a perder de vista; frequentam universidades antes dominadas majoritariamente por ricos brancos; ou jovens “diferenciados” e barulhentos frequentam shoppings de classe média, mesmo que seja para olhar a “ostentação”; ou ainda famílias antes excluídas lotando aeroportos para visitar parentes em toda parte.
Nossa elite e antiga classe média cultivaram por tanto tempo a sua pretensa superioridade cultural e evidente superioridade econômica, seu sangue-azul e posição social histórica; a sua situação material foi por tanto tão sem paralelo num dos mais desiguais países do mundo, que a mera percepção de que um anteriormente pobre pode ter hábitos de consumo e culturais similares aos dela, gera um asco e uma rejeição tremenda. Estes setores tradicionais, tão conservadores que são, tão elitistas e mal acostumados que são, rejeitam em tal grau as classes historicamente humilhadas e excluídas, “a gente diferenciada” que deveria ter como destino apenas à resignação subalterna (“o seu lugar”), que a ascensão destes “inferiores” faz aflorar todo o ranço elitista que permanecia oculto ou disfarçado em anti-esquerdismo ou em valores familiares conservadores. Não há mais máscara, a elite e a classe média tradicional estão mais e mais fazendo coro com os históricos setores neofascistas, racistas e pró-ditadura. Elas temem não o seu empobrecimento de fato, mas a perda de sua posição social histórica e, talvez no fundo, a antiga classe média teme constatar que sempre foi pobre em relação à elite que bajula, e enquanto havia miseráveis a perder de vista, sua impotência política e vazio social, eram ao menos suportáveis.
*Leandro Dias é formado em História pela UFF e editor do blog Rio Revolta. Escreve mensalmente para Pragmatismo Politico. (riorevolta@gmail.com)
Texto revisado por Carolina Dias
REFERÊNCIAS GERAIS:
ELIAS, Norbert. Os Alemães. Rio de Janeiro: Zahar, 1996
HAMILI, Serge. O laissez faire é libertário?. IN: Le Monde Diplomatique Brasil, número 71, 2013.
HITLER, Adolf. Mein Kampf. São Paulo: Centauro, 1925
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Cia das Letras,1996
MISES, Ludwig von. Liberalism.Irvington.The Foundation for Economic Education, 1985
MUSSOLINI, Benito. Doctrine of Fascism. Online World Future Fund. 1932
POULANTZAS, Nicos. Fascismo e Ditadura. Porto: Portucalense, 1972
SCHMIT, Carl. Teologia Política. Belo Horizonte: Del Rey, 2006
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/01/fascismo-brasileira.html