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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A esquerda e o golpe de 1964

05.02.2014
Do BLOG DO EMIR,
Por Emir Sader

Após o golpe, os grupos mais radicalizados se deram conta de que a defesa da democracia era um valor fundamental e que deveriam ter se mobilizado na sua defesa.  

Emir Sader
Ao longo de quase todo o período prévio ao golpe de 1964, a força política da esquerda estava quase que concentrada apenas no Partido Comunista e nos movimentos sociais ligados a ele, especialmente o movimento sindical. À sua esquerda existia um pequeno grupo trotskista – de origem posadista – e alguns setores heterogêneos, no Partidos Socialita e no PTB.

A orientação predominante era nacionalista, que centrava a luta basicamente contra o latifúndio e o imperialismo, considerados os obstáculos para que o Brasil superasse o pré-capitalismo em que se encontrava e pudesse abrir espaço para o desenvolvimento pleno do capitalismo industrial. Especialmente durante o governo de Joao Goulart, essa orientação predominou.

O Plano Trienal, formulado por Celso Furtado, se centrava politicamente na reforma agrária e em medidas de controle do capital estrangeiro no país. A reforma agrária permitiria combater o latifúndio, expandir um mercado interno para a indústria, ao mesmo tempo que estender a sindicalização dos trabalhadores rurais. As medidas de limitação do capital estrangeiro – como, por exemplo, a limitação da remessa de lucros -, favoreceriam as indústrias nacionais e o desenvolvimento autônomo do país.

Era uma concepção segundo a qual o Brasil precisaria se livrar dessas travas para poder se desenvolver em termos capitalistas. O país teria ainda pela frente todo um período de desenvolvimento industrial, liderado pela burguesia nacional – que teria profundas contradições com o imperialismo e com o latifúndio –, como objetivo fundamental daquele período político.

No começo da década de 1960, sob o impacto da vitória da Revolução Cubana, mas também do maoísmo, foram fundadas outras organizações radicais na esquerda brasileira. Primeiro a Polop – Politica Operária -, marxista, que levantou, pela primeira vez, a proposta de um programa socialista para o Brasil. Em seguida o PC do B, a primeira cisão maoísta no mundo. Depois a AP – Ação Popular -, radicalização da JUC e da JEC, organizações cristãs de juventude.

Elas tinham em comum a crítica do reformismo do governo e do PCB, à sua concepção de “revolução por etapas”, à sua confiança – e ilusão – no caráter antimperialista e anti-latifundiário da burguesia nacional e na própria existência desta. Denunciavam os riscos de golpe militar contra o governo e propunham formas de luta radical.

Conforme se aproximava a perspectiva de golpe militar, as posições na esquerda também foram se extremando. Francisco Julião começou a organizar um esquema de resistência no campo. Sargentos, tenentes, marinheiros, começaram a se organizar e reivindicar direitos políticos. A direita se mobilizava, com apoio dos EUA, entidades empresariais, políticas, midiáticas e religiosas, se articulavam ativamente, com mobilizações populares, a favor do golpe.

As posições eram diferenciadas dentro da esquerda. O PCB e os outros setores nacionalistas confiavam na oficialidade progressista dentro das FFAA e no apoio popular do governo. Subestimavam o golpe e, caso viesse, confiavam na capacidade de resposta tanto dessa oficialidade, quanto do movimento popular organizado.

O PCB e os setores que apoiavam praticamente de forma incondicional o governo Jango deixaram o movimento popular desarmado diante do golpe e não foram capazes de organizar a resistência quando o golpe veio. Sua estratégia havia fracassado e ficaram desconcertados.

Os grupos radicais consideravam o golpe praticamente inevitável (devido às “ilusões do reformismo na via pacífica e na existência de uma burguesia nacional e democrática”), o viram como uma confirmação das suas previsões. Mas tampouco defenderam a legalidade existente, não se dando conta no brutal retrocesso para todos – a começar pelos movimentos populares – que o golpe representava.

A posição mais correta foi a de Brizola, que propôs a organização popular mediante grupos dos onze, que congregasse militantes partidários, militares e setores dos movimentos populares, para resistir ao golpe e, caso ocorresse, se constituíssem em organizações da resistência democrática à ditadura. Dispunha de uma rádio – Mayrink Veiga – e criou um jornal, dando inicio a um poderoso movimento popular alternativo (ao qual aderiu a Polop). Combinava a resistência antes do golpe a um desdobramento já na ditadura, caso o golpe triunfasse.

Veio o golpe e nada foi poupado pela repressão: intervenção em todos os sindicatos e arrocho salarial; repressão impiedosa a todos os militantes de esquerda, sem importar o partido; a universidades, entidades culturais, movimentos populares, entidades jurídicas, o próprio Parlamento e o Judiciário.
Houve um brutal retrocesso nas condições políticas e sociais do pais, assim como nas condições de luta popular.

Os grupos mais radicalizados se deram conta de que a defesa da democracia era um valor fundamental, que deveriam ter se mobilizado na sua defesa, mesmo com posições críticas diante do governo Jango. Apesar das propostas positivas que tinha formulado, Brizola saiu do pais e ficou eclipsado politicamente por um bom tempo. O PCB perdeu sua força fundamental – a estrutura sindical – e foi envolvido em profundos debates internos.

A primeira publicação que fez um balanço do golpe militar foi a revista francesa Le Temps Modernes, dirigida por Sartre. Nela havia uma quantidade de artigos – incluso do FHC – que nada acrescentavam sobre as razões do golpe e as perspectivas com a ditadura militar. Celso Furtado se arriscou a um prognóstico: como associava estreitamente desenvolvimento econômico – e particularmente industrial – e democracia, previa que o Brasil retrocederia a um modelo primário exportador.

As análises mais pertinentes e que, por isso, foram as que mais circularam na esquerda, foram as de Ruy Mauro Marini – dirigente da Polop naquele momento. Contradiçoes do Brasil contemporâneo, um dos seus artigos, diz que o desenvolvimento do capitalismo brasileira estava num impasse: o país vivia um processo de democratização que se chocava com os interesses do grande capital, a quem interessava desenvolver não setores da economia vinculados ao consumo popular, mas aqueles ligados à exportação e ao consumo de luxo. O golpe fez triunfar esta possibilidade, reprimindo o consumo popular – com o arrocho salarial –, ao mesmo tempo que favorecia o ingresso de capitais estrangeiros, facilitava a remessa de lucros e a obtenção de empréstimos para as empresas privadas. O “santo” do  “milagre econômico” foi o arrocho salarial e a intervenção nos sindicatos. Os textos de Marini circularam amplamente na esquerda como a melhor explicação do golpe e do que sucederia no país durante a ditadura militar.

O outro texto que circulou amplamente foi Revolução na revolução, de Regis Debray, uma versão simplificada e tentadora do que havia acontecido em Cuba, que contribuiria de forma importante para que a visão militarista triunfasse na esquerda. Depois da derrota deste, em 1971, o campo ficou aberto para que as correntes liberais se tornassem hegemônicos na oposição à ditadura, definindo o caráter conservador desta.

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/A-esquerda-e-o-golpe-de-1964/2/30195

Joaquim Barbosa pode ser cassado

05.02.2014
Do blog GUILHERME SCALZILLI
Por Guilherme Scalzilli

O artigo 52 da Constituição, inciso II, estabelece que o afastamento de ministros do Supremo Tribunal Federal pode ser decidido pelo Senado. A Lei n.º 1.079, de 10 de abril de 1950, dedicada à matéria, elenca entre os crimes de responsabilidade que embasariam a ação:

“1 – alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal;
2 – proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;
3 – ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
4 – proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções.”

A mesma lei, no artigo 41, determina que “é permitido a todo cidadão denunciar, perante o Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e o Procurador Geral da República, pelos crimes de responsabilidade que cometerem (artigos 39 e 40).”

Portanto, qualquer indivíduo ou organização civil tem o direito de pedir a cassação de Joaquim Barbosa. O Senado, a obrigação de avaliar o pleito e a prerrogativa de investigar sua validade, inclusive constrangendo o ministro a prestar os devidos esclarecimentos.

Dependendo da maneira como deciframos os textos, sobram motivos para um debate no Congresso em torno da questão. Afinal, trata-se de uma decisão política, baseada na livre interpretação dos dispositivos legais. Nada que o próprio Barbosa já não tenha feito.
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Fonte:http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2014/02/joaquim-barbosa-pode-ser-cassado.html

Apagão e a mídia: o que é fato e o que é torcida?

05.02.2014
Do blog AMORAL NATO

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Fonte:http://amoralnato.blogspot.com.br/2014/02/apagao-e-midia-o-que-e-fato-e-o-que-e.html

A Barbie da direita é seletiva: peguem leve com o Justin e dêem um pau no neguinho. Assista

05.02.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

bieber
Raquel Sheherazade, apresentadora do SBT transformada em Barbie da direita e musa dos recalcados, não é uma moça tão inflexível assim, afinal.
Ela tem compreensão e coração generoso, capaz de perdoar.
Seletivamente, é claro.
Está no Youtube uma colagem chocante.
Primeiro, os comentários da  Barbie do SBT sobre as traquinagens e transgressões que acabaram levando o “astro” (astro?) Justin Bieber a ser detido por participar de um “pega” de rua, drogado e embriagado. Dias depois, já solto, foi acusado pela polícia de Montreal, no Canadá – país de 0nde é cidadão – de agredir um motorista com golpes na cabeça.
Pura compreensão: “atire a primeira pedra quem nunca foi um rebelde sem causa, quem nunca questionou seus valores, quem nunca se perdeu de si mesmo ou procurou se encontrar. Os médicos dizem que é normal, é a síndrome da adolescência, para anônimos e famosos, como Justin, é fase de  turbulência, hormônios em ebulição, conflitos, agressividade, é a busca da própria identidade. Peguem leve com Justin, o menino está só crescendo.
Justin Bieber, como se sabe, faz 2o anos daqui a menos de um mês.
A seguir, porém, você assiste como Sheherazade diz que se deve agir com um rapazote negro, pobre, de 15 anos, supostamente metido em delitos, espancado por “justiceiros” e acorrentado a um poste pelo pescoço, no Rio.
Pau nele, diz a moça!
Outro Barbie, o Klaus, que ganhou o apelido de “Carniceiro de Lyon” , também pensava nessa solução para aqueles “judeus usurários…”
Não, claro que a nossa Barbie não é anti-semita.
Sua impiedosa verve, ainda que lida num teleprompter, é seletiva em outro tom, mas na mesma pauta: a da ordem.
Quem sabe ela não faz um outro texto destes mandando descer a lenha também nos camelôs, estes desordeiros que não pagam impostos e atrapalham as pessoas de bem que andam pelas ruas?
Estes párias da sociedade, como um dia foi o patrão dela, Sílvio Santos, judeu e camelô.
Que agora a paga regiamente para apregoar na TV sangue e linchamento.
Para o negrinho, claro.
Para o Bieber, devemos pegar leve.
É apenas um menino, embora cinco anos mais velho que o que é negro e merece a chibata acorrentado no poste.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=13441

PT, enfim, decide interpelar Gilmar Mendes sobre “vaquinha”.E os comentários involuntários do Chico Buarque

05.02.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

chico
O presidente do PT, Rui Falcão, finalmente teve uma reação coerente diante do atropelo do Ministro Gilmar Mendes de lançar, sem prova alguma, a suspeita de que as “vaquinhas” por José Genoíno e Delúbio Soares seriam “lavagem de dinheiro” de esquemas de corrupção.
Vai interpelá-lo judicialmente, para confirmar ou desmentir.
À parte o fato absurdo de “lavar dinheiro” recolhendo Darf para a União, alguém precisava por cobro neste atropelo em que um ministro do STF denuncia, manda investigar e ele próprio condena, num exercício de usurpação domo poucas vezes se viu no Judiciário.
Eu ia comentar, de novo, que a vaquinha fez o PT lembrar de algo que anda esquecido, mas na hora me veio a lembrança de que  Chico Buarque já havia feito isso, há 37 anos atrás, num dos LPs que eu, bem jovem, punha na vitrola.
Chamava-se, adequadamente, Meus Caros Amigos, o disco. E a música não era vaquinha, mas era Corrente
Eu hoje fiz um samba bem pra frente
Dizendo realmente o que é que eu acho
Eu acho que o meu samba é uma corrente
E coerentemente assino embaixo
Hoje é preciso refletir um pouco
E ver que o samba está tomando jeito
Só mesmo embriagado ou muito louco
Pra contestar e pra botar defeito
Precisa ser muito sincero e claro
Pra confessar que andei sambando errado
Talvez precise até tomar na cara
Pra ver que o samba está bem melhorado
Tem mas é que ser bem cara de tacho
Não ver a multidão sambar contente
Isso me deixa triste e cabisbaixo
Por isso eu fiz um samba bem pra frente
Dizendo realmente o que é que eu acho
Eu acho que o meu samba é uma corrente
E coerentemente assino embaixo
Hoje é preciso refletir um pouco
E ver que o samba está tomando jeito
Só mesmo embriagado ou muito louco
Pra contestar e pra botar defeito
Precisa ser muito sincero e claro
Pra confessar que andei sambando errado
Talvez precise até tomar na cara
Pra ver que o samba está bem melhorado
Tem mais é que ser bem cara de tacho
Não ver a multidão sambar contente
Isso me deixa triste e cabisbaixo
Por isso eu fiz um samba bem pra frente
Dizendo realmente o que é que eu acho
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=13434

DELÚBIO CHAMA GILMAR ÀS FALAS !

05.02.2014
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Por que o Gilmar não diz de onde tirou o dinheiro para pagar R$ 8 milhões ao sócio ? E cadê o grampo do áudio, Dr Janot ?

O PiG (*), o Ministério Público e o Gilmar Dantas (**) querem saber quem doou dinheiro ao Genoino e ao Delúbio.

Clique aqui para votar na trepidante enquete “O que o Gilmar exige dos doadores do PT ?”.

aqui para ver que a Miruna tem todos os documentos.

Agora, foi a vez de o Delúbio chamar o Gilmar – aquele que levou o Ayres Britto a um evento suspeito – para uma conversinha ao pé do ouvido:

SOLIDARIEDADE, GRATIDÃO E TRANSPARÊNCIA



1) 1.668 companheiras e companheiros doaram recursos em favor de Delúbio Soares, visando o pagamento da injusta e exorbitante multa que lhe foi imposta;

2) O fizeram por livre e espontânea vontade, doando as mais diversas quantias dentro de suas possibilidades pessoais;

3) Conforme nossa solicitação, os doadores são identificados com seus RG e CPF, e depositaram em conta da Caixa Econômica Federal, especificamente aberta para tal campanha solidária;

4) Todos as doações foram feitas com pleno amparo legal, revestindo-se da característica de ato de vontade pessoal, solidariedade humana, amizade ou afinidade política e ideológica;

5) Absoluta transparência norteou nosso trabalho, 
e o êxito desta campanha representa uma resposta pública de protesto pelas arbitrariedades praticadas na AP 470. Assim, o valor excedente ao pagamento da multa será doado para atender a mesma penalidade imposta aos demais companheiros;

6) Estamos realizando os cálculos para o recolhimento dos tributos devidos, dentro do prazo legal, e iremos publicar o recibo do pagamento a ser efetuado;

7) Reafirmamos nossa gratidão e respeito aos que nos apoiaram, de todas as classes sociais e regiões do país, demonstrando inconformismo diante do julgamento de exceção, midiático e arbitrário, que condenou sem provas os nossos companheiros.


São Paulo, 5 de fevereiro de 2014


Maria Leonor Poço Jakobsen
OAB nº 170.083/SP
Coordenadora


Clique aqui para ler “Doações desmoralizam os viralatas da Sociologia”.  


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Clique aqui para ver como notável colonista da Globo Overseas Investment BV se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra notável colonista da GloboNews e da CBN se referia a Ele. O Ataulfo Merval de Paiva preferiu inovar. Cansado do antigo apelido, o imortal colonista decidiu chamá-lo de Gilmar Mentes. Esse Ataulfo é um jenio. OLuiz Fucks que o diga.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/02/05/delubio-chama-gilmar-as-falas/

TJ-BA COM IDP DE GILMAR

05.02.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/bahia247/129234/CNJ-vai-apurar-contrato-do-TJ-BA-com-IDP-de-Gilmar.htm

Em dia de homenagens às vítimas da ditadura, trabalhadores cobram que empresas sejam responsabilizadas

05.02.2014
Do portal da CNTSS/CUT, 02.02.14
Por Luiz Carvalho

Dirigentes dizem que companhias entregaram trabalhadores aos DOPS 

Sérgio Nobre destacou que democratização passa por local de trabalho e distribuição de renda (Fotos: Roberto Parizotti)
Sérgio Nobre destacou que democratização passa por local de trabalho e distribuição de renda (Fotos: Roberto Parizotti)
No dia 31 de março de 1964, os militares iniciavam um golpe contra o governo legalmente eleito do ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, que assumiu o poder após a renúncia de Jânio Quadros. O que viria a seguir se tornou uma das maiores manchas na história do Brasil, com o Estado comandado pelas Forças Armadas à frente de perseguições, torturas e assassinatos.

Na tarde desse sábado (1ᵒ), o grupo de trabalho (GT) “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical da Comissão Nacional da Verdade” promoveu no Teatro Cacilda Becker, em São Bernardo do Campo, um ato em homenagem aos trabalhadores vítimas da ditadura.

Clique aqui para ler a carta final do encontro..

Logo na entrada, homens e mulheres indicados pelas centrais receberam um diploma como forma de agradecimento pela luta em defesa da democracia no Brasil. Um dos homenageados pela CUT foi o jornalista e diretor do grupo Oboré, Sérgio Gomes, homenageado pela CUT, que escapou por pouco da morte pelas mãos dos militares.

No início da década de 1970, Gomes integrou uma comissão de jornalistas e artistas que fundaram o Oboré para fazer a comunicação das entidades sindicais e ajudá-las a organizar uma imprensa própria. “Eu fui preso em 1975 e só não fui morto porque antes mataram o Vladimir Herzog, que estava preso junto comigo e era uma pessoa importante, muito bem relacionada, que comandava o departamento de jornalista da TV Cultura. Ao matarem o Vlado, se produziu uma grande revolta na sociedade e aí várias pessoas foram salvas”, lembra.

Empresas colaboraram com a ditadura – Ex-funcionário da Mercedez, preso com o ex-presidente Lula, em 1980, e um dos organizadores do encontro, o diretor da Associação dos Metalúrgicos Aposentados Anistiados do ABC (AMA-A/ABC), Djalma Bom, defendeu que a classe trabalhadora foi a maior vítima dos crimes praticados pela ditadura.

Para desestabilizar o movimento sindical, lembrou, o regime militar utilizou entre seus mecanismos o fim da estabilidade no emprego, intervenções nos sindicatos, arrocho salarial e prisões de lideranças. Além disso, infiltrava agentes nas empresas.

“Vários diretores do sindicato foram cassados, presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional. E algumas empresas de São Bernardo tornaram-se verdadeiros quartéis do exército. A Mercedez Benz tinha o general Queiroz para fazer contato com a diretoria do nosso sindicato. A Mercedez tinha como chefe de segurança o major Saturnino Franco. Se fala muito em Lula, Djalma Bom, em Vicentinho e Zé Ferreira, mas não podemos esquecer que centenas de ativistas foram perseguidos, presos e demitidos por justa causa de seus empregos por conta das malditas listas negras das empresas”, recordou.

Djalma Bom conta que quando foi preso por conta da militância, encontrou vários agentes da Polícia Federal na cadeia. “Eles estavam infiltrados no movimento com carteiras assinadas e esquentadas pelas empresas. Quando fomos presos perguntamos, 'mas, como? Vocês estavam conosco fazendo piquete!' E eles diziam, “aqui é outro caso, vocês ficam para lá e nós para cá, porque vocês são nossos presos.”


Djalma Bom apontou como as empresas colaboraram com a ditadura (Foto: Roberto Parizotti)
Djalma Bom apontou como as empresas colaboraram com a ditadura (Foto: Roberto Parizotti)
Ex-ajudante de produção da Volkswagen e da Mercedez e atual dirigente do PCdoB, João Batista Lemos contou como era atuar no movimento sindical antes da redemocratização.

“Em 1980, como tinha relação com o sindicato (Metalúrgicos do ABC), fui orientado a morar longe da fábrica da Volks para a repressão não controlar a gente. Eu não era nem diretor, era da base, mas, mesmo assim, soube que era o segundo nome em uma lista de 30 ativistas sindicais entregue pela empresa ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social, onde ocorreram muitas das torturas de militantes contra a ditadura). Minha militância fez com que eu fosse demitido da Volks e depois consegui entrar na Mercedez. Quando descobriram quem eu era, me deslocaram no pátio da fábrica, onde recebia as peças e ficava isolado dos demais trabalhadores. Até ser demitido de novo”, lembrou.

Responsabilizar os patrões – Com a comprovação de que o golpe foi cívico-militar e não apenas responsabilidade das Forças Armadas, o deputado estadual e presidente da Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” Adriano Diogo (PT-SP) destacou que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) deva apontar a responsabilidade também dos patrões.

“Sem as multinacionais que preparam, financiaram, usufruíram do golpe e fizeram listas de trabalhadores e dirigentes sindicais para entregar aos militares, o regime não teria a força que teve e nem durado quanto durou. Pela punição aos torturadores, pela identificação do papel das empresas na ditadura e pela abertura definitiva dos arquivos dos militares”, cobrou.

A coordenadora dp grupo dos trabalhadores dentro da CNV, Rosa Cardoso, alertou que, para isso, seria necessário uma atuação mais ampla da comissão.  

“Estamos lutando por um processo de Justiça, mas é preciso ter clareza de que não alcançará empresas, porque apenas podemos criminalizar pessoas. Precisaríamos fazer uma  construção especial como Argentina e Chile estão fazendo, para buscar reparação das empresas”, explicou.

Filho do ex-presidente João Goulart alertou: propostas de reformas que fizeram com que militares resolvessem dar o golpe ainda estão pendentes no país (Foto: Roberto Parizotti)
Filho do ex-presidente João Goulart alertou: propostas de reformas que fizeram com que militares resolvessem dar o golpe ainda estão pendentes no país (Foto: Roberto Parizotti)
Heranças da ditadura – Ao contrário do previsto pela organização, o ex-presidente Lula não pode participar do ato por conta dos exames que realizou no mesmo dia na capital paulista.

Diante de um auditório tomado por cerca de 500 pessoas com vários anos de serviços prestados à classe trabalhadora, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), ressaltou a responsabilidade da imprensa em mostrar à juventude quantos trabalhadores pagaram com a vida pela democracia brasileira, uma maneira de impedir que novas ditaduras tomem conta do país. Ele tratou também da importância de combater as heranças do período de repressão.

“É fundamental olharmos as ditaduras vigentes, porque somos vítimas de uma ditadura da comunicação. Não é possível dar continuidade a um monopólio tão grande em nosso país. Devemos lembrar do passado para nunca mais termos uma ditadura militar, mas também devemos olhar para o presente para que garantirmos o acesso à informação. Outro segmento que precisa passar por um processo de democratização é o Judiciário brasileiro, que determina ao Congresso Nacional e aos partidos políticos como agir e impõe barreiras ao movimento sindical por meio de penalidades e multas, como forma de impedir a luta”, criticou.

Secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre, destacou os avanços da democracia brasileira, mas ponderou que ainda é um processo inacabado. “Avançamos na democracia política, no direito de votar, mas esta luta estará incompleta enquanto não houver democracia nos locais de trabalho, onde ainda impera a ditadura do patrão, onde o trabalhador não pode falar e discordar. E apesar de todos os avanços sociais nos últimos anos, ainda há muita gente para incluir. Enquanto um único brasileiro estiver passando fome, nossa luta não estará completa”.

Reformas pendentes – Homenageado em nome do pai, João Vicente Goulart, lembrou que o Brasil ainda está em dívida com o povo brasileiro ao não promover as reformas que tiraram João Goulart do poder.

“As reformas tributária, urbana, educacional, bancária, a lei de remessa de lucros são mudanças que este país, 50 anos depois, ainda precisa fazer. É necessário que exumemos as reformas de base para que possamos avançar pelos trabalhadores e por aqueles que ainda são marginalizados. A democracia venceu, mas ainda fala justiça social”.

Intervenções teatrais retrataram a resistência dos trabalhadores à ditadura (Foto:
Intervenções teatrais retrataram a resistência dos trabalhadores à ditadura (Foto:
Papel da Comissão da Verdade – Secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, acredita que a manifestação em São Bernardo foi a primeira de muitas mobilizações para marcar um ano em que a Comissão Nacional da Verdade encerrará o levantamento sobre os atentados aos direitos humanos durante a ditadura.

“Este ato numa cidade que começou a incendiar as greve e as lutas é um passo muito importante para enterrar de vez o regime militar. Iniciamos este ano registrando nossa indignação e nossa exigência de que a Comissão oriente em seus relatórios a punição aos militares que cometeram crime lesa-humanidade. Porque é essa impunidade que dá liberdade aos militares de hoje para torturarem e para que tenhamos péssimas condições nos presídios. Esperamos que possamos repetir atos como esse em vários lugares do país”, ressaltou.

Durante os próximos meses, o GT dos trabalhadores já tem manifestações semelhantes agendadas no Pará, Bahia, Ceará, Goiás, Porto Alegre e Vale do Paraíba, em São Paulo.

Para as vítimas da ditadura, como o jornalista Sérgio Gomes, o essencial é que o Estado assuma sua responsabilidade e a punição alcance os mandantes dos crimes.

“O importante é a identificação da cadeia de comando, perceber que é o regime ditatorial que engrenda a ditadura, a tortura e que havia pessoas no comando disso. É essencial mostrar os instrumentos, mas também como as várias forças na sociedade brasileira ser articularam para dar o golpe”.

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Fonte:http://cntsscut.org.br/destaques-nac/24137/em-dia-de-homenagens-as-vitimas-da-ditadura-trabalhadores-cobram-que-empresas-sejam-responsabilizadas

EQUIPE DE DELÚBIO ABRE AS CONTAS DA VAQUINHA

05.02.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/129250/Equipe-de-Del%C3%BAbio-abre-as-contas-da-vaquinha.htm