segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Morar no Brasil é 'sonho' internacional

13.10.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 11.01.14

O Brasil aparece entre os quatro destinos mais sonhados, na frente até dos Estados Unidos.

O Brasil é um dos 12 países mais cobiçados para se morar, segundo uma série de pesquisas feitas em 65 nações pelo WIN - coletivo dos principais institutos de pesquisa do mundo - e tabulada pelo Estadão Dados. O crescimento econômico na última década, aliado à boa imagem cultural do País no exterior, fizeram com que o Brasil fosse citado como destino dos sonhos por moradores de dois em cada três países onde foi feito o estudo.

Na lista dos destinos mais cobiçados por quem não está feliz na terra natal, o Brasil é o único da América Latina, o único Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, China e Índia) e a única nação ocidental em desenvolvimento. As pesquisas foram feitas no fim do ano passado e ouviram mais de 66 mil pessoas ao redor do globo. Elas foram questionadas se gostariam de morar no exterior se, hipoteticamente, não tivessem problemas como mudanças ou vistos e qual local elas escolheriam. Por isso, os resultados dizem mais sobre a imagem dos destinos mencionados do que com imigrantes em potencial.

Se esse desejo virasse realidade, o Brasil receberia em torno de 78 milhões de imigrantes nesse cenário hipotético. Mas, em um mundo sem fronteiras, a população do País diminuiria - 94 milhões de brasileiros se mudariam para outras nações, se pudessem. Ainda assim, 53% dos brasileiros não desejam emigrar, porcentual acima da media mundial.

Quem mais tem vontade de vir para o Brasil são os argentinos: 6% se mudariam para cá se tivessem a chance. O Brasil também está entre os cinco mais cobiçados por peruanos e mexicanos. Mas não são apenas latinos que gostariam de viver aqui. Os portugueses acham o Brasil mais atrativo do que a Alemanha, os italianos o preferem à França, os australianos o consideram o segundo país mais desejável, os libaneses o colocam em posição tão alta quanto a Suíça e até no longínquo Azerbaijão o Brasil aparece entre os quatro destinos mais sonhados, na frente até dos Estados Unidos.

 Não querem sair


O Brasil é um dos países onde há menos pessoas dispostas a morar no exterior. Dos 65 locais pesquisados, o País é o 15º entre os que têm a maior população que não se mudaria. Mas há uma peculiaridade: ao contrário do que acontece na maioria dos países de renda média ou baixa como México ou China, os brasileiros que gostariam de morar fora são justamente os mais ricos. Os dados da pesquisa mostram que, entre quem ganha mais de dez salários mínimos por mês, apenas 37% não sairiam do Brasil de jeito nenhum. Já entre quem ganha menos de um salário, esse porcentual pula para 61%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Gráfico da Globo falseia a inflação

13.01.2014
Do BLOG DO MIRO, 12.01.14
Por Renato Rovai, em seu blog:


Todos os inícios de ano a Globo lidera o terrorismo inflacionário. A inflação do ano que virá pode colocar o país em risco e blablablá.

Nos almoços de família, os parentes mais sensíveis às bobagens midiáticas repetem o mantra de que a situação está ruim e que o país está caminhando ladeira abaixo.

Que no final, todo o esforço feito pelo príncipe em 1994 ao debelar o dragão, vai ser jogado fora pelos aloprados do PT. Como se o Brasil de 2014 tivesse algo a ver com aquele que vivia de calças abaixadas para o FMI e que tirava os sapatos como sinal de respeito ao deus USA.

Todo começo de ano é assim, a inflação é a bola da vez.

Mas dessa vez a Globo levou o índice de ridículo ao limite ao fazer o gráfico acima. Não há proporção alguma nele. E isso é o mínimo para fazer um gráfico minimamente sério com dados informativos.

Nem na época de jornalzinho de Centro Acadêmico meus colegas mais radicais proporiam algo tão absurdo.

Prestem atenção na distância desproporcional do 5,81% do centro da meta de 4,5%. Os 4,5% são três vezes menor do que os 1,31%. Isso não é o mais grave. O 5,91% de 2013 é maior do que 6,50% e 5,82%, índices de 2010 e 2011.

O fato é que a inflação não superou o teto da meta que é de 6,5% em nenhum ano. No limite ficou no teto em 2010. E ficar em 5, 91% no ano passado não é nada grave. É parte do jogo.

Com este tipo de abordagem a Globo ultrapassa até a linha do que se pode chamar de desinformação. Isso é vandalismo jornalístico.

Duvido que a assessoria de imprensa de uma grande empresa deixasse uma sacanagem dessas sem resposta. Ia ter carta esculachando o veículo e pedindo correção. Se negasse, o veículo seria cortado da programação de publicidades da empresa.

Mas como o governo federal é ao contrário. Da mesma forma que o generoso ministro Mercadante decidiu enfiar 2,5 milhões na Abril, comprando Nova Escola, a Globo ainda vai lucrar por ter feito mais essa sacanagem.

E assim caminha a umanidade. Eu não errei não. Coloquei sem h de propósito. Porque essa humanidade não merece a palavra completa.

PS: Pesquei o gráfico acima no blogue do Ruda Ricci.

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Crise no Maranhão impõe agenda cheia ao governo do estado

13.01.2014
Do portal da Agência Brasil, 12.01.14
Por  Mariana Tokarnia

Brasília - O governo do Maranhão tem uma série de atividades previstas na semana para buscar soluções à crise no sistema penitenciário do estado. Segundo a assessoria do governo, amanhã (13), a governadora Roseana Sarney deve receber os senadores que compõem a Comissão de Direitos Humanos do Senado, por volta das 12h30. Os senadores farão uma visita ao complexo prisional e se encontrarão com representantes da sociedade civil.
Também está previsto para o decorrer da semana uma série de reuniões dos representantes do Comitê de Ações Integradas do Maranhão. Até sexta-feira (24), haverá uma reunião geral na qual serão apresentados os primeiros resultados dos grupos de trabalho.

A situação dos presídios ganhou destaque com os ataques a ônibus em São Luís, comandados por presidiários do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. A situação gerou uma crise que mobilizou o governo local e o Ministério da Justiça.
Os ataques fizeram cinco vítimas, uma delas, Ana Clara, de 6 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu. Os demais permanecem internados. De acordo com os boletins médicos divulgados hoje (12), o quadro das vítimas é estável. Os dois pacientes transferidos do Maranhão para hospitais em Brasília e Goiânia, após sofrerem queimaduras durante ataques a ônibus em São Luís, continuam em estado grave. Os dois pacientes em tratamento no estado devem receber alta nesta semana.
O boletim médico do Hospital Geral de Goiânia informou que Márcio Ronny da Cruz permanece em estado grave, porém estável. Ele respira com a ajuda de aparelhos. Apesar da gravidade do quadro de saúde - 72% do corpo queimado - os médicos estão otimistas, pois as queimaduras não atingiram os órgãos internos, nem as vias respiratórias.
O Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília, informou que Juliane Carvalho Santos também mantém quadro clínico grave, porém estável. Apesar de ainda fazer uso de oxigênio, ela apresentou discreta melhora no quadro respiratório. Está programado para amanhã um novo desbridramento, ou seja, um procedimento cirúrgico para retirada de tecido morto.
Ela é a mãe de Ana Clara e de Lorane Beatriz, de 1 ano e 6 meses, que sobreviveu ao ataque e está internada no Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, em São Luís. Lorane, que teve lesões nos membros inferiores e em uma das mãos, ainda passa por curativos cirúrgicos e está recebendo antibióticos. Amanhã, ela deve passar por mais um curativo cirúrgico por volta das 7h. Após o procedimento será avaliada a possibilidade de Lorane receber alta.
Abyancy Silva Santos está sendo atendida no Hospital Geral do Maranhão, também em São Luís. Ela teve 10% do corpo queimado mas não corre risco de morte e pode receber alta a partir de terça-feira (14).
Edição: Marcos Chagas
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A imprensa brasileira e o golpe de 1964

13.01.2014
Do portal  da Agência Carta Maior, 10.01.14
Por  Emir Sader 

A verdade é esta: no momento mais importante da história brasileira recente, a imprensa ficou do lado da ditadura e contra a democracia. 

Emir Sader
O golpe militar de 1964 foi mais um produto da crise de desestabilização política que os EUA, aliado a forças locais, promoveram na America Latina. Ele se inscreve na lista dos golpes da Guatemala (1954), do Brasil contra o Getulio (1954), da Argentina contra o Peron (1955), entre tantos outros.

Eles foram sempre arquitetados como se fossem levantamentos civis espontâneos contra governos “despóticos, “cripto comunistas”, isolados por movimentos democráticos de resistência na defesa das liberdades ameaçadas. Depois soubemos que são táticas arquitetadas pelas teorias de contra insurgência, que seriam aperfeiçoadas e aplicadas em outros países da própria região, como no Uruguai, no Chile, na Argentina.

É uma engrenagem indispensável a ação da mídia, para campanha insidiosas contras os governos, levantando falsas acusações, mentindo, forjando circunstancias e disseminando um clima de terror, de pânico, entre a população.


Que a democracia estaria em perigo, que as liberdades estão acabando, que a liberdade de expressão esta sendo mortalmente atacada, que a liberdade de culto pode acabar, que a educação estaria sendo alvo de campanhas comunistas de formação da juventude, etc. etc.
    
A imprensa foi um instrumento ideológico na preparação do golpe e da instalação das ditaduras militares. No Brasil, convocavas as Marchas com a Familia, com Deus, pela Liberdade, distorcia as políticas do governo, pregava abertamente o golpe militar nos seus editorais, apelava ao fantasma do “comunismo”, servindo os ideias da Doutrina de Segurança Nacional na guerra fria.
    
E fazia tudo – como se conhece hoje pelo acesso que se tem aos jornais daquela época – como se a democracia estivesse em perigo e o golpe militar, que instaurou o regime ditatorial mais selvagem que o pais conheceu, fosse a reinstaracao da democracia. Em nome dos riscos que correria a democracia, atuaram abertamente para que a democracia brasileira fosse destruída.
    
Sem a imprensa, não teria sido possível a criação do clima de desestabilização, indispensável à intervenção dos militares, como para impor a ordem em uma situação que a imprensa propagava que fosse de falta de controle institucional, de uma situação supostamente pre revolucionaria.
    
A imprensa foi a porta voz dos projetos de ruptura da democracia e de apelo aos militares para que intervissem. Ela saudou o golpe como a salvação da democracia, se pronunciou abertamente a favor da instauração da ditadura e apoiou a repressão como se fizesse parte desse esquema de salvação. Sem a imprensa, não teria sido criado o clima de desestabilização que tornou realidade o golpe e a ditadura militar.

São crimes contra a democracia, que mancharam irreversivelmente os órgãos de imprensa que deles participaram. No momento mais importante da historia brasileira recente, a imprensa ficou do lado da ditadura e contra a democracia.
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O Estadão, como o escorpião, não resiste ao seu veneno elitista

13.01.2014
Do blog TIJOLAÇO, 12.01.14
Por Fernando Brito

codajas
Mesmo à beira da falência, o Estadão é como estes decadentes aristocratas quebrados: não perde a pose, mesmo que lhe ronquem as tripas.
O editorial “Mais Cubanos” é um destes primores.
Aliás, é assim que o vetusto quatrocentão diz que deveria ser chamado o Programa Mais Médicos:
 ”(…)não resta mais nenhuma dúvida de que a anunciada intenção de atrair médicos de outras nacionalidades ou mesmo brasileiros não passou de fachada para um projeto há muito tempo acalentado pelo governo petista: importar médicos cubanos em grande escala, ajudando a financiar a ditadura cubana.”
Segundo o jornal, nunca houve a intenção de trazer médicos brasileiros ao atendimento dos mais pobres, porque já se negociava a contratação de pessoal médico com Cuba, como se as autoridades brasileiras não tivessem ideia da escassez de profissionais e, sobretudo, da escassez de profissionais dispostos a atender no interior do país.
“(…)esses profissionais não resolverão o problema, nem mesmo o mitigarão, se não tiverem à sua disposição equipamentos e infraestrutura ao menos razoáveis. É por esse motivo – e pelo fato de que não teriam direito a FGTS, 13.º salário e hora extra – que os médicos brasileiros não se interessaram em aderir”.
Será?
Para trabalhar em São Paulo, o estado mais desenvolvido do país, o governo Alckmin abriu, agora em novembro, um concurso para 249 vagas de médico na capital,  Campinas, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Praia Grande, São José dos Campos, São José do Rio de Preto, Bauru, Araçatuba, Sorocaba e Piracicaba.
O salário, com todos os prêmios e bonificações, é de R$ 5.162 para 20 horas de trabalho.
O Mais Médicos paga R$ 10 mil, mais moradia, alimentação e um valor de até três vezes este valor para ajudar a mudança para o interior.
Não é, portanto, uma “miséria”.
O que está exposto, sim, é a falência de um modelo de formação profissional na área de saúde onde a motivação quase que exclusiva é a transformação da profissão em um negócio.
Óbvio que o médico, como qualquer profissional, deve aspirar uma boa remuneração, sobretudo na maturidade de sua carreira profissional, embora a juventude só ganhe em conhecer, conviver e integrar-se à grande  complexidade, carência e riqueza social deste imenso país.
Mas a questão em que os veludos e os punhos de renda do Estadão não lhe permitem por as mão é, essencialmente, outra.
São os pobres, esta gente desprezível, que deveria perguntar pela certidão de nascimento ou pelo Revalida de do único médico em dezenas de quilômetros capaz de atender seu filho que arde em febre.
Que deve deixar purulentas suas feridas para não compactuar com a “ditadura castrista”.
Um gente que só vêem como bestas de carga, assim mesmo de pelo duro e sangue ruim, que pode esperar per omnia seculo seculorum até que se lhe possa dar uma “saúde padrão Fifa”, com um tomógrafo computadorizado em Santo Antônio do Içá, no Amazonas.
Talvez na Copa de 3014.
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Com quantos oportunistas se faz um Opportunity?

13.01.2014
Do portal da Agência Carta Maior,12.01.14
Por  Saul Leblon 

Daniel Dantas não foi um acidente de percurso dos anos 90. As elites do país compraram a ideia de que o futuro tinha um preço: eliminar a presença do Estado. 

Arquivo
A trajetória do banqueiro Daniel Dantas, esquadrejada em minucioso trabalho jornalístico pelo repórter Rubens Valente (leia a resenha do seu livro ‘Operação Banqueiro’;  nesta pág)  reúne um repertório tão abrangente de personagens, crimes econômicos, ademais de manobras político-partidárias, policiais e jurídicas que involuntariamente pode anestesiar a percepção do leitor para um aspecto não negligenciado na narrativa.

Daniel Dantas não foi um acidente de percurso no Brasil dos anos 90.

A sociedade despedia-se então de um ciclo esgotado do seu desenvolvimento.

Tateava outro, embalada  na firme adesão de suas elites à ideia de que o atalho para o futuro tinha um preço: eliminar  qualquer coordenação democrática do Estado sobre a economia e o crescimento.

O PSDB do sociólogo e presidente Fernando Henrique Cardoso considerou que o custo era justo.

Isso não é o necrológio de uma época.

Tucanos e variações da mesma espécie, eventualmente com sotaque pernambucano, assim como progressistas arrependidos continuam  a crer  que a contrapartida  é uma bagatela.

A galinha morta, congelada durante cinco anos pela crise dos seus fundamentos, volta assim ao balcão das ofertas eleitorais como frango fresco.

Quiçá orgânico, graças às contribuições  de Marina Silva.

Não se pode subestimar a lição política extraída do relato minucioso de Valente.
Uma reforma política que dificulte ao máximo a captura das campanhas eleitorais pelos agentes do dinheiro grosso é um imperativo do regime democrático.

Mas ela não basta.

É preciso que os interesses graúdos sejam igualmente regulados pelas urnas na exata medida do que a sociedade requer das instituições e recursos por eles  dominados. 

Quem o fará?

Esse capítulo não consta, nem poderia constar do livro.

Antes que seja coligido por um autor, a disputa política terá que dizer o que o país pretende dos bancos e do sistema financeiro em geral.

Banqueiros, ao contrário do feérico Daniel Dantas, em geral são discretos.

O  papel que desempenham na engrenagem sistêmica recomenda uma rotina à  salvo dos refletores políticos e judiciais.

É  questão de segurança e de história.

O dinheiro grosso passa por eles  –às vezes literalmente, a caminho de paraísos fiscais como o das ilhas Cayman –mostra o livro;  ou embarcados em esféricas contabilidades que preservam a identidade, o patrimônio e a sonegação  de seus anônimos detentores.

Bancos e banqueiros formam uma espécie de estuário dos sucessos e  pecados expressos na forma mais desejada, arisca e versátil da riqueza -- a forma dinheiro, na qual todas as outras estão representadas. 

Não se confunda o sistema financeiro com mera tinturaria ou levedura dos endinheirados.

Ainda que seja isso também,  sua estrita regulação é crucial para que se aplique no que lhe cabe como provedor do crédito, sem o qual não há crescimento no capitalismo.

O multiplicador que permite ao banco emprestar várias vezes aquilo que de fato possui em depósitos, fia-se na certeza de que nem todos os correntistas e investidores vão sacar o seu pecúlio ao mesmo tempo.

É esse lastro de vento que permite ao crédito ser uma antecipação do futuro.

Ao irrigar a produção e o consumo permite à economia erguer-se pelos próprios cabelos, encorpando a musculatura da mais-valia na acumulação subjacente.

Boa parte da engrenagem se apoia numa cabeça de alfinete chamada confiança nos bancos.

O oposto é a corrida aos saques - capaz  de destruir um banco em questão de horas,  por conta justamente do descasamento intrínseco ao seu alicerce entre ativos e passivos, prazos e expectativas díspares.

Quando todas as variáveis  convergem para um mesmo ponto –a esquina do pânico -  o sistema financeiro quebra.

Influenciar sem se expor, sem gerar ruídos  é, portanto, o segredo desse negócio.
Daniel Dantas destoa no quesito recato.

Mas se encaixa no ditado, segundo o qual, não se deve cometer o equívoco de jogar o bebê com a água suja do banho.

A dimensão político- judicial da atabalhoada ascensão financeira não o torna um personagem menos elucidativo  da agenda cuja presença ainda pulsa tão forte na política brasileira quanto os interesses que ele expressou e muitos ainda expressam.

Esqueça a imagem do bandoleiro adestrado na rapinagem tosca.

Fundado em 1994/95, não por acaso, seu banco levava o nome de Opportunity, conforme observa   Rubens Valente com sagacidade.

Não era um banco convencional voltado ao financiamento da produção e do consumo.

Era uma ferramenta  dos novos tempos.

Esses que persistem insepultos apesar da crise brutal em que mergulharam o planeta desde 2007/2008.

A ‘oportunidade’ dos novos ares saltara aos olhos de Dantas, e outros, com a vitória do PSDB  nas eleições de 1994.

Fernando Henrique Cardoso assumiu com a mesma disposição de Collor.

Defenestrado no meio do caminho, o ‘caçador de marajás’ construído pela Globo e assemelhados, prometera privatizar 68 estatais.

Caiu quando tinha liquidado 18.

Dantas participou da formulação desse programa de governo.

Protegido de Mario Henrique Simonsen, de que fora aluno brilhante, chegou a ser cogitado como ministro da Fazenda de Collor --do mesmo modo, e pelas mesmas mãos, participaria do plano de FHC, como conselheiro econômico do aliado PFL (depois Demos).

‘O liberalismo econômico é a única solução para sairmos do impasse (...) é a saída mais rápida e eficaz, especialmente porque não exige coordenação. O governo deveria se engajar num amplo programa de privatizações . Deveríamos começar pela privatização do próprio  setor privado: fim das cotas, monopólios, subsídios.’

O trecho é de um artigo de 1988 (na Folha) do futuro banqueiro que estudou no MIT, era tido como garoto prodígio e começou no mercado administrando fortunas de endinheirados, como a do ex-presidente do Bradesco, Carlinhos Braga.

Compare-se com o que diz hoje a cavalaria dos colunistas que diariamente acusa o necrológio do modelo ‘intervencionista’ do PT e o anacronismo da ação desenvolvimentista do BNDES, que adicionou R$ 190 bi ao investimento da economia em 2013.

O texto de 1988 poderia ser assinado hoje  por um formulador do  tucano como Edmar Bacha. Ou um guru das microreformas, como Marcos Lisboa, que há dias despejava megatons contra o que classifica de ‘o velho desenvolvimentismo do governo’, no não menos comparável jornal Valor Econômico.

O que dizem todos os assessores de Campos se não a mesma coisa que,, no fundo, é o que já dizia  FHC em entrevista de 1996 quando via a humanidade a caminho de um novo Renascimento –nos braços da globalização.

É forçoso reconhecer: o  sociólogo intuía a ameaça subjacente ao pacto mefistofélico feito com os ditos ‘livres mercados’.

Na ausência de contrapesos institucionais, o que aconteceria em caso de colapso financeiro global, perguntava-se?

O tucano conservador,  porém, preferiu não dar corda às especulações do sociólogo optando por  terceirizar a governança  à hegemonia dos mercados financeiros desregulados: ‘ninguém foi capaz, nem eu sou, de dizer como se resolve essa questão das "regras de governança" em nível mundial. Não tem problema se não houver tropeço grande do sistema financeiro. Aí está: você tem um conflito aqui, outro ali, mas não dá uma crise maior’.

‘Mas, e se der?’, perguntava a si mesmo.

Estamos falando, portanto,  de um metabolismo coletivo do qual Dantas foi a artéria exposta de uma época que ainda não acabou.

Seu instinto e intelecto souberam transformar o  vento de popa da desregulação ensaiada por Collor, e consumada pelo PSDB, no combustível da engrenagem faminta que o levou onde chegou. 

Longe.

De gerente de fortunas alheias, com um caixa de US$ 50 milhões, nos anos 80, no Icatu, banco pessoal da família Braga, em 1997 ele já movimentava investimentos da ordem de US$ 3,7 bilhões a bordo do Opportunity.

O ponto de mutação envolve o mergulho de cabeça  em um enredo meticulosamente decifrado no livro.

Ele reúne a determinação do governo do PSDB de privatizar portos, jazidas, telefônicas, elétricas,  petroquímicas, siderúrgicas, ferrovias – e mesmo a Petrobrás, recomendada por  Dantas, diga-se, mas salva no escândalo da Petrobrax.

À determinação tucana aliou-se a do banqueiro de não perder a exuberante oportunidade.

Para isso juntou interesses aflorados com a grande lambança rumo a um modelo de desenvolvimento menos ‘burocratizado’, dizia-se,  literalmente franqueado aos instintos capazes de explorar todas as possibilidades do cardápio.

 O City Bank foi um dos que aderiram ao menu oferecido pelo Opportunity , que se especializou em compor pools de capitais para avançar sobre as estatais de faca na boca.

No caso do City havia  um adicional de apetite: interessava ao banco desfazer-se de papéis da moratória brasileira dos anos 80.

Em vez de direitos de saque teóricos sobre uma riqueza futura, o saque em espécie do patrimônio tangível.

As regras da privatização tucana facultavam a modalidade de gula.

O banco norte-americano colocaria  cerca de US$ 1 bi nas mãos de Dantas, com quem iria se indispor no imbróglio das teles anos depois, em conflito que se repetiria entre o banqueiro e os fundos de pensão, já aqui sob a gestão do PT, em disputa de poder pelo comando das privatizadas.

A resenha de Renato Pompeu nesta página é um precioso guia para o leitor de Rubens Valente não perder o fio da meada.

São rounds e rounds de um duelo de perder o fôlego, do qual participariam direta e indiretamente não apenas o PSDB, mas também integrantes de um pedaço do PT, da PF e do judiciário.

A endogamia entre Daniel Dantas e Gilmar Mendes é um caso à parte.

Debulhada em triangulações que envolvem escritórios de advocacia interligados por pontes de interesse familiar  e favores pessoais, reúnem material suficiente para convocar a palavra escárnio.

Ela precifica os rompantes do magistrado que evocava o risco republicano de um Estado capturado pelo PT, no julgamento da AP 470.

O livro de Rubens Valente não esgota o assunto.

Não por falha do autor.

Trata-se,  como se disse acima, de uma história inconclusa.

Interesses, visões de mundos, forças políticas e personagens centrais iluminados por ele continuam a exercer e a enxergar no Brasil uma enorme oportunidade.

Tome-se o caso pedagógico do economista  Pérsio Arida, por exemplo.

Arida participou ativamente, ao lado de André Lara Rezende e outros, da formulação do Plano Real; presidiu o BNDES  –agente financeiro das privatizações—até  a posse de FHC, em janeiro de 1995, quando assumiu a presidência do Banco do Brasil.

A esposa, Elena Landau, exerceu o cargo mais específico impossível de coordenadora do programa de desestatização do BNDES.

Arida e Landau saíram do governo FHC antes de soar a campainha convocando os mercados para o rebabofe das estatais que eles ajudaram a deixar ao ponto.

Foram direto de mala e cuia trabalhar para o Opportunity  de Daniel Dantas (Landau fez um aquecimento prévio na gerencia de investimento do banco Bearn Sterns)

Arida passou a ser apresentado aos clientes como parceiro sênior do banco, atuando diretamente na frente de investimentos, leia-se, arremate de estatais.

Que nome dar a isso?

Arida, Bacha, Landau, Lisboa, Mendonças, Lara Rezende (hoje um guru do econeoliberalismo de Marina) continuam a pontificar e a pautar a agenda econômica do país, na assessoria de forças conservadoras e como referência do colunismo embarcado.

Aquilo que especulava FHC na entrevista citada de 1996  deixou de ser especulação --‘Não tem problema se não houver tropeço grande do sistema financeiro; você tem um conflito aqui, outro ali, mas não dá uma crise maior. Mas, e se der?’

Deu.

A inexistência de alternativa à altura, porém, encoraja a mesma  turma a apostar em uma nova chance em 2014.

Uma nova oportunidade - diria aquele que de todos talvez tenha sido o mais transparente em seus propósitos.
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