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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Uma solução para o martírio financeiro de Genoíno e o pânico da mídia

10.01.2014
Do portal da Carta Maior
PorPaulo Nogueira

Se Lula fizesse três ou quatro palestras e encaminhasse a receita para Genoino, o martírio financeiro deste seria resolvido. Mas o que diriam Globo e Veja?
 
ArquivoÉ reveladora a reação de muitos petistas a uma proposta que fiz num artigo.

Disse que tinha achado uma maneira simples e eficiente de resolver o martírio financeiro de Genoino, depois que em mais um capítulo da abjeta perseguição movida contra ele a Justiça lhe deu dez dias de prazo para pagar uma dívida de mais de 600 mil reais.

Propus o seguinte: assim como existem partidas beneficentes de futebol, poderíamos ver palestras beneficentes.

Especificamente: se Lula fizesse três ou quatro palestras e encaminhasse a receita a Genoino, o caso estaria resolvido.

Lula é um dos astros do circuito mundial de palestras. Os cachês giram em torno de 100 mil dólares.

Para Genoino, arrecadar dinheiro é a chamada tarefa de Sísifo. Uma vaquinha na internet é um esforço épico, como tem se visto. Para Lula, arrecadar dinheiro, ao contrário, é fácil.

Ponderei também que finalmente se daria algum sentido ao caça-níqueis ao qual se atiram ex-presidentes mundo afora depois de suas administrações.

No Brasil, a prática foi inaugurada por FHC, que com sua conhecida mala vermelha foi colher dólares em todo o planeta devidamente monetizado, e seguida por Lula.

Disse, ainda, que casos extremos como este de Genoino exigem que se tire de lado “orgulho”.

É uma solução extraordinária? Lembremos as palavras imortais de Guy Fawkes, o homem que tentou explodir o Parlamento britânico em 1605.

Perguntado pelo rei Jaime por que tentara matar todo mundo com uma bomba, Fawkes deu uma resposta que entrou para a história: “Situações extraordinárias pedem medidas extraordinárias.”

No caso de Fawkes, católico, o problema era a tirania religiosa imposta pelos protestantes britânicos sob o comando da monarquia.

Finalmente, notei que haveria uma certa justiça poética em Lula quitar a dívida de Genoino. Quem inventou Joaquim Barbosa?

Ah, sim. Se fosse o caso de discrição, me agrada a tese bíblica de que a mão direita não deve saber o bem que a mão esquerda faz.

A melhor beneficência é muda. Lula não teria que dizer nada a ninguém. Anonimamente, faria o que teria que fazer e despejaria a quantia necessária na conta de Genoino.

Bem, em suma foi esta minha proposta.

Tem sido reveladora a reação de muitos  petistas (embora numa enquete no site DCM 75% dos leitores aprovem a ideia).

A maior objeção é aquela que você pode imaginar: o que a mídia dirá? O que a Globo faria com uma coisa dessas? Já pensou no que o Jornal Nacional colocaria no ar?

Refleti de mim para mim: pobre Genoino. Sempre no fim da fila quando se trata de definir prioridades. Só Miruna e uns poucos o colocam no topo.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o grau de intimidação, de medo, de pavor que exala dessa especulação sobre como a mídia reagiria.

Enquanto não for vencido o sentimento de pânico que as pessoas têm da mídia pouca coisa se fará no Brasil.

É incrível como perdura esse pânico, mesmo depois de sucessivas derrotas da mídia em eleições vitais no Brasil.

É um terror que imobiliza, que paralisa o país. Se a cada passo rumo a uma sociedade justa você parar para pensar no que Globo, Folha ou Veja vão fazer, você simplesmente não andará.

As coisas mudaram. Revistas e jornais estão morrendo à míngua de leitores, e a audiência da Globo é uma fração diante do que foi no passado. A influência da chamada mídia corporativa é hoje muito menor do que foi ontem, e muito maior do que será amanhã.

Veja Haddad, eleito do nada contra o famoso Serra em plena histeria do Mensalão e sob apoio maciço das companhias jornalísticas.

O paradoxo deste quadro é que, mesmo com perda copiosa de influência, a mídia comanda a agenda dos políticos do país.

O Brasil terá dado um grande passo quando os políticos se perguntarem, diante de possíveis medidas, o que pensa a sociedade – e não a Globo.
Créditos da foto: Arquivo
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Uma-solucao-para-o-martirio-financeiro-de-Genoino-e-o-panico-da-midia/4/29979

Partos lideram a lista de ressarcimentos feitos pelos planos de saúde ao SUS

10.01.2014
Do portal BRASIL247, 09.01.14
Por FELIPE L. GONÇALVES



Nos últimos três anos, o Sistema Único de Saúde recebeu r$ 325 milhões por procedimentos realizados em pessoas que têm planos de saúde
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/video/126455/Partos-lideram-a-lista-de-ressarcimentos-feitos-pelos-planos-de-sa%C3%BAde-ao-SUS.htm

Operação Banqueiro: um retrato das relações de Daniel Dantas com o poder

10.01.2014
Do portal da Agência Carta Maior
PorRenato Pompeu

O livro de Rubens Valente mostra, entre outras coisas, como Daniel Dantas se livrou de investigações após ameaçar integrantes do governo FHC.

Arquivo
Depois de referir na introdução a chamada "era de ouro" das investigações da Polícia Federal, de 2003 a 2008, era encerrada justamente com o malogro da Operação Satiagraha, o livro começa com uma bem detalhada e bem documentada descrição das negociações, em junho de 2008, entre o professor universitário Hugo Sérgio Chicaroni, que se apresentou como representante de Humberto Braz, este ligado a Daniel Dantas, e os delegados da Polícia Federal Protógenes Queiroz e Victor Hugo. Chicaroni promete aos dois 500 mil dólares para Daniel Dantas e seus familiares não serem perturbados nas investigações em curso e entrega 50 mil reais a Protógenes, por já terem entrado em contato. Tudo isso está fartamente documentado – nenhuma informação é em off – em gravações autorizadas pela Justiça, suas transcrições e em depoimentos de testemunhas.
 
Depois há uma densa narrativa da trajetória de Dantas, desde seu nascimento em 1954 como descendente de uma secular família de senhores de terras, políticos e empresários na Bahia, até sua fundação do Banco Opportunity, em 1994. O jovem Daniel cursou a Escola Politécnica na Bahia e no Rio se tornou discípulo de Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda durante a ditadura, tendo sido seu aluno na Fundação Getúlio Vargas, onde se doutorou em Economia, e tendo feito o pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. Participou da elaboração do Consenso de Washington, segundo o qual os endividados governos latino-americanos deveriam cortar os subsídios e os gastos públicos e privatizar em massa as suas empresas estatais. A família Braga, ligada ao Bradesco, o chamou para gerir os seus bens por meio da instituição financeira Icatu. Atuou também nas discussões que levaram ao Plano Collor, mas não aprovou o congelamento dos ativos financeiros que o presidente Fernando Collor acabou decretando.
 
Em seguida vem um bem circunstanciado relato das ligações de Dantas, primeiro com o PFL de Antônio Carlos Magalhães, e depois com membros do governo FHC, particularmente durante as privatizações das telecomunicações. O Opportunity de Dantas contratou integrantes importantes do governo FHC, como Persio Arida e Elena Landau, para ajudar o grupo formado por Dantas, Citibank e os fundos de pensão das estatais para conseguir vencer o leilão da Tele Norte Leste, o mais rico quinhão entre as telefônicas. Não só isso, também o próprio governo FHC apoiou os planos do Opportunity, segundo revelaram escutas telefônicas clandestinas que levaram à queda de integrantes do governo. Entretanto, a compra da Tele Norte Leste pelo grupo do Opportunity acabou não dando certo, tendo essa telefônica ficado com o consórcio liderado pelo Grupo Jereissati, o grupo do Opportunity sendo obrigado a se contentar com a bem menos apetitosa BrT. Como as escutas clandestinas não podiam ser usadas em juízo, os processos contra as irregularidades não puderam ir adiante. Depois, se narram as disputas entre Dantas, de um lado, e a italiana TIM e os fundos de pensão, de outro. Enquanto os fundos queriam maior participação na gestão do consórcio, ou mesmo assumi-la por inteiro, Dantas insistia em manter o controle total.
 
Dantas inicialmente hostilizou o governo Lula, que desconfiava que pretendia favorecer os fundos de pensão para o controle da BrT em conjunto com a Telemar. Mas foi chamado para reuniões com José Dirceu, chefe da Casa Civil, e com Cássio Casseb, presidente do Banco do Brasil, contra o qual Dantas montou uma vasta operação de espionagem executada por uma firma americana de investigações, a Kroll
 
As operações da Kroll, pelas quais a BrT controlada por Dantas pagou 26 milhões de reais, e que envolveram ações ilegais, como suborno a policiais federais e quebra de sigilos bancário, atingiram também, no Brasil e na Itália, pessoas ligadas à TIM e outros desafetos de Dantas, como Luís Roberto Demarco Almeida.
 
Luís Demarco, paulista nascido em 1962, filho de professores universitários, se formou engenheiro-químico na Politécnica da USP, mas logo deixou essa profissão para trabalhar em finanças. Em meados de 1997 passou a trabalhar com Pérsio Arida e Daniel Dantas no Opportunity, mas um ano depois se afastou do grupo, segundo ele por não ter concordado em pagar propina a um funcionário do governo do Paraná, durante a privatização da Sanepar, empresa estadual de saneamento; segundo o Opportunity, por suspeita de irregularidades por parte de Demarco. As duas partes se enfrentaram em ação judicial iniciada em Cayman, em que Demarco exigia o pagamento de cotas de um fundo local do Opportunity, que lhe pertenceriam segundo o acordo para trabalhar no banco, apesar da proibição pela legislação brasileira de brasileiros residentes no País participarem de fundos desse tipo. Demarco obteve ganho de causa, referendado pela Corte de Londres com jurisdição sobre países da Comunidade de Nações, ex-Comunidade Britânica. A partir daí Demarco e Dantas se tornaram inimigos figadais.
 
A partir daí o livro trata da malograda Operação Macuco, da Polícia Federal, uma investigação, abortada pela própria direção-geral da PF, sobre o envio clandestino de milhões de dólares para o Exterior, em benefício de políticos e empresários, pelos bancos Araucária e Banestado. Grande parte desse dinheiro foi para o fundo do Opportunity em Cayman, o que levou o procurador Luiz Fernando de Souza a investigar se se tratava de dinheiro da privatização das teles. Uma CPI do Banestado não deu em nada e o procurador Souza foi desmoralizado por ter usado um computador de uma pessoa ligada a Demarco para elaborar um relatório.
 
Aí chega a vez de o livro revelar detalhes estarrecedores do Projeto Tóquio, ou seja, as investigações da Kroll contratadas pelo Opportunity de Daniel Dantas. Os alvos dessa espionagem cheia de ilegalidades incluíam a TIM, juízes encarregado de decidir ações judiciais em que o Opportunity estava envolvido, tudo com o objetivo de “assassinar reputações” por meio da mídia. Essas investigações chamaram a atenção da Polícia Federal, que montou a Operação Chacal para acompanhar as ligações da Kroll com Dantas. Tudo isso estava acontecendo por volta de 2003.
 
Com Dantas se sentindo ainda hostilizado pelo governo Lula, seu grupo tentou contatos com Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente, e com Luiz Gushiken e José Dirceu. Por outro lado, numa trama cheia de escabrosidades, enquanto Dantas continuava patrocinando as investigações nem sempre legais da Kroll, seus rivais na TI montaram, na Itália e no Brasil, uma operação ainda maior de espionagem, tendo Dantas e a Kroll como alguns de seus alvos. Essa operação, entretanto, acabou sendo descoberta pelas autoridades italianas, e dirigentes da TI foram presos. No entanto, a TI e o Opportunity acabaram entrando em acordo quanto à BrT e com isso a espionagem da TI se voltou contra Demarco, antes considerado seu aliado. Paralelamente, a Polícia Federal, continuando suas investigações, apreendeu com mandado judicial o disco rígido de um computador do Opportunity.
 
Em 2005 estoura o escândalo do mensalão. Na sua esteira surgem provas de ligação entre Marcos Valério e o Opportunity, pois o publicitário detinha contas de empresas telefônicas do grupo, num possível esquema de lavagem de dinheiro. Narra-se também a perseguição judicial e midiática que o grupo exerceu sobre a juíza do Rio de Janeiro Márcia Cunha, que decidiu contra o Opportunity num processo referente à disputa com os fundos de pensão. Em seguida o livro aborda a acusação da existência de contas secretas no Exterior em benefício de Lula e vários dirigentes petistas, feita pela revista Veja a partir de informações prestadas pelo americano Frank Holder, ex-integrante da Kroll, que teria agido em combinação com Dantas. Ao mesmo tempo, a CPI dos Correios, encerrada em 2006, acusava Dantas de gerir de forma espúria os recursos dos fundos de pensão. Enquanto tudo isso acontecia, o HD do Opportunity continuava sem ser investigado, porque o banco havia recorrido judicialmente de sua apreensão. Entretanto, em meados de 2006, em meio a outra investigação, uma procuradora mandou apurar o que havia nos HDs (na verdade, eram cinco, e não apenas um, e aí se apurou que o Opportunity havia transferido fundos de brasileiros residentes no País a contas em paraísos fiscais, o que era e continua sendo ilegal.
 
Assim, a investigação contra Dantas não foi de iniciativa dos delegados Paulo Lacerda, então superintendente da PF, e Protógenes Queiroz, mas foi herdada por eles, tendo Queiroz iniciado a Operação Satiagraha em fevereiro de 2007, mas Lacerda logo foi transferido para a chefia da Agência Brasileira de Informações, a Abin, tendo Queiroz enfrentado dificuldades com a nova direção da PF, que atrasou o pagamento a fornecedores da Satiagraha e ainda deixou vazar na imprensa em fins de 2007 que havia planos para investigar Dantas, quando a Operação deveria ter permanecido sigilosa até março de 2008. Em contrapartida, Queiroz contava com o apoio da Abin de Lacerda, que chegou a fornecer 175 agentes para a Satiagraha. A Abin considerava essa cooperação perfeitamente legal, mas o problema é que Queiroz não comunicou nada sobre isso a seus superiores na PF, que só mais tarde, e por acaso, ficaram sabendo da cooperação. Trabalhando para a Satiagraha, agentes da Abin chegaram a acompanhar as andanças de Dantas no Rio de Janeiro.
 
Tendo assumido a Satiagraha, Queiroz logo teve dificuldades com o Ministério Público, que chegou a acenar com a interrupção das investigações, porque até então, meses depois de iniciada a Operação, nenhum crime fora descoberto relacionado com o Opportunity. Mas daí, em meados de 2008, Queiroz recebeu relatórios elaborados desde anos antes pelo Banco Central, que constataram diversas irregularidades no Opportunity, tal como a aceitação de depósitos milionários por parte de investidores brasileiros residentes no país que de modo nenhum tinham renda e patrimônio compatíveis com os descomunais valores de seus investimentos. Isso chegou à Satiagraha num momento em que Dantas estava particularmente vulnerável, pois estava tentando entrar em acordo com seus antigos desafetos dos fundos de pensão e do Citibank, com o objetivo de vender a BrT para a OI, enquanto ainda corriam ações judiciais contra o Opportunity nos Estados Unidos e no Brasil, movidas respectivamente pelo Citibank e pelos fundos de pensão. 

A Satiagraha engordou seu arsenal contra Dantas com o acompanhamento, autorizado judicialmente, das manobras jurídicas adotadas pelo Opportunity para escapar das condenações nessas ações. Em meio a tudo isso, Dantas contratou o advogado Luiz Greenhalgh, ex-defensor de presos políticos durante o regime militar e ex-deputado pelo PT. Greenhalgh tratou do acordo com os fundos de pensão com autoridades do governo Lula como Dilma Rousseff e foi assessorado por um misterioso personagem chamado de Arquiteto nas conversas com o Opportunity, e que um perito da Satiagraha identificou como sendo o bancário João Vaccari Neto, petista histórico, que exerceu vários cargos no partido e no governo Lula e que viria a ser o tesoureiro nacional do PT depois da saída de Delúbio Soares. 

Em abril de 2008, com a bênção do governo federal, o acordo para a venda da BrT para a Oi foi finalmente firmado e as partes desistiram das ações judiciais umas contra as outras. Isso apesar de a legislação proibir que uma empresa telefônica atuasse em duas áreas territoriais contíguas, proibição que Lula aboliu por decreto. Isso é apresentado no livro como um argumento contra a queixa de Dantas, de que sempre foi perseguido pelo governo do PT. Enquanto tudo isso acontecia, Queiroz enfrentava novas dificuldades com seus desafetos na PF, incluindo o vazamento, pela Folha de S. Paulo, de que estava em andamento a Operação Satiagraha contra Dantas. Isso permitiu aos advogados do Opportunity solicitarem acesso ao inquérito secreto, pedido que chegou a tramitar em juízo, mas logo foi negado. O maior responsável pela suspensão dessa tramitação foi o juiz Fausto De Sanctis, em cuja vara corria o inquérito da Satiagraha.
 
Em seguida, o livro retoma o seu início, relatando a continuação das negociações, em junho de 2008 entre Hugo Chicaroni e Humberto Braz com os delegados Victor Hugo e Queiroz, para Dantas e seus familiares não serem incomodados nas investigações, a troco de 500 mil dólares. No segundo encontro entre as duas partes, num restaurante, Chicaroni e Braz se reúnem com Victor Hugo, sob as vistas, em outra mesa, de dois repórteres da Rede Globo que já haviam coberto outras ações comandadas por Queiroz. Dois pontos ficam claros: primeiro, Braz era um alto executivo do Grupo Opportunity, com acesso direto a Dantas, e não um funcionário subalterno; segundo, os repórteres não gravaram o áudio das conversas, simplesmente gravaram a cena em vídeo; quem gravou o áudio foi o delegado Victor Hugo. Depois que os repórteres foram embora, a conversa continuou, sendo apresentada a proposta de uma segunda parcela de 500 mil dólares, referente a uma investigação a ser feita pela PF sobre Demarco, o eterno desafeto de Dantas. Num terceiro encontro, só entre os dois, Chicaroni entregou a Victor Hugo cerca de 80 mil reais. Isso permitiu a pronta deflagração da Operação Satiagraha.
 
A 8 de julho de 2008, 164 policiais federais, em 42 carros, cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão em 35 endereços no Rio, São Paulo e Brasília. O próprio Dantas, já de manhã, estava sob custódia em sua casa no Rio. Foi levado para São Paulo, juntamente com outros integrantes do Opportunity, para a carceragem da PF. No dia seguinte, o ministro Gilmar Mendes, então presidente do Supremo Tribunal Federal, concedeu habeas-corpus a Dantas e outros integrantes ao Opportunity ou ligados ao grupo. Eles foram soltos e permaneceram em São Paulo. Entretanto, munido de novas provas e indícios obtidos nas buscas e apreensões do dia 8, Queiroz obteve do juiz De Sanctis novo mandado de prisão contra Dantas e comandou nova detenção do banqueiro a 10 de julho. Mas Gilmar Mendes, desconsiderando as novas provas apresentadas, concedeu em seguida novo habeas-corpus a Dantas e pediu a abertura de sindicância contra o juiz De Sanctis, que segundo ele teria participado de um ardil. 

Dantas, assim, foi novamente solto. A par disso, tomou vulto, na mídia e em outros meios, a versão de que a Satiagraha estaria grampeando o próprio presidente do STF, quando a verdade, segundo o livro prova inclusive com revelações inéditas, o que aconteceu é que o nome de Gilmar Mendes aparece várias vezes em conversas de pessoas ligadas ao Opportunity, estas sim monitoradas no quadro da Operação, com ordens judiciais. O problema é que entre os monitorados estavam advogados dos investigados, o que gerou protestos de ilegalidade das gravações. Outro mito derrubado pelo livro é o suposto ardil que o juiz De Sanctis e o delegado Queiroz teriam armado para, sem base legal, decretar a segunda prisão de Dantas e assim desafiar o primeiro habeas-corpus outorgado pelo ministro Mendes. O fato é que o delegado e o juiz se basearam em novas provas, tão contundentes que pessoas ligadas a Dantas defenderam a tese de que as novas evidências haviam sido “plantadas” pelos agentes da Satiagraha.
 
De todo modo, o ministro da Justiça, Tarso Genro, ordenou uma investigação da PF sobre Queiroz, que seis dias depois do início da Satiagraha participou de uma reunião com a cúpula da PF em que foi afastado da Operação, relegado a dar aulas. A partir daí, marginalizado, Queiroz foi investigado por várias razões, desde por ter dado exclusividade à Rede Globo na cobertura até por ter supostamente grampeado o presidente do STF. A mídia, em especial a revista Veja, acusada por Queiroz num relatório de fazer parte do esquema de Dantas, apontou erros e mais erros, até de português, nos relatórios de Queiroz e deu como certo que Gilmar Mendes tinha sido espionado, como também até a antessala do gabinete do presidente Lula. Essas acusações nunca foram comprovadas pelo Judiciário, mas a campanha contra Queiroz prosseguiu na mídia. O livro aponta que Queiroz e os demais responsáveis pela Satiagraha haviam mais acertado do que errado, mas que a mídia praticamente só deu atenção aos erros, tendo a Operação só sido defendida por alguns blogueiros e milhares de cidadãos comuns na Internet. O dirigente da Abin, Paulo Lacerda, que colaborara com a Satiagraha, foi afastado numa reunião de que participaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o presidente Lula, para discutir denúncia de que a Abin monitorara um telefonema entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres. 

Isso nunca foi comprovado, mas Lacerda e Queiroz continuaram sendo investigados sobre o assunto, inclusive na CPI dos Grampos, que havia sido criada em 2007 e que incluía parlamentares que em suas campanhas haviam recebido doações de gente ligada ao Opportunity. Uma completa devassa na Abin, ordenada judicialmente e cumprida pela Polícia Federal, não descobriu nenhum grampo. Mas a investigação sobre a “exclusividade” dada a Rede Globo rendeu mais críticas da mídia à Satiagraha. Queiroz acabou indiciado por esse favorecimento, nunca por interceptação telefônica ilegal. Marginalizado na PF, Queiroz no entanto se tornou uma celebridade nacional, tendo sido chamado para palestras em todo o País. Contrariando sua própria carreira como delegado, chegou a dizer numa reunião de petroleiros que era contra uma investigação tendo a Petrobrás como alvo. Acabou deputado federal pelo PC do B, embora seja católico devoto e ande sempre com uma imagem de Nossa Senhora na lapela.
 
Mais adiante o livro indica que os dois habeas-corpus concedidos por Mendes a Dantas estavam para ser julgados em seu mérito pelo pleno do STF em novembro de 2008. Retrata a carreira de Mendes, que passou pelo Ministério Público sem realizar nenhuma investigação importante, e se transferiu para o Executivo, como assessor primeiro do presidente Fernando Collor e depois de Fernando Henrique Cardoso, que o nomeou primeiro como advogado-geral da União, tendo sido processado por procuradores por não transmitir ao Ministério Público informações sobre casos de improbidade administrativa, e sofrido outros processos, que sempre foram arquivados, e acusado de mandar custear com verbas públicas cursos de funcionários em uma escola de que era sócio. Depois, se tornou ministro do Supremo, tendo participado das campanhas que resultaram na eleição e reeleição de um seu irmão como prefeito de Diamantino, MT, onde sua família é proprietária de terras e de gado e onde ele nasceu. Mendes sempre se mostrou contrário às ocupações dos sem-terra e favorável às privatizações e à restrição dos poderes investigativos do Ministério Público e da Polícia Federal, por ser contra o “Estado policial” – posição que lhe angariou grande apoio entre advogados criminalistas. 

O ministro Joaquim Barbosa acusou Mendes de manter “capangas” no Mato Grosso. Mendes teve relações muito estreitas com pelo menos dois advogados do Opportunity, Arnold Wald, com quem colaborou em textos para a imprensa e em anteprojetos de lei, e Sérgio Bermudes, no escritório do qual a mulher de Mendes, Guiomar, foi trabalhar ao lado de Elena Landau. Mendes votou a favor da sustação da ação do procurador Luís Sousa contra Dantas, por ter o procurador usado em seu relatório o computador de uma pessoa ligada a Demarco. Finalmente, na sessão de 6 de novembro de 2008, o pleno do Supremo aprovou, por nove votos a um – note-se que estava ausente um ministro, o agora famoso Joaquim Barbosa – os habeas-corpus concedidos por Mendes e considerou rebelde o juiz De Sanctis. O único que votou contra foi Marco Aurélio de Mello, que julgou exemplar o comportamento de De Sanctis e defendeu a tese de que haviam surgido fatos novos que justificavam a segunda ordem de prisão contra Dantas. O vitorioso Mendes, presidente do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, comandou nos meses seguintes uma ofensiva, chamada de “legislação Satiagraha”, que praticamente tornou impossível a policiais algemarem os presos e quase impraticável às autoridades e juízes requererem ou autorizarem interceptações telefônicas. 

O ministro Eros Grau requereu e conseguiu o envio de tudo que tinha sido apreendido na Satiagraha para que a defesa do Opportunity a examinasse antes da Polícia Federal. Saiu na imprensa um relatório atribuído a um executivo do Opportunity segundo o qual o material incluía indicações de que o presidente Lula havia interferido em favor da compra da BrT pela TIM, fato que a Satiagraha não se teria interessado em invesigar. Houve também uma ofensiva midiática e jurídica para defender a tese de que Queiroz teria se aliado a Demarco e ao jornalista Paulo Henrique Amorim, que seriam os verdadeiros “orientadores” da Satiagraha, transformando-a numa operação “privatizada”. Marginalizado e perseguido por ações judiciais que não deram em nada, o juiz De Sanctis mesmo assim condenou Dantas a dez anos de prisão, mas é decisão de primeira instância e coube recurso.
 
Na Satiagraha, Queiroz foi substituído pelo delegado Ricardo Andrade Saadi, que fez um relatório não só incriminando Dantas pelas irregularidades que já haviam sido descobertas, como fez novas investigações, inclusive em cooperação com autoridades americanas, que envolveram Dantas em outras irregularidades, como o fato de ter prometido ao Citibank um terço das ações da Telpart em troca de o banco americano investir 22 milhões de dólares, enquanto o Grupo Opportunity entraria com 65 milhões de dólares. No entanto, Dantas manobrou de tal forma que o Citibank apenas teria direito à devolução de seus 22 milhões de dólares, sem direito ao terço das ações da Telpart nem ao lucro com a valorização das ações. No começo de 2009, as autoridades brasileiras conseguiram o bloqueio de 2 bilhões de dólares em contas nos Estados Unidos, Reino Unido e Suíça. Saadi contou ainda com a ajuda da delatora premiada Claudine Spiero, ex-executiva do Crédit Suisse em São Paulo, que tinha chegado a ser presa por ilegalidades, e que resolveu colaborar com a Polícia Federal. Em relação a Dantas ela ajudou a vasculhar irregularidades em que estava envolvido o consultor Roberto Amaral, ligado à construtora Andrade Gutierrez, o qual ajudou Dantas a “internar” 5 milhões de dólares a serem trazidos irregularmente do Exterior para o Brasil, em espécie.
 
Uma apreensão, em dezembro de 2008 na casa de Roberto Amaral, ligado também a Orestes Quércia e Jânio Quadros no Morumbi, em São Paulo, autorizada pelo juiz De Sanctis, levaria à maior descoberta contra Dantas, aqui descrita pela primeira vez em toda a sua dimensão. Segundo o autor, são e-mails trocados em 2001 e 2002 entre Amaral, de um lado, e Dantas, o presidente Fernando Henrique Cardoso, o candidato José Serra e o tucano Andrea Matarazzo, mais o consultor William Yu. Segundo o livro, em fevereiro e março de 2002, Amaral tentou, para beneficiar o Opportunity, indicar o substituto de Luiz Tarquínio Sardinha Ferro na presidência do fundo de pensão Previ. Em e-mail para FHC, Amaral chegou a dizer, a FHC, que não seria “bom” para o ministro Pedro Malan, para Serra, para Ricardo Sérgio e Eduardo Jorge, indicar Carlos Tersandro, executivo do Banco do Brasil em Londres, que de fato não foi nomeado. Nessa mesma época, Amaral se esforçou para estabelecer que Dantas não havia sido a fonte da denúncia de Antônio Carlos Magalhães, segundo a qual o empresário Benjamin Steinbruch dissera que pagar 15 milhões de reais a Ricardo Sérgio para facilitar a constituição do consórcio com que Steinbruch comprou a Vale do Rio Doce. 

Em e-mail a Serra, Amaral xinga Serra, diz que Serra precisa dele, mas ele não precisa de Serra, e diz que Dantas é “um grande credor”. Dantas envia e-mail a Amaral para pedir que este esclareça junto a FHC que de fato Dantas fizera pagamentos à Rivoli, empresa ligada a Ricardo Sérgio, mas que Dantas nada tinha a ver com a corrupção de Ricardo Sérgio. Amaral escreve a Dantas para reclamar da suposta incompreensão deste quanto às ações de Amaral para limpar Dantas, junto a FHC e Serra, da acusação segundo a qual Dantas seria a fonte da denúncia de ACM quanto a Ricardo Sérgio. O livro conta detalhes inéditos da reunião entre Dantas e FHC em maio de 2002, que era para ser secreto mas vazou na imprensa. Vinte dias antes do encontro, Dantas diz em email que “a pessoa” (FHC) tem medo que a história toda da privatização da Telemar venha a público. Em outros e-mails, Dantas conta que, em novembro de 2001, já se havia reunido com FHC para pedir que a União, por intermédio da Advocacia Geral, comandada por Gilmar Mendes, substituísse a Anatel na causa da Telemar. 

E que o apoio de Mendes ao Opportunity se dava indiretamente por meio do procurador-geral da Anatel, Antônio Domingos Teixeira Bedran além do que Mendes estava ajudando o Opportunity a levar as causas para o âmbito da Justiça Federal. E que se deveria agir para que Bedran, na prevista reformulação na Anatel, fosse mantido no cargo, ou mesmo previsto. Bedran estava na Anatel desde 1998, mas durante dois anos continuou integrando um escritório de advocacia que prestava serviços à Telemig, controlada pelo Opportunity, mas em 2001 a Corregedoria da Advocacia Geral da União, apurando o assunto, isentou Bedran de quaisquer suspeitas. Entre 2001 e 2002 a Anatel discutia o conflito entre Dantas e o grupo canadense TTW, pelo controle da Telemig. A Anatel entrou na Justiça ao lado do Opportunity. 

Nove anos depois, em março de 2011, Bedran disse que nunca discutiu com Mendes qualquer questão relativa ao Opportunity, embora a AGU tenha feito uma petição no processo. Em junho de 2002 Amaral disse a Dantas que conversara com FHC, frisou as pressões que seu grupo estava fazendo sobre o Planalto e falou sobre “grana” para “campanha” e em outros e-mails contou dos esforços para que o governo não desse apoio ao procurador Luiz Francisco, para obter, pela CVM e BC, uma lista dos cotistas do Opportunity Fund em Cayman, segundo denúncia de Demarco. Amaral disse a FHC que, se a lista aparecesse, envolveria nomes de pessoas ligadas ao tucanato. O deputado petista Milton Temer soube que Cayman havia enviado a lista ao BC, mas seu presidente, Armínio Fraga, negou isso. O diretor-relator da CVM lamentou não ter conseguido em Cayman acesso à lista. Luiz Francisco jamais conseguiu a lista. 

Dantas contou a Amaral que a lista envolvia um filho de FHC. Amaral continuou tratando do assunto com FHC. De um documento apreendido com Amaral se depreende que, além do Opportunity, outros bancos, o Pactual e o Matrix, tinham também fundos irregulares no Exterior, ou seja, os nomes dos investidores brasileiros nos fundos desses bancos poderiam também aparecer. Em e-mail a Serra, Amaral fala da necessidade de, para “preservar o governo”, impedir que Luiz Francisco tivesse acesso a qualquer lista, como de fato Luiz Francisco nunca teve. 

Dantas pretendeu expor Demarco na imprensa usando e-mails de Demarco contra o Opportunity obtidos por um antigo capitão-de-corveta que se tornou empresário, Carlos Henrique Ferreira Braga, que era ao mesmo tempo amigo de Milton Temer e contratado de William Yu para retirar a canadense TIW do controle da Telemig Celular, manobra que segundo Yu disse a Braga visava beneficiar um grupo português, mas na verdade Yu estava trabalhando para o Opportunity. Amaral e Yu, entretanto, foram contra a exposição de Demarco na mídia. Até 2011, Milton Temer não soube da ligação de seu amigo Braga com esse caso da Telemig. No fim do primeiro semestre de 2002, Dantas rompeu o acordo com Amaral, alegando que os contatos com FHC, Andrea Calabi e Ruy Mesquita, entre outros, não haviam dado em nada, e ele nem fora convidado para um jantar de membros do governo FHC com executivos da telefonia na Embaixada do Brasil em Roma. Amaral respondeu que tivera dificuldades por ser Dantas ligado a ACM e “malfalado”, por isso, nos meios tucanos. O autor do livro, em 2011, procurou funcionários do Planalto, mais Fraga, FHC e Serra, que todos negaram quaisquer contatos ou e-mails trocados com Amaral e Dantas em torno da lista de Cayman. 

Entretanto, nos e-mails fica claro que Amaral conseguia publicar notas, inclusive contra Demarco, nas colunas de Gilberto di Pierro, o Giba Um, e Claudio Humberto. De todo modo, os e-mails Amaral-Dantas ficaram sob a guarda do procurador-geral Roberto Gurgel, que nunca tomou qualquer providência em relação a eles, muito menos os liberou para divulgação. (citar encerramento do capítulo).
 
 
Embora ainda esteja em andamento recurso no Supremo, a 7 de junho de 2011, por 3 votos a 2, o Superior Tribunal de Justiça, a pedido do Opportunity, mandou anular toda a Satiagraha e, principalmente, mandou incinerar toda a documentação por ela apreendida, o que foi feito. Assim como seu ancestral Cícero Dantas combateu o Antônio Conselheiro, agora Dantas, por meio da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, do Pará, controlada pelo Opportunity, combate o MST para defender seus 500 mil hectares em que abate 500 mil cabeças de gado. O autor não conseguiu ouvir Dantas.
 
 
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Fonte:www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Operacao-Banqueiro-um-retrato-das-relacoes-de-Daniel-Dantas-com-o-poder/4/29980

Petrobras desmente 'reporcagem' no Estadão

10.01.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O jornal Estadão publicou uma "reporcagem"do jornal estadunidense Washington Post depreciando as expectativas sobre o petróleo do pré-sal. Lá fim do texto, deixa escapar uma fonte ouvida: o indefectível Adriano Pires, tucano que foi diretor da ANP no governo FHC e que tem cadeira cativa como "especialista" na Globonews para detonar a Petrobras.

Em seu blog Fatos e dados, a Petrobras soltou esta resposta expondo os números que não deixam dúvidas de que o jornal estadunidense está mal informado (se não estiver de má fé):


A respeito de reportagem publicada hoje (8) nos jornais Washington Post e Estado de São Paulo, a Petrobras vem a público reiterar os ótimos resultados da exploração e desenvolvimento da produção das jazidas do pré-sal, que já é uma realidade para a Companhia, e sua expectativa em relação à produção futura.

A Petrobras ressalta que, no último dia 24 de dezembro, registrou o recorde diário de 371 mil barris de petróleo por dia alcançado na área de pré-sal, com apenas 21 poços em operação, ou 18 mil bpd em cada poço, o que evidencia a alta produtividade desses campos.

Registra-se que a produtividade dos poços do pré-sal no Brasil está entre as mais altas do mundo. Para se ter uma ideia, essa produtividade, no Mar do Norte, é de até 15 mil bpd; e no Golfo do México, até 10 mil bpd. Nos campos de Lula e Sapinhoá, essa produtividade oscila entre 25 mil e 30 mil bpd.

Outro resultado que sustenta o planejamento da produção futura das áreas do pré-sal é seu excelente sucesso geológico, que foi de 100% no ano de 2013. Todos os poços exploratórios do pré-sal perfurados em 2013 acusaram presença de hidrocarbonetos.

Vale ressaltar, ainda, que a companhia registrou em 2013 importantes descobertas no polo pré-sal da Bacia de Santos, com a acumulação de Sagitário, em fevereiro, e nos blocos da denominada Cessão Onerosa: as áreas de Sul de Tupi, Florim e Entorno de Iara.

Outro marco importante na área de exploração da companhia em 2013 foram as declarações de comercialidade das áreas de Franco, Sul de Tupi e Carioca, que juntas totalizam um volume recuperável superior a 3,5 bilhões de barris de óleo equivalente, o que evidencia o excelente potencial dessas novas áreas.

Ressaltamos que o pré-sal superou a marca de 300 mil barris por dia apenas 7 anos após a primeira descoberta dessas jazidas. Volumes dessa ordem só foram atingidos pela Bacia de Campos, a principal fonte de petróleo no Brasil, depois de 11 anos da primeira descoberta. No Golfo do México, essa marca só foi alcançada depois de 17 anos da descoberta pioneira; e no Mar do Norte, depois de 9 anos de trabalho.

Com relação à implantação de novos sistemas de produção de petróleo, a Companhia concluiu um total de 9 unidades no ano de 2013. Destas, 3 plataformas operam no pré-sal: o FPSO Cidade de São Paulo, no campo de Sapinhoá, o FPSO Cidade de Paraty, em Lula NE, e a P-58, em Parque das Baleias. Essas plataformas terão mais 13 poços produtores interligados ao longo de 2014. As próximas unidades a operarem no pré-sal são o FPSO Cidade de Ilhabela, em Sapinhoá Norte, e o FPSO Cidade de Mangaratiba, em Iracema Sul, ambas no 2º semestre deste ano, incorporando mais 4 poços de produção do pré-sal.

A Petrobras afirma que estão mantidas as metas expressas em seu Plano de Negócios, que prevêem uma produção de 4,2 milhões de barris de petróleo por dia em 2020, com metade desse volume proveniente das áreas do pré-sal. A contribuição do pré-sal na produção total da empresa passará de 7%, em 2012, para 42% em 2017 e 50% em 2020.
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Mesmo com plano de saúde, brasileiro vai em busca do SUS

10.01.2014
Do portal DIÁRIO DE PERNAMBUCO


Aumentou o número de usuários de planos de saúde que utilizam os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos três anos. Um balanço divulgado ontem pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que chegou a R$ 322 milhões o total de ressarcimentos feitos pelas operadoras aos cofres públicos, referentes aos atendimentos de beneficiários no SUS. O montante é quase o triplo do registrado na última década (2001 a 2010), que foi de R$ 125 milhões. Consultas médicas e partos são os procedimentos mais procurados na rede pública pelas pessoas que têm a cobertura de convênio médico privado.

Entre 2011 e 2013, a ANS cobrou das operadoras 483 mil internações de usuários de planos de saúde feitas no SUS. Somente em 2013, foram contabilizados 237 mil internamentos na rede pública. Os recursos arrecadados são repassados ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) e aplicados em ações e programas do Ministério da Saúde. A dificuldade de agendamento de consultas e exames na rede assistencial dos convênios e as negativas de coberturas são alguns dos motivos da procura pelo SUS.

O diretor-presidente em exercício da ANS, Bruno Sobral, atribui o aumento do volume de recursos de ressarcimento às melhorias e ao aperfeiçoamento dos processos de gestão do órgão regulador. Segundo ele, o uso do Cartão SUS também facilita a identificação das pessoas com plano de saúde que usam a rede pública. A ANS cruza os dados dos pacientes atendidos na rede pública com o cadastro de beneficiários das operadoras para cobrar.

As empresas do setor questionam na Justiça o pagamento do ressarcimento ao SUS. O argumento é que a assistência à saúde é direito constitucional do cidadão e deve ser garantido pelo Estado. Por isso, recorrem administrativamente à ANS e depois apelam ao Judiciário para não pagar o reembolso. Sobral diz que existe um passivo de seis meses de processos para ser cobrado das operadoras. Ele não informou o volume de recursos referentes às pendências.

De acordo com o dirigente da ANS, a empresa que não paga o ressarcimento ao SUS fica inadimplente e tem o débito inscrito na dívida ativa da União. Ele acrescenta que a empresa entra no Cadin (cadastro de inadimplentes do governo federal) e fica proibida de fechar contratos com a administração pública federal, firmar convênios e pegar financiamentos com bancos públicos.

Em nota, a FenaSaúde, que representa as seguradoras de saúde, informou que o valor do ressarcimento é 50% superior às despesas efetivamente registradas no SUS, conforme as suas tabelas. De acordo com a entidade, mais da metade do que foi identificado como potencialmente cobrável, entre 1999 e 2006, não era passível de ressarcimento, o que representa mais de 507 mil dos cerca de 914 mil atendimentos.

A Abramge, orgão representativo das empresas de medicina de grupo, disse que orienta as operadoras filiadas sobre os prazos de prescrição da dívida, a defesa administrativa e judicial dessas cobranças, bem como a importância da atualização do cadastro junto à ANS. A entidade considera necessárias e positivas as melhorias realizadas no cadastro do Ministério da Saúde. (Rosa Falcão)
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Secretaria solicita ao MercadoLivre informações sobre anúncio de venda de negros

10.01.2014
Do portal da Agência Brasil, 09.01.14
Por Mariana Branco
Brasília – A Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), informou hoje (9) que solicitou ao site de vendas MercadoLivre informações sobre o autor de uma postagem que anuncia a venda de negros por R$ 1. Segundo o ouvidor nacional, Carlos Alberto Silva Júnior, a intenção é encaminhar os dados ao Ministério Público Federal para que seja oferecida denúncia.
Por meio da assessoria de imprensa, o MercadoLivre disse que ainda não recebeu o pedido de informações, mas está à disposição da ouvidoria. O site informou que entregou os dados cadastrais e de acesso do usuário à Polícia Civil do Rio de Janeiro, após notificação oficial, para que o autor seja investigado.
Em nota divulgada à imprensa, a empresa de vendas diz que o conteúdo foi retirado do ar na segunda-feira (6), após denúncia dos usuários do site. O anúncio repercutiu nas redes sociais no domingo (5). A nota do MercadoLivre diz que o site de vendas repudia o conteúdo da postagem e que todos os anúncios publicados têm um botão de denúncia. “Os usuários que infringem as regras do MercadoLivre têm seu cadastro cancelado. Reiteramos que o MercadoLivre está sempre à disposição para colaborar com as autoridades”, declara o texto.
O ouvidor nacional, Carlos Alberto Silva Júnior, explica que quem fez a postagem pode ser enquadrado no Artigo 20 da Lei n° 7.716/1989, que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Carlos Alberto destaca que quem compartilhar o material ofensivo em blogs ou redes sociais com intenção de denegrir ou discriminar pode responder pelos mesmos crimes.
Além da penalização de quem cria ou compartilha o conteúdo, Silva Júnior defende a responsabilização dossites que, na avaliação dele, deveriam ter dispositivos de segurança para barrar material preconceituoso.
“Não é possível que uma plataforma dessa não consiga oferecer nenhum tipo de filtro. É preciso que seja oferecida denúncia para responsabilização da plataforma, o que, por enquanto, não aconteceu”, diz. Segundo ele, a prerrogativa de responsabilizar plataformas que deixam passar conteúdo discriminatório é do Ministério Público. “É uma ofensa à sociedade como um todo. [A legitimidade para denunciar] cabe ao Ministério Público”, destaca Silva Júnior.
No ano passado, um anúncio semelhante ao atual, vendendo pessoas negras, foi postado no MercadoLivre. Na ocasião, a Ouvidoria da Igualdade Racial também solicitou os dados do usuário, que foram fornecidos. De acordo com Silva Júnior, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o autor da postagem.
Edição: Fábio Massalli
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Cardozo e Roseana anunciam medidas para melhorar situação de presídios maranhenses

10.01.2014
Do portal da Agência Brasil, 09.01.14
Por Mariana Jungmann

Brasília - A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciaram hoje (9) um pacote de medidas com objetivo de resolver os problemas no sistema carcerário do estado. Cardozo se reuniu com Roseana, em São Luís, no início desta noite, para definir ações conjuntas envolvendo os vários níveis de poder.
Entre os 11 pontos anunciados, ficou acertada a criação de um comitê gestor da crise no sistema carcerário, que deverá contar com medidas integradas dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário locais.
A Defensoria Pública, por exemplo, fará um mutirão para analisar a situação dos presos a fim de colocar em liberdade os que cumpriram suas penas, além de buscar alternativas penais, como monitoramento eletrônico, para os que forem de menor periculosidade e estão em condições de receber esses benefícios. Essas medidas poderão ajudar a desafogar o sistema prisional, que sofre com a superlotação.
O ministro e a governadora também anunciaram que, até a próxima semana, será organizada a transferência dos presos para presídios federais. O governo federal já havia oferecido as vagas a fim de retirar das unidades prisionais maranhenses os líderes das facções criminosas que deram as ordens para os atos de terror na cidade.
Os ataques resultaram na queima de ônibus e tiros contra delegacias em São Luís. Uma criança morreu devido às queimaduras provocadas pelo fogo. Ela estava com a mãe e uma irmã em um dos ônibus atacados. As duas também ficaram feridas e ainda estão internadas.
Além dos atos de violência contra a população, os presos divulgaram imagens de colegas decapitados dentro dos presídios e denunciaram que mulheres de detentos foram estupradas no interior das unidades prisionais nos dias de visita.
Em Brasília, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), presidido pela ministra Maria do Rosário, reuniu-se para discutir a situação dos presídios do Maranhão. Organismos internacionais têm pressionado o governo brasileiro por causa das constantes denúncias de violações de direitos humanos nas unidades prisionais do estado e a morte de 60 presos no ano passado.
Edição: Aécio Amado
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Como reagir (sem violência) à sabotagem da Copa

10.01.2014
Do BLOG DA CIDADANIA, 09.01.14
Por Eduardo Guimarães
Recebi uma boa e uma má notícia sobre a Copa do Mundo de 2014: em bairros da periferia de São Paulo já há pessoas se articulando para enfrentar os filhinhos de papai que estão se mobilizando, a mando de partidos políticos e organizações estrangeiras, para sabotar a Copa do Mundo de 2014 com a finalidade única de influir na eleição presidencial.
Só que a reação à sabotagem pode estar tomando um caminho pouco recomendável.
A pessoa que relatou essas reuniões que começam a ocorrer na periferia de minha cidade sobretudo entre torcedores de futebol indignados com a iniciativa de sabotarem a Copa do Mundo através da intimidação de torcedores e, ainda, buscando desestruturar a Seleção psicologicamente, disse-me que há quem pretenda se armar para enfrentar os sabotadores.
É preocupante. Essa brincadeira de playboyzinhos desocupados e de políticos sem votos pode deixar um saldo trágico para o país. Resumindo: pode correr sangue.
A fonte que me forneceu essas informações prometeu me colocar em contato com um desses grupos. Quero, pois, dar minha contribuição não apenas para combater a sabotagem da Copa, mas para impedir que os que são favoráveis e os que são desfavoráveis ao evento acabem se enfrentando numa batalha campal.
Se não é possível instilar bom senso entre os sabotadores da Copa, há que tentar fazê-lo entre os seus contrários. Violência nunca foi solução para nada. É possível, sim, combater sem violência esses grupos políticos que pretendem frustrar o evento.
Primeiro, é preciso denunciar que está sendo gasto muito dinheiro na sabotagem da Copa. Os interesses estrangeiros que estão insuflando o movimento estão financiando, também, o aparato publicitário que vai surgindo. Adesivos bem confeccionados estão sendo colados no transporte público e panfletos vêm sendo distribuídos.
Quem está financiando tudo isso? As autoridades têm obrigação de descobrir, até por conta do dinheiro estrangeiro que está sendo empregado para esse fim.
No alto da página, você vê um dos panfletos contra a Copa que estão sendo distribuídos pelas ruas de São Paulo instruindo a molecada de classe média alta a se armar para intimidar o público dos jogos, sobretudo os turistas estrangeiros.
Manifestações contrárias às dos sabotadores também preocupam. Dois grupos radicalizados se encontrando não chega a ser uma boa notícia. Poderiam ser feitas manifestações a favor e contra a Copa, mas não diante dos estádios. Que cada uma ocorresse em locais separados. Se colocarem esses grupos um diante do outro, sobrevirá uma tragédia.
Não há grupos tão organizados dispostos a defender a realização da Copa do Mundo no Brasil. Esses grupos mal começam a se formar e, à diferença dos grupos que querem sabotar o evento, os que querem defendê-lo não têm dinheiro.
Contudo, todo aquele que quiser lutar contra essa iniciativa torpe de sabotar um evento tão importante para o Brasil sob fins exclusivamente políticos, sugiro, por exemplo, panfletagem ou, para quem puder gastar um pouco mais, confecção de adesivos.
Que tal panfletos e adesivos com a frase “SABOTAR A COPA É SABOTAR O BRASIL”? É só uma ideia. Podem surgir outras. Pode-se, por exemplo, fazer panfletos enumerando os benefícios que a competição trará ao país. Isso, claro, além do boca a boca.
Só o que não vai resolver nada será o enfrentamento. Os grupos de torcedores que começam a se formar não podem apelar para a violência.
Apesar das más intenções dos sabotadores da Copa, todo brasileiro tem o direito constitucional de fazer manifestações pacíficas. E se esses energúmenos partirem para a violência valendo-se dos artefatos na imagem acima, que a polícia cuide deles. Quem usar violência para combater a violência estará ajudando a sabotar a Copa.
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O Caminho Errado em Busca do Perdão

09.01.2014
Do portal  ENCONTRE A PAZ

Rádio cristã oferece confissão eletrônica

Confessar-se "online" – até isso já é possível. A estação de rádio "Premier Christian Radio" de Londres oferece aos ouvintes a possibilidade de confessar pecados, demonstrar arrependimento e receber o perdão de Deus em seu site na internet.

Segundo informações da própria emissora, ela seria a primeira a dispor de um confessionário virtual. O endereço "www.theconfessor.co.uk" oferece duas alternativas: entrar em contato com um conselheiro real por telefone ou confessar os pecados em um espaço virtual. Nada é arquivado; o segredo da confissão é preservado, assegura Peter Kerridge, o diretor da estação. Durante a consulta, o internauta pode ler versículos bíblicos que falam do amor, da misericórdia e do perdão de Deus, projetados em um fundo com céu azul e nuvens brancas. A "Premier Christian Radio" tem aproximadamente 200.000 ouvintes. (P.D. 4/2000)

O confessionário sempre dificultou a aproximação das pessoas de Deus. Eu mesmo fui criado em um lar católico. Muitas vezes estive no confessionário para confessar meus pecados – mas jamais recebi perdão através disso. Por que não? Porque me faltava o relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Somente quando reconheci isso, e fui atraído a Jesus pela graça de Deus, confessando diretamente a Ele os meus pecados e convertendo-me a Ele, é que obtive a certeza do perdão dos meus pecados e a salvação da minha alma. 

Mesmo que o apoio de um conselheiro espiritual possa ser uma grande ajuda, a Bíblia nada ensina acerca de um confessor ou de um confessionário onde os nossos pecados seriam perdoados. Em Seu Filho Jesus Cristo, Deus nos ofereceu o caminho melhor e direto para alcançarmos o perdão dos nossos pecados. Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens, e através dEle chegamos diretamente ao Pai: "Porquanto há um só Deus eum só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos" (1 Tm 2.5-6). 

Por que usar um desvio, se existe o caminho direto para alcançar o perdão dos pecados? A obra de Jesus por nós na cruz é perfeita, sendo absolutamente suficiente. Sua obra foi consumada plenamente, de modo que aqueles que aceitam a Jesus como seu Salvador pessoal não recebem "apenas" o perdão, mas são justificados por toda a eternidade. Em Romanos 3.24 está dito claramente: "Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus" (veja também Rm 5.1; 2 Co 5.19; Ef 2.8-9). 

Qualquer pessoa, culpada de quaisquer pecados, pode chegar diretamente a Jesus, clamar pelo Seu nome e pedir-Lhe perdão. Não precisamos mais dos sacrifícios do Antigo Testamento, não necessitamos usar o desvio pelo confessionário e também não precisamos fazer penitências. Essa libertação maravilhosa tem que ser anunciada às pessoas através do Evangelho, por exemplo, com as palavras de 1 João 1.9:"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". 

Mas queremos salientar que, ao confessarmos nossos pecados a Jesus, devemos igualmente confessar aos homens as injustiças que cometemos e, quando possível, tentar reparar o mal feito (dano financeiro etc.). (Norbert Lieth - http://www.apaz.com.br)
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