quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Martin Schulz: capitalismo selvagem destruiu estados e indivíduos

09.01.2014
Do portal Agência Carta Maior, 07.01.14
Por  Guillermo Altares - El País Semanal 

O presidente do parlamento Europeu é um social-democrata e europeísta militante. Aspirante a presidir a Comissão Europeia, ele fala sobre problemas da UE.
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Martin Schulz (Hehlrath, Alemanha, 1955), presidente do Parlamento Europeu desde 2012 e candidato dos socialistas para presidir a Comissão Europeia desde novembro, é um político bastante insólito. Por sua franqueza em discursos e declarações, recebeu a fama de sincero, mas também de duro. E pela forma que chegou à política: não estudou nenhuma carreira, foi aprendiz de livreiro e depois fundou sua própria livraria, na qual trabalhou mais de uma década e continua aberta. Passou da política local à europeia e, pouco a pouco, foi fazendo um nome na Euro Câmara.

Com a crise, não ficou calado. Sua constante denúncia das penúrias que a classe média e os mais desfavorecidos estão sofrendo por causa da austeridade; seu discurso, centrado em que um corte da Europa social significa um corte das liberdades e sua ideia de que não se pode renunciar ao conceito da União Europeia como um lugar cujos dirigentes devem defender a justiça social lhe geraram um prestígio crescente na esquerda do continente.
São muitos os que acham que esta beligerância foi fundamental para sua designação como o primeiro candidato socialdemocrata para presidir a Comissão Europeia – pela primeira vez, a partir das eleições europeias de maio, o Parlamento terá um papel fundamental nessa nomeação –. Mas sua forma de fazer campanha é falar, alto e claro, sobre os perigos que padecem a Europa e seus cidadãos. Talvez o mais insólito de Schulz, é que se trata de um político que não tem medo de dizer o que ele acha que é a verdade e de assumir sua parte de culpa.
Quando a UE recebeu o Prêmio Nobel da Paz, você utilizou em seu discurso ‘Os Buddenbrooks’, a grande novela de Thomas Mann, como metáfora da Europa atual. Por quê? 
Utilizei esse livro como imagem porque narra uma história através de três gerações: a dos fundadores, a dos administradores e a que joga fora a herança.
Passamos pela primeira, também pela que teve que administrar a herança, e não quero pertencer à geração que a destrói. É o sentimento que tenho: na Europa existe gente que está brincando com o que herdamos.
Em muitos de seus discursos e entrevistas recentes, você insiste em que a UE, tal como conhecemos, está em perigo, que o que acreditamos ser irreversível, a Europa unida, pode ser reversível. Pensa realmente que pode ser assim, que é possível um salto para trás tão grande?
Não quero ser alarmista nem apocalíptico, mas tenho a obrigação de descrever a realidade, e isso só se pode fazer a partir das próprias experiências. Um privilégio de meu cargo é que me encontro com gente por todos os lugares da Europa. A UE é extremamente impopular, e cada experiência democrática da história nos mostra que, quando os cidadãos retiram o apoio a um projeto, ele está condenado. É uma má notícia para todos os ditadores do mundo, porque cedo ou tarde as tiranias caem porque as pessoas estão fartas, mas é também um alerta para a democracia. Se os cidadãos acham que a democracia já não serve aos seus interesses, é possível que lhe retirem o apoio. Temos que ser realistas: as pessoas estão abandonando a ideia de que apoiar a Europa serve para alguma coisa. Porque a UE como a vemos, não corresponde com os desejos, os sonhos, as projeções positivas que compartilhava a imensa maioria dos cidadãos quando pensava nela. Se os cidadãos abandonam a Europa, está tudo perdido.
Você acha que, nas eleições europeias de maio de 2014, pode produzir-se uma surpresa desagradável em forma de auge do populismo em toda a UE?
Minha proposta é que as pessoas que se ocupam da Europa, nos Estados membros ou nas instituições, lancem um debate. Que continente queremos? Os populistas atuais estão ganhando terreno em todos os lugares com sua mensagem clara de recusa, mas nós permitimos que possam dizer que tudo vai mal sem obrigá-los a apresentar sua própria alternativa, porque sabem que não a têm. Para não permitir que essa gente ocupe o terreno político, necessitamos colocar sobre a mesa ideias sobre a organização. Por isso estou convencido de que esta ideia, introduzida no Tratado de Lisboa, de que o Parlamento Europeu vote ao presidente da Comissão, dá um novo sentido às eleições.
Você acha que sua nacionalidade alemã pode ser um problema em sua carreira à presidência da Comissão Europeia, em um momento no qual muitos europeus percebem a Alemanha como um Estado demasiado forte, ainda que não compartilhe nem partido nem ideias com a chanceler Angela Merkel?
O debate está se produzindo e demonstra o lugar no qual nos encontramos. Quando fui eleito para o Parlamento Europeu, há 19 anos, ninguém teria debatido se um alemão podia liderar a UE, porque a nacionalidade não desempenhava nenhum papel. Agora, a nacionalidade desempenha, de novo, um papel, e isso demonstra o lugar no qual nos encontramos. É também uma resposta para sua primeira pergunta, a comparação com Os Buddenbrooks. Qual era nossa herança?
As nações, além das fronteiras, trabalham juntas dentro do respeito mútuo. Um maltês poderia dirigir a UE, como um finlandês ou um português. O que conta é o interesse comum em relação à Europa, porque uma UE forte é boa para todos. E hoje debatemos sobre um alemão porque é alemão, não porque seja de direita ou esquerda, com experiência, inteligente ou não. Me encontro entre esses alemães que sempre lutaram por uma União na qual isso não tenha nenhuma importância.
Muitos europeus desconfiam da Alemanha. Mas isso me anima ainda mais a demonstrar que a nacionalidade não tem importância, que o essencial são as políticas que, para mim, são compostas de três elementos: justiça social entre nações e povos; respeito mútuo; que os grandes não deem lições aos pequenos; e uma Europa unida e forte para defender-se, em uma competição mundial, com nossos valores democráticos. Estas são as três chaves e, por isso, me apresento como europeu que vem da Alemanha, não como alemão.
Você pertence a uma geração cujo avô combateu em uma guerra mundial e o pai em outra. Viu como se assentava a paz, desaparecendo as fronteiras, como os passaportes ficavam na gaveta e como se chegava a uma moeda única. Acha que soubemos explicar essas conquistas àqueles que não as viveram e encontraram tudo feito?

Em todos os lugares onde discuto essa questão com os jovens, constato que a ideia que há por trás, a ideia de Europa, é incontestável. Você descreveu em sua pergunta.
A paz? Não é apenas a paz. Sem dúvidas é assim, mas existem mais coisas. A ideia de Europa é que se unam diferentes nações e Estados; faço sempre essa diferenciação porque tudo se baseia na colaboração entre Estados e povos, muito além das fronteiras. Quando falo das fronteiras, não me refiro às fronteiras físicas, mas culturais, linguísticas, econômicas, políticas, muito além do que nos separou no passado. Os Estados colaboram porque sabem que o respeito mutuo é a base estável e duradoura para a paz. E o respeito dos direitos de cada cidadão dessa comunidade é um valor em si. Sabemos que juntos, no século XXI, somos mais fortes do que separados. Essa ideia ninguém discute. Sobretudo os jovens a compartilham. Mas há um problema e, por isso, considero que estamos ameaçados: cada vez mais, as pessoas não identificam o que acabo de descrever com a UE. Essa ideia é uma herança histórica, porque sua realização é o contrário do que a Europa tem praticado durante a primeira metade do século XXI. É a razão pela qual digo, como alemão, que esta UE é um presente histórico, que nos obriga, sobretudo os alemães, a lutar por esta União, porque ela permitiu aos alemães entrar com a cabeça alta na democracia. Acrescento uma pergunta: abandonamos a ideia ou mudamos a Europa? Eu acho que tem que levar a cabo uma mudança integral na UE.
Em que direção?
Mais transparência, maior justiça social, e não se podem separar as duas. Somos o continente mais rico do mundo, temos empresas que produzem benefícios inclusive em meio à crise econômica mais profunda, benefícios enormes… bancos, fundos especulativos. Não proponho a existência de um Ministério da Fazenda europeu, mas sim uma regra muito simples: paga os impostos ali, onde tens benefícios.
Muito simples: isso aumentaria os ingressos do Estado em vez de discutir somente como reduzir os gastos. A taxa sobre as transações financeiras. Como resolvemos o bloqueio dos créditos? Os bancos que recebem empréstimos do Banco Central Europeu a 0,5%, se recusam a injetar o dinheiro na economia real. Cada empresa pequena e média na Espanha se queixa de que não tem acesso ao crédito. Há medidas muito concretas que poderiam mudar tudo imediatamente. Não acredito nos grandes debates sobre a estrutura. Isso dá na mesma ao jovem desempregado andaluz. O que quer é que lhe ajudemos, é primordial. Temos que defender os salários dignos: que alguém que trabalhe oito horas por dia receba um salário que lhe permita viver com dignidade. Isso é o essencial. São promessas que a Europa sempre fez e que agora não se respeitam. São mudanças a curto prazo e que podem ser realizadas. Ações concretas a favor da justiça social e, repito, entre os povos e entre os cidadãos.
Você acha que a austeridade pode matar a ideia de Europa em países como Portugal, Espanha, Grécia?
É uma mensagem ideológica: tem que reduzir os gastos e imediatamente voltará a confiança dos investidores e o emprego. Essa é a propaganda há cinco anos e, há cinco anos, vemos que cada vez mais países caem na recessão. Necessitamos uma combinação: essa é a ideia do Parlamento Europeu. A disciplina orçamentária é necessária, sem dúvida. Resulta ilógico que os Estados dediquem um terço de seu orçamento para pagar juros. Disciplina orçamentária, sem dúvida. Mas o efeito é que invistamos no crescimento e, sobretudo, no emprego dos jovens, na infraestrutura, investigação, desenvolvimento, luta contra o desemprego juvenil, sobretudo com ajudas às pequenas e médias empresas. A austeridade sozinha não serve para nada.
Não é a primeira vez que circulam ideias que colocam em perigo o sentido do Estado de bem-estar. Isso já não aconteceu nos anos de Thatcher?

Sejamos honestos: comparada com os neoliberais, Margaret Thatcher era uma mulher socialmente responsável. Nos disseram que em uma economia social, nossos valores democráticos, sociais, já não são competitivos com outras regiões do mundo; defendem que quanto mais se trabalhe por menos dinheiro é melhor, com um mínimo de direitos democráticos na empresa, sem direito à greve, sem sindicatos. Esta propaganda governou a Europa durante duas décadas e o resultado é visível: a enorme riqueza de uma minoria sem precedentes; um crescimento da pobreza, inclusive nas classes médias, sem precedentes, e uma crise institucional sem precedentes. Esse sistema fracassou: a Europa é o continente mais rico do mundo, mas tem uma distribuição da riqueza muito injusta.
Não te preocupa que os italianos continuem votando em Berlusconi, que quase ganha as últimas eleições parlamentares, ou os franceses em Marine Le Pen, que continue crescendo o apoio a essas forças obscuras?

É muito inquietante, mas tem que analisar com muito cuidado. Tomemos o eleitorado de Silvio Berlusconi, que vota na Força Itália. Se trata de trabalhadores, pequenos e médios empresários e, quando se discute com eles se vê rapidamente por que votam nele: têm medo, medo de perder o que conseguiram em suas vidas: um trabalho, uma casa, algumas economias. Se sentem ameaçados por esse mundo globalizado no qual o Estado não protege seus cidadãos e procuram alguém que acham que os protege. Em parte, tem razão: o acontecido nos últimos 10 anos demonstra que estão ameaçados. O capitalismo selvagem que vivemos durante esta década foi capaz de destruir Estados e indivíduos. A perda da proteção social e legal das pessoas normais é uma autêntica ameaça. O paradoxo é que Berlusconi pertence politicamente ao grupo que promove esse capitalismo, mas, graças a sua força midiática, é capaz de contar o contrário.
Na França acontece o mesmo, mas em outras circunstâncias. As pessoas que votam na Frente Nacional têm medo. Qual é nossa conclusão? A União Europeia era uma promessa: mais segurança, mais crescimento, mais trabalho, mais paz, mais liberdade. Há algumas promessas que se mantêm, mas há muitas que temos a impressão de que à Europa já não interessa manter; ao contrário, a maioria que havia nas instituições europeias e nos Estados membros permitiu uma política que era o contrário dessas promessas.
Há dois anos, em uma entrevista neste mesmo periódico, te perguntaram sobre o livro que melhor descreve a situação atual na UE e você respondeu ‘O último verão da Europa’, de David Fromkin, um ensaio sobre as Origens da I Guerra Mundial. Por quê?

Não nos encontramos nas portas de nenhuma guerra. Dito isso, o que Fromkin descreve é um processo que puseram em marcha Governos, mas que acabou por ser incontrolável para as mesmas pessoas que o empreenderam. Foi posto em marcha um processo no qual, como ninguém dizia a verdade, no final explodiu uma catástrofe. O que acontece agora é que temos pessoas em todas as instituições que te dizem uma coisa, mas por trás têm outra tática. É a razão pela qual recomendo esse livro. Não ajudamos os gregos porque os gregos devem resolver seus próprios problemas, mas, na verdade, o que acontece é que ajudar os gregos não é muito popular e tenho eleições em casa. Põe em marcha um processo que tem consequências incontroláveis. Além disso, é um ensaio histórico muito bem escrito.
Em uma época de sua vida, você foi futebolista, e acho que continua gostando muito desse esporte. Acha que é uma boa metáfora do continente?

Porque nos clubes há jogadores de todas as nacionalidades, e existem torcedores do Real Madrid ou do Barcelona em qualquer canto, com independência de sua nacionalidade. O futebol desempenha um papel muito importante hoje. Sou deputado europeu há 19 anos e compreendi que a nacionalidade, que o sentimento de adesão a um grupo, etnia, nação ou povo, dá identidade: uma palavra sinônimo de não estar sozinho. Estar orgulhoso de uma nação ou um grupo representa o orgulho de si mesmo. Mas esse sentimento, em uma Europa na qual a nação não é o único ponto de referência diminui. Em uma época, as pessoas estavam orgulhosas de serem católicas ou protestantes, ou socialistas, ou sindicalistas, ou conservadoras. Tudo isso se dissolve em nossa sociedade moderna. Esse vácuo é substituído pelo futebol, por isso acho que tem um papel social tão importante. Temos que ter cuidado, isso sim, de que não se descontrole.
Você foi livreiro durante muitos anos. Agora se fala muito da crise do setor. Imagina uma Europa sem livrarias? 

Não. Que pobreza. Não tenho nada contra os livros eletrônicos, contra as grandes cadeias, mas não posso imaginá-lo.
Compra livros pela Internet?
Não. Uma de minhas empregadas comprou minha livraria quando me fizeram deputado. A livraria existe ainda, em Würselen, e compro tudo lá. É um local pequeno, no centro. Combina a literatura com livros de arte, e tudo isso funciona porque vende para crianças. É a chave para que sobrevivam. A partir do momento que você dá um livro para uma criança, terá uma identificação com ela. Acho que todos sabemos quais foram nossos primeiros livros. Meus filhos me falam do cheiro do papel e me dizem que, quando entram em uma livraria voltam a sua infância. É um sentimento único e, por isso, estou convencido de que sobreviverão. 

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O reconhecimento de um filósofo

09.01.2014
Do portal ENCONTRE A PAZ

Um filósofo dedica sua vida a ampliar seu conhecimento acerca do ser, a descobrir os princípios da existência, aquilo que não passa e o que é eterno, para chegar, finalmente, à mais triste das conclusões: “A vida não tem sentido”.

Zürcher Landzeitung (um jornal de Zurique, Suíça) publicou algumas afirmações do filósofo francês Claude Lévi-Strauss, que completou 100 anos em novembro de 2008:

“Estou firmemente convicto de que a vida não tem sentido, que nada tem sentido”, disse Lévi-Strauss à revista Cicero. De todas as religiões, ele declarou sentir afinidades apenas com o budismo. “Por um lado, porque não tem um Deus pessoal, por outro, porque admite que nada tem sentido, que a verdade última está na ausência de sentido, no não-sentido. É esse tipo de fé que consigo aceitar sem pestanejar... Confesso que a idéia de passar para o nada não me agrada, mas também não me inquieta...” [1]

Quer dizer que o sentido está na ausência de sentido (ou não-sentido)? É compreensível que, então, tudo perde o sentido e se torna sem sentido. Desse modo, essa é a única conclusão plausível. O alvo do budismo é o Nirvana, a total não-existência. Isso não é esperança, e não foi para isso que recebemos a vida.

A filosofia é descrita como “amor à sabedoria”. Novecentos anos antes de Cristo já viveu um “filósofo” verdadeiro, que era cheio da sabedoria de Deus. Ele meditou sobre a vida e seu sentido, e anotou seus pensamentos a respeito. Estamos falando de Salomão. Suas anotações estão no livro de Eclesiastes. Ele concluiu que a vida é vazia de sentido quando Aquele que lhe dá sentido – Deus – não estiver presente nela.

Vento

“Eu, o Pregador, venho sendo rei de Israel, em Jerusalém. Apliquei o coração a esquadrinhar e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; este enfadonho trabalho impôs Deus aos filhos dos homens, para nele os afligir” (Ec 1.12-13).

De fato, qualquer filosofia que exclua Deus parece um esforço enfadonho, que nunca levará a um resultado que tenha sentido. Por isso, o Pregador também escreve: “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir” (Ec 1.8). A filosofia nunca conseguirá exaurir em palavras aquilo que Deus criou, os princípios, as causas e elementos de todas as coisas, o passageiro e o eterno. A razão da vida só pode ser encontrada nAquele que é o sentido da vida, Jesus Cristo. Somente nEle encontramos resposta para a origem, a finalidade e o alvo da existência.

O rei Salomão possuía poder e era infinitamente rico, sua influência estendia-se por toda terra daquela época, sua inteligência e sabedoria eram inigualáveis e seu sucesso era ilimitado. 

Ele conseguia tudo o que desejava. Outros governantes o admiravam e eram fascinados pela sua sabedoria e pela extensão do seu reino. O mundo estava aos seus pés e todas as portas se abriam para ele. Mas uma coisa ele tinha perdido: o seu relacionamento com Deus, que lhe tinha dado tudo. Salomão chegou a um ponto em que reconheceu que todos os objetivos alcançados em sua vida não faziam mais sentido quando o Deus da vida não fazia mais parte deles: “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” (Ec 1.3).

O próprio Salomão transforma-se no exemplo clássico de uma vida em que tudo existe em abundância e tudo é experimentado, mas que ainda assim não vale a pena por não estar preenchida com o Senhor da vida. Ao ler o livro de Eclesiastes, conseguimos entrever tudo o que ele tentou e experimentou, apenas para repetidamente testemunhar que tudo era vaidade e correr atrás do vento, que todo o esforço era inútil e que nada permanece. Qualquer coisa que ele tenha tentado veio acompanhada dessa conclusão (Ec 1.14).

Salomão aumentou sua sabedoria e seu conhecimento de forma consciente e também viu abundância deles em outras pessoas (Ec 1.16-18). Ele experimentou alegria, desfrutou da vida e fez grandes obras. Ele sabia aproveitar as coisas boas, construiu casas e plantou vinhedos, jardins e parques. Não lhe faltaram serviçais, rebanhos de gado ou ouro e prata. 

Havia passatempos e descanso em medida suficiente. Salomão tinha muitas mulheres; ele tornou-se cada vez mais poderoso e não negou qualquer vontade ao seu coração. Mas novamente ele concluiu: “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (Ec 2.11).

Vento

Tantas decepções após desfrutar da vida fizeram com que Salomão ficasse enfadado. Ele resignou, desesperou, ficou deprimido e não conseguia mais dormir: “Pelo que aborreci a vida...” (Ec 2.17). “Também aborreci todo o meu trabalho...” (Ec 2.18). “Então, me empenhei por que o coração se desesperasse...” (Ec 2.20). “Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade” (Ec 2.23).

Mas Salomão não parou por aí. Ele lembrou-se novamente do Senhor: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3.11).

Há algo no coração que muitas pessoas tentam sufocar, amontoando outras coisas por cima. É a consciência da eternidade! Nada consegue apagar totalmente essa consciência, nem a teoria da evolução, nem as ofertas do mundo, nenhuma filosofia, nem mesmo o ateísmo. Justamente essa “insegurança”, essa meditação sobre a eternidade, é uma prova dessa mesma eternidade e da existência de Deus, e também de que há um sentido mais profundo em nossa vida. O homem precisa do Deus eterno. Se não, por que tudo perderia o sentido sem Ele? Porque Ele é a resposta, a plenitude e o amor completo. Por isso, no final do livro Salomão chega à seguinte conclusão: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12.13-14).

A vida só terá sentido completo quando encontrarmos a Deus. Sem Ele sempre ficará faltando algo. O Deus verdadeiro, que gravou a Sua eternidade em nossos corações, revelou-Se em e por meio de Jesus Cristo. Jesus cumpriu todos os mandamentos de Deus de forma completa. Por isso, todo aquele que se volta para o Senhor é completamente justificado. O homem não poderá realizar nenhuma obra melhor, nenhum mandamento maior do que crer em Jesus Cristo.
Vento
“Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.28-29).

Quem se entrega confiantemente ao Senhor da vida terá sua existência preenchida com sentido e valor, não precisa continuar buscando sem descanso, não precisa resignar, decepcionado e cansado da vida. Ele terá encontrado o sentido de sua existência e viverá por toda a eternidade. Todo ser humano vive impotente debaixo do sol, mas um verdadeiro Homem e verdadeiro Deus vive onipotente acima do sol: Jesus Cristo. Entregue sua vida a Ele! (Norbert Lieth)

Nota:

1. Zürcher Landzeitung, “A vida não tem sentido”, 24/7/2008.
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A barbárie e o seu ventre

09.01.2014
Do portal da Agência Carta Maior


Coube ao editor de Carta Maior, Marco Aurélio Weissheimer, esticar o olhar para além do muro da conveniência que acomoda a questão prisional brasileira num círculo de ferro feito de superlotação, precariedade, guerra de facções e barbárie.

As cinco palavras selam a vida de 500 mil pessoas que subsistem do lado de dentro, mas não esclarecem o conjunto que interliga o seu destino ao dos demais 189,5 milhões que completam a sociedade do lado de fora.

São destinos entrelaçados, adverte  Weissheimer  na análise O Presídio Central e a nossa vida do lado de fora’ (leia nesta pág).

Sua reflexão joga água fria no foco conservador que prefere  circunscrever o debate ao bordão da flacidez administrativa. Sobretudo quando essa dimensão real do problema – insuficiente  para entendê-lo, porém, e sobretudo para equacioná-lo— interliga a  barbárie a administrações associadas ao governo petista.

A série de 14 decapitações ocorridas na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, de onde facções comandam atentados que resultaram na morte de uma criança, no último fim de semana, enquadra-se nesse gênero.

Atribuir à exclusiva incompetência tucana o poder do PCC  em São Paulo pertence ao mesmo reducionismo, no caso de extração petista.

Não se avalize o diagnóstico protelatório segundo o qual, por ser um espelho da sociedade, as prisões somente serão dignas para redimir quem delinquiu, quando dignas forem todas as relações ordenadoras da sociedade.

É tudo verdade.

Mas o que distingui uma biblioteca de um projeto político é justamente a construção das linhas de passagem que fazem do presente o fiador premonitório de um futuro melhor que a mera reprodução do passado.

É nesse ponto que cabe arguir a honestidade da aflição conservadora com a sorte dos encarcerados brasileiros.

O que ela prescreve para a sociedade que está do lado de fora guarda coerência com o sentimento de urgência em relação aos que estão confinados?

Mais de 95% do contingente carcerário brasileiro vem das camadas pobres e excluídas da população; não há levantamentos oficiais  –e isso já diz muito sobre o sistema--  mas se calcula que 90% dos detentos voltem a delinquir, ao recuperarem a liberdade.

Mais de 40% da população carcerária está estocada em prisões provisórias, onde a lotação passa de cinco presos por vaga.

Convenhamos, quando se intima o Estado brasileiro a cortar a gastança (leia-se, programas sociais) para assegurar o juro dos rentistas; ou se sabota o reajuste do IPTU, sonegando-se R$ 800 milhões à educação, saúde e mobilidade urbana, como fez a coalisão tucano-plutocrática em SP, que futuro carcerário estamos projetando para o Brasil do século XXI?

 Um futuro de prisões em massa dos excluídos, talvez?

Há precedentes.

Negros representam 12,5% da população  total norte-americana; mas somam 40% da maior população carcerária da face da terra (2,5 milhões de presos).

Estamos falando de um milhão de negros trancafiados -- contingente superior ao da população escrava dos EUA no século XIX.

O desemprego é um vínculo esférico a unir a condição de negro a de detento nos EUA.

A proporção de negros desempregado (12,6%) é quase o dobro da de brancos (6,6%) ; há 50 anos a diferença era de quatro pontos.

A pobreza é outro elo: cerca de 10 milhões dos 41 milhões de negros norte-americanos vivem na pobreza.

Quando a mídia conservadora e os menestréis do tripé convocam agencias de risco a endossarem o veredito de um Brasil aos cacos, que pontes  estamos erguendo para impedir a cristalização de igual destino?

Recapitulemos.

Quando a tempestade neoliberal despencou, em 2007/2008, o Brasil resistiu ao naufrágio com boias que exigiram gastos fiscais da ordem de R$ 400 bilhões.

O país criou mais de 12 milhões de empregos desde 2007. A título de comparação: Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal, coagidos a adotar o arrocho ortodoxo, viram desaparecer 15% de suas vagas desde 2012.

Encurralar a sucessão de 2014 em um ambiente contaminado pela represália iminente das agências de risco e dos investidores à ‘derrocada fiscal’ é o palanque daqueles que prometem fazer mais e melhor dobrando a aposta nos mandamentos do Consenso de Washington.

‘Não é que não deu certo; não foi bem aplicado’, já se afirma nas entrelinhas da emissão dominante.

Os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008,  agora retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos insustentáveis.

Colunistas isentos e economistas tucanos --de sabedoria comprovada pelos resultados obtidos em outras  crises, endossam o clamor pela eutanásia.

Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada irresponsavelmente de um gole só.

A indignação seletiva diante da barbárie nas prisões soa assim como uma nota fora do lugar no grande baile da restauração.

Ardilosa, talvez seja um predicado mais justo para a harmonia da orquestra que não desafina nunca.

O país precisa de investimento público e privado para adequar sua indústria e infraestrutura ao mercado de massa nascido nos últimos anos.

Nada que se harmonize do dia para a noite.

O crucial é erguer as linhas de passagem, pactuar  custos, definir prioridades, assumir ônus e  acordar prazos.

A se restituir a receita rentista, como exige o jogral incansável,  sobra uma pinguela estreita e oscilante para o futuro.

Um ano de juro da dívida pública equivale a 71 anos de merenda escolar diária para 47 milhões de crianças e adolescentes da rede pública brasileira.

É só uma ilustração.

Mas também é a síntese das proporções em jogo na arquitetura que será preciso escolher.

Na deles não cabe o Brasil.

Nem o que está fora das grandes -- quanto mais o que sangra dentro delas.


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ALCKMIN MANTÉM ACUSADOS DE PROPINA NO GOVERNO

09.01.2014
Do portal BRASIL247

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Da série “Vai ter Copa” e nem tudo se reduz às remoções e lucro da FIFA

09.01.2014
Do blog MARIAFRÔ
Por TAMIRIS GOMES, especial para o Diário

Moradores de Itaquera já lucram com a Copa
Comerciantes investem em bares pensando em uma boa receita na época do Mundial no meio do ano

Dona Adelina prepara, por dia, 30 pratos de comida; Negócio tende a crescer
Foto: Luis Blanco / Diário de SP. Dona Adelina prepara, por dia, 30 pratos de comida; Negócio tende a crescer
Antes do meio-dia o pequeno restaurante da autônoma Adelina Pereira, de 36 anos, já começa a receber os pedidos dos funcionários das obras de ampliação da Radial Leste, do conjunto de viadutos e do  Itaquerão,  estádio de abertura da Copa do Mundo este ano.
Com o início das reformas viárias, em 2011, e  da  construção do estádio na Zona Leste,  Adelina enxergou ali uma forma de gerar renda sem sair do bairro.  Seu estabelecimento fica na Avenida Miguel Ignácio Curi, a 500 metros do local e, com um fogão de quatro bocas, ela  prepara por dia cerca de 30 pratos, fora lanches e quitutes.
“Além de algumas pessoas da comunidade, os que mais vêm aqui são os trabalhadores das obras. Eles dizem que a comida de lá é ruim. Antes eu vendia dez pratos, hoje são 30”, conta Adelina, enquanto embalava uma das seis marmitas que seu marido, com uma Parati marrom, entregaria num dos canteiros de obras. O faturamento atual bruto chega a R$ 210 por dia.
A clientela, por sua vez, aprova a qualidade da refeição servida. “Aqui é comida caseira, com aquele tempero bom, tudo por apenas R$ 7”, comenta um dos funcionários, que preferiu não se identificar.
De acordo com a SPCopa – comitê especial da Prefeitura –, o  IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da região de Itaquera segue entre os mais baixos dos 96 distritos paulistanos, na amarga 76 posição.
Mas driblando as estatísticas,  a população local é otimista e confia  na perspectiva de crescimento urbano e econômico trazido pela realização da Copa e das novas estruturas do arredor, a construção de uma Fatec, um Senai, um centro cultural e um parque tecnológico, para citar alguns exemplos.
O comerciante Elison dos Santos, de 30 anos, é um dos otimistas. Há seis meses alugou um imóvel na Avenida José Pinheiro Borges, a menos de um quilômetro do estádio, e montou um bar de esquina. “Minha mulher já arranha um inglês”, disse, ao confirmar que está pronto para receber os turistas.
Incentivos fiscais e expansão do comércio local
Em 20 de dezembro do ano passado, a Prefeitura de São Paulo sancionou a lei que institui o Programa de Incentivos Fiscais para prestadores de serviços estabelecidos ou que vierem para a região da Zona Leste, na carona da Copa do Mundo, período em que os olhos empresariais estão todos voltados para essa região, principalmente Itaquera. A rede de fast-food Subway, por exemplo, possui duas lojas em Itaquera e neste ano pretende abrir mais uma unidade. O shopping do bairro, localizado em frente ao estádio, aumentará dois andares em 2014. Com isso, mais marcas poderão se instalar na região. Outra novidade: segundo a coordenação de marketing do shopping, funcionários estão recebendo cursos gratuitos de inglês.
Análise
Marcelo Sinelli, consultor de marketing do Sebrae Investimento sem tirar os pés do chão
Não se pode pensar em um negócio que dure apenas trinta dias. É preciso que ele tenha uma continuidade, que seja sustentável.  Por isso, é preciso planejar a longo prazo na hora de investir na Copa – um olho no amanhã e outro no ano que vem.   Esta  Copa do Mundo está sendo caracterizada como a Copa da família. Pela distância, esse estrangeiro não viajará ao Brasil para  ficar poucos dias. Ele virá com a família e esse perfil de turistas carregará consigo outros interesses e maior capacidade de consumo.
Leia também:
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França espionada: "EUA não têm aliados. Só alvos e vassalos"

09.01.2014
Do portal  da Agência Carta Maior, 22.10.13
Por Eduardo Febbro  

A França, assim como dezenas de países no mundo, tomou conhecimento de como, quando, quem e com que armas digitais os EUA a espionam até nas sombras.
Le Monde
Paris - Os aliados modernos se entrelaçam sob o regime da traição. A França, assim como outras dezenas de países no mundo, tomou conhecimento de como, quando, quem e com que armas digitais os Estados Unidos a espionam até nas sombras. O jornal Le Monde revelou que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos e seu braço virtual, o dispositivo Prisma, tiveram acesso a chamadas telefônicas, SMS e correios eletrônicos de cidadãos franceses e empresas francesas. Os números sobre o alcance da espionagem são alucinantes: em apenas 30 dias, entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013, a NSA interceptou mais de 70 milhões de chamadas e SMS de empresas e particulares. Com uma média de três milhões de interceptações por dia, os EUA tiveram acesso a muita informação com a desculpa da luta contra o terrorismo.

Paris convocou o embaixador norte-americano na França, Charles Rivkin, para pedir explicações. O ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, classificou a espionagem de “inaceitável”. A ofensa é enorme: Washington trata o aliado francês com os mesmos cuidados com que trata a Síria, a Rússia ou o Irã.

O primeiro ministro francês, Jean-Marc Ayrault, considerou “inverossímil” que um país aliado recorra a essas práticas sem justificação estratégica ou de segurança nacional. Presente em Paris no marco das próximas negociações sobre a Síria, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, limitou-se a dizer que seu país estava realizando uma “reflexão” sobre esses temas. Todos estes documentos fazem parte dos volumosos segredos que o ex-agente da CIA e da NSA, Edward Snowden, hoje refugiado na Rússia, entregou ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald e que foram publicados pelo jornal The Guardian.

Carta Maior entrevistou Greenwald no Rio de Janeiro há alguns dias e o jornalista lembrou nesta entrevista que “os documentos sobre a maneira pela qual os Estados Unidos espionam e os objetivos que perseguem com essa prática pouco tem a ver com terrorismo. Muitos têm a ver com a economia, as empresas e os governos, e estão destinados a entender como funcionam esses governos e essas empresas. A ideia central da espionagem é essa: controlar a informação para aumentar o poder dos EUA ao redor do mundo”.

No caso da França, os norte-americanos não só se interessaram por gente comum ou suspeita, mas também por lideranças políticas, membros da alta administração e empresas. Segundo detalha o Le Monde, a NSA se concentrou em duas em especial, Wanadoo e Alcatel. A primeira é uma filial do grupo de telecomunicações Orange, a segunda, Alcatel, é uma empresa franco-norte-americana muito importante no campo de aparelhos e redes de comunicação. A espionagem desses dois grupos ocorreu em janeiro de 2012 e não ocorreu por acaso: a data coincide com o momento no qual o Ministério de Finanças da França estava avaliando a possibilidade de recuperar os ativos da Alcatel por meio da Orange. 

A NSA dispõe de mais de uma metodologia para acessar informação. Existe um método que ativa um sinal que, imediatamente, põe em marcha a gravação de algumas conversações telefônicas segundo o número marcado. Esse sistema também recupera os SMS em função do conteúdo, detectado por meio de palavras-chave. O programa de espionagem aplicado na França se chama “US-985D”. Seu nome se assemelha bastante ao dos programas que a NSA utilizou na Alemanha. “US-987LA” e “US-987LB”. Especula-se que esses números identificam os blocos ou círculos dentro dos quais Washington põe seus aliados. A França estaria dentro do “terceiro círculo”, no qual também se encontram Alemanha, Polônia, Bélgica e Áustria. O segundo círculo, conhecido como “Cinco olhos”, está composto pelos países anglo-saxões como Grã-Bretanha, Canadá, Nova Zelândia e Austrália.

O primeiro círculo corresponde às 16 agências de inteligência norte-americanas. “DRTBOX” e “WHITEBOX” designam nos documentos relevados por Snowden as técnicas empregadas para a espionagem. Até agora, nem o diário nem nenhum outro especialista conseguiram elucidar a tecnologia. “DRTBOX” permitiu que, entre meados de dezembro de 2012 e princípios de 2013, fossem interceptados 62,3 milhões de dados telefônicos. O segundo, “WHITEBOX”, utilizado no mesmo período, acessou dados e conteúdos de 7,8 milhões de chamadas. O vespertino francês aponta informações que vão para além da França. O jornal revela que entre 8 de fevereiro e 8 de março deste no, a NSA conseguiu coletar em todo o mundo cerca de 124,8 bilhões de comunicações telefônicas (DNR) e mais de 97 bilhões de conexões pertencentes ao campo digital (DNI).

Afeganistão, Rússia e China são os países mais espionados e, na Europa, só Alemanha e Grã-Bretanha ultrapassam a França no número de interceptações. Os ingleses deram seu “consentimento” para que suas entranhas fossem radiografadas. Um gesto muito natual quando se conhecem as interações entre os dois países. O programa de espionagem britânico “Tempora”, explorado conjuntamente com Washington, autoriza a agência de espionagem eletrônica da Grã-Bretanha, Government Communications Headquarters (GHCQ), a supervisionar o conjunto das comunicações que passam pelos cabos submarinos pertencentes a sete grandes operadoras mundiais: British Telecom, Vodafone Cable, Verizon Business, Global Crossing, Level 3, Viatel e Interoute. Jean-Jacques Urvoas, presidente da Comissão de Leis da Assembleia Nacional e autor de um informe sobre o marco jurídico dos serviços secretos franceses, não se equivoca quando diz, nas páginas do Le Monde: “Os EUA não têm aliados. Só alvos e vassalos”. 

O que ocorrerá no futuro? Seguramente nada. Paris agirá como a União Europeia, Algum protesto aqui, outro ali, e nada mais. O realismo servil como modesta resposta.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


Créditos da foto: Le Monde

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