quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Eduardo Campos pode antecipar anúncio de nome para concorrer à sucessão

08.01.2014
Do portal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Diario de Pernambuco - Diários Associados

Governador pode escolher o nome do candidato até meados de fevereiro. Foto:Teresa Maia/DP/D.A Press (Teresa Maia/DP/D.A Press)

Ganha força nos bastidores a informação de que o anúncio do candidato à sucessão do governador Eduardo Campos pelo PSB deve ocorrer até meados de fevereiro. Seria uma antecipação ao prazo fixado pelo governador, que pretendia lançar o nome até o carnaval para poder circular com o candidato no seu último mês de gestão. Eduardo vai se desincompatibilizar do cargo em 4 de abril para concorrer às eleições de outubro. Com a nova data, o socialista aumentaria o período para "andar" com o escolhido pelo estado. 


Neste fim de semana, o PSB coloca em campo uma pesquisa para analisar os cenários eleitorais no estado. Vários nomes serão testados, como o do ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, e os dos secretários da Fazenda, Paulo Câmara; da Casa Civil, Tadeu Alencar; da Saúde, Antônio Figueira; e de Governo, Milton Coelho. Na bolsa de aposta, despontam como favoritos Bezerra Coelho, Tadeu Alencar e Paulo Câmara. Além do levantamento quantitativo, já estão sendo realizadas as pesquisas qualitativas.

De volta ao estado depois de uma semana de recesso, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB) se reuniu nesta terça-feira (7) com Eduardo Campos. A sucessão estadual esteve na pauta. Como informa a colunista do Diario Marisa Gibson, a conversa não foi definitiva. 

Bezerra Coelho retoma hoje (8) as agendas políticas no estado. Ele visita o estaleiro Promar, no Complexo de Suape, a convite da direção do empreendimento. Foi por uma ação do ex-ministro, ainda em 2009, que o estaleiro, inaugurado em dezembro do ano passado, decidiu apostar em Pernambuco ao invés de se instalar no Ceará, como planejava inicialmente.

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Afundada na crise, Grécia assume a presidência da União Europeia

08.01.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 07.01.14
Por Marcelo Justo 

A Grécia assume a presidência rotativa da UE no momento em que é novamente questionada pela Troika pelo fracasso dos planos de ajuste.

www.publico.pt
Londres - A União Europeia (UE) da crise está cheia de ironias e paradoxos. Nesta quarta-feira (8), a Grécia assume a presidência rotativa da EU no momento em que é novamente questionada pela Troika (FMI, Comissão Europeia, Banco Central Europeu) pelo fracasso dos planos de ajuste e pela iminência de um novo resgate.
 
Ao mesmo tempo, a inflação dos 17 países que formam a zona do euro caiu e os comentaristas quebram a cabeça: longe de ser uma boa notícia, a queda dos preços consolida o temido fantasma da deflação.

O editor associado do Financial Times, o alemão Wolfgang Munchau, é pessimista. “E crise do euro não terminou, mas em certo sentido ela mudou. O debate sobre a política a seguir está terminado. Não haverá uma União Bancária ou mutualização da dívida e quanto ao ajuste se seguirá com a austeridade e a deflação na periferia. O ajuste recém está começando. E a dívida será reduzida pagando-a, não por meio da inflação, de uma moratória, ou de um perdão”, escreveu segunda-feira (6).

Quanto à deflação, a Agência de Estatisticas europeia (Eurostat), confirmou o dado nesta terça-feira. A inflação na zona do euro caiu de 0,9% em novembro para 0,8% em dezembro, cada vez mais longe da meta de 2% pretendida pelo Banco Central Europeu (BCE). Em outubro passado havia caído pela primeira vez desde 2010 para menos de 1% e se manteve ali desde então. “A deflação é terrível para a acumulação capitalista. O capitalista é dinâmico quando os preços sobem. Quando baixam, diminuem os lucros que se necessitam para manter o nível de investimento e produtividade”, disse à Carta Maior o economista grego Costas Lapavitsas, da Universidade de Londres, autor de“Financialization: profiting without producing” (Financeirização: lucros sem produção).

Neste quadro, a zona do euro tem que seguir por esse beco sem saída que é pagar a dívida (em média, 93,4% do PIB de 17 países, cerca de 4% a mais que em 2012), com uma mescla de ajustes e resgates que não deram resultado nestes quatro anos. A Grécia é o melhor exemplo. Desde seu primeiro resgate em maio de 2010, não conseguiu sair da recessão e seu Produto Interno Brito (PIB) caiu cerca de 21%, quase o dobro da queda experimentada pela Argentina com o fim da convertibilidade em 2001-2002. E o perfil de sua dívida melhorou? Em nada. A dívida grega hoje é 169% do seu PIB. “A Grécia vive uma crise humanitária pior que a Argentina no fim da convertibilidade. A pobreza absoluta e relativa cresceram. O sistema de saúde colapsou, as pessoas não podem manter a calefação, os bancos de alimentos estão na ordem do dia”, assinala Lapavitsas.

A Grécia não está sozinha. Na Espanha, a Caritas fala de três milhões de pessoas em “pobreza severa” (renda inferior a 307 euros por mês). Em Portugal, 18% vive abaixo da linha da pobreza, segundo cifras oficiais, e até em países fundadores do projeto pan-europeu como a Itália, o número de pobres duplicou entre 2007 e 2012, situando-se em torno de cinco milhões de pessoas. O editor associado do Financial Times é categórico a respeito do que tem pela frente a Itália, cuja economia se contraiu 1,8% no ano passado. “Segundo o acordo fiscal da zona do euro, a Itália tem que pagar 70% de sua dívida nos próximos 20 anos. Isso requer um superávit fiscal primário – antes do pagamento dos juros da dívida – que nunca foi alcançado nem em montante nem na duração dos pagamentos”, diz Wolfgagn Munchau.

No mundo desenvolvido as economias anglo-saxãs alardearam seu êxito graças ao fato de que Estados Unidos e Reino Unido estão crescendo mais que a zona do euro. Mas os EUA estão experimentando a recuperação econômica mais débil dos últimos 90 anos, baseada em uma bolha imobiliária e em um boom creditício com altíssimos níveis de pobreza. E o Reino Unido não fica atrás, registrando 20% de aumento das buscas dos bancos de alimentos de organizações de caridade.

No caso britânico, cabe apontar uma ironia adicional. O crescimento se deve ao aumento do consumo que está sendo financiado com a indenização que os bancos estão pagando aos seus clientes pela venda de produtos financeiros fraudulentos.
 
“Os consumidores estão gastando mais graças ao fato de que há mais crédito (umas três quatro partes do consumo é feita a crédito) e às compensações PPI.
 
Nos últimos 18 meses, os bancos pagaram 12 bilhões de libras em compensações. É uma injeção equivalente a 1% do PIB, mais do que o governo aportou desde 2008. Esse dinheiro não vai durar”, assinala o diretor econômico da BBC, Robert Preston.

Em meio a este panorama, o novo presidente rotativo da UE, Grécia, pode disparar o princípio do fim antes que termine seu período de governo, no final de junho.
 
“Em maio há eleições para o parlamento europeu que nos darão uma ideia se existe apoio às políticas de ajuste em países como Itália e outras nações periféricas”, assinala Muchau. Na Grécia, estas eleições podem ser cruciais porque um partido de esquerda anti-austeridade, Syriza, está à frente das pesquisas e a coalizão governamental dos socialistas do Pasok e seu inimigo histórico, a direita da Nova Democracia, perdeu muito apoio. “É muito possível que a coalizão se saia muito mal e que Syriza obtenha muita vantagem. Se isso ocorrer será muito difícil para a coalizão seguir governando e implementando todas as medidas de ajuste e cortes pactuados com a Troika. Neste caso é muito possível que tenham que chamar eleições”, aponta Costas Lapavitsas.

Sobre uma coisa não resta dúvida. Um ano cheio de emoções aguarda a União Europeia, a zona do euro e seu novo presidente rotativo, a Grécia.
 
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


Créditos da foto: www.publico.pt
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Restos mortais de homem-elefante podem ajudar a desvendar causas do câncer

08.01.2014
Do portal BBC BRASIL,07.01.14

Joseph Merrick | Crédito: BBC
Apelido de "Homem Elefante" veio das deformidades físicas de Joseph Merrick
Uma análise dos restos mortais de Joseph Carey Merrick, mais conhecido como o "Homem-Elefante", pode ajudar a desvendar as causas do câncer, afirmam cientistas britânicos.
Nascido na Inglaterra em 1862, Merrick sofria de uma forma severa de uma doença que provocava o crescimento excessivo de seus ossos e tecidos.
O apelido "Homem Elefante" veio das deformidades físicas decorrentes de sua condição que, não raro, atraíam o olhar de curiosos na segunda metade do século 19 e o tornaram em uma celebridade na Grã-Bretanha vitoriana.
Antes de morrer, aos 27 anos, Merrick doou seu corpo à ciência, mas, até hoje, pouco se sabe sobre as causas de sua doença. Tentativas anteriores de extrair o seu DNA fracassaram uma vez que seu esqueleto ainda estava sendo higienizado.
Agora, amparados por novas tecnologias, cientistas da Universidade Queen Mary, em Londres, onde o esqueleto do inglês está armazenado, acreditam que a rara condição do "Homem Elefante" possa ajudá-los a entender como as células cancerígenas se formam.
"Merrick sofria de uma doença que provocava o crescimento excessivo de partes de seu corpo, daí a comparação com um elefante", explica o professor Richard Trembath, coordenador do estudo.
"Mas outras partes de seu corpo apresentavam uma aparência normal e isso revela muito sobre os fundamentos da formação da célula, ou seja, como uma célula cresce e quanto ela para de crescer", acrescenta.
A pesquisa começou faz pouco tempo, mas os cientistas já demonstram entusiasmo com a possibilidade das descobertas.
"Não acredito que o estudo levará à cura do câncer, mas penso que a pesquisa ampliará o nosso conhecimento sobre a má formação celular", prevê Trembath.

Do circo à corte

Joseph Merrick foi uma figura bastante conhecida na Inglaterra vitoriana. Vítima de humilhações públicas e rejeitado pela madrasta devido à sua aparência física, ele decidiu sair de casa ainda adolescente.
Sem dinheiro, sobreviveu de pequenos bicos em apresentações circenses, nas quais era anunciado como uma das atrações de shows de aberrações.
Rapidamente, rumores sobre sua condição espalharam-se pelo Reino Unido e atraíram a atenção da alta sociedade vitoriana.
Alexandra da Dinamarca, futura rainha consorte, interessou-se pelo caso, fazendo com que outros membros da Corte também compartilhassem do mesmo interessante.
Devido à sua popularidade, Merrick chegou a se tornar próximo da Rainha Vitória (1819-1901), trisavó da atual Rainha Elizabeth 2ª do Reino Unido.
Por muito tempo, médicos acreditavam que o inglês sofria de um tipo raro de elefantíase, mas pesquisas recentes concluíram que Merrick teria sido portador da Síndrome de Proteus, cujas causas ainda não são totalmente conhecidas.
A doença, que deriva do nome do deus grego capaz de assumir formas monstruosas, consiste no crescimento exagerado e patológico da pele.
Em 1980, a vida de Joseph Merrick foi tema do filme O Homem Elefante, dirigido por David Lynch e estrelado por Anthony Hopkins.

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IPTU de Barbosa em Miami sobe 37%. Mas aí tudo bem...

08.01.2014
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 07.01.14
Por por Helena Sthephanowitz
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Joaquim Barbosa: IPTU americano pode subir, paulistano não
O ministro Joaquim Barbosa manteve liminar do Judiciário paulista que impediu o prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) de promover reajuste escalonado do IPTU da capital paulista –forma defendida por muitos por promover justiça tributária, ao pretender que os moradores das regiões mais centrais, e os com maior capacidade contributiva, pagassem mais, ao passo que os mais afastados e pobres pagariam menos.
Barbosa deveria ter cassado a liminar, reconhecendo que a deliberação sobre o assunto é da alçada dos poderes Executivo e Legislativo municipais, e que o aumento não tinha nada de abusivo. Em vez disso, o presidente do STF invadiu as atribuições de outros poderes da república e prejudicou milhões de moradores dos bairros periféricos da cidade, que seu IPTU reduzido, com aumentos menores, ou até mesmo isentos.
Prejudicou também a cidade como um todo, pois a arrecadação menor freia investimentos necessários para melhorias que promovam a qualidade de vida da população.
O curioso é que o apartamento adquirido por Barbosa em Miami, nos Estados Unidos – numa negociação ainda envolta em diversas irregularidades –, teve um aumento na taxa equivalente ao nosso IPTU de 37% entre 2010 a 2013. Só no último ano o aumento foi de 20%.
O valor do imposto em Miami em 2013 pago por Barbosa foi US$ 5.582,54 (cerca de R$ 13.230,00). Em 2012 foi US$ 4.640,35. Em 2011 foi praticamente o mesmo valor de 2012. Em 2010, a antiga proprietária do imóvel pagou US$ 4.073,38. Os dados são públicos, disponibilizados pela prefeitura de Miami na internet e podem ser conferidos logo mais abaixo.
Como se vê, o prefeito de São Paulo estava mais parcimonioso do que o prefeito daquela cidade da Flórida. Mas aí, o mandatário do STF não vê problemas, o que parece confirmar que sua decisão, ao proibir a proposta do IPTU de Haddad, foi política e partidária – e se mostrará nociva à grande maioria da população paulistana.
Há poucos dias o colunista da jornal O Globo Rodrigo Constantino escreveu artigo sobre sua passagem por Miami, com elogios ao que ele considerou que funciona melhor lá do que no Brasil. Talvez fosse o caso de se perguntar o quanto o valor cobrado pelo  IPTU contribua para a qualidade dos serviços públicos – lembremos que o apartamento de Barbosa naquela cidade tem 76 metros quadrados.
Uma das coisas que mais atrapalham uma cidade como São Paulo de dar um salto de urbanização e de promoção para a cidadania de todos os seus moradores é justamente o conservadorismo arcaico que de tudo faz para manter seus interesses – e somente eles – atendidos pelo poder público.
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Taxas cobradas pelo apartamento de Barbosa em Miami mostram aumentos
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ONU pede ação imediata para reestabelecer a ordem no Maranhão

08.01.2014
Do portal da Agência Brasil, 
Por Carolina Sarres



Brasília - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu hoje (8) que as autoridades brasileiras tomem ações imediatas para restabelecer a ordem no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital do Maranhão, São Luís, que tem passado por crise carcerária desde o ano passado, e que foi intensificada nas últimas semanas.
De acordo com o órgão, é lamentável ter de expressar preocupação com o "terrível" estado das prisões no Brasil. Em nota, o Alto Comissariado recomenda a redução da superlotação dos presídios brasileiros - não só no Maranhão - e o provimento de condições dignas aos detentos.

"Pedimos que as autoridades brasileiras conduzam investigações imediatas, imparciais e efetivas sobre esses eventos, processem os responsáveis e tomem as medidas apropriadas para colocar em vigor o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura promulgado no ano passado", declarou o Alto Comissariado, sobre as mortes no presídio maranhense.
Em dezembro de 2013, a presidenta Dilma Rousseff assinou o decreto presidencial que instituiu o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. No momento da assinatura, Dilma disse que o Estado brasileiro não aceita nem aceitará práticas de tortura contra qualquer cidadão. Ontem (7), a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) divulgou nota repudiando a violência no Maranhão.
Nesta semana, o Ministério Público do Maranhão defendeu que o governo maranhense peça reforço de forças federais para controlar a situação no estado, enquanto o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, avalia se vai pedir intervenção do governo federal nos presídios maranhenses.
Após o agravamento da situação do Maranhão, a organização não governamental (ONG) Anistia Internacional também manifestou preocupação com a crise carcerária. Hoje (8), o caso repercutiu negativamente na imprensa internacional, que considera desumana a situação dos presídios brasileiros.

Edição: Davi Oliveira
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Prisões desumanas são exigência de uma sociedade insuflada pela mídia

08.01.2014
Do BLOG DA CIDADANIA, 
Por Eduardo Guimarães
O que mais assusta na tragédia ocorrida na região metropolitana de São Luis (MA) e no Complexo Penitenciário de Pedrinhas é a constatação extemporânea, tardia e hipócrita da mídia, de parte da classe política e dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário sobre as condições desumanas dessa prisão e de praticamente todas as outras pelo país afora.
Alguém acredita seriamente que um país rico como este não tem condições de construir prisões minimamente dignas para os cerca de 500 mil presos brasileiros? Até porque, não seria necessário construir prisões para toda essa gente, mas apenas para a parte que constitui o excedente da população carcerária.
Então, se “um país rico como este” poderia ter prisões minimamente humanas, por que não tem? Resposta: porque a sociedade brasileira quer que suas prisões sejam desumanas mesmo. E por que este povo quer isso? Porque acredita não só que prisões desumanas podem dissuadir os que cogitem ingressar no crime como acredita que violência policial produz o mesmo efeito.
Não é preciso nem discutir o mérito dessa ideia maluca. É melhor discutir sua efetividade. Como se sabe, tem muita gente que vive espalhando por aí que nossas prisões são “colônias de férias” e que o castigo que a lei prevê para os criminosos é “brando demais”. Vendo o que aconteceu em Pedrinhas, percebe-se quanto idiota há por aí espalhando essas tolices.
O sistema carcerário brasileiro é o quarto maior do mundo e um dos mais cruéis e desumanos. Cumprir um ano de prisão no Brasil equivale a cumprir dez em uma prisão civilizada. Assim, o aumento de penas que tantos pregam como “solução” para o crime não passa de outra cretinice cavalar.
Mas por que a sociedade pede prisões desumanas e as autoridades, premidas por interesses políticos, atendem a essa exigência não apenas burra, mas suicida da maioria dos brasileiros? Simples, porque estes são insuflados cotidianamente pela mídia e, também, por políticos demagogos que se entregam a prometer tudo que o povo pede, por mais absurdo que seja.
Mas quem insufla toda essa burrice é a mídia, acima de qualquer outro. Seus programas policialescos, ao estilo Datena ou Marcelo Resende – que se reproduzem como pragas pelas televisões e rádios regionais e até municipais de todo país –, instilam ódio na sociedade.
Esses apresentadores de programas sangrentos sobre crimes vivem dizendo sobre a violência que gostariam de praticar com as próprias mãos contra os bandidos, durante seus arroubos de machões. O espectador/ouvinte é estimulado a pensar na prisão como forma de vingança e nunca como forma de ressocializar o preso.
Até porque, o princípio de ressocialização não é conhecido. E que princípio é esse? O de que aquele que comete crimes seja preso como forma de proteção à sociedade, não como forma de ela se vingar dele. E o de que é preciso ressocializar porque todo criminoso preso volta às ruas um dia e, se não for ressocializado, volta pior.
Quem passa por uma prisão brasileira, no mais das vezes sai dela pior do que entrou não só porque “aprende o que não presta lá dentro”, mas porque sai de lá no mínimo revoltado. Só que, muitas vezes – ênfase em muitas vezes –, sai de lá com graves problemas mentais, tornando-se um risco ainda maior do que o criminoso meramente revoltado.
A solução para a violência e a criminalidade no Brasil, portanto, não é só mais justiça social, menos pobreza e miséria zero. É, também, construir prisões que preparem o presidiário para ser reinserido na sociedade. Enquanto forem o que são, nossas prisões continuarão sendo a linha de montagem do crime, onde o bandido se profissionaliza e se torna monstruoso.
Para que isso ocorra, a mídia teria que parar de insuflar ódio e começar a instilar reflexão na sociedade. Haveria que explicar que violência policial e prisões desumanas nunca conseguiram diminuir violência e criminalidade em parte alguma do mundo. Mas aí é querer demais. Programas que insuflam ódio e burrice dão muito mais audiência.
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Acordo comercial com EUA trouxe pobreza ao México

08.01.2014
Do blog O CAFEZINHO, 07.01.14
Por Miguel do Rosário

Reproduzo abaixo texto que publiquei há pouco no Tijolaço.
Nafta trouxe pobreza e baixos salários ao México
Começamos o dia com uma reportagem publicada ontem no Valor, que é de arrepiar os cabelos. Não teve destaque no próprio Valor, nem terá em nenhuma outra mídia. Foi feita, naturalmente, por repórter estrangeiro, Mark Stevenson, da Associated Press, pois duvido que algum barão da mídia permitisse que um jornalista brasileiro fosse tão ousado.
A reportagem diz, em suma, que a Nafta, o acordo comercial entre México e EUA (que inclui o Canadá também), que derrubou uma série de barreiras comerciais e trabalhistas entre os dois países, não trouxe contribuição social relevante ao México.
Ao contrário, a situação piorou. Confira os trechos abaixo:
“(…) o México é o único dos grandes países latino-americanos em que a pobreza também cresceu nos últimos anos.
Segundo a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), a pobreza caiu de 48,4% em 1990 para 27,9% em 2013 em toda a América Latina. No México, onde estava em 52,4% em 1994, a taxa de pobreza chegou a cair para 42,7% em 2006; mas em 2012 tinha voltado a subir para 51,3%.”
“(…) os empregos do setor no México são notoriamente mal remunerados, e pouco se avançou em reduzir o fosso salarial em relação aos EUA.
(…) A média dos salários na indústria de transformação do México correspondia a cerca de 15% dos pagos nos EUA em 1997. Em 2012 esse percentual tinha aumentado para apenas 18%. Em alguns setores, os salários praticados na China, na verdade, superaram os pagos no México. “
O Nafta corresponde a Alca, o acordo que os EUA queriam implantar em toda a América do Sul. Foi enterrada com a eleição de Lula e outros governantes progressistas. Agora sabemos os resultados a que ela se propunha. Não teríamos o combate a pobreza que vimos por aqui e os EUA ficariam ainda mais ricos.f
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Maduro adianta reunião sobre segurança após assassinato de ex-miss

08.01.2014
Do portal OPERA MUNDI
Por Luciana Taddeo | Caracas    

Presidente da Venezuela, que definiu o crime como um massacre, discutirá tema com prefeitos e governadores
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adiantou para esta quarta-feira (08/01) uma reunião com todos os governadores e prefeitos das 79 cidades com maiores índices de criminalidade do país para discutir políticas de segurança. O encontro que, segundo Maduro, estava previsto para a próxima semana, será realizado agora após um crime comover os venezuelanos: na noite da última segunda, a ex-miss Mónica Spear, de 29 anos, e seu ex-marido de origem britânica, Thomas Berry, de 39 anos, foram assassinados em uma estrada que conecta as cidades de Puerto Cabello e Valencia, no estado de Carabobo.

Agência Efe
Mónica Spear e o marido foram abordados enquanto o seu carro era guinchado

Segundo o diretor do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas, José Gregorio Sierralta, o carro em que o casal viajava com a filha de cinco anos se acidentou devido a um “objeto contundente” colocado na pista. De acordo com ele, no momento em que o automóvel foi colocado em um guincho, eles foram abordados por homens armados que dispararam contra o carro. Os corpos do casal foram encontrados no interior do veículo. A filha do casal, que acabou ferida por uma bala, foi transferida a um centro médico e tem o estado de saúde “estável”.

A ex-miss residia nos Estados Unidos e fazia uma viagem pela Venezuela para comemorar a reconciliação com ex-marido, segundo a imprensa local. De acordo com as autoridades venezuelanas, cinco pessoas foram detidas preventivamente pelo crime, que fez com que artistas, esportistas e diversos líderes políticos se manifestassem durante todo o dia de ontem, condenando o assassinato e expressando solidariedade às famílias das vítimas.


O ministro de Interior, Justiça e Paz do país, Miguel Rodríguez Torres, afirmou nesta terça que os organismos de segurança estão realizando investigações para identificar os responsáveis pelo crime e prometeu aplicar “todo o peso da lei para os que pretendam continuar delinquindo”. Ele anunciou que haverá mudanças estruturais na formação policial e pediu que a luta contra a delinquência envolva toda a sociedade.

Agência Efe
Maduro durante reunião sobre segurança nesta terça; hoje o assunto também está na sua agenda

As declarações de Torres foram feitas após uma reunião entre Maduro e representantes do Movimento pela Paz e pela Vida. Em declarações transmitidas pela televisão estatal, Maduro afirmou que o crime é “um golpe para todos”. “Eu assumo minha responsabilidade ao máximo”, expressou o presidente. O chefe de Estado definiu o crime como um “massacre” e pediu que este não seja utilizado politicamente.

Em meio à comoção, o governador do estado venezuelano de Miranda, Henrique Capriles, expressou, em seu Twitter, solidariedade à família e amigos do casal e afirmou que “todos” os venezuelanos perderam “alguém muito querido pela violência e que dói mais ver que a cifra de criminalidade aumenta e o país se acostuma a isso”. Por meio da rede social, o líder opositor ainda propôs ao presidente “colocar de lado” as profundas diferenças entre ambos para se unir “contra a insegurança em um só bloco”.



O prefeito do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, por sua vez, afirmou que o país deveria declarar estado de “emergência nacional” pela insegurança. Em dezembro, a organização Observatório Venezuelano da Violência estimava que 2013 terminaria com cerca de 24,7 mil mortes violentas no país, com uma taxa de 79 assassinatos por 100 mil habitantes.

Para o ministro do Interior, no entanto, a cifra divulgada pela organização não governamental tem “intenção política”. Em declarações à imprensa realizada nos últimos dias do ano passado, afirmou que em 2013 o índice de homicídio no país foi reduzido em 17,3%, e que a taxa oficial é de 39 para cada 100 mil habitantes. Rodríguez Torres reconheceu, no entanto, que a quantidade “não é a ideal” e afirmou que a prevenção contra a criminalidade seria fortalecida.

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