terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Frio recorde faz EUA acionarem navio quebra-gelo em lago

07.01.2014
Do portal BBC BRASIL
Foto: ABC News/reprodução de vídeo
Navio quebra-gelo foi usado para abrir caminho para outras embarcações no Lago Michigan
No lago Michigan, próximo a Chicago, foram registradas temperaturas de quase -30 graus. Um navio quebra-gelo precisou ser acionado para ajudar a abrir caminho para outras embarcações.
Uma cortina de neblina cobria o lago, dando um toque cinematográfico à paisagem local.
As autoridades estão alertando as pessoas para os perigos do rigoroso inverno americano. Muitos hospitais estão atendendo pessoas com lesões provocadas pelo frio.
O maior dos médicos é que quedas muito grandes de temperatura do corpo podem provocar paradas cardíacas e respiratórias, com risco de morte.
Nas próximas 24 horas, a massa de frio está se deslocando do Meio Oeste para a Costa Leste, onde cidades como Washington e Nova York se preparam para as menores temperaturas das últimas duas décadas.

            

            

            

            

            

            

       

            

        

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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/01/140107_navio_quebragelo_dg.shtml

No Peru, debate sobre concentração midiática esquenta após ampliação de grupo

07.01.2014
Do portal OPERA MUNDI
Por  Marina Terra | São Paulo    

El Comércio agora detém mais de 70% do mercado. Presidente criticou fusão: "quem ameaça a liberdade de imprensa?"
O ano de 2014 já começou com um intenso debate sobre a concentração dos meios de comunicação no Peru, envolvendo até o presidente do país, Ollanta Humala. O chefe de Estado criticou em entrevistas a compra pelo Grupo El Comércio, no ano passado, da maior parte das ações da Empresa Periodística Nacional S.A., conhecida como Epensa, e sugeriu que o tema seja discutido no Congresso.

Sibci.gov.ve
Humala criticou duramente a fusão entre o grupo El Comércio e Epensa: “quem ameaça realmente a liberdade de imprensa?

Nesta terça-feira (07/01), o deputado da base aliada Manuel Dammert confirmou que o grupo parlamentar Ação Popular – Frente Ampla irá elaborar e apresentar um projeto de lei contra a concentração de meios no Peru. “É uma vergonha que um grupo seja praticamente dono dos meios de comunicação. Isso é perigoso”, disse Humala no fim do ano passado. No dia 2, ele questionou: “quem ameaça realmente a liberdade de imprensa? Aquele grupo empresarial que compra os meios de comunicação ou o presidente da República?”.

Na campanha presidencial de 2011, o então candidato da chapa de esquerda Ganha Peru propôs em seu plano de governo a discussão de uma Lei de Meios ao estilo das aprovadas pelos Congressos da Argentina e Equador, “que estabeleça uma divisão equitativa e plural dos meios entre diferentes formas de propriedade (privada, pública e social)”. No entanto, a proposta foi descartada após reação do setor, principalmente por parte do El Comércio.

As ações da Epensa foram compradas pelo equivalente a 40 milhões de reais, fazendo com que o El Comércio passe a deter 78% do mercado de jornais peruanos, de acordo com a Sociedade de Empresas Jornalísticas do Peru. Para efeito de comparação, na França, uma empresa ou pessoa não pode controlar mais de 30% do mercado, enquanto na Itália esse limite é de 20%.

Um dos mais antigos do país, com circulação diária de 94 mil exemplares, o El Comércio interpretou as declarações do presidente como uma “ameaça velada à liberdade de imprensa”, enquanto a líder do Partido Popular Cristão e ex-candidata presidencial, Lourdes Flores Nano, qualificou como um ataque “aberto” ao jornalismo livre.

La República/Reprodução
O Peru tem atualmente um dos índices de concentração do setor de imprensa mais elevados do mundo

Diversos oponentes de Humala manifestaram apoio ao El Comércio, como a ex-candidata Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori -- acusado de subornar proprietários de mídia nos anos 1990 em troca de uma cobertura favorável --, e o ex-presidente Alan García. O Instituto para Imprensa e Sociedade, grupo de defesa da liberdade de expressão com sede em Lima, declarou que, mesmo que a concentração de mídia seja um risco potencial para a liberdade de expressão, o governo deve ficar fora do debate.

Apoio

Principal concorrente do El Comércio, o grupo La República Publicaciones, que detém 17% do mercado e tentou comprar as ações da Epensa para justamente equilibrar o setor, tem feito campanha e recorreu à Justiça peruana para que seja cancelada a compra. Em novembro, um grupo que inclui o diretor do La República e outros jornalistas conhecidos, abriram uma ação contra o El Comércio alegando práticas de monopólio.

Segundo a Constituição peruana de 1993, “as empresas, os bens e serviços relacionados com a liberdade de expressão e comunicação não podem ser objeto de exclusividade, monopólio ou acumulação”. No entanto, de acordo com uma pesquisa do jornalista peruano Ricardo Uceda, publicada na revista Poder, no Peru não existem limites legais à expansão dos meios impressos, diferentemente das emissoras de televisão e rádio.

Quem também é contra a fusão é o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que apoiou Humala durante a campanha em 2011. Na ocasião, ele tirou sua coluna do El Comércio após acusações de que estava “manipulando informação”. Seus textos agora são publicados no La República. Llosa classificou o domínio do mercado peruano pelo El Comércio de uma “potencial ameaça à democracia”.

Segundo o pesquisador e jornalista argentino Martín Becerra, o Peru tem atualmente um dos índices de concentração do setor de imprensa mais elevados do mundo. Em âmbito regional, é seguido pelo Chile, cujo mercado editorial conta com o duopólio de El Mercurio e La Tercera.

* Com informações do La República, El País, Knight Center, Observatório da Imprensa 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33320/no+peru+debate+sobre+concentracao+midiatica+esquenta+apos+ampliacao+de+grupo.shtml

'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários

07.01.2014
Do portal da BBC BRASIL, SP, 09.10.13
Por Ruth Costas 

Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.

Estudante (Foto Reuters)
 Número de instituições de ensino superior mais que dobrou desde 2001
Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.
"Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.
"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.
Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.
"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto."
Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.
É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.
Linha de montagem da Ford (Foto BBC)
Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI
Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.
"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".
A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.
Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.
"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.
Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.
"São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."
Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.
Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas
Estudantes (Foto BBC)
Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil
De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.
Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.
"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."

Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.
"Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade", diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.
"Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor."
As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.
Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.
"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.
Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.
"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.

'Tradição bacharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a "geração do diploma" estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.
"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários." Gabriel Rico

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.
"O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes", diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.
Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: "Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing", ele exemplifica. "Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas."
Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.
"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários", diz o consultor.
Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).
Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.
"Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área", acredita.
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131004_mercado_trabalho_diplomas_ru.shtml