sábado, 4 de janeiro de 2014

Terra sem lei, município mexicano pega em armas para expulsar "Cavaleiros Templários"

04.01.2014
Do portal OPERA MUNDI
Por Federico Mastrogiovanni | Pareo, Michoacán (México)   

Grupo criminoso aterroriza população há mais de dois anos, matando, estuprando e explorando recursos naturais locais
Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Membro de grupo de autodefesa formado em cidade do Estado mexicano de Michoacán, dedicado a expulsar o crime organizado

A tensão e o silêncio são intensificados pelo ruído cada vez mais insistente e próximo dos helicópteros militares que sobrevoam o morro de Tancítaro, a poucos quilômetros de Uruapan, no vale dos Reyes. Em Pareo, uma pequena comunidade perto de Tancítaro, vários caminhões do Exército mexicano estão saindo do povoado. Uma caminhonete, com os símbolos de um grupo de autodefesa comunitária, está jogada ao lado da rodovia, com os pneus e a parte dianteira explodidos, atacados por granadas e metralhadoras. Os furos de bala nas portas e janelas são numerosos.

Um policial comunitário usando camiseta branca carrega uma escopeta e uma pistola e indica uma pequena plantação de abacate de um lado da rodovia. “Aí estão os mortos. Os Templários nos atacaram, filhos da mãe. Aí estão, jogados. Ânimo, jornalistas!”. De fato, ali estão dois corpos jogados entre os abacateiros. Alguns moradores retiram deles armas, cartuchos e jalecos para poderem reutilizá-los. Continua o ruído dos helicópteros, que não deixam de voar sobre essa pequena comunidade remota.


Entrar no povoado de Pareo é impactante. Centenas de policiais comunitários, “os brancos”, pela cor de suas camisetas, circulam armados até os dentes, sorridentes, alegres. Na pequena praça, as pessoas do povoado se reúnem e escutam as palavras do homem-símbolo das autodefesas, doutor José Manuel Mireles, o líder carismático que conseguiu se tornar porta-voz e um dos coordenadores-gerais do conselho das autodefesas de seu município, Tepalcatepec, desde o levante armado da cidade.
Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Um dos cavaleiros templários mortos pela polícia comunitária na retomada da cidade de Pareo, no Estado mexicano de Michoacán

Alto, bigodudo, chapéu negro, rádio pendurada na camiseta e microfone na mão, ele explica às pessoas de Pareo que não precisam ter medo, que os Templários não vão voltar, que a autodefesa vai continuar ali. Nessa fase, um grupo de autodefesa precisa se formar aqui, construir barricadas, resistir aos ataques do crime organizado. Os habitantes de Pareo estão contentes, mas, ao mesmo tempo, espantados. Não querem pedir a palavra em público pelo medo dos possíveis falcões (dedos-duros) presentes. Sabem do que são capazes os Cavaleiros Templários e temem sua vingança.

O cartel foi formado após uma divisão no grupo La Familia, outro grupo criminoso que opera em Michoacán e com o qual travam uma guerra desde a morte em dezembro de 2010 de um dos fundadores desta organização, Nazario Moreno.


“Mas também estávamos fartos”, grita uma senhora. “Não aguentávamos mais esses delinquentes”. Sua filha está gravando o discurso de Mireles com um tablet, e, enquanto isso, chora e sorri. “Choro de felicidade”, me diz, “porque não acreditava que poderíamos nos libertar desses mafiosos. Não posso deixar de chorar”.

Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
"Não consigo deixar de chorar", diz jovem moradora de Pareo após ação da polícia comunitária que expulsou cartel criminoso

Enquanto os caminhões do Exército deixam o povoado, María, a senhora, explica como, durante a manhã, os soldados tinham desarmando os comunitários. “Supúnhamos que iriam nos ajudar, mas, quando chegamos, os soldados começaram a tirar as armas dos policiais comunitários. Então nós, mulheres, começamos a gritar que não era justo, que iríamos ser mortos pelos Templários, e as recuperamos. E fizemos o correto, porque esses cachorros nos emboscaram, lançaram granadas contra nós. Agora esses militares vão embora. Melhor assim.”

A ofensiva das autodefesas é percebida em muitos lugares, como em Pareo, como uma verdadeira libertação. A população, esmagada durante anos pelo crime organizado, vê nessa polícia cidadã uma revanche por muito tempo inesperada e uma possibilidade de voltar a ter uma vida normal.

Na praça central de Pareo, depois do levante armado, José Manuel Mireles descansa depois do discurso para a comunidade. Segundo ele, está em marcha uma verdadeira batalha. “O cerne da guerra, o objetivo de todos esses municípios armados, é acabar com o crime organizado, onde quer que se encontre e em qualquer de seus níveis e em qualquer de suas modalidades. Porque ele existe em nível municipal, estatal e federal. E modalidades há muitas, desde os batedores de carteira até os bandidões de colarinho branco que estão no governo do Estado ou nas grandes empresas falsas que existem no Estado de Michoacán.”
Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Mireles fala à população: "o cerne da guerra, o objetivo de todos esses municípios armados, é acabar com o crime organizado

“Nós respeitamos todas as instituições legalmente constituídas na República, nada além disso, no nosso Estado”, esclarece o doutor com força, para explicar que os comunitários não são paramilitares. “Nossa guerra é única e exclusivamente contra o crime organizado. Mas sabemos que todas as instituições e secretarias do Estado estão contaminadas pelo crime organizado. E, se em algumas delas o crime é mais forte que as próprias instituições, também queremos acabar com elas.”

Autonomia

Nas ruas de Pareo barricadas começam a ser montadas, as pessoas se animam e aparece um jovem acusado de ser falcão. Na praça, é decidido o que vai acontecer com ele. Há os que querem matá-lo, entregá-lo ao “governo”, prendê-lo para  informações. A namorada dele o defende, tentando explicar que se trata de um erro; um mal-entendido.  Que ele não é nenhum falcão.

Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Caracterizados pela camiseta branca, policiais comunitários são membros da comunidade e lutam para expulsar criminosos

Mireles já não participa dessa ação, que deve ser resolvida pela gente de Pareo com autonomia. “Nós estamos fazendo o que as instituições governamentais não fizeram durante mais de 12 anos. Se as instituições estivessem fazendo seu dever, nós não teríamos razão de existir. Eu sou médico, os outros são agricultores, camponeses, plantadores de abacate, comerciantes. O que estamos fazendo é temporário”, explica.

“Enquanto esperamos que o governo federal, o Exército e o próprio Estado de Michoacán comecem a trabalhar para fazer o que obriga a Constituição, ou seja, fornecer segurança a toda a nação. Isso é o que nós estamos fazendo. Nós somente nos armamos para tentar restabelecer o estado de direito em Michoacán. Se o Estado não reagir e começar a apoiar o nosso movimento social com programas sociais, com mudanças institucionais, vamos ter de aceitar o desaparecimento dos poderes do Estado de Michoacán, para que o Senado da República em seu momento ponha governantes interinos, deputados interinos, presidentes interinos, até que seja feita uma nova eleição para mudar todo o aparato governamental do Estado de Michoacán e seja restabelecido o Estado de direito.”

Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Soldados do exército mexicano chegam a Pareo após grupo de autodefesa expulsar membros dos Cavaleiros Templários

O tempo acaba, é necessário desalojar as centenas de policiais comunitários e deixar prontas as barricadas antes que a luz se vá. Já não se escutam helicópteros voando. Mireles está orgulhoso e reafirma o valor do que está fazendo. “Se nós, que somos apenas civis, tomamos a decisão de nos armar para defender nossas vidas e nossas propriedades, já comprovamos que, em mais de oito meses, sem nenhuma organização, sem nenhuma estrutura paramilitar, temos um sucesso tão grande que já não há roubos, não há assassinatos, não há sequestros, não há estupros em nosso territórios”.

Para se despedir, confirma: “Esta é uma guerra. Declarada, aberta e pública contra o crime organizado, como quer que se chame, seja o Cartel dos Zetas, dos Templários, da Família, o cartel que seja. Nós não estamos formados para defender nenhum cartel, muito menos para formar um cartel. Estamos formados para combater essa guerra.” 

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Liderança de oposição na Assembleia está vaga

04.01.2014
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por  Cláudia Eloi - Diario de Pernambuco

Com a adesão dos tucanos ao governo Eduardo Campos, comando oposicionista na Assembleia Legislativa deve mudar  
Daniel Coelho e Betinho Gomes reagiram à decisão do PSDB. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press (Blenda Souto Maior/DP/D.A Press)
Daniel Coelho e Betinho Gomes reagiram à decisão do PSDB. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

A entrada do PSDB no governo Eduardo Campos (PSB) não só deixou os deputados estaduais tucanos numa saia justa como tumultua a distribuição dos cargos na Assembleia Legislativa. Como regimentalmente o PSDB não poderá mais comandar a oposição, a liderança, até então era ocupada pelo deputado Daniel Coelho, está vaga temporariamente. O novo ocupante só deverá ser definido após o recesso parlamentar, no início de fevereiro. 

O PTB e o PT, que romperam com o PSB em outubro, ainda não definiram como vão atuar daqui por diante no Legislativo. Até bem pouco tempo, as duas legendas integravam a Frente Popular liderada no estado por Eduardo Campos. O rompimento com o PT aconteceu após o PSB oficializar a saída do governo federal e reforçar a disposição de enfrentar a presidente Dilma Rousseff nas urnas. E, apesar da recomendação da direção regional do partido deixar os cargos no governo do PSB, alguns petistas resistem em cumprir a determinação, dificultando o discurso de oposição. 

No PTB, um dos nomes especulados para assumir a liderança da oposição é o deputado Sílvio Costa Filho. O petebista, no entanto, não ficaria numa situação confortável, já que até bem pouco tempo atuava como vice-líder do governo. A amigos, Costa Filho tem revelado não ter interesse em cumprir esse papel e que seu foco é desempenhar um bom trabalho na presidência da Comissão de Agricultura, cargo que assumiu em novembro. 

Com a indefinição quanto ao papel que será desempenhado pelo PT e PSDB frente ao governo, restam na lista de partidos de oposição o DEM, que tem o deputado Maviael Cavalcanti como único representante, e o PMN com o deputado Severino Ramos. “Acho que o melhor nome neste momento para representar a oposição é Maviael Cavalcanti, isso se o DEM também não for cooptado pelo PSB”, comentou um oposicionista, em reserva. 

No ninho tucano, a relação do presidente estadual da legenda, Sérgio Guerra, com a bancada estadual permanece tensa. Na sua conta do Facebook, Daniel Coelho afirmou que, apesar de o PSDB fazer parte agora da base do governo, ele manterá uma postura de independência. “Reitero que manterei a mesma postura crítica que sempre mantive desde o primeiro dia do meu mandato. E manterei também a independência durante a campanha, sem subir no palanque ou pedir votos para nenhum candidato apoiado pelo atual governo. Meu compromisso é o de apoiar a candidatura de Aécio Neves à presidência”, postou. 

Reação

Irritado com a declaração de Sérgio Guerra de que o PSDB nunca foi oposição em Pernambuco e que esse apoio é coisa de “babaca”, o deputado Betinho Gomes (PSDB) reagiu de imediato. Pelo Twitter, ele reafirmou que sua atuação e dos demais tucanos na Assembleia tinha o consentimento da legenda. “Fiz oposição ao governo estadual, fiscalizei o governo e nunca fui babaca”, destacou. No fim da tarde, Betinho anunciou, por meio de sua assessoria, que renunciou à secretaria-geral do PSDB.

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Nevascas provocam emergência em dois Estados dos EUA

04.05.2014
Do portal BBC BRASIL, 03.01.14

Uma forte nevasca cobriu de branco partes do Canadá e do nordeste dos EUA nesta sexta-feira, levando os governadores dos Estados americanos de Nova York e Nova Jersey a declarar estado de emergência e pedir às pessoas que permaneçam em suas casas.
Neve em Nova York (AFP)
Nevascas provocaram cancelamento de voos e prejudicaram cotidiano de nova-iorquinos
A tempestade já forçou o cancelamento de mais de 4 mil voos entre quinta e sexta-feira, fechou escolas, prejudicou o trânsito e levou ao acúmulo de até 61 cm de neve em alguns pontos.
"Isto não é brincadeira. As pessoas devem considerar seriamente ficar em casa", declarou Andrew Cuomo, governador de Nova York.
Com as ventanias, as temperaturas baixaram para até -29ºC em Toronto e na Cidade de Québec (Canadá) - as mais baixas das últimas décadas.
Para brasileiros com voos programados para a região, é recomendável consultar as empresas aéreas para confirmar suas decolagens - apesar de, segundo consulta no site da Infraero, a maior parte dos voos aos EUA ter sido mantida.
O site mostra que ao menos um voo da American Airlines partindo do aeroporto de Guarulhos (SP) para Nova York foi cancelado nesta sexta-feira; outro está atrasado.
Em seu perfil no Facebook, a TAM informou na tarde desta sexta-feira que cancelou dois voos (indo e vindo de Nova York a São Paulo) e remanejou os passageiros para partidas no sábado.

'Fiquem em casa'

O recém-empossado prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse que a maior parte das avenidas da cidade estão liberadas, mas pediu que "as pessoas ajudem. Se não tiverem que viajar hoje (sexta), por favor fiquem em casa".
O jornal The New York Times reportou que as temperaturas na cidade, pela manhã, estavam semelhantes às do Alasca.
Muitos turistas aproveitaram para fazer guerra de bolas de neve na Times Square, mas as temperaturas estão tão baixas que são capazes de provocar queimaduras ou úlceras de frio em questão de 30 minutos.
Nos estados vizinhos de Connecticut, Massachusetts e Nova Jersey, funcionários públicos de serviços não essenciais foram liberados para não trabalhar, e muitas escolas cancelaram suas aulas.
Ainda que o aeroporto de Boston permanecesse aberto nesta tarde, mais de 300 voos foram cancelados, segundo o Boston Globe.
A Associated Press informa que 11 mortes foram atribuídas às nevascas e seus desdobramentos.
Na Filadélfia, um operário morreu soterrado na queda de uma carga de 30 m de altura de sal, usado para minimizar o efeito da neve nas estradas.
No Canadá, algumas cidades do leste estão vivenciando sensação térmica de -35ºC por conta dos ventos.
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AP 470: UM SIMULACRO

04.01.2104
Do portal BRASIL247
Por PEDRO MACIEL

Pedro MacielAssim ocorreu porque o STF pressionado por setores da mídia “teve de dar um jeito” de condenar os réus, com ou sem provas, caso contrário seria achincalhado por parcela significativa da imprensa

O filme MATRIX nos apresenta o livro “Simulacro e simulações” de Jean Baudrillard. Logo no inicio do filme o protagonista toma em suas mãos o livro, o qual usa para ocultar uma sua atividade que é ilegal (além de um respeitável programador numa importante empresa ele é um hacker de computador, que penetra em sistemas de computador ilegalmente e rouba informações), o livro naquele instante do filme não é um livro... Bem, as categorias filosóficas nele tratadas (simulação e simulacro) o orientam e dão à obra irmãos Wachowsch dimensão especial.

Jean Baudrillard, que começou sua carreira como professor de sociologia na Universidade de Nanterre, em Paris, ganhou projeção com a publicação do livro “Esquecer Foucault” e, mais tarde, ganhou fama e popularidade ao decretar "o fim dos tempos", em suas teorias sobre o poder da mídia na sociedade pós-moderna, merece ser lido.

E na obra “Simulacro e simulações” ele afirma que a realidade deixou de existir, passamos a viver a representação da realidade, difundida, na sociedade pós-moderna, pela mídia. Baudrillard defende a teoria de que vivemos em uma era cujos símbolos têm mais peso e mais força do que a própria realidade. Desse fenômeno surgem os "simulacros", simulações malfeitas do real que, contraditoriamente, são mais atraentes ao espectador do que o próprio objeto reproduzido.

Faço essa introdução para afirmar, mais uma vez, que a AP 470 é processual mente nula e filosoficamente não passa de um simulacro. 

Por quê? 

Porque há uma simulação de um processo penal, uma mal engendrada imitação do processo (algo existente no mundo real), mas no caso estamos diante de simulacro e não de um processo real. O processo busca, mesmo idealmente, dizer o Direito e realizar Justiça e não atender às demandas da mídia ou de seus financiadores.

É possível afirmar tratar-se de um simulacro, porque a condenação dos réus deu-se a priori. O ex-ministro José Dirceu em especial estava condenado antes mesmo da denuncia do Ministério Público, antes da apresentação das defesas, antes recursos e da decisão final (notem que não falo em inocência ou culpa dos réus – esse é outro debate - mas em condenação a priori).

Assim ocorreu porque o STF pressionado por setores da mídia “teve de dar um jeito” de condenar os réus, com ou sem provas, caso contrário seria achincalhado por parcela significativa da imprensa.  

Eu não estou sozinho nessa opinião. A Professora da USP Ada Pellegrinni, dentre muitos outros juristas, afirmou que a mídia sempre pré-julga. E no caso do mensalão pré-julgou, pois a pessoa que corresponde às expectativas da mídia passa a ser o herói nacional e quem não corresponde passa a ser o vilão.  Esse é um problema muito sério, que se vê, sobretudo, em casos criminais. O mensalão é um caso criminal, e a pressão da mídia - que forma a opinião pública – nunca foi no sentido de “apurar os fatos”, mas sempre de “condenar os corruptos”, eis ai o condenação a priori. 

Esse seria um exemplo contemporâneo a confirmar a teoria de Jean Baudrillard? 

Penso que sim, pois a sua teoria afirma que vivemos em uma era onde símbolos têm mais peso e mais força do que a própria realidade, o que se confirma na AP 470 na medida em que o Relator teve de importar uma teoria e aplicá-la (e o fez de forma de forma equivocada segundo Claus Roxin) para condenar um dos réus, tudo para atender o que passou a ser importante, que seriam os símbolos e não a realidade.

O fato é que a AP 470 simulacro, pois apresentou ao país uma verdade inexistente e o simulacro nunca é aquilo que esconde a verdade, é a verdade que ele esconde que não existe. 

Temos apenas que refletir sobre a verdade que a AP 470 esconde... Verdade e realidades inexistentes.

*Pedro Benedito Maciel Neto, 49, advogado, sócio da MACIEL NETO ADVOCACIA, professor e autor de “Reflexões sobre o estudo do direito”, Ed. Komedi, 2007
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Chiapas: injustiça, pobreza, luta e dignidade

04.01.2014
Do portal da Revista Carta Maior, 02.01.14
Por Eduardo Febbro  

O ano velho se vai em meio a névoa. A garoa e o frio cobrem o local onde o Exército Zapatista de Libertação Nacional celebrou os 20 anos do levante.
Arquivo
Oventic, Chiapas - A voz dos símbolos se cala quando aparece a neblina. Espessa e crescente a medida que a estrada de montanha sobe em direção à comunidade de Oventic, uma das cinco juntas de bom governo administradas pelos zapatistas.

Estas são terras rebeldes e muito pobres. Aqui, as palavras cheias de símbolos e poesia do subcomandante Marcos não têm lugar. Essa é a realidade. Respira-se a dupla força da humildade e da dignidade. Hoje há festa. O ano velho se vai em meio a névoa, a garoa e o frio cobrem o local onde o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) organizou a celebração dos 20 anos do levante zapatista (1994-2014).

O ano novo pede passagem entre lembranças, músicas de protesto, chamados à rebeldia e a escandalosa situação na qual ainda vivem os indígenas da região. Combate e pobreza. “Los de abajo vamos por los de arriba”, canta uma rapper vinda dos Estados Unidos. Um grupo musical do EZLN com o gorro cobrindo o rosto entoa canções zapatistas. Não há tempo nem espaço para a nostalgia. As pessoas abrem passagem entre o barro e a neblina. Há muito por fazer, por construir e resistir.

O EZLN acusa as autoridades de manter uma política de guerra, uma pressão permanente de desgaste cuja meta consiste em marginalizá-lo na pobreza e tirar as terras que eles recuperaram em 1994. A experiência zapatista tem várias leituras. Muitas podem ser certas individualmente, mas nenhuma abarca a complexidade de um movimento indígena armado que conseguiu instalar na paisagem política um sistema de autogoverno que engloba cerca de mil povos agrupados nos municípios autônomos. Estas zonas são administradas com sistemas próprios de saúde, educação, cultivos agrícolas autossuficientes, segurança, distribuição de café, artesanatos ou mel.

Uma boa parte das famílias choles, tzeltales, tojolabales ou tzotziles não recebe o amparo dos programas sociais governamentais porque não respondem inteiramente às regras estabelecidas pelas autoridades, entre elas, por exemplo, o pagamento de impostos pelas terras. Certa imprensa urbana e ocidental faz um balança injusto da revolução zapatista. Apontam o EZLN como um mau gestor de suas comunidades, que implementou uma revolta que, duas décadas depois, é estéril. É um olhar muito estreito desse vasto conflito. Chiapas é um modelo em pequena escala da arrasadora injustiça no mundo.

É preciso viver ou vir a estas terras para beber o frio e estreitar a hostilidade do clima, a dificuldade para renovar os cultivos, o olhar sempre profundo e digno das comunidades maias. “Estamos aprendendo a nos governar de acordo com nossas formas de pensar e viver. Estamos tratando de avançar, de melhorar e nos fortalecer, homens, mulheres, jovens, crianças e anciãos. Como há 20 anos, dizemos já basta”. A Comandante Hortensia leu com voz segura o comunicado do EZLN. Parada no centro do cenário, com o rosto coberto, a comandante reiterou que não haveria recuo no processo de autonomia. 

“Existimos e aqui estamos. Há 20 anos não tínhamos nada, nenhum serviço de saúde e educação de nosso povo. Não existia nenhum nível de autoridade que fosse do povo. Agora temos nossos próprios governos autônomos. Bem ou mal conduzidos, mas é a vontade do povo (...) Estamos tratando de melhorar nossos sistemas de saúde, educação e governo. Está claro para nós que falta muito por fazer, mas sabemos que nossa luta avançará. E aí estão essas zonas de autogoverno, efetivas, dignas, ameaçadas. É uma verdadeira guerra de extermínio. Há dezenas de milhares de soldados que estão ocupando as terras que nos pertencem. Apesar de tantas maldades, aprendemos a sobreviver e resistir de maneira organizada”, diz a comandante.

Chiapas é uma reinvenção em movimento, descendente daquela madrugada de primeiro de janeiro de 1994 quando os zapatistas ocuparam o palácio municipal e o esvaziaram. Na sacada da prefeitura apareceu o comandante Felipe, um tzotzil que leu com o rosto descoberto o primeiro comunicado do EZLN, a famosa Declaração da selva Lacandona. Aquelas palavras tinham uma ênfase nova. Traziam ar puro aos já surrados discursos revolucionários. Os zapatistas exigiam algo distinto: “tudo para todos, nada para nós”. Não falavam em nome  de Marx, ou do indigenismo puro, Foram, a sua maneira incrivelmente adiantada, os primeiros indignados da história moderna. Por isso, suas palavras nos envolveram a todos com seu porta-voz como estandarte, o Subcomandante Marcos, o único mestiço daqueles tempos que se somou aos indígenas.

A passagem de 31 de dezembro a 1º de janeiro pegou de surpresa ao presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari. O mandatário estava festejando a aplicação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte. O ministro da Defesa o avisou que um grupo armado acabava de tomar San Cristóbal de las Casas e outras localidades de Chiapas. Salinas mandou o exército. Os combates duraram cerca de duas semanas. Após centenas de mortos, Carlos Salinas de Gortari, pressionado por seu sócio norte-americano Bill Clinton, decretou um cessar-fogo com uma oferta de perdão. O Subcomandante Marcos respondeu com uma memorável declaração:

Do que temos que pedir perdão? Do que vão nos perdoar? De não morrermos de fome? De não ficarmos calados em nossa miséria? De não ter aceitado humildemente a gigantesca carga histórica de desprezo e abandono? De termos nos levantado em armas quando encontramos todos os outros caminhos fechados? De não termos nos atido ao Código Penal de Chiapas, o mais absurdo e repressivo do qual se tem notícia? De termos demonstrado ao resto do país e ao mundo inteiro que a dignidade humana ainda vive e está em seus habitantes mais empobrecidos? De termos nos preparado bem e de modo consciente antes de iniciar? De termos levados fuzis ao combate, ao invés de arcos e flechas? De termos aprendido a lutar antes de fazê-lo? De sermos todos mexicanos? De sermos majoritariamente indígenas? De chamar todo o povo mexicano a lutar de todas as formas possíveis pelos que nos pertence? De lutar por liberdade, democracia e justiça? De não seguir os padrões das guerrilhas anteriores? De não nos rendermos? De não nos vendermos? De não trairmos?

Um rincão do país esquecido por todos estragou a festa do tratado ultraliberal, e um novo ator, os povos indígenas do país, se convidou para as cerimônias, somando-se aos reclames de justiça, igualdade e reconhecimento que sempre estiveram ausentes. Fizeram isso com as armas e a palavra. A mensagem zapatista correu o mundo. Tudo isso se respira na neblina úmida de Oventic, longe, muito longe da análise dos intelectuais urbanos que não chegam a estas alturas nem envoltos em cobertores, muito longe dos editoriais falsos, da covardia disfarçada de valentia ideológica, das agressões neoliberais dos porta-vozes sectários que residem em bairros confortáveis, das estatísticas e das cifras que cercam a suspeita de um fracasso.

A resistência sempre é custosa. O EZLN e os indígenas pagam o tributo da autonomia que tentam implementar. Há erros e eles existirão sempre. A Comandante Hortensia lembrou que “nós temos que trabalhar e nos organizar mais. Já não se trata só de resistir, mas sim de organizar a resistência em todos os níveis. Pensam que com sua estratégia vão nos calar, mas se enganam. Aqui estamos e aqui seguiremos”. E aqui estamos nesta meia-noite humilde e grandiosa. Fria e cativante. O ano novo desveste o anterior. Virão novas neblinas. Mas esta voz autêntica, estes rostos e estas mãos marcadas pela dignidade e pelo trabalho, já são mais um tecido do patrimônio da rebeldia política da humanidade.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


Créditos da foto: Arquivo
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Calçadas podem ser adotadas no Recife

04.01.2014
Do blog MOBILIDADE URBANA, 03.01.14
Por Tânia Passos*
Blog Mobilidade Urbana
Calçada adotada no Recife - Foto: Blenda Souto Maior DP/D.A.Press
Calçada adotada no Recife – Foto: Blenda Souto Maior DP/D.A.Press
No Recife, 120 praças são adotadas pela iniciativa privada. Agora, imagine se essa prática de conservação de espaços coletivos se estendesse às calçadas? A ideia, sem dúvida, teria apoio da população. E o modelo não está tão distante de ser incorporado. A Faculdade Maurício de Nassau pediu licença à Prefeitura do Recife para adotar calçadas em áreas próximas ao entorno da instituição na Rua Joaquim Nabuco, no Derby, por exemplo. Uma delas fica em frente à faculdade, onde há uma parada de ônibus. A Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife não só autorizou como se mostra disponível para iniciativas desse tipo. A única condição é que se tenha um padrão construtivo. O município pretende lançar no primeiro trimestre deste ano uma cartilha com orientações sobre construção e manutenção dos passeios na cidade.
Em 2005, a Prefeitura de São Paulo chegou a baixar um decreto incentivando a adoção de calçadas em troca de anúncios publicitário, nos mesmos moldes do que é feito nas praças, mas não conseguiu atrair a iniciativa privada. Um dos grandes nichos para as empresas está em perceber o novo olhar para os deslocamentos no dia a dia da cidade e o pedestre começa a ser visto como prioridade. A adoção de calçadas é uma forma de agregar valor à marca. E quem mais entende desse assunto é o próprio pedestre.
“Acho que é maravilhosa essa iniciativa e espero que possa chegar a outros lugares na cidade”, revelou a dona de casa. Leda Alves, 50 anos. “Esse projeto poderá se expandir quando a Câmara incluir na lei de adoção de praças a possibilidade de incluir calçadas pela iniciativa privada”, revelou Sérgio Murilo, coordenador do Instituto Ser Educacional da Faculdade Maurício de Nassau.
O incentivo à adoção de calçadas não exclui a responsabilidade do município. “A adoção é uma proposta boa, mas ela pode ser usada também para a manutenção. O município pode, por exemplo, reconstruir uma calçada e uma empresa ficar responsável pela manutenção. Há muitas formas de se pensar na melhoria dos passeios”, enfatizou o secretário de Mobilidade, João Braga. “Cada governo deve cuidar de uma parte e em um prazo de 10 a 15 anos, quem sabe teremos uma cidade melhor para caminhar”, afirmou.
Fonte: Diario de Pernambuco (Tânia Passos)*
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FHC deixa mafioso Tuma Jr. pendurado na broxa

04.01.2014
Do blog ESQUERDOPATA

Mafioso e assessor 

FHC enterrou Tuminha

Ex-presidente merece elogio por recusar-se a fazer parte de uma farsa


 Por duas vezes, no programa Manhattan Conection, Diogo Mainardi sugeriu a  Fernando Henrique Cardoso que fizesse comentários sobre a denúncia do delegado Romeu Tuma Jr de que Luiz Inácio Lula da Silva foi “alcaguete” do ditadura.

 Nas duas vezes, FHC desmentiu Diogo e Tuminha. Deixou claro que a história é falsa.

 É um testemunho importante, considerando quem é e quem foi. Lula fez campanha para Fernando Henrique em 1978. Os dois percorreram portas de fábrica e falaram em comícios. Mais tarde, estiveram juntos numa articulação pela criação de um partido político de esquerda, mas o projeto não deu certo.

Os dois tomaram caminhos separados a partir de então e hoje são os adversários que polarizam a política brasileira.

 Já fiz criticas duras ao comportamento de  Fernando Henrique diante de fatos políticos recentes, como a ação penal 470. Considerando o que ele sabe, viu e fez durante sua carreira política, eu acho que ele não poderia unir-se ao coro dos ingênuos e dos espertalhões que esperam derrotar o governo Lula na Justiça – já que não conseguem fazer isso pelo voto. Não vamos criminalizar ninguém.

Mas diante até de confissões gravadas de parlamentares que venderam seus votos na emenda que permitiu sua reeleição FHC não precisava  bater palmas para o STF e dizer que o país precisa seguir em frente, não é mesmo?

 O debate aqui é outro, porém.

 A divulgação orquestrada do livro de Tuma Jr não obedece a nenhum interesse legítimo. É apenas mais uma operação destinada a atacar o ex-presidente, sem fatos concretos nem um fiapo de prova. Quem dá curso a esse tipo de ação deveria sentir vergonha, até porque não entendeu o país em que vive.

Pressionado a fazer parte de uma mentira, Fernando Henrique recusou-se a agir  abaixo de sua dignidade.
 Respeitou a memória do país e sua própria história.

 Os brasileiros só tem a ganhar quando um ex-presidente lembra que a única forma decente de participar da  luta política, tão natural numa democracia, consiste em respeitar a verdade dos fatos.
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MEC divulga resultado do Enem 2013

04.01.2014
Do portal da Revista CartaCapital
Por Agência Brasil

No ano passado, cerca de 5 milhões fizeram o exame que seleciona estudantes para universidades e cursos técnicos 

Os candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013 já podem consultar o resultado do exame. O Ministério da Educação (MEC) divulgou no fim da noite de sexta-feira 3 as notas na internet. Para consultar o resultado, o estudante deve usar a senha do Enem e o número de inscrição ou o CPF. Quem perdeu a senha pode recuperá-la no próprio site. No ano passado, cerca de 5 milhões de estudantes fizeram o Enem.
A correção  do exame é feita usando a metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI), em que o valor de cada questão varia conforme o percentual de acertos e erros dos estudantes naquele item. Assim, um item em que grande número dos candidatos acertaram será considerado fácil e, por essa razão, valerá menos pontos. Já o estudante que acertar uma questão com alto índice de erros ganhará mais pontos por aquele item. Dessa forma, não é possível calcular a nota final apenas contabilizando o número de erros e acertos em cada uma das provas.
Para ajudar a entender o cálculo da nota, o Inep disponibilizou uma ferramenta no site, pela qual é possível verificar, de acordo com a pontuação, as competências dominadas e as que se têm dificuldade.
Os candidatos ainda não têm acesso ao espelho da redação, onde serão disponibilizadas as notas individuais em cada uma das cinco competências exigidas no texto. O Inep ainda não tem previsão de data para a divulgação do espelho da redação. No ano passado, ele foi divulgado um mês após a nota da prova. A divulgação é apenas para fins pedagógicos. Nem a nota divulgada nesta sexta-feira, nem a correção da redação cabem recurso.
A nota do Enem pode ser usada para a participação em programas como o Sistema de Seleção de Unificada (Sisu) que seleciona estudantes para vagas no ensino superior público; o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas em instituições privadas; e o Sistema de Seleção Unificada do Ensino Técnico e Profissional (Sisutec), que seleciona estudantes para vagas gratuitas em cursos técnicos. Além disso é pré-requisito para firmar contratos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e para a obtenção de bolsas de intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras.
As vagas são ofertadas por meio de editais. O primeiro, do Sisu, já teve o cronograma divulgado. Na segunda-feira 6, serão abertas as inscrições, que vão até as 23 horas e 59 minutos do dia 10 de janeiro, no horário de Brasília. O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 13 de janeiro e o da segunda, no dia 27. No site do programa estão disponíveis as vagas ofertadas.
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Tucanos podem ter roubado até 213 milhões da CPTM

04.01.2014
Do blog ESQUERDOPATA, 02.01.14

Lobista tucano era da copa e da cozinha da CPTM

247 - Uma reportagem dos jornalistas Flavio Ferreira e Mario Cesar Carvalho publicada nesta quinta-feira (leia aqui), na Folha de S. Paulo, revela que o lobista Arthur Teixeira, acusado de pagar propinas a personagens ligados ao PSDB e alvo de um bloqueio financeiro de quase R$ 20 milhões na Suíça, era um personagem da copa e da cozinha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, responsável por contratos bilionários no setor ferroviário.

Teixeira teria frequentado reuniões técnicas e acompanhado o desenrolar dos contratos dentro da sede da CPTM, segundo acusação feita pelo diretor José Luiz Lavorente, da área de operações e manutenção, à corregedoria.

Todo-poderoso, Teixeira representa vários "concorrentes", como a francesa Alstom, a espanhola CAF e a canadense Bombardier. "Arthur Teixeira chegava a representar as empresas na fase de execução do contrato", disse Lavorente. Essas empresas fecharam contratos de R$ 744 milhões, assinados em 2000 e 2001.

No entanto, uma denúncia da Siemens, no mesmo processo que analisa o cartel dos trens em São Paulo, afirma que o valor seria 30% menor, se não houvesse o conluio coordenado por Arthur Teixeira. Ou seja: São Paulo teria economizado R$ 213 milhões.

Em novembro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 56,45 milhões em bens de suspeitos de atuar no cartel dos trens em São Paulo. O mais atingido foi justamente Arthur Teixeira, que sofreu bloqueio de R$ 19,48 milhões. 

Em 2014, na disputa ao governo de São Paulo, o cartel dos trens, que custou caro ao contribuinte paulista, será o principal calcanhar de Aquiles do governador Geraldo Alckmin na luta pela reeleição.
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O papel da máfia no assassinato de John F. Kennedy

04.01.2014
Do portal  da Revista Carta Maior, 22.11.13
Por Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira 

A ninguém, nem à família, interessava revelar as ligações de Kennedy com a Máfia, os complôs para assassinar Fidel Castro e comprometer a CIA.
Arquivo
[Nota do autor: Maiores detalhes sobre esses episódios podem ser encontrados, com as respectivas fontes, nos meus livros "Formação do Império Americano" e  "De Marti a Fidel - A revolução cubana e a  América Latina", ambos da Civilização Brasileira]

“Es una mala noticia” - exclamou Fidel Castro, ao saber do assassinato do presidente John Kennedy, no dia 23 de novembro de 1963. No momento, ele estava almoçando, em Varadero, com o jornalista francês Jean Daniel, editor internacional de L’Express, que passara antes por Washington e a quem Kenndey solicitara que o sondasse sobre a possibilidade de normalizar as relações entre Cuba e Estados Unidos, caso ele adotasse uma linha de não-alinhamento, como a da Iugoslávia [1]. Ele, outrossim, havia instruído o embaixador William Attwood, adjunto de Adlai  Stevenson na ONU, no sentido de explorar a possibilidade de acomodar a situação com Fidel Castro, mediante a cessação de suas atividades subversivas na América Latina e a completa neutralização de Cuba, com a retirada dos militares da União Soviética, que lá ainda ficaram [2].

O presidente John Kennedy, aparentemente, havia desistido de invadir a ilha, dado o alto custo político  e de vidas humanas, bem como por causa do acordo com a União Soviética, para a retirada dos mísseis (outubro/novembro de de 1962) que lá estava a instalar. E daí que passou a jogar outras cartas para resolver o problema com Cuba, antes da eleição presidencial a ocorrer em 1964.

Não obstante, ao mesmo tempo em que Kennedy experimentava abrir um caminho para a negociação, em 22 de novembro de 1963, o agente Desmond FitzGerald (1910 -1967), substituto de William Harvey como chefe da Cuban Task Force W, da CIA, apresentou em Paris, como representante pessoal de Robert Kennedy, ao major Rolando Cubela Secades, antigo dirigente do Directorio Revolucionario, representante de Cuba na UNESCO e recrutado pela CIA desde 1961, a fim de tramar o golpe de Estado, em Havana, e entregou-lhe uma caneta com um dardo envenenado, para que disparasse contra Fidel Castro, operação  esta conhecida pelo criptônimo de AM/LASH. Se Fidel Castro fosse eliminado até novembro de 1964 e se instalasse em Cuba um governo aceitável para os Estados Unidos, Kennedy poderia apresentar-se ao eleitorado americano como o presidente que impediu o avanço do comunismo no hemisfério.

Conforme alguns dos seus colaboradores, talvez a CIA não houvesse informado ao presidente Kennedy sobre o projeto AM/LASH, embora ele não tivesse preconceito contra assassinatos políticos. Quando a CIA, 1961, articulava o golpe contra Leónidas Trujillo, na República Dominicana, Kennedy declarou que os Estados Unidos, “as a matter of general policy, could not condone assassination” e também autorizou o golpe de Estado contra o presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, assassinado em 2 de novembro de 1963, em negociações secretas com o Vietnã do Norte. Entretanto, em 23 de novembro, no dia seguinte à entrega da caneta com dardo envenenado a Rolando Cubelas por Desmond Fitzgerald, foi Kennedy que tombou assassinado, em Dallas, por Lee Harvey Oswald. O projeto AM/LASH fracassou como dezenas de outras tentativas de matar Fidel Castro.

O assassinato do presidente John F. Kennedy constituiu um ato de terrorismo individual, cujas causas a razão de Estado (Raison d´État) obstaculizou a investigação realizada pela President's Commission on the Assassination of President Kennedy, conhecida como Warren Commission, nome do chefe da Justiça dos Estados Unidos, Earl Warren. Sua conclusão foi que Lee H. Oswald atuara, isoladamente, assim, como Jack Leon Ruby, quando o matou na estação de polícia [3]. 

Houve um "covert-up", acobertamento, usual nos Estados Unidos. Embora a viúva, Jacqueline Kennedy, estivesse convencida de que seu marido fora morto não pelos comunistas, como J. Edgar Hoover e outros queriam crer, mas como resultado de uma conspiração doméstica, a ninguém, nem à família, interessava revelar as ligações de Kennedy com a Máfia, os complôs para assassinar Fidel Castro, comprometer a CIA. O presidente Lyndon B. Johnson temia que um inquérito mais profundo indicasse algum envolvimento da União Soviética e de Cuba na morte de Kennedy e tornasse inevitável uma guerra nuclear [4], ou, quiçá, por algum motivo pessoal.

No entanto, após exaustiva investigação, o Select Committee on Assassinations of the U.S. House of Representatives (HSCA), estabelecido, em 1976, constatou que foram dois os atiradores que dispararam contra o presidente Kennedy, que o terceiro tiro partiu de Lee Oswald e que, com bases nas evidências disponíveis, se podia assentar "that President John F. Kennedy was probably assassinated as a result of a conspiracy" [5]. 

O professor G. Robert Blakey, chefe do Conselho e diretor da equipe da House Select Committee on Assassinations, e Richard N. Billings, diretor editorial da House of Commmitte e antigo diretor da revista Life, assinalaram que Lee Oswald tinha estabelecido significativas conexões com ativistas anti-Castro e o crime organizado, e afirmaram que “we concluded from our investigation that organized crime had a hand in the assassination of Presidente Kennedy” [6].

De fato, todas as evidências apontaram para a existência de um complô, com a participação da CIA e da Máfia e de cubanos asilados [7]. Segundo o gangster Sam Giancana, Lee Harvey Oswald trabalhava para a CIA, participara de uma série de sessões de intensivo treinamento em inteligência, quando servira como marine, servira como espião na União Soviética, onde se casara, em Minsk, com Marina Prusakova, e tinha ligações com a Máfia desde a juventude [8]. Quando voltara aos Estados Unidos, em 1962, proclamava-se abertamente a favor de Fidel Castro e não só distribuíra material de propaganda do Fair Play for Cuba Committee [9] como tentara obter, no México, visto para Cuba, que lhe foi várias vezes negado [10].

Ele estava preparado para representar o papel do terrorista no complô contra Kennedy [11] . Tinha características similares às de  Marinus van der Lubbe, o autor do incêndio do Reichstag, na Alemanha (1933) [12] e que fora fichado como comunista, de acordo com o plano dos dois próceres do nazismo, Joseph Goebbels e Hermann Goering, a fim de possibilitar que Adolf Hitler obtivesse poderes extraordinários e implantasse a ditadura, legalmente, sem revogar uma linha sequer da Constituição de Weimar.

A CIA, logo após o assassinato, havia elaborado um Memorandum com as informações de que Lee H. Oswald estivera no México, entre 23 de setembro 2 de outubro, e visitara o vice-cônsul Kostikov [13], conhecido agente do KGB, especialista em sabotagem, e previu que ele seria assassinado, a fim de que nada pudesse revelar às autoridades americanas, se estivesse realmente envolvido em uma conspiração estrangeira. E cumpriu-se a previsão.

Dois dias depois, 24 de novembro, Lee H. Oswald foi executado por Jack Ruby, proprietário de cassino em Dallas e, vinculado ao crime organizado de Chicago [14]. Ele prestara serviços à Máfia, contrabandeando dinheiro de Cuba, nos anos 1950, quando o sargento Fulgencio Batista era o ditador. Sua eliminação, dentro da própria estação de polícia, sob o olhar impassível dos detetives, que o agarravam para impedir qualquer reação, teve como objetivo impedir que ele revelasse a extensão do complô. Tornava-se necessário apagá-lo [15]. 

Sam Giancana revelou ao irmão Chuck, que escreveu suas memórias, haver escolhido Jack Ruby para executar essa tarefa, porquanto ele havia trabalhado com a CIA, na invasão da Baía dos Porcos, e sempre tivera entendimento com os policiais de Dallas [16].  Cada homem envolvido no complô para matar Kennedy recebeu US$ 50.000,00, revelou Sam Giancana, confessando que ele, pessoalmente, ganhara milhões em petróleo, “from the wealth right-wing Texas oilmen” [17]. 

O complô, no entanto, não se restringiu aos membros da Máfia, Jimmy Hoffa, Sam Giancana, Johnny Rosselli, articulados com Frank Fiorini Sturgis, que também trabalhara com a CIA na invasão da Baía dos Porcos e recrutara Marita Lorenz para envenenar Fidel Castro [18].  Giancana afirmou que o complô envolveu “right up to the top of the CIA” e "meia dúzia de texanos de direita fanáticos, o vice-presidente Lyndon Johnson" e Richard Nixon, que havia encorajado os preparativos para a invasão da Baía dos Porcos, sob o governo do presidente Dwight Eisenhower [19].

O general Alexander Haig, secretário de Estado no governo de Ronald Reagan, declarou que o presidente Lyndon Johnson, de quem fora assessor, acreditou até morrer que o “obsessivo desejo” de matar Fidel Castro [20], alimentado por Bob Kennedy, estava por trás do assassinato e  ressaltou que a existência do grupo secreto, que o tramava, não fora revelado à Comissão Warren nem à opinião pública, e o operação de cobertura visou a proteger a reputação do Presidente [21].

O jornalista Seymour M. Hersh escreveu que o custo de uma completa investigação seria muito alto, porquanto revelaria a verdade a respeito do presidente Kennedy e de sua família [22] , os vínculos com Sam Giancana e Johnny Rossely, que se consideravam traídos por causa do processo contra eles movido por Bob Kennedy, como procurador-geral. Robert Kennedy talvez por isso se evadiu de prestar depoimento perante a Warren Comission [23]. O custo seria, realmente, muito alto.

A investigação revelaria que Sam Giancana, que lhe fora apresentado por sua amante (de ambos) Judith Campbell Exner, ajudara-o durante a campanha presidencial nas eleições primárias em West Virgínia e Chicago, juntamente com outros gangsters, tais como Joseph Frischetti e Meyer Lansky, e entendimento com a Máfia foi intermediado por Frank Sinatra e conduzido por seu pai, Joseph Kannedy.

Os que tramaram o assassinato do presidente Kennedy, provavelmente, tiveram o propósito de compelir os Estados Unidos a invadir Cuba, sonho acalentado pela Máfia, pelos Cuba Project plotters da CIA e do Pentágono [24], assim como pelos mobsters Sam Giancana, Johnny Rosseli, Joseph Frischetti, Meyer Lansky, Santo Trafficante e outros capi da Máfia, ansiosos para reabir os cassinos em Havana.

Estavam todos inconformados com o esforço de Kennedy para conseguir uma acomodação com Fidel Castro. Frustraram-se, porém. Lyndon B. Johnson (1963-1968), ao assumir a presidência, não deu maior atenção ao conflito com Cuba, como o fizeram os irmãos Kennedy, que se deixaram dominar pelo compulsivo anseio de revanche, após a humilhante derrota da Brigada 2506 em Playa Girón. Em 7 de abril de 1964, ordenou à CIA que cessasse as operações de sabotagem e não mais participasse dos raids contra Cuba, assim como cancelou um plano elaborado durante a administração de Kennedy para uma segunda invasão, que deveria ocorrer entre março e  junho de 1964 [25].

Entre 1975 e 1976, quando Senate Select Committee to Study Governmental Operations with Respect to Intelligence Activities (Church Committee), tratou de esquadrinhar as ações da CIA, FBI etc., seu presidente, o notável senador Frank Church, do Partido Democrata, ampliou seu raio  de investigação até o assassinato de Kennedy e intimou vários gangsters a prestar depoimento. Nenhum, porém, pôde comparecer perante o Church Committee. Foram misteriosamente assassinados, a fim de que não rompessem ou traíssem o código de silêncio, a omertà.

San Giancana, que mantinha relações pessoais com Kennedy e colaborava com a CIA para matar Fidel Castro, morreu com um tiro na nuca e seis em torno da boca, em 19 de junho de 1975 [26]. “Undoubtedly, Giancana was murdered to prevent him from talking about CIA-Castro plot or any other Mafia secret”  - afirmou o advogado do gangster (mob lawyer) Frank Ragano em suas memórias [27]. Cerca de dez dias depois, em 30 de julho de 1975, o líder sindical James (Jimmy) R. Hoffa, vice-presidente da Teamsters Union, que fizera doações para a campanha de Nixon, desapareceu, misteriosamente, quando viajava para encontrar-se, em Detroit, com o gangster Anthony Giacalone [28]. Ele também estava convocado pelo Church Committee, dado ter ligação com os gangsters Santo Trafficante, proprietário de extensa rede de jogo em Cuba, fechada por Fidel Castro, e Carlos Marcello, cujo nome aparecera vinculado ao assassinato de Kennedy. Sam Giancana, conforme seu irmão Chuck, revelou que articulara, antes dele próprio ser assassinado, a execução de Hoffa, por solicitação da CIA, tarefa empreendida por cinco soldados: dois de Chicago, um de Boston, um de Detroit e um de Cincinnati [29].

Muitos anos depois, em 14 de janeiro de 1992, o New York Post afirmou que Hoffa, Santo Trafficante e Carlos Marcello participaram do complô para matar Kennedy. O advogado Frank Ragano, em suas memórias, confirmou que, em começo de 1963, Hoffa lhe incumbira de levar a Trafficante e Marcello mensagem relativa a um plano para assassinar Kennedy: “The times has come for your friend and Carlos to get rid of him, kill that son-of-a-bitch John Kennedy” – disse-lhe Hoffa [30].

Quando o encontro se realizou no Royal Orleans Hotel, Ragano falou: “Vocês não acreditarão no que Hoffa quis que eu lhes dissesse. Jimmy quer que vocês matem o Presidente”. Ambos - Trafficante e Marcello – deram-lhe a impressão de que pretendiam efetivamente executar a ordem.

Em sua autobiografia, publicada em 1994, Ragano contou ainda que, em julho de 1963, Hoffa lhe mandara outra vez a New Orleans, com outra mensagem sobre o assassinato de Kennedy. Conforme contou, Carlos Marcello, Santo Trafficante e Jimmy Hoffa tiveram de fato importante participação na morte de Kennedy [31].

Santo Trafficante odiava Kennedy e dizia haver ele traído os cubanos anti-Castro, não dando apoio aéreo à invasão da Bahia dos Porcos, em 1961 [32]. Hoffa, por outros motivos, destestava também os Kennedy [33]. E todos esperavam que Lyndon Johnson, ao assumir a presidência, demitisse Bob Kennedy da procuradoria-geral [34] e cessasse a investigação por ele promovida contra o crime organizado.

Os Kennedy haviam violado o compromisso assumido pelo pai, Joseph Kennedy, quando buscou seu apoio financeiro e político para a campanha do filho, John, em 1960 [35]. Com efeito, alguns poderosos chefões da Máfia e Frank Sinatra, a eles vinculado, apoiaram financeiramente a campanha de Kennedy, o que foi constatado por um agente do FBI, em New Orleans, em março de 1960 [36]. Sam Giancana e os mobsters do nordeste dos Estados Unidos, sobretudo de Chicago, julgavam que haviam colocado John Kennedy na Casa Branca e tinham direito a um "quid pro quo" [37]. Todos, os cubanos anti-Castro e os mobsters, julgavam-se também traídos [38].  Seu assassinato configurou, portanto, uma vendetta.


NOTAS  




[1] Schlesinger Jr., 1965, pp. 998-1000. U.S. Senate - Alleged Assassination Plots Involving Foreign Leaders, pp. 173 e 176. 

[2] Memorandum by William Attwood, Washington, September 18, 1963;  Memorandum for the Record. Subject: Minutes of the Special Meeting of the Special Group, 5 November 1963. Washington, November 5, 1963; Memorandum from William Attwood to Gordon Chase of the National Security Council Staff, New York, November 8, 1963. Ibid. pp. 868 a 870, 878 e 879 .

[3] Report of the President's Commission on the Assassination of President Kennedy - United States Government Printing Office - Washington, D.C. U.S. Government Printing Office, Washington : 1964 

[4] Trento, 2001, pp. 265-270.

[5] Report of the Select Committee on Assassinations of the U.S. House of Representatives - Union Calendar No. 962 - 95th Congress, 2d Session - House Report No. 95-1828, Part 2 - Findings and Recommendations March 29, 1979.--Committed to the Committee of the Whole House on the State of the Union and ordered to be printed - U.S. Government Printing Office, Washington: 1979.
http://www.archives.gov/research/jfk/select-committee-report/

[6] Blakey & Billings, 1981, pp.  177-180. 

[7] Ibid.,  pp. 173, 174 e 176. Schlesinger Jr., 1965, p. 1029.

[8] Giancana & Giancana, 1992, pp. 330-333.

[9] Movimento em favor de Cuba existente no Estados Unidos, sustentado em grande parte pelos militantes do Socialist Works Party (trotskista) e também pelo Partido Comunista, com apoio financeiro, ao que tudo indicava, do Governo de Havana.

[10] Hinckle & Turner, 1992, p. 241. .Dobrynin, 1995, pp. 112.

[11] Sam Giancana explicou que Oswald nunca foi simpatizante de Castro, porém “CIA all the way”, um fuzileiros naval treinado para falar russo e infiltrar-se na União Soviética. Hinckle & Turner, 1992, pp. 271 e 272.

[12] Em 1933, agentes da Gestapo induziram Marinus van der Lubbe, doente mental e fichado como comunista a empreender o incêndio do Reichstag (Parlamento alemão), conforme a idéia de dois próceres do nazismo, Joseph Goebbels e Hermann Goering. Esse que permitiu a Adolf Hitler obter poderes extraordinários e implantar a ditadura, legalmente, sem revogar uma linha sequer da Constituição de Weimar.

[13] U.S. Senate - The Investigation of the Assassination of President John F. Kennedy: Performance of the Intelligence Agencies, Book V, Final Report of the Select Committee to Study Governmental Operations with Respect to Intelligence Activities, April 23, 1976, pp. 91 e 92.

[14] Hersh., 1997, pp. 450 e 451.  Hinckle & Turner, 1992, p. 246.

[15] Vide Bakley & Billings, 1981, p. 279.

[16] Giancana & Giancana, 1992, pp. 330-333.

[17] Id., ibid., p. p. 332.

[18] Frank Fiorini Sturgis foi um dos cinco que arrombaram o Comitê Nacional do Partido Democrata, no complexo hoteleiro de Watergate, em 1962.

[19] Giancana & Giancana, 1991, p. 333.

[20] Johnson, após o assassinato de Kennedy, comentou: “Kennedy tried to get Castro, but Castro got Kennedy first”. Haig, 1992, 114.

[21] Id., ibid., p. 115.

[22] Hersh, 1997 , p. 456.

[23] A Warren Commission on the Assassination of President Kennedy foi criada por uma order executive do presidente Johnson. Seus trabalhos foram presididos Earl Warren, chefe da Justiça da Suprema Corte. Sua conclusão de que o assassinato de Kennedy resultou de um ato individual de Lee H. Oswald não convenceu e as controvérsias sempre existiram.

[24] Hinckle & Turner, 1992, p. 239.

[25] Essa decisão Johnson tomou, não porque respeitasse a soberania de Cuba, e sim porque Robert Kennedy, a quem odiava, era o mentor do projeto.

[26] Giancana & Giancana, 1992, pp. 353-354.

[27] Ragano & Raab,  1994, p. 325.

[28] Em 1983, Hoffa foi declarado legalmente morto. 

[29]Giancana & Giancana, 1992, p. 354.

[30] Ragano & Raab, 1994, pp. 144-145

[31] Id., ibid., pp. 348-349.

[32] Id., ibid., p. 154.

[33] Dallek, 2003, p. 299.

[34] Ragano & Raab, 1994, p. 359.

[35] Id., ibid., p. 358.

[36] Dallek, 2003, p. 298.

[37] Ragano & Raab, 1994, pp. 357-359.

[38] Id., ibid., p. 357.




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