quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MANIPULAÇÃO DO PODER ECONÔMICO: Especuladores recompensam quem os defenda no meio acadêmico

01.01.2014
Do portal  da Agência Carta Maior, 30.12.13
Por Esquerda.Net

Uma reportagem do New York Times revela o financiamento de Wall Street a professores universitários que nos últimos anos assumiram sua defesa.

Oxfam NZ/Flickr (Esquerda.Net)O jornal norte-americano teve acesso às ligações financeiras que unem alguns dos maiores especuladores de Wall Street ao professor de finanças da Universidade de Houston, Craig Pirrong. O professor interveio diversas vezes desde 2006 em cartas às autoridades reguladoras federais e até depôs na Câmara dos Representantes dos EUA, invocando a sua autoridade acadêmica para provar a ausência de responsabilidade dos especuladores nos picos registados nos preços do petróleo e outras matérias-primas e produtos alimentares, numa altura em que a regulação discutia impor mais restrições às operações dos bancos nesta área, na sequência da crise financeira.

Afinal, o professor Pirrong, cujos trabalhos eram citados nas ações judiciais interpostas por institiuções financeiras para bloquear as restrições à especulação financeira, era ao mesmo tempo pago como consultor para uma das principais partes do processo, a Associação Internacional de Swaps e Derivados. Segundo o New York Times, embora Pirrong se apresentasse apenas como professor universitário, nos últimos anos foi pago pela bolsa de Chicago, o Royal Bank of Scotland e uma série de empresas que especulam nos mercados da energia.

Questionado sobre a origem dos seus ganhos fora do meio acadêmico, Pirrong terá respondido apenas que “isso é entre mim e o fisco”. Mas ele não é caso único. O mesmo jornal aponta o professor da Universidade do Illinois Scott Irwin, um dos acadêmicos mais citados em favor dos benefícios da especulação para a formação de preços nos mercados agrícolas, que é ao mesmo tempo consultor de uma das empresas que trabalha com bancos de investimento e fundos especulativos no mercado de matérias-primas. A sua universidade também recebe doações generosas quer da bolsa de Chicago quer de outros fundos que intervêm no mercado especulativo, que pagam bolsas de estudo, conferências e até a construção de um laboratório em tudo semelhante às salas de mercado bolsista.

Quando em 2008 o preço da gasolina subiu acima dos 4 dólares por galão nos EUA, o Congresso norte-americano ameaçou com a introdução de limites à especulação nos mercados do petróleo. “É uma caça às bruxas”, indignou-se Craig Pirrong em múltiplos artigos, incluindo no Wall Street Journal, desdobrando-se em conferências e ocupando lugares em comissões de aconselhamento na matéria.

Por seu lado, os ensaios e opiniões de Scott Irwing foram promovidos para aparecerem em publicações influentes pelo próprio departamento de relações públicas da bolsa de Chicago, sendo frequente encontrar vídeos e entrevistas com este professor no site da Chicago Mercantile Exchange.

Mas o dinheiro dos especuladores não corre apenas diretamente para o bolso destes professores universitários. Para aumentar a sua notoriedade, também financiam revistas e sites na internet que promovem as figuras do meio acadêmico mais favoráveis aos seus interesses. Ambos os envolvidos negam que o seu trabalho seja influenciado pelo dinheiro que recebem dos especuladores, mas o tema ressurge no debate público numa altura em que os reguladores discutem novos limites à especulação, por verificarem que ela pode contribuir não apenas para prejudicar os consumidores, mas também para provocar a escassez de comida, como se viu na crise alimentar do final da última década.


Créditos da foto: Oxfam NZ/Flickr (Esquerda.Net)
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Especuladores-recompensam-quem-os-defenda-no-meio-academico/7/29897

PSDB E PT: Os reféns da casa-grande

01.01.2014
Do portal da Revista CartaCapital, 30.12.13
Por Miguel Martins

Presos a uma agenda moralista, o PT e o PSDB evitam o debate maduro de ideias e consomem-se em acusações mútuas de corrupção, como o escândalo dos trens em São Paulo e o "mensalão"

A história repete-se como farsa. A frase de Karl Marx, bastante desbotada pelo uso, nunca fez tanto sentido no Brasil. Nas últimas semanas, influenciada pelas prisões dos condenados no “mensalão” e pelas trocas de acusações entre petistas e tucanos por conta do escândalo dos trens em São Paulo, a política nacional parece mergulhada em um “mar de lama”. O termo aqui não é gratuito. “Mar de lama” foi uma expressão bastante explorada no auge da até então mais ferrenha disputa pelo poder no País em tempos de eleições livres, protagonizada pelo PTB de Getúlio Vargas e a UDN de Carlos Lacerda. O resultado, ninguém há de duvidar, não poderia ter sido pior: duas décadas de uma ditadura que nos tirou dos trilhos da modernidade.
Em 2014, ano de eleição presidencial, a polarização PT-PSDB completará 20 anos. Embora o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva se apresentem como uma terceira via, nada indica, por ora, mudanças no embate nas urnas. Se assim for, a dicotomia petista-tucana terá perdurado mais do que a velha rinha PTB-UDN do século passado.
Como ontem, o atual duelo escora-se em um pilar que fez, faz e sempre fará mal à democracia, a criminalização da política. Com cada vez menos diferenças ideológicas e, em grande medida, trancafiados em uma armadilha montada pelo poder real, permanente, entre eles a mídia, as duas legendas têm aceitado a pauta. O PSDB, por falta de um programa de governo e uma vã esperança de voltar ao poder por meio do discurso moralista. O PT, pela incapacidade de exorcizar seus fantasmas internos, admitir eventuais erros e enfrentar as forças que procuraram fazer seus escândalos parecerem maiores e mais graves do que realmente são, ainda que merecedores de punições dentro das regras republicanas.
O pugilato moral é ruim para as duas forças. Uma vitória por pontos não acrescenta muito se, no fim das contas, a plateia vaia os contendores no ringue. E é o que tem ocorrido, relata o cientista político Marcos Coimbra à página 49: “Quem lida com pesquisas de opinião, particularmente as qualitativas, vê avolumar-se o contingente de eleitores que mostram odiar alguma coisa ou tudo na política. Não a simples desaprovação ou rejeição, o desgostar de alguém ou de um partido. Mas o ódio”.
A desilusão atinge até mesmo habituados ao jogo político. “Não vejo diferença na proposta político-econômica dos presidenciáveis. Nenhum deles discute mudanças estruturais”, lamenta o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES. “A corrupção está enraizada no País, mas o problema é a inexistência de diferenças significativas entre os partidos. O eleitorado percebe que a sucessão presidencial não vai colocar o Brasil em pauta.”

O novo cavalo de batalha é a investigação do cartel do Metrô e dos trens em São Paulo, delatado pela Siemens. Além da empresa alemã, gigantes do setor de transportes, como a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a espanhola CAF são suspeitas de manipular licitações do governo paulista, sob o comando dos tucanos há 19 anos. São sólidos os indícios de pagamento de propina a agentes públicos, além de uma denúncia anônima sobre supostos repasses para o caixa 2 do PSDB.

Edson Aparecido, secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, e o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), sempre na órbita dos tucanos, são apontados no documento entre os receptores de propina. O texto cita ainda o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e os parlamentares tucanos José Aníbal e Aloysio Nunes como partícipes na trama, devido ao “estreito relacionamento” com o consultor Arthur Teixeira, suposto operador do esquema.
A denúncia é atribuída a Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens. Embora não assuma a autoria, sobretudo após assinar um acordo de delação premiada, fontes ligadas à investigação confirmaram a CartaCapital ser ele o autor do documento apócrifo.
Todos os políticos citados negam qualquer ilegalidade, e acusam o PT de forjar a denúncia na tentativa de incriminá-los. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu ter recebido em maio o documento das mãos do petista Simão Pedro, secretário de Serviços do prefeito Fernando Haddad, e repassado o material à Polícia Federal. “Não há nada sendo investigado a partir de denúncia anônima. Já existia o inquérito”, afirmou o ministro.

A inclusão do documento nos autos do inquérito gerou, porém, uma virulenta reação dos caciques tucanos. Os políticos citados chamaram o ministro de “farsante”, “aloprado” e “irresponsável”. O senador Aécio Neves, presidenciável tucano, assumiu a linha de frente na defesa dos colegas: “Acho que ele perdeu as condições de ser o coordenador dessas investigações como ministro da Justiça, pelo açodamento nesse processo”. Uma representação pede à Procuradoria-Geral da República que apure eventual prática de improbidade administrativa de Cardozo.
Há muito em jogo. Ao delatar o cartel, a Siemens escancarou os meandros de um esquema que pode ter superfaturado em até 30% vários contratos com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de 570 milhões de reais. O valor é quase oito vezes superior ao total de recursos supostamente desviados do Banco do Brasil (73,8 milhões) para abastecer o “mensalão” petista, fonte de dinheiro público identificada no esquema, segundo a versão consagrada na condenação do Supremo Tribunal Federal. Além do acerto ilícito entre empresas do cartel, a PF deparou-se com provas de pagamento de propina a agentes públicos.
É o caso de João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM nos governos de Mario Covas e Geraldo Alckmin. No início de novembro, a Justiça da Suíça comunicou às autoridades brasileiras sua condenação, naquele país, por lavagem de dinheiro. Entre os bens confiscados, há 836 mil dólares em uma conta no Credit Suisse de Zurique. Parte dessa soma, 255,8 mil dólares, foi transferida por Arthur Teixeira. Os suíços acreditam que o dinheiro era fruto de propina paga pela Alstom, mas chegaram a desistir do caso por falta de colaboração das autoridades brasileiras. Dormitava no gabinete do procurador Rodrigo De Grandis, desde 2011, um pedido para a tomada de depoimento de suspeitos. Por conta de “uma falha administrativa”, o pedido foi arquivado em uma pasta errada.
Após a quebra do sigilo fiscal da Focco Tecnologia e Engenharia, empresa da qual Zaniboni foi sócio, a PF identificou depósitos da Alstom que somam 2 milhões de reais, além de 8,5 milhões pagos pelo governo paulista por serviços de consultoria. A empresa pertence a outro ex-diretor da CPTM: Ademir de Araújo.

As suspeitas de formação de cartel tampouco são novas. Conforme CartaCapital revelou em 2009, as combinações ilícitas foram denunciadas por um ex-diretor da Siemens naquele mesmo ano. Um documento com o modus operandi do esquema foi apresentado ao Ministério Público Federal pelo deputado estadual petista Roberto Felício, que tomou conhecimento do relato do executivo. Para lavar o dinheiro ilícito, as empresas do cartel usariam os serviços de Arthur Teixeira e Sergio Meira Teixeira, donos das empresas Procint Projetos e Consultoria Internacional e Constech Assessoria e Consultoria Internacional, apontadas pelo informante como responsáveis por duas offshore no Uruguai.

As companhias são suspeitas de intermediar o pagamento de propina. À época, dois contratos firmados pela Siemens com asoffshore uruguaias, e apresentados ao procurador De Grandis, comprovavam a relação entre as empresas. Com a quebra dos sigilos fiscal e bancário, hoje a PF sabe que apenas a Procint movimentou mais de 37,5 milhões de reais entre 2002 e 2011. Ao menos 14,5 milhões são recursos depositados por empresas do suposto cartel, como Alstom, Bombardier, CAF, Siemens e MGE.
Arthur Teixeira não atendeu aos pedidos de entrevista de CartaCapital. Seu sócio faleceu em 2011. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o dono da Procint negou que os depósitos de clientes seriam decorrentes de pagamento de propina ou de serviços fictícios. A transferência feita para a conta de Zaniboni na Suíça seria a remuneração de uma consultoria “informal” feita por ele.

Em 2011, dois anos após as primeiras denúncias, o então deputado estadual Simão Pedro encaminhou ao MP paulista novas informações repassadas pelo informante da Siemens. Entre elas, uma carta anônima enviada ao ombudsman da empresa alemã, na qual é relatado o pagamento de propina a agentes públicos no Brasil. Tanto a cópia do e-mail original, em inglês, como uma tradução em português foram repassadas aos promotores paulistas.

Novas cópias foram anexadas recentemente ao inquérito da PF. Os tucanos acusam Simão Pedro de ter acrescentado trechos inexistentes na tradução, para envolver o PSDB nas denúncias. “As duas versões dessa carta endereçada ao ombudsman da Siemens estão com o Ministério Público há anos”, defende-se o petista.

O documento que cita nominalmente políticos tucanos é outro, mais recente. Não tem assinatura, mas foi datado: “17/04/2013”. Nesta peça, o denunciante anônimo diz ter se reunido anteriormente com os promotores Valter Santin, Silvio Marques e Beatriz de Oliveira para dar mais detalhes do cartel.
Simão Pedro acompanhou o informante para essa conversa no Ministério Público de São Paulo em 2012, versão confirmada pelos promotores paulistas. “O denunciante estava com medo de depor. Queria garantias”, lembra Marques. “Não havia indícios suficientes para justificar quebras de sigilo ou interceptação telefônica”, emenda Beatriz de Oliveira.
O petista alega que as informações repassadas a Cardozo não diferem muito do exposto aos promotores anteriormente. “Procurei colaborar de todas as formas possíveis. Na Assembleia Legislativa, tentei diversas vezes emplacar uma CPI.”
Com a identidade exposta pela mídia, Rheinheimer evita jornalistas. Divulgou apenas uma nota oficial na sexta-feira 22, na qual informa que o documento atribuído a ele “é, na verdade, anônimo.” Segundo o executivo, o material devassado e as informações publicadas foram distorcidos e “não condizem com a realidade”. Foi a senha para a cúpula tucana partir para a ofensiva e classificar a denúncia como uma fraude de “aloprados petistas”.
A nota não confirma nem desmente a autoria do documento, alertam fontes ligadas a Rheinheimer. O documento continua a ser, como sempre foi, uma peça sem assinatura. Quanto às “distorções”, o denunciante queixou-se a interlocutores do uso de trechos fora do contexto em meio à intestina disputa política entre PT e PSDB.
Citado na denúncia e considerado um dos principais articuladores políticos do governador paulista, Edson Aparecido nega ter relações com Arthur Teixeira e insiste na tese da fraude. “Esse ex-diretor da Siemens já desmentiu tudo”, afirma. “Isso vai ao encontro da delação premiada feita em São Paulo e Brasília, na qual ele não cita nenhum nome”, emenda, sem explicar como pôde consultar o acordo sigiloso. Segundo a Lei nº 12.850, de 2013, um colaborador da Justiça não pode ter a identidade revelada. O acesso aos autos é restrito ao juiz, ao MP e ao delegado de polícia. O acordo de delação premiada, por sinal, está apartado do inquérito. Só deve ser revelado após a apresentação da denúncia à Justiça.
Um dos mais exaltados com a denúncia anônima é o senador Aloysio Nunes. Ele admite relações profissionais com a Procint, mas nega qualquer ilegalidade. Seu nome acabou, porém, atrelado a outro investigado. Desta vez, por uma testemunha identificada: Edna Flores, ex-secretária do consultor Jorge Fagali Neto.
Em 2009, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de uma conta na Suíça atribuída a Fagali Neto, sob suspeita de receber recursos ilegais da Alstom. Os depósitos somaram mais de 10,5 milhões de dólares no Banque Safdié de Genebra até setembro de 2003, segundo o Ministério Público da Suíça.
Secretário de Transportes Metropo- litanos do governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB) e irmão de José Jorge Fagali, ex-presidente do Metrô, o consultor recebia informações privilegiadas do engenheiro Pedro Benvenuto, secretário-executivo do Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas. Após a secretária Edna Flores apresentar os registros da troca de e-mails entre eles sobre investimentos do Metrô, Benvenuto pediu afastamento do cargo no fim de setembro de 2013. Duas semanas depois, daria mais detalhes sobre os negócios de Fagali Neto à PF.
A cada três meses o ex-patrão viajava para a Suíça, registra a secretária em seu depoimento, de 9 de outubro. Ainda de acordo com o relato, o consultor mantinha contato quase diário com o lobista Arthur Teixeira. Ele usava dinheiro em espécie, inclusive em malas, para pagar despesas. Antes das licitações, reunia-se com representantes de empresas como Tejofran, Bombardier e Mitsui “para ajustar previamente os valores”. A secretária diz ainda que as planilhas a ser apresentadas nos certames eram elaboradas e modificadas pelo grupo. De acordo com ela, “Fagali Neto trocava e-mails com Aloysio Nunes acerca das licitações no metrô”.
Nunes não respondeu aos pedidos de entrevista de CartaCapital. Na quarta-feira 27, conseguiu aprovar na Comissão de Ética do Senado um convite para Cardozo explicar suas “intervenções” no inquérito. O ministro da Justiça reagiu: “Acho lamentável que queiram transformar quem cumpre a lei em réu apenas pelo fato de que há uma investigação, obviamente existente desde 2008. A maior parte dos países atingidos por esse escândalo investigou e puniu os envolvidos. O Brasil caminha lentamente.”
A escalada de denúncias contra o PSDB é uma tentativa do PT de se proteger do impacto negativo do “mensalão”, acusam os tucanos. O deputado Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, garante que seu partido evitará a exploração de casos de corrupção na campanha. “Não temos que eleitoralizar um assunto tratado no âmbito jurídico, seu fórum adequado.”
Parece uma posição sensata, avaliam cientistas políticos. “Nas eleições municipais de 2012, mesmo com o julgamento em evidência, o PT não perdeu votos. Os partidos não sofrem grandes abalos por conta de escândalos. Tampouco os casos de corrupção do PSDB devem alterar seu desempenho eleitoral”, garante Marcus Figueiredo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Para o eleitorado, a corrupção não está associada a partidos específicos, mas ao sistema político brasileiro, observa Leonardo Avritzer, da Universidade Federal de Minas Gerais. “Os eleitores não percebem a existência de um partido mais corrupto do que o outro. Entre os menos informados, há a tendência de criticar toda a classe política. Os mais informados sabem que é uma questão complexa, ligada ao financiamento das campanhas políticas.”

Poucos duvidam, no entanto, que os escândalos devem ocupar um lugar privilegiado nos debates de 2014. Com a filiação de Marina Silva ao PSB, fala-se muito da possibilidade de a candidatura de Eduardo Campos representar uma terceira via, capaz de desmontar a previsibilidade dos ataques mútuos entre petistas e tucanos.
Para Avritzer, o crescimento do PSB pode levar ao deslocamento do espectro político para a esquerda, caso o partido consiga superar o PSDB como principal força de oposição.  “Campos tem críticas ao governo federal, mas reconhece o legado de Lula.” Figueiredo discorda: “Ele disputa no campo da direita. Esforça-se por ter apoio da elite do Nordeste e busca aliados na Avenida Paulista”. Com uma virtude: distancia-se do denuncismo.
Apesar das promessas dos partidos e das análises dos especialistas, as duas últimas eleições presidenciais indicaram o contrário. Nelas, o discurso moralista, vazio, eclipsou qualquer debate sério de ideias. O udenismo venceu. Não nas urnas, mas no controle da agenda.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/revista/777/os-refens-da-casa-grande-4885.html/view

As negociações por um acordo entre Mercosul e União Europeia

01.01.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 28.12.13
Por Jorge Marchini 

Para poder decidir que tipo de entendimento com a Europa é possível e conveniente para o Mercosul é imprescindível transparência e análises sérias.
Arquivo
A transcendência das negociações em marcha para a assinatura de um acordo de liberalização econômica e comercial do Mercosul com a União Europeia (UE) requer que estas sejam conhecidas em forma ampla e postas em debate público. Devem eliminar-se sem mais demora os níveis de confidencialidade que hoje exigem os negociadores europeus e contraditoriamente defendem como “compreensível” porta-vozes do establishment local que não temem criticar publicamente (ou cinicamente?)  “a falta de transparência” ou reivindicar “maior controle democrático da gestão pública”. Existe o perigo de aceitar uma negociação a livro fechado e como fato consumado, para só depois ser posta à consideração pública e parlamentar. 

É necessário reconhecer que a negociação Mercosul - União Europeia tem uma enorme importância estratégica. Trata-se de vínculos de sociedades e economias com enormes potencialidades de cooperação e complementação.  Não há dúvida que melhorar e ampliar as relações entre duas regiões tão importantes deve ser um objetivo prioritário com chaves geopolíticas.  

De todas as formas, um acordo de livre comércio (TLC) com condições similares as que a UE estabeleceu para  outros países latino-americanos  - por exemplo, os postos em marcha recentemente com a Colômbia e o Peru -  poderia ser absolutamente  contraditório com os propósitos de desenvolvimento econômico independente que proclamaram em forma reiterada os governos e tantas declarações orgulhosas dos principais líderes da região por haver recusado a proposta de um acordo similar, a  ALCA,  no 2005. Ainda que o denominássemos com eufemismos tais como “acordos de cooperação econômica” muitas de suas condições e exigências poderiam ser ainda mais severas que as propostas então pelo impositivo governo de George W. Bush.
   
Abrir-se a troco de que?

É necessário destacar que os aspectos comerciais são apenas um dos capítulos, e talvez não o mais importante, das negociações em marcha.  Ainda sem contar com informação detalhada imprescindível, mas sem o antecedente de acordos similares negociados pela UE recentemente, é possível supor que a UE estaria solicitando que se comprometa a eliminação recíproca em um curto prazo dos tributos de mais de 80% do espectro tarifário. 

Com toda segurança, ainda que pudesse outorgar algumas concessões e promessas, a UE continuará sustentando subvenções e proteção a seu setor agrícola. Se privariam assim os países do Mercosul de poder alcançar o que seria o benefício comercial esperado mais importante a troco de uma abertura inédita massiva dos mercados locais a uma competição aberta de uma economia mais desenvolvida; sobretudo evidente para muitíssimos produtos industriais. Se repetiria, ainda em um maior grau, um cenário de graves descompensações comerciais que hoje observamos na própria Europa pelas assimetrias entre os países do norte em relação aos do sul e do leste. 

De forma enganosa se costuma afirmar que se trataria apenas de uma negociação comercial. Não é assim, a maior parte dos temas em discussão são de caráter estrutural e comprometem o conjunto da economia em aspectos críticos tais como serviços, patentes, propriedade intelectual, compras públicas, investimentos e competição. A eventual provisão do tratamento de “nação mais favorecida” aos países da UE, ainda que fossem incluídas salvaguardas de exceção, vulneraria os muito proclamados objetivos de defender e priorizar a diversificação de matrizes produtivas.  Para isso se requerem estratégias e políticas públicas elementares de desenvolvimento, utilizadas historicamente também pelos países europeus, através da substituição de importações, priorizar a compra nacional, brindar créditos diferenciais para o desenvolvimento de regiões ou setores mais desfavorecidos. O futuro de nossos países pode ser completamente comprometido por uma má negociação.     

Por enquanto, as exigências desse tipo de acordo, de inibir decisões soberanas independentes para introduzir mudanças legislativas, tarifárias, financeiras ou impositivas, vulnerariam a capacidade elementar de nossos países para reordenar, ponderar, redirecionar excedentes, priorizar a integração com a América Latina, e redirecionar as rendas diferenciais obtidas pela exploração de recursos agropecuários, de mineração e energéticos.

Onde estão as análises custo-benefício?

Para poder decidir que tipo de entendimento com a Europa é possível e conveniente para o Mercosul resulta imprescindível que os governos, entidades setoriais, partidos e organizações sociais e acadêmicas que proclamam defender o interesse nacional e regional não se deixem levar por enunciações superficiais e se convoquem imediatamente análises sérias tanto gerais como regionais e setoriais que incluam análises sobre efeitos estruturais de curto e longo prazo e possíveis alternativas.  

No imediato, é preciso contrapor ultimatos (Exemplo: afirmar que deve negociar agora ou nunca), possíveis manobras (Exemplo: eventuais ameaças de propor negociações “multiparte” em forma independente, tal como o fez com a Comunidade Andina, para romper a unidade do Mercosul)  ou comum e corrente distorção da realidade (não esclarecendo que as consequências econômicas reais da finalização de preferências tarifárias por parte da UE  a partir do próximo dia 1° de janeiro para a Argentina, Brasil e Uruguai serão  marginais e podem ser assimiladas pontualmente). 

Existem antecedentes internacionais que devem também ser estudados de opções mais equilibradas para a negociação com a União Europeia e outros países e regiões mais industrializados para superar assimetrias. 
 
Não deve continuar uma negociação crucial com a União Europeia só em mãos de um grupo pequeno de “especialistas” e a pressão de grupos de interesse e meios de comunicação superficiais ou setorizados por posições ideológicas e interesses econômicos particulares, como vem se repetindo ao longo de anos. 

José Antonio Ocampo, que foi Ministro de Fazenda de seu país, Colômbia, e Secretário Geral da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina das Nações Unidas) afirmou recentemente que “as negociações internacionais devem ter visão estratégica, agora há uma indigestão de TLC, pois assinamos onde nos ocorreu sem o suficiente estudo e discussão sobre sua conveniência”. Que não nos aconteça o mesmo. Por favor, aprendamos da experiência.

(*) Professor Titular de Economia da Universidade de Buenos Aires
Investigador do Centro de Investigação e Gestão da Economia Solidária - CIGES
Vice-presidente da Fundação para a Integração da América Latina- FILA


Créditos da foto: Arquivo
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/As-negociacoes-por-um-acordo-entre-Mercosul-e-Uniao-Europeia/7/29896

Quenianos faturam mais uma São Silvestre

01.01.2013
Do porta FOLHA DE PERNAMBUCO, 31.12.13
Por Nilton Villanova, do Portal FolhaPE

 Nancy Kipron vence prova feminina. Edwin Rotich é bicampeão entre os homens 

A queniana Nancy Kipron conquistou, na manhã desta terça-feira (31), a prova feminina da São Silvestre, em São Paulo. Após figurar entre as favoritas nos últimos anos, Kipron finalmente fez jus à expectativa e venceu a disputa com o tempo (ainda não-oficial) de 51'58''. 
Apesar de demonstrar grande desgaste físico, principalmente no final da corrida, mas não chegou a ser ameaçada de forma contundente pelas rivais. A brasileira que obteve melhor desempenho foi Sueli Pereira, que chegou na sexta colocação, atrás de Kipron, da etíope Kebede Gudeta, das tanzanianas Jackline Juma e Sara Makera, além de Delvine Meringor, também do Quênia .
running.competitor.com
Edwin Rotch cruza a linha de chegada e comemora o bi da São Silvestre
O Quênia também faturou mais um título na versão masculina da São Silvestre. Edwin Rotich, que chegou entre os favoritos, mas sem falar muito, provou que é um dos maiores maratonistas da atualidade com a vitória desta terça-feira. Com uma prova consistente, Rotich faturou fácil o bicampeonato, deixando outros dois quenianos para trás (Mark Korir e Stanlei Koech) nos últimos três quilômetros de prova e chegou com o tempo - ainda não confirmado pela organização - de 43'48". O brasileiro Giovani dos Santos chegou na quarta colocação e completou o pódio com o marroquino Abderrhime Elasri.

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Fonte:http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/esportes/noticias/arqs/2013/12/0056.html

33% dos norte-americanos não acreditam na teoria da evolução

01.01.2013
Do portal OPERA MUNDI,30.12.13
Por Redação | São Paulo    

Segundo pesquisa, democratas e jovens são os que apresentam maior aceitação do darwinismo


Cerca de 33% dos norte-americanos não acreditam na Teoria da Evolução, de Charles Darwin. Essa é uma das principais conclusões de um estudo divulgado nesta segunda-feira (30/12) pelo Pew Research Center.

Wikicommons
De acordo com os dados da pesquisa, os eleitores republicanos são aqueles que tendem mais facilmente a refutar a evolução dos seres vivos. Apenas 43% dos norte-americanos que dizem apoiar esse partido defendem a teoria.

Há quatro anos, em 2009, esse índice era de 54% entre os republicanos.

Entre os apoiadores do Partido Democrata, por sua vez, 67% responderam acreditar que os “seres humanos evoluíram com o passar do tempo”. 

Outra conclusão importante do estudo é que, quanto mais jovem o entrevistado, maior a sua crença na teoria da evolução. Entre os norte-americanos com mais de 65 anos, apenas metade acredita nessa hipótese. Aqueles com menos de 30 anos apresentam apenas 25% no índice de rejeição ao darwinismo.

Foram ouvidas 1.983 pessoas, entre março e abril de 2013, com mais de 18 anos, para a elaboração do levantamento. Os números podem ser visto na íntegra aqui

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33224/33%25+dos+norte-americanos+nao+acreditam+na+teoria+da+evolucao.shtml

Os sete pecados capitais do Google

01.01.2014
Do portal da Agência Carta Capital, 29.12.13
Por Rosely Cruz*

É imprescindível a sociedade se mobilizar em prol de uma internet livre, sem qualquer tipo de dominação, na qual o poder de decisão está nas mãos do consumidor

Arte: Claudia Kievel
Internet
O Cade abriu investigação contra o Google por conduta anticompetitiva


Ao abusar de sua conduta anticompetitiva no Brasil, o Google passou a ser investigado formalmente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, (Cade),  em outubro por meio da instauração de três processos administrativos. Mas o que seria efetivamente a tal conduta anticompetitiva que ultrapassa a fronteira do Direito Econômico e lesa o consumidor? A seguir, a lista dos sete pecados capitais do Google:

1 Não Mentirás

O Google sempre defendeu os resultados da busca orgânica do Google Busca como “neutros”, “imparciais” e “insuscetíveis a manipulações” e a classificação dos links azuis seria baseada no critério de relevância estipulado pelo page rank. Em 2009, sua ex-vice-presidente, Marissa Mayer, revelou, no entanto,  que tal comportamento poderia ser diferente (disponível  AQUI, Acessado em 22.4.2013).

2 Não Discriminarás

Embora a promessa de neutralidade e imparcialidade esteja associada ao princípio de isonomia, o Google introduziu nos resultados da busca orgânica links com fotografias de produtos ou serviços próprios, diferindo-os daqueles azuis tradicionais. A concorrência não pode fazer o mesmo, o que demonstra discriminação. Eis aqui um dos pleitos investigados pelo Cade.

3 Não Prejudicarás o Próximo

Estudos realizados por Google (disponível em AQUI, Acessado em 22.4.2013) mostram que anúncios com fotografia geram duas vezes mais cliques do que os links azuis tradicionais, e aparecer nas primeiras posições do Google Busca suscita mais acessos do que anúncios em posições inferiores. Por haver, muitas vezes, acessos desviados artificialmente aos próprios sites do Google, a concorrência acaba sendo prejudicada. Outro tema objeto de investigação pelo Cade.

4 Não Destruirás os Concorrentes

Tais desvios de tráfego de sites de buscas especializadas concorrentes trazem perda de audiência, principal insumo para a geração de receitas de sites que ofertam gratuitamente serviços aos internautas. E sem receitas, muitos dos concorrentes não conseguem sobreviver. 

5 Não “Usurparás” Propriedade de Terceiros

A mídia tradicional é igualmente afetada por meio da reprodução de trechos de conteúdos pelo Google News sem remuneração. Para tanto, os sites usam links patrocinados (constam usualmente na parte superior central com fundo colorido e no canto direito da tela do usuário) do Google Busca. Ocorre que os custos desses links patrocinados subiram de preço quase 50% para os comparadores, de após o início das práticas discriminatórias do Google. Mais um tema em que o Google é investigado pelo Cade.

6 Não “Chantagearás” o Próximo

O Google sinalizou a um concorrente que comercializaria sua publicidade com fotografia dos produtos/serviços se fossem fornecidas informações relevantes para a melhora da qualidade de seu site de busca especializada. Por um lado, o concorrente sabe que o anúncio com fotografia acarretaria mais acessos e, por outro, tem ciência de que ao aceitar a exigência poderia perder competitividade e o diferencial que possui em relação ao site de busca especializada do Google. Novamente, um objeto de investigação pelo órgão especializado.

7 Não Violarás a Privacidade Alheia 

Reportagens recentes na mídia relatam que o Google fornecia ao governo norte-americano informações confidenciais de diferentes pessoas, o que configura invasão de privacidade.

Os sete pecados capitais cometidos pelo Google estariam ligados à sua origem. Quando fundado em 1998, a companhia pretendia desenvolver um sistema de buscas neutro e imparcial na web. O page rank foi o sistema criado com algoritmos que ordenariam sites e informações disponibilizadas na web conforme sua relevância. O conceito de relevância estaria associado ao número de usuários e sites vinculados ao site analisado. Defendia-se que a publicidade retiraria qualquer caráter de “neutralidade” e “imparcialidade” de um site de busca e prejudicaria os interesses do consumidor.

Na última década, com a diversificação de seus negócios (Google Maps, Google News, GoogleFinance, Google Travel, Google Shopping etc.), o Google tornou-se o principal player da publicidade online. Em 2012, 95% de seu faturamento global de mais de 52 bilhões de dólares correspondeu à publicidade virtual (Disponível em AQUI,, p. 29 e 33. Acessado em 15.5.2013).

Segundo dados da Go-Gulf.com (disponível em  AQUI. Acessado em 24.7.2013), o Google representa quase 44,1% da demanda total de anúncios, e a participação do segundo colocado (Microsoft-Yahoo!) consiste em 12,3%. No Brasil, o Google também alavanca a maior parte das verbas publicitárias dos anunciantes online. Segundo a agência de marketing digital Goomark, cerca de 90% da verba de seus 150 clientes é direcionada para o Google (disponível AQUI. Acessado em 9.5.2013).

Outra estratégia adotada pelo Google refere-se à introdução automática da barra de ferramentas sem autorização ou conhecimento dos usuários. Foram celebrados contratos milionários (disponível AQUI) com desenvolvedores e distribuidores de software, como Adobe Acrobat, e navegadores, como Firefox.

No segmento de browser, o Google Chrome também se tornou líder no Brasil em 2012 (disponível AQUI. Acessado em 24.7.2013), América do Sul, Ásia, Europa e mundo (disponível AQUI. Acessado em 24.7.2013). 

De acordo com o Ibope, o Chrome foi eleito por 63% dos internautas não e-commerce e por 59% dos e-consumidores como o “navegador-padrão”. O Chrome ainda é “sempre” utilizado por 83% dos internautas não e-commerce e e-commerce e “quase sempre” utilizado por 14% dos internautas não e-commerce e por 23% dos e-consumidores.

A caracterização do Google como “gatekeeper” da internet tem seus motivos. Hoje em dia o Google Busca é utilizado por 92% dos brasileiros como porta de entrada para a web. Diante de tal cenário, é imprescindível que a sociedade se mobilize em prol de uma internet livre, sem qualquer tipo de dominação, na qual o poder de decisão esteja, de fato, nas mãos do consumidor.

*Rosely Cruz é advogada e vice-presidente jurídica para América Latina do Buscapé Company

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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/revista/778/os-sete-pecados-capitais-do-google-5855.html/view

PSDB adere ao governo Eduardo Campos

01.01.2014
Do BLOG DA FOLHA, 31.12.13
Por  Carol Brito
Da Folha de Pernambuco

Sérgio Guerra, presidente do partido em PE, revelou que a decisão estava tomada há alguns dias (Foto: Arthur Mota)
Antes mesmo de o governador Eduardo Campos (PSB) anunciar a reforma do secretariado estadual, o PSDB de Pernambuco anunciou, na última segunda-feira (30), a entrada na base aliada e ocupará os cargos deixados pelo PTB na administração socialista. A informação, que já era esperada há algumas semanas, foi confirmada por meio de nota publicada no site da sigla.

Antecipada pela coluna Folha Política, da jornalista Renata Bezerra de Melo, o ingresso dos tucanos deverá ser oficializado, na próxima quinta-feira (2), quando Campos deverá fazer as mudanças no primeiro escalão, com a redução de pastas e troca de auxiliares. Com isso, o PSDB tende a comandar a Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo e o Detran.
No campo das especulações, os nomes cotados são os do secretário de Infraestrutura de Jaboatão dos Guararapes, Evandro Avelar (PSDB), para Trabalho; e do secretário de Saúde de Camaragibe, Caio Mello (PSDB), para o Detran. O presidente estadual do PSDB, deputado Sérgio Guerra, afirmou que a agremiação é “amiga” do governador e que irá discutir a possibilidade de coligação em 2014, para apoiar o candidato socialista ao Governo Estadual.
O dirigente ainda confirmou que as conversas com Campos vêm de longa data e que o acerto teria sido fechado há alguns dias. Os aliados ainda poderão ter uma nova conversa. Em relação à postura de alguns deputados estaduais que fazem oposição, Guerra garantiu que eles terão independência, mas que o partido “nunca foi oposição ao PSB, mas independente”. O tucano também garantiu que o PSDB “não provocará constrangimentos” a Eduardo. A legenda possui seis parlamentares sendo que três deles batemde frente com a administração: o líder da oposição, Daniel Coelho (PSDB), Betinho Gomes (PSDB) e Terezinha Nunes (PSDB).
SURPRESA

Betinho Gomes tomou conhecimento da oficialização do ingresso na base governista por meio da reportagem da Folha de Pernambuco. Antes de saber, o deputado afirmou que esperava uma conversa com a direção partidária caso a decisão fosse aderir à gestão socialista. O parlamentar relatou que espera que o Governo respeite a posição da bancada na Assembleia, e adiantou que “aliança não significa mordaça”.

“Independente da decisão (do partido), nossa postura deverá permanecer a mesma, de debater Pernambuco. Aliança não significa mordaça. Se houver aliança, que ela seja construída no diálogo e respeitando as posições dos parlamentares”, adiantou. Daniel Coelho e Terezinha não atenderam às ligações da reportagem para repercutir o assunto.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/blogdafolha/?p=145160

Privatização de FHC atrasa o país e pode ser a primeira a ser cassada

01.01.2104
Do blog TIJOLAÇO, 31.12.13
Por Fernando Brito

all
A Folha de S. Paulo fala hoje, com apenas parte de todas as letras, de um assunto que já vem sendo comentado nos meios empresariais: a possibilidade de cassação das concessões da ALL – América Latina Logística – que controla uma fatia enorme de nossa malha ferroviária.
Por incrível que pareça, é o ministro César Borges – do PR e ex-PFL – um dos que mais tem colocado a faca no pescoço da empresa para que cumpra suas obrigações contratuais A Casa Civil negociava uma solução acordada, com a devolução de trechos ferroviários sob controle da ALL, mas parece que as coisas caminham para uma medida mais extremada,  com a perda das concessões e de um inventário e encontro de contas entre os bens recebidos , obrigações e direitos da empresa.
A  concesssionária recebeu boa parte do patrimônio da malha Sul da Red e Ferroviária Federal por algo em torno de R$ 300 milhões. Junto com a concessão, foi para a ALL o que ainda prestava de material rodante da RFFSA nos estados da região Sul. para operar 7 mil km de trilhos.
A ALL é uma destas jabuticabas privatizantes paridas no Governo Fernando Henrique. O estado brasileiro fica boa parte do capital, direta e indiretamente  e entrega o controle da empresa a privados, mais ou menos como ocorreu com A Vale e a Telemar-Oi. BNDES, Previ e Funcef têm perto de 29% do capital, seguidos da neozelandesa Global Markets Investments Limited Partnership. com 21.6%.
A propriedade da ALL é um imbroglio, no qual o participante mais conhecido é o grupo Cosan, império de açúcar e etanol do empresário Rubens Ometto. A Cosan tentou fazer uma “sinergia de negócios” levando a ALL a adquirir a Fepasa e se tornar a operadora de mais 5 mil quilômetros de linhas que cruzam o filé da produção sucroalcooleira de São Paulo.
Claro que não deu certo, como não deu certo que a Vale fosse a operadora das linhas férreas de Minas, porque quando um cliente se torna dono dos meios de transporte é evidente que os gerem apenas de acordo com as suas conveniências, não dentro de um quadro de equilíbrio concorrencial.
Deu “zebra” e conflito entre a Cosan e os demais acionistas da ALL, e não podia dar outra coisa.
E o país pagou a conta da briga, que desmantelou a já pequena capacidade da empresa de logística.
Vamos ver como o caso se desdobra. Dilma parece ter optado pela pulverização do controle, subdividindo os trechos a serem concedidos em 2014. Se houver um mecanismo de arbitramento entre diversos operadores, com obrigações de conexão muito definidas, pode funcionar.
Mas se continuarmos a ter uma operação ferroviária  desconectada com as necessidades de transporte intermodal, de uso múltiplo da rede férrea e, sobretudo, sem a capacidade de o poder público regular, controlar e – até – oferecer a opção de transporte ferroviário a produtores e passageiros, o transporte ferroviário continuará a desaparecer da matriz logística brasileira.
O Estado investe pesadamente, estabelece fisicamente as linhas e, depois, elas viram um cartório do operador, que as administra com uma “sinergia de negócios” que é a ineficiência e o monopólio do uso de um bem e serviço público concedido, que tal como os ônibus, têm de transportar a todos com as mesmas regras, disponibilidades e preços.
A obra de FHC nas ferrovias é pior que a de Jânio e as centenas de cidades fantasma que fez, em 61, com a desativação  dos chamados “ramais deficitários”.
Porque, ao contrário dela, não atinge apenas regiões já decadentes economicamente, por mais cruel que isso tenha sido.
Toca no coração do Brasil produtivo, nas áreas de expansão agrícola .
E, de quebra, ainda leva ao comprometimento dos recursos públicos, obrigando a uma expansão rodoviária cara e urgente,  maior do que deveria.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=12103