quarta-feira, 12 de novembro de 2014

EUA no Afeganistão: os heróis da heroína

12.11.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

afeganistao
O cultivo  de papoula no Afeganistão, matéria-prima para 80% produção mundial de heroína, no  atingiu novo recorde em 2014, segundo relatório das Nações Unidas divulgado hoje. 
São 224 mil hectares, 7% a mais que em 2013.
A produção de ópio potencial cresceu 17% em um ano.
Desde a ocupação militar norte-americana, em 2001 – considerando a área de 2002, pela falta de condições de medição naquele ano, a área plantada cresceu 200%.
Foi, como se vê, mais fácil achar Osama Bin Laden que fazer uma política de erradicação da papoula opiácea.
Para quem acha que uma  visão militar de “guerra às drogas” funciona, não há desmentido maior que o Afeganistão.
Mais de uma década de presença militar dos EUA não criaram condições para que os afegãos se livrassem desta dependência econômica.
Pior, criaram, mesmo, uma dependência química do ópio.
De quase zero, historicamente, há hoje  um milhão de viciados em heroína hoje, segundo os dados da ONU.
Ou um em cada trinta afegãos.
Seria, para que você possa comparar, haver pouco mais de 6 milhões de brasileiros viciados em heroína. Toda a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.
E a nossa direita belicista fala do Evo Morales por causa da coca, que é um cultivo que faz parte da cultura do povo boliviano.
Lá, com programas de controle e substituição de lavouras, a área plantada diminuiu 7% de 2012 sobre 2011, depois de ter caído outros 12% naquele ano sobre 2010.
Sem drones, sem mísseis, sem bombas.
E sem a montanha de dólares que o Afeganistão “ganha” dos EUA onde a guerra, segundo o site  National Priorities, custa aos norte-americanos US$10.17 millhões por hora…
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=22990
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