quinta-feira, 31 de julho de 2014

A confissão de Aécio prova duas coisas: o estrago eleitoral e sua covardia moral

31.07.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por  Fernando Brito

pinoquio
Finalmente, hoje, em artigo na Folha de S.Paulo, Aécio Neves admite que o Aeroporto de Cláudio, junto a sua fazenda, serviu para sua comodidade pessoal, em atividades rigorosamente privadas.
E que a obra (que entre contratos e desapropriação custou, em dinheiro de hoje, mais de R$ 20 milhões) que consumiu farto dinheiro público, por não homologada e sem controle público já há quatro anos, só teve mesmo a serventia de dar-lhe este privilégio.
Mais importante que a semi-confissão do candidato tucano é o que o levou a ela, 11 dias depois de revelado o escândalo pela própria Folha.
Depois de várias gaguejadas e diversos “de novo este assunto?” irritados, Aécio tomou essa iniciativa, sem sombra de dúvida, porque as pesquisas internas do tucanato revelaram o estrago que isso fez em sua campanha.
Não foi um ato de honestidade, de quem quer e pode sustentar as atitudes que tomou.
Fosse assim, não teria se evadido de dizer, antes, o que diz agora.
O fez por três fatores, todos sem qualquer dignidade.
O primeiro é que sabe que existem provas deste uso. Não se descarte, até, que tenha sofrido ameaças de que elas seriam reveladas.
O segundo é que só tomou esta atitude depois que as pesquisas eleitorais internas do PSDB mostraram que o estrago não apenas era grande como está se agravando à medida em que o conhecimento da situação se amplia.
O terceiro, mais grave e por isso capaz de continuar ceifando o seu prestígio e o respeito pessoal que possa ter, é o que se provou um homem moralmente covarde.
Precisou ser exposto diariamente às suas contradições e omissões – ou, pior ainda, ser ameaçado por alguém que tinha provas do uso do aeroporto – para confessar que fez, por diversas vezes, uso particular da pista que a ninguém mais servia.
Depois disso, quem acredita na já implausível afirmação de que a obra milionária se justificava pelo “grande pólo industrial” que é aquele município de menos de 30 mil habitantes? Ou que o negócio entre o Estado e o tio, que tinha os bens bloqueados, não foi bom pela família, até porque parte do depósito já foi levantado pela tia, num processo tumultuado de separação e com, inclusive, uma ação de interdição por um dos filhos?
Aécio abaixou o bico.
Diante da mentira que pregou, durante 11 dias, a todo o país e à imprensa, desqualificou-se moralmente para dizer qualquer coisa.
A confissão tardia e cínica não lhe perdoa, exatamente porque é tardia e cínica.
Ficou do tamanho que é: um herdeiro de oligarquias, que controla e uso o poder que o sobrenome foi lhe trazendo e que trata o exercício do poder com a mesma irresponsabilidade que lhe valeu a fama deplayboy mimado.
Resta saber o que não fazer com ele: se é melhor deixar que o fracasso recaia sobre sua inconsistência moral ou se tentarão uma muito improvável nova via para disputar as eleições.
O aeroporto de Cláudio foi sua bolinha de papel.
E essa, sim, capaz de provocar um estrago imenso.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=19538

LULA ENDURECE COM O SANTANDER E MERVAL NÃO ABRE MÃO DE SER FEITOR DOS RICOS

31.07.2014
Do portal BRASI247, 29.07.14
Por DAVIS SENA FILHO
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/148365/Lula-endurece-com-o-Santander-e-Merval-n%C3%A3o-abre-m%C3%A3o-de-ser-feitor-dos-ricos.htm

O que os satélites dos EUA viram sobre o avião derrubado na Ucrânia?

31.07.2014
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO
 
A pergunta que não quer calar a respeito da catástrofe sobre a Ucrânia é: o que as imagens dos satélites espiões norte-americanos mostram?
 
avião ucrânia eua satélites espiões
Robert Parry, Consortiumnews. Tradução: Heloisa Villela
 
No calor da última histeria de guerra da mídia norte-americana – que correu para culpar o presidente russo Vladimir Putin pela queda do avião de passageiros da Malaysia Airlines – existe a mesma ausência de ceticismo que fez barulheira no Iraque, na Síria e em outros lugares – perguntas essenciais não são feitas ou respondidas.
 
A pergunta que não quer calar a respeito da catástrofe sobre a Ucrânia é: o que as imagens dos satélites espiões norte-americanos mostram?
 
É difícil acreditar que, com toda a atenção que o serviço de espionagem norte-americano tem prestado ao leste da Ucrânia nos últimos seis meses, o transporte de vários sistemas Buk de mísseis antiaéreos da Rússia para a Ucrânia e depois de volta à Rússia não aparecem em lugar algum.
 
Sim, existem limites para o que os satélites espiões norte-americanos podem ver. Mas os mísseis Buk têm cerca de 16 pés de comprimento e em geral são montados no topo de tanques ou caminhões.
 
O voo 17 da Malaysia Airlines também caiu durante a tarde, e não à noite, o que significa que a bateria de mísseis não estava escondida pela escuridão.
 
Então por que essa pergunta sobre as fotos do espião norte-americano dos céus – e o que elas revelam – não está sendo feita insistentemente pela mídia norte-americana?
 
Como o Washington Post pode publicar uma matéria de primeira página, como a que foi publicada no domingo com o título definitivo: “Oficial americano: russos deram o sistema”, sem exigir das autoridades detalhes a respeito do que revelam as imagens de satélite?
Ao contrário, Micchael Birnbaum e Karen DeYoung do Post escreveram de Kiev:
 
“Os Estados Unidos confirmaram que a Rússia forneceu lançadores de mísseis sofisticados aos separatistas da Ucrânia do leste e foram feitas tentativas de transportá-los de volta através da fronteira com a Rússia depois que o avião da Malaysia foi derrubado, disse uma autoridade norte-americana no sábado. ‘Nós acreditamos que eles estavam tentando levar de volta para a Rússia pelo menos três sistemas Buk (lançadores de mísseis)’, disse. O serviço de espionagem norte-americano estava ‘começando a ter indícios … há pouco mais de uma semana, de que lançadores russos foram lavados para a Ucrânia, disse a fonte … cuja identidade não foi revelada pelo Post para que ele discutisse assuntos de espionagem”.
 
Mas veja como são vagas as afirmações: “Nós acreditamos”, “começando a ter indícios”. E nós devemos acreditar – e, ainda mais relevante, os jornalistas do Washington Post de fato acreditam – que o governo norte-americano com seus serviços de espionagem de primeira não conseguem encontrar três caminhões lentos, cada um carregando enormes mísseis de longo alcance?
 
O que uma fonte me contou, fonte que já me passou informações precisas em assuntos semelhantes no passado, é que as agências de espionagem norte-americanas têm imagens de satélite detalhadas das baterias de mísseis que provavelmente lançaram o míssil fatal, mas a bateria parece estar sob o controle de tropas do governo ucraniano, vestindo o que parecem ser uniformes ucranianos.
 
A fonte disse que os analistas da CIA ainda não eliminaram a possibilidade de que as tropas fossem na verdade rebeldes do leste da Ucrânia vestindo uniformes semelhantes, mas a avaliação inicial era de que as tropas eram compostas por soldados ucranianos.
 
Também foi sugerido que os soldados envolvidos eram possivelmente bêbados indisciplinados, já que as imagens mostram o que pareciam ser garrafas de cerveja espalhados no local, disse a fonte.
 
Mas, ao invés de pressionar para ter mais detalhes, a grande mídia norte-americana simplesmente passou adiante a propaganda vinda do governo ucraniano e do Departamento de Estado, inclusive ecoando o fato de que o Sistema Buk é “feito na Rússia”, um fato insignificante que é muito repetido.
 
No entando, usar o argumento do “feito na Rússia” sugere que a Rússia pode ter envolvimento na derrubada do avião, o que é no mínimo enganador e claramente planejado para influenciar os mal informados norte-americanos.
 
Como o Post e outros meios de comunicação certamente sabem, o exército ucraniano também opera sistemas militares feitos na Rússia, inclusive as baterias antiaéreas Buk; assim, a origem da fabricação não tem valor algum de prova.

Apoiando o regime ucraniano

A maior parte das denúncias contra a Rússia vem de afirmações feitas pelo regime ucraniano, que nasceu de um golpe de estado inconstitucional contra o presidente eleito Viktor Yanukovych no dia 22 de fevereiro.
 
A derrubada dele veio depois de meses de protestos massivos, mas o golpe mesmo foi liderado por milícias neonazistas que ocuparam prédios do governo e forçaram autoridades do governo Yanukovych a fugir.
 
Em reconhecimento ao papel chave desempenhado pelos neonazistas, que são ideologicamente descendentes das milícias ucranianas que colaboraram com os nazistas da SS na Segunda Guerra Mundial, o novo regime deu a esses nacionalistas da direita radical o controle de diversos ministérios, inclusive do departamento de segurança nacional, que está sob o comando do antigo ativista neonazista Andriy Parubiy.
 
Foi esse mesmo Parubiy que os jornalistas do Post procuraram para obter informação que condenasse os rebeldes ucranianos do leste e os russos com relação à catástrofe da Malaysian Airlines.
 
Parubiy acusou os rebeldes da vizinhança da área do acidente de destruírem provas e de tentarem esconder algo, outro tema que ecoou na grande mídia norte-americana.
 
Sem se preocupar em informar os leitores a respeito do passado neonazista de Parubiy, o Post o citou como uma testemunha confiável, declarando: “Será difícil conduzir uma investigação completa já que alguns objetos foram retirados, mas faremos o possível”.
 
Em contraste com as declarações de Parubiy, o regime de Kiev na realidade tem um histórico terrível em matéria de falar a verdade ou de levar a cabo investigações sérias a respeito de crimes contra os direitos humanos.
 
Ainda estão sem resposta as perguntas a respeito da identidade dos atiradores de elite que atiraram contra policiais e manifestantes na Maidan, no dia 20 de fevereiro, o que deflagrou uma escalada de violência que levou à derrubada de Yanukoviych.
 
Além disso, o regime de Kiev não esclareceu os fatos a respeito da morte de vários russos étnicos incendiados no prédio da Associação de Comércio de Odessa no dia 2 de maio.
 
O regime de Kiev também enganou o New York Times (e aparentemente o Departamento de Estado) quando disseminou fotos que supostamente mostravam militares russos dentro da Rússia e mais tarde dentro da Ucrânia.
 
Depois que o Departamento de Estado endossou a “prova”, o Times deu destaque à reportagem no dia 21 de abril, mas na verdade uma das fotos-chave, supostamente tirada na Rússia, foi na verdade tirada na Ucrânia, destruindo a premissa da reportagem.
 
Mas aqui estamos novamente, nos apoiando na grande mídia norte-americana, para verificar denúncias feitas pelo regime de Kiev sobre algo tão delicado quanto a Rússia fornecer mísseis antiaéreos sofisticados – capazes de derrubar aviões voando em alturas elevadas, capazes de derrubar vôos comerciais – a rebeldes mal treinados da Ucrânia do leste.
 
Essa é uma acusação tão séria que poderia levar o mundo à segunda Guerra Fria e, possivelmente – se houver outros erros como este – a um confronto nuclear.
 
Esses momentos pedem um profissionalismo jornalístico extremo, especialmente ceticismo com relação à propaganda de partes envolvidas.
 
Ainda assim, o que os norte-americanos viram publicado nos principais meios de imprensa, liderados pelo Washington Post e pelo New York Times, foram artigos dos mais inflamados baseados em grande parte em aurtoridades ucranianas não confiáveis e no Departamento de Estado, o principal instigador da crise na Ucrânia.
 
No passado recente, esse tipo de jornalismo desleixado levou a massacres no Iraque – e contribuiu para a quase deflagração de guerras na Síria e no Irã – mas agora os riscos são bem maiores.
 
Não importa o quão divertido seja acumular desprezo por uma variedade de “vilões designados”, como Saddam Hussein, Bashar al-Assad, Ali Khamenei e agora Vladimir Putin. Esse desleixo está levando o mundo a um momento muito perigoso, possivelmente o último.
 
Tradução de Heloisa Villela
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/o-que-os-satelites-dos-eua-viram-sobre-o-aviao-derrubado-na-ucrania.html

E AGORA AÉCIO: Líder do PT sobre Aécio: “reconhecer não basta” :

31.07.2014
Do portal BRASIL247
Ao 247, deputado federal Vicentinho (PT-SP) comenta a admissão, pelo candidato Aécio Neves (PSDB), de que usou o aeroporto construído em terra de sua família, na cidade de Cláudio (MG); "Eu acho que reconhecer não basta, reconhecer um fato notório que põe em dúvida a postura ética do Aécio não basta", disse; petista lembra que, por isso, apresentou requerimento para que a Anac investigasse o aeródromo; "Isso (o reconhecimento) não o isenta de culpa de nada", acrescentou; sobre a influência do caso nas eleições, opinou: "o povo deve avaliar"; em artigo publicado hoje, tucano disse reconhecer "equívoco"
 
Gisele Federicce, 247 – O líder do PT na Câmara, deputado federal Vicentinho (SP), acredita que "reconhecer não basta" no caso do uso, pelo candidato Aécio Neves (PSDB), do aeroporto construído em terra de sua família na cidade mineira de Cláudio. Ontem, pela primeira vez, o senador tucano admitiu ter usado a pista "várias vezes" e reconheceu a possibilidade de um "equívoco" ao não ter se preocupado em examinar em que estágio estava o processo de homologação da obra.
 
"Eu acho que reconhecer não basta, reconhecer um fato notório que põe em dúvida a postura ética do Aécio não basta", afirmou Vicentinho, em entrevista ao 247 nesta quinta-feira 31. "Por isso é que eu fiz um requerimento à Anac para que se investigue" o caso, acrescentou o parlamentar, citando, por exemplo, quais aviões e quando foram realizados voos na pista construída no final do mandato de Aécio como governador de Minas.
 
"Isso (o reconhecimento) não o isenta de culpa de nada. Como alguém que reconhece que matou uma pessoa, tem que pagar pelo crime", defendeu ainda o petista. Questionado sobre como o fato poderia respingar na campanha presidencial do tucano, Vicentinho evitou prever consequências negativas. "O povo deve avaliar né. Nossa preocupação não é fazer um jogo político eleitoreiro, mas ir em busca da verdade", declarou, sobre a presidente Dilma Rousseff.
 
Na última segunda-feira 28, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, avaliou o caso como "a ponta do iceberg de Aécio", o que gerou reação indignada dos tucanos. Sobre a declaração, Vicentinho novamente evitou polêmica: "Eu não sei ainda o que tem pela frente, por isso pedimos para apurar". De acordo com denúncia publicada pela Folha de S. Paulo há 11 dias, Aécio construiu o aeroporto em uma propriedade que pertenceu ao seu tio avô usando R$ 14 milhões do governo.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/148576/Líder-do-PT-sobre-Aécio-“reconhecer-não-basta”.htm

quarta-feira, 30 de julho de 2014

MÍDIA PARTIDARIZADA: A campanha dos dois pesos e umas 19 medidas

30.07.2014
Do blog ESQUERDOPATA

Balaio do Kotscho 
A certa altura da sabatina, que mais parecia um interrogatório feito por quatro jornalistas de diferentes veículos, como se fossem um só, a presidente Dilma Rousseff deu uma pista de como pretende atuar nos debates eleitorais. Em 90 minutos de perguntas duras e respostas por vezes confusas, Dilma passou a primeira parte na defensiva, falando ao mesmo tempo das dificuldades econômicas do momento e das conquistas sociais do seu governo. Quase nada disse sobre as propostas e projetos para um novo mandato, que é o que o eleitor quer saber dos candidatos para definir seu voto.
 
A conversa seguiu em banho-maria até que foi levantado o inevitável assunto do mensalão petista. Dilma procurou ser didática e não subir o tom nas respostas, mas foi ao ataque: "Tem dois pesos e umas 19 medidas. Porque o mensalão foi investigado. Agora, o mensalão mineiro do PSDB, não foi. Quando foi o nosso caso, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos o processo"
Um jornalista logo a corrigiu para lembrar que o mensalão tucano foi, sim, investigado, mas não julgado até agora (embora fosse um caso mais antigo). "E quando vai ser?...", perguntou Dilma, deixando implícita a resposta de que nunca será julgado, exatamente porque o Judiciário trabalha com dois pesos e umas 19 medidas.
O mesmo pode-se dizer também do comportamento da mídia na cobertura da campanha presidencial, em que as denúncias contra o PT e o governo nunca saem das manchetes, e os rolos mal explicados da oposição, que raríssimamente são investigados e publicados, como o do trensalão paulista, logo desaparecem do noticiário, como está acontecendo agora com o enrolado Aécioporto em Minas.
A economia dominou a maior parte da sabatina, com os jornalistas desfiando uma série de índices negativos nas últimas semanas, o que, segundo a presidente, está gerando um "pessimismo inadmissível". Dilma sabe que este será o grande desafio da sua campanha pela reeleição.
"Eu acho que o mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa está acontecendo com a economia. E você sabe que na economia é mais grave, porque economia é feita de expectativa. Se alguém bota na cabeça que a situação está descontrolada..."

Dilma lembrou de forma indireta a manchete da "Folha", uma das organizadoras do evento, no dia da abertura da Copa: "Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque". Vai ficar na história. Deu tudo ao contrário, como sabemos: a seleção foi humilhada dentro de campo e deu tudo certo na organização.
 
De fato, assim que acabou a Copa, revertendo as previsões catastróficas da mídia, começou mais uma campanha organizada pelo inefável Instituto Millenium para mostrar todos os dias que o país está indo à breca, com desindustrialização, inflação alta, crescimento baixo e ameaças de aumentar o desemprego, sem novos investimentos.
É o clima de baixo astral sonhado pela oposição para prejudicar a candidata do governo. Dilma estava inconformada com o episódio do bancão espanhol Santander que, na véspera, tinha distribuído uma carta a seus correntistas mais abonados, alertando-os que podem perder dinheiro se Dilma for reeleita diante da gravidade da situação econômica. Nesta hora, a Dilma velha de guerra perdeu a paciência e soltou os cachorros:
"É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro, de forma institucional, na atividade eleitoral e política".
Conteúdo à parte, Dilma continua errando na forma, dando respostas muito longas, e assim acaba se atrapalhando, sem responder objetivamente às perguntas, como aconteceu no final, quando lhe perguntaram o motivo para guardar R$ 150 mil em espécie debaixo do colchão. É o hábito de responder ao repórter e não a quem está em casa, um defeito de comunicação que os marqueteiros presidenciais já poderiam ter corrigido.
Não tem que encarar o repórter, tem que olhar para a câmera, sabendo que por trás dela está um eleitorado ávido querendo saber o que cada candidato propõe de concreto para melhorar a vida no nosso país. Se os entrevistadores não perguntam, há que se encontrar uma forma para indtroduzir o assunto sempre que possível.
 
Nas três sabatinas até aqui promovidas, com Aécio, Eduardo e Dilma, falou-se muito de problemas do presente, denúncias do passado e muito pouco sobre o futuro, que deveria ser o eixo de qualquer campanha eleitoral, já que se trata sempre de uma renovação de esperanças, por maior que seja o desencanto.
Por falar nisso, alguém já viu algum sinal de campanha eleitoral nas ruas, nas casas, nos carros do nosso país? Fora as propagandas em carros de candidatos a deputado, nem dá para imaginar que vamos ter eleições daqui a apenas 65 dias.
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Fonte:http://www.esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/a-campanha-dos-dois-pesos-e-umas-19.html

Aécio: “vão demitir muito no Santander”. Senador, eles já fizeram isso e não foi pela Dilma

30.07.2014
Do blog TIJOLAÇO, 29.07.14
Por Fernando Brito
 
satader
O Senador Aécio Neves, com sua incrível incapacidade de ir além do furor udenista, vai aos jornais dizer que “vão ter que demitir muita gente” no Santander por conta da  especulação  descarada no mercado financeiro com as dança das pesquisas eleitorais.
 
Senador, não se preocupe, não vai ter um demitido por isso, porque é o que a cúpula do banco pensa. No máximo, vão achar um para segurar o rojão e ajustam ele em outra instituição amiga. E olhe lá se sequer isso vão fazer.
 
Porque as desculpas do Santander são mero jogo de cena.
 
Mas numa coisa o senhor tem razão.
 
Muita gente é demitida no Santander.
 
Logo que o Banespa foi comprado por ele, foram milhares.
 
Todo ano tem uma leva, Aécio. Foram milhares, milhares de trabalhadores que não eram “analistas” regiamente pagos.
 
Ganhavam uma miséria.
 
Na véspera do Natal de 2012, quando o banco espanhol demitiu sem justa causa 1.153 funcionários. Não consta que tenha sido por defenderem Lula ou Dilma.
 
É porque eram descartáveis.
 
A coisa foi tão feia, seu Aécio, que os bancários ganharam na justiça o direito de chamar o Santander de Satãder.
 
O relator do processo movido pelo banco contra a Confederação dos Bancários , desembargador Ronei Danielli, achou até que a revolta se justificava “”a partir de um estudo criterioso das manifestações dos entes sindicais (fls. 26-53), é possível aferir que se destinam a protestar contra as demissões em massa promovidas pelo banco em dezembro de 2012, além das condições de trabalho proporcionadas pela empresa”.
 
- O emprego da imagem do demônio, utilizando a expressão “Satãnder” (fls. 26-27), em alusão ao nome da empresa, não se mostra capaz, ao que tudo indica, de danificar gravemente a imagem da instituição bancária multinacional (…)
 
A sentença está aqui.
 
O Santander mundial tem 25% dos seus lucros aqui e só 8% na Espanha.
 
Parte da história das ligações do banco com a ditadura franquista e com a seita Opus Dei está no video abaixo, em reportagem da Record, provocada por uma reportagem da insuspeitíssima Veja.
 
Lá na Espanha, o Santander tem saudades do Francisco Franco.
 
Aqui, do Fernando Henrique.
 
Está difícil para Aécio dar uma bola dentro.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=19518

SABOTAGEM ECONÔMICA DO SANTANDER: Casa de Mãe Joana?

30.07.2014
Do portal BRASIL247, 29.07.14
Por Ribamar Fonseca 
 
Será que em nosso país não existe nenhuma legislação em que a atitude do banco estrangeiro possa ser enquadrada, de modo a respaldar uma sanção legal?
Afora atitudes isoladas de desagrado, como a do vice-presidente Michel Temer, que cancelou sua presença num evento promovido pelo banco no Rio de Janeiro, até agora o governo brasileiro não adotou nenhuma sanção contra o Santander, o banco espanhol que tentou interferir nas eleições presidenciais deste ano no Brasil, advertindo os seus clientes endinheirados, através de carta, sobre o perigo que a possível reeleição da presidenta Dilma Rousseff representará para a economia. "Se a presidente se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas – diz textualmente a carta do Santander – um cenário de reversão pode surgir, o câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice Bovespa cairia". Ou seja, o caos econômico.
 
A presidenta Dilma Rousseff limitou-se, durante uma entrevista, a classificar a carta do banco espanhol de "inadmissível" e "inaceitável", sem acenar com nenhuma sanção pela interferência indébita. Será que em nosso país não existe nenhuma legislação em que a atitude do banco estrangeiro possa ser enquadrada, de modo a respaldar uma sanção legal? Se não houver, o Palácio do Planalto precisa urgentemente providenciar, junto ao Congresso Nacional, a votação de uma lei capaz de conter ações político-partidárias de instituições estrangeiras, do contrário o Brasil se transformará numa casa de mãe Joana, onde todo mundo se sente no direito de meter o bedelho.
 
A propósito, não deixa de ser surpreendente a posição do candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, que apoiou a atitude do Santander. Essa posição já é um prenúncio do que poderá acontecer num eventual governo tucano: os banqueiros, incluindo os estrangeiros, voltarão a mandar e desmandar em nosso país, como aconteceu no governo de FHC. Por sua vez, o colunista Merval Melo, que tem se revelado um oposicionista fanático, também aprovou a atitude do Santander. Na sua opinião, é o governo que não pode "interferir numa empresa privada, impedindo que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país". Ocorre que não foi uma opinião sobre a economia, mas sobre a eleição, com evidente oposição à Presidenta. Nem houve nenhuma interferência do governo no banco.
 
Agora, imaginem se um banco brasileiro, com agência em Madri, tivesse a ousadia de opinar sobre as eleições espanholas, revelando sua preferência por um dos candidatos? Duvido que os espanhóis, incluindo os jornalistas, aprovassem semelhante interferência nos assuntos internos do seu país. No Brasil, no entanto, já estamos nos habituando a ver maus brasileiros, como Merval, a atuar contra o próprio país, como aconteceu no período da Copa do Mundo de futebol, quando torciam pelo fracasso do evento. Acho até que festejaram a goleada alemã sobre a nossa seleção, soltando foguetes e comendo churrasquinho, enquanto os verdadeiros brasileiros sofriam com a humilhante derrota.
 
O presidente do Santander, Emilio Botín, diante da repercussão negativa da carta do seu banco aos brasileiros de alta renda, pediu desculpas ao governo, responsabilizando um analista pelo fato e prometendo demiti-lo. Quem acredita nisso? A ser verdade o que disse o seu presidente o banco revela falta de organização, pois permite a um funcionário sem graduação tomar uma atitude dessas, em nome da instituição e de tamanha repercussão dentro e fora do país, sem o conhecimento dos seus chefes. O estrago, no entanto, já foi feito, com prejuízos para o próprio banco: o prefeito de Osasco, São Paulo, suspendeu o convênio que credenciava o banco espanhol a recolher os tributos e taxas do município, no montante de R$ 1,9 bilhão anual.
 
De qualquer modo, olhando pelo lado positivo, a atitude do Santander serviu para desnudar a sua verdadeira cara em relação ao governo da presidenta Dilma Rousseff (até então o presidente do banco espanhol posava de amigo em suas visitas ao Planalto) e, também, a posição do candidato tucano Aécio Neves em relação aos banqueiros. Parece não haver mais dúvidas de que, no caso de um eventual governo tucano, os banqueiros voltarão a ser a classe mais privilegiada deste país, onde somente a partir da gestão de Lula os pobres começaram a receber atenção. E graças a esse episódio do Santander não ficou difícil perceber que todos os recursos estão sendo utilizados pelos adversários da Presidenta para impedir a sua permanência no Planalto.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/148370/Casa-de-Mãe-Joana.htm
 

Dilma surpreendeu entrevistadores na “sabatina” do UOL

30.07.2014
Do BLOG DA CIDADANIA, 29.07.14
Por Eduardo Guimarães
A “sabatina” do UOL a que a presidente Dilma Rousseff se submeteu na tarde da última segunda-feira (27 de julho) no Palácio da Alvorada confirmou expectativas no que diz respeito ao ânimo dos entrevistadores, mas surpreendeu no que diz respeito ao da entrevistada.
Para inquirir a presidente, foram escalados Ricardo Balthazar (Folha de SP), Josias de Souza (UOL), Kennedy Alencar (SBT) e José Maria Trindade (Jovem Pan).
Não foi propriamente uma sabatina. Foi, como era previsível, um debate. Os entrevistadores encamparam o papel de oposição, como aliás já foi definido que deve ser pelas entidades que congregam os donos da mídia.
Dizer quem venceu aquele debate, é difícil. Mas, se alguém venceu, foi por pontos. Ninguém nocauteou ninguém.
Os jornalistas dispararam as críticas de sempre ao governo, mas tais críticas resvalaram em uma muralha de argumentos da entrevistada, com muitos números e contra-argumentos pouco conhecidos de um público acostumado a conhecer só o lado midiático da história.
O mínimo que se pode dizer é que se os jornalistas tinham argumentos mais fortes, guardaram só para eles. Disseram, por exemplo, que muitos países já teriam saído da crise financeira internacional, o que Dilma desmentiu.  E ninguém soube dizer que países já saíram da crise.
A presidente fez comparação entre o pessimismo com a economia e o pessimismo com a organização da Copa. Essa imagem foi fartamente usada por ela. Pode-se dizer que com requintes de crueldade, pois relembrou, em detalhes, todas as previsões catastrofistas que não se confirmaram.
Com efeito, a comparação é muito forte. Grande parte da sociedade se surpreendeu por não ter ocorrido na Copa nada do que foi vaticinado pela mídia. Dizer que o mesmo está acontecendo na economia pode até ser questionável, mas a chance de a tese colar é muito alta.
Por que? Porque Dilma citou, também, desastres econômicos vaticinados pela mídia que tampouco ocorreram – alguns diriam que “ainda” não ocorreram, mas, até que ocorram, tudo fica no campo da futurologia.
Como esse diálogo sobre a Copa ocorreu logo no início da sabatina o restante dela ficou contaminado por essa imagem, deixando o expectador isento com dúvidas sobre as previsões catastrofistas tanto quanto sobre as previsões otimistas.
Outro aspecto interessante da entrevista foi o uso da ironia. Se os entrevistadores usaram e abusaram da estratégia, Dilma não fez por menos. Lembrou, por exemplo, previsões furadas da mídia sobre racionamento de energia, que hoje está fora de cogitação.
Claro que, para quem apoia a presidente, o seu desempenho foi excelente, assim como foi desastroso para quem a repudia. Mas, ao expor o fracasso de várias previsões da mídia, Dilma conseguiu, no mínimo, plantar a semente da desconfiança em quem ainda não tomou partido, que, no frigir dos ovos, é quem importa.
O que de novo a sabatina de Dilma trouxe, então? Evidentemente que a disposição dela não só para o debate, mas para partir para o ataque. Em vários momentos, chegou ao impensável: deu a entender que os seus entrevistadores apoiam a oposição, sobretudo o PSDB.
O grande fato político que a sabatina da presidente pelo UOL revelou é o de que ela poderá tirar a mídia para dançar na campanha eleitoral. O Blog garante aos leitores que aqueles jornalistas, no mínimo, ficaram surpresos. E, provavelmente, ficaram preocupados.
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Assista, abaixo, à íntegra da sabatina de Dilma Rousseff pelo UOL
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2014/07/dilma-surpreendeu-entrevistadores-na-sabatina-do-uol/

Campanha do Santander contra Dilma demonstra pouco caso com regras da democracia

30.07.2014
Do blog ESQUERDOPATA,

Banco imperial

O senador Wellington Dias (PT-PI) acha que o Congresso precisa investigar o Santander depois que o banco foi flagrado em campanha contra o governo Dilma. Para o senador, que fez a vida profissional como funcionário da Caixa Econômica Federal, não custa lembrar:

“Um banco é uma concessão pública e não pode valer-se dessa situação para atuar numa eleição,” lembra Wellington.

A gravidade da questão reside aí.

A legislação eleitoral brasileira não impede que uma instituição financeira – ou qualquer outra empresa privada – retire uma parte de seus lucros para fazer uma contribuição a determinado partido político. Eu acho errado e condenável pois ajuda a criar eleitores que valem 1 voto e outros que valem 1 bilhão de reais. Mas a lei permite – e é por isso que a regra de financiamento de campanha precisa ser modificada.

Mas a orientação a seus gerentes voltados a clientela de renda mais alta tem outra natureza. Implica em usar o negócio – que deve obedecer a regras específicas do Banco Central – para pedir votos. E isso não é aceitável, explica o senador.

Da mesma forma que ninguém desautorizado pode sair por aí emprestando dinheiro sem correr o risco de ser acusado de agiotagem, nem comprar ou vender dólares sem ser chamado de doleiro, um banco não pode transformar-se num comitê eleitoral. Como qualquer outra empresa privada, tem sua função social a cumprir.

A lembrança de que, em 2002, tivemos a campanha do Lulômetro, estimulado por executivos do Goldman Sachs, um dos grandes bancos de investimento do mundo, não diminui gravidade do que ocorre em 2014. Apenas confirma um mesmo fenômeno.

Há instituições que colocam-se acima de qualquer dever com o futuro do país, o bem estar dos cidadãos e obrigações com o país que os acolhe.

É falta de respeito.

Pouco caso com o regime democrático.

É um comportamento ainda mais impressionante quando se recorda que que os clientes brasileiros oferecem, ao Santander, uma bolada de 20% ou mais dos lucros que a instituição obtém em suas operações no mundo inteiro. É mais do que o dobro daquilo que o banco obtém no mercado da Espanha, seu país de origem. Pelo menos uma vez os lucros assegurados pela filial brasileira chegaram a 28% do total do banco.

O Santander deu um salto no Brasil – tornando-se um dos principais bancos europeus -- depois que participou da privatização do Banespa, o maior entre os bancos estaduais.

Foi pela compra dessa carteira de clientes, que lhe dava acesso a folha de salários dos funcionários púbicos do Estado mais rico da federação, que o Santander conseguiu um lugar entre as cinco maiores do país. A operação, que desfalcava São Paulo de um lastro respeitável para investimentos futuros, enfrentou a oposição do governador Mário Covas, e não custou pouco.

O Santander pagou R$ 7 bilhões pelo Banespa e essa quantia foi usada como argumento favorável a operação. O que pouco se divulgou é que o Santander teve direito a abater quase 3 bilhões a título de ágio contábil. Embora esse desconto fosse previsto por uma lei de 1997, o fato do deságio ser concedido a um grupo estrangeiro chamou a atenção de quem acompanhou a privatização de perto, encontrando grande resistência, por exemplo, quando o caso chegou a Receita.

A seu favor, o Santander poderia dizer em 2014 que o comunicado lamentável apenas deixou claro, em voz alta e letras de forma, aquilo que outras instituições fazem em voz faixa e sem assinar recibo.

A verdade é que os bancos privados tem praticado uma política sinuosa depois que, em função da crise de 2008, o governo Lula decidiu abrir os cofres dos bancos estatais para garantir o crédito e impedir o desmonte da economia.

A primeira reação dos bancos privados foi abandonar o mercado de crédito por anos seguidos, permitindo que os estatais ganhassem terreno um ano após o outro – para chegar a 47% do mercado, um número recorde, em 2012.

Pressionado, o governo federal iniciou uma política de retirada do mercado, para abrir espaço para o retorno das instituições privadas. Mas isso não aconteceu. A marcha-a-ré dos estatais coincidiu com a alta nos juros, que permitiu ao sistema retornar ao conhecido universo rentista, de quem acumula fortunas bilionárias sem fazer força – pois o Tesouro paga a conta.

O crédito publico recuou e o privado não apareceu, situação que ajuda a entender – ao menos em parte – os números decepcionantes do crescimento recente. Os bancos seguem cobrando juros altíssimos, sem relação sequer com aumentos da Celic, sem serem incomodados pela concorrência dos bancos públicos.

Prevê-se, a partir de setembro, uma retomada do crédito nos bancos públicos. Será seguido, como se sabe, por um coralzinho contra a presença do estado na economia. E ninguém vai lembrar que um banco que já esteve ligado ao desenvolvimento de São Paulo agora é usado para fazer campanha presidencial junto a seus clientes.

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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/07/campanha-do-santander-contra-dilma.html