sábado, 28 de dezembro de 2013

Genoino tem prisão domiciliar prorrogada, mas não poderá voltar para SP

28.12.2013
Do portal Agência Brasil, 
Por Wellton Máximo
Brasília - Condenado no julgamento do mensalão, o ex-deputado federal e ex-presidente do PT, José Genoino, teve a prisão domiciliar prorrogada até 19 de fevereiro de 2014, decidiu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. Genoino, no entanto, teve negado o pedido de transferência para São Paulo e deverá ficar em Brasília até nova avaliação médica.

Na decisão, o presidente do STF alega que a perícia médica feita em novembro por médicos do Hospital Universitário de Brasília (HUB) indicaram ausência de doença grave que impedisse o cumprimento da pena no regime semiaberto. Barbosa ressaltou que o estado de saúde de Genoino está melhorando e que a assistência médica é garantida aos internos do Complexo Prisional da Papuda, no Distrito Federal, onde estão presos a maioria dos condenados no mensalão.
“A prisão domiciliar do apenado é meramente provisória. Como indica a própria defesa, seu estado de saúde está evoluindo e, mais do que isso, todas as informações existentes nos autos indicam que sua condição atual é compatível com o cumprimento da pena no regime semiaberto, dentro do sistema carcerário, nos termos da condenação definitiva que lhe foi imposta nos autos da AP 470 [Ação Penal 470]”, escreveu Barbosa.
Em relação à permanência de Genoino em Brasília, Barbosa argumentou que o próprio ex-deputado havia concordado, em 26 de novembro, em desistir dos pedidos de transferência para São Paulo. O presidente do STF destacou ainda que a jurisprudência (conjunto de decisões recentes) não permite que o preso escolha, por livre vontade e conveniência, onde cumprirá a pena.
Para justificar a prorrogação da prisão domiciliar, Barbosa citou o parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que recomendou cautela e pediu 90 dias, contados a partir de 21 de novembro, para transferir Genoino de volta para o Complexo da Papuda. O presidente do STF determinou ainda que a reavaliação médica do ex-deputado seja feita em Brasília e que Genoino arque com as despesas caso queira trazer um médico de São Paulo para fazer os exames.
Edição: Talita Cavalcante
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SUÍÇA ATESTA: MARINHO RECEBEU PROPINA DA ALSTOM

28.12.2013
Do portal BRASIL247
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Usaid e ONGs: Interferência silenciosa na América Latina

28.12.2013
Do portal OPERA MUNDI, 27.12.13
Por Juan Manuel Karg | Adital | Buenos Aires 

Recente expulsão da Bolívia de ONG dinamarquesa abriu novas perguntas sobre o papel delas na América Latina e no Caribe
A recente expulsão da Bolívia da ONG dinamarquesa Ibis abriu novas perguntas sobre o papel das Organizações Não Governamentais nos países da América Latina e no Caribe, especialmente em relação aos governos pós-neoliberais. O anúncio da saída da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (Usaid) do Equador, após o cancelamento dos projetos que a mesma estava realizando nesse país, mostrou os limites da "cooperação” que o imperialismo pretende oferecer em nossos países.
Quais são as funções que podem ser oferecidas por uma ONG em nossos países? Até onde se permite que estas possam intervir em assuntos internos, sem menosprezar a soberania do povo e do governo em questão? São perguntas feitas esses dias na Bolívia, por ocasião da decisão do governo de Evo Morales de expulsar Ibis do país. Segundo declarou Juan Ramón Quintana, Ministro da Presidência, a ONG dinamarquesa "abusou da hospitalidade de nosso Estado e já nos cansamos de que interprete de maneira errada seu papel no país, que se limita ao desenvolvimento das comunidades”.
Quintana afirmou que essa não foi "uma decisão caprichosa”, ao dizer que o governo boliviano conta com provas fidedignas das tentativas de Ibis de incidir na conjuntura política do país. "Ibis não estava promovendo o desenvolvimento, mas operava politicamente, dizendo que o governo do presidente Evo Morales está extraviado, desorientando as organizações sociais”, foram suas palavras sobre essa ONG questionada, que já havia sido ejetada de forma similar –ou seja, pelos mesmos motivos- do Equador. As palavras de Quintana deixaram algo bem claro: na decisão do governo boliviano primou uma tentativa –quase instintiva- de salvaguardar a soberania de um país (e de um governo) que tem sido durante esses anos dos mais assediados de nosso continente.

Agência Efe
Governo de Evo Morales expulsou ONG dinamarquesa da Bolívia

Ao mesmo tempo em que isso acontecia, em Quito aconteciam também novidades relacionadas com a presença da Usaid no Equador. Nesses dias, são concluídos diversos programas de "ajuda econômica-técnica” entre ambos países, assinados em 2007, durante a primeira presidência de Rafael Correa. De acordo com a informação oferecida pela agência de notícias Reuters, a Usaid enviou a Quito uma carta para comunicar o cancelamento de sua ajuda devido à impossibilidade de chegar a um acordo bilateral sobre sua distribuição. Segundo a Reuters, a Usaid também havia aludido à decisão das autoridades equatorianas de não aceitar novos projetos, nem ampliar os já existentes como razão para cancelar sua ajuda.
O chanceler Ricardo Patiño foi claro a respeito, ao questionar os programas assinados, chamando-os "pouco transparentes”. Inclusive foi além, afirmando que "se a Usaid decidiu ir-se, não rogaremos que regressem”. Assim e sem mencionar diretamente o caso, colocou em consideração o acontecido na Bolívia, ao afirmar, "conhecemos as más experiências que a Usaid teve em alguns países irmãos, onde houve clara intervenção, participação de funcionários da entidade em atuações de desestabilização”. No 1º de maio desse ano, em ato público relacionado ao Dia Internacional dos Trabalhadores, Morales anunciou a expulsão da Usaid da Bolívia por "conspirar” contra seu governo. Ao justificar sua decisão ante os meios, o mandatário boliviano havia afirmado que "se trata de uma questão de soberania, de segurança para o Estado”.
Como primeira conclusão, uma certeza: não é casual que ambos governos adotem medidas similares frente a essas tentativas de ingerência externa. Trata-se de dois dos processos de mudança social mais radicais que acontecem em nosso continente. São, por isso mesmo, experiências por demais assediadas por um imperialismo que tenta avançar sobre o que não pode controlar. As respostas, portanto, mostram uma maturidade crescente desses processos.
Ficam algumas perguntas: Até que ponto se pode chegar acordos com esses atores, visto e considerando os casos que mencionáramos nesse artigo, sem prejudicar a soberania nacional? Qual poderia ser o interesse dos governos da América Latina e do Caribe em estabelecer daqui em diante "cooperação” com agências que, como vemos, apresentam uma difusa reputação democrática em nossa região? As ONGs e Agências como a Usaid podem atuar "despojados” de uma finalidade política, que parecera ser o fundamento de sua própria existência?
Os governos pós-neoliberais de nosso continente deverão analisar seriamente esses tópicos. Trata-se de salvaguardar a soberania desses países, tentando evitar erros geopolíticos que possam dar pé a uma possível –e perigosa- restauração conservadora na região, para a que já estão trabalhando firmemente os governos da Aliança do Pacífico.
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CNMP QUER SABER POR QUE GURGEL PROTEGEU AGRIPINO

28.12.2013
Do portal BRASIL247
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Lassance: Enquete mostra que vem chumbo grosso em 2014

28.12.2013
Do blog VI O MUNDO, 26.12.13

Merval Pereira no Instituto Millenium: preparando a artilharia
24/12/2013 – Copyleft

Velha mídia quer a Presidência de presente de Natal

Enquete feita entre colunistas do mais tradicional veículo da velha mídia mostra o que eles pretendem em 2014: mandar na política e ditar a opinião pública

O jornalista Ancelmo Góis fez uma enquete junto a outros colunistas do jornal O Globo para saber o que eles esperam de 2014. Merval Pereira espera que as coisas continuem ruins no ano que vem, mas acha que vão piorar. Carlos Alberto Sardenberg, Míriam Leitão e Zuenir Ventura torcem por mais protestos – “protestos vigorosos”, quer Sardenberg. Ricardo Noblat pediu a Papai Noel que dê discernimento aos brasileiros para escolher o próximo presidente da República. Se é para dar, supõe-se que é porque ainda não temos.

A enquete deixa claro o que o mais tradicional veículo da velha mídia está preparado para fazer em 2014. É o mesmo que fez em 2013: pegar carona na insatisfação popular para tentar influir decisivamente no mundo da política. Desgastar aqueles de quem não gosta para dar uma força àqueles que são seus prediletos.

A mídia que foi escorraçada das ruas e teve que mascarar as logomarcas de seus microfones quer repetir o que sempre fez em eleições presidenciais: entrar em campo e desempenhar o papel de partido de oposição.

As corporações midiáticas se organizam para, mais uma vez, interferir no resultado das eleições porque disso depende o seu negócio. De novo, entram em campo para medir forças. Já estão acostumadas a partir para o tudo ou nada. Vão testar, pela enésima vez, a quantas anda seu poder sobre a política. Disso fazem notícia e assim agem para deixar os políticos e os partidos de joelhos, estigmatizados, envergonhados e obsequiosos.

Como nos ensinou Venício Lima, uma Presidência, um Congresso e partidos achincalhados são incapazes de propor uma regulação decente da mídia, nem mesmo para garantir a liberdade de expressão, a diversidade de fontes de informação, a pluralidade de opiniões e um mercado da comunicação não cartelizado.

Em 2013, as corporações midiáticas, mais uma vez, anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. E não é que o tal do mundo não se acabou? Quando os protestos de junho tomaram as ruas, o preço do tomate tinha ido às alturas. O PIB de 2012 se tornou conhecido e seu crescimento havia sido próximo de zero. Os reservatórios estavam bem abaixo do normal e “especialistas” recomendavam rezar para que não houvesse apagão. O caso Amarildo fez derreter a quase unanimidade que havia em defesa do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (as UPPs).

Parecia que o país ia mal das pernas e que um modelo de governança estava esgotado e ruindo. Tudo levava a crer que a presidência Dilma havia entrado em um beco sem saída. Mas saiu. Ela recuperou sua popularidade, enquanto seus adversários potenciais caíram em preferência de voto e aumentaram sua rejeição.

O ano terminou melhor do que começou, para o governo e para o País. A inflação vai fechar dentro da meta. Assim deve permanecer no ano que vem, por mais que alguns analistas queiram, usando razões que a própria razão desconhece, nos fazer crer que o limite da meta é algo fora da meta (quem sabe os dicionários, no ano que vem, tragam um novo sentido para a palavra “limite”). Não houve apagão e as térmicas foram desligadas mais cedo do que se imaginava.

O crescimento do PIB, em 2014, deve ser maior do que o deste ano. Educação e saúde terão mais recursos e têm saído melhor na percepção aferida em pesquisas. O Brasil, no ano que vem, continuará com um dos maiores superávits primários do mundo, ainda mais com a entrada de novos recursos vindos da exploração do pré-sal e das concessões de infraestrutura.

Mas os pepinos continuam sendo muitos. Alguns serão particularmente difíceis de se descascar no ano que vem. Um é a ameaça de as agências de avaliação de risco rebaixarem a nota do Brasil. Outro é o descrédito das políticas de segurança pública, em todos os estados, mas respingando no Governo Federal.

O terceiro e, possivelmente, o mais explosivo, seria o mesmo de 2013: uma nova onda de aumento das tarifas de ônibus, o que tradicionalmente acontece no primeiro semestre de cada ano. A derrota do aumento do IPTU em São Paulo, na Justiça, tirou do mapa a única situação que se imaginava sob controle. O eixo Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte é o que mais preocupa o Planalto. Se algo der errado, no ano que vem, terá como epicentro provável essas três capitais, podendo alastrar-se para as demais.

Os protestos de 2013 foram uma tempestade perfeita. Várias questões mal resolvidas e acumuladas no estresse diário dos cidadãos se transformaram em revolta nas ruas, juntando alhos e bugalhos. Imprevisíveis, tempestades perfeitas, como foram as jornadas de junho, são também difíceis de se repetirem. Difíceis, mas não impossíveis.

Basta um pequeno risco para se ter uma grande preocupação. Os três problemas mais sensíveis do momento (a percepção internacional sobre a economia do país, a segurança pública e as tarifas de ônibus) conformam a agenda prioritária do primeiro trimestre de 2014 a ser toureada diretamente pelo Palácio do Planalto. Os meses de janeiro a março de 2014 serão mais agitados do que o normal, pelo menos, na Esplanada dos Ministérios.

O trimestre seguinte, de abril a junho, será o período mais crítico. Ali se concentram as datas-base da negociação trabalhista de várias categorias; a briga de foice de muitos interesses para entrarem na pauta do esforço concentrado do Congresso; o período final do acerto das candidaturas presidenciais e estaduais; finalmente, claro, a Copa do Mundo de Futebol.

Que venha 2014. Que venha mais ousadia de todos os governos e partidos. Que venham mobilizações em favor dos mais pobres e com os mais pobres nas ruas, com suas organizações sociais, populares e seus partidos — até para que os partidos possam abrir menos a boca e mais os ouvidos. Que os brasileiros mostrem que a voz das ruas não é aquela fabricada pelas manchetes das corporações midiáticas. Que a opinião pública mostre, ao vivo e em cores, que a sua verdadeira opinião é normalmente o avesso da opinião publicada. Que venham surpresas, pois são delas que surgem as mudanças.

(*) Antonio Lassance é cientista político.

Leia também:

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Senador contrata acusado no escândalo do mensalão do DEM

28.12.2013
Do blog  OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O senador Gim Argello (PTB-DF) contratou como seu assessor de confiança o jornalista Omézio Ribeiro Pontes, flagrado em vídeo de 2010 recebendo maços de dinheiro de Durval Barbosa, o delator do escândalo de corrupção em Brasília, chamado de mensalão do DEM.

Omézio foi assessor de imprensa do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que se tornou o primeiro chefe de Executivo preso no exercício do cargo. Arruda renunciou ao mandato quando ainda estava na cadeia.

Em junho de 2012, a Procuradoria-Geral da República denunciou ao Superior Tribunal de Justiça o ex-governador de Brasília, Omézio Pontes e outras 35 pessoas por envolvimento no escândalo. Omézio foi acusado de ter praticado os crimes de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, o atual assessor de Argello se apropriaria de parte dos recursos desviados de contratos públicos e, em outras ocasiões, fazia o repasse para envolvidos no esquema, inclusive deputados distritais.

No vídeo, Omézio aparece recebendo quatro maços de dinheiro das mãos de Durval Barbosa, autor da gravação escondida. Mascando chicletes, ele guarda os valores numa pasta preta e conversa com o delator do mensalão do DEM sem cerimônias.

O caso foi remetido para a Justiça de Brasília porque somente aparte envolvendo o conselheiro do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamonglia permaneceu no STJ. Até o momento, não houve julgamento pela Justiça da capital sobre o recebimento da denúncia.

No Senado, Omézio Pontes foi nomeado no dia 19 de julho deste ano para um cargo comissionado. Em novembro, último registro do Portal da Transparência, o jornalista recebeu R$ 13.452,28 de vencimento bruto.

Duas semanas antes da nomeação do assessor de Gim Argello, no dia 2 de julho, o Senado aprovou uma proposta de emenda à Constituição que exige ficha limpa para o ingresso de todos os servidores públicos, sejam efetivos ou comissionados. O texto, que desde então está na Câmara dos Deputados, prevê o impedimento de ocupar cargo público a quem, entre outras hipóteses, tiver sido condenado por corrupção por um colegiado.

Procurado, o jornalista preferiu não se pronunciar sobre o caso que corre contra ele na Justiça. Omézio disse que foi Gim Argello quem o procurou para contratá-lo. Em 2014, o senador, que é líder do bloco parlamentar que reúne PTB, PR e PSC, deve concorrer novamente ao Senado, para a vaga que herdou em meados de 2007 após Joaquim Roriz, o titular do mandato, ter renunciado para escapar da cassação.

"Ele não foi condenado por nada", diz Argello

O senador Gim Argello (PTB-DF) disse não ver problemas em contratar, como assessor parlamentar, Omézio Ribeiro Pontes, flagrado em vídeo recebendo dinheiro de corrupção. "Se ele tiver alguma condenação, aí não tem como. Mas enquanto não for condenado o que vou fazer?".
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POPULAÇÃO PODERÁ MONITORAR PROGRAMAS SOCIAIS PELA WEB

28.12.2013
Do portal BRASIL 247, 27.12.13

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Polícia prende parte de quadrilha que praticava homicídios em cidades do Interior

21.12.2013
Do portal da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por  Henrique Ferreira, com informações da assessoria 

Agentes pretendem cumprir sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão 
Arthur Mota/Folha de Pernambuco
Grupo agia depois que clientes encomendavam crime
A Polícia Civil deflagrou, na madrugada desta sexta-feira (27), uma operação para cumprir sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão nas cidades de Chã de Alegria, na Zona da Mata, Glória do Goitá e Feira Nova, ambas no Agreste do Estado. 

Até o momento cinco homens foram detidos em duas respectivas casas e encaminhados ao presídio. São eles: Erisson Mendes da Silva, de 26 anos, Henrique Sued de Souza Nascimento, 27, Edvaldo Antonio da Silva Sobrinho, 40, e um adolescente de 16 anos.

Segundo os agentes, o último crime realizado pela quadrilha aconteceu no mês de setembro. Na ocasião, os bandidos assassinaram um comerciante da cidade de Vitória, a mando de um homem identificado como Edvaldo. Ele teria encomendado a morte do rapaz, por causa de uma suposta traição da sua esposa.
Os acusados foram autuados por associação criminosa, homicídio, latrocínio e corrupção de menor. Eles foram levados ao Presídio de Glória do Goitá, onde estão a disposição da Justiça. Já o jovem deve ser encaminhado a uma unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). As investigações agora estão voltadas para os outros dois suspeitos considerados foragidos.
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Dono da Bandeirantes manda o Grupo atacar prefeito de São Paulo, e fica por isso mesmo?

28.12.2013
Do BLOG DO MELLO, 17.12.13
Por Antônio Mello



Numa coletiva com blogueiros ontem, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, soltou uma bomba, que ainda não provocou o estrago que pode causar. 

Desconfiado do ataque diário e implacável que sofre do Grupo Bandeirantes, o prefeito Haddad, resolveu ligar para o dono do Grupo, Johnny Saad, para entender o que estava acontecendo:

- Dei instruções a todos os veículos de minha propriedade para atacar você de forma sistemática, desde que você aumentou o IPTU - respondeu"Meu não não é Johnny" Saad (porque se chama João Carlos Saad (com cabeça de Joca)). [Fonte]

Como é que é? O sujeito usa de concessões públicas (rádios e TVs do Grupo) para atacar um prefeito legitimamente eleito, numa afronta à Constituição, e fica por isso mesmo?

Não sei o que é mais absurdo, a descarada confissão do Saad, ou o prefeito ter ouvido a afronta sem tomar a atitude devida: iniciar um processo pedindo a cassação das concessões.

Prefeito Haddad, não precisa ser macho nem esperar a Lei de Meios. Seja fêmea como Cristina Kirchner, use a Constituição, e pau na Band!

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Hipocrisia da mídia e presos na Papuda

28.12.2013
Do BLOG DO MIRO, 26.12.13
Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:


O texto abaixo é trecho de um post publicado pelo Eduardo Guimarães a respeito da ação da mídia para punir os punidos, ou seja, retirar supostas “regalias” que os condenados do mensalão teriam recebido na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, dentre elas a possibilidade de ler:

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A leitura pode ser um bálsamo para o encarcerado que a aprecie. Deveria ser estimulada, aliás. Tira a mente do que não presta. Contudo, a “regalia” que permitia que condenados do mensalão lessem à vontade foi revogada por estarem “lendo mais do que o permitido”.

A tortura psicológica costuma ser vista como até mais intensa e penosa do que a tortura física, que, após algum tempo, o torturado aprende a suportar, até por seu corpo e seus sentidos não resistirem. Já a psique humana é um parque de diversões para o sádico; permite supliciar sem limites.

Se a mídia não quer “regalias” para os condenados do mensalão tais como ler um livro, tampouco quer algum direito constitucional como o de um condenado cumprir sua pena tal como foi preconizada – e nunca de forma mais dura ou mais branda.

O objetivo que excita o sadismo midiático é o de minar o espírito dos dois petistas e o dos companheiros que partilham a dor deles não só por sabê-los condenados injustamente, mas por cumprirem uma pena mais dura do que aquela que deveriam estar cumprindo.

Sob essa sanha pervertida, os sádicos midiáticos já encontraram mais direitos a suprimir enquanto os direitos a preservar são ignorados: os condenados do mensalão poderão ficar com a luz acesa até às 24 horas do dia 24 de dezembro. E, escândalo dos escândalos, após receberem uma “ceia de natal”.

Dizem os instrumentos de tortura conformados em papel impresso que os “mensaleiros” receberão “quentinhas” contendo com arroz, feijão, carne, legumes e verduras. E o luxo é tanto que terão acesso à cantina do presídio, onde poderão comprar cigarros e refrigerante.

Esses “mensaleiros” não se emendam, não é mesmo?

As “regalias” de que desfrutariam os petistas que atiçam a perversidade midiática, porém, não são regalias coisa alguma. Eles ainda dispõem de alguma diferenciação dos condenados ao regime fechado simplesmente porque estão padecendo sob ele ilegalmente, pois deveriam estar no regime semiaberto.

Isso em um país em que traficantes, estupradores, assassinos e até políticos corruptos conseguem ficar em liberdade contando com a sabida e consabida leniência que o dinheiro ou a influência da mídia podem comprar da Justiça.
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Digo eu, Azenha, que desde que O Globo e a Folha, especialmente, passaram a prever rebelião iminente na Papuda, dado o descontentamento de presos com supostos privilégios dos petistas, era óbvio o desenrolar: as autoridades seriam forçadas a agir. Se não agissem e houvesse uma rebelião, seriam condenadas. Se agissem impedindo a rebelião imaginada por O Globo… bem, conseguiram impedir a rebelião, certo?

O que nos choca acima de tudo é que essa gente tente se passar por defensora:

1. Da aplicação rigorosa da lei;

2. Dos presos mais humildes, que não teriam os supostos privilégios dos petistas.

Ora, se é assim, a mídia deveria, em defesa dos presos desprotegidos, denunciar com toda a força o domínio que o PCC tem sobre a maior parte dos presídios paulistas, onde a facção protege alguns, mas explora a maioria.
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“O PCC é uma organização criminosa armada, de caráter permanente”, afirmam 22 promotores do Ministério Público paulista na denúncia de 876 páginas – resultado da maior investigação já feita no Brasil e que esquadrinhou a estrutura da quadrilha – em que o Estado brasileiro reconhece, pela primeira vez, a existência da organização.

[...]

As investigações oficiais confirmam: a organização controla 169.085 dos 201.699 presos paulistas, 137 das 152 unidades prisionais; tem mais de seis mil integrantes trabalhando dentro dos presídios mediando conflitos e 1.800 “soldados” nas ruas da capital. Outros 2.398 detentos filiados estão esparramados por presídios de outros estados.

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 Qual seria a consequência de um aperto sobre o PCC nestas 137 unidades prisionais controladas pela facção em São Paulo? Uma explosão em ano eleitoral, complicando a reeleição de Geraldo Alckmin.

O acordo é tácito, não declarado. Decidiram até não falar o nome do PCC, para ver se ele desaparece.

No Presídio Central de Porto Alegre o acordo entre o Estado e as facções locais pelo menos é explícito: cada uma controla uma das galerias, em troca de não matar, nem “virar” a cadeia.

Foi o que contamos na reportagem abaixo. O arranjo é sustentado pelas famílias de todos os presos e implica em enriquecer os líderes das facções dentro do presídio:


Se a mídia está realmente preocupada com os presos mais simples, que não contam com os supostos privilégios dos petistas, deveria denunciar também a situação do complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, uma das cadeias mais violentas do Brasil, onde mais de 40 presos foram mortos só em 2013, alguns dos quais degolados e esquartejados.

A segurança foi terceirizada, numa daquelas soluções tão caras aos que defendem o “ajuste do Estado”. Por conta da falta de segurança, o borracheiro Elson, condenado pela receptação de quatro pneus que alegava não saber terem sido produto de furto, foi preso junto com homicidas e ladrões de banco e morreu decapitado num confronto entre facções:


No entanto, não se vê, a não ser com raras exceções – como a de Vasconcelo Quadros, no IG – uma tentativa de expor as mazelas do sistema prisional equivalente às manchetes indignadas com o suposto tratamento privilegiado dado a petistas.

Mesmo que houvesse um petista preso em cada uma das penitenciárias brasileiras, justificando a atenção da mídia, dificilmente isso aconteceria.

O motivo é óbvio: na onda dos que acreditam em “direitos humanos para humanos direitos”, ou seja, vale tudo contra quem não é “direito”, a mídia nunca de fato se preocupou com os presos a ponto de atingir a apoplexia causada pela leitura fora de hora dos “mensaleiros”.

O Globo não é porta voz da massa carcerária, como agora se pretende. Quer apenas ter certeza de que os petistas presos vão sofrer tanto — ou mais que os outros. É, como escreveu Eduardo Guimarães, puro sadismo. Só isso.

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Os fantasmas de 64 que ainda nos assombram

28.12.2013
Do blog O CAFEZINHO, 27.12.13
Por Miguel do Rosário

Publico abaixo texto da Hildegard Angel, reproduzido no blog Viomundo, que fala dos fantasmas de 64 que ainda assombram nosso país. Angel, que teve vários parentes assassinados, torturados ou mortos em circunstâncias misteriosas, durante a ditadura, tem motivos para enxergar fantasmas. Assim como em 1964, os mesmos atores operam para assumir as rédeas da nação: a direita política e a mídia. Os mesmos atores compensam a falta de votos cultivando soluções não-democráticas. Antes, as tropas. Hoje, as togas.
Este neofascismo tem elementos contaminantes, porque populistas e fáceis. De que nome chamar a proibição imposta aos petistas presos de ler fora das celas e por mais de duas horas? Que raio de “opinião pública” é esta que não emite um protesto contra um fascismo tão gritante? Onde estão os esclarecidos?
Vejo as pessoas reclamarem que há situações piores em outros presídios, de forma que a revolta contra as restrições aos réus petistas seriam exageradas.
É justamente isso o que chamamos fascismo. Esse esforço constante para degradar o debate. Essa torção lógica, moral, das coisas, e que serve para justificar o arbítrio. Quer dizer que se eu for preso e me proibírem de ler qualquer livro na cadeia, meus amigos, que protestarem contra essa truculência, deverão ser repreendidos porque não estariam preocupados com injustiças mais bárbaras acontecidas num presídio do Maranhão?
Quer dizer que se eu assistir uma pessoa espancando um menor na rua, não devo fazer nada porque em outra cidade há um menor sendo mutilado e estuprado?
Tem muita coisa estranha acontecendo. Hoje, mais uma vez, Chico Caruso publica uma charge contra José Dirceu. Sobre o fato de Dirceu estar preso de maneira ilegal, pois a sua sentença é para o regime semi-aberto, e ele está preso em regime fechado, não vemos nada na imprensa. Ela se cala, e os chargistas obedecem à linha editorial. A própria máquina judiciária parece obedecer ao ritmo ditado pela mídia.
Leia abaixo o texto de Hildegard, do qual discordo apenas em um ponto. Ela observa que a história é contada pelos vencedores e acrescenta: “eles venceram, eles sempre vencem”. Não é bem assim, Hil. Eles mataram seu irmão e sua mãe. Mataram o irmão de meu pai. Mas não quer dizer que eles venceram. Muito menos que eles sempre vencem. A história da humanidade é uma constante luta contra várias formas de ditaduras; e se na balança final os ditadores e os truculentos ainda detêm a maior pontuação, é a vitória dos pequenos e dos pacatos a que mais chama a atenção, a que mais comumente ganha ares de símbolo. Além do mais, os pequenos e os pacatos às vezes se juntam e se tornam mais poderosos do que os grandes e violentos, porque são em maior número e tem a seu lado a justiça.
No Brasil, as cartas ainda estão na mesa. Eles não vencerão, Hil. No fundo, eles nunca venceram. Apenas adiaram e adiam a sua derrota.
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Hildegard Angel: “Não estou vendo fantasmas; o Projeto do Mal de 64 ganha corpo”
por Hildegard Angel, em seu blog.
A GENTE NUNCA PERDE POR SER LEGÍTIMO, MAS QUEM CONTA A HISTÓRIA SÃO OS VENCEDORES, NÃO ESQUEÇAM!
O fascismo se expande hoje nas mídias sociais, forte e feioso como um espinheiro contorcido, que vai se estendendo, engrossando o tronco, ampliando os ramos, envolvendo incautos, os jovens principalmente, e sufocando os argumentos que surgem, com seu modo truculento de ser.
Para isso, utiliza-se de falsas informações, distorções de fatos, episódios, números e estatísticas, da História recente e da remota, sem o menor pudor ou comprometimento com a verdade, a não ser com seu compromisso de dar conta de um Projeto.
Sim, um Projeto moldado na mesma forma que produziu 1964, que, os minimamente informados sabem, foi fruto de um bem urdido plano, levando uma fatia da população brasileira, a crédula classe média, a um processo de coletiva histeria, de programado pânico, no receio de que o país fosse invadido por malvados de um fictício Exército Vermelho, que lhes tomaria os bens e as casas, mataria suas criancinhas, lhes tiraria a liberdade de ir, vir e até a de escolher.
Assim, a chamada elite, que na época formava opinião sobre a classe média mais baixa e mantinha um “cabresto de opinião” sobre seus assalariados, foi às ruas com as marchas católicas engrossadas pelos seus serviçais ao lado das bem intencionadas madames.
Elas mais tarde muito se arrependeram, ao constatar o quanto contribuíram para mergulhar o país nos horrores de maldades medievais.
Agora, os mesmos coroados, arquitetos de tudo aquilo, voltam a agir da mesma forma e reescrevem aquele conto de horror, fazendo do mocinho bandido e do bandido mocinho, de seu jeito, pois a História, meus amores, é contada pelos vencedores. E eles venceram. Eles sempre vencem.
Sim, leitores, compreendo quando me chamam de “esquerdista retardatária” ou coisa parecida. Esse meu impulso, certamente tardio, eu até diria sabiamente tardio, preservou-me a vida para hoje falar, quando tantos agora se calam; para agir e atuar pela campanha de Dilma, nos primórdios do primeiro turno, quando todos se escondiam, desviavam os olhos, eram reticentes, não declaravam votos, não atendiam aos telefonemas, não aceitavam convites.
Essa minha coragem, como alguns denominam, de apoiar José Dirceu, que de fato sequer meu amigo era, e de me aprofundar nos meandros da AP 470, a ponto de concluir que não se trata de “mensalão”, conforme a mídia a rotula, mas de “mentirão – royalties para mim, em pronunciamento na ABI – eu, a tímida, medrosa, reticente “Hildezinha”, ousando pronunciamentos na ABI! O que terá dado nela? O que terá se operado em mim?
Esse extemporâneo destemor teve uma irrefreável motivação: o medo maior do que o meu medo. Medo da Sombra de 64. Pânico superior àquele que me congelou durante uma década ou mais, que paralisou meu pensamento, bloqueou minha percepção, a inteligência até, cegou qualquer possibilidade de reação, em nome talvez de não deixar sequer uma fresta, passagem mínima de oxigênio que fosse à minha consciência, pois me custaria tal dor na alma, tal desespero, tamanha infelicidade, noção de impotência absoluta e desesperança, perceber a face verdadeira da Humanidade, o rosto real daqueles que aprendi a amar, a confiar…
Não, eu não suportaria respirar o mesmo ar, este ar não poderia invadir os meus pulmões, bombear o meu coração, chegar ao meu cérebro. Eu sucumbiria à dor de constatar que não era nada daquilo que sempre me foi dito pelos meus, minha família, que desde sempre me foi ensinado. O princípio e mandamento de que a gente pode neutralizar o mal com o bem. Eu acreditava tão intensamente e ingenuamente no encanto da bondade, que seguia como se flutuasse sobre a nojeira, sem percebê-la, sem pisar nela, como se pisasse em flores.
E aí, passadas as tragédias, vividas e sentidas todas elas em nossas carnes, histórias e mentes, porém não esquecidas, viradas as páginas, amenizado o tempo, quando testemunhei o início daquela operação midiática monumental, desproporcional, como se tanques de guerra, uma infantaria inteira, bateria de canhões, frotas aérea e marítima combatessem um único mortal, José Dirceu, tentando destrui-lo, eu percebi esgueirar-se sobre a nossa tão suada democracia a Sombra de 64!
Era o início do Projeto tramado para desqualificar a luta heroica daqueles jovens martirizados, trucidados e mortos por Eles, o establishment sem nomes e sem rostos, que lastreou a Ditadura, cuja conta os militares pagaram sozinhos. Mas eles não estiveram sozinhos.
Isso não podia ser, não fazia sentido assistir a esse massacre impassível. Decidi apoiar José Dirceu. Fiz um jantar de apoio a ele em casa, Chamei pessoas importantes, algumas que pouco conhecia. Cientistas políticos, jornalistas de Brasília, homens da esquerda, do centro, petistas, companheiros de Stuart do MR8, religiosos, artistas engajados. Muitos vieram, muitos declinaram. Foi uma reunião importante. A primeira em torno dele, uma das raras. Porém não a única. E disso muito me orgulho.
Um colunista amigo, muito importante, estupefato talvez com minha “audácia” (ou, quem sabe, penalizado), teve o cuidado de me telefonar na véspera, perguntando-me gentilmente se eu não me incomodava de ele publicar no jornal que eu faria o jantar. “Ao contrário – eu disse – faço questão”.
Ele sabia que, a partir daquele momento, eu estaria atravessando o meu Rubicão. Teria um preço a pagar por isso.
Lembrei-me de uma frase de minha mãe: “A gente nunca perde por ser legítima”. Ela se referia à moda que praticava. Adaptei-a à minha vida.
No início da campanha eleitoral Serra x Dilma, ao ler aqueles sórdidos emails baixaria que invadiam minha caixa, percebi com maior intensidade a Sombra de 64 se adensando sobre nosso país.
Rapidamente a Sombra ganhou corpo, se alastrou e, com eficiência, ampliou-se nestes anos, alcançando seu auge neste 2013, instaurando no país o clima inquisitorial daquela época passada, com jovens e velhos fundamentalistas assombrando o Facebook e o Twitter. Revivals da TFP, inspirando Ku Klux Klan, macartismo e todas as variações de fanatismo de direita.
É o Projeto do Mal de 64, de novo, ganhando corpo. O mesmo espinheiro das florestas de rainhas más, que enclausuram príncipes, princesas, duendes, robin hoods, elfos e anõezinhos.
Para alguns, imagens toscas de contos de fadas. Para mim, que vi meu pai americano sustentar orfanato de crianças brasileiras produzindo anõezinhos de Branca de Neve de jardim, e depois uma Bruxa Má, a Ditadura, vir e levar para sempre o nosso príncipe encantado, torturando-o em espinheiros e jamais devolvendo seu corpo esfolado, abandonado em paradeiro não sabido, trata-se de um conto trágico, eternamente real.
Como disse minha mãe, e escreveu a lápis em carta que entregou a Chico Buarque às vésperas de ser assassinada: “Estejam certos de que não estou vendo fantasmas”.
Feliz Ano Novo.
Inclusive para aqueles injustamente enclausurados e cujas penas não estão sendo cumpridas de acordo com as sentenças.
É o que desejo do fundo de meu coração.
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Stuart e Zuzu Angel, irmão e mãe de Hildegard assassinados pela ditadura civil-militar
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