sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Números da audiência – e dinheiro da publicidade – são novo “front” na guerra das tevês

27.12.2013
Do blgo TIJOLAÇO
Por Fernando Brito
tv
O repórter André Barrocal, da CartaCapital, trata com mais profundidade de um tema que abordei aqui na semana passada: a guerra que está tomando conta das emissoras na disputa do mercado publicitário, cujas verbas se distribuem, basicamente, em função dos níveis de audiência que conseguem.

Poder-se-ia dizer que isso é a concorrência e que  ela sempre existiu.

Mas esta guerra mudou de tamanho, de natureza e de armas.

As emissoras sempre brigaram pelo segundo lugar, aceitando como indestrutível o domínio da Globo de mais da metade da audiência.

Agora, sente que o processo de enfraquecimento da Globo lhes abre novas possibilidades.

E atacam, com a contratação do instituto alemão GfK ,para  o ponto mais central deste controle: a medição dos índices de audiência, controlada com quase exclusividade pelo Ibope, sobre o qual o controle global é incontrastável.

Barrocal traça um detalhado quadro deste conflito, que, afinal, vai se refletir na formação de consciência do povo brasileiro, manipulada há 40 anos pelo império global.

A batalha da TV

Maior torcida de Pernambuco e um dos times mais populares do Brasil, o Santa Cruz conseguiu, no domingo 3, voltar à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro depois de seis anos. A conquista veio com uma vitória em casa por 2 a 1, diante de 60 mil torcedores. Trata-se até o momento do segundo maior público em um estádio do País neste ano. E da maior audiência da TV Brasil no Recife. Única a transmitir a partida, a emissora pública liderou na capital pernambucana, feito inédito em sua história desde a criação, ocorrida em 2008. Mérito do canal, sinal dos tempos.

No outro extremo, a onipresente Rede Globo já não exibe como antes o dom da ubiquidade, a capacidade de estar ao mesmo tempo em todos os lugares. A emissora ainda lidera a audiência de maneira folgada, mas seu alcance tem diminuído ano a ano. A média caiu de 56% em 2004 para perto de 42% neste ano. Vários de seus programas mais simbólicos apresentam números embaraçosos para os padrões globais. O Jornal Nacional perdeu 12 pontos desde 2000 e ostenta atualmente média de 44% na Grande São Paulo. No Fantásticoo declínio foi de 16 pontos (média atual de 32%). Na novela da 7, de 15 pontos (26%). O Campeonato Paulista dá 11 pontos a menos (31%). A novela das 8 oscilava de 60% a 70% entre 2000 e 2005 e varia de 50% a 60% desde então.

Há muitas causas para o declínio, todas elas relacionadas aos avanços econômicos do País e a um componente tecnológico fundamental. O aumento da renda provocou mudanças nos hábitos de consumo. Os brasileiros saem mais de casa e migram ligeiramente para as tevês pagas, em que a ofertas de canais, em especial estrangeiros, é mais variada. E a internet tem roubado espectadores antes cativos das tevês abertas, assim como tiram leitores dos meios impressos. Os números não mentem: as tevês por assinatura crescem 30% ao ano desde 2011 e possuem hoje quatro vezes mais assinantes do que em 2000. São 17 milhões. O número de lares com acesso à rede mundial de computadores dobrou desde 2008 e alcança 40%. Em 2013, o País viu a parcela de habitantes que já usaram a web superar o contingente que nunca navegou na rede, segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet.

Estranhamente, o negócio televisão não tem sofrido os mesmos efeitos do impacto avassalador da internet. Ao contrário. A participação das emissoras no total dos investimentos publicitários, depois de um período de queda, voltou a crescer nos últimos anos. Em 2012, alcançou 65% do total, um montante de 19,5 bilhões de reais. Desse porcentual e, mais importante, dessa quantidade de dinheiro, a Globo e suas afiliadas abocanham perto de 80%, segundo as estimativas. Isso provoca situações inexplicáveis em certos casos. Isso leva um programa como o reality show BBB a faturar cada vez mais, apesar de o número de televisores ligados no programa despencar edição após edição.

Não chega a ser muito diferente em relação aos investimentos públicos. De 2000 a 2012, o governo federal gastou 11,6 bilhões de reais em anúncios na tevê. A Globo levou metade. Nesse período, o quinhão da emissora nos pagamentos de Brasília foi ajustado ao tamanho da audiência. De 61% em 2003 baixou a 44% no ano passado. Mas como a fatia das televisões na comparação com outras mídias, entre elas rádio e jornal, aumentou de 55% para 62% em 2012, na prática a Globo passou a receber mais dinheiro público. De 370 milhões de reais em 2000 subiu a 495 milhões de reais no ano passado.

A pergunta inevitável é: até quando? Embora as tevês abertas pareçam imunes ao impacto da web, os sinais da tormenta se avizinham. Sites como o YouTube e portais da internet atraem hoje mais telespectadores do que a maioria das emissoras tradicionais e esse fato ainda não se traduz em números financeiros. Mas a tendência é essa, a exemplo do ocorrido no resto do mundo. Menos dinheiro representa mais concorrência. Diante do futuro inóspito, os canais brasileiros estão prestes a iniciar uma nova batalha. Até dezembro, as quatro principais rivais da Globo (Record, SBT, Band e RedeTV!) pretendem contratar um novo instituto para medir a audiência. O escolhido é o alemão GfK, um dos cinco maiores do mundo. As concorrentes, não é de hoje, desconfiam que as tradicionais medições do Ibope, baseadas em métodos antigos, inflam os números do canal da família Marinho e desequilibram a disputa comercial do setor. Na briga pela vice-liderança, a Record e o SBT confirmaram a intenção. A RedeTV! e a Band preferem a cautela e limitam-se a afirmar que as conversas estão muito bem encaminhadas. “É sempre bom que haja concorrência”, afirmou a CartaCapital João Carlos Saad, presidente da Band.

Disposto a ampliar a presença na América Latina a partir do Brasil, a maior economia da região, o GfK oferece às emissoras uma aferição mais ampla e 35% mais barata do que aquela do Ibope de Carlos Augusto Montenegro. Vai usar o mesmo método do rival: um equipamento conhecido como people meter será instalado em aparelhos de tevê de residências previamente escolhidas.

De início, serão 6,2 mil pontos, municípios do interior e com antena parabólica incluídos. A medição começará em 2014, mas a clientela só vai receber os primeiros relatórios com os índices de audiência em 2015. Os meses iniciais servirão para selecionar as residências, montar a infraestrutura e realizar testes. O Ibope mede a audiência em 4,5 mil domicílios, só alcança uma cidade do interior (Campinas, no estado de São Paulo) e deixa de fora lares com parabólica, um grupo estimado em 35% a 40% do mercado. O instituto não respondeu ao pedido de informações da reportagem sobre suas pesquisas e a provável chegada de um novo rival.

Não é a primeira vez que as concorrentes da Globo tentam quebrar a hegemonia do Ibope. Dez anos atrás, o empresário Silvio Santos, dono do SBT, financiou a criação de um instituto nacional, o Datanexus, mas a iniciativa fracassou. Cupido entre as emissoras brasileiras e os alemães do GfK, o publicitário Fabio Wajngarten aposta em outro desfecho desta feita. Seu otimismo é alimentado pelo ineditismo da união entre quatro concorrentes.

Segundo Wajngarten, ele e um colega mandaram um e-mail ao chefão da GfK em setembro de 2012, em que falavam das oportunidades existentes no Brasil para outro aferidor de audiência. Os alemães nada sabiam sobre a mídia brasileira, mas, depois de várias trocas de mensagens e conferências telefônicas, toparam visitar o País. Apresentaram o cartão de visita e o portfólio a tevês, agências de publicidade e anunciantes. Foram convincentes o bastante para atrair as emissoras locais. “Vamos ter o desenho de um novo ecossistema para o mercado publicitário”, diz Wajngarten, sócio da Controle da Concorrência, de monitoramento da publicidade em tevê.

Por trás da discussão sobre audiência está em jogo aquela montanha de dinheiro descrita anteriormente e movimentada no mercado publicitário em vias de ser “redesenhado”. Quanto mais televisores sintonizados em um determinado canal, mais valioso são os intervalos. Se o GfK comprovar uma defasagem na medição do Ibope a favor da emissora dos Marinho, os concorrentes ganham um argumento sólido contra os atuais critérios de divisão dos recursos, privados e públicos.

O tamanho da disputa financeira explica algumas reações. Beneficiada pelos números do Ibope, a Globo não pretende contratar o serviço alemão. E, sem o respaldo global, o GfK encontrará mais dificuldade para se consolidar e conquistar credibilidade. Procurada por CartaCapital, a Globo preferiu não se manifestar.

Na quarta-feira 6, a Associação Brasileira de Anunciantes realizou um fórum internacional em São Paulo. Um dos principais patrocinadores era a emissora dos Marinho. Em um dos painéis, um executivo do Ibope havia sido convidado para falar sobre a GfK. A iniciativa foi mal recebida pelas competidoras da Globo. O Ibope iria desqualificar o futuro concorrente, nem sequer convidado para o evento? Record, SBT, Band e RedeTV! chegaram a elaborar uma carta de repúdio contra o Ibope e a ABA. Mas desistiram de divulgá-la depois de Montenegro, no dia do seminário, ter desautorizado qualquer executivo da empresa a mencionar a concorrência.

O resultado da disputa interessa aos próprios anunciantes. A Globo é sinônimo de custo elevado, diz o publicitário Vitor Knijnik, sócio-fundador da Snack Rede de Canais e colunista de CartaCapital. De fato, a emissora continua a subir os preços dos intervalos comerciais todo semestre, apesar da audiência declinante. Para manter-se na lista de anunciantes da Globo, uma empresa precisa reservar ao menos 100 milhões de reais por ano. Em consequência, a propaganda na emissora teria se tornado coisa para vips, um clube de no máximo 120 participantes.

A Globo também conta com a simpatia dos anunciantes. Segundo Ricardo Monteiro, do conselho superior da ABA, o canal é e ainda será cobiçado durante um bom tempo. Entre os motivos está a cobertura de 98% do território nacional e a vantagem em relação aos concorrentes sem paralelo no planeta. Em nenhum canto do mundo, lembra Monteiro, um canal soma 40%, 50% da audiência.

O alcance confere à Globo uma capacidade decadente, mas ainda sem paralelo, de influenciar a cultura e a chamada opinião pública. Por essa razão, o recuo de sua audiência é um fato sociologicamente importante. Segundo o cientista político e jornalista Laurindo Leal Filho, o poderio da emissora pode ser observado em um fenômeno pouco estudado: a onipresença em locais públicos, como nas salas de espera de hospitais e restaurantes. A força é tanta, diz Leal Filho, que chega a ser um elemento capaz de desestabilizar a democracia. Esse risco poderia ser minimizado com a adoção de uma lei semelhante àquelas em vigor na maioria dos países da Europa e nos Estados Unidos, estes desde os anos 1930, limitadora de monopólios e oligopólios. Uma legislação com esse teor (ferozmente combatida pelos meios de comunicação nativos, diga-se) entrará em vigor em breve na Argentina depois de a Corte Suprema validar a Lei de Mídia aprovada em 2009.

Ainda que nenhum governo tenha coragem de cumprir a Constituição brasileira e regular a atividade de comunicação de massa no País, baseada em concessões públicas de espectros de rádios e tevês, a Globo tem encolhido diante da expansão da internet. Neste caso, trata-se de uma disputa na qual as concorrentes da emissora estão no mesmo barco e têm tanto quanto ou mais a perder. A rede mundial de computadores não para de crescer como fonte de informação e entretenimento. Se os indivíduos, especialmente os mais jovens, passam o dia conectados no computador ou celular, alvo de um bombardeio incessante de informações, qual a razão para assistir a um telejornal?

A internet também abre espaço para manifestações sem vez nem voz no modelo de mídia audiovisual criado no Brasil. A opção da Globo, copiada pelas concorrentes, de distribuir País afora uma programação mais ou menos homogênea reduz a oportunidade para expressões regionais, o que não acontece na internet. Mas, afirma Sérgio Amadeu, especialista em mídia digital, expressar-se na internet é fácil, difícil é ser ouvido.

E esse “ser ouvido” está em risco por conta de um lobby comandado no Congresso pelas emissoras, Globo à frente, e pelas operadoras de telefonia. Tevês e teles uniram-se para tentar emplacar em uma lei pró-internautas uma regra que permite aos provedores tratar os usuários de forma seletiva. Na prática, a regra quebra a “neutralidade da rede”, princípio garantidor de que esse acesso à web só varia conforme a rapidez da conexão. O provedor não poderia facilitar ou dificultar a circulação de conteúdos. Isso impediria as emissoras de tevê de pagar para seus sites e vídeos serem mais visitados.

Em meio a novas tentativas de votar o chamado Marco Civil da Internet na Câmara, a proposta de fim da neutralidade circulou entre deputados nos últimos dias como um documento apócrifo. Em uma versão intitulava-se “alterações acordadas entre SindiTelebrasil (sindicato das teles) e Globo”. Em outra, a palavra “Globo” foi substituída por “Abert”, a Associação Brasileiras de Emissoras de Rádio e Televisão. “Com a neutralidade haverá mais riqueza de comunicação. Sem ela, a diversidade poderá ser filtrada pelas grandes corporações”, diz Amadeu. “A internet não é e não pode ser um produto de luxo, é de inclusão social”, emenda o deputado João Arruda, do PMDB do Paraná, presidente da comissão especial que analisou a lei. A aprovação da neutralidade promete ser uma batalha duríssima para os defensores da internet livre e o Palácio do Planalto, proponente do Marco Civil. O lobby das teles e das tevês foi encampado pelo deputado fluminense Eduardo Cunha, notório lobista de grupos econômicos e líder peemedebista, partido detentor da presidência da Câmara e da segunda maior bancada na Casa.

Em ao menos uma frente, o lobby da Globo deu resultado antes da votação. O texto original previa que, em disputas por direitos autorais, o conteúdo só poderia ser retirado da internet em caso de ordem judicial. Não bastaria mais uma mera notificação por parte de quem considera violado seu direito autoral. Como o governo prepara uma nova lei a respeito, os negociadores do Planalto toparam manter a situação atual para tentar resolver o problema em um futuro projeto.

A queda da audiência da TV Globo tem sido acompanhada de outro fato curioso, inversamente proporcional. A família Marinho, dona das Organizações Globo, voltou a frequentar a famosa lista dos bilionários da revista Forbes. Entre os magnatas da mídia, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto são hoje a segunda maior fortuna do planeta. A riqueza do trio soma 24 bilhões de dólares, o equivalente a 54 bilhões de reais. No ramo das comunicações, só perdem para o canadense David Thomson, dono da agência de notícias inglesa Reuters, de acordo com um ranking de bilionários divulgado na terça-feira 5 por outra agência de notícias, a norte-americana Bloomberg.

A fortuna faz da família Marinho a mais rica do Brasil na atualidade. Individualmente, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto aparecem na quinta, sexta e sétima posição do ranking da Forbes, com quase 18 bilhões de reais cada um. Na versão 2012 do ranking, só se via “Roberto Irineu e família”, na sexta posição, com 12 bilhões de reais. Segundo a revista, em 2013 foi possível identificar com mais certeza a fortuna dos irmãos de forma separada. E que diferença.

A aparição na lista de 2012 da Forbes marcou a volta da família Marinho a este tipo de ranking. O clã estava ausente desde 2003. Não sem razão. O conglomerado enfrentou diversos problemas financeiros durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Muito ligado aos meios de comunicação, o então presidente tucano sempre estendeu o tapete à emissora. Primeiro enterrou todo e qualquer projeto de lei de comunicação de massa (foram três durante os seus dois mandatos). Depois mudou um artigo da Constituição para permitir a entrada de 30% de capital estrangeiro nas empresas de mídia. Por fim, lançou a boia propriamente dita. Em outubro de 2002, a família anunciou um calote nos devedores com o objetivo de forçar a renegociação de dívidas. Meses antes, com as contas no vermelho, o governo ofereceu um socorro de 280 milhões de reais à Globocabo, companhia do conglomerado, por meio de um financiamento camarada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Sob Lula, a situação financeira mudou. No ano passado, o faturamento do grupo aproximou-se dos 17 bilhões de reais, três vezes mais do que há uma década, e o lucro, dos 4 bilhões.

No início de novembro, o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, pediu formalmente ao governo explicações sobre todos os empréstimos do BNDES à emissora, bem como sobre eventuais benefícios creditícios concedidos à empresa. Baseado na mesma prerrogativa parlamentar, cobrou informações sobre o pagamento de impostos pelo grupo. 

Requião está especialmente interessado em uma multa de 730 milhões de reais que o Fisco tenta aplicar à Globo. Para o Leão, a empresa praticou fraude contábil ao negociar um perdão de 158 milhões em dívidas com o banco JP Morgan em 2005. A emissora contesta a cobrança, mas foi derrotada em setembro em uma das instâncias do Ministério da Fazenda, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

A situação fiscal despertou interesse depois de vir à tona, em junho, um enrosco tributário. Segundo investigações da Receita Federal, o conglomerado teria sonegado o Imposto de Renda ao usar um paraíso fiscal para comprar os direitos de transmissão da Copa de 2002. 

Quando as apurações terminaram, em outubro de 2006, a autarquia quis cobrar 615 milhões de reais da emissora. Semanas depois, a papelada do processo desapareceu da sede da Receita no Rio de Janeiro. Em janeiro de 2013, a funcionária da Receita Cristina Maris Meinick Ribeiro foi condenada pela Justiça a quatro anos de cadeia como responsável pelo sumiço. No processo, ela disse ter agido por livre e espontânea vontade. Plim-plim.
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Até o editor de jornal tucano não aguenta mais a corrupção no governo Alckmin

28.12.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 27.12.13

O editor do jornal Folha de São Paulo, mais conhecido como panfleto do PSDB, ou jornal de assessoria dos tucanos, resolveu cobrar  uma atitude do governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

 No texto "Não é com ele" ("Opinião", ontem), Ricardo Balthazar toca num assunto até aqui tratado com desdém, pela Folha inclusive, que é a total exclusão de responsabilidade de Alckmin no caso de corrupção envolvendo trens e metrô em SP, pois, se ele não sabia de nada, indicou mal e não prestou atenção em sua própria "cozinha", e, se sabia, tem responsabilidade no caso.
Não é com ele

 Diante das investigações sobre o cartel de empresas que se uniu para fraudar licitações de trens nas administrações do PSDB em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin comporta-se às vezes como se o assunto não fosse com ele.

Em outubro, ele apareceu falando grosso em anúncio veiculado por seu partido na televisão. "Nós queremos toda a verdade, somos o maior interessado nisso", disse. "Vou fundo nessa história, punir os culpados."

 Três dias depois, a Corregedoria do Estado recomendou à Secretaria de Planejamento que demitisse imediatamente um funcionário sob investigação por causa de suas ligações com a turma do cartel, Pedro Benvenuto.

Passados dois meses, o próprio Benvenuto decidiu entregar na semana passada o cargo que ocupava, como a Folha informou ontem. A Secretaria do Planejamento afirma que ainda estava estudando o que fazer com o caso quando foi surpreendida pela decisão de Benvenuto.

Não é fácil para Alckmin olhar para o outro lado. Dois auxiliares de sua confiança, o chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, foram acusados de receber propina para facilitar negócios do cartel com o governo estadual.

Alckmin decidiu mantê-los, por uma razão simples.  O governador sabe dos riscos que corre. Se as investigações avançarem no ano em que ele estará em busca da reeleição, mais revelações poderão lhe causar enorme embaraço.

Alckmin enfrentará uma eleição difícil em 2014. Ele acha que terá um trunfo se conseguir preservar a imagem de bom moço e administrador austero que os eleitores costumam associar a ele. Pode ser. Mas muito dependerá do andamento das investigações sobre o cartel, uma variável hoje completamente fora do controle do governador.
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Hildegard Angel: “Não estou vendo fantasmas; o Projeto do Mal de 64 ganha corpo”

28.12.2013
Do blog VI O MUNDO, 26.12.13
Por Hildegard Angel, em seu blog, sugerido por Messias Franca de Macedo

Stuart e Zuzu Angel, irmão e mãe de Hildegard assassinados pela ditadura civil-militar

A GENTE NUNCA PERDE POR SER LEGÍTIMO, MAS QUEM CONTA A HISTÓRIA SÃO OS VENCEDORES, NÃO ESQUEÇAM!

O fascismo se expande hoje nas mídias sociais, forte e feioso como um espinheiro contorcido, que vai se estendendo, engrossando o tronco, ampliando os ramos, envolvendo incautos, os jovens principalmente, e sufocando os argumentos que surgem, com seu modo truculento de ser.

Para isso, utiliza-se de falsas informações, distorções de fatos, episódios, números e estatísticas, da História recente e da remota, sem o menor pudor ou comprometimento com a verdade, a não ser com seu compromisso de dar conta de um Projeto.

Sim, um Projeto moldado na mesma forma que produziu 1964, que, os minimamente informados sabem, foi fruto de um bem urdido plano, levando uma fatia da população brasileira, a crédula classe média, a um processo de coletiva histeria, de programado pânico, no receio de que o país fosse invadido por malvados de um fictício Exército Vermelho, que lhes tomaria os bens e as casas, mataria suas criancinhas, lhes tiraria a liberdade de ir, vir e até a de escolher.

Assim, a chamada elite, que na época formava opinião sobre a classe média mais baixa e mantinha um “cabresto de opinião” sobre seus assalariados, foi às ruas com as marchas católicas engrossadas pelos seus serviçais ao lado das bem intencionadas madames.

Elas mais tarde muito se arrependeram, ao constatar o quanto contribuíram para mergulhar o país nos horrores de maldades medievais.

Agora, os mesmos coroados, arquitetos de tudo aquilo, voltam a agir da mesma forma e reescrevem aquele conto de horror, fazendo do mocinho bandido e do bandido mocinho, de seu jeito, pois a História, meus amores, é contada pelos vencedores. E eles venceram. Eles sempre vencem.

Sim, leitores, compreendo quando me chamam de “esquerdista retardatária” ou coisa parecida. Esse meu impulso, certamente tardio, eu até diria sabiamente tardio, preservou-me a vida para hoje falar, quando tantos agora se calam; para agir e atuar pela campanha de Dilma, nos primórdios do primeiro turno, quando todos se escondiam, desviavam os olhos, eram reticentes, não declaravam votos, não atendiam aos telefonemas, não aceitavam convites.

Essa minha coragem, como alguns denominam, de apoiar José Dirceu, que de fato sequer meu amigo era, e de me aprofundar nos meandros da AP 470, a ponto de concluir que não se trata de “mensalão”, conforme a mídia a rotula, mas de “mentirão – royalties para mim, em pronunciamento na ABI – eu, a tímida, medrosa, reticente “Hildezinha”, ousando pronunciamentos na ABI! O que terá dado nela? O que terá se operado em mim?

Esse extemporâneo destemor teve uma irrefreável motivação: o medo maior do que o meu medo. Medo da Sombra de 64. Pânico superior àquele que me congelou durante uma década ou mais, que paralisou meu pensamento, bloqueou minha percepção, a inteligência até, cegou qualquer possibilidade de reação, em nome talvez de não deixar sequer uma fresta, passagem mínima de oxigênio que fosse à minha consciência, pois me custaria tal dor na alma, tal desespero, tamanha infelicidade, noção de impotência absoluta e desesperança, perceber a face verdadeira da Humanidade, o rosto real daqueles que aprendi a amar, a confiar…

Não, eu não suportaria respirar o mesmo ar, este ar não poderia invadir os meus pulmões, bombear o meu coração, chegar ao meu cérebro. Eu sucumbiria à dor de constatar que não era nada daquilo que sempre me foi dito pelos meus, minha família, que desde sempre me foi ensinado. O princípio e mandamento de que a gente pode neutralizar o mal com o bem. Eu acreditava tão intensamente e ingenuamente no encanto da bondade, que seguia como se flutuasse sobre a nojeira, sem percebê-la, sem pisar nela, como se pisasse em flores.

E aí, passadas as tragédias, vividas e sentidas todas elas em nossas carnes, histórias e mentes, porém não esquecidas, viradas as páginas, amenizado o tempo, quando testemunhei o início daquela operação midiática monumental, desproporcional, como se tanques de guerra, uma infantaria inteira, bateria de canhões, frotas aérea e marítima combatessem um único mortal, José Dirceu, tentando destrui-lo, eu percebi esgueirar-se sobre a nossa tão suada democracia a Sombra de 64!

Era o início do Projeto tramado para desqualificar a luta heroica daqueles jovens martirizados, trucidados e mortos por Eles, o establishment sem nomes e sem rostos, que lastreou a Ditadura, cuja conta os militares pagaram sozinhos. Mas eles não estiveram sozinhos.

Isso não podia ser, não fazia sentido assistir a esse massacre impassível. Decidi apoiar José Dirceu. Fiz um jantar de apoio a ele em casa, Chamei pessoas importantes, algumas que pouco conhecia. Cientistas políticos, jornalistas de Brasília, homens da esquerda, do centro, petistas, companheiros de Stuart do MR8, religiosos, artistas engajados. Muitos vieram, muitos declinaram. Foi uma reunião importante. A primeira em torno dele, uma das raras. Porém não a única. E disso muito me orgulho.

Um colunista amigo, muito importante, estupefato talvez com minha “audácia” (ou, quem sabe, penalizado), teve o cuidado de me telefonar na véspera, perguntando-me gentilmente se eu não me incomodava de ele publicar no jornal que eu faria o jantar. “Ao contrário – eu disse – faço questão”.

Ele sabia que, a partir daquele momento, eu estaria atravessando o meu Rubicão. Teria um preço a pagar por isso.

Lembrei-me de uma frase de minha mãe: “A gente nunca perde por ser legítima”. Ela se referia à moda que praticava. Adaptei-a à minha vida.

No início da campanha eleitoral Serra x Dilma, ao ler aqueles sórdidos emails baixaria que invadiam minha caixa, percebi com maior intensidade a Sombra de 64 se adensando sobre nosso país.

Rapidamente a Sombra ganhou corpo, se alastrou e, com eficiência, ampliou-se nestes anos, alcançando seu auge neste 2013, instaurando no país o clima inquisitorial daquela época passada, com jovens e velhos fundamentalistas assombrando o Facebook e o Twitter. Revivals da TFP, inspirando Ku Klux Klan, macartismo e todas as variações de fanatismo de direita.

É o Projeto do Mal de 64, de novo, ganhando corpo. O mesmo espinheiro das florestas de rainhas más, que enclausuram príncipes, princesas, duendes, robin hoods, elfos e anõezinhos.

Para alguns, imagens toscas de contos de fadas. Para mim, que vi meu pai americano sustentar orfanato de crianças brasileiras produzindo anõezinhos de Branca de Neve de jardim, e depois uma Bruxa Má, a Ditadura, vir e levar para sempre o nosso príncipe encantado, torturando-o em espinheiros e jamais devolvendo seu corpo esfolado, abandonado em paradeiro não sabido, trata-se de um conto trágico, eternamente real.

Como disse minha mãe, e escreveu a lápis em carta que entregou a Chico Buarque às vésperas de ser assassinada: “Estejam certos de que não estou vendo fantasmas”.
Feliz Ano Novo.

Inclusive para aqueles injustamente enclausurados e cujas penas não estão sendo cumpridas de acordo com as sentenças.

É o que desejo do fundo de meu coração.

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Qual o sentido da vida, universo e tudo mais?

27.12.2013
Do BLOG DO IBRAIM
Por Thiago Ibrahim (@thiagoibrahim)



Dia desses um grande amigo meu, com o qual cresci na igreja, me fez uma pergunta que levou-me a refletir sobre o propósito de sermos salvos e de vivermos nesse mundo negando a nossa própria natureza e seguindo os ensinamentos de Cristo. A pergunta foi a seguinte: "qual é o propósito de existirmos?"

Após pensar um pouco, respondi-lhe, contudo não fiquei satisfeito com a minha própria resposta, apesar de correta, e então resolvi parar para pensar um pouco mais sobre o assunto e desse "pensar" nasceu esse texto.

Há algum tempo li um livro chamado "O Guia do Mochileiro das Galáxias" no qual uma das grandes referências é uma pergunta feita no desenrolar da história e que todos vivem atrás de entender: "Qual o sentido para a vida, o universo e tudo mais?". Essa pergunta é bastante parecida com a pergunta que o meu amigo Názaro me fizera, e é a partir dela que busco respostas na Bíblia, já que a resposta (42) dada no "Guia" não é lá muito satisfatória.

Na Bíblia, Paulo falando a igreja de Éfeso expõe o plano de salvação e no decorrer da explicação diz o seguinte:

"Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória." Efésios 1:11-12

Paulo quer dizer aqui que o sentido da existência da humanidade é o louvor da glória do Deus soberano criador de todo o universo. E que nós, os salvos, fomos escolhidos e predestinados para isso, de acordo com a vontade de Deus. Pra nós que somos salvos, louvar a Deus não é uma obrigação, mas uma atitude de gratidão, é uma forma de demonstrarmos ao nosso criador que entendemos a razão de termos sido criados.

Durante o capítulo 1 da epístola aos Efésios Paulo fala 3 vezes sobre o "louvor da gória de Deus", nos versículos 6, 12 e 14. Em todos eles o apóstolo explica o nosso objetivo como salvos.

Em outra carta Paulo fala sobre o propósito da nossa existência (e até da nossa não existência), dessa vez vemos esse assunto sendo abordado pelo apóstolo na 2ª epístola aos Coríntios:

"Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor. Por isso, temos o propósito de lhe agradar, quer estejamos no corpo, quer o deixemos." 2 Coríntios 5:8-9

De acordo com o que Paulo escreve aos coríntios, o sentido do cristão, vivendo ou morrendo é agradar ao Deus soberano.

Agora, voltando a Efésios 1, podemos ver claramente que esse mistério - "qual o sentido da nossa existência" - não foi revelado a todas pessoas, mas apenas a quem está ligado a Cristo, em quem todas as coisas irão convergir na "dispensação da plenitude dos tempos", conforme Efésios 1:9 e 10.

"E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos."

Portanto, nós que somos salvos e que recebemos a revelação do propósito de Deus estabelecido em Cristo antes da fundação do mundo, somos convocados a viver para o louvor da glória de Deus. Assim, vivamos uma vida santa e agradável a Ele. Façamos de nossa vida um hino de louvor a gloriosa Graça do Deus que nos escolheu pra vivermos de acordo com o propósito da nossa criação.

E você, quer experimentar ter uma vida com propósito? É simples, basta unir-se a Cristo por meio da fé Nele e viver debaixo da gloriosa Graça do Deus soberano e Criador de todas as coisas, a quem todos nós, os santos entoamos honras e louvores,

Soli Deo Gloria.

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