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sábado, 21 de dezembro de 2013

RONALD BIGGS: 100 anos de perdão

22.12.2013
Do blog FUTEPOCA, 18.12.13
Por MARCOS FUTEPOCA 

Biggs, na época do crime famoso
Morreu hoje na Inglaterra o ladrão confesso Ronald Biggs, que participou com 16 comparsas do célebre "assalto ao trem pagador", há 50 anos. Tratava-se de um trem postal que fazia o trajeto entre Glasgow, na Escócia, e Londres. Naquele 8 de agosto de 1963, exatamente o dia em que Biggs completou 34 anos, a quadrilha dividiu um butim de 2,6 milhões de libras, uma montanha de 120 sacolas com 2,5 toneladas de dinheiro em espécie. Dizem que o valor nunca foi recuperado, mas isso tem toda pinta de ser aquela conversinha clássica da polícia... Além do roubo, Biggs era acusado de ter ferido gravemente o maquinista Jack Mills, que morreria seis anos depois. Concluído o assalto, os bandidos se reuniram em seu esconderijo, uma fazenda, para dividir a grana e planejar o futuro.

Tabuleiro que está no museu
Lá, eles comemoraram o sucesso e o aniversário de Biggs com charutos, bebidas e uma partida de Banco Imobiliário com as notas recém-roubadas. Mas os caras deixaram uma "brecha" comparável com a da Portuguesa no Brasileirão de 2013 (que escalou jogador irregular e, por isso, pode ir pra Série B): na manhã seguinte, deixaram o local após pagarem 28 mil libras a um cúmplice, para que limpasse qualquer vestígio, mas o manguaça fez um serviço beeeem porco. Assim, a polícia encontrou digitais de quase todos eles nas peças do jogo, em revistas e talheres utilizados no local (o tabuleiro do Banco Imobiliário usado por eles virou peça de arte no Museu Thames Valley Police). Preso rapidamente e condenado a 30 anos de reclusão, Biggs escapou do presídio de Wandsworth em 1965, ao pular o muro com uma corda de pano e fugir em uma caminhonete. Depois, fugiu para Paris, comprou um passaporte falso e fez uma cirurgia plástica - o que indica explicitamente que, para conseguir fazer tudo isso, ele ainda detinha (boa) parte do dinheiro roubado e meios para movimentá-lo.

Biggs e Mike, o filho brasileiro
Dizem que, nesse meio tempo, passou ainda por Bélgica e Panamá. Em 1970, mudou-se para Adelaide, na Austrália, com a família que havia formado antes do assalto - mulher e três filhos. Tranquilamente, trabalhou na montagem de cenários no Channel 10, até que um repórter o reconheceu. Daí, fugiu para Melbourne, permanecendo ali por algum tempo antes de escapulir para o Brasil no mesmo ano - e deixando toda a família para trás (em 1971, seu filho Nicholas, de 10 anos, morreria em um acidente de carro). Em 1974, Biggs foi flagrado por um repórter do jornal Daily Express no Rio de Janeiro, a partir de informações da Scotland Yard. Porém, não havia compromissos ou tratados de extradição firmados entre Brasil e Inglaterra e a então namorada do assaltante, Raimunda de Castro, estava grávida, situação que impedia a expulsão, segundo nossa legislação. O filho brasileiro, Michael, ficaria famoso no início da década seguinte como Mike, um dos integrantes do grupo musical infantil Balão Mágico, junto com Simony, Tob e Jairzinho.

Compacto dos Pistols gravado no Brasil
Até 2001, Biggs viveu incólume em terras brasileiras, até que, aos 72 anos, resolveu viajar voluntariamente à Inglaterra e se entregar à polícia (dizem que estava gravemente doente e não tinha recursos para se tratar). Porém, nos 30 anos de exílio em nosso país, o ex-assaltante se tornou uma "celebridade", temperando ainda mais sua biografia digna de enredo fictício. Proibido de trabalhar legalmente, ganhava a vida no Rio, nos anos 1970, vendendo xícaras ecamisetas com sua foto e cobrando alguns dólares para almoçar e bater papo com turistas. Em 1978, foi visitado por dois dos Sex Pistols, Steve Jones e Paul Cook, que gravaram aqui uma música com letra e vocais de Biggs, a hilária "No one is innocent" - "Ninguém é inocente". O vídeo abaixo mostra os punks ingleses batendo na porta do famoso assaltante, no Rio, que sai da casa sem camisa e com uma garrafa na mão. Na sequência, sempre enchendo a cara, eles vão ao Cristo Redentor, a um bar, ao estúdio de gravação, à praia e a um baile repleto de mulatas seminuas sambando:


Bebendo, no clipe dos alemães
Mas nem tudo foi farra: em 1981, Biggs foi sequestrado e levado até Barbados por um grupo que esperava alguma recompensa da polícia britânica. Porém, o assaltante fez uso de artifícios na lei para ser mandado de volta ao Brasil. Voltou à vida de "artista", formou uma banda e gravou o disco "Mailbag Blues" (novo sarcasmo: "Blues da Mala Postal") e participou ainda, em 1991, da gravação da faixa "Carnival In Rio (Punk Was)", da banda alemã Die Toten Hosen. No vídeo abaixo, também gravado no Rio de Janeiro, Biggs canta e, no final, aparece rapidamente tomando cerveja (o inglês era manguaça!). Além de aproveitar muito bem a boa vida tupiniquim, o inglês também defendeu uns trocos no livro que conta a história do assalto, autorizado mediante pagamento pelos criminosos, "The great train robbery", e com seu próprio livro, "Odd man out" - "Um estranho no ninho".

Drake: 'queridinho' da realeza
OSSOS DO ORIFÍCIO - Apesar da vida fantástica e inacreditável, Ronnie Biggs foi um criminoso e, como tal, não deve ser louvado. Mas é engraçado que tenha sido uma das maiores e mais famosas pedras no sapato da polícia inglesa. Sua prisão era vista como "justiçamento moral". E é engraçado porque a própria Inglaterra, no século 16, adotou oficialmente uma política que incentivava a pirataria marítima (invasão, roubo e pilhagem) para engordar suas divisas, tendo como principais vítimas os espanhóis - que, aliás, saqueavam os índios e as terras latino-americanas. Naquele tempo, oroubo (o grifo é nosso) de navios, com incentivo oficial da rainha Elizabeth I, era prática corriqueira. Francis Drake, o pirata mais famoso, ganhou da realeza os títulos de capitão e vice-almirante, depois de saques espetaculares, violentos e muito lucrativos. Por essa ótica, visto como um inglês entre os ingleses, Ronald Biggs poderia até justificar o dito popular de que "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão". Ou, no mínimo, como diz o título de sua música gravada com os Sex Pistols, "ninguém é inocente"...
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ANS amplia fiscalização para demandas não assistenciais de consumidores de planos de saúde

21.12.2013
Do portal da Agência Brasil, 20.12.13
Por Alana Gandra
Rio de Janeiro - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou hoje (20) um novo instrumento de notificação às operadoras de planos de saúde em defesa do consumidor. Com isso, a partir de 19 de março de 2014, os usuários de planos contarão também com a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) não assistencial, que pode ser aberta em casos como reajustes indevidos.
A medida é parte da Resolução Normativa 343, publicada ontem (19) no Diário Oficial da União. Atualmente, os usuários de planos de saúde já contam com a NIP assistencial, que abrange todas as negativas de cobertura pelos planos. O novo modelo vai atender aos descumprimentos contratuais não relacionados diretamente à assistência à saúde.
As notificações podem ser abertas quando o beneficiário de plano de saúde é afetado diretamente pela conduta da operadora e não houver possibilidade de mediação. Para isso, é preciso que o consumidor apresente à ANS o número de protocolo do contato efetuado com a sua operadora. As empresas terão prazo de até dez dias úteis para responderem à notificação não assistencial. Já o prazo para atendimento à notificação assistencial é de cinco dias úteis.
A ANS passará a notificar as operadoras pelo portal na internet e as empresas deverão cumprir as ações necessárias para atendimento da notificação. O consumidor poderá apresentar suas demandas em todos os canais de atendimento da ANS (inclusive pelo Disque ANS ou pelo atendimento presencial nos núcleos do órgão) e acompanhar a notificação na internet, desde que se cadastre no site da agência.
A agência esclareceu, entretanto, por meio de sua assessoria de imprensa, que a ampliação da abrangência da NIP não trará alterações para o Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento, que continuará se baseando nas reclamações dos cidadãos sobre negativas de cobertura e descumprimento dos prazos máximos para realização de consultas, exames e cirurgias.
Segundo o diretor de Fiscalização da ANS, Bruno Sobral, a não resolução do conflito na etapa de mediação poderá resultar na abertura de processo administrativo sancionador. Para ele, o novo instrumento tornará mais ágil e eficaz o processamento das demandas dos consumidores, contribuindo também para aprimorar o relacionamento das operadoras com seus beneficiários.

Edição: Davi Oliveira
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MÍDIA SELETIVA: Globo persegue Dirceu, mantém o linchamento público e evita ir à Suíça tucana

21.12.2013
Do  blog PALAVRA LIVRE, 05.12.13
Por Davis Sena Filho 

O ex-ministro da Casa Civil e político histórico do PT, José Dirceu, continua em sua via crucis mesmo depois de condenado à prisão. Dirceu precisa trabalhar para diminuir sua pena. Qualquer preso em regime aberto ou semiaberto necessita do trabalho para se ocupar e ser reintegrado à sociedade.

Trata-se de um direito previsto em Lei e mesmo assim os magnatas bilionários donos da imprensa venal continuam a perseguir o petista, de forma infame e covarde ao fazer de tudo para impedir que José Dirceu consiga um emprego e, consequentemente, passe a gastar seu tempo a executar algum serviço laboral, no caso dele assumir um posto de gerente no Hotel Saint Peter.

O problema do militante do PT é que ele é alvo dos jornalistas pagos pelos barões da imprensa comercial e privada. As principais redações enviaram repórteres ao Panamá porque descobriam que a empresa de hotelaria foi comprada por intermédio de um laranja em uma operação classificada como ilícita.

Agora, vamos à pergunta que teima em não se calar: o que o líder petista tem a ver com isso? Respondo: Nada! Contudo, os verdugos da imprensa de negócios privados continuam em seus périplos de terror, com a finalidade de prejudicar José Dirceu e para isso fazem ilações maldosas, “reportagens” maledicentes, que induzem as pessoas a pensar mal do petista e torcer para que algum juiz conservador do STF impeça o político socialista de sair da prisão para trabalhar e, por conseguinte, diminuir sua pena.

A imprensa burguesa é infame e sua infâmia a leva, inexoravelmente, ao descrédito e à total desconfiança de milhões de brasileiros que há muito tempo desconfiam do jornalismo meramente declaratório e de apelo escandaloso de uma imprensa mercantilista que somente pensa em seus negócios financeiros e que não tem compromissos quaisquer com a Nação brasileira.

Se José Dirceu não conseguir ser contratado, vai ter de ficar encarcerado, porque vai ser impedido de sair, pois o regime semiaberto não permite que a pessoa saia sem ter sido contratada para trabalhar. Com a perseguição da imprensa corporativa, as empresas vão ter medo de contratar alguém que é seu alvo, pois os empresários não querem ter seus negócios de devassados, de forma impiedosa e sem o mínimo cuidado com a realidade dos fatos.

A Rede Globo enviou uma equipe para o Panamá, porque um dos sócios do hotel é de lá. E aí sabe como é que é, né? José Dirceu quer um emprego em tal hotel... E daí? Enquanto isso os escândalos do trensalão e do metrosalão tucanos de mais de R$ 1 bilhão, “o maior propinoduto da história do País”, poderiam alardear as manchetes dos jornais da velha imprensa, o que, seguramente, os bárbaros não vão fazer.

Escândalos de corrupção que tramitam no Judiciário suíço, pois denunciados por empregados das multinacionais da Alstom e da Siemens e investigados pelo Ministério Público Federal da Suíça não mereceram uma viagem dos repórteres da Globo ao país alpino, pois o que interessa ao Jornal Nacional é o Panamá, fato este que tem a intenção de atingir José Dirceu e por tabela o governo popular de Dilma Rousseff, o PT “e tudo o que está aí”, como afirmavam, de forma alienada mas perversa, muitos dos coxinhas reacionários que foram às ruas em junho, sem, no entanto, saber pontualmente por que estavam a protestar, por falta de pauta, de conhecimento das realidades brasileiras, porém, com a certeza de compreender que são por índole e instinto politicamente conservadores.

O Ministério Público anunciou há dois dias que houve superfaturamento de R$ 1 bilhão em reformas de trens em São Paulo na administração de José Serra. A verdade é que se houvesse uma devassa nas contas públicas nos últimos 20 anos de administrações do PSDB em São Paulo, os valores seriam inimagináveis, porque somente se fala em bilhões quando se trata das investigações efetivadas pelo MP. E a Globo se cala, pois cúmplice e irmã siamesa dos tucanos paulistas. Por sua vez, quando se trata de José Dirceu e do PT... 

Não há cego que não enxergue tão grande patifaria midiática; não há surdo que não ouça sobre os escândalos de corrupção bilionários dos tucanos; e não há mudo que não fale sobre esses casos. Não adianta esconder o sol com a peneira, porque quando começar o horário político eleitoral em 2014, o PT vai tratar desses assuntos.

Temas que vão ser abordados de forma direta com o cidadão eleitor, que vai ouvir outras versões, pois que até agora a versão que é difundida e repercutida é a da mídia historicamente golpista, que censura e esconde os crimes dos tucanos e, por seu turno, alimenta uma campanha sistemática e intermitente contra o PT, os presidentes trabalhistas, os governos populares e o programa de governo que incluiu mais de 50 milhões de brasileiros.

Por que a imprensa de mercado trata diferente o cartel tucano e a AP 470?  Todo mundo sabe disso, até os que votam no PSDB. O que está a acontecer no Brasil em plena vigência do estado democrático de direito é a intromissão nada republicana do sistema midiático privado na vida brasileira, no que diz respeito à soberania das instituições e à desconstrução das imagens dos políticos eleitos legalmente e constitucionalmente pelo povo brasileiro.

A imprensa empresarial, juntamente com o STF e a PGR, quer pautar a agenda governamental e governar no lugar dos presidentes eleitos, ainda mais quando os mandatários que estão no poder são trabalhistas e de esquerda. Esses fatos e realidades acontecem com as lideranças políticas em toda a América Latina. Basta não abaixar a cabeça para o establishment. José Dirceu tem direito ao semiaberto, e, portanto, tem de ter acesso ao trabalho, apesar de a Globo fugir da Suíça como o diabo foge da cruz. É isso aí.  
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As cinco lições bíblicas de “O Hobbit: A Desolação de Smaug”

21.12.2013
Do portal GOSPEL PRIME, 18.12.13
Por  Jarbas Aragão

Texto de Tolkien mostra elementos que refletem fé cristã de autor

As cinco lições bíblicas de “O Hobbit: A Desolação de Smaug”
Assim como C.S Lewis e suas Crônicas de Nárnia, J.R.R. Tolkien lança em seus livros infanto-juvenis elementos que refletem a fé cristã do seu autor. Não são menções claras, mas ao longo da trama podem ser percebidas em palavras e atitudes, afinal as histórias não se passam neste mundo. O novo capítulo da trilogia do Hobbit é um dos grandes lançamentos de cinema do ano. O site Christian Post selecionou cinco lições claras do Antigo e do Novo Testamento presentes no longa.

1. A corrupção da ganância

Um dos temas nos livros de JRR Tolkien que refletem partes do ensinamento de Cristo é que a ganância e o amor ao dinheiro pode corromper a alma do ser humano. Um dos personagens principais da narrativa, o anão Thorin Escudo de Carvalho, investe tudo que tem para recuperar a riqueza que está na montanha e com isso também ganhar poder. Por isso, arrisca até a vida para tirá-lo do dragão (símbolo bíblico do mal). Se levarmos em conta outras lições similares presentes na trilogia o Senhor dos Anéis, o novo Hobbit também ensina que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.

2. A importância da profecia

A profecia desempenha um papel importante em “A Desolação de Smaug”. Para encontrar o seu caminho de volta à Montanha Solitária, os anões precisam ficar diante de uma porta no último dia do outono para ver a luz brilhar no buraco da fechadura. Essa é a única entrada, disponível uma vez por ano, e somente quando um pássaro tordo se faz presente.
Outra profecia, essa mais escura e terrível, alerta para o fogo que desce sobre os homens antes do final do combate. Se os anões não levassem em conta o que foi profetizado, jamais venceriam.
Assim como a Escritura, que está repleta de profecias, a “Desolação de Smaug” mostra que é sábio ouvir o que os antecessores deixaram como alerta.

3. A realidade dos demônios

O mago Gandalf trava uma luta contra o Necromancer, que como o nome indica, se relaciona com os mortos. A certa altura ele declara: “Sem dúvida, é uma armadilha.”
No mundo criado por Tolkien, a magia (poder sobrenatural) é parte do dia a dia. Tanto a do bem (branca) quanto a do mal (negra). Os orcs, a certa altura, escutam Gandalf perguntar: “Onde está o seu mestre?”. O líder dos orcs declara: “Ele está em toda parte, nós somos uma legião”. O diálogo remete à passagem de Lucas 8:30.
O Necromancer e os orcs são uma clara analogia sobre o poder e a atuação do Diabo e dos demônios, combatendo os que lutam em nome da luz.

4. O mal de invocar os mortos

Como mencionado acima, o Necromancer traz os mortos de volta à vida. No filme, Gandalf e seu colega Radagast viajam até uma torre com túmulos antigos, onde descobrem 9 túmulos vazios.
A ideia de o mal invocar os mortos remete à decisão do rei Saul em chamar uma bruxa para despertar o espírito do profeta Samuel (vide 1 Samuel 28). Outro título bíblico para quem falta com os mortos é “necromante”, que em inglês se escreve necromancer.

5. A força dos pequeninhos

No primeiro Hobbit, Bilbo impediu que seus amigos anões fossem comidos. Nesse, enfrenta as aranhas sozinho e os salva novamente. Parece ser um tema comum em toda a obra de Tolkien mostrar a importância das pessoas pequenas.
Nas duas trilogias, o protagonista é um ser de baixa estatura chamado hobbit. Neste filme, ele também enfrenta o dragão Smaug. O anão Balin observa, “Nunca deixa de me surpreender a coragem desses hobbits”.
De modo similar, Deus escolheu se tornar pequeno e limitado como um ser humano para salvar o mundo inteiro com um ato de grande coragem.
Assista o trailer de O Hobbit: A Desolação de Smaug
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XAPURI AINDA CONSERVA A MEMÓRIA DE CHICO MENDES

21.12.2013
Do portal BRASIL247
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IPTU Para Haddad, 'Casa Grande' impede justiça tributária em São Paulo

21.12.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 20.12.13
Por Eduardo Maretti, da RBA 
Sou socialista, acredito na necessidade da distribuição de renda', diz prefeito ao comentar decisão do STF que impede correção de imposto. Para ele, queda da Portuguesa só não é mais injusta do que isso
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MARCELO D'SANTS/FRAME/FOLHAPRESS
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Haddad avalia que Skaf se vale de 'inverdades' levadas à televisão para manipular a opinião pública
São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), chamou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de “Casa Grande”, em oposição à senzala, ao comentar a derrota judicial na batalha jurídica contra a entidade em torno da planta genérica de valores. “A Casa Grande não deixa a desigualdade ser reduzida na velocidade que a gente deseja”, afirmou, na bibliotecaPortug Mário de Andrade, em discurso na cerimônia de sanção da criação da SP Cine, agência estatal de fomento ao cinema na cidade. “Sou socialista, acredito na necessidade da distribuição de renda.”
À imprensa, embora tenha afirmado que não lhe “cabe comentar decisão judicial”, disse que é preciso haver “harmonia entre as decisões”. “Por exemplo, o mesmo tribunal que impediu a atualização da planta manda matricular 150 mil crianças na educação infantil. O STF que determina o pagamento dos precatórios à vista ou em cinco anos é o mesmo que impede a atualização da planta genérica.” A posição é a mesma do líder de seu governo na Câmara Municipal, Arselino Tatto.
Hoje à tarde, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, decidiu manter liminar de primeira instância que impede a prefeitura de aplicar no IPTU os valores fixados por legislação aprovada na Câmara, que promove aumentos nos bairros de maior valorização imobiliária e reajustes mais baixos ou redução de valores em áreas com menos infraestrutura urbana.
Em sua argumentação, Barbosa alegou que não tem conhecimento integral do orçamento municipal para saber se os prejuízos apresentados pela administração municipal com a manutenção da liminar são, de fato, daquele tamanho. A contestação apresentada ao Supremo diz que os cofres vão perder R$ 800 milhões em arrecadação direta, e até R$ 4 bilhões em repasses do governo federal que podem deixar de ser feitos por compromissos não honrados.
O presidente do STF argumentou ainda que é mais fácil a administração municipal esperar que o TJ de São Paulo julgue o mérito da questão para só depois aplicar a correção do que o contrário, ou seja, que se autorize um reajuste que depois terá de ser devolvido aos contribuintes.
Haddad descartou, porém, a possibilidade de emitir novos boletos após decisão judicial, e indicou que apenas em 2015 colocará em marcha o IPTU progressivo, após nova tramitação pela Câmara Municipal.
Para ele, as decisões da justiça contrariam o conceito histórico do IPTU. “O imposto é sobre a propriedade. Em bairros em que houve uma valorização acima da inflação, tem que haver aumento proporcional; onde houve valorização abaixo, tem que haver desconto. Essa é a lógica do IPTU desde tempos imemoriais, sempre foi assim”, disse. “É a primeira vez que acontece isso, uma prefeitura ser impedida de fazer justiça tributária.”
Para o prefeito, a concessão da liminar pelo Tribunal de Justiça paulista e sua manutenção nos tribunais superiores “é um precedente que causa muita preocupação, porque se esse entendimento valer para todas as cidades brasileiras, os prefeitos vão ter muitas dificuldades de manter seus orçamentos”.
Ainda sobre o significado do precedente jurídico, apontou que as decisões anteriores não haviam chegado a comprometer a planta genérica proposta pela prefeitura. “Sempre se discutiu alíquota ou progressividade, mas a planta genérica sempre foi uma espécie de cláusula pétrea, não se discute. Agora temos uma realidade nova e podemos perder essa fonte. Desde o prefeito Jânio Quadros, é a primeira vez na história de São Paulo que um prefeito é impedido de atualizar a planta genérica de valores.”
Haddad esclareceu que para 2014 o reajuste será de forma habitual, pela inflação. “Manteremos o quadro atual.” Disse também que não haverá nenhuma nova medida quanto ao IPTU e à planta genérica. “Tudo agora depende da justiça, nada mais depende da prefeitura e nem do Legislativo.”
Ele explicou que o contingenciamento (verbas que a prefeitura não poderá usar) será de cerca de R$ 4 bilhões. “A maior parte desses R$ 800 milhões de IPTU era de contrapartida de recursos do PAC. Cada real que a gente deixa de arrecadar nós perdemos três reais do governo federal.”
Afirmou ainda que a Fiesp e seu presidente, Paulo Skaf, sabiam dessa informação, mas a omitiram. “Paulo Skaf foi avisado, mas preferiu omitir e levar à TV as inverdades que levou.”
Mais cedo, o prefeito havia dito que Skaf é “demagogo”.
Apesar da contrariedade, Haddad usou de bom humor para fazer uma comparação: “Queda da Portuguesa só não é mais injusta do que isso”, disse, em referência ao rebaixamento no tapetão da Portuguesa no Campeonato Brasileiro de futebol.
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ECOS DO MENSALÃO: Golpe e farsa

21.12.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 17.12.13
Por Mauro Malin, na edição 777 

Jornalistas, policiais, políticos e os outros todos, cidadãos ou especificamente leitores, não diferimos muito. É verdade que apenas ínfima parcela dos cidadãos, e fração um pouquinho maior dos leitores, minoria privilegiada da população, alcançam (ou sofrem) o grau de visibilidade das três primeiras categorias. Mas os jornalistas, para irmos ao ponto, não são hordas de janízaros aquartelados. São recrutados na mesma sociedade que produz seus críticos e nela permanecem mergulhados quando não estão nas redações.
Beira o impossível imaginar um sistema capaz de substituir a cultura jornalística das redações. Não dá para recrutar cidadãos prestantes, como fazem os tribunais do júri, e mandá-los para as ruas cobrir os fatos. Aumentariam catastroficamente a margem de erro, o facciosismo, a vulnerabilidade a influências de todo tipo. Notícia é diferente de boato, rumor: em contexto adequado, passa por uma cadeia de filtros (para o bem e para o mal).
Também já se constatou que soluções tipo mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) não são capazes de entregar o que seu nome promete (ver Não é livre, não é jornalismo, mas vai ficar“).
Fonte indispensável
Estamos, portanto, até prova em contrário, condenados a receber da mídia jornalística – em qualquer de suas modalidades – as primeiras informações sobre fatos considerados relevantes pelas pessoas que decidem o que é ou não relevante. Contingência que está longe de representar o ideal. Daí, por exemplo, ter surgido um veículo como o Observatório da Imprensa, movido por utopia semelhante à descrita por Zygmunt Bauman como:
“(...) um horizonte em movimento constante, que recuasse perpetuamente, mas que guiasse a viagem; ou como um ferrão espetando a consciência, uma censura aborrecida que coloca a complacência e a autoadoração fora dos limites e fora de questão” (Bauman sobre Bauman – Diálogos com Keith Tester, Rio de janeiro, Zahar, 2011, pág. 59).
Trabalho perverso
É difícil encontrar categoria social mais acerbamente crítica do jornalismo do que a dos... jornalistas. H.L. Mencken, por exemplo, escreveu sobre seus colegas de profissão: “O trabalho de fazer jornal é perverso, assim como são perversos quase todos os que se deixam atrair por ele (...)”.
Cuidado, leitor com vocação para desqualificar os profissionais dos meios de comunicação. Você há de ter notado que a frase está interrompida. Ela continua assim: “mas a perversidade primária não está neles, e sim nos seus fregueses” (O livro dos insultos, tradução e prefácio de Ruy Castro, São Paulo, Companhia das Letras, 1988).
Fatos e interpretações
A narrativa dos fatos não esgota o trâmite dos significados. Em seguida à emissão ou publicação da notícia vem a interpretação. Como se sabe, nem a Bíblia, livro considerado sagrado pelas três grandes religiões monoteístas, está livre de interpretações às vezes tão antagônicas que levaram e levam os intérpretes a se matar e praticar as mais selvagens ignomínias contra os que pensam diferente.
Dentro do que prescreve a Constituição da República (sempre o bendito art. 5º do Capítulo I, “Dos direitos e deveres individuais e coletivos”), cada um interpreta como lhe apraz. Refiro-me aos que prezam a democracia e aceitam a Constituição como seu fundamento, expressão legal do pacto social vigente.
Lula analisa
O ex-presidente Lula é crítico costumeiro da mídia jornalística, à qual tanto deve (mais uma vez: para o bem e para o mal). Registre-se, para fazer justiça, que a presidente Dilma Rousseff até hoje não se associou à cantilena antimídia (a candidata Dilma o fez, nesse ou naquele palanque), revigorada após a expedição de mandados de prisão para mensaleiros.
Lula fez em congresso de seu partido uma exegese do trabalho da imprensa segundo a qual houve desproporção entre o espaço dado ao “emprego do Zé Dirceu no hotel” e à “quantidade de cocaína no helicóptero” (referência ao uso por traficantes de um helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella, SSD-MG; O Estado de S. Paulo, 13/12). Talvez tivesse dado o mesmo destaque a uma e outra notícia se fosse editor de algum jornal, mas isso jamais saberemos. Será que o helicóptero dos Perrella é mais notícia do que o emprego putativo do preso José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República?
Na mesma reunião petista, o presidente da agremiação, Rui Falcão, fez outra comparação, depois de falar em “tsunami de manipulação” no processo do mensalão: “Por que o tratamento diferenciado de certos setores da grande imprensa em relação ao ‘trensalão’ do governo tucano de São Paulo?”
O comentário mais piedoso que se pode fazer é, talvez: imagine o que seria de lideranças políticas reptadas a explicar o inexplicável (e inaceitável) se não houvesse um Judas para malhar e desviar a atenção.
Um partido politicamente saudável, num país politicamente saudável, discutiria provavelmente como evitar cometer o mesmo erro político que gerou o escândalo da mesada para deputados federais. No caso, nem pensar. Sem chance.
Jefferson não foi o primeiro
Digressão oportuna: o “delator” do mensalão, Roberto Jefferson, não foi o primeiro a revelar o esquema. Repito aqui:
“O primeiro jornalista a denunciar o esquema de mesada no Congresso Nacional foi Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa, em fevereiro de 2004 (a entrevista de Jefferson a Renata Lo Prete foi publicada na Folha de S. Paulo em junho de 2005). Chagas mencionava um personagem pouco conhecido do público, mas chegado a expoentes do PSDB de Minas Gerais e a dirigentes nacionais do PT: Marcos Valério Fernandes de Souza.
“Em setembro de 2004, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) denunciou formalmente a prática corruptora. O então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), posteriormente um dos condenados no Supremo Tribunal Federal, ‘mandou apurar’. Em outubro, informou que a investigação não constatara nenhum delito” (transcrito de “Alguns fatores de desnorteamento“; ver também Palocci para editor-chefe, texto publicado nesteObservatório em agosto de 2005).
O ainda deputado João Paulo Cunha é daqueles indivíduos que levam a sério o preceito de que a melhor defesa é o ataque. Tem aproveitado as oportunidades possíveis nos estertores de sua notoriedade para jogar água no moinho da farsa que o PT montou para contrapor a fatos dolorosos (não só para o partido; para o país) do primeiro governo Lula.
A farsa
A farsa consiste em dizer que a denúncia de Jefferson (indivíduo em quem Lula, Dirceu e outros dirigentes não deveriam ter confiado tanto) fazia parte de um golpe de Estado tentado, mas não consumado.
Meu colega de Observatório Luciano Martins Costa se juntou ao coro em seu tópico para o programa de rádio do OI de sexta-feira (13/12):
“(...) a mesma estratégia utilizada para respaldar o golpe de 1964 foi aplicada a partir de 2006 para desestabilizar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O projeto de poder articulado pelos jornais só não foi bem sucedido porque, nesse período, a economia do Brasil já mostrava sinais de recuperação, após o ciclo negativo iniciado em 1999, e as políticas sociais de geração de renda davam início ao processo de redução da pobreza” (Sexta-feira, 13“).
Trata-se de uma interpretação sem lastro na chamada realidade dos fatos. O direito de interpretar faz parte do direito à livre manifestação do pensamento (art. 5o, § IV) e à livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação (art. 5o, § IX). Menos formalmente, Montaigne constata, em Da arte de conversar, que quem discorda das nossas ideias nos obriga a melhorá-las. “O acordo é, na conversação, qualidade bem aborrecida.”
Lula pediu desculpas
Diferentes argumentos poderiam ser alinhados em oposição à interpretação de Luciano Martins. O mais contundente é possivelmente a reação do então presidente Lula, que demitiu de seu governo José Dirceu, o “capitão do time”. Teria Lula colaborado com intentos golpistas, ou adotado uma posição politicamente suicida?
Em novembro de 2005, entrevistei para o programa de rádio do Observatório o então deputado José Eduardo Martins Cardozo, hoje ministro da Justiça. Sobre o mensalão, ele declarou:
“Evidentemente, existem fatos que infelizmente aconteceram, alguns comprovados, alguns até confessados. Entram numa linha de colisão com o que historicamente nós sempre defendemos no PT. Querer dizer que essa crise é fruto exclusivamente de um ataque ao governo e que nós não temos responsabilidade, nós não tivemos nada a ver com isso, é um equívoco, querer tapar o sol com a peneira” (ver Mídia não forjou crise, diz deputado do PT“; a entrevista completa está em “Deputado do PT diz que mídia não forjou crise“).
O golpe de 1964, cuja preparação foi denunciada por meu saudoso colega de trabalho Plínio de Abreu Ramos em reportagem na Folha de S. Paulo comentada por Luciano Martins, foi urdido por inimigos da democracia (que falavam em nome dela) desde a vitória do ex-ditador Getúlio Vargas nas eleições presidenciais de 1950. Atalhado em fase aguda pelo suicídio de Vargas, em 1954, percorreu o decênio seguinte em sucessivos espasmos, até sua organização final, civil-militar, desencadeada pela renúncia do golpista fracassado Jânio Quadros, em 1961.
O golpe imaginado por Luciano Martins é filho de uma farsa montada por dirigentes do PT para reduzir os prejuízos políticos causados pelo mensalão, escândalo que levou o então presidente Lula a pedir desculpas ao povo brasileiro (ver aqui).
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Vida extravagante de Biggs no Rio deixa saudades na vizinhança

21.12.2013
Do portal BBC BRASIL, 18.12.13
Por Júlia Dias Carneiro
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Casa onde Biggs morou no Rio (Foto: Julia Carneiro/BBC Brasil)
Casa onde Biggs levou vida de festas em Santa Teresa, no Rio

A notícia começou a se espalhar cedo no cruzamento da Rua Monte Alegre com a Áurea, um dos "baixos" boêmios de Santa Teresa, onde Ronald Biggs ia regularmente para tomar uma cerveja no Bar do Gomez ou na mercearia ao lado.

Durante mais de 15 anos, Biggs morou pertinho dali, subindo a ladeira de paralelepípedos da Monte Alegre. Ricardo Esteves, sócio da mercearia, diz que ele era "um grande amigo, um grande cliente, um grande freguês".

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"Ele recebia muita visita de fora e sempre trazia o pessoal aqui para beber. E dava muita festa em casa, então sempre comprava tudo aqui", diz.

Foi da mercearia, lembra Ricardo, que Biggs encomendou 30 engradados de cerveja para abastecer a festa que deu para comemorar os 30 anos do assalto ao trem pagador - que ocorreu em 8 de agosto de 1963, lançando-no para a história do crime mundial.

"Foi uma baita festa. Ele vai fazer muita falta. Ninguém recriminava ele aqui não. Ele só dava mais alegria ao bairro", diz.

Ronald Biggs
Ronald Biggs ficou famoso após assalto ao trem pagador

A casa onde Biggs morava foi por um bom tempo uma espécie de ponto turístico alternativo em Santa Teresa, com visitas tanto de pessoas ilustres quanto de turistas comuns que chegavam ávidos para conhecer o ladrão que virou ícone do crime mundial e celebridade carioca.

Água também roubada

O casarão antigo em estilo belle époque é dividido em três apartamentos. Biggs morou com o filho no nível mais baixo, com uma vista privilegiada para o centro do Rio e uma piscina que, de acordo com os vizinhos, era esvaziada e enchida duas vezes por semana com um gato para roubar água da rua – porque Biggs não gostava de cloro.

Nesta quarta-feira, o endereço virou ponto disputado pela imprensa, com repórteres de diversos veículos tocando as campainhas na vizinhança atrás de histórias sobre a vida carioca do célebre fugitivo inglês. Um cinegrafista lembrou que já estivera ali antes para entrevistar Biggs. "Mas ele só dava entrevista se a imprensa pagasse", disse.

O fotógrafo Renan Cepeda mora no apartamento logo acima no mesmo prédio e conviveu com Biggs e seu filho Mike durante 11 anos, até ele decidir voltar para a Inglaterra. Ele conta que pai e filho compraram o apartamento em 1984 – Mike era uma criança, mas o dinheiro que ganhou como integrante da banda Balão Mágico foi decisivo para a compra.

Cepeda testemunhou de perto a fama de festeiro de Biggs, com as festas e churrascos em volta da piscina. Mas o agito era também o seu ganha-pão. Biggs escapou da extradição graças ao filho brasileiro, mas não podia trabalhar no Brasil. Então o jeito foi se sustentar com a própria fama.

Julio Perillo
Taxista Julio Perillo levou muitos turistas para visitarem a casa de Biggs

"Ele cobrava para dar entrevistas, cobrava para as pessoas tirarem foto com ele, montou uma infraestrutura onde podia dar festas e receber turistas. Quase toda semana tinha gente visitando, parava uma van ou um ônibus na porta. Ele virou uma atração turística", lembra Cepeda.

‘Esconderijo perfeito’

Mas o fotógrafo diz que na maior parte do tempo Biggs era simplesmente o seu "vizinho inglês", que além de festas gostava de plantas e de marcenaria, e que até se esquecia que se tratava do famoso Ronnie Biggs – até que alguma virada no caso trouxesse hordas de repórteres para a porta do prédio.

No geral, porém, Santa Teresa era um refúgio. "Acho que ele se sentia muito bem aqui. A rua é pouco movimentada e ele gostava de ter a sua privacidade e sossego. Era o seu esconderijo perfeito", diz.

O esconderijo só não era melhor porque os moradores do bairro sabiam muito bem onde ele morava. O taxista Júlio César Perillo lembra de já ter levado passageiros para até lá só para que pudessem ver sua casa.

Ricardo Esteves
Ricardo Esteves é sócio da mercearia onde Biggs comprava bebidas

Ele transportou Biggs diversas vezes, tanto no táxi quanto na Kombi lotada que dirigia mais cedo.

"Tinha até prazer de levar ele, pô, um cara famoso mundialmente", lembra. "Mas apesar de ser famoso ele era muito simples. O pessoal tratava ele normalmente, ele se misturava com as pessoas comuns."

Como a maioria das pessoas ouvidas pela BBC Brasil, Perillo não mostrou nenhuma reservas quanto ao passado criminoso de Biggs. O fascínio suplantou o julgamento.

"Acho que no Brasil não precisa vir ladrão de fora. A gente aqui pode até exportar ladrão. Dá para mandar para fora que ainda vai sobrar muita gente."

‘Prisioneiro do Rio’

Ronald Biggs deixou o Brasil e Santa Teresa em 2001. Ele e o filho enfrentavam dificuldades financeiras. Biggs havia tido diversos derrames, não tinha mais condições de receber turistas em casa e estava gastando muito com medicamentos.

Renan Cepeda
O fotógrafo Renan Cepeda foi vizinho de Biggs por 11 anos

Foi quando, lembra Cepeda, ele recebeu uma oferta vultuosa do tabloide inglês The Sun para documentar com exclusividade o seu retorno ao país. Aceitou, mas lá chegando foi preso imediatamente.

"Acredito que ele tenha se entregado porque queria deixar uma herança para o filho. Mas eles contavam que ele poderia receber um indulto da rainha devido ao seu estado de saúde, e isso nunca aconteceu."

A vida extravagante levada no Brasil, posando para fotos com mulatas e com uma camiseta de "prisioneiro do Rio", certamente não ajudou a inspirar muita solidariedade nos ingleses.

"Ele tripudiou muito as instituições inglesas, cultivava essa imagem de ‘olha como eu me dei bem’, o que para muita gente soou como uma afronta", diz Cepeda.

Mas mesmo no fim da vida, e mesmo no cárcere, Biggs não perdeu o espírito irreverente e continuou aprontando.

Cepeda conta que quando Biggs estava na prisão de Belmarsh, com a saúde debilitada, os carcereiros decidir manter as várias portas até a sua cela abertas para que ele pudesse ir ao banheiro de três em três horas durante a noite, já que só conseguia andar se arrastando e não conseguia chegar longe.

Até que uma noite ele saiu da cela e não voltou. Deixou um bilhete: "Cheers! – I’m back to Rio" (Algo como "Saudações! – Voltei para o Rio").

"Foi um alerta geral, Belmarsh foi sitiada, vieram helicópteros, batalhão de choque, todos atrás dele", conta Renan.

O velho Biggs estava escondido no armário do banheiro, morrendo de rir enquanto todo mundo o procurava.

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