quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Desistir ou prosseguir?

18.12.2013
Do portal ULTIMATO ON LINE, 04.12.13

Talvez, você já tenha tido alguns dos pensamentos do tipo: “Vou desistir do meu casamento, não vale a pena continuar”; “Vou desistir do curso que estou fazendo, não serei capaz de concluí-lo”; Vou desistir da igreja, ela não vai melhorar nunca”; Vou desistir da minha família, já fiz tudo que tinha que fazer por ela”; Vou desistir de lutar por uma sociedade melhor, ninguém mais se importa com isso”; Vou desistir de amar as pessoas, elas são ingratas e hipócritas”; 

Vou desistir de ler a Bíblia, ela é muito difícil de ser compreendida”; “Vou desistir de orar pelas autoridades, elas fazem tudo errado”; “Vou desistir de manter um namoro que vê o sexo como bênção no casamento, afinal a maioria ao meu redor mantém relações sexuais sem qualquer compromisso conjugal”; “Vou desistir de minha dieta, afinal a morte vem para todos”; “Vou desistir de minhas caminhadas, não ajudam a ganhar dinheiro”; “Vou desistir do Brasil, vou para os Estados Unidos”; “Vou desistir de cumprir normas tributárias, já não suporto mais tanto desperdício com a verba pública”; “Vou desistir de crer que um milagre possa ocorrer, o médico já disse que a doença não tem cura”; “Vou desistir de economizar, é impossível vencer os ídolos do consumo” etc.


É verdade que há situações na vida em que precisamos mudar de direção e desistir do que está causando nossa destruição ou adoecimento da alma. Mas, também é verdade que a desistência de alvos justos e nobres pode nos levar a enterrar prematuramente o que poderia vir a ser uma conquista extraordinária num futuro breve ou distante. Nesse sentido, imagine se o homem tivesse desistido de pesquisar e de elaborar e produzir vacinas para combater doenças. Pense na quantidade de contaminações que haveria se o homem tivesse desistido de inventar sistemas de tratamento de água que facilitassem o uso adequado da mesma. Considere a tragédia que seria se o homem tivesse desistido de combater ideologias monstruosas e governos e dirigentes infernais. Pare para refletir quão pouco encantamento e graça teria a vida se os santos e profetas tivessem desistido de fazer diferença no mundo, se os poetas tivessem desistido de escrever suas poesias e os compositores suas músicas. Cogite a situação que teríamos hoje que enfrentar se o homem tivesse desistido de sonhar alto, se o pai de Rafaela Silva e seus professores de judô tivessem desistido dela, e se ela, atualmente campeã mundial no esporte que pratica, tivesse desistido de lutar pelas tolices que ouviu quando não foi vitoriosa nas Olimpíadas de 2012. 

Caríssimo(a), se Jesus, o Deus que se fez gente, não desistiu de buscar o perdido, nem de amar os excluídos. Se Ele, em figura humana, não desistiu de dar sua própria vida em favor da nossa, temos razões de sobra para não desistir diante das lutas ou decepções, mas, sim, a oportunidade de prosseguir e conquistar, unidos a Ele, o que parecia impossível de ser conquistado. Por isso, prossiga seguindo os passos do Cristo vencedor, por meio de quem somos mais do que vencedores! 

Finalmente, com muita honra damos a palavra a Rafaela, que declarou: “Só Deus sabe o que eu sofri para chegar aqui.
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Como explicar o sucesso de Bachelet no Chile?

18.12.2013
Do portal BBC BRASIL, 16.12.13
Por Ignacio de los Reyes 
Enviado especial da BBC Mundo a Santiago

Michelle Bachelet, presidente do Chile. AP
Bachelet incorporou ao programa de governo várias demandas de movimentos sociais
Pediatra, ex-ministra, ex-presidente, pioneira do programa ONU Mulheres e, agora, novamente presidente do Chile.

Michelle Bachelet vai voltar ao Palácio de La Moneda após uma vitória acachapante sobre a rival conservadora Evelyn Matthei.
A líder da centro-esquerda teve 62,15% dos votos, ainda que a eleição tenha sido marcada pela alta abstenção - apenas 41,6% dos eleitores compareceram.
Mas o que está por trás de tamanho êxito de Bachelet? A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, fez essa pergunta a vários especialistas.

Legado do primeiro governo

Bachelet chegou a presidência do Chile em 2006, após ser ministra da Saúde e depois ministra da Defesa no governo Ricardo Lagos.
“Ela exerceu uma liderança especial, mais empática com a pessoas”, segundo a cientista política Pamela Figueroa.
“O apoio (a Bachelet) não é um apoio de partidos políticos, mas da população”, diz Figueroa, dizendo que essa popularidade vem sobretudo das classes populares, em razão de suas políticas para as crianças, a maternidade e de inclusão social.
Decisões como a de nomear um ministério com metade de homens e metade de mulheres também supreenderam a classe política, acostumada a dividir o gabinete segundo as forças que compunham a coalizão governista.
Apesar de momentos críticos, como as manifestações de estudantes secundaristas que abalaram os primeiros meses de seu governo, Bachelet terminou o governo com 80% de popularidade.

Experiência na ONU

Em setembro de 2010, Bachelet tornou-se a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, a nova agência das Nações Unidas para a igualdade de gênero.
Bachelet se afastou da política chilena e colocou suas energias no cargo, que exercia em Nova York.
“O cargo a favoreceu, já que não precisava opinar sobre certos questionamentos a seu governo, como o caso do Transantiago (rede de transporte da capital, muito criticado) ou o terremoto de 2010”, disse Figueroa.
Em 2013, Bachelet regressou ao Chile e anunciou o que todos já esperavam: seria a candidata à presidência.

Novo discurso, novo programa

Bachelet voltou ao Chile com um novo programa de governo, incorporando algumas das principais queixas dos movimentos sociais nos últimos anos.
A principal demanda é uma reforma radical do sistema de educação. Bachelet prometou um sistema público que seja gratuíto e tenha qualidade.
Alguns dos principais líderes do movimento estudantil, que saíram às ruas no governo Sebastián Piñera, se candidataram ao Parlamento na coalizão de Bachelet. Entre eles, Camila Vallejo e Karol Cariola.
“Bachelet teve a capacidade de perceber de maneira muito concreta o que estava acontecendo na sociedade chilena. Talvez tenha sido a distância, por estar em Nova York”, afirma o sociólogo Manuel Garretón, da Universidade do Chile.
“Ela percebeu que o país mudou e nesse sentido pode cristalizar a demanda por mudança: a demanda por uma nova constituição, uma reforma da educação. A mesma agenda do movimento estudantil”, disse.
Bachelet também incorporou a seu programa demandas de movimentos ambientais, gays e indígnenas. Também diz estar aberta a uma nova lei sobre o aborto e ao debate sobre o casamento gay.

Personalidade

Além do capital politico, Bachelet usou outra arma para derrotrar Matthei: seu carisma.
Com sorriso fácil, Bachelet tem ainda a seu favor “a modéstia, a capacidade de escutar as pessoas, nunca com uma palavra hostil em suas respostas”, diz Garretón.
Sua história pessoal também comove os chilenos. Seu pai, Alberto Bachelet, um general da Força Aérea, morreu na prisão logo após o golpe contra o presidente Salvador Allende. Bachelet e a mãe foram enviadas a um centro de detenção e em seguida para o exílio.
Mas a sua personalidade nem sempre foi vista com bons olhos. Em alguns momentos, ela foi tachada como fraca. No primeiro turno, o candidato Marco Enríquez-Ominami disse que as eleições não eram “um concurso de simpatia”.

A derrocada da direita

Além dos méritos pessoais, Bachelet contou com a baixa popularidade e a crise interna da direita chilena.
Os partidos Renovação Nacional (RN) e União Democrática Independente (UDI) não conseguiram capitalizar o fato de ter no Palácio de La Moneda o primeiro presidente de centro-direita desde o retorno da democracia.
Bachelet impôs à direita o pior resultado eleitoral desde o retorno das eleições. A própria Evelyn Matthey disse que só “um milagre” conseguiria mudar os resultados no segundo turno.
Agora, a direita terá quatro anos para planejar sua volta ao La Moneda. O único consolo, neste momento, é que não há reeleição no Chile e o nome de Bachelet não estará nas cédulas de votação da próxima eleição.
Evelyn Matthei. AFP
Evelyn Matthei já havia dito que "só um milagre" poderia reverter a vitória da centro-esquerda
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AIR BAGS E FREIOS ABS JÁ SERÃO OBRIGATÓRIOS PARA VEÍCULOS EM 2014

18.12.2013
Do portal BRASIL247, 17.12.13
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Barão de Itararé e a sonegação da Globo

18.12.2013
Do BLOG DO MIRO, 17.12.13


O Barão de Itararé esteve nesta segunda-feira (16/12) na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro para acompanhar a investigação da sonegação fiscal da Rede Globo. Fizeram parte da comitiva os blogueiros Miguel do Rosário, Alexandre Teixeira e Ester Neves e o cientista político Theófilo Rodrigues.

A visita foi fundamental para a compreensão da burocracia interna da Polícia Federal e dos próximos passos que a investigação tomará. A principal informação obtida foi a de que a denúncia feita pelo Barão de Itararé já está tramitando internamente nos órgãos da PF. Segundo documentos que o Barão de Itararé teve acesso, a Corregedoria já solicitou que seja aberto o “inquérito policial para apuração da prática dos delitos”.

A denúncia trata da milionária sonegação fiscal da Rede Globo que tramitava dentro da Receita Federal, mas que teve de forma obscura vários documentos sigilosos roubados. Os documentos surgiram na blogosfera que agora cobra que os órgãos competentes retomem as investigações. Vale lembrar que segundo a investigação que tramitava na Receita Federal a Rede Globo já deveria hoje mais de R$ 700 milhões de reais.

Barão de Itararé está acompanhando o passo a passo da investigação

No dia 2 de julho de 2013 o Barão de Itararé encaminhou para o Ministério Público Federal (MPF) a denúncia de que a Rede Globo teria uma dívida com a Receita Federal no valor de R$ 700 milhões. Em 17 de setembro de 2013 o MPF encaminhou para a Corregedoria da Polícia Federal a denúncia através do Ofício 13344/13. No dia 8 de outubro de 2013 a Corregedoria admitiu o processo e encaminhou para a Delegacia Fazendária da PF aos cuidados do delegado Bruno Tavares.

Pelas informações obtidas hoje o delegado Bruno Tavares deverá abrir o inquérito policial sobre a sonegação fiscal da Globo logo no início de janeiro de 2014. O Barão de Itararé já prepara uma nova visita oficial à Delegacia Fazendária da Polícia Federal para essa data.

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Snowden não pediu asilo em troca de informações, diz Miranda

18.12.2013
Do portal BBC BRASIL,17.12.13
Por  João Fellet e Luis Guilherme Barrucho 
Da BBC Brasil em Brasília e Londres

David Miranda (à esq.) e Glenn Greenwald (à dir.) - foto: Reuters
Em carta, ex-consultor da NSA diz que os EUA tentam evitar que ele colabore em investigações
Em meio à grande repercussão causada pela "Carta aberta ao povo brasileiro" do ex-consultor da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA Edward Snowden, divulgada nesta terça-feira, o brasileiro David Miranda – que mantém contato com o americano – negou que Snowden tenha proposto colaborar com as investigações sobre a espionagem americana no Brasil em troca da concessão de asilo político no país.
Em sua carta, publicada nesta terça por diversos veículos de imprensa, Snowden diz que muitos senadores brasileiros pediram sua ajuda em investigação do Congresso sobre a suposta espionagem americana contra cidadãos brasileiros.
Ele também afirma que os EUA estão limitando sua capacidade de ajudar.
Parte da imprensa afirmou que Snowden teria se comprometido a colaborar com as investigações do Congresso caso o governo brasileiro lhe concedesse asilo político.
Segundo Miranda, porém, essa interpretação está equivocada e em momento algum foi sugerida por Snowden.
Miranda, que falou por telefone à BBC Brasil, alega que a carta buscava dar uma satisfação aos congressistas e ao povo brasileiro sobre por que ele não estava colaborando mais com as investigações do Congresso.
Ainda assim, o brasileiro diz que Snowden "acredita que nosso país é justo e, por isso, ele acredita que seria um lugar bom pra morar".
Miranda é namorado do jornalista americano Glenn Greenwald, que mora no Rio e tem divulgado informações repassadas por Snowden sobre a NSA. O ex-consultor da agência hoje vive na Rússia, com um visto que expira em meados de 2014.
Greenwald, o primeiro a revelar as denúncias de Snowden, criticou reportagens publicadas na imprensa brasileira alegando que o ex-funcionário da NSA afirmou que ajudaria o governo brasileiro nas investigações caso o país lhe concedesse o asilo político permanente.
Para Greenwald, as reportagens foram "além do que a carta quis dizer". O jornalista falou com a BBC Brasil pelo Twitter.

Petição

Em 21 de novembro, Miranda iniciou uma campanha pelo site de petições Avaaz para que o Brasil conceda asilo a Snowden. Ele diz, no entanto, que a ideia da campanha foi sua, Miranda.
"Tomei a inciativa porque acredito que ele prestou um serviço enorme à humanidade e ao Brasil e, vendo o que ele fez, não posso ficar parado", diz Miranda à BBC Brasil.
A divulgação dessas informações vazadas por Snowden gerou reações contrárias aos EUA entre governos que teriam sido espionados. A presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado a Washington após uma reportagem revelar que sua equipe teria sido um dos alvos da NSA.
Já os EUA dizem que as informações divulgadas por Snowden comprometem a segurança dos americanos. O governo americano busca sua extradição.
Em julho, Snowden pediu asilo a uma série de países, entre os quais o Brasil. O Ministério de Relações Exteriores disse à época que não se pronunciaria sobre o pedido.
Já Bolívia, Venezuela e Nicarágua aceitaram acolhê-lo.
Nesta terça, o Itamaraty disse à BBC Brasil não ter recebido novo pedido de asilo a Snowden e que, portanto, não se pronunciaria sobre o tema.
Miranda, contudo, diz ter recebido telefonema do ministro de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, que teria se comprometido a manifestar-se sobre o assunto ainda nesta terça-feira.
"Se o Brasil decidir fazer isso (conceder o asilo), haverá suporte da população brasileira e da população mundial também", diz Miranda.
"Com esse suporte, podemos fazer pressão no Congresso, na presidente, e talvez consigamos alguma resposta."
Para Miranda, o Brasil é "grande e forte internacionalmente" para conceder o asilo ao americano.

Carta

Na carta de Snowden, publicada inicialmente no perfil de Miranda na rede social Facebook, o ex-consultor diz ter "manifestado o desejo" de ajudar "quando de forma apropriada e legal" o governo brasileiro na investigação dos supostos abusos cometidos pela agência de segurança nacional americana contra cidadãos do país.
"Mas infelizmente o governo dos Estados Unidos vem trabalhando fortemente para limitar a minha capacidade de fazer isso - indo tão longe a ponto de forçar a aterrisagem do avião do presidente Evo Morales (da Bolívia) para me impedir de viajar à América Latina", afirmou Snowden.
"Até um país conceder asilo político permanente, o governo dos Estados Unidos continuará a interferir em minha capacidade de falar", escreveu.
Snowden disse ainda na carta que, enquanto trabalhava na NSA, testemunhou o esquema de vigilância conduzido pelo governo americano sob a alegação de que o programa de espionagem visava a "própria segurança" dos Estados Unidos.
"Eles revogaram o nosso direito à privacidade e invadiram as nossas vidas. E eles fizeram isso sem perguntar à população de nenhum país, nem mesmo a deles".
"Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja isso: quando todos nós nos juntamos contra injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, nós podemos nos defender de até dos sistemas mais poderosos", concluiu ele.
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Apoio logístico de comunidades pobres foi fundamental para sucesso de médicos cubanos na Venezuela

18.12.2013
Do portal OPERA MUNDI, 
Por  Luciana Taddeo | Caracas    

Mesmo nas parcelas mais carentes da sociedade venezuelana, porém, houve resistência aos profissionais estrangeiros
“Não queremos cubanos aqui.” Assim justificavam alguns moradores de setores de baixa renda ao não abrirem a porta de suas casas a médicos cubanos recém-chegados à Venezuela, em 2003. Segundo Luis Vásquez, um mensageiro de 65 anos que vive no bairro 23 de Enero, não demorou, no entanto, para que a percepção dos resistentes à presença dos profissionais estrangeiros mudasse. “Hoje essas pessoas se atendem aqui e gostam deles”, conta.

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Vásquez foi um dos venezuelanos de setores pobres que abrigaram em suas casas médicos cubanos naquele ano. Com uma reorganização dos filhos nos quartos da casa e a sala adaptada, com uma maca emprestada para que servisse como consultório, a médica cubana passou a morar com a família e a receber moradores que buscavam atendimento. “Foi um processo muito bonito. Era a primeira vez que tínhamos um médico aqui dentro do bairro, atendendo nas casas”, relata.

Luciana Taddeo/Opera Mundi
Voluntários como Luis Vásquez ajudaram muito na chegada dos profissionais cubanos à Venezuela

Às vezes, alguém ligava passando mal no meio da madrugada e ele acompanhava a médica até a casa do paciente para mais uma consulta. “E ela ia mesmo quando chovia”, conta Vásquez, lembrando que a doutora dizia que o bairro tinha muita necessidade de médicos. A esposa do mensageiro, Jean Theodora, conta que cozinhava, lavava e passava as roupas para a médica. “Ela atendia as pessoas aqui em casa até de noite, trabalhava muito, inclusive aos domingos”, explica.

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A chegada de médicos cubanos à Venezuela remete a 1999, quando fortes chuvas provocaram inundações, deslizamentos de terra e deixaram milhares de pessoas afetadas no estado de Vargas. Posteriormente, brigadas atuaram em zonas rurais do país. Em 2000, um convênio de cooperação integral entre Cuba e Venezuela foi assinado.

Em 2003, a prefeitura de Libertador, principal município da capital venezuelana, e a embaixada de Cuba assinaram um convênio para que médicos desta nacionalidade prestassem atenção primária em comunidades de forma provisória. Um concurso foi aberto para que médicos venezuelanos preenchessem as 948 vagas do programa, mas somente 52 candidatos se inscreveram, segundo uma sentença do TSJ (Tribunal Supremo de Justiça) de setembro daquele ano.

Ao longo dos meses, o programa municipal ganharia caráter nacional, com o nome de Missão Barrio Adentro. Ao longo dos anos, foram criados CDIs (Centros de Diagnóstico Integral), SRIs (Salas de Reabilitação Integral), CATs (Centros de Alta Tecnologia) e centros oftalmológicos para o atendimento de casos mais complexos. Atualmente, 11,6 mil médicos da ilha caribenha atuam na Venezuela, de acordo com dados da embaixada cubana.

Apoio

Além da doutora recebida por Vásquez, outros médicos da brigada de 53 profissionais que chegou à Venezuela em 2003 foram acolhidos em casas familiares de comunidades pobres. “As pessoas ofereceram suas casas voluntariamente. Para os moradores da região, era como ter uma clínica dentro da comunidade. Eles se dedicaram muito a nós”, lembra Mariela Márquez Montoya, especialista em medicina geral integral, que foi recebida em uma moradia na região de El Cementerio. “Até hoje essas pessoas são como se fossem minha própria família”, diz.

Luciana Taddeo/Opera Mundi
Cubana Mariela Márquez Montoya diz ter sido muito bem recebida na Venezuela

De acordo com o trabalho “As Missões Sociais na Venezuela: uma aproximação a sua compreensão e análise”, realizado pelo Ildis (Instituto Latino-americano de Investigações Sociais), em 2006, com coordenação da socióloga Joli D’Elia, o início do programa Barrio Adentro requereu intensa atividade para alojamento dos médicos cubanos nas próprias comunidades.

As casas para abrigo dos médicos deveriam ter um “chefe do lar” empregado, uma cama, um guarda-roupa, um ventilador e acesso a banheiro, sem que as famílias recebessem apoio econômico. “Isso foi sinalizado com muita clareza para as comunidades, as quais aceitaram, de todos os modos, se encarregarem da hospedagem, da manutenção e da segurança pessoal dos médicos”, expressa o trabalho.

Em alguns casos, com médicos viveram em casas de moradores da comunidade por até três anos. “Não tinha nenhuma autoridade que se responsabilizasse por essa administração. Na prática, os comitês faziam tudo o que tinham que fazer, de segurança a acompanhar os médicos nas visitas de terreno, fazer os censos, programar as visitas com ele. Isso se manteve graças a estas pessoas das comunidades. Em caso de algum problema, eles faziam a ponte do médico com o ministério e exigiam os insumos para autoridades”, relata D´Elia.

Casa a casa

Segundo Vásquez, de fato, a comunidade se solidarizou para ajudar na adaptação dos médicos. “Davam comida, acompanhavam ela a todos os lugares”, relata sobre o caso de sua hóspede, contando que no consultório improvisado em sua casa, a profissional se dedicava ao tratamento de “casos simples”. Após cerca de 40 dias, a comunidade conseguiu um espaço para a realização das consultas.

Pequenos postos médicos de tijolos em formato octogonal foram sendo inaugurados gradualmente, a partir de dezembro de 2003. Com dois andares, os chamados “módulos” funcionam como consultório no térreo e moradia do médico no andar superior. Estes locais oferecem atenção primária. “É uma prevenção. Quando o caso é grave, os pacientes devem ser remetidos a CDIs ou a hospitais públicos”, explica Leila Lisemberg, de 59 anos, integrante de um Comitê de Saúde.

Luciana Taddeo/Opera Mundi
Um dos módulos construídos na Venezuela para que os médicos cubanos morem e trabalhem

A doutora cubana Anailys Alfalla Montenegro, que mora em uma dessas pequenas construções, hoje espalhadas pelo 23 de Enero, conta que é responsável pelo atendimento de 273 famílias e uma população de 985 habitantes. Apresentando uma série de estatísticas da região, que afirma ser atualizada por cada doutor que chega à comunidade, explica que o predomínio populacional é masculino e que a pirâmide etária é jovem. Entre os dados analisados pelos cubanos que atuam em módulos estão o nível de escolaridade da população local, condições de provisão de água potável, de coleta de resíduos líquidos e sólidos, níveis de prevenção sexual e estado de moradias.

“Aqui o primordial é que, para conhecer a comunidade, fazemos uma análise da situação de saúde do local. É um processo multidisciplinar e nos apoiamos nos Conselhos Comunais [organizações populares para decisões na comunidade] e nos Comitês de Saúde [organizações criadas para oferecer apoio comunitário aos médicos], com o objetivo de antecipar os principais problemas e, assim, poder ajudar a população”, explica.

De acordo com ela, em seu setor os principais problemas se devem a doenças crônicas não transmissíveis. “Hipertensão, diabete, doenças cerebrovasculares, bronquiais e hepatopatias crônicas são alguns dos casos que controlamos. Vamos às casas, medimos a pressão, damos medicamentos, vitaminas. Trabalhamos com o individuo, com a família e com a sociedade no que possamos ajudá-los. E muitas vezes em lugares onde nunca tinha chegado um médico”, relata.

Resistência

A doutora Montoya diz nunca ter sofrido hostilidades pelo fato de ser cubana. “A aceitação sempre foi muito boa”, explica. Os relatos de Vásquez e de integrantes de Comitês de Saúde consultados por Opera Mundi revelam, porém, que os profissionais estrangeiros sofreram resistência em algumas localidades. “Alguns ainda não se atendem com cubanos, mas agora respeitam, já não se metem com eles”, relata Aide Garrido, uma arrumadeira de 57 anos, que mora na região caraquenha de Chacaíto.

Segundo ela, alguns moradores de sua comunidade chegaram a se opor à construção de um módulo onde poderiam ser atendidos: “Diziam que o espaço seria para um parque, mas estava abandonado. Defendemos o projeto e eu disse para a doutora não se preocupar. Ela chegou a chorar, porque tinha gente que dizia ‘fora cubanos’, cuspia quando passávamos. Quando começou a ter consultas no módulo, lembro de ter visto algumas dessas pessoas na fila”.

“No começo as pessoas não aceitavam a ajuda, batiam a porta na nossa cara. Achavam que o médico cubano não era médico. Mas quando viram que o resultado era positivo, grande parte passou a se atender e agora gosta deles. Aqui não aconteceram agressões, porque sempre estávamos cuidando dos médicos, em todos os sentidos”, lembra Leila Lisemberg, integrante do comitê que apoia a doutora Montenegro.

“Foi duro” e “uma luta” são algumas das expressões usadas por moradores ao descreverem os primeiros meses dos médicos na Venezuela. Para Bernardino Albornoz, de 66 anos, que foi vigilante voluntário da obra de um CAT na região de El Recreo, onde trabalha atualmente, a dificuldade inicial se deve à “falta de mentalidade aberta”. “Os atendimentos nas comunidades são direitos adquiridos por nós”, avalia.

Luis Isturiz, candidato a vereador pelo chavista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) para o Distrito Metropolitano de Caracas, que participou da recepção dos cubanos no 23 de Enero, conta que a agressão contra os médicos foi “principalmente midiática”. “Eles precisavam de segurança porque a oposição não os queria aqui e alegavam que não eram médicos, que eram veterinários ou enfermeiros. A campanha foi brava”, lembra, concluindo: “Mas a própria comunidade os defendia”.

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Senado aprova Plano Nacional de Educação

18.12.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Mariana Tokarnia
Brasília – O Senado Federal aprovou, na noite de hoje (17), o Plano Nacional de Educação (Projeto de Lei 103/2012). O PNE, que tramita há três anos no Congresso Nacional, ainda terá de voltar à Câmara dos Deputados, por ter sido modificada no Senado. A Casa aprovou o substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB)
Entre as mudanças, está a inclusão de mais uma meta, a 21, para ampliar a produção científica brasileira, assunto que não foi tratado em nenhum dos textos anteriores. A proposta dá ênfase à pesquisa, desenvolvimento e estímulo à inovação, com a formação de quatro doutores para cada mil habitantes.
"O plano marca avanços, novas metas, estabelece escola inclusiva para crianças com deficiência", destacou o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM). "Ganham a sociedade civil, o Brasil e as crianças, e sai fortalecida nossa república."
O texto começou a ser discutido em plenário na última quarta-feira (11), mas a votação foi adiada para esta terça-feira. O PNE tem 14 artigos, 21 metas e 177 estratégias que visam à erradicação do analfabetismo e universalização do atendimento escolar, com o aumento de vagas em creches e universidades públicas. O plano prevê também a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação e a qualificação dos professores e demais profissionais da área. Todas as metas devem ser cumpridas nos próximos dez anos.
Um dos principais críticos ao texto é o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), relator do projeto do PNE na Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Das 101 mudanças contidas no relatório do senador e aprovadas pela comissão, 47 foram rejeitadas pelo autor do substitutivo. O texto apresentado por Vital do Rêgo foi pouco modificado pelo relator de plenário, Eduardo Braga.
Antes do início da votação, Alvaro Dias disse que o substitutivo do governo não garante o cumprimento das metas. "Consideramos fundamental passar para a sociedade a convicção de que o plano foi elaborado para ser executado. Da forma como pretende [o governo], estamos aqui aprovando um plano que tem o objetivo de gerar expectativa e, a meu ver, falsa expectativa."
Dias ressaltou que não há garantia de que os 10% do Produto Interno Bruto (PIB) sejam investidos em educação, pois não se estabelecem as responsabilidades e os percentuais que devem advir da União, estados e municípios. O projeto defendido pelo senador paranaense e aprovado na comissão estabelecia também metas mais rígidas para a alfabetização e a educação integral, além de 40% das vagas nas instituições públicas de ensino superior e 50% das vagas no ensino profissionalizante para alunos de escolas públicas.
Para Eduardo Braga, da forma como está redigido o projeto aprovado, é possível incluir no financiamento público programas como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (ProUni). "A educação tem que ser financiada com recursos públicos. Não podemos restringir, ao contrário, precisamos ampliar", disse Braga.

Edição: Nádia Franco
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