Pesquisar este blog

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Slavoj Zizek: O herói que esconde a máscara da derrota amarga

13.12.2013
Do blog VI O MUNDO, 10.12.13

[Obama e Raul Castro se cumprimentam durante as homenagens a Nelson Mandela: quem estava do lado certo da História?]

O Fracasso Socialista de Mandela

Nas duas últimas décadas de sua vida, Nelson Mandela foi celebrado como modelo de como a libertação de um país de seu colonizador pode ser feita sem que se caia na tentação do poder ditatorial e na pose anticapitalista.

Em resumo, Mandela não era Mugabe, a África do Sul continuou sendo uma democracia pluripartidária com imprensa livre e economia vibrante bem integrada ao mercado global e imune às ligeiras experiências socialistas.

Agora, com sua morte, sua estatura como homem santo e sábio parece confirmada para a eternidade: existem filmes de Hollywood sobre ele – ele foi interpretado por Morgan Freeman que, por sinal, também fez o papel de Deus em outro filme; astros do rock e líderes religiosos, atletas e políticos, de Bill Clinton a Fidel Castro, estão todos unidos em sua beatificação.

É muito simplista criticar Mandela por ter abandonado a perspectiva socialista depois do fim do apartheid: mas ele realmente tinha escolha?

E essa é toda a história? Dois fatos-chave continuam escondidos por esta visão celebratória.
Na África do Sul, a vida miserável da maioria pobre em geral continua a mesma de antes do apartheid, e o crescimento dos direitos civis e políticos é contrabalançado pelo aumento da insegurança, da violência e do crime.

A grande mudança é que à antiga classe branca dominante se somou a nova elite negra.
Em segundo lugar, as pessoas se lembram do antigo Congresso Nacional Africano que prometeu não apenas acabar com o apartheid, mas também justiça social e até mesmo uma espécie de socialismo.

Esse passado bem mais radical do CNA é gradualmente obliterado da nossa memória. Não é de espantar que o ódio entre os pobres e negros sul africanos esteja aumentando.

Neste ponto, a África do Sul é apenas uma versão da história contemporânea e recorrente da esquerda.

Um líder do partido é eleito com entusiasmo universal, prometendo um “novo mundo” – porém, mais cedo ou mais tarde, ele tropeça no dilema chave: ousa tocar nos mecanismos capitalistas ou decide “jogar o jogo”?

Se ele escolhe perturbar esses mecanismos, ele é rapidamente “punido” por distúrbios no mercado, caos econômico e todo o resto.

É por isso que seria muito simples criticar Mandela por ter abandonado a perspectiva socialista depois do fim do apartheid: ele realmente tinha escolha? A mudança em direção ao socialismo era uma opção real?

É fácil ridicularizar Ayn Rand, mas existe uma pitada de verdade no famoso “hino ao dinheiro” de seu romance “Atlas Shrugged”: “Até que e a não ser que você descubra que o dinheiro é a raiz de tudo que há de bom, você está pedindo sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o meio pelo qual os homens lidam uns com os outros, então os homens se tornam as ferramentas uns dos outros. Sangue, chicotes e armas ou dólares. Faça sua escolha – não existe outra”.

Marx não disse algo similar em sua bem conhecida fórmula sobre como, no universo das commodities, “as relações entre as pessoas assumem a aparência das relações entre as coisas”?

Na economia de mercado, as relações entre as pessoas podem parecer relações baseadas na igualdade e na liberdade: a dominação não é mais direta e visível como tal.

O que é problemático na premissa subjacente de Rand: que a única escolha é entre relações diretas ou indiretas de dominação e exploração — qualquer alternativa é descartada como utópica.

Entretanto, devemos ter em mente o momento da verdade na alegação ideologicamente ridícula de Rand: a grande lição do socialismo de Estado foi efetivamente a abolição direta da propriedade privada e das trocas reguladas pelo mercado; não ter formas concretas de regulação social do processo de produção necessariamente ressuscita relações diretas de servidão e dominação.

Se meramente abolimos o mercado (inclusive a exploração de mercado) sem substituí-lo por uma forma apropriada de organização comunista da produção e das trocas, a dominação volta com sede de vingança e com sua exploração direta.

A regra geral é que, quando uma revolta contra um regime semidemocrático começa, como foi o caso do Oriente Médio em 2011, é muito fácil mobilizar as massas com slogans que não se caracterizam de outra forma a não ser como agradáveis ao povo  – em defesa da democracia, contra a corrupção, por exemplo.

Mas então, aos poucos, chegamos a escolhas mais difíceis: quando nossa revolta é vitoriosa em seu objetivo principal, nos damos conta de que o que realmente nos incomodava (nossa falta de liberdade, a humilhação, corrupção social, falta de perspectiva de uma vida decente) continua sob novo disfarce.

A ideologia dominante mobiliza então todo seu arsenal para evitar que cheguemos a essa conclusão.

Começa a nos dizer que a liberdade democrática traz com ela reponsabilidade, que vem com um preço, que ainda não amadurecemos se esperamos demais da democracia.

Dessa forma, nos culpa por nossos fracassos: em uma sociedade livre, nos dizem, somos todos capitalistas investindo em nossas vidas, devemos investir mais na nossa educação do que em nos divertir se quisermos ser bem sucedidos.

Em um nível político mais direto, a política externa dos Estados Unidos elaborou uma estratégia detalhada para exercer o controle desse problema de forma que recanaliza as revoltas populares para constrangimentos parlamentares-capitalistas aceitáveis – como foi feito com sucesso na África do Sul depois da queda do regime do apartheid, nas Filipinas depois da queda de Marcos, na Indonésia depois da queda de Suharto, e em outros lugares.

Nessa conjuntura precisa, políticas emancipatórias radicais encaram um grande desafio: como levar as coisas adiante depois que o primeiro estágio de entusiasmo passa, como dar o próximo passo sem sucumbir à catástrofe da tentação “totalitária” – em resumo, como ir além de Mandela sem se tornar Mugabe.

Se queremos nos manter fiéis ao legado de Mandela, devemos nos esquecer das lágrimas de crocodilo celebratórias e focar nas promessas não cumpridas que sua liderança fez nascer.

Podemos seguramente supor que, levando em conta sua grandeza moral e política inquestionável, ele chegou ao fim da vida um homem idoso e amargo, consciente de que seu triunfo político e sua elevação à categoria universal de herói era uma máscara da derrota amarga.

A glória universal de Mandela também é um sinal de que ele realmente não perturbou a ordem e o poder globais.

Slavoj Zizek é um filósofo esloveno, psiquiatra e teórico social da Escola de Direito de Bikbeck, Universidade de Londres. Ele é autor de vários livros, entre eles “Less Than Nothing, “The Year of Dreaming Dangerously” e “Demanding the Impossible.”

PS do Viomundo: Alguns jornalistas descerebrados, que se encantam com a oratória de Obama, se esquecem do essencial. Os Estados Unidos deram décadas e décadas de sustentação ao regime do apartheid, aberta ou clandestinamente. Enquanto isso, milhares de cubanos morreram na luta contra os racistas africanos. Ao defender o regime do MPLA em Angola, deram uma sova militar tão grande no regime do apartheid que contribuiram para seu enfraquecimento e isolamento. Quem estava do lado certo da História: os antecessores de Obama ou Fidel Castro?

Leia também:

*****

ENTREVISTA / RUI FALCÃO: ‘Oposição da mídia é mais forte que a oposição política’

13.12.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 10.12.13
Por Carla Jiménez e Luis Prados, na edição 776 

Reproduzido do El País Brasil, 8/12/2013; título original “‘Oposição da mídia monopolizada é mais forte que a oposição política’”

No dia da sua primeira entrevista como presidente reeleito do Partido dos Trabalhadores (PT), no feriado de 15 de novembro, o deputado Rui Falcão acabava de receber a notícia da prisão do um de seus antecessores nesse cargo, José Genoino, além do ex-ministro José Dirceu. Não cancelou a entrevista, e manteve a postura suave que o caracteriza, mas não emitiu opiniões a respeito da prisão. “Minha manifestação é a mesma que foi emitida pelo diretório em novembro do ano passado.” Na ocasião, o PT soltou uma nota de repúdio sobre o julgamento da ação penal 470, que apontava cinco pontos controversos na decisão do Supremo Tribunal Federal de condenar os petistas arrolados no caso do mensalão.
Futuro coordenador da campanha política a presidenta Dilma Rousseff à reeleição, Falcão não esconde sua reserva em relação à mídia. “Há uma preferência pela partidarização”, avalia. Embora nem tudo que o PT sugira tenha sido acolhido no Governo de Rousseff, ele quer insistir na aprovação na lei de democratização da mídia. Que ele garante não ter nada a ver com a proposta da presidenta argentina, Cristina Fernandez de Kirchner.
Quais são os principais desafios na renovação da sua presidência do partido, ou seja, para onde o PT olhará daqui em diante?
Rui Falcão – O primeiro desafio é a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Para isso, precisamos criar condições na sociedade, e não só para que ela seja reeleita, mas para ampliar as nossas bancadas no Congresso, nos Governos estaduais, para que, com essa base social, e esse respaldo institucional, ela possa fazer um segundo Governo, melhor ainda que o primeiro. Para fazer as reformas estruturais que o país há muito tempo almeja.
Quais reformas, por exemplo?
R.F. – Reforma do sistema político eleitoral, o fim do financiamento privado, para combater o peso do poder econômico e da corrupção, a participação das mulheres, tendo chapas com paridade de gênero, e a ampliação de mecanismo de participação popular, previstos na Constituição, como plebiscitos, que hoje já existem, mas têm tantas barreiras e na prática não são acionados. Outra reforma que poderia ser feita no próximo período, é a democratização dos meios de comunicação. Nada a ver com restrição de liberdade de expressão, mas regulamentação dos artigos da Constituição que cuidam do direito social a comunicação. E principalmente o artigo que proíbe os monopólios e oligopólios na comunicação. E ainda, a reforma de partidos operários, a questão da mobilidade urbana, a reforma tributária, e uma política fiscal mais justa.
Quando se fala em quebrar monopólios da mídia, a primeira coisa que vem à mente é a Argentina, que passou por algo parecido recentemente, quando a presidenta Cristina Fernandez interveio nos jornais. Qual é o plano do PT?
R.F. – A realidade política, social, cultural e econômica da Argentina é totalmente diferente da nossa. Nós não propomos nenhuma expropriação de indústria de papel, nenhum tipo de controle de conteúdo. A regulamentação é mais voltada para os meios eletrônicos de comunicação. Não tratamos de jornalismo impresso, onde há concorrência. Mas dos meios eletrônicos, as televisões, que são concessão pública. E como qualquer serviço, ela precisa de uma agência reguladora, como existe na Inglaterra, na Itália, na França etc. Queremos discutir pluralidade, regionalização, e a proibição de monopólio. Um único grupo deter meios que significam 50% ou 60% da audiência, e que recebem, portanto, mais de 50% de verbas de publicidade oficiais.
O senhor se refere à rede Globo?
R.F. – É um monopólio, mas tem quatro ou cinco canais que produzem conteúdo, é dessa regulamentação que se trata. E proibir também aqueles que concedem o serviço e podem se beneficiar dele. Há o caso dos políticos que dominam os meios de comunicação, que autorizam a concessão para si próprio. Quem está nessa situação, ou transfira sociedade do canal de TV, ou abdique de mandato parlamentar.
Surpreende ver o PT na defensiva. Depois de 13 anos no poder, o partido descobre que a prioridade da democratização dos meios está no mesmo nível da reforma tributária, ou da reforma da mobilidade?
R.F. – Há uma diferença entre o PT e o Governo. O PT tem essa bandeira de democratização dos meios desde a sua fundação (nos anos 80). E faz sentido porque nós nascemos fazendo democracia, combatendo a censura, denunciando tortura. O PT é fruto da união de pessoas que lutaram contra a ditadura, com as comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, do sindicalismo. Então, temos um compromisso com o aprofundamento da democracia. Não pode ser com os atuais monopólios. Ocorre que os Governos que sucederam a ditadura já estavam associados a esses meios. Não tinham interesse em mudar esses meios. Não há apoio suficiente no Congresso para enviar um projeto do marco regulatório. O presidente Lula, no final do governo, concluiu uma proposta e deixou o projeto para o Governo Dilma que, num primeiro momento, mandaria esse projeto reformulado para consulta pública, mas ela mudou de ideia. Nós, em associação com um grupo de jornalistas e entidades, estamos insistindo nessa bandeira, caso a presidenta Dilma for reeleita, que ela envie o projeto para o Congresso.
Mas o projeto esteve na gaveta...
R.F. – ...do Governo. O PT, ao mesmo tempo em que está no Governo, dá sustentação e apoia nosso Governo, tem suas diferenças porque dialoga com a sociedade, e há muitas demandas que acolhemos. Nem tudo o que queremos têm curso ou acolhida, porque este é um Governo de coalizão.
Há alguma bandeira revolucionária para a mobilidade, que venha a ser apresentada na campanha?
R.F. – Há dezenas de estudos dos técnicos sobre mobilidade urbana. O principal convencimento será a construção de mais quilômetros de metrô. Que é um modal mais caro, exige maiores investimentos. Tem ainda o Veículo Leve sobre Trilhos, a abertura de novas avenidas, as faixas exclusivas (para ônibus) como as de São Paulo. Mas quero crer que é preciso ter mais metrô. O metrô do México começou no mesmo ano que o metrô de São Paulo, e o México tem mais malha metroviária que São Paulo. Isso por conta de superfaturamento, corrupção etc. Isso explica por que há tanto problema de mobilidade urbana.
(...)
Pessoalmente, as manifestações de junho o surpreenderam?
R.F. – Sim, nós todos fomos pegos de surpresa, porque há muito tempo não havia manifestações de rua, as quais estamos acostumados, e fomentamos muitas durante muito tempo. A surpresa é que começaram, inicialmente, começaram com o movimento Passe Livre, do qual nós mesmos participamos, e foi ganhando adesão de frações de classes com interesses diferenciados, e num determinado momento, a própria mídia, que havia apelado para repressão desses movimentos, tomou o partido deles. E essa repressão fez o movimento crescer, e passou a tentar dirigir com outras bandeiras. Como nunca tememos a voz das ruas, acho que a respostas que a presidenta Dilma deu foi muito positiva, com cinco pactos, quatro em andamento, e um deles, continuamos insistindo, mas a maioria é fechada ao assunto, que é a reforma política.
(...)
Há alguma estratégia para o mensalão mineiro?
R.F. – Ele está aí, de vez em quando a mídia relembra. Mas, nós não podemos fazer nada, quem tem de cuidar disso é a Justiça.
O senhor fala da mídia, mas já há bastante divulgação com ênfase no cartel de trens, em São Paulo, e dando destaque à máfia dos fiscais na prefeitura. Não há um pouco de implicância com a mídia?
R.F. – Não há cobertura simultânea, do cartel de trens, e da ação dos fiscais. A ação dos fiscais coloca em segundo plano o cartel. Quando uma das gravações (do caso dos fiscais) diz que o ex-prefeito (Gilberto Kassab) sabia de tudo, um jornal em São Paulo faz uma manchete dizendo: “Prefeito sabia de tudo”, com uma foto do atual prefeito petista, Fernando Haddad, ao lado. Há uma certa preferência pela partidarização. E a divulgação de fatos notórios é uma condição para que haja veracidade ao público. Temos de trabalhar com realidade, com omissão, distorção e meia verdade. Isso é o comportamento médio da mídia brasileira. Não se trata de censurá-la por isso. Mas de compreendê-la.
Tenho a sensação de que vocês temem mais a oposição da mídia do que a oposição política.
R.F. – Mais forte que oposição partidária é um conjunto de setores do grande capital, da mídia monopolizada, e de altos funcionários do aparelho de estado. Presentes em áreas do Judiciário, e do Ministério Público. Essa é a oposição mais poderosa Mais do que o PSDB, o DEM, PPS e a Rede juntos.
>> A íntegra da entrevista pode ser lida aqui.
*****

Sindsprev reúne-se com gestores nacionais do INSS e Ministério da Saúde

13.12.2013
Do portal do SINDSPREV.PE
Por  Wedja Gouveia*

 CLIQUE PARA AMPLIAR
Os dirigentes do Sindsprev, Luiz Eustáquio e Irineu Messias, e o gerente da APS da Encruzilhada, Tadeu Campos de Araújo, reuniram-se, nesta sexta-feira, dia 13/12, em Brasília, com o coordenador geral de Recursos Humanos do INSS, José Nunes Filho, e a diretora de atendimento do INSS, Cinara Fredo. Também participou do encontro o presidente da CNTSS/CUT, Sandro Cezar.

Na oportunidade, foi debatido turno estendido,  avaliação de desempenho e a situação dos servidores das APS’s de Palmares, Surubim e Encruzilhada,  que estariam com indicadores negativos no cumprimento de metas, e portanto, na iminência da perda do turno estendido. Com base nas argumentações apresentadas pelos diretores, os gestores do INSS ficaram de reavaliar a situação dessas três APS’s.

No mesmo dia, os dirigentes também tiveram reunião com a coordenadora de Gestão de Pessoas do Ministério da Saúde (MS), Elizabete Vieira. O Sindicato propôs a criação de uma mesa de negociação estadual de saúde para discutir os problemas específicos das relações de trabalho e a realização de um seminário estadual com os servidores do MS cedidos ao SUS.

 A gestora do Ministério se comprometeu em apresentar e aprovar a proposta de criação da mesa estadual,  na  próxima reunião da Mesa Nacional Permanente de Negociação Coletiva, a ser realizada em fevereiro  de 2014,  e de participar do seminário com os trabalhadores cedidos ao SUS.

* Wedja Gouveia da Redação. do Sindsprev/PE.
*****

OMS: 14 milhões de pessoas têm cancer no mundo

13.12.2013
Do portal BBC BRASIL, 12.12.13

Câncer de mama | Crédito: PA
Segundo OMS, câncer de mama já é o tipo mais comum de câncer em mulheres em 140 países  

O número de pessoas diagnosticadas com câncer no mundo somou mais de 14 milhões no ano passado, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados revelam um aumento acentuado em relação a 2008, quando 12,7 milhões foram registrados.

Nesse período, o número de mortes também cresceu, de 7,6 milhões para 8,2 milhões.

Segundo a OMS, a maior incidência do câncer vem sendo impulsionada por uma rápida mudança no estilo de vida dos países em desenvolvimento, que cada vez mais se assemelha ao dos países industrializados.

Também contribuíram para uma elevação do número de casos o aumento nas taxas de tabagismo e de obesidade, bem como o crescimento da expectativa de vida.

O câncer de pulmão, que é causado principalmente pelo fumo, foi o tipo de câncer mais comum no mundo, com 1,8 milhões de casos - cerca de 13% do total.

Câncer de mama

A OMS também chamou atenção para um "forte aumento" nos casos de câncer de mama. Tanto a incidência e mortalidade da doença vêm aumentado desde 2008.

Segundo a entidade, o câncer de mama já é o tipo mais comum de câncer em mulheres em 140 países.

Para David Forman, da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer da OMS, "o câncer de mama é também a principal causa de morte por câncer nos países menos desenvolvidos do mundo .

"Isto deve-se, em parte, a uma mudança no estilo de vida dessa população. Além disso, os avanços clínicos para combater essa doença não atingem as mulheres que vivem nessas regiões."

A OMS destacou ainda a "necessidade urgente" para os avanços na detecção, diagnóstico e tratamento de câncer de mama a serem implementados em países em desenvolvimento.

A entidade prevê que o número de casos de câncer vai subir para mais de 19 milhões por ano até 2025

LEIA MAIS:

******

Mídia tenta abafar trensalão

13.12.2013
Do blog O CAFEZINHO, 12.12.13
Por Miguel  do Rosário

Quem abrir os principais jornais do país hoje, quinta-feira, esquecerá que o partido que governa São Paulo há mais de vinte anos vivencia um dos maiores escândalos de sua história. No Globo, não há nenhuma menção na capa, e a única notícia no miolo vem com título: “Alckmin pede pressa no caso Siemens”. Ou seja, o viés do jornal em relação ao partido acusado de receber propina é defender o partido. E depois vem falar em isenção.
O governador de São Paulo informa que não afastará os secretários Edson Aparecido (Casa Civil) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico). E nenhum colunista rebate a disposição guerreira de Alckmin com observações de que a situação deles ficou “insustentável”, nem repercute comentários da oposição ao governo de São Paulo, como manda o bom jornalismo.
O Globo, aliás, dá a matéria nitidamente de má vontade. Por ele, esse caso nem existia. A matéria é totalmente feita com frases como “segundo a Folha de São Paulo” e “segundo o Estado de São Paulo”, o que significa que a empresa não escalou equipes próprias para cobrir um dos maiores casos de corrupção da história do país, e que movimentou valores bem superiores ao chamado “mensalão”. E não sou eu que digo, e sim Suzana Singer, ombudsman da Folha, em sua última coluna:
“E essa [cobertura do 'trensalão'], que envolve um desvio de dinheiro bem maior que o do mensalão petista, é uma delas.”
Bem, se o “mensalão” foi o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, segundo o Globo, então o trensalão deve ter sido o maior das galáxias… Nem isso comoveu Ali Kamel a investir mais na cobertura do evento. Ele está mais preocupado em processar blogueiros que o chamam de “sacripanta”. Merval Pereira, então, foge do assunto como o diabo da cruz. Tudo chibéu mentido a chibante!
No Estadão, cujos repórteres vêm fazendo uma boa cobertura do caso, nada na capa; no miolo, apenas uma matéria com declarações do governador sobre a necessidade de uma “investigação rápida”:
ScreenHunter_3066 Dec. 12 08.47
Parece até combinado. A Folha segue a mesma linha: título para o governador defender os seus, nenhum contraponto da oposição ao governo do estado e, sobretudo, nenhuma informação ou nova denúncia que pudesse “encorpar” a matéria, conferindo-lhe o peso que um escândalo desse porte merecia. E quando publica as fotinhas dos “políticos acusados”, a Folha esquece os dois mais importantes: José Aníbal e Aloysio Nunes.
ScreenHunter_3067 Dec. 12 08.52
editorial da Folha é fofo, a começar pelo título, que é mais light que chá de hortelã sem açúcar: “Mudança de patamar”. Um trechinho:
Dois membros do primeiro escalão do governo Alckmin (seu chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, do PSDB, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, do DEM) e dois deputados (um federal, Arnaldo Jardim, do PPS, e outro estadual, Campos Machado, do PTB) agora são acusados de receber propina.
A suspeita em relação aos quatro ainda é preliminar, até porque decorre, por ora, de um único acusador cujo comportamento tem se mostrado no mínimo sinuoso.
A principal testemunha de acusação, cujo nome sequer é citado, agora tem comportamento “sinuoso”. Haja criatividade! Acontece que a testemunha, que tem nome, Everton Rheinheimer, não é um político querendo se vingar, como era Roberto Jefferson, que admitiu sentir os “piores instintos” contra Dirceu. É um alto executivo da mesma multinacional envolvida nos escândalos. E sua postura está hoje amparada pela própria Siemens, que recebeu condenações duras em vários países, a começar pela Suíça, e tenta reverter o dano à sua imagem. O depoimento de Rheinhemer corrobora uma série de documentos, auditorias, investigações, devassas, em posse das autoridades. Não é um testemunho, em absoluto, que possa ser desmerecido como “preliminar” ou “sinuoso”!
A matéria da Folha traz apenas repercussão entre nomes do próprio PSDB, como se o jornal fosse um mero informativo interno do partido.
O trensalão tem o mérito de desmascarar a imprensa brasileira. Ela ainda tem alguns bons repórteres dispostos a investigar. Mas a direção dos jornais, nitidamente, está tentando abafar o escândalo. Espera-se que o ministro da Justiça, chamado de “vigarista” pelos acusados de receberem propina do trensalão, não se limite a responder com uma queixa-crime contra José Aníbal. Não interessa ao Brasil, ministro, apenas a sua questão pessoal. Agora que o caso está sendo investigado pela Polícia Federal, e foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, queremos ver o empenho profundo das autoridades. Não o mesmo empenho que vimos no caso do mensalão, porque não queremos ver repetido a postura viciosa e tendenciosa de autoridades submetidas pela mídia. Se bem que desta vez não haverá pressão midiática.
Não queremos ver ninguém condenado sem provas ou por um abstrato “domínio do fato”, como fizeram com os réus da Ação Penal 470. Queremos simplesmente uma investigação séria, seguida de condenações feitas conforme a lei. E se algum condenado tiver problemas cardíacos, e precisar de prisão domiciliar, não repetiremos o comportamento psicótico da grande mídia e seus vira-latas furiosos, sedentos por sofrimento e sangue. Defenderemos os direitos humanos e que o Estado seja magnânimo e atencioso.
A vingança do campo popular e progressista contra a mídia conservadora e sádica não será na mesma moeda. Não será uma vingança, aliás. Será simplesmente uma vitória – limpa, justa e democrática. Que será seguida por debates profundos sobre a necessidade de assegurarmos mais direitos informativos aos cidadãos, e menos poder à corporações de mídia sem comprometimento verdadeiro com valores democráticos e direitos humanos; e uma reforma constitucional que reestabeleça o equilíbrio entre o poder soberano dos parlamentos contra decisões monocráticas do judiciário.
1476702_577512115651364_1448167700_n
*****

No STF, o trensalão tucano caiu nas mãos da ministra Rosa Weber, a que condenou José Dirceu sem provas

13.12.2013
Do blog LIMPINHO & CHEIROSO
Por André Richter, via Agência Brasil
Rosa_Weber02A_STF
Domínio do fato: Será que ela também usará a literatura jurídica para condenar os demotucanos?
Inquérito que investiga cartel em licitações do Metrô de São Paulo chega ao STF.

O inquérito da Justiça Federal que investiga o suposto esquema de fraudes em licitações no sistema de trens e Metrô de São Paulo chegou na quinta-feira, dia 12, ao Supremo Tribunal Federal e será relatado pela ministra Rosa Weber. A investigação foi remetida ao Supremo devido à inclusão do nome do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS/SP) no inquérito. Como o parlamentar tem foro privilegiado, as acusações só podem ser analisadas pelo STF. Além de Jardim, pelo menos nove envolvidos são investigados, entre eles três secretários do estado de São Paulo. A ministra Rosa Weber terá que decidir se há indícios para abertura da investigação no Supremo.

Constam também no inquérito os nomes de José Aníbal (secretário de Energia de São Paulo); Edson Aparecido dos Santos (secretário da Casa Civil do governo de São Paulo) e Rodrigo Garcia (secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo). Todos são deputados federais licenciados.

Os nomes de três ex-diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também aparecem na investigação: João Roberto Zaniboni, Ademir Venâncio de Araújo e Oliver Hossepian Salles de Lima. Duas pessoas ligadas a Zaniboni também tiveram os nomes incluídos, assim como Arthur Gomes Teixeira.

No processo, são apurados os crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que as empresas que concorriam nas licitações do transporte público paulista combinavam os preços, formando um cartel para elevar os valores cobrados, com a anuência de agentes públicos.

Em novembro, atendendo a uma solicitação da Polícia Federal (PF), a Justiça Federal determinou o bloqueio de cerca de R$60 milhões em bens de suspeitos de participar do esquema, como forma de garantir o ressarcimento dos valores desviados. Foram afetadas pela decisão três pessoas jurídicas e cinco pessoas físicas, incluindo três ex-diretores da CPTM. A solicitação foi feita após a PF após tomar conhecimento de que autoridades suíças, que também investigam as suspeitas de corrupção, encaminharam um pedido de cooperação internacional ao Brasil.

A combinação de preços entre as empresas que participaram de licitações para obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do Metrô também é alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual.

O cartel é investigado pela Operação Linha Cruzada, feita pelo Cade em conjunto com a Polícia Federal. A investigação teve início a partir de um acordo de leniência da empresa Siemens com o conselho, que permitiu que a empresa denunciasse as ilegalidades. Documentos e cópias de e-mails trocados entre funcionários da Siemens estão sendo analisados pelo Cade e pela Justiça.

Leia também:


*****
Fonte:http://limpinhoecheiroso.com/2013/12/12/no-stf-o-salitrense-tucano-caiu-nas-maos-da-ministra-rosa-weber-a-que-condenou-jose-dirceu-sem-provas/