sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Estudante que teve fotos íntimas divulgadas: "me senti impotente e com nojo"

06.12.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 02.12.13

thamiris sato facebook fotos íntimas
Thamiris Sato, 21 anos, acusa ex-namorado búlgaro Kristian Krastanov de ser responsável por divulgar material após término do relacionamento

A humilhação foi tamanha que a estudante de Letras da USP pensou em transferir o curso para outra cidade ou Estado, fazer um intercâmbio na Rússia e até mesmo em cometer suicídio.Thamiris Sato, 21 anos, teve sua intimidade exposta na internet. O episódio ocorreu no fim de outubro, quando mensagens de desconhecidos no Facebook oferecendo ajuda em troca de favores sexuais a alertaram para o que havia acontecido: uma foto dela nua estava em sites pornográficos e em perfis falsos da rede social.

Veja também:



Pensei diversas vezes em resolver tudo com suicídio, mas me contive por afeto e amor aos meus familiares. Colocar-se no papel do outro é fundamental. Imaginei todo o sofrimento que um ato egoísta poderia causar à minha família, e como um suicídio afeta cada uma das pessoas que vivem ao seu redor. Lidar com tudo é muito cansativo. Cogitei fazer intercâmbio para Moscou, na Rússia, e também pedir transferências para universidades em outros estados e cidades
Thamiris falou ainda do preconceito que sofreu:
“Apesar de muitos me apoiarem, várias pessoas me culparam, pois eu “deveria saber” que não posso aproveitar minha intimidade da forma que desejo. Claro que para meu ex-namorado essa possibilidade existe, pois ele não é condenado nem perseguido por sua intimidade exposta. A sociedade está dividida, mas, se casos semelhantes ao meu acontecem, é porque não há um combate generalizado em favor das minorias”
Também por meio do Facebook, Thamiris publicou um dossiê com mensagens e e-mails para acusar o ex-namorado Kristian Krastanov, um estudante búlgaro da mesma faculdade, pelo vazamento das imagens. “Me senti impotente. E com nojo”, afirmou.
Thamiris decidiu terminar o namoro de um ano e sete meses em julho, e, segundo ela, a partir daí, as ameaças de expor suas fotos começaram. “Foram quase dois meses sem ir à delegacia, até que ele me ameaçou de morte em setembro.”
A estudante fez um boletim de ocorrência contra o ex-namorado no início de outubro e, semanas depois, a foto íntima foi publicada na internet. “Atualmente, a situação mais difícil é ter de trancar meu curso de Letras na USP, pois meu ex-namorado também estuda lá”, relatou.
com Bruna Carvalho, CartaCapital
*****

O mundo perde Mandela, símbolo da luta pela liberdade e igualdade

06.12.2013
Do blog VI O MUNDO, 05.12.13

Nelson Mandela (1918-2013)

O “Madiba”, cuja vida é inspiração de dias melhores, morreu aos 95 anos em sua casa, em Joanesburgo

por José Antonio Lima , em CartaCapital

“Durante a minha vida, me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se preciso for, é um ideal para o qual estou disposto a morrer.”

Nelson Mandela, na abertura de sua declaração de defesa no Julgamento de Rivonia, em Pretória, em 20 de abril de 1964
***
Em 12 de fevereiro de 1990, quando Nelson Mandela foi solto, após 27 anos encarcerado, a África do Sul estava à beira de uma guerra civil entre brancos e negros. A libertação de Mandela era fruto de negociações entre o regime segregacionista do Apartheid e a resistência negra, mantidas em segredo para não estimular ainda mais violência por parte dos extremistas de ambos os lados. Havia uma imensa desconfiança a respeito das intenções de Mandela, mas mesmo após séculos de opressão e de seu sofrimento pessoal, Mandela tomou as decisões que fazem muitos considerá-lo o maior líder político de todos os tempos.

Ao levar a todo o país uma mensagem em defesa da democracia e da igualdade, o Madiba, como é conhecido no país, se tornou o artífice da reconciliação entre brancos e negros sul-africanos, evitando o que poderia ser uma sangrenta guerra civil. Foi esse homem que a humanidade perdeu decorrente de uma infecção pulmonar, nesta quinta-feira 5. O anúncio oficial foi feito em rede nacional pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma.

A morte de Mandela era a má notícia que os sul-africanos esperavam há anos, desde que a saúde debilitada do ex-presidente começou a preocupar. A cada internação, o país entrava em apreensão, inúmeros boatos circulavam, o governo divulgava notas oficiais, até que vinha a notícia da alta. Desta vez, foi diferente. A morte de Mandela deve jogar boa parte do país em depressão.

Violência e o fim do Apartheid

O luto não se dá à toa. Após anos lutando contra o regime da supremacia branca de forma institucional, Mandela ajudou a fundar, em 1961, o Umkhonto weSizwe, braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA). Dois anos depois de entrar na luta armada, Mandela foi preso e condenado à prisão perpétua no famigerado Julgamento de Rivonia. Ele deixaria a prisão apenas nos anos 1990, quando se juntaria a algumas poucas figuras que tentariam colocar fim ao Apartheid.

Como o regime beneficiava diversos grupos, a resistência às mudanças seria ferrenha. Logo após a soltura de Mandela, uma onda de violência tomou conta da África do Sul. Chacinas foram cometidas várias vezes por dia em trens e outros locais públicos. Líderes comunitários e outras figuras públicas foram executados. Massacres nos guetos negros se tornaram comuns. A execução do “colar”, por meio da qual um pneu com gasolina era colocado no pescoço da vítima e incendiado, se tornou a horrenda face da violência no país. Isso sem contar a repressão violenta da polícia contra as manifestações de populações negras. Era uma época que os sul-africanos “morriam como moscas”, nas palavras do arcebispo anglicano Desmond Tutu, Nobel da Paz.

A violência daquele período era atribuída a uma guerra entre o Congresso Nacional Africano, grupo liderado por Mandela, que pregava a igualdade entre brancos e negros, e o Inkatha, movimento nacionalista zulu, um dos diversos povos sul-africanos. Essa era apenas parte da explicação. A violência generalizada era uma ação orquestrada pelas forças de seguranças do regime e pelos extremistas de direita do Inkatha. Milhares de membros da facção zulu foram treinados em campos secretos e receberam armas e dinheiro das forças de segurança do regime e de líderes brancos de extrema-direita. Alguns policiais, brancos e negros, chegavam a coordenar e participar dos massacres. Quando não havia gente do Inkatha, mercenários de países como Angola e Namíbia eram contratados. Em silêncio, para não serem identificados como estrangeiros pelo sotaque, matavam sul-africanos a esmo.

Para o Inkatha, aquela era uma luta para manter a autonomia da terra KwaZulu e buscar a independência. Para os extremistas brancos, era uma estratégia dupla: primeiro manter a argumentação de que os negros eram incapazes de se autogovernar. Caso isso não desse certo, o CNA, de Mandela, ao menos ficaria enfraquecido para a eleição presidencial que se seguiria, a primeira na qual brancos e negros poderiam votar e ser votados livremente.

A estratégia de desestabilização não deu resultados graças à força de caráter de inúmeras pessoas, entre elas o então presidente sul-africano, Frederik Willem de Klerk, e de Mandela. Entre 1990 e 1993, a África do Sul revogou leis que davam amparo jurídico ao Apartheid, desmantelou seu arsenal nuclear e convocou eleições livres para 1994. Ao contrário do que pensavam os extremistas, o CNA não estava enfraquecido por conta da violência. Nas urnas, o partido obteve uma vitória massacrante, e Mandela se tornou o primeiro presidente negro na história do país.

“Nação Arco-Íris”

No poder, Mandela operou um milagre político. O Madiba fez os sul-africanos acreditarem no seu sonho, o de que a África do Sul poderia ser mesmo uma “Nação Arco-Íris”, na qual todas as “cores” poderiam conviver de forma harmônica. Mandela conseguiu contemplar os anseios das minorias brancas e conter a ânsia por justiça de líderes negros, muitos dos quais desejavam vingança após décadas de abusos e arbitrariedade.

A face mais visível do esforço de reconciliação feita por Mandela foi o apoio à seleção de rúgbi da África do Sul, os Springboks, na Copa do Mundo de 1995. Mandela não permitiu a mudança de nome e uniforme da equipe e tornou a seleção, símbolo de orgulho dos brancos, em orgulho nacional. A empreitada teve um fim épico com a improvável vitória da África do Sul sobre a Nova Zelândia, no hoje mítico Ellis Park, em Johannesburgo. A história foi registrada de forma magistral no livro Conquistando o Inimigo, de John Carlin, e no filme Invictus, de Clint Eastwood.

O apoio aos Springboks era parte da estratégia de Mandela de liderar pelo exemplo. Para o sul-africano comum, branco ou negro, era inevitável se questionar: como pode um homem que ficou encarcerado por 28 anos deixar a prisão sem qualquer resquício de rancor e adotar um tom tão reconciliatório? Se Mandela podia, todos podiam.

O milagre da Nação Arco-Íris foi também institucionalizado. Sob Mandela, a África do Sul passou a ter programas de habitação, educação e desenvolvimento econômico para a população negra; instalou a Comissão da Verdade e da Reconciliação, que serviu como catarse coletiva para o país; e aprovou uma nova Constituição, vista até hoje como ponto central de estabilidade na África do Sul.

O legado de Mandela

Desde que assumiu a presidência, Mandela deixou claro que gostaria de ser apenas o responsável pela transição da África do Sul, e não o guia eterno do país. Ele fez isso pois desejava uma África do Sul independente, inclusive dele próprio. A África do Sul que Mandela imaginou, no entanto, não conseguiu completar o sonho do líder visionário durante sua vida. Contra a vontade de Mandela, e de sua família, sua imagem é usada persistentemente de forma política, às vezes por líderes que dilapidam seu legado. Esse processo foi agravado pelo silêncio ao qual Mandela foi obrigado a se recolher devido ao agravamento de sua doença.

Nos governos de Thabo Mbeki (1999-2007) e do atual presidente, Jacob Zuma, ambos do CNA, a África do Sul teve grande crescimento econômico, mas a desigualdade social é maior que a existente no fim do Apartheid. O CNA, por sua vez, deixou de ser o partido da liberdade para se tornar um amontoado de políticos acusados de corrupção e de agir em benefício próprio. A Liga Jovem do ANC, fundada por Mandela, passou a ser conhecida pelos atos e palavras de intolerância de seus líderes, um perigo para uma país onde a violência racial está contida, mas a tensão entre brancos e negros, não.

Apesar do uso político de sua imagem, Mandela continua sendo o bastião da democracia na África do Sul. Talvez, o distanciamento entre seu legado e a condição atual do país tenha servido para, nos últimos anos, tornar mais agudo o sofrimento da população a cada nova internação. Hoje, finalmente, chegou o dia de deixar Mandela descansar, e dos sul-africanos colocarem o país no rumo sem um exemplo vivo para guiá-los.

 Leia também:

*****

Mandela e a derrota de seus inimigos

06.12.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:


Nelson Mandela morreu na condição rara e merecida de herói da humanidade. A derrota do apartheid sul-africano marcou uma derrota fundamental do sistema colonial, construído ao longo de cinco séculos de história. 

A estatura atual de Mandela não deve obscurecer o cidadão concreto nem a situação real de onde ele emergiu. Sua luta envolveu adversários poderosos e bem colocados na economia mundial, que tiveram um papel decisivo na preservação de um regime que sempre causou horror na maioria das pessoas do século XX – mas era mantido e alimentado em função dos ganhos que gerava a seus beneficiários, dentro e fora do país. 


Não se pode compreender a longa temporada de Mandela na prisão – de onde saiu, certa vez, com princípio de tuberculose – nem a absurda sobrevivência de um sistema de opressão dos mais infames que a humanidade já conheceu sem entender o papel das chamadas potencias ocidentais em sua preservação.

Na década de 1980, quando a luta contra o apartheid já provocava gestos de repúdio internacional e até boicote econômico, o presidente Jacques Chirac, principal estrela do conservadorismo francês do período, fez diversos exercícios para reforçar a musculatura da elite branca que submetia o país inteiro. Sob François Mitterrand o governo francês havia conseguido impor sanções através da ONU e retirou o embaixador de Pretória. O país também dava abrigo a exilados importantes. De volta ao poder, Chirac reabriu a embaixada, cortejou lideranças negras que negociavam pactos de preservação com o regime sul-africano e ainda enviou uma comitiva de parlamentares em missão de boa vontade: “o apartheid não existe,” disseram eles, de volta a Paris. 

Chirac era capaz de dizer frases de um tipo de pedantismo bem conhecido: “Condeno o apartheid de forma veemente mas a questão é extremamente complexa.” 

O fato é que não estava só em meio a tantas “complexidades”. Líderes da grande reação conservadora dos anos 1980, que implicou em ataques a direitos e conquistas dos trabalhadores e da população mais pobre no mundo inteiro, Ronald Reagan e Margareth Thatcher mostraram, também no África do Sul, que tinham uma visão bastante peculiar, “complexa”, é claro, daquilo que chamavam de estado mínimo e direitos individuais. Davam-se as mãos para reforçar o estado máximo que combatia Mandela enquanto sustentavam, por exemplo, a ditadura também máxima de Augusto Pinochet no Chile. 

Com o velho pretexto de que era preciso combater o comunismo, faziam o possível para evitar toda mudança, toda alteração no estado de coisas que pudesse democratizar o país e entregar o governo a sua maioria de cidadãos. Thatcher chegou a opor-se a simples missões de caráter humanitário a África do Sul, lembra Jack Lang, ex-ministro de Cultura da França, no livro “Nelson Mandela, lição de uma vida.” 

Quando Mandela conquistou o direito de fazer pronunciamentos públicos, um dos assessores de Thatcher desqualificou suas declarações como uma prova de que “o sofrimento não havia lhe ensinado nada”.

Principal liderança política de um continente que forneceu a mão de obra que colocou de pé boa parte da riqueza que se conhece no planeta, e jamais foi devidamente recompensada por isso, é natural que Mandela seja alvo de estudo e admiração. O empenho dos aliados do apartheid para preservar um regime criminoso ajuda a entender mesmo vitórias tão admiráveis estão longe de constituir um conto de fadas.

*****

Funeral de Mandela deverá ser um dos maiores do mundo

06.12.2013
Do portal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Agência Globo

Nelson Mandela acena ao comparecer à final do Mundial de 2010 em Soweto. Foto: Thomas Coex/AFP Photo
Nelson Mandela acena ao comparecer à final do Mundial de 2010 em Soweto. Foto: Thomas Coex/AFP Photo

Tudo isso será acompanhado por um planejamento de segurança sem precedentes para a África do Sul no momento em que o país mergulha no luto pela perda de sua figura paterna. Centenas de pessoas passaram a noite cantando e dançando diante da casa de Nelson Mandela, em Joanesburgo, embora o corpo do ex-presidente tenha sido transferido para um hospital militar em Pretória.A morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela será marcada por um dos maiores e mais vistos eventos já organizados no mundo. De acordo com documento acessado pelo jornal britânico "The Guardian", o funeral deverá durar 12 dias, e ter as mesmas proporções do de Papa João Paulo II em 2005, que atraiu cinco reis, seis rainhas e 70 presidentes e primeiros-ministros, bem como de dois milhões de fiéis. Um funeral de Estado deverá ser realizado em 14 de dezembro, segundo a "BBC".
Livros de condolências foram abertos em prédios públicos na África do Sul e nas embaixadas do país em todo o mundo. O luto oficial deverá começar na segunda-feira, com uma cerimônia no estádio Soccer City, Joanesburgo, o mesmo que recebeu a final da Copa do Mundo de 2010.
O maior símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul e Prêmio Nobel da Paz por seus esforços contra o racismo morreu na quinta-feira em sua casa em Johannesburgo. Nelson Mandela tinha 95 anos, sofria de uma grave infecção respiratória e estava sendo mantido sob cuidados médicos. Ele esteve hospitalizado de 8 de junho a 1º de setembro com um quadro de infecção pulmonar e outras complicações. Dois dias antes, a filha mais velha, Makaziwe, afirmou que o ex-presidente da África do Sul permanecia "muito forte e valente", mesmo estando em seu leito de morte.
Mandela, primeiro presidente negro do país e um ícone antiapartheid, emergiu após 27 anos das prisões do regime para ajudar a guiar o país a superar o derramamento de sangue e alcançar a democracia.
*****

NÃO HÁ PROVAS CONTRA O DIRCEU. LOGO, ELE É O MANDANTE

06.12.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Wanderley considera o 15 de Novembro uma “valentia sem mérito”!

Conversa Afiada reproduz artigo impiedoso do professor Wanderley Guilherme dos Santos sobre o julgamento do mensalão (o do PT): “as sessões gravadas serão escárnio pela eternidade do direito universal !”:

AS JABUTICABAS CONSTITUCIONAIS DO SUPREMO


A AP 470 continua a desafiar direitos constitucionais. Capaz de vir por aí outra jabuticaba nacional: a prisão semiaberta cumprida sob incomunicabilidade


A Ação Penal 470 continua a desafiar direitos constitucionais. Durante o julgamento foram indevidamente excluídas de referência todas as passagens dos documentos e dos testemunhos que comprovavam a inocência dos três presos políticos do PT nos crimes em que foram condenados. Ademais, cassou-se o direito de dupla instância de julgamento, a pretexto de que a fase de avaliação dos recursos, principalmente dos infringentes, atenderia ao direito assegurado pelos códigos pertinentes. E eis que, surgida a oportunidade, os encarniçados Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Luiz Fux, acompanhados pelos oscilantes habituais, quase impediram o julgamento dos recursos. Não é de espantar, em um colegiado que convalida a tese de que promotores não estão obrigados a provar que os acusados são cúmplices pelo conhecimento, e possivelmente artífices, de supostos crimes cometidos.

Exigiu-se, sob a presidência de outro encarniçado ora aposentado, Carlos Ayres de Brito, que os acusados provassem que não tiveram conhecimento do crime, até porque não reconheciam que tal ilícito houvesse ocorrido. Como é curial, a tese é logicamente descabida, mas aceita alegremente, protestos em contrário não obstante, pela esmagadora maioria do Supremo. Só por isso e aquelas sessões, gravadas, serão objeto de escárnio pela eternidade do direito universal. 

Sempre é bom relembrar o extraordinário silogismo descoberto em parceria por Ayres de Brito e Rosa Weber. Eis o seu enunciado: Mandantes de crime escondem todas as provas; não há provas contra José Dirceu; logo, José Dirceu foi o mandante do crime. Esta pérola, entre várias outras, está gravada também para os séculos futuros, juntamente com a alegação de que se trata de dedução legítima da teoria do domínio dos fatos.

Agora adentramos o capítulo do cumprimento das penas. Não foi decisão que enobreça a jurisprudência fazer conduzir os condenados a Brasília. Legal ou não, expressou o desejo de saborear a sentença de um castigo suplementar. A data de 15 de novembro ficará condecorada por esta valentia sem mérito, em combate contra adversários doentes e previamente linchados. Ao que consta, a biografia do ministro Joaquim Barbosa registra outros episódios de bravura semelhante.

Tal como aconteceu durante as sessões do julgamento, é até apreciável, se vista por um ângulo maligno, a destreza com que juízes de inegável e subida competência jurídica aplicam golpes de surpreendente agilidade nos artigos, parágrafos e alíneas da legislação vigente. Casuísticas e sutilíssimas distinções são extraídas da definição de regimes abertos, semi-abertos e fechados, incluindo considerações sobre a linearidade ou não dos benefícios atribuídos a cada regime, a natureza do tempo newtoniano e o paradoxo das maiorias rotativas.

Os dois últimos temas dizem tanto a respeito dos direitos de apenados quanto o Pilates interpretativo dos juízes. Trata-se tão somente de exibir independência dos juízes diante de réus, assim dito, poderosos. Pois, em geral, acredito mesmo na independência do Supremo Tribunal Federal e justo por isso nada me convencerá de que a Ação Penal 470 não constitui um trágico julgamento de exceção. Trágico para muitos dos condenados, trágico para a história do Judiciário brasileiro.

Mas não terminou. Agora é o direito de livre expressão a sofrer assédio certamente imoral por parte de juízes e ex-juízes. Onde se encontra a lei que retira a prisioneiros de qualquer índole o direito de expressão, e mais, de expressão impressa? Problema sério que o mundo contemporâneo, extravasando os limites de legislação obsoleta, apresenta. Como impedir que um preso mantenha um sítio na internet? Não há menção constitucional a essa modalidade específica de manifestar opinião. O direito à livre expressão (e impressão) de pensamento não hospeda qualificações. 

Sabem os especialistas que a tese de que existem países integralmente democráticos é uma balela. A Inglaterra censura jornais e livros, a França proíbe filmes e os Estados Unidos, com o chamado Ato Patriótico, admite a prisão de pessoas sem comunicação à Justiça e a violação de correspondência. Mas têm fundamento legal, de um direito arcaico ou obtuso, mas têm. Não no Brasil. Os casos em que a manifestação de opinião está sujeita a penalidades são constitucionalmente consignados e, todos eles, sempre após o fato, nunca previamente. Capaz de vir por aí outra jabuticaba nacional: a prisão semi-aberta cumprida sob incomunicabilidade.


Clique aqui para ler Altman: Dirceu não quer mais trabalhar no hotel”

E aqui para ver “Lewandowski a PML: julgamento não deve ser escancarado”

*****

O homem do Panamá e a grana da Globo na Fórmula-1 em São Paulo. Conta essa, Galvão…

06.12.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

Ontem, o Miguel do Rosário levantou a história da Chibcha Investment Corporationempresa criada no Panamá  por dois dos três filhos de Roberto Marinho, pelo diretor da Globo e filho do Ministro do Exército de José Sarney – então presidente da República, que Deus se apiede de nós – e por um certo José Manuel Aleixo, sobre quem Rosário não conseguiu informações.
Mas o leitor CW (preservo-lhe o nome ) conseguiu.
Aleixo foi diretor financeiro da Globo e, depois, virou seu sócio na Interpro- International Promotions, com os dois – só dois – filhos de Marinho: João Roberto e Roberto Irineu.
Isso em fevereiro de 2005, numa empresa para fazer “stands” de feira, que “pobreza” para seu capital de quase R$ 40 milhões!
Ocorre que quinze dias antes  fora criada uma pequena empresa, a Intergroup Promoções e Eventos, com apenas R$ 8 mil de capital social, também para o mesmo fim.
Pertencia a Thomas Rohonyi, ex-representante da Associação de Construtores da Fórmula-1 – a famosa FOCA, de Bernnie Ecclestone , e diretor  há muitos anos do GP do Brasil . Outra Rohonyi, Rosali, com 5% do capital.
Daí o que acontece? a Intergroup de Rohonyi  é incorporada, baratinho, pela Intergroup dos Marinho.
E a sra. Claudia Hamada Macia Ito é designada diretora da empresa incorporada e Diretora Executiva do Grande Prêmio do Brasil…
E vocês achando que era o Sebastian Vettel que estava ganhando muito na Fórmula-1…
PS. Um depoimento pessoal: o Rio perdeu a Fórmula-1 porque Brizola não quis que se aceitasse o achaque dos organizadores sobre o dinheiro público, nos anos 80. Inocentemente, não sei o que a Foca exige da Cidade e do Estado de São Paulo para ficar com o GP.
*****

Ele agiu como se escolhesse uma escrava, diz professora da USP

06.12.2013
Do portal da REVISTA FÓRUM 
Por Isadora Otoni, da Revista Fórum

Segundo Adriana Alves, dono de restaurante teria dito que “cabelos lá de baixo devem ser duros como os da sua cabeça”
A geóloga e professora da USP Adriana Alves alega ter sido vítima de racismo e machismo no Dueto Bar, próximo à universidade, no dia 8 de agosto. Adriana conta que não foi a primeira vez que viveu situação semelhante, de “viés racista”. Confira a entrevista abaixo.
Leia também: Professora da USP denuncia dono de restaurante por racismo e machismo
Quando o dono do bar fez o comentário racista, você estava sozinha?

Não, eu estava com um amigo chileno, que não entendeu absolutamente nada, e um amigo brasileiro.

E o amigo brasileiro compreendeu a situação?

Creio que sim. O Pedro ficava olhando para minha cara esperando um indicativo do que ele deveria fazer. Mas eu simplesmente travei.

Depois de você denunciar o dono do bar, como seus amigos se manifestaram?

Bastante gente se manifestou sobre parar de frequentar o bar, fazer um boicote. O que eu fico me perguntando… Eu não sei, nunca falei para as pessoas “boicote ao bar” nem nada disso, é uma iniciativa que partiu deles. Mas todos os meus amigos próximos, que sabem o quanto eu gostava do bar, tiveram a mesma reação.

Você acha que o comportamento machista e racista do dono do bar, que é holandês, vem de onde?

Acho que é um comportamento coisificado da mulher brasileira, no geral. O que a gente passa da mulher brasileira para o exterior é carnaval, é mulher pelada, e geralmente ela tem certa semelhança comigo. Junta tudo, na verdade, porque ele é uma pessoa desagradável, segundo boatos que vieram à tona depois. Mas passou da medida dessa vez.

Você já tinha passado por situações similares antes?

Já. Por exemplo, um cara me chamou para fazer um programa no ponto de ônibus uma vez. Aí eu falei: “Não sou prostituta”. E ele falou: “Não sei por que você está indignada, mulher preta é pra comer, não pra casar”. De viés racista, essa foi a segunda vez. Ele agiu na verdade como se estivesse escolhendo um escravo, né? Primeiro olhou meus dentes, perguntou se eu depilava ou não porque era importante para ele saber, e continuou. E quando eu não dei trela, ele falou: “Você tem pelo e os de baixo devem ser duros iguais aos da cabeça”.

Quando ele falou isso, qual foi a sua reação?

Estava de fora do bar, a conta já estava paga para ir embora, e o Pedro, meu amigo, falou que precisava ir fumar um cigarro. Então a gente foi com ele fumar um cigarro na porta do bar, porque ainda estava aberto, mas a última pergunta que o proprietário fez foi “a última vez que eu gozei gostoso”. Nessa hora eu falei: “Gente, eu preciso embora”. Aí todo mundo notou que o meu silêncio não era de conivência, ou de aprovação, era de constrangimento. Tanto é que ele não falou nem boa noite. Ele se deu conta, eu acho, que passou dos limites, entrou no carro dele e saiu cantando pneu.

Você conseguiu fazer o boletim de ocorrência, o caso está sendo investigado?

Está sendo investigado. Isso aconteceu em uma quinta-feira, e eu cheguei em casa chorando pensando no que eu tinha feito de errado para dar a entender que ele poderia falar daquele modo comigo. Fiquei o final de semana inteiro pensando, refazendo as minhas ações, a minha postura, até chegar à conclusão de que eu não tinha feito nada de errado, e como um dono de estabelecimento ele não tinha esse direito. Na segunda-feira eu fiz o BO. Quer dizer, eu fui à Delegacia de Defesa da Mulher, a delegada entendeu que não era caso de agressão à mulher, mas o BO foi encaminhado para a delegacia comum. Meu advogado agora queria dar um passo atrás, pediu para instaurar o inquérito na delegacia da mulher, então o primeiro BO não foi pra frente, e o inquérito vai ser instaurado na delegacia da mulher. Mas o BO data do dia 13 de agosto, se não me engano.

Você espera indenização e retratação pública?

Retratação pública sim. Sobre indenização o meu advogado falou uma coisa muito séria. Eu falei pra ele que não quero indenização financeira, nada disso, só quero que ele reconheça que errou e como prestador de serviços ele não tem esse direito. O meu advogado, que é de uma ONG, falou: “Adriana, gente assim só aprende quando dói no bolso. Nem que você pegue e doe para uma ONG, doe para o que quer que seja”. Mas não sei ainda. Na verdade, não queria que envolvesse dinheiro para as pessoas não acharem que existe algum viés interesseiro. Não preciso disso, não tenho por que dar o golpe em ninguém. Caso eu fosse indenizada, eu doaria o dinheiro integralmente.

*****

Busca da Globo por “laranjas” deveria incluir o filho de FHC

06.12.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 05.12.13
Por Eduardo Guimarães
Ao final da minuciosa reportagem do Jornal Nacional da última terça-feira (3/12) sobre a composição societária do hotel Saint Peter, de Brasília – uma escancarada tentativa da Globo de “melar” a contratação do ex-ministro José Dirceu pelo hotel, que lhe permitiria se beneficiar do regime semiaberto –, a esposa me olha e pergunta: “E aí?”.
Fiz um teste. Perguntei a ela: “Qual é a denúncia?”.
A resposta que me deu poderia ter sido dada por um advogado de renome ou por qualquer outra pessoa com maior ou menor qualificação para entender o que acabara de ser “denunciado” pelo telejornal da Globo. A patroa disse que, pelo que entendeu, a composição societária do hotel é “suspeita”.
Insisto na pergunta. Suspeita por que? “Ora, porque o presidente da empresa que administra o tal hotel Saint Peter é auxiliar de escritório”, respondeu.
A cara metade tem certa razão. O sujeito reside em uma casa comum e não em uma mansão na qual o senso comum sugere que deveria residir o alto executivo de uma empresa como essa “Truston International Inc.”
O panamenho José Eugenio Silva Ritter reside na periferia de Panamá City. Ao Jornal Nacional, ele reconheceu que aparece mesmo como sócio de muitas empresas mundo afora. É mais do que provável, pois, que a Truston use “laranjas” – ou, ao menos, um “laranja”. Que outra razão essa empresa transnacional teria para concentrar estruturas societárias nesse sujeito?
O mensalão abriu mesmo as portas do setor do inferno que abriga os hipócritas empedernidos. Deve haver, só no Brasil, centenas de milhares de empresas que se valem do mesmo tipo de estrutura societária do Saint Peter e ninguém – muito menos a Globo – cisma de montar grandes esquemas de reportagem, enviando repórteres ao exterior, para mostrar que os donos de um empreendimento preferem não constar em um contrato social.
Se o grupo que edita a congênere de antipetismo da Globo (a revista Veja) associou-se ao grupo estrangeiro que controla o hotel em que Dirceu vai (?) trabalhar, daí se pode entender como o uso de “laranjas” é quase uma regra em grandes aquisições e investimentos estrangeiros aqui e em muitas outras partes do mundo.
Mas se a Globo está mesmo preocupada com o uso de “laranjas”, deveria usar toda essa estrutura multimilionária de seu jornalismo para investigar um caso escandaloso envolvendo Paulo Henrique Cardoso, filho de Fernando Henrique Cardoso, que integra – ou integrou – sociedade junto com o mega grupo empresarial Disney.
Em 2011, o Ministério das Comunicações abriu investigação sobre o grupo Disney para saber se controlava ilegalmente a rádio Itapema FM, de São Paulo, que usava o nome fantasia de “Rádio Disney”.
A emissora, porém, pertencia legalmente a Paulo Henrique Cardoso e à Disney. Oficialmente, à época, PHC tinha 71% da emissora e a Disney menos de 30%, de acordo com o que é permitido pela Constituição para que empresas estrangeiras sejam proprietárias de meios de comunicação no Brasil.
Executivos da Disney no país – o diretor financeiro e o diretor-geral – tinham procuração de PHC para autorizar empréstimos, emitir cheques e vender bens da emissora, o que mostra que interferiam na gestão da empresa.
Até 2007, a Rádio Itapema foi de Orestes Quércia (morto em 2010), que ganhou a concessão no governo Sarney. Ele negociou a emissora com o grupo RBS, que revendeu 71% à Rádio Holding e 29% à Walt Disney Company (Brasil). Paulo Henrique, em 2011, tinha 99% da Rádio Holding. O 1% restante era do grupo Disney.
Os gráficos abaixo, divulgados à época pela revista IstoÉ, resumem melhor o imbróglio.
Diante de evidência tão escandalosa de que o filho de um ex-presidente é o evidente “laranja” da mega corporação norte-americana – não se imagina que a Disney entraria em uma sociedade em que tivesse 1% de participação e o seu sócio brasileiro 99% –, o Ministério das Comunicações abriu investigação que até hoje não teve o resultado divulgado.
Aliás, o assunto “sumiu”.
Seja como for, é evidente que, tal qual a Panamenha Truston, o Grupo Disney se valeu de um “laranja” (filho de um ex-presidente da República) para burlar a lei brasileira, que limita a 30% a participação de capital estrangeiro em empresas de comunicação.
Esse caso envolvendo PHC e a Disney, aliás, é bem mais grave e suspeito do que o do hotel em que Dirceu irá trabalhar – se é que irá, após a “escandalização” do nada levada a cabo pelo Jornal Nacional. Afinal de contas, o caso envolvendo a Truston não diz respeito ao Brasil, até onde se sabe. Já o caso envolvendo a Disney burla a legislação brasileira.
Tudo bem se a Globo quiser acabar com estruturas societárias como as da Truston e as da Disney, ao menos no Brasil. Seremos o único país do mundo em que não ocorrerão associações de conveniência em que o controlador oficial de uma empresa não seja seu verdadeiro dono. Mas, se assim for, tem que ser para todo mundo.
Espera-se, por exemplo, que se a Truston for considerada inidônea no Brasil o mesmo ocorra com a Disney. Mas não só. Você, aí, que está acusando Dirceu e que controla uma empresa com um contrato social desse tipo – e há muita, mas muita empresa assim no país – deveria se preparar.
De repente, se esse caso for levado em frente, o governo brasileiro poderia desencadear uma onda de fiscalização de todo e qualquer contrato social cujo sócio majoritário não tenha patrimônio que comprove que tem condições de controlar aquela empresa. Garanto que vai ter muito antipetista de cabelos em pé, se isso ocorrer.
O que, aliás, seria muito bom, pois essas composições societárias esquisitas são uma praga que acoberta toda sorte de ilícitos.
Será que o ministro Joaquim Barbosa, mais uma vez, inventará leis e regras que só valem para petistas? Talvez não autorize a Truston a empregar Dirceu, mas a autorize fazer negócios com o Grupo Abril. Assim, a empresa poderá ou não fazer associações esquisitas dependendo de com quem faça. Com filho de tucano, por exemplo, pode.
*****

Antônio David: A direita quer desemprego

06.12.2013
Do blog VI O MUNDO, 05.12.13
Por Antônio David

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foi divulgada nesta quinta-feira, 5, pelo Banco Central.

Destaco  este trecho:

O Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade.

Para manter o emprego, o governo até agora tem sido “tolerante” tanto com a inflação um pouco acima da meta como com o aumento dos juros.

No fundo, quando a direita dá ênfase para a necessidade de conter a inflação (como se houvesse risco de hiperinflação!), defende o aumento dos juros e ataca a “gastança” do governo. Na prática, essa ênfase, essa defesa e esse ataque são meios para forçar o aumento de desemprego.

As consequências seriam duas: na economia, inibição das greves e, consequentemente, maior porção da renda para o empresariado e menor porção da renda para o trabalhador; eleitoralmente, criar uma janela para a derrota de Dilma.

Além de críticas sutis ao governo — como na expressão “O Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios” — há vários trechos do documento que não deixam dúvida: a política de aumentos dos juros vai continuar.

Resta saber se o governo vai continuar elevando os gastos, oferecendo subsídios, valorizando o salário mínimo etc., a fim de preservar o emprego e, p or conseguinte, o processo aberto em 2003 de distribuição (lenta) da renda e redução (lenta) da desigualdade.

Eis a disputa real.

Notícia antiga, que expõe a ferida: Saída para reduzir a inflação é aumentar o desemprego?

Antônio David é estudante de pós-graduação pelo Departamento de Filosofia da FFLCH/USP

Leia também:

******