segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Advento de Cristo: esperança num mundo endurecido

02.12.2013
Do portal ULTIMATOONLINE, 29.11.13


Primeiro domingo do Advento – Ano “A”

Que podem significar os sinais apocalípticos que o evangelho sobre a “vinda do Senhor” aponta? Não são sinais de resistência ao tempo presente que nos apresenta um “futuro sem futuro”? Advento quer dizer “vinda”, “chegada”, e isso é o que nós preparamos para celebrar: a primeira vinda do Logos, a Palavra de Deus, revestida da carne dos homens e das mulheres deste mundo. Sua primeira vinda em humildade, também elegendo os humildes, os pobres, os sem-poder, sem-teto, sem-cidadania e sem-direitos, nos impressiona?

Como ficam as previsões sobre o futuro, quando a realidade imediata apresenta-nos a destruição da vida no planeta Terra em tempo real bem menor, se permanece o ritmo atual de destruição ambiental, do aumento da pobreza, das desigualdades, da fome em toda parte? Carl Sagan via no intento humano de demandar à Lua e enviar naves espaciais no mundo sideral uma manifestação do inconsciente coletivo que pressente o risco da extinção próxima. Como necessidade de sobreviver, cogitamos formas de viver para além da Terra. Para chegar a outros sistemas planetários, no entanto, teríamos que percorrer bilhões e bilhões de quilômetros no espaço sideral, necessitando pelo menos de um século de tempo para tanto. Qualquer astronauta adulto teria que viver pelo menos 130 anos, para deixar algum sinal de sua presença em qualquer dos lugares escolhidos na distância espacial.

Ocorre que somos prisioneiros da luz, cuja velocidade de trezentos mil quilômetros por segundo, é até hoje insuperável. Isso é esperança ou algo que conhecemos de sobra, desde os tempos imemoriais, enquanto examinamos a história humana sobre a face da Terra? O astrofísico Stephen Hawking fala da possível colonização extrasolar com naves, impulsionadas por raios laser que lhes confeririam uma velocidade de 30 mil quilômetros por segundo. Mesmo assim só para chegar à estrela mais próxima – a Alfa do Centauro – precisaríamos de quarenta e três anos, sem ainda saber como frear essa nave a esta altíssima velocidade quando ela chegar ao seu destino.

As advertências de Jesus põem uma nota de gravidade no tempo do Advento que hoje começamos a celebrar: não se trata somente dos enfeites natalinos dos quais já estão cheios os supermercados, as lojas, a mídia de marketing. Não se trata de uma falsa alegria, induzida artificialmente por musiquinhas gospel meladas, nem da falsa aparência de bem-estar ao se esbanjar dinheiro em compras desnecessárias e injustificáveis. 

Que sinais de esperança e de desesperança a sociedade atual “realista”, “pragmática”, sem utopias, desencantada, desesperançada, anestesiada pela proclamação do “final da história”, apresenta sobre o sinal do final desses tempos? Que papel os cristãos teriam nesta hora de endurecimento da esperança? Somos testemunhas da esperança ou do desespero, ou da fatalidade ou acomodação (Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos porque amanhã morreremos: 1Co 15.32)? O Advento está às portas, é tempo para refletir sobre nossas escolhas: "O mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças, nem fora de teu alcance" (Dt 30.11).

"Diante de ti coloco à disposição dois caminhos..." "... ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal (Dt 30.15); "Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa delas, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará" (Dt 31.6).

Leituras:

Isaías 2.1-5 – O Senhor reúne todas as nações para a paz do Reino.
Salmo 122 – Que alegria: “Vamos à casa do Senhor!”
Romanos 13.11-14 – A salvação está mais perto do que imaginamos
Mateus 24.37-44 – Fiquem atentos, preparem-se…

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 Derval Dasilio. É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor de livros como “Pedagogia da Ganância" (2013) e "O Dragão que Habita em Nós” (2010).

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“Negros e pobres ainda são tratados como inimigos internos”

02.12.2013
Do blog VI O MUNDO

“O país é profundamente racista e classista”, define o antropólogo Luiz Eduardo Soares

Em audiência da Comissão da Verdade de São Paulo sobre a desmilitarização da PM, o professor da UERJ aponta caminhos para uma reforma do sistema de segurança pública do país.

“O que as violações ocorridas durante a ditadura militar tem a ver com a segurança pública hoje?”, questionou Luiz Eduardo Soares, durante audiência pública da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, ocorrida nesta quinta-feira, 28, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

“Tudo”, ele mesmo respondeu. “O Brasil continua torturando e matando pobres e negros, tidos como inimigos internos, suspeitos. Qual conexão e referências à ditadura que praticava violações de forma sistemática com prática ainda persistem nas instituições policiais? [São práticas que] não envolvem todos, mas incluem contingentes numerosos, que se sentem autorizados a perpetrar brutalidades contra inimigos internos”.
A autorização para cometer as violações, acredita Soares, não é dada exclusivamente ou necessariamente pelos superiores dos agentes policiais. É dada também pela sociedade, “que aplaude as ações, ou se omite diante dos fatos”, e governos, “muitas vezes por omissão” outras por “intervenções proativas” que acabam tolerando e se tornando cúmplice dessas práticas.

Há, também, a responsabilidade do Ministério Público, explica Soares, que deveria zelar pelo controle externo das atividades policiais, mas “por omissão ou ação insuficiente acaba se tornando cúmplice”. A Justiça, explica “na sua passividade aristocrática, consagra e abençoa a continuidade dessas práticas”.

Violência estrutural

A manutenção de práticas de tortura e assassinatos cometidas pelos agentes do Estado mesmo após a transição da ditadura para a democracia, acredita o professor, é resultante de um processo histórico do Brasil. “A ditadura não inventou a violência institucional. Ela é parte da nossa história, assim como o racismo estrutural, a escravidão e o autoritarismo. Infelizmente eles sempre fizeram parte da nossa história”.

O que a ditadura fez, aponta, “foi deslocar o foco para os militantes de oposição”.  Pois, antes disso, o foco eram os negros e pobres. E depois da transição, seguiu sendo os negros e pobres, “dando continuidade ao processo”.

Ou seja: “A ditadura não inventou a violência policial, ela a qualificou, a tornou prática organizada de política de Estado”.

Na transição para a democracia, “embora tenhamos entoado hinos e glórias ao Estado democrático de direito”, aponta esqueceu-se que a transição passou de forma insuficiente pelas áreas de segurança pública, “que acabaram não sendo submetidas a um processo de transformação”.

A maneira brasileira de fazer a transição, de forma negociada, defende o antropólogo “jogou para debaixo do tapete muitas mortes e crimes. Isso não se faz impunemente”.

Assim, entre os elementos de continuidade da ditadura existentes na democracia brasileira, está a lógica de que os fins justificam os meios.

“E à medida em que a inadmissibilidade da tortura não foi submetida a uma revisão profunda do ponto de vista ético, a sociedade aplaude, e os profissionais continuam adotando as mesmas práticas”.

Aulas de tortura

De acordo com o antropólogo, até 1996, na Polícia Civil do Rio de Janeiro, havia aulas de “como bater”. “Não eram aulas de defesa pessoal, que são indispensáveis e sim aulas de como bater em alguém”.

O Bope [força de operações especiais da PM do Rio de Janeiro], por sua vez, oferecia aulas de tortura até 2006. “Quer dizer, não é resultado de uma veleidade ideológica de um ou outro, mas sim um procedimento institucional”.

No Rio de Janeiro, explica Soares, de 2003 a 2012, 9646 pessoas foram mortas em ações policiais. Desse universo, não se sabe quantas são mortes extra-judiciais. “Ninguém sabe porque não há investigação”.

Outro dado apresentado é que entre os casos de resistência no Rio de Janeiro, menos de 3% deles são investigados.

“O MP raramente se debruça sobre esses casos, apenas quando há envolvimento de pessoas de classe média e quando isso ocupa espaço na mídia”.

Na opinião do professor da UERJ, o que acontece é uma naturalização da falta de informação e ausência de procedimentos institucionais que visem com rigor a suspensão de tais práticas. E, para ele, a naturalização é o processo de autorização social para tais procedimentos.

“Por isso a importância do caso Amarildo. Ele deu rosto, nome, endereço, classe social e espaço territorial a um processo vago, genérico, sem biografia e que não gerava empatia”.

Luiz Eduardo Soares sustenta que não é possível pensar em segurança pública sem que as instituições responsáveis por provê-la cumpram a lei, respeitem a Constituição e os tratados internacionais endossados pelo Brasil, “de modo a merecer a autoridade que o Estado de direito lhe confere”.

Campeão em mortes

A exemplo da gravidade do problema da segurança pública no Brasil, Soares lembrou que por ano, no Brasil, há 50 mil homicídios dolosos.

“É uma barbaridade, um número monstruoso em termos absolutos, nos colocando na segunda posição do mundo, atrás apenas da Rússia”.

Desses 50 mil casos, pesquisas apontam que em média, apenas 8% são investigados.  Ou seja, 92% dos homicídios dolosos seguem impunes.

Junto a isso, o país tem a quarta população carcerária do mundo: 550 mil presos, num crescimento acelerado em relação a 1996, quando o número era de 140 mil.

“Estamos atrás dos EUA, China e Rússia, mas numa competição que tende a nos elevar nesse campeonato mórbido”.

Os que cumprem pena por homicídio representam 12% do universo penitenciário, 40% estão em prisão preventiva e dois terços cumprem pena por crimes contra o patrimônio ou tráfico de drogas. 64,6% são negros e de baixa escolaridade e renda.

“Não precisa ser sociólogo ou estudar especificamente o tema para concluir que o que está acontecendo é a aplicação seletiva de filtros legais. Estamos projetando a legalidade a partir de refrações, como a classe social, cor da pele, território. Isso significa que os profissionais responsáveis pela acusação e julgamento são todos cúmplices de um grande um complô racista e voltado contra os pobres de forma consciente? Não, isso significa que o país é profundamente racista e classista”, analisa Soares.

Apesar de o tema ser tão importante, pondera o professor, o Brasil nunca discutiu a questão coletivamente, “isso nunca esteve na agenda pública.  Dificilmente a sociedade se debruça sobre o modelo policial”.

O que fazer?

Soares lista cinco pontos que acredita ser fundamentais na arquitetura institucional da política de segurança pública do país: aumento da responsabilidade da União Federal, o empoderamento dos municípios, ciclo completo, carreira única, revisão da estrutura militar.

“Não devemos discutir a questão da desmilitarização isoladamente, ainda que ela seja indispensável”.

Sobre a defesa da carreira única dos policiais, Soares lembra que dois universos convivem na mesma instituição: na PM, são praças e oficiais; e na polícia civil, oficiais delegados e não delegados, “com salários e prestígios diferentes. Por isso, a carreira única me parece imprescindível”.

Já sobre a unificação do ciclo, hoje, há a PM fazendo o trabalho ostensivo e a civil o investigativo. “Precisamos que haja integração”.

Para Soares, não faz sentido a Polícia Militar se organizar à semelhança do Exército. “Isso faria sentido se as finalidades fossem as mesmas, mas não são”.

Entre as tarefas policiais, aponta, há inúmeras delas que são de alta complexidade e que exigem adaptação. “Elas não são compatíveis com uma estrutura rígida”.

Já os confrontos correspondem a um percentual mínimo das atividades cotidianas, e para tal, deve haver unidades organizacionais específicas para confronto, “para atuar dentro da legalidade e respeitando os direitos humanos”.

Segundo ele, a ideia de que desmilitarizar fere os profissionais é absurda.

“Estou falando de eficiência, capacidade de prevenção, profissionais mais valorizados. Não significa desrespeito à hierarquia, nem a ausência dela”.

Questionamento

Durante a audiência, o presidente da Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva”, deputado Adriano Diogo, questionou o coronel Glauco Silva de Carvalho, da área de direitos humanos da Polícia Militar, que estava presente na atividade.

“Por que só a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão da Verdade tem um policial anotando tudo que acontece nas audiências, embora tenhamos sistema de gravação? Por que tanto privilégio? Quais são os relatórios que são enviados para comando, a respeito das audiências?”

Logo depois, o presidente da Comissão pediu ao coronel cópias dos tais relatórios feitos pela PM.

Também participaram da audiência o delegado Maximiliano Fernandes Filho, o tenente Francisco Jesus da Paz e a cineasta Luciana Bulamarqui, diretora do filme “Entre a luz e a sombra”, exibido ao final da audiência.

Luciana leu e entregou à Comissão uma cópia de um abaixo assinado defendendo a desmilitarização da PM.

*Tatiana Merlino é jornalista, assessora da Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva”

Leia também:

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Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo

02.12.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 25.11.13
Por New Scientist

New Scientist
Nota da Redação

Por indicação do leitor Pedro, cujo comentário segue abaixo, republicamos esta reportagem indicada por ele – a qual, aliás, à época da publicação aqui em Carta Maior, teve muita repercussão. Ao nosso leitor Pedro, agradecemos a lembrança e esclarecemos que nem sempre é possível enfrentar os temas da forma que gostaríamos, tendo em vista a conjuntura que somos obrigados a acompanhar no dia-a-dia. 

Caminhamos no fio da navalha, tendo de cada lado desse fio abismos profundos e, portanto, perigosos. De um lado, a grande mídia que está sempre a serviço do capital financeiro internacional. De outro lado, um governo fragilizado pela obrigatória composição política, necessária para a governabilidade.

Nesses termos, Carta Maior procura trazer a seus leitores o que há de melhor no mundo colonizador, desenvolvido, hoje às voltas com bestiais incertezas, tanto no primeiro como no segundo império, mostrando os erros que cometeram e buscando a solução de suas respectivas crises.

Não há como fazer perguntas "revolucionárias" a um conservador. Temos, sim, que arrancar deles as contradições que vicejam no capitalismo. Também não estamos buscando soluções para resolver os problemas do capitalismo. Nos cabe, sim, demonstrar os erros que eles cometeram e que repetem a todo momento, para poder combater o pensamento conservador aqui no Brasil, espelhado pela grande imprensa, em favor das elites, em favor do capital financeiro nacional e internacional, em favor da concentração de capital, cada vez mais radicalizada.

Lamentavelmente não existe um modelo político que possamos "copiar" como solução. O Brasil é um país capitalista, por opção do povo brasileiro. As pesquisas de opinião que vêm sendo reveladas cotidianamente são a prova disso. O povo brasileiro está contente com a vida que está levando e vai querer mais, à medida que suas conquistas se cristalizarem. 

O espaço das esquerdas ficou muito estreito, quase relegado à periferia das sociedades, principalmente quando os países alcançam o desenvolvimento e conquistas sociais, como no Brasil, onde milhões deixaram a linha da miséria e passaram para outro patamar – que não é o da classe média, ou da classe "C", tão decantada pela mídia, mas um outro patamar, que está sendo capaz de sustentar um governo progressista, cheio de defeitos e algumas virtudes, como é o da presidenta Dilma Rousseff.

Comentário do leitor Pedro à reportagem ‘Economia mundial ainda enfrenta campo minado’, de Marcelo Justo:

As perguntas do entrevistador e as respostas do entrevistado são de natureza conservadora. Segundo o que caracteriza a ambos, parece que uma boa política econômica resolveria os problemas do capitalismo. Segundo o que penso, nem os capitalistas são capazes mais de salvar o capitalismo da bancarrota. Penso que a questão do momento é a radicalidade da concentração capitalista que atingiu níveis revolucionários. Recomendo a ambos ler: Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo Da New Scientist - 22/10/2011 - que a própria Carta Maior publicou na época.

Nota introdutória publicada por Ladislau Dowbor em sua página:

The Network of Global Corporate Control - S. Vitali, J. Glattfelder eS. Battistoni - Sept. 2011

Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico. 

Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no sistemaarxiv.org 

Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).

(*) O gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma

A rede capitalista que domina o mundo

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.

A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça

Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial

A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.

A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial

Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.

E isso não é tudo.

Super-entidade econômica

Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.

"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.

E a maioria delas são bancos.

Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.

Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.

A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.

Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas 

Barclays plc 
Capital Group Companies Inc 
FMR Corporation 
AXA 
State Street Corporation 
JP Morgan Chase & Co 
Legal & General Group plc 
Vanguard Group Inc 
UBS AG 
Merrill Lynch & Co Inc 
Wellington Management Co LLP 
Deutsche Bank AG 
Franklin Resources Inc 
Credit Suisse Group 
Walton Enterprises LLC 
Bank of New York Mellon Corp 
Natixis 
Goldman Sachs Group Inc 
T Rowe Price Group Inc 
Legg Mason Inc 
Morgan Stanley 
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc 
Northern Trust Corporation 
Société Générale 
Bank of America Corporation 
Lloyds TSB Group plc 
Invesco plc 
Allianz SE 29. TIAA 
Old Mutual Public Limited Company 
Aviva plc 
Schroders plc 
Dodge & Cox 
Lehman Brothers Holdings Inc* 
Sun Life Financial Inc 
Standard Life plc 
CNCE 
Nomura Holdings Inc 
The Depository Trust Company 
Massachusetts Mutual Life Insurance 
ING Groep NV 
Brandes Investment Partners LP 
Unicredito Italiano SPA 
Deposit Insurance Corporation of Japan 
Vereniging Aegon 
BNP Paribas 
Affiliated Managers Group Inc 
Resona Holdings Inc 
Capital Group International Inc 
China Petrochemical Group Company 
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ELEIÇÕES 2014:Psol define Randolfe Rodrigues como candidato à Presidência da República

02.12.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 01.12.13
Por Agência Brasil 
FÁBIO R.POZZEBOM / ARQUIVO ABR
Randolfe.JPG
Senador pelo Amapá, Randolfe Rodrigues sairá candidato à Presidência da República no ano que vem
Brasília – O 4º Congresso Nacional do PSOL escolheu hoje (1º) o senador do Amapá Randolfe Rodrigues como candidato do partido para as eleições presidenciais de 2014. Ele obteve a maior parte do apoio dos quase 400 delegados e delegadas reúnidos desde sexta-feira (29) na cidade goiana de Luiziânia. Concorreu também a ex-deputada federal pelo Rio Grande do Sul, Luciana Genro, filha do atual governador do estado, Tarso Genro.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as legendas têm entre 10 e 30 de junho de 2014 para realizar as convenções partidárias que oficializarão os candidatos e coligações para as eleições de outubro do ano que vem.
O PSOL também elegeu hoje como presidente da legenda Luiz Araújo, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e assessor da liderança do partido no Senado. Ele vai substituir o deputado federal Ivan Valente (SP).
Segundo a assessoria do PSOL, cerca de 600 militantes participaram do encontro, entre delegados e observadores eleitos nos congressos estaduais de todas as regiões do país. O evento, realizado este ano no Centro de Treinamento Educacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI), ocorre a cada dois anos
Além da escolha do novo presidente do partido e do candidato à Presidência, o congresso também aprovou resoluções sobre conjuntura nacional e internacional e a atuação da legenda para os próximos anos.
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CARLOS LATUFF: DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

02.12.2013
Do portal BRASIL247
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MORTE Déda: PT perde um dos 'três mosqueteiros' do governo Lula

02.12.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 02.12.13
Por Hylda Cavalcanti, da RBA

Governador de Sergipe, conhecido como hábil negociador e como conciliador, teve papel fundamental para conseguir acordo sobre dívida dos estados, em 2007 

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Déda se destacou como um dos governadores hábeis na articulação em defesa do governo Lula
Brasília – Em 2007, primeiro ano do segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, um trio passou a ser chamado, no Palácio do Planalto, como “os três mosqueteiros do Lula”. Eram eles os governadores de Sergipe, Marcelo Déda, da Bahia, Jaques Wagner, e do Piauí, Wellington Dias (hoje senador). Eles costumavam atuar como bombeiros em meio a crises políticas com os demais governadores e, principalmente, parlamentares. Hoje (23), o trio foi desfeito com a morte de Marcelo Déda, tido como um dos políticos mais habilidosos em negociações e dissolução de crises, durante sua passagem pela Câmara dos Deputados e ao longo dos seus mandatos como governante – primeiro, prefeito de Aracaju; depois, governador de Sergipe.
Déda, que também foi deputado federal por dois mandatos e sempre ajudou a aparar arestas na votação de matérias emblemáticas para o país, teve um papel fundamental, quando esteve em jogo a ânsia dos colegas governadores para renegociar dívidas dos estados com a União. O ano já prenunciava uma crise na economia mundial que explodiu logo em seguida, em 2008, com o subprime no mercado de hipotecas dos Estados Unidos, e afetou vários países.
O Brasil conseguiu, com políticas de ajuste aqui e ali, manter o equilíbrio de suas contas. Mas, para chegar a isso, foi preciso muita negociação junto aos governantes que subiram nos palanques apoiando a reeleição de Lula. Boa parte deles queria alongar as dívidas, que, na época, comprometiam até 13% da receita líquida de tais administrações.
Mesmo reconhecendo que seu próprio estado poderia vir a ser beneficiado com esses refinanciamentos, Déda saiu em verdadeira cruzada nas capitais para conversar com os governadores, negociar acordos, programar almoços deles com o presidente e ministros e tratar de projetos que levassem ao desenvolvimento dos estados por outros caminhos. Na ocasião, esse trabalho, realizado por ele, ao lado de Wagner e Dias, chamou a atenção de toda a Esplanada dos Ministérios, repercutiu na imprensa e permitiu uma discussão ponderada sobre o tema.
“O assunto não pode ser resolvido sob pressão. Não há como colocar em pauta temas como esse, num momento em que é mais fácil alguém entrar na igreja e não rezar do que um governador entrar no Palácio do Planalto e não falar de dívida com o presidente. Estamos trabalhando pelo diálogo, não pelo emparedamento. Não haverá faca no pescoço do presidente Lula”, afirmou Déda, durante entrevista, em declaração reveladora do perfil do governador sergipano, que com sua performance ganhou, também, a admiração da então ministra e hoje presidenta Dilma Rousseff.
Déda costumava repelir qualquer menção ao seu nome ou dos colegas como de líder do movimento. “Queremos a expressão política de cada estado para discutir uma relação de qualidade, sem vaidades”, costumava enfatizar. Foi esse o tom que o marcou em todas as negociações de que participou no Congresso Nacional e no período em que foi governador, até ser pego de surpresa pelo câncer, em 2009.

Forças e luta

Depois de ter feito duas cirurgias e ter se restabelecido, Déda chegou a afirmar, numa entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que imaginava, ao enfrentar uma situação como a que estava passando, vir a entrar num período de forte depressão, mas conseguiu tirar forças quando viu os projetos que estava desenvolvendo e também a família, os filhos, amigos e eleitores torcendo por ele.
"Imaginava que seria como um edifício de 20 andares prestes a ruir, mas consegui reunir forças e percebi que iria conseguir lutar para continuar aqui”, colocou. Mesmo 14 quilos mais magro, o governador voltou às suas atividades e, um ano depois, foi reeleito. Comentava sobre a doença como algo que fizesse parte do seu passado, até ter nova recaída, em 2012.
Em junho, já licenciado, gravou um áudio no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, falando de suas condições clínicas e pedindo orações à população de Sergipe. Cerca de 30 dias antes, quando oficializou uma licença-médica, conseguiu a aprovação de programas tidos como importantes para o estado, como o Proinveste, que destinou R$ 720 milhões em recursos para obras diversas em Sergipe – onde, mais uma vez, entrou em cena o político habilidoso capaz de reunir forças do governo e da oposição em prol do estado. No lançamento, disse também que estava se licenciando, mas não iria renunciar ao mandato porque, enquanto estava no hospital, continuava atuando como governador. “Só paro de despachar quando estou na quimioterapia”, frisou.
No último final de semana, com o agravamento do seu estado de saúde, amigos e correligionários já davam como certa a chance a morte de Déda. “Ontem foi um dia difícil para nós, que acompanhamos seus últimos momentos. Conversando com sua esposa, Eliane, ela me disse que na verdade Déda descansou. Não aguentava mais tanto sofrimento e tanta luta. Deus faz aquilo que acha correto para todos os seus filhos, nossa vida quem traça é Deus”, afirmou o governador sergipano em exercício, Jackson Barreto (PMDB).
Do Senado, um dos “mosqueteiros”, Wellington Dias (PI), hoje líder do PT na Casa, destacou que “a perda é muito grande para o país”. “O Marcelo era companheiro de partido desde o início e um amigo. Era um dos mais importantes oradores do país e testemunhei, várias vezes, o carinho e respeito que o povo tinha por ele”, acentuou.
“Eu sinto muito como amigo, como parceiro de caminhada, como governador, por termos trabalhado juntos, lado a lado. E agora só temos que cuidar que sua família tenha o maior conforto possível e do reconhecimento do povo de Sergipe por tudo que ele fez pela sua terra natal, pela qual ele era tão apaixonado. Fica aqui o meu abraço e as lembranças muito positivas da figura de Marcelo Deda como amigo, como homem público e como grande governador e político que foi”, comentou, em nota, o outro “mosqueteiro” do trio, o governador da Bahia, Jaques Wagner.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que está no Uruguai, destacou por meio de sua assessoria que Déda sempre “deu uma contribuição extremamente positiva, com muito bom senso e caracterizado também por uma percepção do que era o melhor caminho para a realização da justiça”. “Certamente, perdemos um dos nossos principais valores, mas cujo exemplo de determinação e vontade inabalável de construir um Brasil justo vai ficar sempre muito presente entre nós”, completou.

Sem crachá diferente

"O Déda costumava dizer que, em 30 anos de militância, nós nunca levantamos o crachá de forma diferente nos encontros do PT. Quando divergíamos, sentávamos para conversar, quebrávamos o pau, mas sempre chegávamos a um posição comum. E foi assim mesmo. A única divergência insuperável e definitiva era no futebol”, enfatizou o ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra.
Na Câmara e no Senado Federal, aguarda-se pronunciamento dos presidentes, respectivamente, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que seguirão dos seus estados – onde se encontram – direto para o velório do governador em Aracaju.
“Déda era um ser humano ímpar, alegre, bem humorado, amante da boa música e com uma capacidade enorme para a atividade política e a defesa do interesse público. Homem público exemplar, o PT perde um militante ativo e sempre presente nas atividades partidárias. Seu legado será sempre lembrado e servirá de referência para a esquerda nacional e as novas gerações de brasileiros”, ressaltou em nota, o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).
A presidenta Dilma Rousseff divulgou nota destacando que o Brasil perdeu “um político com P maiúsculo”. “Eu perdi hoje um grande amigo, daqueles das horas boas e más. Déda era capaz de recitar poesia, inclusive as próprias, com a força de um grande artista e a naturalidade de um repentista. Ao mesmo tempo, era capaz de aprimorar uma discussão com uma lógica irretocável”, acentuou a presidenta.
Marcelo Déda tinha 54 anos, formação acadêmica em Direito, era pai de cinco filhos e estava no segundo casamento. Seu corpo será velado no Palácio-Museu Olímpio Campos, em Aracaju, a partir das 13h. A expectativa no Congresso é de que algumas das programações e votações agendadas para amanhã (3) sejam canceladas em virtude da ida dos parlamentares ao sepultamento do governador, bastante querido no Legislativo, mas ainda não há definição a respeito.
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DILMA: "DÉDA EXERCEU A POLÍTICA COM P MAIÚSCULO"

02.12.2013
Do portal BRASIL247
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Novo Jornal traz novidades sobre helicóptero do pó

02.12.2013
Do blog TIJOLAÇO, 01.12.13
Por blog do Luiz Muller.

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“República do Pó” mostra seu Poder: Juiz se recusa a assumir o caso do helicóptero do pó
Juiz estadual recusa-se a assumir o caso, federal questiona se não é competência da Justiça Militar, e prisão em flagrante é transformada em preventiva
Pescado do Novo Jornal
Enquanto a sociedade aguarda uma resposta das autoridades, apresentando os verdadeiros responsáveis pelo tráfico de 450 quilos de cocaína utilizando o helicóptero da família Perrella, as autoridades do Poder Judiciário estadual e federal do Espírito Santo recusam-se a assumir suas funções, utilizando justificativas que não convencem.
Exemplo? Segundo fontes do TRF, o juiz federal do Espírito Santo ao receber o processo transferido pelo juiz estadual solicitou parecer do Ministério Público, indagando se o caso não seria da “Justiça Militar” sob a alegação de que o crime “ocorreu dentro de uma aeronave”.
Evidente que o crime não ocorreu dentro da aeronave, mas sim se utilizando de uma aeronave. Juristas que acompanham o caso afirmam que esta apreensão não é um fato novo, pois nos últimos anos a maioria do tráfico de drogas tem utilizado aeronaves.
Embora guardada a sete chaves, Novojornal teve acesso agora à tarde a movimentação do processo 0010730-56.2013.4.02.5001, que passou a tramitar a partir desta sexta-feira (29) na Justiça Federal capixaba, demonstrando ser verdadeira a informação de nossas fontes sobre o despacho do Juiz Federal. A versão corrente é que nenhum magistrado quer assumir o feito devido aos envolvidos.
Em Belo Horizonte, a imprensa ficou assustada com a novidade ocorrida no depoimento do deputado Gustavo Perrella, uma vez que por norma, nem mesmo os carros de delegados e agentes da PF passam pela portaria sem parar e identificar-se. Gustavo Perrella no depoimento prestado na última quinta-feira (28), dentro de um carro de vidros escurecidos passou junto com seu advogado direto pelo portão, dando a impressão que o mesmo teria sido aberto com a antecedência necessária para facilitar o ocorrido.
Opinião unânime dos jornalistas que estão cobrindo as ações da Polícia Federal na apuração da apreensão do Helicóptero, pertencente à empresa da família Perrella, que estava transportando 450 quilos de cocaína, é que o comportamento que vem sendo adotado não é comum.
Normalmente os delegados evitam emitir juízo de valor e antecipar conclusões investigatórias, o que não vem ocorrendo. Primeiro foi à informação transmitida mesmo antes de ser feito a perícia nos celulares apreendidos, assim como no GPS da aeronave sobre a ausência de suspeita de envolvimento do deputado Gustavo Perrella, agora o mesmo delegado apressou-se em informar à imprensa que a fazenda onde foi apreendida a aeronave não pertencia a um laranja ligado a “família Perrella”.
O comportamento vem passando a impressão de que existe uma tentativa em ir pouco a pouco esvaziando o caso. O piloto, co-piloto e demais personagens flagrados descarregando o helicóptero tiveram nesta sexta suas prisões em flagrante revertidas para prisões preventivas pelo juiz estadual de Afonso Cláudio ao encaminhar o processo para o TRF.
Gustavo Perrella prestou depoimento na tarde dessa quinta-feira (28) na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte. Ele foi convocado para dar explicações em inquérito aberto para investigar a apreensão dos 443 Kg de cocaína em seu helicóptero.
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O deputado chegou atrasado e, para evitar mais constrangimento, seu advogado tentou que ele fosse interrogado fora da delegacia, mas a PF não autorizou.
Além dele, a irmã, sócia da empresa registrada como dona da aeronave, prestou depoimento. O outro sócio, André Costa, primo de Perrella, será ouvido em Divinópolis (MG).
Após sair da PF, o deputado não deu entrevistas. Já Kakay, por sua vez, disse que Perrella respondeu a todas as perguntas, e voltou a afirmar que o deputado foi enganado pelo piloto do helicóptero.
O senador Zezé Perrella (PDT-MG) também usou verba indenizatória do Senado para abastecer a aeronave apreendida no fim de semana passado com 443 quilos de cocaína. Desde que o pedetista assumiu a vaga de Itamar Franco (PDMB-MG), morto em julho de 2011, a Casa desembolsou mais de R$ 104 mil com verba indenizatória para custear notas de abastecimentos apresentadas pelo gabinete de Perrella, sendo que parte desta verba foi destinada ao combustível do helicóptero Robinson R-66.
A maior concentração de gastos ocorreu em 2012, ano eleitoral. Neste período, o Senado desembolsou R$ 55 mil com abastecimento para Zezé Perrella. Este tipo de gasto chegou a R$ 38 mil em 2011 e, até outubro deste ano, a Casa reembolsou o senador em outros R$ 11 mil com combustíveis.
O helicóptero apreendido por meio de operação conjunta da Polícia Militar (PM) do Espírito Santo e da Polícia Federal está registrado em nome da Limeira Agropecuária e Participações Ltda, fundada por Zezé Perrella e posteriormente transferida para seus filhos, o deputado estadual Gustavo Perrella (SDD), de Minas Gerais, e Carolina Perrella, além do sobrinho André Almeida Costa. A aeronave é a única da família.
Apesar dos gastos com o abastecimento do helicóptero, feito principalmente na Pampulha Abastecimento de Aeronaves Ltda, o Senado ainda desembolsou R$ 58 mil reais de verba indenizatória para o ressarcimento de notas de passagens aéreas apresentadas por Zezé Perrella desde que ele assumiu o cargo.
Segundo a assessoria do senador, todos os gastos feitos pelo Senado com abastecimento da aeronave, que ainda está apreendida, foram relativos ao uso do helicóptero para atividade parlamentar. A reportagem tentou falar com Zezé Perrella, mas ele não atendeu nenhum dos celulares.
O Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para investigar o uso de verba da Assembleia Legislativa do estado para o custeio de combustível do helicóptero do deputado Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador e ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella. A aeronave foi apreendida no último domingo pela Polícia Federal (PF) após pousar em uma casa no Espírito Santo com quase meia tonelada de pasta de cocaína.
O MP vai averiguar se o deputado usava o helicóptero, registrado como um bem de sua empresa, para fins particulares. Gustavo Perrella tem direito, como deputado estadual, a R$ 20mil de verba indenizatória. E parte dela foi destinada para financiar o combustível. Segundo o MP, se Perrella não provar que a aeronave foi usada para o mandato, o deputado será denunciado por improbidade administrativa.
“O ônus é dele, do deputado. É ele que tem que provar que está certo” disse Eduardo Nepomuceno, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte.
Perrellla diz que o combustível serviu apenas para o mandato parlamentar. O deputado alega que visitava as bases eleitorais em Minais Gerais com a aeronave.
Documentos que fundamentam a matéria:
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