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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

PERSEGUIÇÃO IDEOLÓGICA: Um espectro que ronda o Brasil?

25.11.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 
Por Luciana Ballestrin*

Neste ano ocorreram pelo menos três episódios públicos envolvendo denúncias de "doutrinação marxista" no ambiente universitário brasileiro.

Arquivo
Neste ano ocorreram pelo menos três episódios públicos envolvendo denúncias de “doutrinação marxista” no ambiente universitário brasileiro: a recusa de um estudante em realizar um trabalho sobre Karl Marx, a pedido de seu professor (SC); a ação popular movida por um advogado contra um projeto de extensão de difusão do marxismo (MG), que acarretou em sua suspensão pela Justiça Federal do Maranhão e a acusação de um filósofo sobre a contaminação do marxismo nas Ciências Humanas e Sociais (SP). As três notícias tiveram cobertura em veículos midiáticos, cujas posições ideológicas são historicamente conhecidas do público.

O espraiamento nacional de uma suposição sobre o avanço do comunismo e do marxismo no Brasil, às vésperas do cinquentenário do Golpe civil-militar, convida a todos os cidadãos e cidadãs para a seguinte reflexão: o que estes discursos e ideias representam no Brasil após 25 anos da promulgação da Constituição de 1988? Gostaríamos de sugerir que isso reflete uma paranoia, compartilhada por pessoas e grupos capazes de formar guetos de opinião e que a despeito do alcance restrito, ganham destaque desproporcional na mídia hegemônica.

O conceito de paranoia, em termos psiquiátricos, possui sua própria história, como todos os conceitos mais ou menos compartilhados pelo campo científico. A despeito das controvérsias particulares inerentes a este campo - no caso, o da psicanálise - é possível sustentar com baixo custo de prejuízo que a ideia de paranoia envolve basicamente um delírio persecutório baseado em uma desconfiança descolada da realidade, razão ou empiria.


Defensivas ou preventivas, as consequências políticas da proliferação do discurso paranoico anticomunista e antimarxista ferem, paradoxalmente, dois princípios liberais básicos: liberdade de expressão e tolerância. Ao mesmo tempo, reedita a paranoia clássica alimentada pela Guerra Fria, cuja conjuntura internacional fora cúmplice do segundo período ditatorial brasileiro.

Foi justamente neste contexto que ocorreu a institucionalização das Ciências Sociais no Brasil, amplamente apoiada pela estadunidense e liberal Fundação Ford.
Neste período, várias brasileiras e brasileiros pagaram com a dor, o exílio e a vida, o preço pela defesa de suas ideias comunistas e marxistas, bem como quaisquer outros que contrariassem à lógica da Ditatura Civil-Militar. Hoje, qual é o preço a pagar por essa retórica da intransigência? Como responder a uma paranoia revestida de intelectualidade, a um despautério anacrônico e a um disparate sem fundamento?

Seria um tanto contraproducente esboçar nessas linhas argumentos e razões que tentem comprovar que o Brasil não é governado por comunistas e que a universidade brasileira não está intoxicada pelo marxismo. Inútil, de igual forma, pensar na originalidade histórica dos escritos marxianos e na importância das várias correntes do marxismo - do vulgar e ortodoxo para o crítico e arejado - para os campos das Ciências Sociais Aplicadas ou não. Da mesma maneira estéril, argumentar que o eurocentrismo, o colonialismo e o progresso moderno não são completamente afastados do marxismo e que justamente por isso, ele encontra resistência nos movimentos decoloniais latino-americanos.

Produtivo, talvez, seja observar o nascimento de um novo tipo de direita no Brasil.
Mesmo os velhos e os contemporâneos clássicos do liberalismo político moderado são capazes de aceitar a tolerância, a diferença, a liberdade de expressão, a existência do Estado e o respeito ao outro. Não estamos falando, portanto, da adversária histórica direita liberal. Ela é nova justamente porque ultrapassa a própria moral e a própria ética do liberalismo e acontece neste exato momento histórico. Ela é nova justamente porque também se apropria dos discursos da esquerda e da democracia para combater a própria esquerda e a própria democracia.

Se, cada vez mais, a esquerda não tem se restringindo à alternativa marxista, criando um repertório de resistência, emancipação e libertação próprias, a direita não tem se restringido à alternativa liberal, criando um repertório de ignorância, esquecimento e ódio próprios. Certamente, o espectro que ronda a primeira já não é mais o do comunismo. Mas, o espectro que ronda a segunda ainda desagua no seu totalitarismo oposto, o fascismo. Ou será que estamos, simplesmente, paranoicos?

(*) Professora Adjunta de Ciência Política, Coordenadora do Curso de Relações Internacionais - Centro de Integração do Mercosul Programa de Pós-Graduação em Ciência Política - Instituto de Filosofia, Sociologia e Política, da Universidade Federal de Pelotas.
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UNÂNIME, OAB PEDE AO CNJ QUE INVESTIGUE BARBOSA

25.11.2013
Do portal BRASIL247
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Buraco negro “adormecido” desperta e engole parte de um planeta 15X mais pesado que Júpiter

25.11.2013
Do portal JORNAL CIÊNCIA, 08.04.13
Por  TAMARA LOPEZ
O satélite europeu, INTEGRAL, do Observatório Espacial da ESA, detectou um buraco negro que engoliu um planeta-gigante, situado no centro da galáxia NCG 4845 a 47 milhões de anos-luz da Via Láctea.
De acordo com os astrônomos, o planeta possui uma massa 15 vezes maior do que a de Júpiter, e o buraco negro que permanecia “adormecido” há mais de 30 anos, possui uma massa de cerca de 300 mil vezes maior do que à do Sol.
Os astrônomos estavam usando o satélite INTEGRAL para estudar uma determinada galáxia, quando observaram altas energias sendo emitidas de outro local, mas que estavam no mesmo campo de visão do satélite. A galáxia, que nunca havia sido detectada com atividades tão intensas, chamou a atenção dos cientistas que conseguiram visualizar o surpreendente fenômeno.
Foi uma observação totalmente inesperada em uma galáxia que esteve tranquila durante mais ou menos 20 ou 30 anos”, declarou Marek Nikojok, da Universidade de Bialystok, na Polônia. Nikojok é o autor principal do artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.
De acordo com a revista, o buraco negro levou de dois a três meses para desviar o planeta de sua trajetória, e absorveu apenas 10% de sua massa total.
Nós estimamos que somente suas camadas externas foram comidas pelo buraco negro, no valor de aproximadamente 10% da massa total do objeto, e que um núcleo denso foi deixado em órbita do buraco negro”, disse o co-autor do artigo, Roland Walter do Observatório de Genebra, na Suíça.
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Honduras: Partido Libre rechaça resultados preliminares que dão vitória a candidato governista

25.11.2013
Do portal OPERA MUNDI
Por Giorgio Trucchi | Tegucigalpa

Segundo Zelaya, em todas as pesquisas Xiomara aparecia como favorita, pouco à frente de Juan orlando Hernández
Ainda não há um vencedor oficial da eleição presidencial de Honduras. Enquanto o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não finaliza a apuração dos votos, tanto o candidato governista Juan Orlando Hernández, do PN (Partido Nacional), quanto a principal opositora, Xiomara Castro, do Partido Libre (Liberdade e Refundação), se declaram presidentes. O Libre também declarou não reconhecer os resultados apresentados pelo tribunal.

Giorgio Trucchi/Opera Mundi
Juan Orlando Hernández discursou em Tegucigalpa após receber ligações telefônicas de presidente e ex-presidentes da região 

O ex-presidente Manuel Zelaya, esposo de Xiomara, rechaçou os resultados preliminares e convocou toda a dirigência do partido a uma reunião de emergência para esta segunda-feira (25/11). Com 54,47% das urnas apuradas, Juan Orlando Hernández estava à frente, com 34,14% dos votos. Em seguida aparecia Xiomara Castro, com 28,43%.

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Em terceiro lugar vinha o candidato Mauricio Villeda, do Partido Liberal, com 21,03%, seguido por Salvador Nasralla, do Partido Anticorrupção (PAC), com 15,73%. O restante dos votos foi computado para os outros quatro candidatos à Presidência. Ao divulgar a última parcial, o TSE admitiu ter havido “inconsistência nas informações de pelo menos 20% das atas recebidas”.

Poucos minutos após o primeiro boletim do TSE, o candidato governista se declarou ganhador e assegurou que convocaria todos os setores da sociedade e da política hondurenha para buscar em conjunto uma saída à gravde crise que afeta o país. Sua vitória foi reconhecida quase de imediato pelos presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, e da Colômbia, Juan Manuel Santos. Também o felicitaram o ex-presidente salvadorenho Elías Antonio Saca e o presidente guatemalteco, Otto Pérez.

De acordo com a denúncia apresentada aos meios de comunicação por Zelaya, as autoridades eleitorais não haviam computado entre 19 e 20% das urnas por supostas anormalidades e inconscistências -- um total de quase 400 mil votos que podem alterar os resultados. “Nós não aceitamos esse resultado, protestamos contra esse resultado e o rechaçamos, porque nossas pesquisas de boca de urna e nossa contagem de atas confirmam que Xiomara ganhou a Presidência da República com mais de 3%", afirmou Zelaya.
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Rixi Moncada, representante do Libre no Conselho Consultivo do TSE, disse existir uma manipulação dos dados reais e uma fraude descarada para favorecer um dos candidatos. 

"Há mais de 1.900 atas de departamentos (estados) onde o Libre ganha contundentemente que não foram incorporadas ao sistema de contagem, mas transferidas a um denominado procedimento de escrutínio especial”, contou. Moncada garantiu ter informes fidedignos que provam que foram introduzidos ao sistema de contagem "atas via escanner de lugares onde o escrutínio ainda não tinha sido concluído".

Giorgio Trucchi/Opera Mundi
Xiomara, candidata pelo Libre e o esposo, o ex-presidente Manuel Zelaya, fizeram denúncias contra o TSE hondurenho 

Tanto Moncada como o candidato à vice-presidência, Enrique Reyna, disseram que o que aconteceu neste domingo foi "uma clara fraude frente à vontade popular, que, sem dúvidas, está sendo alterada através da transmissão irregular de resultados”. Reyna afirmou também que representantes das MER (Mesa Eleitoral Receptora) tinham atrasado o envio de atas onde ganha o Libre, para assim atrasar o aumento da vantagem. Além disso, ele acusou o TSE de “não contabilizar atas onde ganhamos e que estranhamente foram escanneadas com a ponta dobrada, para ocultar o número. Essas são as que foram enviadas para auditoria", falou.

Juan Barahona, primeiro candidato à vice-presidência e subcoordenador da FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) fez um emotivo chamado aos representantes do Libre nas MER para que "não abandonem as urnas e cuidem dos votos”. Ao mesmo tempo, pediu aos militantes e simpatizantes do partido “estar atentos e atentas a qualquer chamado feito pelo Libre”.

Por sua vez, o candidato do PAC, Salvador Nasralla, não somente respaldou indiretamente a denpuncia do Libre, mas foi além e falou de "fraude descarada" e "instalação de uma ditadura" em Honduras. Ele desconheceu o resultado e assegurou que não vai acatar os dados difundidos pelo TSE. 

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Barbosa põe filho de dirigente tucano para decidir futuro de Dirceu, Genoino e Delúbio

25.11.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 24.11.13
Por  Redação RBA

Presidente do STF alega que juiz anterior, titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, estaria sendo benevolente com os presos

juiz bruno ribeiro
Juiz Bruno Ribeiro, cujo pai foi deputado distrital do DF pelo PSDB
São Paulo - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que comandou a prisão ilegal de condenados na Ação Penal 470, agora decidiu nomear o filho de um dirigente tucano como o juiz de execuções penais que vai decidir sobre o futuro de presos como José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares, todos petistas.
Irritado com o juiz Ademar Vasconcelos, titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, e que até então cuidava dos presos, Barbosa o substituiu por Bruno Ribeiro, que é filho do ex-deputado distrital Raimundo Ribeiro, dirigente do PSDB do Distrito Federal e apresentador do programa Tribuna Livre, onde um de seus esportes prediletos era justamente atacar os réus da Ação Penal 470, segundo o site Brasil247O magistrado anterior, segundo presidente do STF, estaria tratando os condenados com muita benevolência.
Foi para Bruno Ribeiro que, no dia 15 de novembro, Joaquim Barbosa mandou as ordens de prisão. Mas ele estava de férias e isso fez com que réus condenados ao regime semiaberto ficassem mais tempo presos em regime fechado.
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Midiazona decide que o responsável pela corrupção tucana é o ministro do PT

25.11.2013
Do BLOG DO SARAIVA, 24.11.13

Estima-se que o cartel dos trens de São Paulo e Distrito Federal pode ter superfaturado os serviços em R$ 577 milhões. Mas não seriam os tucanos que deveriam dar explicações? Qual nada. Quem deve explicações é o ministro da Dilma, que é do PT

Renato Rovai, revista Forum /Brasil 247

É impressionante como os casos de corrupção têm dois pesos e duas medidas na mídia tradicional paulista (leia-se Folha, UOL, Estadão, Veja, Globo). Na recente máfia dos auditores fiscais, denunciada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, as atenções se voltaram contra o secretário de governo Antonio Donato. A máfia que cobrava propina de construtoras em troca de desconto no ISS (Imposto Sobre Serviço) atuava nas gestões Serra e Kassab, e foi desvendada graças à investigação da atual prefeitura que criou a Controladoria Geral do Município.

Estima-se que o esquema tenha causado prejuízo de até R$ 500 milhões aos cofres públicos. Mas a mídia voltou todas as atenções de sua cobertura para Antonio Donato, que de forma decente pediu exoneração do cargo para se defender sem causar desgaste à gestão Haddad. Nesta semana, Donato volta à Câmara Municipal para exercer seu mandato de vereador, o mais votado do PT.

Depois de blindar Serra e Kassab e derrubar um secretário de Haddad, o caso dos auditores perdeu destaque, já não ocupa as manchetes dos jornalões e seus portais. Aliás, foi emblemática a capa da Folha de S. Paulo de 8/11, que trazia como manchete “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”.

 A frase induzia o leitor a associar a denúncia ao prefeito de São Paulo, que é Fernando Haddad, mas o fiscal estava se referindo a Kassab, o ex-prefeito da cidade.

Agora a história se repete. Revelado mais um caso de corrupção envolvendo tucanos, quem passou a ser cobrado por explicações é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na última quinta-feira (21), foi divulgado um relatório entregue ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), onde o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer cita diversos políticos do PSDB como beneficiários de propinas pagas pelo cartel dos trens em São Paulo.

Rheinheimer afirma ter “uma série documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”. São citados no relatório o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), os secretários estaduais José Aníbal (Energia), deputado (PSDB-SP); e Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM.

Estima-se que o cartel dos trens de São Paulo e Distrito Federal pode ter superfaturado os serviços em R$ 577 milhões.

Dois dias depois de revelada o suposto envolvimento com os políticos, as manchetes dos jornais dizem que o ministro da Justiça do PT deve explicações sobre a denúncia contra tucanos.

Mas não seriam os tucanos que deveriam dar explicações? Não seria hora de exigir que se expliquem e cobrar o governador para afastas os denunciados?

Qual nada. Quem deve explicações é o ministro da Dilma, que é do PT. É ele que tem que explicar como políticos tucanos podem estar envolvidos em denúncias de corrupção.

Em nota, o ministério da Justiça “esclarece que, tendo recebido do deputado Simão Pedro denúncias, acompanhadas de documentos, envolvendo a ocorrência de eventuais atos ilícitos na execução de obras do metrô de São Paulo, encaminhou-as, no estrito cumprimento do dever legal, à Policia Federal (PF) para as devidas investigações. O Ministério reafirma que a documentação não foi encaminhada à PF pelo Conselho Administrativa de Defesa Econômica (Cade)”.

A Polícia Federal é submentida ao ministério da Justiça, assim como o Cade. Já o deputado estadual licenciado Simão Pedro (PT-SE) é autor de representações ao Ministério Públicosobre o cartel. Vale lembrar que é papel do parlamentar enquanto poder Legislativo investigar irregularidades na aplicação de verbas públicas municipais e estaduais.

Vale a teoria do “domínio do fato” também neste caso. É preciso criminalizar alguém do PT, mesmo que ele seja o investigador ou denunciante. Foi assim com Donato. Está sendo agora com Simão Pedro e José Eduardo Cardozo.”
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AP 470 Mensalão: o terceiro absurdo

25.11.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 19.11.13
Por Raimundo Rodrigues Pereira, no blog Retrato do Brasil

Em meio à preparação de nossa edição especial sobre o “mensalão”, que circulará no próximo mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu não aguardar o julgamento dos embargos infringentes previsto para meados do ano que vem, quando serão reexaminados alguns dos crimes dos quais são acusados vários dos réus. 

Decidiu “fatiar” a aplicação das sentenças, considerando, na linguagem forense, “transitadas em julgado”, ou seja, prontas para serem executadas, todas as “fatias” das penas a que foram condenados réus para as quais não houvesse mais possibilidade de recurso. Com isso, foram presos, na sexta-feira (15), vários dos julgados, entre os quais José Dirceu, o mais famoso deles. Dirceu foi preso por uma das duas “fatias” de sua condenação: a de sete anos e onze meses de prisão, referente ao crime de “corrupção ativa”, para a qual não haveria mais apelação. E aguardará o julgamento da outra “fatia”, na qual recebeu sentença condenatória de dois anos e 11 meses, pelo crime de “formação de quadrilha”, a ser revista em 2014, no julgamento do respectivo embargo infringente aceito pelo tribunal.


O fatiamento das sentenças dos réus completou o tripé de arbitrariedades no qual o julgamento da Ação Penal (AP) 470 foi assentado. No início da ação, quando ela foi aceita pelo STF em 2007, a Procuradoria-Geral da República, por meio de Antônio Fernando de Souza, seu então titular, e o ministro Barbosa, relator do caso, sustentaram que seu desmembramento seria impossível, tendo em vista a imbricação dos crimes cometidos e o fato de os acusados formarem três quadrilhas intimamente relacionadas. Posteriormente, no acordão do julgamento, Barbosa confirmou a inextricabilidade do caso ao dizer que o chefão dos três bandos era um só – Dirceu, que teria desempenhado papel “proeminente”, não junto a um, apenas, mas a “todos os acusados”.

Qual o grande crime chefiado por Dirceu e para a realização do qual comandou três quadrilhas, uma de seu partido, o PT, outra de publicitários e a terceira, de banqueiros? Segundo a acusação, a compra de votos de parlamentares. Com que dinheiro foi feita essa compra? Não com os empréstimos fictícios forjados pelos quadrilheiros banqueiros , disse a acusação, mas com 74 milhões de reais desviados do Banco do Brasil (BB) pelos quadrilheiros publicitários.

Cabia então, indubitavelmente, à acusação apresentar a prova material do crime – a existência de desvio de dinheiro do BB. E cabia ao pleno do STF cobrar tal prova – a da existência de instrumento material indispensável à execução do crime. Nenhum dos dois procuradores-gerais da República que tocaram o caso – Souza, já citado, e Roberto Gurgel, a seguir – fez a prova. E, pasmem, nenhum dos juízes do STF a exigiu, embora se saiba que, desde a Idade Média, a primeira tarefa do Estado acusador, ao privar uma pessoa de sua liberdade, é a de provar a materialidade do crime.

Esse primeiro absurdo foi completado por um segundo: não se começou o julgamento do crime unitário, composto de partes totalmente imbricadas, examinando o crime considerado central pela acusação – o de formação de quadrilha –, em que estariam os nervos da ligação viva entre suas diversas partes. O crime foi esquartejado, foram extirpadas as ligações entre suas partes e o julgamento foi iniciado pela “fatia” do desvio de dinheiro público e não por fatos básicos que comprovassem a existência material do desvio, mas por indícios de que o desvio poderia ter existido. E isso foi feito, é claro, pela simples razão de que não existiu desvio de dinheiro do BB – como RB já demonstrou em sua investigação.

O fatiamento das sentenças e as prisões realizadas – não só de Dirceu, mas também dos outros subchefes de quadrilhas, Kátia Rabelo, pelos banqueiros, e Marcos Valério, pelos publicitários – visa dar por concluída a história. Um mínimo de bom senso, no entanto, mostra que isso é um absurdo. Dirceu foi condenado pelo crime de formação de quadrilha por 6 votos a 4. Tem direito a um novo julgamento porque a própria jurisprudência da corte considera que quatro votos contrários a uma condenação, num julgamento para o qual não existe uma instância superior de apelação, é sinal de dúvida suficiente entre os juízes para que o tribunal a julgue novamente. Ou seja, além de não existir o instrumento material do crime chamado “mensalão”, que é o desvio de dinheiro público, há dúvida sobre a existência do elemento subjetivo central da peça acusatória – a formação de três quadrilhas comandadas pelo então chefe da Casa Civil do presidente Lula para desviar dinheiro público e comprar deputados.

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Aécio pede cabeça de Cardozo por não ter engavetado o propinão tucano dos trens

25.11.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA,24.11.13

É muita cara-de-pau e abuso de impunidade por serem tucanos. Aécio Neves, na condição de senador e presidente do PSDB, pediu explicações do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por ele ter enviado à Polícia Federal as denúncias que recebeu sobre o recebimento de propinas pela alta cúpula tucana.

Outros tucanos foram além e cobraram até a demissão do ministro. Cardozo respondeu que indícios de crimes, sejam de tucanos ou não, precisam ser apurados. Se ele engavetasse denúncias, estaria prevaricando.

A coisa começou com o então deputado estadual por São Paulo, Simão Pedro (PT-SP), recebendo denúncias e documentos dos escândalos sobre o propinão tucano nos trens, desde o escândalo da Alstom.

O deputado tentou várias vezes abrir CPIs para investigar. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) usou seu rolo compressor na Assembléia Legislativa para impedir a abertura da CPI da Altom, da Siemens e qualquer coisa semelhante. Engavetou as investigações.

Simão Pedro e seus colegas petistas encaminharam várias da denúncias para o Ministério Público Estadual e Federal. Os dois órgãos também não tiveram uma atuação condizente com a gravidade das denúncias. Na Suíça já há autoridades dos governos tucanos condenados por lavagem de dinheiro e aqui a coisa mal está começando. O Procurador da República De Grandis está sendo até investigado pelo próprio Ministério Público, pois teve investigações em suas mãos que ficaram engavetadas.

O que os tucanos queriam? Que a Polícia Federal também engavetasse as denúncias?
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Nem só da corrupção no clã tucano padece o nome da Siemens

23.11.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 21.11.13
Por Flávio Aguiar, de Berlim 
                
A empresa tem estado presente no noticiário brasileiro, e também no alemão, embora por motivos diferentes

Keystone/Getty Images
1933, Hitler na Siemens
Empresa tem história de parcerias desabonadoras, entre elas com os governos tucanos de São Paulo

No Brasil, pesam sobre a empresa acusações de formação de cartel (com outras mais) para fornecimento de material para construção de meios de transporte, como o metrô de São Paulo, além de, ultimamente, distribuição de propinas. Segundo o noticiário brasileiro e internacional, as relações entre o governo do estado de São Paulo e fornecedores de equipamentos, especialmente para o sistema de transporte por trens e metrô, são permeadas de contratos superfaturados e pagamentos de gordas propinas.

Enfim, corruptores privados encheram os bolsos de agentes públicos corruptos, entre eles pessoas íntimas dos governadores tucanos, desde a gestão Maior Covas, em 1998, até os dias atuais, com Geraldo Alckmin – passando por José Serra. Se estiverem certas as denúncias, as despesas com sobrepreço e “gorjetas” fizeram contratos que somaram R$ 30 bilhões em década e meia engordar 30%, o que representaria um prejuízo de R$ 9 bilhões, ou dezenas de quilômetros de trilhos jogados no bolso de alguéns.

Como grande parte das denúncias partiu de dentro de uma das empresas que integram o suposto cartel, a Siemens, é improvável que não haja fogo na base dessa fumaça. O gesto parece ser parte de um esforço da multinacional alemã em tentar recuperar o prestígio da marca, que não anda bem no noticiário internacional. Na Alemanha, a Siemens tem sido notícia devido a uma crise de administração em consequência de uma série de contratempos, como perda de prazos e de espaço para concorrentes e um desconforto financeiro. Essas dificuldades levaram a uma troca de comando na empresa. O novo presidente é Joe Kaeser, ex-chefe do Escritório Financeiro Central, órgão encarregado de avaliar riscos financeiros e perdas decorrentes, e como evitá-los ou enfrentá-los.

Kaeser substituiu Peter Löscher, aus­tríaco de nascimento, que assumiu a presidência da empresa em julho de 2007, depois de um período conturbado em que executivos caíram e outros subiram em meio a acusações e acordos judiciais envoltos no tema da corrupção, por meio do pagamento de propinas em diferentes países, inclusive nos Estados Unidos.

Não houve acusações de corrupção contra Löscher. Aparentemente, a “acusa­ção” contra ele foi de má gestão, decisões ­erradas que levaram, por exemplo, a Siemens a atrasar a entrega de trens encomendados à “sagrada” Deutsche Bahn, a ferroviá­ria estatal alemã, um dos ícones do país, ao lado da sua indústria ­automobilística.

Nesse recente sobe e desce de CEOs (de Chief Executive Officer, no jargão internacional), a mídia alemã noticiou uma luta interna entre dois pesos pesados: Gehrard Chrome, presidente do Conselho Supervisor, e Josef Ackermann, um dos vice-presidentes. Pelo noticiário subsequente, Ackermann, que já foi CEO do Deutsche Bank, perdeu e renunciou a seu posto no Conselho da Siemens, sem que ficassem claras as razões da disputa.

Longo passivo

O fato é que o passivo de acusações contra a Siemens é muito longo e variado.­ Até ter fornecido, por exemplo, material elétrico para os campos de concentração nazistas, além de haver fotos de carros seus sendo usados para fazer propaganda do partido. Em 2006, a empresa foi objeto de uma devassa por parte da promotoria pública alemã.

Em 15 de novembro daquele ano, procuradores e agentes policiais invadiram 30 escritórios da empresa, além de várias casas de seus top executivos. O obje­tivo da operação era investigar o que foi descrito como um grande esquema de pagamento de propinas para obtenção de favores em escala mundial. Nessa ocasião caíram executivos como Heinrich von Pierer e Klaus Kleinfeld. As acusações levantaram detalhes bizarros, como o de que até 1998 a empresa abatia do imposto de renda alemão propinas pagas no estrangeiro, descritas como “despesas correntes”.

A nova direção da Siemens negociou laboriosamente, por exemplo, com o fisco norte-americano, chegando a um acordo em 2008 para o pagamento de US$ 800 milhões em indenizações. Não se sabe o montante das indenizações pagas pela empresa. Há avaliações de que passava de US$ 1,5 bilhão antes de vir à luz o caso brasileiro. Chegou ao noticiá­rio que o contador que operava secretamente as contas das propinas – e um dos poucos a serem condenados judicialmente, Richard Sieksczek – lidava anualmente com valores entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões.

Mas o caso mais espetacular ocorreu na China, onde em junho de 2011 o empresário Shi Wanzhong foi condenado à morte por ter recebido da Siemens US$ 5,1 milhões em “por foras” para favorecer compras de materiais. A execução da sentença foi suspensa, mas não se sabe exatamente o que aconteceu com o condenado. A empresa sempre se recusou a comentar o assunto.

A Siemens emprega cerca de 370 mil ­trabalhadores em 200 países – e se orgulha­ de ter em seus quadros 18 mil enge­nheiros de informática, mais do que a Microsoft­ – e está passando por um processo dramá­tico de ajustes. Seu novo presidente anunciou a extinção de 15 mil postos de trabalho na Alemanha, o que, nesta época de crise­ europeia, pode significar uma “pequena” catás­trofe social. Ao mesmo tempo, embora a empresa não comente nada, a disposição de agora colaborar com as autori­dades brasileiras mostra que há um empenho em recuperar a aura há muito tempo perdida.

Os homens da corporação

Joe Kaeser

Werner von Siemens

Fundou a empresa em 1847, voltada para a expansão do telégrafo. Passou desde logo a operar em nível internacional, na Índia, na Rússia e no continente europeu. Construiu uma linha telegráfica da Índia a Londres, por exemplo.

Peter Löscher, 56 anos

Foi o diretor-presidente de 2007 a julho de 2013. Não há acusações de corrupção contra ele.


Gehrard Chrome, 70 anos


Proeminente empresário, assumiu a presidência do Conselho Diretor em 2007, substituindo Klaus Kleinfield. É considerado o homem forte da empresa.


Josef Ackermann, 65 anos

Nascido na Suíça, um dos mais importantes CEOs da Europa, amigo de Angela Merkel, ­ex-diretor-presidente do Deutsche Bank, já foi até objeto de documentário da uma rede de TV (ARD). Não há acusações de corrupção contra ele.
Klaus Kleinfeld, 56 anos

Foi presidente do Conselho Diretor de 2005 a 2007. Quando surgiram as acusações contra a empresa, foi acusado de negligência por não ter agido. Negou. Ainda assim, deixou o cargo e a empresa, segundo algumas fontes pagando uma indenização simbólica de € 2 milhões. Desde 2008 é o CEO da Alcoa norte-americana.


Heinrich von Pierer, 72 anos

Presidente do Conselho Diretor de 1992 a 2005, quando foi substituído por Klaus Kleinfeld, passando a presidente do Conselho Fiscal, onde ficou até a maré de escândalos de 2006-2007. Demitiu-se, alegando inocência. Permanecem acusações de negligência, mas não houve processo contra ele. Em 15 de maio de 2010, o jornal Süddeutschen Zeitung noticiou que ele teria pago uma indenização de € 5 milhões à empresa. Hoje é membro do conselho da empresa mista turca Koç Holding.


Shi Wanzhong

De acordo com as poucas informações disponíveis, esse executivo chinês era diretor da China Mobile, uma companhia estatal no ramo da telefonia móvel, quando recebeu a propina da Siemens. Entretanto, não houve processo contra a empresa.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/89/um-escandalo-chamado-siemens-8512.html/view