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domingo, 24 de novembro de 2013

Maria Frô: O conde Chiquinho Scarpa e a nobreza decadente

24.11.2013
Do blog VI O MUNDO, 22.11.13
Por MariaFrô, 


Para elite econômica brasileira o SUS não é direito, é castigo: Chiquinho Scarpa manda Genoino se tratar no SUS


É sempre assim, Lula adoece e além de desejar a morte dele um certo grupo reacionário nas redes sociais e nos comentários dos grandes portais mandam Lula tratar seu câncer no SUS.
Como se a burguesia, quando seus planos caríssimos de saúde e inteiramente deduzidos no imposto de renda negam pagar procedimentos caríssimos, não desse o famoso jeitinho de conversar com um médico amigo e ser tratada pelo SUS no Einstein ou no Sírio ou na Beneficência ou no Santa Catarina.

Embora essa turma ache que seus preconceitos livrem-na de doenças como câncer e de que todos somos otários e não percebemos o preconceito de classe por trás de sua fúria justiceira. Aliás chega a ser comovente como a turma do ‘bandido bom é bandido morto’ de repente passou a se preocupar com os direitos humanos dos presos que não são políticos petistas.

De repente esta turma ficou craque em apontar as péssimas condições carcerárias de presídios cada vez mais privatizados para sustentar campanha de um certo partido.

Mas voltemos ao SUS: a direita e seus tucanos amestrados na mídia e no Show Business acham que SUS não é direito conquistado, é castigo.

Foi esta ideia a de Luana Piovanni, que se achou no direito de mandar o ex-presidente petista tratar-se no SUS: Luana Piovani tive meu bebê pelo SUS e recomendo.

José de Alencar que era político e, como Lula, não tinha curso superior, também passou 13 anos em tratamento de seu câncer e ninguém o mandou se tratar no SUS, por que será?
Isso explica em parte o porquê dos #coxinhasdejaleco agirem como vem agindo.

Eles precisam da renda proveniente do Estado Brasileiro, mas trabalhar em postos de saúde, UPAS, para eles é degradante, coisa de pobre, resultado de uma sociedade de consumo que invade inclusive as escolas de medicina, que abandonam a formação humanista e fornecem ao mercado de trabalho jovens médicos carregados de preconceitos.

Seus defensores, como o leitor Gabriel neste post aqui, não faz questão alguma de disfarçar o ódio que sente dos pobres e de políticos que promovem políticas públicas para todos (incluindo os pobres).

Ao ler a notícia de que a mãe da criança atendida por um médico cubano, acusado de prescrever dosagem errada de remédio, (acusação falsa) defendeu o médico cubano, Gabriel disparou:
Sinceramente a população é estúpida demais para saber que o programa Mais Médicos é uma farsa. A população é estúpida demais para saber que os “médicos” cubanos( sim, existem vários inquéritos provando que muitos deles nem médicos são) não têm qualificação para estar aqui. A população é burra demais para perceber que a Dilma está tirando os médicos brasileiros para colocar uma mão de obra completamente desqualificada e barata para tratar o povão e ainda ver o povo aplaudir ela por isso. A população não sabe que muitos médicos que trabalham no interior estão sendo demitidos para colocar os cubanos no seu lugar. A população é burra suficiente para dizer que qualquer prova que seja contra o Mais médicos foi forjada ,e vive no seu mundinho não querendo aceitar que está sendo enganada pela presidAnta que temos. VocÊs que acreditam num programa desses…sim vocês são os estúpidos e burros.
Esse preconceito de classe que associa a coisa pública a algo ruim, de má qualidade, tem causas: políticos neoliberais desgraçados que liquidaram o Estado e privatizaram serviços públicos essenciais; espírito opositor e irresponsável do Congresso, que tirou 40 bilhões da Saúde Pública numa canetada; mídia bandida, que defende interesses rentistas e noite e dia incute na mente dos Gabrieis que tudo que é do Estado é ruim, mal feito, corrupto.

Para a direita produzir a descrença na política, passando rolo compressor em todos os governos como se todos fossem iguais, é essencial para que 11 famílias que dominam a comunicação no país, concentrem poder econômico e mantenham o status quo daqueles que sempre dominaram.

O PT há 10 anos no poder vem tentando restabelecer minimamente o Estado desmantelado por governos neoliberais e rendidos ao capital internacional, mas vive cedendo ao espírito neoliberal em suas concessões. De todo modo, resolveu enfrentar ao menos um debate público e venceu: Programa Mais Médicos. Não é à toa que o  programa é atacado noite e dia pelo que há de mais reacionário no país.

Destruindo a confiança da população nos serviços públicos essenciais como o SUS, sujeitos como Chiquinho Scarpa podem continuar tendo seu plano de saúde caro financiado por nós, sim, porque se ele deduz tudo que gasta com seu plano no imposto de renda (isso se Chiquinho Scarpa não sonegar impostos), nós bancamos a saúde dele nos Sírios Libaneses e o governo deixa de investir este dinheiro para melhorar o atendimento no SUS, que gente como Chiquinho acha que é castigo e que serve apenas para pobre, preto, puta, presidiário e petista e olhe lá — alguns deles acham mesmo que Genoíno, por exemplo, deveria morrer na prisão ilegal sem socorro médico.

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Campanha de violência contra a mulher será levada com música para as escolas de todo o país

24.11.2013
Do portal da Agência Brasil, 22.11.13
Por Agência Brasil

Rio de Janeiro – A segunda fase da campanha de combate à violência contra a mulher, lançada hoje (22), no centro da capital fluminense, vai focar as ações na conscientização de crianças e adolescentes. Serão apresentados dois videoclipes musicais em escolas, um gravado por artistas e outro por crianças, para informar os jovens sobre os altos índices de violência doméstica.
O evento de lançamento da campanha "Quem ama abraça – fazendo escola" reuniu centenas de estudantes, mulheres e artistas. O projeto foi idealizado em conjunto pela Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh) e o Instituto Magna Mater (IMM), com o apoio do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e do Instituto Avon.
A ministra Eleonora Menicucci, titular da pasta, considerou fundamental que o foco dessa campanha seja voltado para crianças e adolescentes. “Com ela [a campanha] eu tenho certeza de que conseguiremos mudar valores e cultura que são impregnados nas crianças que passam a achar até natural a violência contra as mulheres. Por outro lado, eu tenho certeza que essa campanha nas escolas vai mudar definitivamente essa cultura”.
A campanha vai promover ações em todo o território nacional no ano de 2014 para conscientizar os cidadãos e diminuir o número de mortes de mulheres no Brasil. De acordo com estatísticas divulgadas pela Redeh, a cada duas horas, uma mulher é assassinada no país; 30% das mulheres já sofreram algum tipo de violência doméstica; e, a cada dois minutos, cinco mulheres são violentamente agredidas. Em 2012, 50.617 casos de estupro foram registrados.
O secretário de estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, ressaltou a importância do Rio de Janeiro no lançamento da campanha. “A campanha dá o pontapé para os 16 dias de ativismo contra a violência praticada contra as mulheres. Nós temos o orgulho de receber a campanha. E o Rio de Janeiro é o tambor. Tudo o que a gente faz aqui repercute bem. Eu vejo que trabalhar o não preconceito, trabalhar o amor junto às crianças é fundamental porque elas é que serão os balizadores do nosso futuro”, disse o secretário.
A cantora Leila Pinheiro, que trabalhou como diretora musical do clipe feito pelas crianças, disse que, por meio dos jovens, é mais fácil sensibilizar um adulto. “Acho que, pelas crianças, os adultos se sensibilizam de uma forma mais forte, mais contundente. As crianças sofrem por ver a mãe sendo vítima da violência. Ficou lindo [o clipe]. A música do Gabriel Moura e do Rogê é espetacular. Tomara que caia nos ouvidos do Brasil e que a gente consiga reduzir esses índices astronômicos de violência contra a mulher”.
O lançamento da segunda fase da campanha ocorre dentro dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência, de 25 de novembro, quando é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Não Violência contra as Mulheres, a 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. No dia 25, o Cristo Redentor, no Corcovado, zona sul do Rio, será iluminado com a cor lilás. Já o estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, exibirá em todos os jogos mensagens pelo fim da violência contra as mulheres.
A iniciativa integra o Programa Mulher, Viver sem Violência, que visa a sensibilizar e conscientizar a população sobre os direitos das mulheres e o fim da impunidade para seus agressores. As campanhas "Compromisso e atitude pela Lei Maria da Penha" e "Desperte para essa causa", também fazem parte do programa federal.
Edição: Lana Cristina

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Entenda projeto de lei que estabelece cotas para negros em concursos

24.11.2013
Do portal G1, 08.11.13
Por G1, em São Paulo
 
Projeto prevê reserva de 20% das vagas em concursos federais
 
Já está na Câmara o projeto de lei do governo federal que reserva aos negros 20% das vagas para preenchimento de cargos efetivos e empregos públicos nos concursos públicos da administração pública federal.

De acordo com o projeto de lei, a reserva de vagas vale tanto no âmbito dos ministérios quanto para autarquias, agências reguladoras, fundações de direito público, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União, como Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Correios e Banco do Brasil.

O G1 elaborou um tira-dúvidas sobre o assunto.

O que o projeto estabelece?

 O projeto de lei cria cotas raciais no funcionalismo público federal. O texto define reserva de 20% das vagas em concursos para a administração pública federal direta, como ministérios, e também na administração indireta, para autarquias, agências reguladoras, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União. Conforme a proposta, poderão concorrer às vagas da cota racial todos que se declararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso, conforme os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
 

 
Veja no vídeo ao lado, debate sobre o assunto no programa "Entre Aspas" da Globo News.

Os candidatos negros só poderão concorrer pelo sistema de cotas?

 Não. Os candidatos negros concorrerão, ao mesmo tempo, às vagas da cota racial e às destinadas à ampla concorrência. Os negros que tiverem nota suficiente para aprovação dentro do número de vagas da ampla concorrência não tirarão vaga do sistema de cotas.

E se o candidato mentir?

 Na hipótese de declaração falsa, o candidato será eliminado do concurso. Se já tiver sido nomeado, responderá por procedimento administrativo e poderá ter a admissão anulada.

Qual o número mínimo de vagas no concurso para haver cotas?

 Conforme a proposta, haverá cota racial sempre que o número de vagas oferecidas no concurso público for igual ou superior a três. No caso de 20% das vagas resultar em um número fracionado, será arredondado para cima sempre que a fração for igual ou maior que 0,5, e para baixo quando for menor que 0,5.

E se não houver aprovados suficientes para as vagas?

 Caso o número de cotistas aprovados não chegue aos 20%, o restante das vagas será preenchida pelos candidatos que participaram do concurso pelo sistema universal. A nomeação dos aprovados se dará respeitando os critérios de alternância e proporcionalidade, “que consideram a relação entre o número de vagas total e o número das vagas reservadas a candidatos com deficiência e a candidatos negros”.

Como vai tramitar o projeto?

 Segundo a assessoria da Casa Civil, o projeto de lei foi encaminhado no dia 6 para o Congresso Nacional. Ele tramitará em regime de urgência constitucional, ou seja, Câmara e Senado terão 45 dias, cada um, para votar o texto. Caso não cumpram o prazo, a pauta fica trancada.

Quando a medida passará a valer?

 Somente após a aprovação na Câmara e no Senado, que poderão ainda fazer modificações no texto do projeto. As regras não valerão para concursos cujos editais tiverem sido publicados antes da entrada em vigor da lei.

De onde veio a ideia da cota racial em concursos?

 De acordo com a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, o projeto de lei enviado ao Congresso foi baseado em um estudo do governo que analisou o perfil das pessoas que ingressaram no serviço público nos últimos 10 anos. Segundo a titular da Igualdade Racial, em 2004, 22% dos funcionários públicos eram negros. Já em 2013, o índice atingiu cerca de 30% do quadro funcional. Ela espera a participação chegue a representar o mínimo de 50%.

Quanto tempo dura a lei?

 A lei vai vigorar pelo prazo de 10 anos e não se aplica aos concursos cujos editais já tiverem sido publicados antes que o projeto seja aprovado pelo Congresso e a lei entre em vigor.

Existe alguma política de cotas para concursos no âmbito federal?

 Não há lei nacional sobre reserva de vagas em concursos para determinadas raças, apenas para deficientes físicos. A lei 8.112, que rege o servidor público civil federal, determina que sejam reservadas até 20% das vagas para deficientes, desde que as atribuições do cargo sejam compatíveis com a deficiência. O decreto 3.298/99 definiu o percentual mínimo de 5%, ao regulamentar a lei 7.853/89, que deve ser aplicado em todo o país.

No país, há estados que reservam vagas para negros nos concursos?

 Atualmente, pelo menos 4 estados têm leis que reservam cotas de vagas para candidatos negros. São eles: Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul, a lei prevê a reserva de 15% das vagas para negros, pardos e indígenas de todos os concursos da administração pública direta e indireta de todos os poderes do Estado. No Paraná são 10% para negros; no Mato Grosso do Sul são 10% para negros e 3% para índios, e no Rio de Janeiro são 20% para negros e índios. Os candidatos devem comprovar sua condição por meio de ficha e declaração por escrito.

Os candidatos podem optar por concorrer ou não pela cota. No PR e em MS, os que se declaram negros ou índios cumprem as mesmas etapas dos demais, porém passam por uma banca que faz uma avaliação visual para confirmar se poderão ficar com a vaga reservada. Essa banca considera não só a cor da pele, mas características como tipo de cabelo, formato da boca e nariz.
 
Saiba mais
 
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Fonte:http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/11/entenda-projeto-de-lei-que-estabelece-cotas-para-negros-em-concursos.html

Por que deixamos Varsóvia?

24.11.2013
Do portal OPERA MUNDI, 23.11.13
Por  Jamie Henn | Outra Palavras (*

Ao retirarem-se das negociações climáticas, movimentos por justiça global mandaram recado: não aceitarão mais farsas


Estou sentado em um espaço de convergência no centro de Varsóvia, a um quilômetro e meio do Estádio Nacional, onde, nas duas últimas semanas, negociadores do mundo inteiro foram incapazes de conseguir qualquer progresso na última rodada da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

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Cai a noite, e a maioria dos ativistas que estão aqui quase enlouqueceram nas últimas semanas de negociação, mas a sala ainda vibra de energia. A meu lado, Evelyn Araripe, ativista e jornalista do grupo brasileiro Viração, rememora os acontecimentos do dia. Do outro lado da sala, um grupo de jovens do Friends of the Earth (Amigos da Terra) planeja suas próximas atividades. No andar de baixo, as pessoas conspiram sobre os vídeos e entrevistas que pretendem fazer amanhã.

Outras PalavrasMovimentos por justiça global afirmam não aceitar mais farsas

Aqui é onde está acontecendo o verdadeiro enfrentamento das mudanças climáticas: um prédio velho, meio caído, perto da principal rua comercial de Varsóvia. Nosso cenário não tem a ordem das estéreis salas plenárias da Conferência das Partes 19, mas é repleta de criatividade e determinação.


Especialmente agora. Faz apenas algumas horas que grande parte das organizações da sociedade civil abandonou a COP19, para protestar contra a falta de progresso nas conversações. Em particular, contra as manobras dos grandes poluidores, tais como Austrália e Japão, para abandonar seu compromisso de cortar emissões de CO²; a falta de financiamento para os países em desenvolvimento; e o domínio exercido pelas corporações sobre um processo supostamente criado para representar as vozes dos povos do mundo.

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Nosso anfitrião, o governo polonês, não apenas permitiu que corporações patrocinadoras estampassem seus logos por todo lado, nas salas onde ocorreu o encontro, mas chegou ao ponto de se aliar à Associação Mundial de Carvão para sediar uma grande cúpula sobre o combustível, lado a lado com as negociações sobre o clima. É o equivalente a montar uma feira de armamentos junto com uma conferência mundial de paz – o que gerou protestos, naturalmente.

De modo que hoje, com camisetas onde se lê “Polluters Talk, We Walk“ (Quando os poluidores Falam, nós saímos), algumas das maiores organizações ambientais – Greenpeace, Oxfam, Friends of the Earth, 350.org etc.— uniram-se a grupos como ActionAid, redes de trabalhadores como Confederação Internacional de Sindicatos, movimentos do Sul Global como Aliança Pan-Africana pela Justiça Climática e jovens de todo o mundo, para deixar a conferência.

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Foi uma condenação a essas conversas em particular, não a todo o processo da ONU. Atrás, em nossas camisetas, pode-se ler “Volveremos”, em espanhol – mais fortes e poderosos que nunca. Não abandonamos nossa esperança nas negociações climáticas da ONU, mas essas reuniões eram uma farsa, e sabemos que elas não vão construir um processo relevante até que digamos basta à indústria de combustíveis fósseis e acabemos com seu domínio sobre nossos governos e economias.

A amplitude e o alcance da paralisação de hoje foram um acontecimento sem precedentes no processo da ONU. Grupos isolados já abandonaram as negociações climáticas, no passado (perdi a conta de quantas vezes grupos como Friends of the Earth ou 350.org marcharam, protestaram ou foram expulsos de reuniões). Mas nunca antes tantos grupos, de ONGs gigantes como a World Wildlife Federation (Federação Mundial para a Vida Selvagem) a movimentos sociais de todo o Sul Global marcharam juntos com uma só voz. A ação de hoje foi pequena – o abandono de uma conferência –, mas significou outro nível de unidade no movimento climático global.

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Depois de deixar as conversações, centenas de nós viemos para o espaço de convergência partilhar nossas percepções sobre o dia e nos comprometer com o duro trabalho que temos pela frente. Estamos exigindo um bocado dos nossos líderes políticos: financiamento de verdade, forte redução das emissões, novos mecanismos para lidar com as perdas e os prejuízos causados pelas mudanças climáticas. Precisamos também exigir muito de nós mesmos: outro nível de colaboração, vontade de correr riscos, e foco na mobilização de um movimento poderoso nas capitais mundo afora.
Sabemos que não estamos sós. Já estão chegando, neste momento, as fotos das vigílias We Stand With You (Estamos Com Vocês), que acontecem em todo o mundo para honrar as vítimas do Tufão Haiyan e demandar ação imediata contra o aquecimento global. Esta é a sétima vez que venho a uma conferência climática anual da ONU, e é difícil não haver uma depressão em massa com todo o processo. O progresso é lento, as coisas desmoronam. E apesar disso, este ano há algo diferente no ar.

Pela primeira vez, parece que realmente sabemos quem são os inimigos. É a indústria de combustíveis fósseis – e estamos começando a ir atrás deles seriamente, fazendo de campanhas de desinvestimento à obstrução de dutos. Lutar contra as mudanças climáticas é difícil, mas, sentado em salas como esta, cercado por ativistas de todo o mundo que estão empenhando seus corações e vidas nesta luta, é difícil não se sentir otimista. Com sempre diz Bill McKibben, não tenho certeza de que vamos ganhar, mas vamos provocar uma briga infernal.
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Primeiro trecho do Elevado da Perimetral é implodido no Rio

24.11.2013
Do portal MSN/ESTADÃO
Por Estadao.com

Demolição, que levou apenas cinco segundos, vai permitir o avanço das obras da Via Expressa


Primeiro trecho do Elevado da Perimetral é implodido no Rio
"Para implosão, foram usados 1.200 quilos de explosivos"
Em apenas cinco segundos veio abaixo na manhã deste domingo, 24, o primeiro trecho do Elevado da Perimetral a ser removido no plano de revitalização da Zona Portuária do Rio. Na implosão de 1.050 dos 4.790 metros da via foram utilizados 1.200 quilos de explosivos.

A demolição do trecho vai permitir o avanço das obras da Via Expressa, que substituirá a Perimetral ligando o Aterro do Flamengo à Ponte Rio-Niterói e à Avenida Brasil, uma das principais vias de ligação entre os subúrbios cariocas, o centro e a zona sul. Também vai liberar a vista da Baía de Guanabara e prédios históricos na região, que deverá abrigar um passeio público.

Foram utilizados 2.512 conjuntos de pneus com areia e 2.240 estacas em tambores para amortecer o impacto da queda da estrutura e triturar o concreto. Além disso, 215 mil metros quadrados de tela foram instalados para evitar o escape de fragmentos. Como os explosivos foram acionados em cadeia para detonar apenas os pilares de sustentação do elevado, a poeira levantada foi bem menor que a das implosões tradicionais. Ao todo a operação envolveu 29 vãos e 232 vigas, com peso de 5.104 toneladas.

A prefeitura bloqueou as ruas da região portuária carioca cerca de uma hora antes da implosão, iniciada às 7h. A operação envolveu um efetivo de 650 operadores de tráfego da CET-RIO, da Guarda Municipal do Rio e da concessionário Porto Novo, responsável pelas obras de infraestrutura na região. Também foram mobilizados 500 profissionais da prefeitura, Defesa Civil, técnicos das concessionárias de luz, gás e água (Light, CEG e Cedae), entre outros.

Sinais sonoros disparados alertaram a população dos preparativos para a implosão. Moradores de casas localizadas num raio de 150 metros do local tiveram que deixar suas residências.

De acordo com a prefeitura, os escombros da Perimetral serão reaproveitados na pavimentação de ruas da Zona Portuária. A limpeza da área implodida deve levar 90 dias. Depois disso serão iniciadas novas obras de infraestrutura e concluídas etapas como a dragagem e obras de saneamento.


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Erros financeiros antes dos 30

24.11..2013
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 23.11.13

Inexperiência e ansiedade afetam orçamento de jovens que estão aprendendo a lidar com o próprio dinheiro

Palloma Alecrim elegeu o planejamento financeiro como meta de 2014. Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press (Bruna Monteiro/DP/D.A Press)
Palloma Alecrim elegeu o planejamento financeiro como meta de 2014. Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press 
Comprar um carro ou investir em um curso para enriquecer o currículo? Torrar as economias em uma viagem ou aplicá-las em um fundo de investimento? A inexperiência e ansiedade também afetam as finanças pessoais antes dos 30 anos, idade em que você busca se estabilizar e sair da casa dos pais. Poupar de menos e viver demais às vezes traz consequências pesadas ao bolso. O contrário, à própria satisfação pessoal. 

O cenário mudou um pouco e hoje muitos jovens desta faixa etária sonham, por exemplo, em juntar o seu primeiro milhão de reais. Nem sempre dá certo. Mas quais seriam os principais motivos que levam aos erros quando o assunto é dinheiro antes dos 30 anos? Para os especialistas, seis situações resumem o conjunto de falhas, mas todas passam pela falta de informação e planejamento. O segredo para se dar bem é ter foco. 

Planejamento, aliás, é o que a enfermeira Palloma Alecrim, 27, traçou a partir de 2014 para melhorar as finanças pessoais. De malas prontas para o estado de Roraima, onde tem proposta de emprego com salário acima dos R$ 5 mil, ela confessa que já tentou manter as contas em dia, mas nunca conseguiu. A inxeperiência da idade, segundo ela, pesou: gastos excessivos nas baladas e falta de informação deixaram o bolso em alerta. 

“Tenho um caderno com as contas, mas nunca ficou atualizado. A falta de educação financeira ajuda no desequilíbrio das finanças”, reconhece Palloma. A ausência de informação, inclusive, vem desde cedo. “Isso está presente na cultura brasileira, nas escolas não existe matéria de educação financeira. O jovem aprende a gastar e somente na necessidade aprende a poupar”, atesta Luciano Aklino, agente autônomo de investimentos e sócio-diretor da Um Investimentos. 

Outra causa para o aperto nas contas é comprometer a renda com financiamentos sem flexibilidade no orçamento. Comprar um carro ou um imóvel, por exemplo, e comprometer mais de 30% dos rendimentos, não é uma boa saída, na análise dos especialistas. Para Luiz Kurati, analista de valores mobiliários e tambem sócio-diretor da Um Investimentos, calcular as despesas e ganhos é uma arma para não ter problemas. 

“Os brasileiros têm o hábito de não procurar as melhoras taxas de juros do mercado e isso acaba dificultando o cumprimento dos compromissos financeiros”, explica Kurati. Quando o assunto é decidir por uma aplicação financeira, outro item que atrapalha as finanças desse público, cuja a regra é simples: não ache que encontrar a melhor opção de investimento é o único caminho para ter mais dinheiro. 
Uma das causas para o aperto nas contas é comprometer a renda sem flexibilidade no orçamento. Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press
 (Bruna Monteiro/D.A.Press)
Uma das causas para o aperto nas contas é comprometer a renda sem flexibilidade no orçamento. Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press
A opinião de Aklino é que os jovens devem, primeiro, equilibrar as contas e depois fazer da poupança de uma quantia mensal um hábito. Aliado a isso, vale muito estudar o mercado financeiro e conhecer as opções de aplicações. Ganhando dinheiro no mercado de ações, geralmente você tende a elevar o padrão de vida, não? Mas, é necessário? 

“O importante é o quanto sobra, o poder de poupança. Em vez de elevar o padrão de vida sem necessidade, uma boa dica é investir em um plano de aposentadoria”, sugere Kurati. Traduzindo, se você pretende se tornar uma versão do Rei do Camarote, é bom calcular antes se tem bala na agulha para tal. 

Milhão e ganhos fáceis

Fechando o ciclo das seis principais razões que atrasam a vida financeira dos jovens antes dos 30 anos, os analistas econômicos chegam a duas causas que estão na moda. A primeira delas: ter o primeiro milhão de reais (ou dólares, se você preferir) na conta bancária antes dos 30. Na verdade, este desejo não é necessariamente um problema. Mas, se você é um desses jovens, qual o seu motivo para isso? 

“O poder de investimento dos candidatos, ou seja, o quanto ele pretende poupar ou investir, é o que decide se ele vai ter esta quantia antes dos 30 anos”, completa Aklino. Kurati, no entanto, alerta os pretendentes. “A vida social limitada é outro obstáculo”. Entenda-se, neste caso, que o dinheiro não deve ser um fim e sim o meio. Além disso, a vida não se resume a poupar, poupar, poupar…

Por último, vem a teimosia em acreditar nas promessas de dinheiro fácil. Tipo pirâmide finaceira. Imagine obter um retorno de 300% ao ano em pouco tempo e com pouco esforço. Lembre-se, até os grandes investidores lutam para conseguir crescer 10%, 20% ao ano. “Dinheiro fácil e rápido só na Mega-Sena, sorte de poucos”, completa Luiz Kurati. E você, se não tiver planejamento, corre o risco de perder tudo num piscar de olhos.

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Genoino e a banalidade do mal


24.11.2013
Do portal ISTOÉ INDEPENDENTE, 23.11.1
Por Paulo Moreira Leite

A postura errada de Joaquim Barbosa diante da cardiopatia de Genoíno transforma a medicina num embate político

O deputado José Genoíno está experimentando na pele uma situação inacreditável numa democracia. Precisa mobilizar a família, os amigos, as pessoas com alguma consciência social, proteger o bom mais precioso na existência de qualquer pessoa -- o direito  à vida.

Em se tratando da saúde de um prisioneiro, a Lei de Execução Penal  garante em seu artigo 43 que ele tem o direito de contratar um médico de confiança para “orientar e acompanhar” seu tratamento.

 O mesmo artigo prevê que, em caso de divergência entre o médico particular e o médico do Estado, a palavra final cabe ao juiz de execução.   

 O caso é que Genoíno foi examinado por um médico particular no sábado retrasado, a 1 da madrugada, que concluiu que se trata de um  "paciente com doença grave, crônica e agudizada, que necessita de cuidados específicos, medicamentosos e gerais". Seria possível, a partir deste laudo, aceitar o pedido de prisão domiciliar. Mas não. Joaquim Barbosa exigiu um novo exame, feito por peritos do Estado. Direito dele.O resultado foi idêntico. Não havia divergências entre os médicos e mesmo assim foi preciso esperar dois dias, quando  Genoíno teve ser levando de ambulância para o Incor, com uma suspeita de infarto que felizmente não se confirmou, para que Joaquim Barbosa assinasse uma mudança para prisão domiciliar ou hospitalar.

Considerando que Genoíno sofre uma doença de caráter permanente, sem esperança de cura além de um tratamento cuidadoso, completo, o caráter provisório contém um sinal político. Mostra que o prisioneiro pode ser mandado de volta para a penitenciária a qualquer momento, ainda que, com um tubo de 15 cm implantado para substituir uma parte da aorta, enfrente  uma doença que a Sociedade Brasileira de Cardiologia define assim: “as doenças da aorta são patologias com morbi-mortalidade elevada. Tanto o tratamento clínico como o cirúrgico ainda estão relacionados a elevadas taxas de mortalidade, tornando esse grupo de patologias alvo de extrema importância no tópico das patologias graves.” 

 Ao demonstrar tamanha resistência a acatar aquilo que a legislação determina em caso de doença grave de prisioneiros, Joaquim Barbosa manteve, na  fase do pós-julgamento, um traço que já fora visto durante toda a ação penal 470. Mostrou-se, mais uma vez, extremamente rigoroso em tomar medidas duras, que contrariam direitos dos réus, e bastante agressivo em decisões que irão prejudicá-los. Impediu o desmembramento do julgamento. Fez denúncias agressivas, sem base em provas consistentes. Batalhou para conseguir condenar os réus a penas altíssimas, elevadas de modo artificial, como denunciou o ministro Ricardo Lewandovski. Na hora de acatar uma decisão prevista em lei, que irá beneficiar os réus, faz o possível para evitar, atrasar, condicionar. O caráter provisório da decisão é uma ameaça de retrocesso. 

 O atraso para mudar o regime de prisão não tinha a ver com considerações médicas, mas políticas. Conduzido ao presídio como coadjuvante de luxo numa festa para comemorar o aniversário da proclamação da República, do ponto de vista da encenação Genoíno não podia sair de do palco sem dar a impressão de que alguma coisa não andava bem no enredo. Precisava alimentar a impressão de que tudo havia mudado no país depois que ele e outros dez brasileiros foram colocados atrás das grades.

O caráter “provisório” da transferência também tem uma natureza política. Revela a postura de quem coloca em dúvida a subordinação da Justiça ao saber da medicina.

Mesmo falando de uma doença incurável, que precisa ser tratada de modo cuidadoso e permanente, Joaquim Barbosa deixa claro que pode suspender, a qualquer momento, as condições para um tratamento mais adequado.

 A politização dos direitos de Genuíno ajuda a questionar a ideia de que é feio, nostálgico e improprio dizer que os condenados da Ação Penal 470 são presos políticos.

Nem medidas derivadas do conhecimento médico são tratadas com a devida neutralidade e distanciamento, como direitos universais. 

 Num país com um histórico tão lamentável no respeito aos direitos humanos de cidadãos encarcerados, é razoável perguntar  qual o interesse de manter a incerteza, o suspense, deixando em cada pessoa a dúvida sobre o que é direito, sobre o certo, sobre o que pode esperar.  

Em entrevista ao Brasil 247, o professor  Celso Bandeira de Mello, um dos mais respeitados juristas do país, definiu a atuação de Joaquim diante da doença de Genoíno como uma questão de caráter:

 "Acho que é mais um problema de maldade. Ele é uma pessoa má. Falo isso sem nenhum preconceito com a pessoa dele pois já o convidei para jantar na minha casa. Mas o que ele faz é simplesmente maldade."

Advogados que estiveram com Joaquim Barbosa para tratar de direitos de prisioneiros também têm uma boa impressão pessoal do ministro. Sem que isso implique em qualquer avaliação sobre suas decisões jurídicas, os relatos descrevem um cidadão de maneiras gentis e educadas, sem nenhum traço da agressividade que se vê no tribunal – e que é coerente com boa parte de suas decisões na ação penal 470.

Eu já tive contatos pessoais com Joaquim, logo depois que ele se tornou relator da ação penal. Minha impressão pessoal é a mesma.

Mas a questão não envolve questões de natureza pessoal.

Estudando a emergência de governos totalitários nas sociedades modernas, Hanna Arendt recorda que a prática do mal, em nosso tempo, exerce “uma atração mórbida” sobre grande parcela da população de nossa época. Falando dos governantes e autoridades, a  professora vai além.

Explica que a  “banalidade do mal” é um instrumento político de dominação nas ditaduras, pois permite a autoridades tomar decisões terríveis, sem consideração pelo sofrimento de seus semelhantes, sem se perguntar se elas estão de acordo com seus valores, com sua formação e mesmo com sua história pessoal. O “ mal “, em síntese, é aquela força que provoca incertezas e insegurança sobre direitos e verdades.

Falando sobre um enforcamento em praça pública, em 1776, época em que as pessoas eram torturadas, esquartejadas e mortas à vista de todos, o jornal inglês Morning Post descreve: “a multidão impiedosa se comportava com uma indecência extremamente desumana – gritando, rindo”.

O mesmo jornal  registra um ponto importante no comportamento da “multidão impiedosa.” Esclarece que, em sua “ indecência”, a multidão não se limitava a rir e festejar. Também agredia, jogando bolas de neve, aqueles poucos “que manifestavam uma compaixão apropriada pela desgraça de seus semelhantes.”

Diante desse relato de 1776, não é difícil encontrar a inspiração de comentaristas e observadores que tentam ironizar e humilhar a luta desigual de José Genoíno pelo seu direito à vida.
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