quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Neurocientista inventa óculos que ajudam deficientes visuais a enxergar

07.11.2013
Do blog do JORNAL GGN
Por Luiz Genro
Jornal GGN - Segundo os cientistas, a maioria dos cegos enxerga mais do que o famoso “fundo preto”: 54% das pessoas com deficiência visual ainda possuem a chamada “visão residual”, ou seja, ainda enxergam algo de luz e movimento. Pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, pretendem usar óculos adaptados para melhorar a percepção de quem tem visão muito reduzida e diminuir sua dependência de bengalas, cães-guias e outros auxílios externos.
 
Os óculos incluem uma câmera e um projetor infravermelho, que consegue medir a distância que o usuário se encontra de objetos próximos, um giroscópio, bússola, GPS e um software que traduz todas essas informações. As informações coletadas viram imagens projetadas em displays de OLED transparente, que fazem as vezes das lentes dos óculos.
 
Criada pelo pesquisador em neurociência e protética visual Stephen Hicks, a invenção ganhou o Prêmio Brian Mercer Royal Society de Inovação. Hicks recebeu 50 mil libraspara continuar suas pesquisas, e declarou que irá usar a verba para incorporar funções de reconhecimento de objetos e textos aos óculos.
 
Cada aparelho é customizado, para que supra as necessidade visuais específicas do usuário, como acontece com os óculos de grau. Entre as possibilidades, os óculos tecnológicos podem diferenciar melhor objetos do fundo da imagem ou alterar o brilho da cena de acordo com a distância entre a pessoa e os obstáculos do caminho. As pessoas com deficiência visual ainda não conseguirão apreciar um filme no cinema da mesma maneira que as pessoas com visão normal, mas já passo para sua autonomia nas ruas e na vida em geral.

Com informações do DaVinci
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Fantástico estimula racismo na Globo

07.11.2013
Do BLOG DO MIRO, 06.11.13
Por Altamiro Borges


O programa Fantástico, exibido no último domingo (3) pela TV Globo, gerou justos protestos do movimento negro. O quadro humorístico “O Baú do Baú do Fantástico”, estrelado pelo ator Bruno Mazzeo, tratou de forma jocosa da abolição da escravatura. Num dos trechos, o abolicionista Joaquim Nabuco é apresentado como líder do movimento MMS – “Negros, mulatos e simpatizantes”. Já a Princesa Isabel afirma que os ex-escravos serão amparados por programas governamentais como o “Bolsa Família Afrodescendente”, o “Bolsa Escola – Senzalão da Educação” e o “Minha Palhoça, minha vida”.

Em seu blog hospedado na revista CartaCapital, o ativista Douglas Belchior criticou duramente o programa “humorístico”. No texto intitulado “Rede Globo, fantástico é o seu racismo”, ele indagou: “Eu não acredito que qualquer conteúdo seja veiculado por um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo apenas por um acaso ou sem alguma intencionalidade para além da nobre missão de ‘informar’ os milhões de telespectadores... E me perguntei: Por que cargas d’água, a Rede Globo exibiria um conteúdo tão politicamente questionável? O que teria a ganhar com isso? Sequer estamos em maio! Que ‘gancho’ ou motivação conjuntural haveria para justificar esse conteúdo?”.

Para ele, o ataque ao movimento negro não se deu por acaso. “Estamos em novembro. Este é o mês reconhecido oficialmente como de celebração da Consciência Negra. É o mês em que a população afrodescendente rememora, no dia 20, Zumbi dos Palmares, líder do mais famoso quilombo e personagem que figura no Livro de Aço como um dos Heróis Nacionais, no Panteão da Pátria. Relevante não? Estamos também na véspera da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, momento ímpar de reflexão e debates sobre os rumos das ações governamentais relacionadas à busca de uma igualdade entre brancos e negros que jamais existiu no Brasil”.

Além disso, Douglas Belchior lembra que recentemente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou dados impressionantes sobre a violência contra os jovens negros no Brasil. “Voltando ao Fantástico, evidente que há quem leia as cenas apenas como um mero quadro humorístico e como exagero de ‘nossa’ parte. Mas daí surgem novas perguntas: Um regime de escravidão que durou 388 anos, que custou o sequestro e o assassinato de aproximadamente 7 milhões de seres humanos africanos e outros tantos milhões de seus descendentes e que fora amplamente denunciado como um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos, deve/pode ser motivo de piadas?”.

Para o blogueiro da revista CartaCapital e para o conjunto do movimento negro, o "humorístico" do Fantástico só confirma a existência do racismo no país e evidencia que a mídia ajuda a difundir os preconceitos raciais. “Uma das tarefas fundamentais dos meios de comunicação dirigidos pelas oligarquias e elites brasileiras tem sido a propagação direta e indireta, muitas vezes subliminar, do racismo. É preciso perceber o que está por trás da permanente degradação da imagem da população negra nesses espaços. Há um pensamento racista que é, ao mesmo tempo, reformulado, naturalizado e divulgado para a coletividade”.

Diante desta situação deplorável, Douglas Belchior conclui: “A arte em forma de publicidade, teledramaturgia, cinema e programas humorísticos são poderosos instrumentos de formação da mentalidade. O que vemos no Brasil, infelizmente, é esse poder a serviço do fomento a valores racistas e preconceituosos que, por sua vez, gera muita violência. A democratização dos meios de comunicação é fundamental para combater essa realidade”. 

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Alto índice de polônio levanta suspeita de assassinato de Arafat

07.11.2013
Do portal da Agência Brasil
Por  Agência Lusa
Lausanne (Suiça) – Especialistas suíços consideraram hoje (7) que as doses de polônio detectadas nos restos mortais do líder da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, “sugerem de forma incontestável a intervenção de terceiros”. Israel voltou a rejeitar qualquer envolvimento na morte do líder palestino.
Os peritos que efetuaram as análises referem ter detectado doses 20 vezes superiores ao tolerável pelo corpo humano. “Isso sugere de forma incontestável a intervenção de um terceiro”, declarou o professor François Bochud, diretor do Instituto de Radiofísica Aplicada, em entrevista à imprensa.
“Os nossos resultados confirmam de forma razoável a tese de envenenamento”, acrescentou Bochud. No entanto, o diretor do instituto reconheceu que as conclusões científicas podem ser contestadas. “Não podemos dizer que o polônio foi a causa da morte” de Arafat, sublinhou François Bochud. “Mas não o podemos excluir”, acrescentou, ao recordar que as recentes análises ocorrem quase nove anos após a morte do dirigente palestino.
Ao mesmo tempo, as autoridades israelenses voltaram a rejeitar qualquer envolvimento na morte de Arafat, um dia após a divulgação de um relatório médico suíço que reforça a tese do envenenamento com polônio. As causas da morte de Arafat, em 11 de novembro de 2004, no Hospital Militar Percy de Clamart - arredores de Paris - não foram elucidadas e numerosos palestinos mantém a suspeita de um envolvimento de Israel.
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Miro Borges: Dilma enfrenta Folha e conta porque não foi aos EUA

07.11.2013
Do blog TIJOLAÇO, 06.11.13
Por Fernando Brito

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Do combativo amigo Altamiro Borges, em seu blog (e chamo atenção para a revelação de que a visita de Dilma aos EUA não saiu pela falta de um pedido de desculpas americano e o compromisso de que se suspenderia a violação de nossas telecomunicações):

Dilma refuta visão colonizada da Folha

Altamiro Borges
Sem citar a Folha de S.Paulo – “um jornal a serviço dos EUA” –, a presidenta Dilma Rousseff contestou nesta quarta-feira (6) a ideia ridícula de que o Brasil também faz espionagem ilegal e criminosa. “Não dá para comprar o que a Abin [Agência Brasileira de Inteligência] fez, até porque não violou a privacidade. Está previsto na legislação brasileira, não cometeram nenhuma ilegalidade. Se tivesse cometido, teriam sido afastados”, afirmou à agência de notícias Reuters.
Na segunda-feira (4), a Folha estampou uma manchete espalhafatosa – “Governo brasileiro vigiou diplomatas estrangeiros” – e tentou comparar a ação da Abin com a política criminosa dos EUA de monitorar telefonemas e e-mails de milhares de cidadãos no mundo. Uma matéria no portal UOL, que também pertence à famiglia Frias, chegou a afirmar que “todo mundo espiona, não há virgens”.
O Nobel da espionagem
As “reporcagens” do Grupo Folha parecem ter sido encomendadas pelo presidente Barack Obama, o prêmio Nobel da espionagem mundial. No exato momento em que o Brasil e a Alemanha se uniram para questionar na Organização das Nações Unidas (ONU) as práticas ilegais dos EUA, elas serviram para comparar duas iniciativas distintas – uma de invasão de privacidade e de ingerência imperialista; outra de defesa da soberania nacional.
Segundo a notícia da Reuters, a presidenta Dilma Rousseff fez questão de defender as atividades da Abin, que monitorou diplomatas russos, iranianos e iraquianos – durante o governo Lula –, agindo conforme a legislação brasileira. “Ela disse que essas operações não podem ser comparadas às realizadas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), que espionou cidadãos, autoridades e empresas brasileiras”.
Aparato de violação da privacidade
“Acho que não pode comparar o que a Abin fez em 2003 e 2004, até porque tem um lado dessa ação que era contra inteligência, porque estavam achando que tinham interferências em negócios privados, negócios públicos no Brasil. Foi preventivo. Não levou a nenhuma consequência de espionar ninguém na sua privacidade… No outro caso, não é isso. No outro caso, é um aparato de violação da privacidade, dos direitos humanos e da soberania do país”.
Apesar da confusão criada pela Folha, que tentou jogar na defensiva o governo brasileiro, a presidenta voltou a criticar a política imperial dos EUA. “Dilma também afirmou que a falta de um pedido de desculpas do governo norte-americano foi um dos fatores que a levaram a adiar a visita de Estado que tinha marcada para o mês passado aos EUA. Ela revelou que seu governo propôs aos EUA um acordo para que fosse mantida a visita de Estado, que incluía um pedido de desculpas e o compromisso de que as atividades de espionagem parariam”.
“A questão é a seguinte: eu iria viajar. A discussão que derivou das denúncias nos levou a fazer a seguinte proposta aos EUA: só tem um jeito de a gente resolver esse problema. Eles teriam de se desculpar pelo que aconteceu e dizer que não aconteceria mais. Não foi possível chegar a esse termo”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff.
Leia mais no blog do Miro.
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/11/dilma-refuta-visao-colonizada-da-folha.html

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Colômbia e FARC fazem acordo histórico

07.11.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Negociadores do governo da Colômbia fecham acordo parcial sobre a participação política de membros das FARC, após a conclusão de um processo pelo fim do conflito no país

farc colômbia acordo histórico
(Foto: Manuel Marulanda Vélez, conhecido como Tirofijo, principal líder e fundador das Farc, morto em 2008)

Os negociadores do governo colombiano e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Havana anunciaram ontem (6) o fechamento de um acordo parcial sobre a participação política de membros da guerrilha, após a conclusão de um processo pelo fim do conflito. “Chegamos a um acordo fundamental sobre o segundo ponto da agenda [participação política], e o que alcançamos aprofunda e robustece nossa democracia”, disse o diplomata cubano Rodolfo Benítez.

Segundo o documento, a Colômbia deverá buscar pluralidade política representativa e abrir novos espaços para a participação cidadã no país. “A assinatura desse acordo implicará o abandono das armas como método de luta para transitar em um cenário de democracia com ampla participação”, diz o texto, que não explica, porém, como as Farc poderiam se tornar um partido político. “As condições particulares para que um novo movimento surja a partir do momento em que as Farc se tornem um movimento legal, serão discutidas no terceiro ponto da agenda”, destaca o comunicado.

O comunicado lido por Benítez assinala que os negociadores fecharam acordo em torno de três pontos: direitos e garantias para o exercício da oposição política em geral e para movimentos que surjam após firmado o documento final pelo fim do conflito e acesso a meios de comunicação; criação de mecanismos democráticos de participação cidadã, incluindo participação direta, em diferentes níveis e diversos temas; e adoção de medidas efetivas para promover a participação política nacional, regional e local de todos os setores sociais, incluindo as populações mais vulneráveis, em igualdade de condições e garantias de segurança.

Embora o assunto tenha sido deixado para o próximo ciclo, o Executivo colombiano já sinalizou a possibilidade de as Farc tornarem-se um partido seria viável. O presidente Juan Manuel Santos já disse, em diversas ocasiões, que as Farc deveriam “trocar armas por votos”.

A guerrilha poderá ter também circunscrições (cotas especiais) por um período transitório, o que garantiria a membros das Farc vagas em câmeras de representação legislativa no país.
Com o término desta rodada, os negociadores passarão a discutir nos próximos dias soluções para o problema das drogas ilícitas, o terceiro ponto da agenda. Depois disso, ainda terão de ser analisados três temas: reparação das vítimas do conflito; desarmamento e desmobilização dos ex-guerrilheiros e mecanismos para garantir o cumprimento dos acordos no pós-conflito.

Agência Brasil
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MAU CARATISMO: Médico brasileiro que atacava cubanos é preso por só bater ponto

07.11.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Dr. Jetson Luís Franceschi chegava às 7h, estacionava seu BMW junto de uma Unidade Básica de Saúde, batia o ponto e saía para atender em sua clínica particular; no Facebook, atacava o programa do governo que leva médicos a regiões carentes do Brasil, alegando que "não faltam médicos, falta governo!"

médico brasileiro mais médicos
Médico brasileiro preso por só bater ponto atacava Mais Médicos (Brasil 247)

Uma notícia lamentável. Um médico, que deveria trabalhar três horas por dia numa Unidade Básica de Saúde (UBA) do Paraná, não cumpria seu horário para atender seus clientes particulares. Enquanto isso, fazia duras críticas ao programa Mais Médicos, do governo, afirmando que há “incompetência do PT” e que “falta governo”, e não médicos no País. A notícia foi dada por Fernando Brito, no blogTijolaço. Leia a íntegra:

Médico preso por só bater ponto fazia campanha contra o “Mais Médicos”

É triste ter de voltar a isso.

Mais uma denúncia, desta vez resultando em prisão em flagrante (veja aqui), sobre um médico que só comparecia ao posto público de saúde onde “trabalhava” apenas para bater o ponto.

O Dr. Jetson Luís Franceschi chegava às sete da manhã, estacionava seu BMW, junto da Unidade Básica de Saúde do Bairro Faculdade, em Cascavel (PR), batia o ponto e saía para atender em sua clínica particular. Perto de dez da amanhã, voltava ao posto, passava algum tempo e saía.
Não fez isso eventualmente, para atender algum compromisso, uma emergência, como poderia acontecer e seria até compreensível.

Era sistemático, diário.

O mês inteiro.

O Dr. Jetson mantém uma página no Facebook.

Nela, quase todos os dias, posta fotos e textos atacando o “Mais Médicos”, o governo e a qualidade dos médicos estrangeiros, em especial os cubanos.

O Dr. Jetson pode ser um bom médico e tem o direito, querendo, de ser médico apenas em consultório particular.

Mas não tem o direito de ocupar “ausente” um lugar que precisa ser ocupado por alguém que possa estar presente para atender mulheres – e gestantes, ainda por cima.

E muito menos de criticar e agredir quem está disposto a fazê-lo.

Menos ainda de, com um caso destes, ajudar a formar na população um conceito sobre os médicos que eles – inclusive a maioria dos que são contra o Mais Médicos – não merecem.

O problema da saúde brasileira não é o de médicos “picaretas”. Muito do que dizem os adversários do Mais Médicos sobre precariedades na rede de Saúde é verdade e é um déficit histórico que vai custar a ser resolvido.

E um bons caminhos é que haja médicos nas Unidades Básicas de Saúde como aquela em que o Dr. Jetson deixava abandonada.
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MÍDIA PRECONCEITUOSA: CONSERVADORES SE UNEM CONTRA COTAS RACIAIS

07.11.2013
Do portal BRASIL247

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Eunice Danazio Valentin: carioca nota dez

07.11.2013
Do blog PLANETA SUSTENTÁVEL, 11.09.13
Por Lais Botelho

Moradora do Morro do Alemão, a aposentada Eunice Danazio Valentin fundou uma associação de moradores e conseguiu levar água, luz e saneamento para a região, além de contribuir para a abertura de uma creche municipal 



Durante os Carnavais das décadas de 70 e 80, a então empregada doméstica Eunice Danazio Valentin protagonizava uma cena pitoresca no Complexo do Alemão.Vestida com a fantasia da ala das baianas da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, descia o morro onde morava rumo ao Sambódromo. Naquela época, em que os traficantes ainda não haviam implantado o regime de terror que imperou até a ocupação do território pela polícia, em 2010, o desfile de Eunice era recebido com euforia pela criançada. “Olha a baiana”, gritavam. Com o tempo, o lugar onde ela vivia começou a ser chamado Morro da Baiana, denominação que se mantém até hoje. 

Mas a fama de Eunice não decorre apenas de seus desfiles pelo Alemão. Desde que se mudou para lá, em 1968, ela se transformou em uma ativa líder comunitária que não se intimidava ao postar-se em gabinetes de políticos e repartições públicas. Graças a seus esforços como fundadora da associação de moradores, conseguiu levar água, luz e saneamento para a região, além de contribuir para a abertura da Creche Municipal Eliana Saturnino Braga, a primeira e única do Morro da Baiana, que hoje atende 85 crianças. “Bati em centenas de portas e gastei muita saliva. Era o jeito que eu tinha de o poder público me ouvir, e fui ouvida”, diz ela.

Aposentada e com 67 anos, Eunice mora atualmente em Olaria, bairro vizinho ao complexo. Seu trabalho pioneiro foi sucedido por uma série de outras iniciativas semelhantes, principalmente nos últimos três anos, a partir da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora na região. 

Isso não significa que ela não mantenha os vínculos com o lugar. Uma simples caminhada a seu lado já revela quanto ela é popular no morro que leva seu apelido, sede de uma das oito UPPs do complexo e de uma estação do teleférico que conecta as diversas favelas. Ali, todos a conhecem e a saúdam respeitosamente quando passa: “Olha a dona Baiana”, dizem.


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Estadão provoca polêmica ao defender os “com carro”

07.11.2013
Do BLOG DA RAQUEL ROLNIK, 15.10.13
Na semana passada, o Estadão publicou um editorial intitulado “A demagogia da mobilidade”.Em linhas gerais, o texto critica a instalação de corredores de ônibus e acusa o executivo municipal de “má vontade com o transporte individual”. Diz o editorial: “Não se discute a necessidade de dar prioridade ao transporte público e, no caso dos ônibus, de aumentar sua velocidade. Mas não é preciso fazer isso criando dificuldades para os que usam o carro como instrumento de trabalho. Especialmente para aqueles – como médicos e enfermeiros, para citar dois exemplos – cuja profissão tem exigências que o transporte público não consegue atender.”
No mesmo dia, o projeto “Cidades para pessoas” publicou uma Resposta aberta ao editorial do Estado de S. Paulo”. O texto lembra que a maior parte das viagens feitas na cidade de São Paulo não são por meio do carro: “Quando medimos as viagens diárias feitas na cidade, percebemos que os carros são minoria: 38,42% dos deslocamentos são coletivos (transportes públicos), 30,78% individuais (carros e motos) e 30,80% não motorizados (a pé e de bicicleta). Esses dados da pesquisa Origem e Destino foram a base do estudo do engenheiro de transportes Horácio Figueira que concluiu que 20% dos paulistanos se locomove de carro, mas ocupam 80% das vias da cidade.” E critica, portanto, o que o Estadão chama de “má vontade com o transporte individual”: “Na verdade é exatamente o oposto: a priorização do carro como transporte de massa é que passou as últimas décadas prejudicando a cidade. E é isso que pode ser revertido nesse processo de reequilíbrio de suas vias.”
No fim de semana, o engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcellos publicou, no site da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), um artigo intitulado “O Estadão e a demagogia dos corredores”. Diz o texto: “Por mais voltas que dê no seu raciocínio, o que está por trás do editorial é o descontentamento pela redução do espaço viário hoje ocupado pelos automóveis. Embora o editorial reconheça a necessidade de melhorar o transporte público o que se percebe nele é uma visão claramente elitista e irritada, ecoando os protestos que alguns usuários de automóvel vêm manifestando por meio da mídia.”.
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MÍDIA ENTREGUISTA E TRAIDORA: Como se chama quem em meio à guerra defende o inimigo? R: - Folha

07.11.2013
Do BLOG DO MELLO, 04.11.13

O Brasil não está em guerra declarada contra os EUA. Seria até ridículo, ante a disparidade de forças - muito embora o Vietnã tenha mostrado que este é fator importante mas não determinante.

Não estamos em guerra declarada e total contra os EUA, mas estamos numa guerra particular contra eles, sim. Pela espionagem covarde que praticaram contra nós, uma nação amiga.

Documentos revelados por Snowden mostram que os EUA nos espionaram, à nossa Petrobrás e grampearam até o telefone de nossa presidenta.

Dilma repudiou tal atitude em discurso na ONU e tem recebido por isso cada vez mais apoio de outros países, como a França e agora até a Alemanha, também espionadas.

Em meio a esse fogo cruzado, a Folha - aquela que em editorial defendeu que não tivemos uma ditadura no Brasil, mas uma ditabranda -, a Folha vem denunciar suposta espionagem do Brasil a outros países.

Qual o objetivo dessa informação a não ser nos colocar no mesmo patamar dos EUA, a não ser colocar a espionagem agressiva dos EUA na mesma categoria da contraespionagem defensiva de toda nação?

Como se chama isso? Traição, covardia de um jornalismo de quatro para os Estados Unidos.

Se a Folha fosse um jornal editado nos EUA jamais faria isso ou o Patriot Act simplesmente fecharia o jornal.

No entanto, face à reação modesta de nosso governo, que se limitou a uma notadefensiva da Abin, a Folha ainda se jacta da repercussão de sua traição em jornais dos EUA.  
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Processado, Miguel do Rosário dá surra verbal em Ali Kamel

07.11.2013
Do blog VI O MUNDO, 06.11.13

Ali Kamel processa Cafezinho


O Cafezinho perdeu a virgindade. Eu esperava que isso fosse acontecer mais cedo ou mais tarde. Mas confesso que fiquei decepcionado, porque foi muito previsível. O diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, está me processando por tê-lo chamado de “sacripanta reacionário e golpista”, num post de janeiro deste ano, intitulado As taras de Ali Kamel, no qual eu procuro defender o colega Rodrigo Vianna, que fora absurdamente condenado por um chiste.

A acusação, porém, é tosca e inepta. Tem um erro grosseiro logo no início, ao dizer que eu o acusei de cometer “todo o tipo de abuso contra a democracia” e “a dignidade humana”, e se empenhar dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior” e de utilizar “métodos de jornalismo” que “fazem os crimes de Rupert Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada”.

Kamel se identifica tanto com a empresa onde trabalha, que ele acha ser a própria empresa. O meu texto, que inclusive vai reproduzido no processo, diz textualmente:

“É inacreditável que o diretor de jornalismo da empresa que comete todo o tipo de abuso contra a democracia, contra a dignidade humana, a empresa que se empenha dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior, cujos métodos de jornalismo fazem os crimes de Ruport Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada, pretenda processar um blogueiro por causa de um chiste!”

Ou seja, esses carinhosos epítetos são destinados à empresa, à Globo, e não a Ali Kamel. Ele vestiu a carapuça por sua conta.

Ainda mais incrível, o processo tenta jogar a própria Justiça contra mim, ao dizer o seguinte:

“Como se não bastasse, o réu ainda afirma que a Justiça seria ‘empregadinha dos poderosos’.”

Ora, Ali Kamel quer me processar por críticas ao Judiciário brasileiro? No caso, minhas críticas nem foram ao Judiciário em si, mas à decisão judicial de condenar Rodrigo Vianna.

Prezado Ali Kamel, os adjetivos “sacripanta reacionário e golpista” não se referem à sua pessoa, visto que não lhe conheço, e sim ao cargo de diretor de jornalismo de uma empresa ao qual eu faço duras críticas políticas. Isso fica bem claro no texto.

É realmente ridículo que o executivo mais poderoso do jornalismo da Globo, cujo maior ativo é uma concessão pública líder no mercado, e portanto constitui um agente político com grande influência na opinião pública e nos processos eleitorais, queira asfixiar as vozes dissonantes através de chicanas jurídicas.

O processo reitera que deve aplicar a pena maior possível contra o blogueiro, para “desestimular ao máximo que o imenso sofrimento do autor com as descabidas ofensas que lhe foram dirigidas no post As taras de Ali Kamel se repita ou venha a ser experimentado por novas vítimas do réu”.

Imenso sofrimento?

Quem sofre sou eu, blogueiro latino-americano, sem dinheiro no bolso, esmagado por um governo inerte (na questão da mídia), de um lado, e uma imprensa historicamente golpista e reacionária.
Kamel pede R$ 41.000,00 de indenização moral. Hahaha.

Ou seja, ele simplesmente pretende destruir o blog que noticiou um dos maiores crimes de sonegação da história da mídia brasileira, cometido pela empresa para o qual ele mesmo trabalha, porque o blogueiro lhe chamou de “sacripanta reacionário” e fez críticas à sua empresa?

Tenho esperança que o Judiciário não vai deixar barato esse ataque sórdido à liberdade de expressão, ainda mais grave porque cometido por uma pessoa que dirige uma concessão pública confessadamente golpista e, como tal, com obrigação de ser humilde e tolerante no trato com aquelas mesmas vozes que ela ajudou a calar nos anos de chumbo.

O advogado de Ali Kamel, João Carlos Miranda Garcia de Souza, é também advogado da Rede Globo. É pago, portanto, com recursos oriundos de uma concessão pública que se consolidou durante um regime totalitário, e com apoio de um governo estrangeiro (EUA). Posso afirmar, portanto, que estou sendo processado pelas mesmas forças que implantaram a ditadura no Brasil.

Eu não tenho advogado, não tenho dinheiro, nem minha conta bancária foi abastecida com recursos da ditadura ontem, e da Secom hoje.

Só que estamos em outro momento, Kamel. Ou pelo menos, eu quero acreditar que estamos.

A família Marinho, segundo noticiado hoje por este blog, é a segunda maior fortuna de mídia do planeta. Com tanto dinheiro, mídia e poder, qualquer agressão de seus diretores a blogueiros políticos que criticam a sua linha editorial se torna um atentado particularmente hediondo à democracia.

Em 1981, já nos estertores do regime militar, uma tragédia terrível aconteceu na minha família. Meu tio, Francisco do Rosário Barbosa, um homem pacato, sem filiação partidária, sem militância política, mas com alguma ideologia, foi preso num ônibus, sem razão nenhuma além de ter protestado contra a forma como os policiais estavam revistando os passageiros.  Levado a 9ª DP do Catete, foi torturado até a morte. Tinha 9 irmãos, entre eles meu pai, primogênito, e uma mãe.

Diante do sofrimento inaudito que quase levou a família à loucura, meu pai reuniu a todos e disse que a melhor forma de lidarem com aquela tragédia era a usarem como mais um instrumento de luta contra a ditadura.

Nesse momento, em que vivemos uma democracia pujante, mas conspurcada por um sistema de comunicação oligopolizado, herdeiro do regime militar, não me resta outra saída senão me aferrar àquela postura tão digna de meu pai, José Barbosa do Rosário, e afirmar que vou usar este processo do diretor de jornalismo da Globo contra minha pessoa como mais um instrumento para derrubar, ou ao menos debilitar, esse odioso oligopólio midiático liderado pela família Marinho e seus capangas.

O processo é o número 0314414-68.2013.8.19.0001, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

PS do Viomundo: Derrota política, vingança na Justiça. Ali Kamel perdeu no Bolsa Família (leiam o que ele escreveu sobre o Bolsa Família). Perdeu nas cotas raciais. Mas, na Globo, ganhou, o que diz muito sobre as escolhas dos irmãos Marinho. Mera coincidência e acaso: Ali Kamel processa o blog que denunciou a sonegação fiscal da Globo!

Leia também:


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