terça-feira, 29 de outubro de 2013

Direita perde prestígio, no Brasil e nos EUA

29.10.2013
Do blog O CAFEZINHO, 28.10.13
Por Miguel do Rosário
 
A Folha de hoje nos oferece quatro notícias boas.
 
A primeira é dada pela ombudsman do jornal, Suzana Singer. Depois de chamar Reinaldo de “rottweiler”, Singer informa que “poucos se manifestaram a favor de Reinaldo”, ou seja, quase ninguém elogiou a sua contratação. Bom sinal.
 
Trecho do artigo de Singer:
 
Na semana em que o assunto foram os simpáticos beagles, a Folha anunciou a contratação de um rottweiler. (…) O leitorado mais progressista viu a chegada do colunista como o coroamento de uma “guinada conservadora” do jornal. “Trata-se de uma pessoa que dissemina o ódio e não contribui com opiniões construtivas”, escreveu a socióloga Mariana Souza, 35.
 
A segunda notícia boa é a queda na aprovação do Tea Party, que congrega os elementos mais radicais da extrema direita norte-americana. Excelente sinal, que permite ao resto do mundo respirar um pouco mais aliviado.
 
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A terceira é a rejeição absoluta aos black blocs, o que significa rejeição à violência. Só faltava essa. Além de todos os problemas que nós temos, brasileiro passasse a defender quebra-quebra como solução política.
 
Interessante observar que a única faixa de renda que ainda apoia um pouco (apenas 10%) os BB é a classe média que ganha de 5 a 10 salários. Entre os mais pobres, 96% rejeitam os BB e só 2% os apoiam.
 
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A quarta notícia boa está na Ilustrada, mostrando a queda na audiência da TV aberta, em especial a Globo. O objeto de análise desta vez são os programas vespertinos da platinada.  Segundo o Ibope, a “Sessão da Tarde” está em queda livre e perdendo market share.
 
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2013/10/28/direita-perde-prestigio-no-brasil-e-nos-eua/

A raça do DEM está acabando?

29.10.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


O DEM passa por uma crise em Minas Gerais. O partido, que chegou a ter uma das maiores bancadas na Assembleia Legislativa e entre os mineiros na Câmara dos Deputados durante o governo Eduardo Azeredo (PSDB) (1995-1998), está minguando no estado. Hoje tem apenas dois deputados estaduais e quatro federais. E deve encolher ainda mais nas eleições do ano que vem. A previsão é do deputado federal Vitor Penido (DEM-MG). "A tendência do partido em Minas Gerais, infelizmente, é de não crescer nada no ano que vem e, pior ainda, encolher", lamenta o deputado, filiado à legenda há 26 anos, desde os tempos em que o Democratas se chamava PFL (Partido da Frente Liberal). "Vejo com muita tristeza o quadro do partido em Minas Gerais", afirma o parlamentar, que não deve disputar uma vaga na Câmara no ano que vem. Nas contas do deputado, se a legenda não obtiver espaço significativo numa chapa para o governo do estado, só vai conseguir, "com muita sorte", segundo ele, eleger dois deputados federais e dois estaduais.

É temendo esse encolhimento que integrantes da legenda pressionam o PSDB para obter espaço nas chapas para o governo e para o Palácio do Planalto. O partido sonha indicar um nome para o Senado, caso o governador Antonio Anastasia (PSDB) não entre na disputa. O tucano é o candidato natural, mas ainda não deu certeza se vai mesmo concorrer ao Senado. A expectativa é de que essa definição aconteça no início do ano, antes de abril, fim do prazo para a desincompatibilização dos chefes do Executivo que pretendem se candidatar.
 
Caso essa possibilidade não se concretize, há uma corrente no DEM que defende o lançamento de candidato próprio ao governo para puxar votos para a eleição de deputados.
 
Os cotados são o secretário de Transporte e Obras Públicas, Carlos Melles (DEM), e o deputado federal Lael Varella (DEM), segundo mais bem votado no estado nas eleições de 2010. A candidatura própria enfrenta resistência do presidente da legenda em Minas, deputado estadual Gustavo Correa, aliado de primeira hora do senador Aécio Neves (PSDB-MG), mas em janeiro ele deve deixar o cargo, que será reassumido por Melles. A esperança do DEM é que as conversas passem a ser conduzidas com mais independência.
 
O partido não pretende participar da chapa tucana para a eleição de deputados. A intenção é sair sozinho ou se coligar apenas com legendas menores.
 
Balão de ensaio Em nível nacional, a legenda ensaia lançar o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) para disputar a Presidência. Para o PSDB, tudo não passa de balão de ensaio para valorizar o passe do DEM na hora do fechamento de alianças, mas o presidente da Juventude do DEM em Minas, Átila Castelo Branco, pré-candidato a deputado estadual, garante que a pressão é real. "Infelizmente o DEM tem cedido tanto que está virando uma sublegenda do PSDB", critica. Ele defende que o partido adote a estratégia do PSB, que se desvencilhou do PT, partido que sempre apoiou, para alçar voo próprio no estado, por isso, segundo ele, cresceu tanto nos últimos tempos.
 
A legenda, de acordo Átila, apostava na filiação do presidente da Assembleia, Dinis Pinheiro, o que garantiria ao partido a vaga de vice-governador, mas ele acabou deixando o PSDB para ir para o PP , partido que provavelmente deverá ficar com a vaga de vice-governador na chapa tucana. "Uma das vagas na chapa do PSDB ao governo do estado tem de ser nossa por obrigação", reivindica o líder da Juventude do DEM, referindo-se aos cargos de vice-governador ou senador.

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/10/a-raca-do-dem-esta-acabando.html

MP reconhece falha de Rodrigo De Grandis

29.10.2013
Do portal BRASIL247
 
Edição247-Carol Carquejeiro / Divulgação:
Em nota sobre o caso Alstom, Ministério Público Federal atribui a uma "falha administrativa" o erro que permitiu o arquivamento de investigação contra personagens ligados ao PSDB acusados de distribuir e receber propinas da Alstom em São Paulo; texto, no entanto, é cuidadoso, para não dar margem a acusações de prevaricação contra o procurador Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso; reportagem do portal Conjur o acusa de ter "gaveta profunda"
    
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/119125/MP-reconhece-falha-de-Rodrigo-De-Grandis.htm

PSDB e Apaes atrasam PNE para combater a Educação Inclusiva

29.10.2013
Do BLOG DA CIDADANIA,
Por  Eduardo Guimarães
 

Em um momento em que se vislumbra a entrada de uma fortuna incalculável nos cofres públicos do Brasil para ser aplicada em Educação – a fortuna oriunda da exploração do pré-sal -, vamos chegando a 2014 sem que o Plano Nacional de Educação do país tenha sido aprovado pelo Congresso, sancionado pela Presidência da República e posto em prática.
 
O primeiro Plano Nacional de Educação, vale explicar, surgiu em 1962. Foi elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1961. Não foi proposto na forma de um projeto de lei, mas apenas como iniciativa do Ministério da Educação e Cultura.
 
De lá para cá, além de o PNE ter virado lei, a cada dez anos o país formula outro projeto. O último foi aprovado em 2000 para viger até 2010, quando seria aprovado um novo PNE para o decênio seguinte (2010-2020). Pois bem, estamos quase em 2014 e o PNE ainda se arrasta no Congresso – atualmente, tramita no Senado.
 
Vale explicar que é com base no PNE que os Estados, o distrito federal e os municípios elaboram os seus planos decenais correspondentes, o que torna crucial para a combalida Educação brasileira que a cada década, religiosamente, o país tenha esse documento legal aprovado em tempo.
 
O PNE 2010 deveria viger até 2020, mas já não vai dar mais. O plano decenal, na hipótese de que fosse aprovado pelo Congresso e sancionado pela Presidência neste ano, teria vigência de 7 anos, de modo que teria que valer até 2024, ou seja, um “pequeno” atraso para uma Educação que vai de vento em popa – modo ironia ligado.
 
Mas o que é que vem atrasando um texto legal tão crucial para um país que, apesar de todos os seus avanços, ainda tem um dos piores sistemas educacionais (público e privado) do mundo? Resposta: interesses comerciais e políticos.
 
A quantidade de interesses sectários em jogo na aprovação de um Plano decenal para uma área que em cerca de cinco anos receberá uma quantidade imensurável de recursos públicos é o que está atrasando a sua conclusão. Mas se você pensa que essa é a parte mais dolorosa, leitor, ainda não viu nada.
 
Há um aspecto ainda mais revoltante nesse caso: a meta 4 do Plano Nacional de Educação se refere à Educação Inclusiva, ou seja, deficientes físicos e mentais em idade escolar (4 a 17 anos) poderem frequentar a escola regular junto a crianças ditas “normais”. Com base em interesses comerciais e políticos, porém, a inclusão vem sendo sabotada.
 
Como diz a jornalista especializada Meire Cavalcante, integrante do Fórum Nacional de Educação inclusiva, incluir crianças e adolescentes “especiais” em escolas regulares é uma medida civilizatória que, inclusive, é preconizada pela própria ONU no âmbito da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada em Nova York em 30 de março de 2007, aprovada pelo Congresso brasileiro em 2008 e sancionada pela Presidência da República em 2009, quando se tornou um preceito constitucional.
 
Apesar da determinação constitucional de estender a Educação inclusiva a toda a rede pública de ensino, seja federal, estadual ou municipal, e apesar de durante a era Lula a inclusão ter pulado de 10% para 70%, essa medida civilizatória que vigora em praticamente todos os países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá etc. vem sendo combatida duramente no Brasil.
 
À frente dos combatentes estão as ditas “escolas especiais”, lideradas pelas Apaes, que atualmente abocanham a parte do leão das verbas públicas, prestam serviço a poucos e, ainda assim, combatem por todos os meios a inclusão, pois com ela perderiam muito dinheiro – público.
 
As Apaes e as demais instituições congêneres defendem a “educação especial” – ou seja, deficiente estudar exclusivamente junto a outros deficientes. Essa, porém, é uma velharia educacional, um atraso para essas pessoas com necessidades especiais.
 
Se não tivesse começado a ser implantada a Educação Inclusiva no Brasil, aliás, não veríamos hoje jovens com síndrome de Down entrando na faculdade – aliás, antigamente não se via porque não havia educação inclusiva de porte e as escolas “especiais” não ensinam de fato, constituindo-se em meras clínicas de terapias disfarçadas de escola.
 
Mas as Apaes e as escolas “especiais” em geral são, também, excelentes currais eleitorais e assim, como toda corporação rica e poderosa, conseguem mobilizar políticos para defenderem seus interesses no Congresso.
 
No caso da guerra à Educação inclusiva, essas instituições contam com o apoio do PSDB, que luta com unhas e dentes para barrar uma medida civilizatória. Luta como? Não aceitando, nas Comissões do Congresso que preparam o novo PNE, medidas que tornem inescapável a Educação Inclusiva. Luta por que? Porque as “escolas especiais” são seu curral eleitoral.
 
No Senado, por exemplo, o combate vem sendo dado pelo tucano do Paraná Álvaro Dias.
Nessa guerra contra a Educação Inclusiva, então, vale tudo. Por exemplo, espalhar mentiras sobre o que os membros do Fórum Nacional de Educação Inclusiva conseguiram inserir na meta 4 do PNE. O que seja, que, em uma década, 100% das escolas públicas de todos os níveis sejam OBRIGADAS a oferecer vagas para crianças e adolescentes especiais com toda estrutura, como cuidadores, rampas de acesso e demais equipamentos, além do treinamento de professores.
 
Que mentiras estão espalhando? Pasme, leitor: estão dizendo que o governo federal pretende “acabar com as Apaes”.
 
É mentira! Às Apaes e às outras “escolas especiais” ficaria designado o Atendimento Educacional Especializado (AEE), ou seja, primordialmente o atendimento clínico – fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional etc., etc., etc. Não seriam extintas nem deixariam de receber dinheiro público, mas não teriam o papel que têm hoje, que é perverso para quem precisa.
 
Por que? Simplesmente porque há Apaes e outras “escolas especiais” em menos da metade dos municípios brasileiros, de modo que essas ONGs recebem fortunas imensuráveis do governo e os lugares onde não atuam ficam sem nada, pois o grosso dos recursos acaba ficando em suas mãos
 
No âmbito dessa luta desesperada e civilizatória que pais de crianças e adolescentes especiais como este que escreve travamos pelo instituto civilizatório que é a Educação Inclusiva, peço a você que lê que ajude a combater essa mentira que espertalhões que lucram com a miséria humana estão espalhando.
 
E, se possível, deixe aqui sua mensagem de apoio à Educação Inclusiva. Quem pede é o pai de uma adolescente “especial” de 15 anos que, por falta de inclusão e graças ao “filtro” da Apae – que a rejeitou por seu caso ser “muito grave”, pois só aceita casos “fáceis” para mostrar “resultados” –, teve seu desenvolvimento mental tragicamente comprometido.
 
As crianças e adolescentes especiais deste país contam com o seu apoio. Milhões sofrem hoje uma degeneração mental que a Educação Inclusiva ajudaria a mitigar. E isso, repito, acontece pela razão mais repugnante que se possa imaginar: para que ONGs espertalhonas encham os bolsos e para que políticos igualmente espertalhões disponham de currais eleitorais.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/10/psdb-e-apaes-atrasam-pne-para-combater-a-educacao-inclusiva/

'Negação da política leva à ditadura', afirma Lula no Congresso Nacional

29.10.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por Agência Brasil

Em cerimônia sobre os 25 anos da Constituição, petista destacou a importância do ex-presidente José Sarney naquele momento
 
Gustavo Bezerra, in PT Câmara
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Lula discursa durante cerimônia no Senado em que foi homenageado por participação na Constituinte

Brasília – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje (29) um discurso em defesa da democracia durante em comemoração aos 25 anos da Constituição de 1988, no Senado.
 
Em seu discurso, Lula disse que com a nova Carta Constitucional o Brasil “refundou a democracia” ao estabelecer que o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos. E alertou para o risco de negação da política, referindo-se a setores da sociedade e da imprensa que demonizam partidos e instituições.
 
“Na história deste país, se a juventude lesse a biografia de Getúlio Vargas, de Juscelino Kubitschek e outras biografias, provavelmente não iria desprezar a política, e muito menos a imprensa ia avacalhar a política como avacalha hoje. Não há nenhum momento da história, em nenhum lugar do mundo, que a negação da política tenha trazido algo melhor do que a política. O que aparece sempre quando se nega a política é um grupo praticando, na verdade, a ditadura”, afirmou
 
Ele voltou a desmistificar o discurso de que o PT não teria assinado a Constituição . “Uma mentira contada muitas vezes, torna-se verdade”.
 
Lula esclareceu que na época a bancada do PT tinha o seu próprio projeto, mas que assinou a Carta porque o partido participou da elaboração da Carta.
 
“Na época, o PT só tinha 16 deputados, mas agia como se tivesse 470. Chegamos ao Congresso com um projeto de Constituição e de Regimento Interno prontos”, lembrou.
 
O ex-presidente disse ainda que as bandeiras empunhadas pelo PT, principalmente em relação às políticas sociais e contidas no texto constitucional, o seu governo implementou.
 
“Grande parte de todas as políticas sociais que colocamos em prática no Brasil estão contidas na Constituição. E essa Constituição continua sendo seguida pela presidenta Dilma que está aprofundando o combate à miséria neste país”, assegurou Lula.
Sarney
Durante a cerimônia, Lula reconheceu a importância da atuação do ex-presidente José Sarney, hoje senador pelo Amapá (PMDB), na convocação da Assembleia Nacional Constituinte. Ambos receberam a Medalha Ulysses Guimarães.
 
“Quero colocar sua presença na Presidência no momento da Constituição em igualdade de forças com o companheiro Ulysses (Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte), porque, em nenhum momento, mesmo quando o senhor era afrontado no Congresso, o senhor não levantou um único dedo para colocar qualquer dificuldade aos trabalhos da Constituinte, e certamente foi o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu”, disse Lula.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2013/10/negacao-da-politica-leva-a-ditadura-afirma-lula-no-congresso-nacional-739.html
 

Memória e hegemonia: A força das ideias

30.10.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 29.10.13
Por  Cristina Portella
 
As ideias dominantes são as da classe dominante. Por isso, o revisionismo histórico relativiza ou recuperar períodos autoritários e violadores de direitos
 
Cristina PortellaLisboa - A comunicação da professora e antropóloga Paula Godinho na sessão denominada “Memória e Hegemonia” foi dividida em três partes. A primeira, sobre a força material das ideias; a segunda, sobre o fato de as ideias dominantes serem provenientes dos grupos que se acantonaram no poder; e a terceira, sobre a necessidade de alimentar contra-memórias.
 
“As ideias, o pensamento, a análise das sociedades, têm consequências. Os que lidam com este lado da produção têm responsabilidades, pois a reflexão que se desliga dos modos de agir traduz uma renúncia e pode ter efeitos devastadores.” Foi essa força material das ideias que evocou, numa realidade que é a do ultraliberalismo, “em que se afundam muitos países, muita gente empobrece e vê degradar dramaticamente as suas condições de vida”.
 
Dominação versus contra-memória
 
Paula Godinho não tem dúvidas: as ideias dominantes são as da classe dominante. Por isso, o revisionismo histórico acaba por relativizar ou recuperar períodos históricos autoritário e violadores dos direitos humanos, “ao mesmo tempo que condena os momentos em que as camadas sociais subalternas adquiriram algum protagonismo”.
 
Desta forma, a revolução francesa e a russa passam a ser consideradas desastrosas. “Os usos políticos da memória direcionam o sentido da memória coletiva, corrigida por visões dominantes, por um lado, e alguma da historiografia, marcada desde a década de 1990 pela ideologia do fim da História.”
 
Uma outra visão da História reforça o papel das pessoas e contraria a ideia de que o conhecimento deve ser um monopólio acadêmico. A história escrita, de acordo com esta perspetiva, deixa de ser, como querem alguns, uma mera reconstrução da verdade. “As memórias confiscadas têm de recuperar sentido em público, depois de um longo período de retenção e abstinência. Em momentos específicos, a memória grupal pode ser universalizada, tornada hegemónica, embora as sociedades sejam compostas por grupos heterogéneos, que só podem ser vistos como comunidades num exercício de imaginação que esbata as divergências. As vidas constroem-se defrontando o fortuito e incontrolável com os meios ao dispor, mas sobretudo resgatando possibilidades do universo dos impossíveis, em trajetórias nas quais a ação – e a atuação – é decisiva.”
A manipulação da memória
 
Na mesma sessão, o historiador Manuel Loff falou da manipulação da memória, um exercício não inocente executado por porta-vozes do poder. O seu ponto de partida foi a afirmação de que a memória das lutas sociais do passado é uma componente central para o desencadear das lutas do presente. Portanto, do ponto de vista do poder conservador, um alvo a abater.
 
É esta a lógica a explicar, segundo ele, a manipulação da resistência antifascista em Portugal ou a defender uma ideia tão estapafúrdia quanto a de que a Europa viveria sob uma ditadura cultural da esquerda desde 1945, portanto, a partir do pós-guerra. “Os últimos 40 anos foram, não só em Portugal, como por toda a Europa  e todo o Ocidente, anos de batalha cultural e ideológica pela construção  da hegemonia no campo da memória. Ela foi lançada sobretudo por  uma corrente ideologicamente neoliberal e neoconservadora, com  pontes abertas para a nova extrema-direita culturalista que emerge nos  anos 70 com forte impacto no campo editorial e mediático.”
 
Loff retratou algumas ideias de historiadores que considera próceres dessa manipulação da memória em Portugal: estruturalismo e marxismo seriam a mesma coisa; a história seria uma maneira de pensar, e não uma ciência; a história oficial teria sido escrita pela esquerda; e a direita que governa o país atualmente “continua sequestrada por um terreno minado pela ditadura marxista”.
 
Algumas das obsessões dessa historiografia neoliberal seriam o ditador Oliveira Salazar, apresentado como o “salvador da pátria” do caos herdado pelos governos republicanos; e o 25 de Abril, transformado numa caricatura. Mas há outra: a independência das ex-colônias africanas.  Angola e Moçambique seriam, desde os anos 50, das regiões mais prósperas de África, e o governo que as quisesse “abandonar” teria de explicar porque iria confiar meio milhão de portugueses brancos aos desígnios dos leitores de Frantz Fanon.
 
No debate que se seguiu à apresentação de Loff, foi dito que há outras vias acadêmicas mais sutis e menos truculentas de revisionismo histórico do que as referidas, como a que cria os espoliados da reforma agrária em Portugal, a das transições em vez de revoluções ou a que transforma a história em alegorias ou retratos psicológicos.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Memoria-e-hegemonia-A-forca-das-ideias/4/29346
 

SP: manifestantes bloqueiam Fernão Dias e incendeiam ônibus e caminhões

29.10.201
Do portal ESTADÃO/MSN, 28.10.13
Por Tiago Queiroz/Estadão
 
Protesto ocorreu por conta da morte de um adolescente de 17 anos por um policial na tarde deste domingo, 27; ônibus e caminhões foram incendiados, lojas, saqueadas, 1 homem acabou baleado e 90 pessoas foram detidas
 
SP: manifestantes bloqueiam Fernão Dias e incendeiam ônibus e caminhões
Manifestantes invadiram a pista da Fernão Dias e atearam fogo em caminhões"
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO - Violentos protestos contra a morte do adolescente Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, por um policial militar, no domingo, fecharam na segunda-feira, 28, a Rodovia Fernão Dias e provocaram uma onda de destruição no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Ônibus e caminhões foram incendiados e lojas, saqueadas. Um homem foi baleado. O tumulto na estrada federal fez com que o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, ligasse para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para estabelecer uma "ação conjunta". Noventa pessoas foram detidas e 34, encaminhadas ao 39º D.P (Vila Gustavo), segundo a PM. As demais foram liberadas.
 
Veja também:
 
A manifestação começou por volta das 18 horas, depois do enterro de Douglas. Os dois sentidos da rodovia foram fechados e ao menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados. Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descer dos veículos. Durante um saque a uma loja na Avenida Milton da Rocha, na Vila Medeiros, criminosos acabaram acertando um pedestre no abdômen. Ele foi internado no Hospital São Luis Gonzaga, onde passou por cirurgia.

Manifestantes assumiram um caminhão-tanque na contramão. Motoristas de veículos que estavam na estrada foram roubados, segundo a PM. Houve confronto, e a polícia usou bombas e balas de borracha para conter a multidão.

"Eu seguia pela Fernão quando de repente vi um ônibus pegando fogo no meio da pista. Um molequinho estava armado na frente dele e apontou a arma para mim, mandando eu parar", relatou o motorista José Floriano, de 50 anos. "Outras pessoas aparecerem do nada e começaram a jogar pedra nos caminhões. Eu só tive tempo de brecar e descer da carreta e corri a pé." Veículos também foram atacados na Marginal do Tietê, na altura da Ponte Imigrante Nordestino. Enquanto tentavam apagar o fogo em um ônibus, bombeiros foram apedrejados e precisaram de escolta de 15 homens da Força Tática.

De acordo com informações da Agência Brasil, o secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Força Nacional de Segurança atuasse no local. Grella, ainda segundo a agência, teria pedido que uma operação de inteligência seja montada pelo Ministério. As pastas confirmaram a conversa por telefone, mas, segundo Cardozo, ambos combinaram uma "ação conjunta", na tentativa de impedir novos atos de vandalismo. "Conversamos sobre a melhor articulação entre ações da Polícia Rodoviária Federal e da Secretaria da Segurança Pública", disse o ministro, sem dar mais detalhes. Nos bastidores, tucanos afirmaram que a Polícia Rodoviária Federal demorou para aparecer.

Nas ruas do Jaçanã e na Fernão Dias, manifestantes fizeram barricadas de fogo. Segundo a concessionária Autopista, às 20h50, a lentidão na rodovia ia do km 82 ao km 90. Por volta das 23h, a pista sentido capital havia sido liberada e na outra direção os motoristas seguiam pelo acostamento.

Enterro. O protesto começou após o enterro de Douglas, no fim da tarde de na segunda, no Cemitério Parque dos Pinheiros, também na zona norte. Na noite de domingo, a Vila Medeiros já havia sido cenário de protestos de vizinhos que ficaram revoltados com a ação da polícia. Na manifestação, com cerca de 300 pessoas, dois lotações, um ônibus e um carro foram incendiados e lojas foram saqueadas. A Polícia Militar interveio com bombas de gás e balas de borracha para dispersar a multidão.

Atribuições. A atribuição de resolver conflitos em estradas federais, como no caso da Fernão Dias, é da Polícia Rodoviária Federal, mas não se trata de uma atribuição exclusiva, segundo o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi. "Havendo crime, qualquer policial tem a obrigação de intervir", explica. "Um não pode ficar esperando que o outro faça."

A jurisdição policial em estradas federais, segundo ele, ainda é "nebulosa". Mas, a princípio, não há nada que impeça a Polícia Militar (estadual) de atuar também nessas estradas, quando há um crime em andamento. /ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, FABIO LEITE, MONICA REOLOM, HERTON ESCOBAR e VERA ROSA
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/sp-manifestantes-bloqueiam-fern%C3%A3o-dias-e-incendeiam-%C3%B4nibus-e-caminh%C3%B5es