segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A melancolia da elite intelectual

21.10.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

Patético ver intelectuais melancólicos diante do Brasil de hoje. Uma parte deles, chegou à euforia quando FHC foi eleito. “Se alguém pode aplicar esse modelo com políticas sociais, será ele”- afirmou um deles. “Não preciso escolher entre Pelé e Garrincha”- disse outros, que fez campanha pelo Lula, mas correu assumir um ministério do no governo FHC, não sem antes anunciar “uma nova revolução democrática no Brasil”.

Era a projeção dos sonhos da intelectualidade paulista e da que se identifica com ela, como a elite da elite da elite brasileira. FHC chegava derrotando a esquerda, com uma bandeira que dava cores de modernização a um programa conservador. Propondo-se a “virar a pagina do getulismo” – melhor ainda, menos Estado, nada de populismo, fora sindicalistas, petistas, Lula, partidos de esquerda.

O diário da Barão de Limeira inaugurou um caderno especial – A “Era FHC”. Não precisou emprestar carros pro seu governo, mas emprestou todos os seus espaços e seu “dom de iludir”.

FHC saiu derrotado, com o rabo entre as pernas, como o político mais repudiado pelo povo brasileiro. Seus adeptos se refugiaram na melancolia. O diário da Barão de Limeira foi tirando do ar o caderno da Era FHC, sem nem noticiar seu fim e as razões. Seria um hara-kiri, da mídia e da elite paulista.

Para mal dos pecados, aquele governo foi substituído justamente por Lula e pelo PT – os inimigos que FHC pretendia ter derrotado, para o orgasmo da elite melancólica. O que fazer, além de esperar o fracasso do governo despreparado para governar? Se até FHC fracassou, o que o governo reservaria para o Lula?

Primeiro, as denuncias – misturadas, entre a direita e a ultra esquerda – da “traição” do Lula. Se confirmaria que para governar Lula teria que abandonar tudo o que a esquerda pregava. Teria que seguir a política econômica do FHC e sair como “traidor” do povo brasileiro, desmascarado. Derrota da esquerda por décadas.

O “mensalão” era a prova que faltava: além de incompetente, o novo governo assaltava o Estado e seria derrubado com a pecha de corrupto. Banquete que de novo unia a direita com a ultraesquerda, tendo como inimigos o governo Lula e o PT. Salivavam as elites melancólicas diante da perspectiva de limpar o campo e poder governar por décadas sem a moléstia da esquerda, do Lula, do PT e do movimento popular.

O que fazer diante do sucesso do Lula, dentro e fora do Brasil? Diante da sua capacidade para eleger e reeleger sua sucessora? Refugiar-se na melancolia. Dizer que tudo está ruim no Brasil, prestes a explodir. Que o povo se vendeu por bolsas família, por Minha Casa, minha vida, por empregos, salários, etc., etc.

Fazer o discurso escatológico de que o mundo está pior do que nunca, que o Brasil vai pro brejo, que o povo nunca aprende, que tudo pode ainda ficar pior, se o Lula voltar em 2018. E refugiar-se também nos espaços que a direita lhes reserva para esses lamentos na sua mídia.

Desencontrados do Brasil que melhora, da America Latina que avança – na contramão dos seus queridos EUA e Europa – só lhes resta um final resignado e resmunguento. Procurar algum candidato ou deputada que possa fazer alguma sombra ao governo. Porque ver triunfar ao Lula, ao PT, à esquerda, ao governo, é a estação final e melancólica da elite intelectual da nova direita.
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Bolsa Família: 10 anos de liberdade

21.10.2013
Do portal da Agência Carta Maior
Por Mayra Taiza Sulzbach

O Programa rompe uma história de subordinação, para o desenvolvimento de liberdades individuais, entre elas a liberdade de escolha
Arquivo
O Programa Bolsa Família (PBF) começa a apresentar seus resultados de longo prazo. Seus benefícios no curto prazo são apenas observados como um mecanismo de inclusão ao consumo de famílias desprovidas de recursos. Os valores recebíveis, em espécie, através do Programa proporciona o bem mais desejado da sociedade capitalista, a moeda, e é com esta que as famílias beneficiárias do Programa têm acesso ao consumo. A moeda neste modelo é utilizada por aqueles que fazem parte da divisão social da produção, permitindo assim o consumo. Os beneficiários do Programa somente estão nesta situação pelo reconhecimento de sua exclusão no processo produtivo.

Contudo, ao mesmo tempo em que o Programa permite o acesso ao consumo e a continuidade do modelo de desenvolvimento capitalista este é capaz, no longo prazo, de promover a inclusão produtiva das crianças e jovens beneficiários, já que a condicionalidade do recebimento financeiro é a capacitação destes para exercício no futuro. Portanto, o Programa através do conhecimento pode promover uma ruptura de sua história de vida.

Os dez anos do Programa provaram que além dos benefícios diretos à saúde advindo da ampliação de bens de consumo, bem como da ampliação do leque de escolhas futuras derivadas da elevação do grau de estudos, outros ganhos, reconhecidos como de inclusão social se fazem necessários mencionar. As liberdade subjetivas dos indivíduos pertencentes as famílias beneficiárias são inúmeras, cabendo aqui destacar a liberdade de escolha, que encontra-se atrelada ao empoderamento, ao pertencimento e à dignidade humana.

O Programa rompe uma história de subordinação, para o desenvolvimento de liberdades individuais, ou ainda, de rupturas de condutas ou hábitos que já estavam sendo levados à cultura. O auxilio fornecido historicamente através de cestas básicas e vales nem sempre correspondia às necessidades de parte da população que pelas condições de “pobreza” era de direito, assim os recebiam e os trocavam por algo de desejo, mesmo que houvesse perdas. Este modelo ampliava a cultura de burlar para fazer jus ao que de direito. O PBF altera esta trajetória, desenvolvendo liberdades que promovem uma emancipação mais cidadã.

A transformação da transferência monetária com fins específicos em benefícios de dinheiro sem vínculo foi o primeiro passo para o desenvolvimento das liberdades da população. O desenvolvimento da liberdade de escolha é parte de um processo das liberdades subjetivas, pois potencializam as pessoas a manifestar seus desejos diante da sociedade, ou seja, promovem o sentimento de pertencimento.

Uma primeira liberdade, da qual decorrem outras, que empoderam o sujeito no núcleo social, vindo a participar dos outros movimentos de sua sociedade.

O Brasil se constitui de uma população com diversidades culturais que promovem uso de seus recursos e relações sociais distintas; com valores de pertencimento diferenciados. Ao fornecer o Vale Gás (que naquele momento foi especial), o Governo não atingia a satisfação de todos aqueles que o recebiam, a exemplo de uma família que mora na área rural, e encontra disponíveis na natureza resíduos de madeira e derivados de podas e quedas naturais de árvores.
Um cidadão da área rural, pela sua condição de pobreza de renda, tinha tanto direito quanto aquele que vivia em área urbana, por possuir outras necessidades para superação da “pobreza”, assim trocava o Vale Gás por outros bens que necessitava, no entanto seu estado de consciência ou de responsabilidade cívica o condenava a ser menos cidadão do que aquele o fazia uso deste. O PBF promove a liberdade de pertencimento a uma nação, promovendo apoio a mudança de sua condição econômica.

A liberdade de escolha atrelada ao sentimento de pertencimento na Era do Conhecimento também vem promovendo a inclusão das crianças e adolescentes das famílias beneficiárias do Programa no curto prazo, não pelo lado monetário, do qual seus responsáveis têm o poder de decisão sobre o gasto, nem só pela expectativa de futuro, que esta atrelada ao conhecimento promovido pela escola, nem tampouco pela inclusão social de estar na escola, já que esta nem sempre permite o sentimento de pertencimento.

O PBF, por sua permanência ao longo do tempo, e por permitir a permanência de uma família no Programa, pelo menos durante dois anos (através do Cadastro Único), vem permitindo a aquisição de bens que não são considerados de consumo por esta população, bens que não estão relacionados “à fome”. O PBF vem permitindo pagar a conta de luz e de água potável (mesmo que vinculados à conta social, há valores a pagar), comprar televisores, celulares, computadores, e até mesmo acessar a internet. O Programa permite o endividamento em parcelas para aquisição de bens de uso continuo. O PBF promove a inclusão de jovens através do acesso a informação (TV, computadores etc.), participando também como protagonista destas, fazendo a diferença. 

(*) Professora da Universidade Federal do Paraná (mayrats@ufpr.br)  
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Brasileira do Greenpeace completa 1 mês em prisão na Rússia

21.10.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO
Por EFE

Bióloga brasileira completa 31 dias presa, sem ter data para poder defender seu direito à fiança e a aguardar o processo em liberdade

ativista brasileira greenpeace rússia
Ana Paula Maciel, ativista brasileira do Greenpeace, está presa há 1 mês na Rússia (Reprodução)

A ativista brasileira do Greenpeace detida e acusada de pirataria na Rússia, Ana Paula Maciel, completou no último sábado um mês na prisão, onde pediu o direito de fiança, que continua em suspenso após o adiamento da audiência de quinta-feira.

A bióloga do Rio Grande do Sul foi detida em 19 de setembro com outros 27 ativistas e dois jornalistas na embarcação do Greenpeace, Arctic Sunrise, após um protesto contra uma plataforma da empresa russa Gazprom no Ártico, onde a estatal prospecta petróleo.

No dia anterior, quando começou o protesto, houve as primeiras detenções, a de dois “escaladores” que estavam já acorrentados à estrutura da plataforma. No dia 19, o protesto continuou e as forças armadas russas capturaram os outros ativistas.

“Ela sabe que o que a Rússia tenta é pressionar os ativistas para que deixem de protestar no país”, disse Telma Maciel, irmã de Ana Paula, em entrevista à Agência Efe, afirmando que a gaúcha “não deixará de ser ativista” porque é de “sua natureza”.

Telma deu essas declarações antes da audiência programada para quinta-feira passada, suspensa por falta de tradutor – argumento que a família de Ana Paula não considerou suficiente.

“Desde o primeiro dia em que prenderam minha irmã sabem da necessidade de um tradutor de português. Sabiam antes e sabem agora”, acrescentou depois em entrevista.
Apesar do adiamento, Telma contou que tem esperanças de que a justiça russa reconheça o direito de fiança de Ana Paula e que a irmã consiga acompanhar o processo contra ela em liberdade.

Por sua vez, o Greenpeace Brasil recebeu a notícia do adiamento da audiência “com tristeza” já que esperavam que “a carta do governo brasileiro pedindo a liberdade mas assegurando que ela iria ao julgamento” na Rússia ajudasse.

“Tínhamos essa esperança na melhor e na pior da respostas mas os advogados da organização nos informaram que seria adiado”, lembrou Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas da ONG no Brasil.

Em entrevista à Efe, Leitão fez questão de lembrar que a relação com o governo brasileiro é “muito eficaz” e que além da carta de garantias, “a embaixada brasileira na Rússia segue em contato com Ana Paula e a ajuda para que possa falar com sua família”.

Se as acusações de pirataria se confirmarem, os ativistas poderiam passar até 15 anos na prisão, uma acusação que para a ONG “não faz sentido” já que, na sua opinião, “a diferença entre ativismo político e pirataria é clara”.

Na sexta-feira passada, quando se completavam 30 dias do protesto em frente à plataforma da Gazprom, o escritório do Greenpeace em Murmansk (onde a ativista permanece em prisão) foi assaltada por seis mascarados e uma jaula que ia a ser utilizada no protesto desapareceu.

Para a ONG, a “principal questão” do processo é poder demonstrar “que pirataria implica cometer um crime” e que o “protesto pacífico é um direito de qualquer cidadão”.

“Não estamos preocupados com Greenpeace, mas pelo direito à livre manifestação e a livre expressão de qualquer pessoa em qualquer cantinho do planeta”, continuou Sérgio Leitão.

Segundo Telma Maciel relatou à Efe, a irmã “está bem” e “resistirá” caso a justiça russa lhe negue o direito de fiança. No Greenpeace Brasil, seus colegas a descreveram como “uma menina loira de olhos azuis cuja aparência pode enganar, mas é uma brasileira típica: comunicativa, simpática e sem medo do trabalho duro”.

“A cada três meses (ela) embarca em um navio, atua como ativista e marinheira e volta para casa para descansar durante outros três meses”, contam na ONG, acrescentando que na embarcação “é centrada e está sempre de bom humor”.

Em alto-mar, Ana Paula “aprendeu inglês, com os membros da tripulação, e ainda arrisca italiano e espanhol; e como boa marinheira faz de tudo nos navios e também fora deles”, continua a descrição que da ativista no site da organização.

“É uma pessoa que faz a diferença no mundo”, definiu Rosângela Maciel, orgulhosa mãe da bióloga de 31 anos, que hoje completa 31 dias presa, sem ter data para poder defender seu direito à fiança e a aguardar o processo em liberdade e cercada por amigos.

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/10/brasileira-greenpeace-1-mes-prisao-russia.html

Matheus Pichonelli: A luta de Almeidinha contra o "Bolsa Esmola"

21.10.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 18.10.13
Por Matheus Pichonelli

Na Suíça, o Bolsa Família recebe o "Nobel" da seguridade social. Aqui, há campanha para suspender o título de eleitor de seus beneficiários

bolsa família votar almeidinha
Almeidinha faz campanha no Facebook para a suspensão dos direitos políticos dos beneficiários do Bolsa Família (Reprodução)

O programa Bolsa Família recebeu, na terça-feira 15, o 1º prêmio Award for Outstanding Achievement in Social Security, espécie de Nobel concedido a cada três anos pela Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA), entidade com sede na Suíça. É o mais importante reconhecimento de um programa responsável por ajudar a quebrar no País um ciclo histórico de fome e miséria. É o reconhecimento, também, de que a aposta em promover a autonomia dos beneficiados por meio de um cartão magnético passou longe de um mantra brasileiro quase pré-histórico: o de que dinheiro na mão de pobre é, na melhor das hipóteses, desperdício; na pior, um mero instrumento de troca de apoio e voto.

A notícia, em meio à tensão pré-eleitoral, deixou a turma do Almeidinha em polvorosa. Nas mesas de bar, do trabalho ou em memes de Facebook, a reação ao prêmio foi quase previsível. Houve uma avalanche de revolta e cusparadas contra o que chamam de Bolsa Esmola. Uma das montagens é uma peça-rara: uma enxada e outros utensílios de mão-de-obra rural com os dizeres “no meu tempo, Bolsa Família era quando os pais de família trabalhavam” (algo assim). Uma outra mostrava a confusão em uma agência da Caixa após os boatos sobre o fim do benefício: “Brigar por esmola é mais fácil do que brigar por saúde, emprego e educação”. Outra, um “apelo ao fim do voto de cabresto”, questionava a legitimidade dos beneficiários em participar das eleições. O raciocínio é de uma sofisticação invejável. A vítima do cabresto, afinal, é sempre o pobre. E pobre, de barriga cheia, é incapaz de pensar por si: automaticamente, devolve a esmola com a gratidão em forma de voto vendido. (O cabresto, para quem não sabe, é a correia fixada na cabeça de animais, como as mulas, para amarrá-los ou dirigi-los; o uso da expressão, a essa altura do campeonato, diz mais sobre a consciência e os pressupostos do autor do que sobre o sistema político que ele finge combater).

Críticas ao programa, como se sabe, existem. Muitas delas são justificadas, entre as quais a dificuldade de fiscalização e o seu uso, em discursos de campanha, como arma de terrorismo eleitoral (“se fulano ganhar, acabou a mamata”).

Até aí, normal. O que espanta, nas manifestações de ódio, é a precariedade dos argumentos. 

A turma do Almeidinha, ao latir contra uma política de transferência de renda (que, vale dizer, não é uma invenção brasileira), não demonstra apenas a sua ignorância sobre as contrapartidas do programa. Demonstra o completo desprezo em relação a quem, até ontem, topava limpar, lavar, passar e cozinhar na casa grande por algum trocado e a condução. É como se passasse um recibo: é preferível deixar a população desassistida, sem vacina, sem alimento e sem escola, do que depender de política pública para dar o primeiro passo.

A bronca da patrulha é compreensível: a autonomia do explorado é o desarme do explorador. 

E ao explorador não resta outra alternativa se não espalhar seus próprios preconceitos aos ventos. Segundo esta visão turva sobre o mundo, a capacidade de raciocínio do pobre se limite a comer e beber. Não difere da de um animal. Um animal que se contenta em receber um complemento de renda para se acomodar – e não, como ele, batalhar por uma vida melhor que extrapole o teto do benefício.

O modelo do self made man só serve para ele, e é uma questão quase moral não depender de ninguém. No mundo em que a educação, até ontem, era objeto de luxo das mesmas famílias, os Almeidinhas mais bem alimentados preferem ignorar os fatos e propagar a sua própria visão de mundo: um mundo segundo o qual a limitação do pobre não é material, mas humana; sua complexidade existencial se limitaria assim a acordar, sacar o benefício, comer (sem talheres), dormir e procriar. Decerto a trupe de Almeidinha só conhece o mundo fora de sua bolha por ouvir dizer. Para ele e seu classe-média-sofrismo, refinamento é passar os dias (e a vida) repetindo chavões sem base empírica. É espalhar no Facebook mensagens sobre o que desconhece ao lado de frases jamais escritas pelos autores que nunca leu. O resto, para ele, é pura ignorância. A ignorância que atrasa o progresso da nação.

PS: Em dez anos, o Bolsa Família beneficiou mais de 50 milhões de brasileiros e tirou 22 milhões de pessoas da miséria, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. Para entrar no programa, o beneficiário deve cumprir uma série de contrapartidas, entre elas o acompanhamento da frequência escolar, da agenda de vacinação e nutrição dos filhos e o pré-natal de gestantes. Com o benefício, o comércio em localidades historicamente legadas à miséria se movimentou e a evasão escolar arrefeceu. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para cada real investido pelo programa, há um retorno para a economia de 1,78 real. Não é por menos que, em época de eleição, candidatos de diferentes partidos saem no tapa para proclamar a paternidade do programa. Uns se declaram idealizadores da experiência pioneira. Outros, da sua ampliação. Ganha quem apostar que em 2014 não haverá um só candidato capaz de sugerir o fim do benefício).

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/10/almeidinha-contra-o-bolsa-esmola.html

ECOS DO MENSALÃO: A era da vingança

21.10.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 15.10.13
Por Márcio Chaer, na edição 768

Reproduzido da seção “Tendências/Debates” da Folha de S.Paulo, 8/10/2013
      
Na Roma antiga, o povo apreciava furiosamente duelos sangrentos, gentes devoradas por leões. Ainda hoje, multidões lotam estádios para ver mulheres acusadas de adultério serem apedrejadas até a morte.

No Brasil, sem lapidação nem duelos --quando não há jogos importantes na TV--, a mesma torcida excita-se com casos como o do mensalão.

Vive-se a era da vingança. Quem um dia se sentiu chicoteado agora quer chicotear. Não importa de que campo se fale: sexual, ideológico, econômico, social ou racial.

O Judiciário, algumas vezes, entra de estraga-prazeres na festa, com o formalismo de exigir provas, o que adia ou inviabiliza os encarceramentos dos sonhos da galera.

A Folha de S.Paulo distinguiu-se por ter parado para repensar a condenação antecipada dos mensaleiros. Mais ainda por sustentar a valente e explosiva tese, contrária ao senso comum, de que cadeia não reduz criminalidade nem resolve problemas sociais. Mas foi mal ao atacar, em editorial, o ministro Celso de Mello, que reclamou, em entrevista à própria Folha, da publicidade opressiva usada para obrigá-lo a votar como queria a opinião pública. A pressão da qual o ministro reclamou foi concreta, factual e generalizada, como depois indicou Janio de Freitas. Mas o texto gerou ainda o artigo equivocado do professor da Fundação Getulio Vargas Diego Arguelhes.

Beija-mão

Escorado no fato de que ministros atendem a imprensa quando procurados (e por que não?), partiu para a ficção. Disse que o ministro atuou com vedetismo e distribuiu pela internet trechos de voto não proferido e disponibilizou para a mídia, antes do fim da sessão, manifestação que acabara de fazer.

Os jornalistas que cercam os gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF) têm algo a dizer ao professor: o ministro não fez circular coisa alguma pela internet e a divulgação de votos apresentados é dever, não ato de vaidade do juiz.

A pedrada mais torta contra o decano do STF, porém, foi a ressurreição, por jornalistas da Folha, de uma fantasia criada pelo ex-ministro da Justiça Saulo Ramos, morto em abril. Na autobiografia, escrita de memória, vingou-se de quem o magoou em vida (vide a resenha “Lorotas a granel” na internet). Para “provar” que Celso de Mello não era imune à pressão da imprensa, citou caso em que o ministro teria mudado voto para ficar bem na foto.

Discutia-se a validade do novo domicílio eleitoral do ex-presidente José Sarney, que foi quem levou o ministro ao STF. Diz Saulo que Celso, “o último a votar no julgamento”, telefonou-lhe para justificar por que seria contrário ao pedido: como aFolha anunciara que ele votaria a favor e a questão já fora decidida pelos outros dez ministros, sua posição não faria diferença. Inconformado, o memorialista escreve que disse um palavrão, bateu o telefone e jamais voltou a trocar palavra com o ministro.

Na vida real, Celso de Mello era o segundo mais novo ministro da corte. Portanto, um dos primeiros a votar. Seu voto foi enorme --desses que levam dias para preparar. Os arquivos da Folha não registram a notícia mencionada. E, por fim, o próprio Saulo relata, no mesmo livro, outros diálogos com Celso de Mello. Sete anos depois, no beija-mão do ministro em sua posse na presidência do STF, abraçou-o efusivo após Márcio Thomaz Bastos.

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Márcio Chaer, 58, é jornalista e diretor da revista eletrônica “Consultor Jurídico”
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Ciência sem Fronteiras tem inscrições abertas para graduação sanduíche em 20 países

21.10.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Yara Aquino

Brasília – Até o dia 29 de novembro estarão abertas as inscrições para quem quer concorrer a uma bolsa para graduação sanduíche do Programa Ciência sem Fronteiras em 20 países. O edital de cada país está no site do programa.
 
As inscrições estão abertas para cursos no Reino Unido, na Bélgica, no Canadá, na Holanda, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Espanha, nos Estados Unidos, na Alemanha, França, Itália, Suécia, Noruega, Irlanda, China, Hungria, no Japão e na Áustria.

O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 com a meta de conceder 101 mil bolsas até 2014. Para se inscrever é preciso ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e obtido nota igual ou superior a 600 pontos, apresentar teste de proficiência no idioma aceito pela instituição de destino e ter cumprido no mínimo 20% e, no máximo, 90% do currículo do curso de graduação.
A bolsa concedida aos candidatos selecionados custeará a permanência do aluno por até 12 meses para a realização de estudos em tempo integral. Os estudantes também terão auxílio-instalação, seguro-saúde, auxílio-deslocamento para aquisição de passagens aéreas e auxílio-material didático.
Edição: Graça Adjuto
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MÍDIA PARTIDARIZADA: Folha tenta explicar fraude e se desmoraliza ainda mais

21.10.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 20.10.13
Por Eduardo Guimarães
No post anterior, relatei fraude grosseira do jornal Folha de São Paulo em matéria que pretendeu vender ao seu leitorado – composto pela fina flor de um antipetismo de classe alta que hoje se vê atucanado por falta de opções mais à direita – que o governo Dilma estaria entregando unidades residenciais do Programa Minha Casa, Minha Vida, sem água e luz.
A reportagem em questão pertence àquela categoria do jornalismo corporativo terceiro-mundista que, na eleição de 2010, tentou transformar uma bolinha de papel do tamanho de uma bolinha de pingue-pongue – atirada contra o então candidato José Serra em um comício – em um artefato de “um quilo” (segundo invenção do Jornal Nacional, formulada para ajudar o candidato do PSDB, que já caminhava para a derrota).
Exacerbar ou inventar fatos negativos contra o grupo político que comanda o país tornou-se uma verdadeira obsessão para a grande mídia. Com redações cheias de jornalistas recém-formados que praticamente trucidam uns aos outros na ânsia de acariciarem o antipetismo dos patrões, produzem-se micos como a reportagem da Folha supracitada.
A “denúncia”, publicada em destaque no alto da primeira página do jornal no último dia 16, é confusa. A matéria que a veiculou fez malabarismos para impedir o leitor de entender por que haveria gente vivendo sem água e luz em imóveis recém-entregues pelo governo federal. Assim, em uma matéria de 427 palavras, apenas 30 foram dedicadas ao que diz o título.
Eis o trecho da matéria que tenta “explicar” o título que acusa Dilma de “entregar casas sem água e luz”.
“(…) Beneficiários passam as noites a luz de velas, usam baldes com água trazida de outros locais e contam com ajuda de vizinhos que já têm água ou energia em casa (…)”.
O resto do texto contém depoimentos de meia dúzia de pessoas que viviam em barracos e que foram contempladas com casas novinhas, bem construídas e que os novos moradores poderão mobiliar e equipar com eletrodomésticos no âmbito do Minha Casa, Minha vida.
Contudo, alguns dos entrevistados criticaram a matéria da Folha, que teria distorcido suas palavras e transformado seus elogios ao programa em críticas.
Um blog baiano, de um morador da cidade de Vitória da Conquista (BA), onde o governo federal estaria entregando “casas sem água e luz”, noticiou que uma das pessoas entrevistadas pela Folha pretende processar o jornal por distorcer suas palavras sobre o Minha Casa, Minha Vida – que essa pessoa diz que elogiou – e por usar sua imagem sem autorização.
A matéria foi tão escandalosa, a fraude que a Folha praticou foi tão grosseira que, apesar de se negar a reconhecer a natureza desonesta do que publicou, sua ombudsman, Suzana Singer, teve que voltar à questão do antipetismo do jornal em que trabalha.
Os três primeiros parágrafos da crítica de Suzana são mais do que suficientes para explicar a fraude que o dito “maior jornal do país” levou para o alto de sua primeira página:
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A Folha acusou a presidente Dilma de entregar casas sem água nem luz no interior da Bahia. O jornal mostrou, na quarta-feira, que parte das moradias inauguradas em Vitória da Conquista, no programa Minha Casa Minha Vida, estavam no escuro e a seco. Os moradores usavam velas à noite e enchiam baldes nas casas dos vizinhos.
Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado.
Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone (…)”.
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Parece brincadeira, mas não é. Se você for um milionário e comprar uma cobertura recém-construída nos Jardins paulistanos, por exemplo, terá que esperar tanto quanto os pobretões do conjunto habitacional de Vitória da Conquista, na Bahia, para ter água, luz e telefone ligados.
A matéria é tão grosseiramente falsa que desmonta a si mesma. A ombudsman da Folha diz exatamente isso, mas com outras palavras:
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“(…) Os casos relatados indicavam que nem havia um problema exagerado de demora na entrega desses serviços. Apenas uma dona de casa esperava a instalação de luz havia oito dias, três a mais que o prazo dado pela companhia elétrica (…)”
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Apesar do que diz a ombudsman, colunistas e blogueiros ligados à grande mídia e ao PSDB, tais como Reinaldo Azevedo, da Veja, e Josias de Souza, da Folha/UOL, entre dezenas de outros, tentaram reforçar a insinuação de que Dilma estaria entregando casas sem ligações de água e luz que pudessem ser acionadas como em qualquer outro imóvel novo.
Não seria necessário o governo rebater a matéria se a Redação da Folha tivesse jornalistas em lugar de bajuladores que se matam entre si para agradar o patrão. O filtro jornalístico, se existisse nesse jornal, deveria ter “derrubado” a matéria, como diz a ombudsman:
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“(…) Diante das explicações dadas pelo governo e pelas concessionárias de serviços estaduais, o jornal deveria ter derrubado a reportagem. Não adianta registrar burocraticamente o ‘outro lado’, como prega o ‘Manual da Redação’, mas insistir numa acusação vazia (…)”.
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Você que vive acusando blogueiros como este que escreve de serem “pagos pelo governo”, note que Suzana Singer, ex-secretária de Redação da Folha, responsável por muitas matérias contra o PT na década passada, reproduz o diagnóstico desta e de outras páginas sobre matéria que a mesma Folha insiste em manter: tratou-se de uma “acusação vazia”.
Sim, você leu bem: a Folha insiste em manter a acusação a Dilma. Cobrada pela ombudsman, a Redação do jornal oferece uma explicação estarrecedora e que, além de má fé, exala burrice. Veja a explicação da Folha, que Suzana relata:
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“(…) A Redação não concorda: ‘a informação de que as casas foram entregues sem água nem luz é relevante por mostrar a pressa com que o governo tem organizado essas inaugurações, por motivos obviamente eleitorais. O objetivo da reportagem era mostrar isso e não culpar a presidente pela falta de água e luz’, diz a editoria Poder (…)”.
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Dissequemos, pois, essa “explicação”.
1 – Onde está a “pressa” do governo em inaugurar um dos muitos conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida que terá para entregar até o ano que vem se a água e a luz de QUALQUER imóvel têm que ser ligadas em nome do morador desse imóvel?
2 – Por que o governo entregaria imóveis novos a pessoas paupérrimas ligando antes a água e a luz, gerando contas para os novos moradores pagarem assim que entrassem? Eles teriam que pagar pelo que não consumiram, ora.
3 – Por que Dilma teria “pressa” de inaugurar qualquer coisa se estamos a um ano da eleição de 2014 e há uma imensidão de obras – inclusive do Minha Casa, Minha Vida – para inaugurar?
Ao fim, para aqueles que têm cérebro – e honestidade nesse cérebro – a fraude jornalística da Folha mostrou que o programa Minha Casa, Minha Vida é muito bom, pois tudo o que encontraram para criticar nele foi o que jamais poderia ser criticado porque existe em qualquer imóvel que alguém compre ou alugue.
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OMBUDSMAN CONFIRMA ERRO DA FOLHA CONTRA DILMA

21.10.2013
Do portal BRASIL247, 20.10.13
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