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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Problema sério no Brasil é outro PIB: o Pensamento da Imprensa Burra

07.10.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

caxambueiros
Vocês me desculpem se não sou muito gentil neste comentário. Mas não é possivel assistir sem indignação a sabotagem que se fez, ao longo de todo este ano, contra o Brasil.
Passamos 2013 entre o “estouro da inflação” e a fatalidade do “pibinho”.

Mês a mês, uns poucos tiveram coragem de contestar esta “onda” catastrofista que aterrorizou consumidores, investidores e trabalhadores.

Boa, mesmo, ela só foi para os especuladores, que empurraram, docilmente, o Banco Central a uma alta de juros mais que danosa a um país que, pelas suas dimensões e potencialidades, precisa de imensos recursos para financiar seu desenvolvimento.

Não somos um país endividado, hoje. A contrário, nossas contas estão mais hígidas, sob este aspecto, que a da grande maioria dos países desenvolvidos. Nossa dívida líquida (excluídas as reservas cambiais) está pouco acima de um terço de nosso PIB, contra outras que superam todo a criação de valor durante um ano, na maioria das nações.

Mas a economia brasileira vive sob o fogo cerrado dos “velhos do Restelo”, que proclamam o desastre a cada dia e o fim dos tempos em breve.

A impresa brasileira comemora, desavergonhadamente, cada “vitória” de desmoralização imerecida de nosso país, seja a capa da The Economist seja a baixa de “nota” das agências de risco internacionais – aquelas mesmas que foram pegas de calças curtas pela crise de 2008 – à nossa maior empresa, a Petrobras.

Chegam a apontar nossa petroleira quase que numa situação pré-falimentar –  Sem recursos suficientes, Petrobras se endivida demais - Estatal terá que aumentar geração de caixa ou adiar projetos -  quando ela está na iminência de (claro que com grande esforço de caixa) se tornar símbolo do nosso controle sobre o campo de Libra, um dos maiores do mundo.

Será que está sem crédito no mercado uma empresa que, há menos de cinco meses,  fez  a maior emissão de títulos corporativos da história nos mercados emergentes, vendendo nada menos que US$ 11 bilhões em títulos, com vencimento entre 2016 e 2043, pagando os menores juros entre os papéis já colocados no mercado em sua história?

Tudo para forçar um aumento no preço dos combustíveis que desgaste politicamente o governo e reacenda as expectativas inflacionárias que ela, a mídia, soprou de fole o ano inteiro.

Mas a nossa imprensa não tem vergonha de ser desmentida pelos fatos. As matérias de hoje, mostrando que, em menos de um mês, o “mercado” revê para cima as expectativas de crescimento do PIB e não vê tendência de aumento de preços.

Acham que os leitores e espectadores dos programas de rádio e de televisão esquecem facilmente tudo o que dizem.

Em parte é verdade, mas em parte também vão desgastando a credibilidade do jornalismo brasileiro, que vai cada vez sendo menos acatado e considerado pela população.
Um dia, como na genial história d’O Poço do Visconde, de Monteiro Lobato na sua saga para dar petróleo ao Brasil, o povo vai acabar fazendo o que se fez ali com os que teimavam que aqui não havia petróleo:

(…)agarrou os “caxambueiros” (como eram conhecidos esses marotos) e os fez passear pela cidade com caraças de burro na cabeça — e no fim da passeata os jogou na lama dos mangues para serem comidos pelos sururus.

Quando o servilismo aos interesses dominantes supera a capacidade de análise e a preocupação com o país, a burrice se soma à traição à coletividade, a qual o jornalismo tem de servir, como qualquer outra profissão.
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Fonte: http://tijolaco.com.br/index.php/problema-serio-no-brasil-e-outro-pib-o-pensamento-da-imprensa-burra/

Quem é contra o Bolsa Família ou é mal informado, ou mal intencionado

07.10.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 11.06.13
PorAndré Forastieri, em seu blog 

Quem é contra o Bolsa Família ou é mal-intencionado, ou está mal-informado. Publicações científicas e ONU atestam eficiência do programa

Sempre que a oportunidade aparece, ressuscita a campanha contra o Bolsa Família. Seu objetivo não é acabar com o benefício. É tão impossível quanto acabar com o salário mínimo, o Natal, o nascer do sol. As metas são outras: manter o Bolsa Família com o menor valor possível, enxovalhar a reputação de quem o recebe, influenciar a opinião pública para que se torne politicamente difícil a criação de outros benefícios semelhantes, e bater no governo. A quem interessa? Aos que têm outros destinos para o dinheiro dos nossos impostos.
Recentemente, a correria por conta dos boatos sobre o fim do Bolsa Família ressuscitou os zumbis de sempre. As questões habituais se arrastaram para fora da tumba: o Bolsa Família é bom? É justo? Não é um estímulo oficial à vagabundagem e à procriação destrambelhada? Não seria melhor deixar de lado essa política assistencialista, e focar na geração de empregos, verdadeira porta de saída dessa esmola? Não tenha dúvida: na próxima oportunidade que pintar, os mesmos de sempre voltarão a atiçar com desinformação os mesmos preconceitos. É bom estar preparado para retrucar.
bolsa família brasil
Bolsa Família: matrícula de crianças na escola é pré-requisito obrigatório para famílias receberem benefício (Foto: Arquivo)
A revista britânica Lancet publicou semana passada estudo que relaciona de forma conclusiva o Bolsa Família com a queda da mortalidade infantil. Dados de quase 3000 municípios brasileiros foram utilizados, no período entre 2004 e 2009. A Lancet é a mais tradicional publicação científica na área de saúde do planeta – existe desde 1823. Nas cidades em que o programa tem alta cobertura, a queda geral na mortalidade infantil foi de 19,4%. Cruzando o Bolsa Família com causas específicas de morte, o impacto é ainda maior: queda de 65% nas mortes por desnutrição e 53% nas mortes por diarreia. A íntegra está aqui.
O Bolsa Família, portanto, salva vidas. Não é uma solução permanente. É uma operação de emergência, necessária hoje e todo dia. Sua missão fundamental é salvar vidas em perigo, vidas que enfrentam uma calamidade permanente (o miserê nacional, desastre que de natural não tem nada). Aí chegamos a outra crítica comum ao programa: mas pra quê tanta criança? Essa mulherada sem vergonha não está parindo um filho atrás do outro, só pra garantir uma renda fixa?
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A resposta é um grande não. A taxa de fertilidade do Brasil vem caindo rápido. Hoje é de 1,8 filhos por mulher, a mesma que o Chile, menos que os Estados Unidos (1,9). Está abaixo do nível mínimo de reposição da população (que é 2,1%). É evidente que se o mundo tivesse dois bilhões de pessoas, em vez de sete, estaríamos melhor na fita. Quanto menos pobre, menos pobreza… mas o fato inquestionável é que as brasileiras têm cada vez menos filhos. E cada vez mais tarde – 40% das nossas conterrâneas entre 25 e 29 anos ainda não têm filhos. Dados citados em um iluminador artigo da Economist desta semana.
A importância do Bolsa Família para essas famílias pobres ficou assustadoramente explícita nas reportagens de TV sobre o corre-corre. Pareciam cenas de refugiados na África, se batendo por um galão de água, um saco de ração. Por que nossos compatriotas ficaram tão desesperados com a possibilidade de ficar sem o Bolsa Família? Porque eles não recebem um monte de outros benefícios simultaneamente. Comparando com os países que tem a melhor qualidade de vida, o Brasil tem benefícios sociais minúsculos.
O sociólogo Alberto Carlos Almeida fez uma comparação chocante entre Brasil e Inglaterra, em artigo para o jornal Valor Econômico. Os ingleses ganham salários muito mais altos que os brasileiros. E mesmo assim recebem muitos tipos de auxílio diferentes, que aqui não existem. Alguns:
- bolsa funeral (R$ 2100 para ajudar no enterro de seu familiar, incluindo pagar flores, caixão, uma viagem de algum parente para o velório etc.)
- bolsa aquecimento no inverno (média de R$ 2400 por mês para ajudar você a se aquecer no inverno)
- bolsa necessidades especiais (para deficientes ou idosos, até R$ 1500 por mês)
- bolsa cuidador de quem tem necessidades especiais (R$ 720 por mês)
- bolsa aquecimento por painéis solares (até R$ 3600 por mês)
- seguro desemprego (R$ 720 por mês)
E muitos outros de todo gênero. Almeida destaca o bolsa criança, que paga R$ 1350 por mês para a família que tem uma criança (e mais uns R$ 1200 para o segundo filho etc.). Vale lembrar que a saúde pública inglesa é boa e gratuita, assim como a educação, em sua maior parte. Por isso tudo, os ingleses são mais saudáveis e educados que os brasileiros, vivem mais e melhor que nós, em um país sem violência. Lá, os impostos são aplicados em benefícios que garantem uma vida mais saudável e segura. Quando alguém criticar o Bolsa Família, faça-lhe um favor: jogue esses dados na cara do infeliz. Nós, brasileiros, precisamos ter consciência do que funciona bem em outros países, para cobrar as mesmas leis aqui. Dou o link para a reprodução do texto de Almeida no site do Senado Federal, porque no site do Valor é só para assinantes.
Certo que o Brasil não é a Inglaterra. Certeza que há dinheiro suficiente para ajudarmos nossos deficientes, idosos, crianças, desempregados e defuntos. Estão aí os estádios faraônicos pra Copa, molezas diversas para empresas próximas do poder, benesses variadas para apadrinhados etc. Somos a sexta maior economia do mundo. Nosso desafio não é gerar recursos, é forçar a aplicação desses recursos no que trará mais benefícios para nossa população.
O PT explora politicamente o Bolsa Família? Claro, é isso que governos fazem, e oposição idem. Aécio Neves até já disse que quem criou o Bolsa Família foi o PSDB (não foi, mas criaram coisas parecidas. Lula, quando o Fome Zero não decolou, reempacotou os benefícios criados pelos tucanos, engordou um tanto o bolo, e marketou magistralmente). Minha sugestão é que os governos estaduais e municipais da oposição criem seus próprios bolsa isso e bolsa aquilo. Que bom se os políticos disputarem nosso voto nos dando dinheiro, em vez de tirar…
O questionamento do Bolsa Família mais furado de todos é o moral: é justo uma pessoa receber dinheiro, sem ter trabalhado por isso? Nem merece resposta. A questão não é de justiça, é de isonomia. Os mais ricos já recebem bastante dinheiro sem trabalhar. Embolsam rendimentos de suas aplicações financeiras, aluguel de imóveis e tal. Acionistas de empresas recebem dinheiro sem trabalhar: os lucros. E herdeiros recebem dinheiro sem trabalhar, às vezes sem nunca ter trabalhado de verdade. Muitas crianças brasileiras felizardas já têm seus futuros assegurados, graças ao que construíram seus pais ou avós. Nunca precisarão pegar no batente (e mesmo assim, como sabemos, muita gente abonada continua trabalhando, porque assim se sente realizada, produtiva, estimulada, ganha mais dinheiro ainda etc. Dinheiro é 100%, mas não é tudo…).
Na próxima vez que a campanha contra o Bolsa Família mostrar sua cara feia, ajude a cravar uma estaca em seu coração. O Bolsa Família não é nenhuma maravilha, mas é infinitamente melhor que nada. Tem que ser aplaudido, imitado, diversificado e expandido para pessoas que não têm família. Tem que ter o seu valor aumentado, bastante e rápido. Contra fatos, e vidas salvas, não há argumentos.
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Suíça ameaça devolver US$ 28 mi a condenados no caso 'propinoduto'

07.10.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA,06.10.13

Autoridades do país europeu alertam governo brasileiro: se caso do 'propinoduto' não for julgado logo no STJ, verba será desbloqueada

A lentidão da Justiça brasileira pode fazer com que cerca US$ 28 milhões que estão bloqueados na Suíça acabem retornando aos bolsos de condenados por corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha no caso que ficou conhecido como propinoduto, que envolvia fiscais das receitas federal e estadual do Rio de Janeiro, entre eles Rodrigo Silveirinha - ligado aos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho. As informações são do jornal  O Estado de S.Paulo

As autoridades suíças enviaram um ofício ao governo brasileiro, datado de 17 de maio deste ano, cobrando uma definição do caso, que já dura uma década. Alertaram que, pela lei suíça, esse é o prazo limite para reter o dinheiro no país e que sem uma decisão final da Justiça terão de liberar os recursos para saque dos donos originais das contas bancárias.

O Ministério da Justiça repassou o alerta ao Ministério Público Federal que, na semana passada, ingressou com um pedido de "prioridade de julgamento" do recurso. Há quatro anos, o processo vai de um gabinete a outro no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem que seja apreciado. Já passou pela mão de cinco diferentes relatores, sendo que o último, a ministra Assusete Magalhães, está com o caso há apenas dois meses. Mesmo que seja julgado imediatamente pela turma da qual faz parte a ministra relatora, os quase 70 volumes terão ainda de passar pela análise dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Em Berna, fontes no governo suíço admitem que não entendem a demora da Justiça brasileira. Em Brasília, os procuradores se sentem frustrados, mas não falam oficialmente do caso. O Ministério da Justiça não deu qualquer posicionamento à reportagem. Já o STJ, questionado institucionalmente sobre a demora dos processos que chegam à casa, não fez qualquer comentário.

Condenações. O caso é emblemático pois todos os acusados foram condenados em apenas seis meses pela Justiça Federal do Rio, ainda em 2003, quando a denúncia foi apresentada à Justiça. Quatro anos depois, mesmo com todo o questionamento em torno da legalidade do julgamento da primeira instância (por ter sido tão rápido), todos os acusados foram novamente condenados no Tribunal Regional Federal da 2.ª Região. Boa parte deles com penas ainda maiores do que as originais.

Os recursos aos tribunais levaram quase dois anos para serem admitidos, mas em 2009 chegaram ao STJ. Foi nesta época que o então ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a comemorar o sinal verde dos suíços e emitiu um comunicado de imprensa para anunciar que os recursos seriam devolvidos.

Contudo, meses depois, nenhum centavo entrou nas contas brasileiras porque a sinalização da Suíça era na expectativa de que o caso fosse julgado rapidamente no Superior Tribunal de Justiça. Em 2010, mais uma ação do governo foi conduzida. Mas sem resultado.

Prisão.

 A ironia, segundo o Departamento da Justiça suíço, é que o caso ganhou contornos impensáveis e levou a prisões também naquele país. Cinco banqueiros foram condenados por lavagem de dinheiro, numa ação contra os bancos que há décadas não se via na Suíça.

O processo ainda confirmou o envolvimento de um banco suíço diretamente com esquemas de corrupção no Brasil, uma alegação que os tradicionais estabelecimentos suíços sempre se negaram a confirmar. Os banqueiros pegaram entre 405 e 486 dias de prisão, além de multas que variam entre US$ 12 mil e US$ 59 mil.

Todos, porém, já cumpriram suas penas e, nem assim, o processo acabou no Brasil. Essa não é a primeira vez que a demora da Justiça brasileira ameaça derrubar todo um processo de investigação e bloqueio de recursos.

A família do deputado Paulo Maluf também teve contas bloqueadas, em 2001. Dez anos depois, por falta de julgamento, a Suíça ameaçou liberar os recursos. O Brasil conseguiu manter o dinheiro congelado, demonstrando que as investigações ainda estavam em curso.
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LULA DÁ UM DIRETO NO FÍGADO DA FOLHA

07.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

 (*) Nem a Folha acredita na Folha

Saiu na Folha (*) – http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/132668-painel.shtml

Epocler – Lula soube da união entre Campos e Marina num sítio em Ibiúna com a família do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar. “Agora foi um direto no fígado”, reagiu o petista, segundo relatos (sic). 


O Instituto Lula desmentiu:

http://www.institutolula.org/declaracoes-atribuidas-a-lula-sao-fantasiosas/#.UlMYLSSE6so


São absolutamente fantasiosas as declarações sobre a aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no blog do jornalista Josias de Souza e também na coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
Assessoria de Imprensa do Instituto Lula


Ou seja, o Lula não dá a menor bola para esse novo evento midiático da Blábláblárina – clique aqui para ler “Dudu e Blábláblá são o novo PSDB”.

Navalha
Repare, amigo navegante, que nem a Folha acredita na Folha.
A propósito, por exemplo da PNAD es-pe-ta-cu-lar:
A própria ombusdman da Folha, Suzana Singer, se irritou com a forma parcial, desonesta de a Folha “noticiar” a PNAD.
Singer só faltou dizer que a Folha é a Profeta da Catástrofe, a Articuladora do Caos, Urubóloga, ou, como diz simplesmente este ansioso blog, um agente do Golpe.
É o jornal que acreditou no Thomas Jefferson, a única “testemunha” que o julgamento do mensalão (o do PT) conseguiu produzir.
Além do ”domínio do fato”, é claro !
(Aqui pra nós, hein, amigo navegante: e esse Bessinha, hein ?)
A propósito do inacreditável fenômeno da Imprensa Ocidental – a Folha não acredita na Folha – leia exemplar artigo do Paulo Nogueira no Blog do Miro:

A SINCERIDADE DA OMBUDSMAN DA FOLHA

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
O jornalismo chapa branca, hoje, se pratica no interior das grandes empresas de jornalismo. Já escrevi sobre isso. Os jornalistas, lá, estão numa gaiola: só podem escrever o que os patrões querem que eles escrevam.
Isso quer dizer o seguinte: eles defendem os interesses particulares das empresas para as quais trabalham. Eles são, portanto, a voz do 1%.
Nunca foi tão claro isso. Compete aos jornalistas produzir, mecanicamente, textos, fotos, legendas, primeiras páginas e demais itens que compõem uma publicação. Mas não pensar. Não ter ideias.
As ideias são exclusividade dos donos. Os jornalistas não podem pensar diferente deles. Ou melhor: podem. Mas não podem transformar isso em reportagens, artigos, entrevistas etc.
Não é um trabalho exatamente excitante. É mais parecido com propaganda do que com jornalismo propriamente: você vende ao seu público, como se fosse sabonete, os interesses de um pequeno grupo que fez o Brasil ser o que é, a terra da desigualdade.
Quanto isso pode durar?
É verdade que a internet abre aos jornalistas uma nova possibilidade – defender coisas que vão além dos interesses do 1%.
Mas para quem está engaiolado nas corporações o prolongamento de uma situação em que pensar é proibido pode tornar a situação mais e mais exasperante.
Entendo que isso possa explicar, ao menos em parte, o desabafo franco – e talvez suicida – da ombudsman da Folha, Suzana Singer.
Ao comentar a cobertura de uma pesquisa sobre a situação dos brasileiros, ela se referiu ao tradicional “catastrofismo” da Folha.
Os destaques dados pela Folha foram, todos eles, negativos. As más notícias estavam longe de representar o conjunto. Isso significou que foi oferecido ao leitor um quadro distorcido.
O desafio de um editor é ajudar o leitor a entender o mundo. Uma das armas, para isso, é buscar uma visão de floresta sobre as coisas, e não se limitar a uma árvore ou outra.
A Folha fez o oposto. Se conheço a vida numa redação, os editores da reportagem sobre a pesquisa acharam que, pinçando as estatísticas ruins, estavam agradando a seus patrões.
O acúmulo deste tipo de expediente pode ter esgotado a paciência da ombudsman. Catastrofismo é uma acusação séria. É desvio de caráter numa publicação. Não é um problema ocasional. É um drama no dia a dia do jornal e, sobretudo, dos seus leitores.
Outro episódio que tinha me chamado a atenção, na mesma linha, foi uma surpreendente crítica de Ricardo Noblat no site do Globo a Joaquim Barbosa. Sempre tão obediente à linha de pensamento dos Marinhos, ali Noblat foi para o lado oposto.
Cansaço? Exaustão? Frustração? Alguma preocupação com a posteridade? Problemas de consciência?
Situações extremas não podem perdurar por muito tempo. O jornalismo chapa branca que se faz hoje nas redações brasileiras – um ofício em que você faz pouco mais que beijar as mãos dos donos – é a negação do real jornalismo.
A beleza do jornalismo é dar voz a quem não tem. O jornalismo brasileiro dá voz a quem tem o monopólio da voz.
Uma hora a gaiola fica incômoda demais, por maiores que sejam os salários.

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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As festas dos ricaços paulistas nos EUA

07.10.2013
Do BLOG DO MIRO, 06.10.13
Por Leonardo Sakamoto, em seublog:


Uma amiga postou este artigo publicado no New York Times que trata dos paulistanos que vão para Nova Iorque produzir suas caras festas: São Paulo Parties on the Hudson.

Viajar é legal. Balada é legal. Mas bom senso também seria legal.

De acordo com um dos entrevistados: “Pessoas gostam de ir a festas em Nova Iorque porque podem colocar suas jóias e vestir suas bolsas legais e não se preocupar”.

A ideia presente na frase não é novidade. Ricos podem fugir, o resto que se vire. Mas é sempre incômoda quando lembrada.

Como já disse aqui, não há uma única causa para a violência mas, com certeza, a desigualdade social e mesmo a sensação de desigualdade está entre elas. Os ricos se isolam, deixando-os alheios ao resto da cidade. Corta-se com isso a dimensão de reconhecer no outro um semelhante, com necessidades, e procurar um diálogo que construa algo e não destrua pontes. Há riscos? Sempre há, ainda mais em um território que muitos têm e outros minguam. Mas segregação piora o quadro.

Carros blindados levam para as ruas da cidade a sensação de encastelamento das mansões muradas e dos condomínios fechados. Sentimento falso, pois não são muros, arames farpados e chapas de aço que garantirão efetiva segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. Creio que, no final das contas, funciona como efeito placebo, mas, mais dia ou menos dia, a bomba estoura por perto.

Não estou culpando o proprietário da residência de buscar mais segurança para a família (é bom reforçar, considerando que há leitores com graves problemas cognitivos), mas se o arame não for suficiente qual será o próximo item instalado? Adotará técnicas já testadas e conhecidas, como caldeirões de chumbo derretido e arqueiros, ou abraçará de vez a tecnologia com o uso de canhões laser? O fato é que essa escalada, que caminha de mãos dadas com o discurso do medo, não tem limites. O que é ruim para os moradores e ruim para a cidade.

Temos que garantir liberdades individuais e a segurança de usufruí-las para todo mundo, ricos e pobres. Contudo, garantir o direito de sair sem ser molestado passa por ter uma sociedade menos desigual. As “hordas bárbaras” um dia vão se voltar contra os “cidadãos de bem”, ah vão. Ou o país será bom para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar o butim.

Dinheiro compra quase tudo, mas liberdade de verdade é tão barata…

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Chanceler brasileiro pede explicações ao Canadá sobre denúncia de espionagem

07.10.2013
Do blog ESQUERDOPATA


O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, convocou o embaixador do Canadá no Brasil, Jamal Khokhar, nesta segunda-feira, para prestar esclarecimentos sobre a denúncia de que comunicações eletrônicas e telefônicas do Ministério das Relações Exteriores foram alvo de espionagem por mecanismos da inteligência canadense. Em nota divulgada pelo Itamaraty, o ministro manifesta a “indignação” do governo brasileiro e classifica a ação de inaceitável e grave.

“O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, convocou hoje, 7 de outubro de 2013, o embaixador do Canadá em Brasília (Jamal Khokhar) para transmitir a indignação do governo brasileiro e requerer explicações sobre a notícia de que as comunicações eletrônicas e telefônicas do Ministério de Minas e Energia e de alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores estariam sendo objeto de espionagem por órgão de inteligência canadense”,diz o texto.

De acordo com a nota, Figueiredo classifica a ação de inaceitável e grave. “O chanceler brasileiro manifestou ao Embaixador canadense o repúdio do governo a essa grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas.”

A invasão foi revelada por documentos repassados ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald por Edward Snowden – ex-funcionário de uma prestadora de serviço da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos que revelou as ações de inteligência e hoje está asilado na Rússia. Conforme reportagem veiculada pelo programa de televisão Fantástico, da Rede Globo, a Agência Canadense de Segurança em Comunicação (CSEC, na sigla em inglês) teria espionado telefonemas, e-mails e sites na internet do ministério, que foram mapeados em detalhes. Os documentos não mostram se houve acesso aos conteúdos nem especifica o período em que as interceptações teriam sido feitas, mas trazem os contatos feitos pela pasta para órgãos dentre e fora do Brasil.

Cobrança

Em seu perfil no Twitter, a presidenta Dilma já havia dito, nesta segunda-feira, que o Itamaraty iria exigir explicações do Canadá a respeito de nova denúncia de espionagem, desta vez envolvendo o Ministério das Minas e Energia, cuja rede de dados teria sido invadida pela Agência de Segurança e Comunicação canadense.

“É urgente que os Estados Unidos e seus aliados encerrem suas ações de espionagem de uma vez por todas”, escreveu a presidente em seu perfil no Twitter. “A espionagem atenta contra a soberania das nações e a privacidade das pessoas e das empresas. Isso é inadmissível entre países que pretendem ser parceiros. Repudiamos a guerra cibernética.”

A pedido de Dilma, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou por meio de nota que vai reforçar os sistemas de proteção de dados da pasta após a denúncia de atos de espionagem do Canadá.

Reincidência

A denúncia se soma a outros dois casos em que documentos de Snowden apontaram espionagem do governo americano em território brasileiro: o da estatal Petrobras e o da própria presidente Dilma . Segundo o ex-presidente da Eletrobras Pinguelli Rosa, as informações podem servir a empresas que concorrem a leilões e podem dar vantagem competitiva a quem espiona.

As denúncias de espionagem da NSA levaram os Estados Unidos e o Brasil a um impasse diplomático. O Brasil exigiu um pedido formal de desculpas e Dilma cancelou sua visita de chefe de Estado aos EUA, a única oferecida pelo governo dos EUA a um líder estrangeiro, em outubro deste ano. Dilma também fez um discurso duro ao abrir o debate da 68ª Assembleia Geral da ONU .

Após chamar o episódio de “grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis” e uma “afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países”, a presidente anunciou que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet para assegurar a efetiva proteção dos dados que navegam pela internet. Neste domingo, Dilma usou o Twitter para fazer novas críticas à espionagem e cobrar explicações.
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Os sete erros da Via Mangue

07.10.2013
Do BLOG MOBILIDADE URBANA,06.10.13
Por Tânia Passos
Via Mangue - foto Cristiane Silva DP/D.A.Press
Via Mangue – foto Cristiane Silva DP/D.A.Press
Faltando sete meses para a obra da Via Mangue ser finalmente entregue surgem incertezas quanto a sua eficácia na melhoria do sistema viário ligando o Centro do Recife à Zona Sul. Especialistas apontam pelo menos sete erros na concepção do projeto orçado em quase R$ 400 milhões. O maior pecado da via, segundo eles, foi ter se afastado da concepção original do projeto desenhado, inicialmente, na década de 1970 pela Fidem e redesenhado nas décadas de 1980, 1990 e 2000.
O traçado já recebeu o nome de Via Costeira, Linha Verde, Via Metropolitana Sul e por último Via Mangue. Nas três versões anteriores, simuladas no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), havia um elemento que foi dispensado no projeto atual: a terceira ponte. Sem ela, o desenho da Via Mangue optou pela meia ponte, que se encontra com a Ponte Paulo Guerra, no Pina, (já saturada).
Ponte Agamenon Magalhães - Foto Nando Chiappetta DP/D.A.Press
Ponte Agamenon Magalhães – Foto Nando Chiappetta DP/D.A.Press
Outro equívoco foi projetar um sistema viário de retorno tendo como base um túnel que só atende em parte o fluxo que vai da Zona Sul para o Centro. Os nós da Via Mangue estão ainda nas suas duas extremidades – chegada e saída – e no trecho lindeiro à costa, que não tem opção da pista local e deve se transformar em mais problema com a mudança da ocupação dos espaços que a própria via deverá proporcionar. O assunto é tão polêmico, que os técnicos ouvidos preferiram não serem identificados.
Com 4,5 quilômetros de extensão, a via expressa compreende o trecho entre a Ponte Paulo Guerra, no Pina, e a Rua Antônio Falcão, em Boa Viagem, margeando a área de mangue. Os problemas no projeto já podem ser vistos nos viadutos construídos sobre a Antônio Falcão. Segundo um técnico do setor, que prefere não ser identificado, a Antônio Falcão funciona como um binário com a Félix de Brito, mas o viaduto construído passa por cima apenas da Antônio Falcão.
Via Mangue - nas imediações da Antônio Falcão - Arthur de Souza/Esp.DP/D.A Press.
Via Mangue – nas imediações da Antônio Falcão – Arthur de Souza/Esp.DP/D.A Press.
“É um descalabro de engenharia a chegada da Via Mangue na Antônio Falcão, e, quando chega na Félix de Brito, o elevado que faz o sentido inverso é curto e não permite uma continuação. Isso vai exigir um semáforo, e quem vier da Imbiribeira vai ficar parado debaixo do viaduto”, alertou o técnico. O erro foi também visto por um especialista que fez parte da gestão passada. “Foi observado que o viaduto estava mais curto, mas foram feitos alguns estudos e a decisão foi de manter o desenho”, revelou a fonte que também prefere não ser revelado.
Tem mais no desenho da Via Mangue, segundo os especialistas deveria haver uma pista local no trecho lindeiro à costa. “Ela é uma via que não deve permitir parada de carga e descarga. Mas como impedir a ocupação do trecho lindeiro? Será o mesmo problema que acontece hoje com a Conde da Vista e a Presidente Kennedy”, apontou o especialista, que também preferiu o anonimato. A via também só possibilita que o ciclista trafegue por ela tendo acesso pelo início ou fim da via.
Túnel da Herculano Bandeira e Avenida Antônio de Goes - Foto Nando Chiappetta DP/D.A.Press
Túnel da Herculano Bandeira e Avenida Antônio de Goes – Foto Nando Chiappetta DP/D.A.Press
A ponte
A Secretaria Municipal de Infraestrutura já admite que alguns erros precisam ser corrigidos. Um dos entraves já identificados foi no ponto de retorno do túnel, construído sob a Avenida Herculano Bandeira, porta de entrada do Pina. O túnel permite mais fluidez na via. Já a Avenida Antônio de Góes, via de saída do Pina, recebe o trânsito da própria Antônio de Góes e do túnel, que já está congestionando antes  de a via expressa ficar pronta.
“Acredito que uma alternativa é fazer o prolongamento do túnel. Não sou a favor do elevado, que será muito desconfortável para quem sai do túnel”, observou o engenheiro César Cavalcanti, coordenador regional da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP). O elevado é apontado como alternativa pelo técnico que participou da antiga gestão. “O prolongamento do túnel não era viável na época e não é agora. Tanto pelo custo como pelos transtornos no trânsito. A solução é um elevado longitudinal na Antônio de Góes”.
“Se tivessem feito a terceira ponte não haveria necessidade do túnel e nem mesmo do prolongamento do túnel ou da construção de um elevado. Isso não irá resolver por uma razão muito simples: as duas pontes já estão bastante saturadas”, apontou outro técnico do setor que também não quis ser identificado. Pelo projeto que foi simulado no PDTU de 2008 havia uma terceira ponte nas imediações da Compesa e antes do terreno da antiga Bacardi, onde hoje funciona o shopping RioMar.
No lugar dela foi construída a meia ponte estaiada, que se une à Ponte Paulo Guerra. ‘É uma ponte também pela metade que se liga a outra já saturada e ainda não é estaiada. É apenas uma ponte com os fios de aço suspensos. Para ser estaiada, o vão precisaria ser maior”, criticou um engenheiro em reserva.
A Secretaria de Infraestrutura prefere não adiantar que tipo de solução será dada. “Está sendo feito um estudo, que deve ficar pronto em 60 dias. Mas garanto que não ficará do jeito que está”, revelou o secretário Nilton Mota. Ainda segundo o secretário serão adotadas medidas emergenciais de engenharia de tráfego e algumas obras físicas antes de uma solução definitiva.

Conheça os sete erros da Via Mangue

1- Ausência de uma terceira ponte (prevista no PDTU de 2009)
2- Ponte estaiada (que não é estaiada)
3- Túnel da Herculano Bandeira (pela metade)
4- Viaduto do binário da Antônio Falcão (incompleto)
5- Ausência de uma pista local no trecho lindeiro à costa
6- Acesso para ciclistas apenas no início e no fim da via
7- Não serve como via metropolitana

Saiba Mais
Cronograma das obras

Abril de 2011 – início das obras
Setembro de 2013 era a previsão de conclusão
Abril de 2014 – novo prazo contratual para término das obras
Dezembro de 2013 – foi prazo solicitado pelo prefeito Geraldo Julio já descartado

Os números da Via Mangue

992 famílias que moravam em palafitas foram removidas
3 conjuntos habitacionais foram entregues em novembro de 2011
4,75 km é a extensão da via
60 km/h é a velocidade média prevista para a via
R$ 383 milhões é o custo da obra

Equipamentos

4 elevados vão compor o sistema viário
8 pontes estão incluídas no traçado
2 alças farão a ligação com a Ponte Paulo Guerra e o Temudo
1 túnel na Herculano Bandeira

Fonte: Prefeitura do Recife
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Com Marina no PSB, Campos joga xadrez refinado; e se Aécio Neves desistir?

07.10.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 05.10.13
Por Rodrigo Vianna
 
Confirmada a filiação de Marina ao PSB, Eduardo Campos mostra uma capacidade de articulação refinada. Mais que isso: mostra ser um jogador de xadrez com a habilidade dos russos, capaz de jogar agora, calculando os movimentos das peças três ou quatro lances adiante.

PT e PSDB tentaram submeter as candidaturas Campos e Marina à lógica da velha polarização entre tucanos e petistas… Ao PSDB, interessava a existência de várias candidaturas para dividir os votos, e assim forçar um segundo turno. Marina, indo para o PSB, quebra essa lógica. Mais que isso: ao escolher o PSB (e não o PPS) ajuda a consolidar um novo pólo, fora da órbita de tucanos e petistas.

Eduardo Campos tem sido muito habilidoso em seus movimentos. Aproximou-se de Aécio, mas sem ceder um milímetro de sua autonomia e de sua estratégia à lógica tucana. Saiu do governo petista, entregando os cargos, mas não atacou Lula nem o lulismo. Não aceitou a lógica do PSDB, de transformar-se em linha auxiliar do tucanato. Fez isso com maestria, apesar das defecções de Cid e Ciro no Ceará e de certo mal-estar com adesões conservadoras ao PSB Brasil afora.

Passada a eleição de 2012, eu já escrevera neste blog que o PSDB gostaria de transformar Eduardo Campos e o PSB em linha auxiliar do tucanato, mas era mais provável que acontecesse o contrário…

Claro, os tucanos têm máquina poderosa nos Estados, têm parceria com empresários, têm certa tradição. Mas não têm discurso. Eduardo Campos pode, sim, apresentar-se como o lulista que segue a admirar o legado do ex-presidente mas apostando em uma renovação, no tal “o Brasil pode mais”. Sozinho, talvez estivesse fadado a ser apenas coadjuvante, assumindo o papel de tirar 10% dos votos de Dilma no Nordeste (o suficiente pra levar a eleição e Aécio pro segundo turno). A parceria com Marina (quem será presidente e quem será vice?) faz com que Eduardo Campos e o PSB sejam muito mais que isso: transformam-se de fato no desaguadouro de uma “terceira via”.

Marina perde parte de sua aura de “reserva moral”, e de “diferente de tudo que está aí”. Enquadra-se na lógica eleitoral. Por isso, Eduardo Campos ganha muito mais que Marina com a parceria. Vira gente grande na política, ainda que Dilma siga favorita.

E quanto aos tucanos? Amigos mineiros juram que Aécio ainda vai desistir da candidatura a presidente, para se lançar ao governo mineiro em 2014. O PSDB está sem candidato em Minas, Pimentel do PT é o favorito. Seria um risco grande demais para Aécio perder o feudo mineiro, correndo ainda o risco de ficar em terceiro na eleição nacional.

Não foi por outro motivo que Serra decidiu ficar no PSDB. Serra está vivo. Aécio pode desistir, e aí os tucanos iriam com uma candidatura “guerreira” pra 2014. Veríamos de novo as jogadas e ações de Serra – que todos conhecemos.

Já vejo gente apressada supondo que Aécio e os tucanos poderiam fechar uma grende frente com o PSB já no primeiro turno. Não acredito que prospere. Para o PSB, seria bom ter o PSDB até o fim na campanha (com Serra ou Aécio). Campos /Marina tendem a gorma, anhar força se deixarem Serra ou Aécio batendo no PT, enquanto o PSB entraria só na “boa” – como “terceira via”. Aécio e o PSDB acabarão, nesse quadro servindo de linha auxiliar para o PSB.

De toda forma, Dilma segue favorita. Mas Campos e Marina (e não mais os tucanos) ganhariam cacife para constituir a verdadeira oposição pra 2018; longe do discurso ranheta e conservador, seria a construção de um “pós-lulismo” (contra Lula em 2018? Isso é que não encaixa bem…)

Por fim, o PT e seu marqueteiro precisam rever o discurso. João Santana deu uma entrevista lamentável, chamando os concorrentes de Dilma de “anões”. Soberba desse tipo foi o que levou a eleição de 2010 ao segundo turno.

Tucanos e petistas já não jogam sozinhos. Não adianta dizer que Campos e Marina fazem o jogo dos tucanos – como vejo alguns lulistas a berrar nas redes sociais. Além de inútil, essa gritaria não bate com os fatos. Campos e Marina não fazem o jogo dos tucanos. Fazem o jogo próprio – com um grau de autonomia que não permite chamá-los de “anões”, nem enquadrá-los no papel de coadjuvantes para levar tucanos ao segundo turno. O jogo ficou mais complexo, escapando (aparentemente) da velha polarização.

Resta ver como o eleitor reagirá a esse xadrez refinado.

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Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/com-marina-campos-joga-xadrez-refinado-e-se-aecio-neves-desistir-da-candidatura.html#more-22421