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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

APÓS GILMAR TEATRAL, BARBOSA DÁ INTERVALO: 5 X 4

12.09.2013
Do portal BRASIL247

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"Delinquentes!", esbravejou Gilmar Mendes; "foi montado um sistema para solapar a democracia", acentuou; "a sopesar os casos, o do Donadon teria de ir para um juizado de pequenas causas"; ele acentuou na ira contra os réus, citando casos de não admissibilidade "dessa modalidade arcaica de reclamação", como chamou os embargos infringentes; para ele, "o resto é lenda urbana", referindo-se a argumentações contrárias; "incongruência é do tamanho do mundo"; Marco Aurélio Mello, que fez apartes de concordância, é o próximo a votar; placar ficará empatado; decisão deverá vir da consciência do decano Celso de Melo, que já acatou enfaticamente os embargos em julgamentos anteriores; STF escrevendo a história

247 - Foi cuspindo fogo, como se diz na gíria, que o ministro Gilmar Mendes deu seu voto contra a admissão dos embargos infringentes. "São uma forma arcaica de reclamação", disse ele, enfileirando até mesmo o habeas-corpus na lista dos "muitos" recursos existentes na legislação brasileira. Ele sustentou que, se aceitos, poderiam passar a valer até mesmo para sentenças com "zero" voto de divergência. Ele se sentiu à vontade sendo duro. "Delinquentes", definiu, acentuando os votos de culpa que ele deu, mas que não foram seguidos pela unanimidade.

"Admitidos os embargos para quatro votos, por que não três, por que não dois, por que não um, por que não zeeeeeeero", perguntou Gilmar. Dramático. 

A sessão mais tensa da Ação Penal 470 caminha para um empate. Com o 5 X 4 marcado pelo voto de Gilmar Mendes, no que diz respeito à admissibilidade dos embargos infringentes, o próximo a falar será Marco Aurélio Mello.

Abaixo a posição de Gilmar Mendes:

Com ódio ao PT, Gilmar Mendes vota e marca 5 x 4

247 - Gilmar Mendes iniciou seu voto lembrando das 60 sessões já consumidas pelo Supremo Tribunal Federal na análise da Ação Penal 470. "Aceitos os embargos infringentes, teremos um STF.2", disse o ministro. "Ou um STF.3", brincou o presidente da corte, Joaquim Barbosa. Num voto em que enfatizou sua ojeriza ao PT, ele marcou 5 a 4, tornando a decisão emocionante. "O que fica claro é a confusão entre estado e partido", disse ele. "O crime de Donadon, que envolve uma fraude de R$ 8 milhões, deveria ser tratado em juizado de pequenas causas", disse Gilmar, quase aos berros. "É disso que estamos a falar". O ministro afirmou ainda que a CPI não avançou nos fundos de pensão – o que poderia ter revelado um escândalo ainda maior.

Assista ao vivo aqui a sessão do Supremo Tribunal Federal:

http://www.youtube.com/watch?v=rHT46GdE9gk

Abaixo a posição de Ricardo Lewandowski:

247 - A palavra agora está com o ministro Ricardo Lewandowski, que já ampliou o placar pró-réus para 5 a 3. "A possibilidade de embargar decisões não unânimes é da história deste tribunal", diz Lewandowski. "Esta suprema corte, quando examinou questões referentes a embargos infringentes, nunca questionou sua existência", lembrou Lewandowski, apontando ainda uma extensa lista de acórdãos que trataram do tema. Num deles, com voto de Celso de Mello. "Que didaticamente defendeu a existência dos embargos", disse ele. "Encontra-se em jogo o bem mais precioso de um indivíduo depois da vida, que é a sua liberdade", lembra Lewandowski.

Os próximos a votar serão Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, que negarão aos réus mais uma oportunidade de defesa. Portanto, a decisão final será do decano Celso de Mello, que, na própria Ação Penal 470, defendeu a existência dos embargos, de forma enfática (assista aqui). A grande incógnita é: será que Celso de Mello dará uma pirueta intelectual para revogar o que ele próprio disse?

Abaixo a posição de Carmen Lúcia:

A ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, já está proferindo seu voto sobre os embargos infringentes. Por ora, o jogo está 4 a 2 para os réus. "Todos os réus têm direito a ampla defesa", disse a ministra. "Há uma lei no Brasil que trata da ação penal originária no Supremo. E há o regimento do Supremo", afirma. Por ora, o mistério sobre seu voto permanece, mas há sinais de que votará com a acusação. "A competência normativa é do Congresso", afirma. Seu argumento tende a se amparar na tese de que a lei se sobrepõe ao regimento. Ela acaba de dizer que não conseguiu encontrar argumentos para acolher os embargos. Portanto, 4 a 3.

Abaixo reportagem anterior do 247:

Quem vai decidir o jogo?

Cinco juízes do Supremo Tribunal Federal protagonizam a partir das 14h30 de hoje um momento histórico na mais alta corte do país; no desfecho da AP 470, com aceitação ou não dos embargos infringentes pedidos pelo réus, o tribunal vai dizer até onde vão as garantias individuais e de ampla defesa não apenas dos envolvidos – mas de todos os cidadãos, tal a repercussão que imediatamente a decisão vai alcançar; o placar está 4 X 2 a favor dos embargos; Carmen Lúcia já está votando; acompanhe

247 – O capítulo final de uma longa novela jurídica – talvez a mais importante já escrita no Brasil com repercussão nos direitos e garantias individuais – termina hoje. A partir das 14h30, o plenário do Supremo Tribunal Federal se reúne para que cinco juízes encerrem a votação de aceitação ou não dos embargos infringentes pedidos pelos réus.

O placar está quatro a dois a favor dos embargados, tendo votado dos ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zascki, Rosa Webber e Dias Toffoli a favor do que, na prática, provocaria outro julgamento, garantindo aos réus que não tiveram condenação unânime um segundo momento de defesa. Contra isso, ou seja, pelo encerramento do processo com as condenações e penas já determinadas, sem direito a apelação, o presidente Joaquim Barbosa e Luiz Fux.

Chegou a vez de Carmem Lúcia, Marco Aurélio Mello, o revisor Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e o decano Celso de Mello darem seus votos. O revisor já declarou que aceita os embargos. O decano igualmente votou, com ênfase, no mesmo tribunal, a favor deles, mas, nesse caso, ninguém sabe se ele não quererá rever sua posição.

O voto do ministro Marco Aurélio Mello, ele próprio deu pistas, deve ser contra os embargos, mas o experimentado juíz gosta de manter o suspense e, também, surpreender. Gimar Mendes é favas contadas contra os embargos, apesar de, no passado, ter brilhado por suas posições "garantistas".

Nesse cenário com personagens, os embargos que já tem quatro votos a favor irá contar com o voto de Lewandowski. Serão cinco. Caso Marco Aurélio, Celso de Melo e Gilmar Mendes votem contra, serão outros cinco.

A grande incógnita é mesmo o voto da ministra Carmen Lúcia, que poderá desempatar esse jogo.
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ESTRATÉGIA É JOGAR DECANO PARA A PRÓXIMA SEMANA

12.09.2013
Do portal BRASIL247

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Com voto longo, um dos mais extensos de toda a Ação Penal 470, Gilmar Mendes fez um jogo combinado com o presidente da corte, Joaquim Barbosa; provavelmente, haverá tempo apenas para a fala de Marco Aurélio Mello, que levará o placar a 5 a 5; com isso, decisão ficaria com o decano Celso de Mello, mas Barbosa deve encerrar prematuramente a sessão, por volta de 18h, assim como fez ontem; resultado: o decano só votará na próxima semana, depois das capas que virão de Veja e Época e de diversos editoriais na imprensa; a aposta da ala acusatória do STF é que o decano não aguentará a pressão da mídia, tendo que votar com a faca no pescoço e, talvez, de joelhos

247 - Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, dificilmente votará nesta quinta-feira. Numa estratégia combinada pela ala acusatória da Corte, Gilmar Mendes pronunciou um dos votos mais longos de toda a Ação Penal 470, ao contrário dos demais ministros, que foram breves em suas falas. 

Com isso, depois do intervalo, só haverá tempo para o voto de Marco Aurélio Mello, que deve levar o placar sobre a admissibilidade dos embargos infringentes a 5 a 5. Assim como fez ontem, Barbosa deve encerrar a sessão pontualmente às 18h.

A decisão, assim, cairia nas mãos do decano Celso de Mello, que já se pronunciou, na própria Ação Penal 470, de forma enfática em defesa dos embargos (assista aqui). 

A aposta de Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa é que, ao empurrar o voto do decano para a próxima semana, haverá mais tempo para que ele seja pressionado pela mídia conservadora. Virão editoriais, capas de revistas e até abordagens pessoais clamando para que ele faça uma pirueta intelectual e mude seu voto.

Na prática, Gilmar e Barbosa trabalham para que o decano, suscetível à pressão midiática, vote com a faca no pescoço e negue o direito de defesa aos réus.

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Menina de 11 anos conta como fugiu de casamento forçado

12.09.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Menina de 11 anos conta, em vídeo, que fugiu de casa para não se casar: "Prefiro morrer". Depoimento é anterior ao caso de outra garota de Iêmen, de 8 anos, que repercutiu durante a semana

menina iêmen casamento forçado
Menina de 11 anos conta, em vídeo, como fugiu de um casamento forçado no Iêmen. Caso é anterior ao da menina de 8 anos que teria morrido em lua de mel com marido de 40 (Reprodução / Youtube)
A menina Nada al-Ahdal, de apenas 11 anos, fugiu de casa com medo de ser obrigada a se casar tão jovem. Em um vídeo, contou sua história e denunciou a situação pela qual meninas de seu país precisam passar. Já foi vista mais de 8 milhões de vezes no YouTube.
Nas imagens (com legendas em inglês), ela diz ter conseguido resolver seu problema ao fugir de casa. Muitas garotas, porém, não conseguem. “Elas podem morrer, cometer suicídio ou qualquer outra coisa que vier em mente. São apenas crianças, o que elas sabem? Não tiveram tempo de estudar”, diz Nada. “Algumas crianças decidem se jogar no mar. Estão mortas agora. Isso não é normal para crianças inocentes.”

Ela conta que fugiu da casa dos pais à procura de um tio que a apoia, e apresentou uma queixa na polícia contra sua mãe. “Não tive vida, educação. Eles não têm nenhuma compaixão? Eu prefiro morrer”, afirma a menina no vídeo. “Eu não vou voltar a viver com eles. Eles mataram nossos sonhos. Mataram tudo dentro de nós.”
Em entrevista a jornalistas, a mãe disse que a família não tem intenção de que a menina se case. Ela acusou o tio de influenciar Nada, inventando “a história do casamento para conseguir com isso o apoio de organizações internacionais”.
A menina esteve sob cuidados da União Iemenita de Mulheres. A mãe pediu que as autoridades do Iêmen devolvam a filha.
Assista abaixo ao vídeo:
O depoimento de Nada al-Ahdal é anterior ao caso que repercutiu esta semana de uma outra garota do Iêmen, de apenas 8 anos, que teria morrido durante a lua de mel com o seu marido de 40 anos. Relatos indicam que a menina sofreu hemorragia a partir de um sangramento uterino.
A prática do casamento arranjado é muito difundida no Iêmen e tem atraído a atenção de grupos de direitos humanos internacionais que buscam pressionar o governo a proibi-los.
com Agência EFE
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Jornalista e jurista consagrados reconhecem que Zé Dirceu é injustiçado

12.09.2013
Do blog MEGACIDADANIA, 10.09.13

ze-dirceu-injusticado

HILDEGARD E O LINCHAMENTO DE DIRCEU

A perseguição é lógica. Afinal, foi por obra, empenho, articulação e graça de Dirceu que Lula chegou a Presidente da República.
O Conversa Afiada reproduz, através do Portal Vermelho, texto de Hildegard Angel, extraído de seu blog.
Antes, amigo navegante, vale a pena ler o que já disse Hildegard sobre o assunto: “Hildegard e o “Mentirão” do STF”.
Vamos ao texto:

HILDEGARD ANGEL: NUNCA NO BRASIL UM HOMEM SOFREU TAL LINCHAMENTO

Ao fim da transmissão, na última quinta-feira [5], da sessão no STF [Supremo Tribunal Federal], Maria Alice Vieira, a colaboradora braço direito de José Dirceu, anunciou que todos os presentes ali reunidos no salão de festas do prédio do ex-Chefe da Casa Civil estavam convidados para retornar na próxima quarta-feira [11] e, juntos, assistirem novamente à próxima sessão, que provavelmente deverá julgar os Embargos Infringentes, assim todos esperam.
Por Hildegard Angel*, em seu blog
Havia no ar uma certa sensação de alívio. Alguém atrás de mim comentou: “Mais uma semana!”. O que entendi como “mais uma semana de esperança”.
O irmão de José Dirceu, Luís, que naquela manhã teve um mal estar cardíaco e precisou ser atendido numa clínica, veio me cumprimentar e agradecer o apoio, “em nome da família”. Gesto inesperado e tocante, de quem estava claramente emocionado.
José Dirceu é o que a literatura define como “homem de fibra”. Impressionante como se manteve e se mantém de pé, ao longo de todos esses anos, mesmo atacado por todos os lados, metralhado por todas as forças, todos os poderosos grupos de mídia, os políticos seus detratores, todas as forças da elite do país, formadores de opinião de todos os segmentos e matizes, de forma maciça e ininterrupta, massacrante.
De modo como jamais se viu uma pessoa nesta nação ser ofendida, ele vem sendo acossado, desmoralizado, num processo de demolição continuada, sem deixarem pedra sobre pedra, esmiuçando-se cada milímetro de sua intimidade, devassando, perseguindo, escarafunchado e, sem qualquer evidência descoberta, juízes o condenam proferindo frases do tipo “não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Nem mesmo o mais reles criminoso foi satanizado de tal forma ou sofreu linchamento tão perverso.
Com tal carga a lhe pesar sobre os ombros, ele não os curva. Às vezes mais abatido, outras aparentemente decepcionado, contudo sempre em combate, preparando-se para o momento seguinte. Não se queixa, não acusa, não lamenta, nem cobra a ausência de apoio daqueles que, certamente, deveriam o estar respaldando. É discreto. Não declina nomes. Nunca deixa transparecer quem está próximo dele, quem não. Um eterno militante de 68, que jamais despiu a boina.
“Família”, antes da reunião daquela tarde, em seu prédio, com os companheiros que o apoiam nessa via crucis penal, para juntos assistirem à transmissão da TV Justiça, ele almoçou em casa com suas três ex-mulheres, filhas, irmãos, uma confraternização familiar necessária para quem poderia, dali a algumas horas, escutar o pior dos resultados.
E lá estávamos nós, aguardando sua chegada, falando baixo, sem grande excitação no ambiente, enquanto um técnico ajeitava, no laptop, o projetor das imagens da TV que seriam exibidas na parede.
A diretora de cinema Tata Amaral fez uma preleção sobre seu filme “O grande vilão”, um documentário sobre esse período da vida de Dirceu, “o homem mais perseguido da história da República”, e distribuiu termos de autorização de uso de imagem para que os presentes, que assim o desejassem, assinassem. Pelo que percebi, todos assinaram.
Dirceu cumprimentou um por um, agradecendo a presença de todos. Parecia calmo ao chegar. E calmo permaneceu até o final. Quando se despediu de mim, José Dirceu disse, elogiando: “O ministro Barroso estava certo, quando defendeu a suspensão da sessão até a próxima semana”.
Ele se referia à argumentação do ministro Luis Roberto Barroso, que, para garantir aos advogados plena defesa dos réus, usou a frase “seria gentil e proveitoso dar aos advogados a oportunidade de apresentar memoriais”. Ponderação que o presidente Joaquim Barbosa acolheu muito a contragosto.
Na próxima semana, estaremos lá todos com você de novo, José Dirceu. Acredito em sua inocência. Acredito em Mentirão, não em Mensalão, que para mim existe muito mais para desqualificar a luta dos heróis e mártires da ditadura militar do que para qualquer outra coisa. Mais para justificar o apoio dado pela direita reacionária de 1964 – as elites e a classe média manipulada – ao totalitarismo que massacrou nosso país, tolheu nossa liberdade e nosso pensamento, dizimou valores, destruiu famílias, acabrunhou, amedrontou, paralisou, despersonalizou e tornou apático o povo brasileiro por duas décadas.
E como alvo maior desse processo de desqualificação reacionária, que ressurge como um zumbi nostálgico assombrando o país, foi eleito José Dirceu, o qual, como bem analisa o cineasta Luiz Carlos Barreto, cometeu o grave delito de colocar no poder um sindicalista das classes populares, o Lula.
Pois foi por obra, empenho, articulação e graça de José Dirceu que Luís Inácio Lula da Silva chegou a Presidente da República. E chegou com um projeto político de sucesso, bem estruturado, com um discurso certo, que alçou Luís Inácio não só a um patamar diferenciado de Estadista em nossa História, como também a um conceito internacional jamais alcançado por um Chefe de Estado brasileiro.
Grande parte disso tudo pode ser creditada (ou, segundo interpretação de alguns, debitada) a José Dirceu.
Motivos não faltaram nem faltam para essa obsessão de tantos por destrui-lo.
* Hildegard Angel é jornalista. Filha da estilista Zuzu Angel e irmã do ex-militante político Stuart Angel Jones – ambos mortos durante a ditadura militar brasileira
Clique aqui para ler “Wanderley: Mensalão tem de ser revisto”.
aqui para ler “Dirceu a Edu: ‘Luta pela Justiça’.”

"PRESSUPOSIÇÃO FUNDOU CONDENAÇÃO DE JOSÉ DIRCEU"

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Quem defende é o advogado e professor emérito da PUC-SP Celso Antônio Bandeira de Mello, em artigo publicado no site Consultor Jurídico; segundo ele, "o mero fato de sua condenação fundar-se na posição que ocupava e na suposição de que deveria conhecer os mal feitos apontados vale como prova cabal de que nada foi contra ele [Dirceu] encontrado"; texto lembra que "todos os povos civilizados consagram a obrigação de que os réus sejam submetidos a mais de uma instância de julgamento", direito que foi privado dos réus da Ação Penal 470 ao serem julgados no STF
247 - A condenação de José Dirceu ser baseada no fato de que, por ocupar a posição que ocupava - o cargo de ministro-chefe da Casa Civil - ele deveria ter conhecimento de tudo, "vale como prova cabal de que nada foi contra ele encontrado", avalia o advogado e professor emérito da PUC-SP Celso Antônio Bandeira de Mello, em artigo no site Consultor Jurídico.
Bandeira de Mello lembra, ainda, que "todos os povos civilizados consagram a obrigação de que os réus sejam submetidos a mais de uma instância de julgamento", direito que foi privado dos réus da Ação Penal 470 ao serem julgados diretamente pela corte suprema do Brasil. Leia abaixo seu artigo:
Pressuposição fundou condenação de José Dirceu
O Poder Judiciário, como toda e qualquer realização humana, está sujeito às mesma falências e imperfeições a que o ser humano está sujeito. Não é porque alguém é juiz, mesmo que da mais alta corte do país, que escapa das insuficiências, defeitos, paixões ou mesmo simples condicionantes capazes de virem a tisnar a atuação dos homens em geral e, por conseguinte, a do próprio Judiciário, interferindo com a isenção, equilíbrio e serenidade que deveriam caracterizar tal Poder.
Este é um motivo, embora não o único, pela qual o chamado duplo grau de jurisdição é importantíssimo para ao menos tentar prevenir ou minimizar a realização de injustiças, de decisões suscitadas por alguma destas indevidas causas prejudiciais ao cumprimento do Direito. Por isto, todos os povos civilizados consagram a obrigação de que os réus sejam submetidos a mais de uma instância de julgamento, sendo excepcionalíssimos os casos em que há dispensa desta exigência.
A Constituição brasileira não foge a este padrão. Assim, justamente por ser incomum a transgressão deste valioso principio, é que foi necessária a previsão constitucional do artigo 101, I, "b", para que titulares de certos cargos fossem diretamente julgados pelo Supremo Tribunal Federal, com o que ficaria suprimida pelo menos uma instância de apreciação da matéria. Sem embargo, ao arrepio dele, no julgamento da Ação Penal 470, vulgarmente conhecida, sob os auspícios da imprensa, como mensalão, todos os réus, mesmo quando não se enquadravam na hipótese deste dispositivo, foram privados desta garantia elementar. Nenhuma justificativa prestante de Direito foi apresentada para fundar tão esdrúxulo comportamento.
Ao serem apreciados os embargos interpostos pelos condenados, o STF volta a reconsiderar parcialmente a matéria, sem que se possa, contudo, falar em duplo grau, pois é o mesmo órgão que a apreciou originalmente e que por força de vias recursais volta a examiná-la. Dantes o julgamento esteve intoxicado por um clima emocional provocado não pela suposta "opinião pública", como muitas vezes se diz, mas, na verdade pela "opinião publicada", visto que é a ela que se atribui tal qualificativo.
Já agora, conquanto ainda não dissipada a mesma ambiência, pelo menos ela não tem mais a desabrida intensidade anterior. É de presumir, portanto, que o peso da vontade da imprensa não tenha a incomensurável força anterior. Não se pretende aqui rememorar as posições que vieram a ser adotadas em desacordo com nossa tradição jurídica, mas simplesmente focar um único caso, por ser, possivelmente, o mais extremado exemplo de descompasso com o que até então se tinha como óbvio. A saber: os réus devem ser considerados inocentes até prova em contrário. Ninguém poderá ser condenado meramente com base em suposições e muito menos por presunção de que a autoridade superior, apenas por sê-lo, deve ser considerada incursa em crime imputado a subordinados seus como se existira uma responsabilidade objetiva inculcável a quem ocupe a cúpula de um organismo público. Aliás, se este fosse o princípio adotável teria de ser levado, embora absurdamente, a suas últimas consequências.
Ora, foi precisamente uma pressuposição de tal ordem que fundou a condenação do ex-ministro José Dirceu. Com efeito, se algo existira contra ele, se alguma conduta reprovável lhe fosse direta e pessoalmente irrogável ela teria sido apontada e esmiuçada. O mero fato de sua condenação fundar-se na posição que ocupava e na suposição de que deveria conhecer os mal feitos apontados, vale como prova cabal de que nada foi contra ele encontrado. No mínimo, então, a penalização que se lhe atribuiu teria de ser muito mais leve e não equiparável a sanções que se aplicam em face de crimes gravíssimos. Este segundo exame da Corte Suprema, é pois, a ocasião adequada para corrigir-se o excesso e as singularidades que levaram um jurista ilustre e hoje membro daquela corte a mencionar o julgamento da Ação Penal 470 como "um ponto fora da curva".
Fontes:
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Conheça 7 ataques químicos que EUA se negam a comentar

12.09.2013
Do portal OPERA MUNDI, 09.09.13
Por Dodô Calixto | Redação   

Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar
1. O Exército norte-americano no Vietnã. Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litros aproximadamente - de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja - poderosa arma química disparada durante o conflito.

@policymic
Aviões norte-americanos sobrevoando território do Vietnã

2. Israel ataca população palestina com Fósforo Branco. Segundo grupos ligados aos direitos humanos - como Anistia Internacional e Human Rights - o material altamente venenoso foi disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros das Forças Armadas admitiram os disparos. Clique aqui e veja a reportagem.

3. Washington atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004. Jornalistas que participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o local ou criar cortinas de fumaça". No entanto, o documentário “Fallujah, o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA admitindo o episódio. Crianças e mulheres foram as principais vítimas.

@policymic
Ação militar no Iraque em 2004

4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas. Documentos da Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou tropas do Iraque em um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência dos gases venenosos.

5- EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis. No começo da década de 50, o Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros populares de St. Louis - caracterizados por ter maioria negra. O governo disse aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação "contra ameaças russas". No entanto, a substância atirada na atmosfera continha gases sufocantes. Após os testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há informações oficiais do número de pessoas vítimas do ataque químico.


@policymic
Imagem histórica de inspetores de Washington preparando o teste químico em bairro de St. Louis

6 - Exército norte-americano bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003.  A cruzada de Washington à procura de armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material Radioativo.

@policymic
Bombas norte-americanas massacram milhares de japoneses durante a Segunda Guerra Mundial

7- Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945. Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército norte-americano derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar 100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de residências

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BOICOTE AO "MAIS MÉDICOS: O vandalismo dos "white blocs"

12.09.2013
Do blog ESQUERDOPATA
Por Luciano Martins Costa em 11/09/2013 no programa nº 2147do Observatório da Imprensa 


O "White bloc" também vandaliza 

Ouça aqui:

O Conselho Regional de Medicina do Ceará obteve liminar em ação na qual requer o direito de negar registro provisório aos profissionais inscritos no programa Mais Médicos.

A representação dos médicos no Espírito Santo protocolou processo no mesmo sentido, e tudo indica que a iniciativa vai se repetir em outros Estados, numa sucessão de manobras com a intenção declarada de atrasar e desmoralizar o projeto governamental.

O Ministério da Saúde sentiu o golpe e seus porta-vozes demoraram a acreditar que as entidades corporativistas da medicina brasileira chegariam a esse ponto.

Não deveria haver surpresas.

As entidades que representam os médicos brasileiros se revelam desde o anúncio desse programa como uma versão em branco dos "Black blocs",  que se apropriaram das manifestações de rua após o refluxo dos protestos de junho.

Como os vândalos encapuzados, eles representam agora uma confraria que pode ser chamada de "White blocs": priorizam a ação sobre a reflexão, se destacam pela tática da agressão, mas a partir de suas iniciativas não se pode identificar qual é sua estratégia.

Provavelmente porque não possuem uma estratégia eticamente defensável.

O chamado "bem comum", genericamente invocado para justificar bandalheiras e iniciativas contra o interesse coletivo, está presente tanto nos manifestos das entidades médicas como nas palavras-de-ordem tartamudeadas pelos aloprados que saem às ruas em busca de adrenalina.

A mídia tradicional condena liminarmente os "Black blocs", mas oferece amplo espaço para as entidades da medicina privada que pretendem pontificar sobre saúde pública.

Os dois fenômenos são muito parecidos na tática e no que pode vir a resultar de suas ações.

A imprensa critica os predadores mascarados porque atacam bancos e representações do poder público, mas não se vê nos jornais nem na televisão a imagem dos jovens "Black blocs" que, na manifestação do dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, erguiam cartazes com o retrato do general Emilio Garrastazu Médici e pediam a volta da ditadura.

A imprensa poupa os "White blocs" porque são mais uma oportunidade de proselitismo político.

Estratégia dissimulada

A grande diferença entre esses "blocs" aparentemente tão díspares quanto o branco e o preto é que os "Black blocs" não têm um objetivo além da negação.

Sua mensagem é a ação, e violência é o máximo que podem produzir em termos de proposta política - mas embora possam parecer um sistema estruturado, não o são. Seriam mais apropriadamente descritos como um programa de destruição que se estrutura aleatoriamente pela ação.

Já os "White blocs" são um sistema estruturado e desestruturante.

Organizam-se em torno de uma agenda específica e pretendem desfazer aquilo que parece ameaçador a seus interesses como conjunto corporativista.

Nenhum dos dois grupos pode revelar sua estratégia.

Os "black" porque não a possuem, os "white" porque não podem revelar que se colocam liminarmente contra ações emergenciais destinadas a amenizar os carências da saúde pública.

O interessante é que, no conjunto, as iniciativas dos dois agrupamentos parecem produzir um efeito contrário: os grupos de predadores são repudiados pelos movimentos sociais; a tática das entidades médicas parece aumentar a aprovação da sociedade ao programa de envio de profissionais de saúde para os lugares desassistidos.

Os jornais desta quarta-feira (11) reproduzem resultado de pesquisa realizada por iniciativa da Confederação Nacional do Transporte.

O Estado de S. Paulo afirma: "Pactos ajudaram Dilma, diz pesquisa".

A Folha de S. Paulo anuncia: "Aprovação do governo Dilma sobe 7 pontos desde julho, diz pesquisa".

O Globo é mais direto: "Mais Médicos ajuda popularidade do governo Dilma".

Os três diários se veem obrigados a registrar que, embora aos trancos e barrancos, a resposta do governo atende parte das reivindicações.

É bastante provável que o governo federal só tenha se movimentado, dando partida ao programa Mais Médicos e outros projetos que vinham se arrastando na lenta burocracia de Brasília, por causa do impacto das manifestações de junho.

Pode-se afirmar, por outro lado, que o governo bate cabeça e demonstra pouca agilidade e firmeza em muitas questões que foram levadas às ruas, como a reforma política.

Mas a violência dos "Black blocs" e as chicanas dos "White blocs" não são alternativas aceitáveis.

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Homem rouba para ser preso e ter médico. O modelo americano de saúde

12.09.2013
Do blog TIJOLAÇO, 25.08.13
Por Fernando Brito

bkamerica

Homem rouba para ser preso e ter médico. O modelo americano de saúde

A cena se passou sexta-feira, nos Estados Unidos, paraíso do pensamento “coxinha” brasileiro.
Timothy Dean Alsip, 50 anos, entra numa agência do Bank of America filial, em  Portland e entrega um bilhete a um dos caixas.
“Isto é um assalto. Entregue-me um dólar”. 
Depois de receber o dólar, Alsip sentou-se no hall de entrada e esperou a polícia, disseram funcionários segundo o jornal OregonLive .
Quando os policiais chegaram ao banco, o Alsip disse que era um “sem teto”  e precisava de assistência médica. 
Como resultado, ele foi jogado na cadeia do condado de Clackamas sob a acusação de roubo em segundo grau com uma fiança de US $ 250 mil.
É a isso que leva um sistema privadíssimo de saúde como o americano, onde a direita se insurge contra qualquer tentativa de medicina pública.
Mas está tudo dentro da lei, como exigem  alguns doutores de jaleco branco ou de toga negra.
Obscurantistas, como os monstros da Idade Média, sobre os quais o Giordano Bruno – o da peça de Bertold Brecht – teve de dizer o seu “eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a miséria da existência humana”.
Também nós não devemos ter medo de falar, se não nos fizerem como ao Bruno em Roma, pondo-lhe um pedaço de madeira como rolha à boca.
A ciência, muito menos a ciência médica, pode ser evocada para justificar o abandono de seres humanos.
Idem a lei.
Ambas, se não trabalham pelo ser humano, são odiosas e desprezíveis.
PS. Obrigado a @MoniquePrada pela pauta original
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Não bastam “Mais Médicos”, é preciso “Algum Caráter”

12.09.2013
Do blog TIJOLAÇO, 11.09.13
Por Fernando Brito

uol
A notícia entrou ontem à noite no UOL: o médico brasileiro Patrick Henrique Cardoso foi afastado do “Mais Médicos” por ter, três dias depois de começar a trabalhar num posto de saúde na periferia de Brasília, se declarado “de férias”, abandonado o posto e viajado para os Estados Unidos.
Sim, “pediu” licença, concedeu-a a si mesmo e foi.
O UOL, apesar de ter visitado a página de Patrick Henrique Cardoso – isso não é um nome, é uma definição! – não diz que ela é um amontoado de campanha contra o Mais Médicos, contra os profissionais cubanos, contra o governo e um amontoado de “coxices”. Parece um “white bloc”.
É obvio que o “Dr. Patrickinho” não pretendia atender na periferia, com esse programa. Foi apenas para tumultuar.
Veio-me à cabeça o artigo do correto e respeitável médico Dráuzio Varella que, apesar de defender a vinda dos médicos estrangeiros, critica o  Governo pela “esperteza de jogar o povo contra a classe médica”.
Dr. Drauzio, com todo o respeito, quem está jogando o povo contra a classe médica são os “patrickinhos” que agem assim e de mil outras maneiras, como temos visto. Contra eles, não se vê sequer uma reação “ética” corporativa, nenhuma vaia, nenhum cartaz, nenhuma crítica.
O restante do artigo tem observações corretas e não há nenhuma dúvida de que o programa não é uma solução estrutural para a saúde brasileira, mas uma emergência. Afinal, como diz o próprio Dr. Dráuzio, “é melhor um médico com formação medíocre, mas boa vontade, do que não ter nenhum, ou contar com um daqueles que mal olha na cara dos pacientes”.
Nem podemos afirmar que estes têm formação medíocre nem, como o autor do artigo admite, que os formados aqui não sejam medíocres.
Quanto ao “improviso”, e isso ter sido uma “resposta às manifestações”, eu sugiro que o Dr. Dráuzio peça ao Ministério da Saúde a cópia dos processos administrativos nos quais se tratou dessa questão. Um deles, há bem mais de um ano, passou em minhas mãos, porque tratava do registro junto aos conselhos e o encaminhei à representante da Advocacia Geral da União pedindo muita atenção ao tema, porque sabia que a reação corporativa iria ser imensa. A ideia de os contratos terem a forma de “bolsa”, em parte, visava superar – quanta ingenuidade tivemos! – essa objeção das entidades médicas.
Sendo um médico honrado, capaz de examinar a ação médica a partir do interesse humano, o Dr. Dráuzio verá que não houve oportunismo, embora tenha havido oportunidade, porque é muito bom exigir saúde “padrão Fifa” quando se esquece de que ela não pode prescindir, de jeito algum, de médicos.
E o fato, que o Dr. Dráuzio já tantas vezes mencionou, é que os médicos brasileiros – nem os recém-formados como este Dr. “Patrickinho” – não querem trabalhar em locais distantes. Alguns, nem mesmo em lugares próximos e pobres.
E se prestam ao papel de verdadeiros agentes provocadores, para tumultuar o Mais Médicos e desacreditá-lo.
Quem, afinal, está fazendo demagogia com a saúde pública?
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Fonte:http://tijolaco.com.br/index.php/nao-bastam-mais-medicos-e-preciso-algum-carater/

O que realmente aconteceu no dia 7 de setembro? Devemos estar atento às manobras que ameaçam a democracia no Brasil

12.09.2013
Do portal do SINDSPREV, 10.09.13
Por  Edmundo Ribeiro,  da Redação
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Existe uma diferença enorme entre as manifestações legítimas de movimentos organizados da sociedade e “protestos” orquestrados por grupos que têm apenas o objetivo de criar um clima aparente de instabilidade social e política no País.
 
Grupos incentivados direta ou indiretamente pelos mesmos protagonistas do Golpe de 1964, entre eles, os jornais e emissoras de TV que apoiaram a sangrenta ditadura militar instalada no Brasil (1964-1985) e outros países da América Latina.
 
Nesta semana, manifestantes legítimos do povo chileno foram às ruas para lembrar as atrocidades cometidas no nosso país vizinho à época do regime de exceção (1973-1990). Amanhã, 11/09, faz 40 anos que foi derrubada a democracia no Chile, com a deposição violenta do presidente Salvador Allende, eleito pelo voto direto da população.
 
Temos o dever cívico de repudiar qualquer tentativa de quebra da ordem constitucional, de interrupção do nosso processo democrático ainda em construção, como os recentes golpes ocorridos em Honduras e Paraguai, articulados por empresários e políticos de direita, com apoio dos Estados Unidos. Não é à toa que o governo dos EUA vive espionando todo mundo no mundo todo.
 
Qualquer pessoa ou grupo social pode discordar do atual governo federal e dos governos estaduais e municipais. É salutar e legítimo exigir mudanças, maiores avanços nos serviços públicos, nas áreas sociais, na distribuição de renda e na inclusão social. É importante fazer pressão para que as transformações aconteçam.
 
Em relação aos protestos ocorridos, principalmente a partir de junho deste ano,  podem ser observadas várias nuances, que precisam ser analisadas de forma criteriosa. A maioria dos manifestantes tem objetivos justos e pacíficos de exigirem mudanças, apesar da diversidade de grupos e de reivindicações.
 
Por outro lado, os protestos não podem ser descaracterizados ou usados por grupos de direita golpistas que querem voltar ao poder a todo custo, inclusive divulgando falsos dados e cenários para tentar ganhar apoio de parte da população.
 
Foi o caso da fracassada tentativa do dia 7 de setembro, denominada de  “O maior protesto da história do Brasil”, difundido pelas redes sociais e alardeado pela “grande” mídia, principalmente pela Rede Globo e Globo News. Não teve adesão popular, apesar da imprensa conservadora ter potencializado a divulgação e cobertura do que não chegou a acontecer.
 
Por outro lado, a mídia não deu o mesmo destaque para as diversas manifestações do 19º Grito dos Excluídos, organizados pelas pastorais, movimentos sociais e sindicais, paralelamente às comemorações oficiais do dia 7 de Setembro. Não tiveram participação massiva, mas apresentaram objetivos transparentes e denúncias contundentes.
 
Juntamente com as organizações e movimentos de esquerda, nós do Sindsprev-PE, vamos continuar presentes na luta, participando dos protestos autênticos que objetivam maiores avanços sociais e econômicos para todos os brasileiros.

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