terça-feira, 10 de setembro de 2013

Michelle Bachelet volta ao local onde foi torturada após o golpe de 1973

10.09.2013
Do portal OPERA MUNDI
Por Redação(*) | São Paulo 

Ex-presidente chilena foi parque onde funcionava centro de extermínio em que 229 morreram ou desapareceram


A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet visitou nesta terça-feira (10/09) lugar onde ela e a mãe, Ângela Jeria, foram torturadas após o golpe de Estado que Augusto Pinochet liderou em 1973 para derrubar o governo de Salvador Allende. Nesta quarta (11), o golpe completa 40 anos.

Agência Efe
Michele Bachelet se emocionou durante visita a antigo centro de tortura

O local é hoje o Parque da Paz Vila Grimaldi. Antigamente, era um centro de extermínio e tortura, no qual 229 prisioneiros foram assassinados ou desapareceram. Segundo os dados oficiais, 4,5 mil prisioneiros políticos passaram pela Vila Grimaldi entre 1973 e 1977.

Durante o ato realizado no parque para marcar o aniversário do golpe, Bachelet estava visivelmente emocionada e, no final, ainda deixou um cravo vermelho no chamado Muro dos Nomes. Nesse muro, sob o verso de Mario Benedetti - "O esquecimento está cheio de memória" -, estão gravados os nomes dos prisioneiros executados e desaparecidos no lugar, denominado "Quartel Terranova" pela polícia secreta da ditadura.

"Uma ferida que se mostra suja e contaminada não se cura", declarou Michelle Bachelet, cujo pai, um general da Força Aérea que se opôs ao golpe de Pinochet, morreu na prisão em março de 1974.

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"Nunca me custou estar aqui", ressaltou a ex-presidente socialista (2006-2010) em declarações após a cerimônia. "Claro que há emoções, há lembranças que voltam e outras que ficam onde estiveram", completou.

"Voltei hoje também em qualidade de sobrevivente da Vila Grimaldi, o que, por um lado, traz a memória de tudo o que foi vivido por milhares de compatriotas (...). Como assinalamos nestes últimos dias, temos a necessidade de seguir avançando em um reencontro que só é possível sobre a base da verdade e a justiça", concluiu.

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Marquesa de Santos foi a primeira "mensaleira" do Brasil

10.09.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO
Por Cláudio Lembo

Em passado próximo, existiam personalidades públicas que se jactavam por roubar, mas fazer. Antigamente bastava um bom advogado e trânsito social para ser absolvido

marquesa de santos mensalão
Marques de Santos em torno dos 29 anos de idade, c.1826 (Arquivo)
Quando se fala tanto em mensalão, como sinônimo de corrupção específica, é bom recordar determinadas verdades. A corrupção é agente desintegrador das mais sólidas sociedades.
Se não combatida, leva à fragilidade moral de pessoas e do próprio corpo social. É maligna. Em todos os cenários. Desde a infração de trânsito até os acertos escusos em vultosos contratos, a corrupção é sempre daninha.
O Supremo Tribunal Federal é hoje instrumento decisivo no combate à imoralidade pública. Provocado pelo Ministério Público, vai à busca da verdade e, se captada a corrupção, condena sem rodeios.
Nem sempre foi assim. Em passado próximo, existiam personalidades públicas que se jactavam por roubar, mas fazer. Outros, durante anos, negaram a existência de contas em seus nomes no exterior.
Melhorou-se muito. Há vinte e cinco anos – desde a promulgação da Constituição de 1988 – as instituições se fortificaram e já se pode ver bandidos travestidos em políticos na cadeia.
É novidade. Antigamente bastava um bom advogado e trânsito social para ser absolvido. São numerosos os casos em que a prescrição era atingida pela passividade do Judiciário.
É novidade. Antigamente bastava um bom advogado e trânsito social para ser absolvido. São numerosos os casos em que a prescrição era atingida pela passividade do Judiciário.
Ainda há, nos escaninhos da Administração, muito joio. Já se pode, porém, diferenciá-lo do trigo, ou seja, dos bons servidores públicos. São muitos. No passado foi pior.
A ausência de concurso público e de legislação específica sobre a improbidade administrativa marcou a vida remota do País. Basta vasculhar arquivos ou velhos livros de História e esta triste verdade surgirá.
Vive-se o entorno do centésimo, nonagésimo primeiro ano do Brasil independente. Uma data a ser comemorada e recordada em todos os seus contornos.
Ai é que está o problema. Proclamada a libertação política, os brasileiros apressaram-se em ter uma Constituição. Encontravam-se eufóricos com o ato de Pedro I. Desejavam consolidar o Estado nascente.
Para se constituir o Estado nacional era preciso conferir um arcabouço jurídico. Instalaram uma Assembléia Nacional constituinte que acumulou funções legislativas ordinárias.
Os trabalhos corriam com dificuldades. Não havia experiência parlamentar. Ainda assim, temas importantes avançaram. A liberdade religiosa foi um deles.
Lutou-se muito por uma imprensa livre. E, a liberdade, durante o curto tempo dos trabalhos constituintes, foi plena. Inúmeros jornais circulavam no Rio de Janeiro e nas provinciais.
Estes foram um dos motivos da dissolução da constituinte pelo primeiro Imperador. O outro motivo é ainda mais grave. Havia por parte dos portugueses a intenção de voltar a unir Portugal e Brasil.
Muitas artimanhas foram utilizadas. Conflitos de rua. Jornais agressivos. Incorporação de militares lusos às tropas nacionais. No entanto, o mais grave motivo foi apontado pela Imperatriz Leopoldina a José Bonifácio de Andrada e Silva.
Segundo depoimento da época, os inimigos da constituinte utilizaram uma forma escusa para atingir o objetivo de encerrar os trabalhos da primeira Assembleia.
Teria a Imperatriz, por carta, afirmado que a Marquesa de Santos, Domitila de Castro Canto e Silva, recebeu a importância de doze contos de reis para influir no ânimo de seu companheiro, o Imperador.
Este mensalão do Primeiro Reinado foi escancarado por Vasconcellos Drummond: Com apoio de Domitila “… tudo se fazia, e ela vendia os seus favores a quem os queria comprar por dinheiro.”
Foi um triste começo. As figuras principais da época envolveram-se em negócios escabrosos. Influíram no ânimo do Imperador na busca do primeiro ato autoritário da nossa História.
Não bastou esta façanha. Foi a amada do Primeiro Reinado a primeira mensaleira. Uma lástima.
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Para muçulmanos da Síria, Bíblias são “mais perigosas que armas químicas”

10.09.2013
Do portal GOSPEL PRIME,
Por Jarbas Aragão

Combatentes jihadistas fazem vídeo de materiais cristãos confiscados


Para muçulmanos da Síria, Bíblias são “mais perigosas que armas químicas”Bíblias são "mais perigosas que armas químicas", dizem muçulmanos
Nos últimos dias um vídeo feito por soldados islâmicos que travam uma guerra civil na Síria foi amplamente divulgado no mundo árabe. Em um local não identificado, na cidade de Jarablus, todo o material cristão encontrado pelos soldados foi reunido e, sobre ele, um aviso: “Nação de Maomé, acorde, pois há coisas mais perigosas que armas químicas. Cuidado com a campanha de cristianização!”.
Um narrador mostra todo tipo de literatura, incluindo folhetos, cópias do Evangelho de João, do Novo Testamento e da Bíblia, além de material para evangelização de crianças, que vem junto com uma espécie de bolinho. A voz do vídeo, explica: “Eles exploram as necessidades dos cidadãos sírios, a fim de difundir o pensamento cristão”. Chama ainda os saquinhos com bolos de “derivado da carne de porco”, fornecido “para enganar as crianças ingênuas”. O porco é considerado pelos árabes um animal imundo.
A maioria dos membros do exército rebelde sírio estão ligados ao grupo terrorista islâmico Al-Qaeda. Os jihadistas defendem o fim da “tolerância” histórica do governo sírio com os cristãos, que são menos de 10% da população. Há soldados que foram recrutados em diversos países árabes para lutar contra as forças leais ao presidente Bashar al-Assad. Desde que foram divulgadas na semana passada imagens de pessoas mortas por armas químicas, os Estados Unidos e outros países falam em intervenção militar na Síria.
Neste final de semana, a aldeia cristã de Maaloula foi dominada por centenas de rebeldes que gritavam “Alá é grande”, enquanto atacavam casas de cristãos e igrejas durante a noite, executando pessoas no meio da rua. Segundo o jornal inglês Daily Mail, cristãos relataram que esses soldados rebeldes agarraram moradores e os levaram a locais públicos gritando: “Ou você se converte ao islamismo ou será decapitado”.
As imagens dos últimos dias no país enviam duas fortes mensagens ao mundo: os rebeldes estão mais próximos que nunca de tomarem a capital e os rebeldes extremistas muçulmanos tentarão eliminar os cristãos da Síria.
O presidente Obama aguarda apenas uma autorização do Congresso, que pode ser emitida ainda esta semana. Curiosamente, entre os evangélicos americanos cresce o número de estudiosos que veem essa guerra como um dos sinais do iminente retorno de Cristo. A maioria aponta para profecias envolvendo a Síria que seriam um prenúncio do Armagedom, a batalha final.
O professor e teólogo Joel C. Rosenberg, assevera: “O contexto de Isaías 17 e Jeremias 49 são uma série de profecias do fim dos tempos que lidam com os juízos de Deus sobre os vizinhos e inimigos de Israel que antecedem – e ocorrem durante a – Grande Tribulação”. Estudiosos alertam que o conflito na Síria pode ser o prenuncio de uma Terceira Guerra Mundial, pois o Oriente Médio está repleto de alianças e tensões que ampliam drasticamente o significado de um ataque à Síria. A Rússia e o Irã já disseram que fariam retaliações caso os EUA iniciem um ataque. Com informações WND.
Assista:



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MEA-CULPA DO ‘GLOBO’ A caixa preta da relação da mídia com a ditadura

10.09.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Marco Aurélio Weissheimer em 10/09/2013 na edição 763

O jornal O Globo publicou editorial, dia 31 de agosto, admitindo que o apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro“, ou um “equívoco” como também diz o texto. A decisão de tornar pública essa avaliação, diz ainda o editorial. “vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da história, o apoio se constituiu um equívoco”. 
Quase 50 anos depois do golpe civil-militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, as organizações Globo vêm a público falar desse “equívoco”, lembrando que outros grandes jornais do país também aderiram ao movimento golpista (cita o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil e o Correio do Brasil, “apenas para citar alguns”) e admitindo que as vozes recentes das ruas afirmando que “a Globo apoiou a ditadura” são inquestionáveis.
Mas o que poderia parecer uma autocrítica acaba descambando ao longo do texto do editorial para um exercício cínico de justificação da decisão tomada em 1964 e de ocultamento dos benefícios que a empresa teve por seu apoio aos golpistas. O texto cita um editorial assinado por Roberto Marinho em 1984, que “ressaltava a atitude de Geisel em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, reestabeleceu o habeas corpus e a magistratura (...)”. 
Logo em seguida, justifica o apoio ao golpe destacando “os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos” e a crença de que o golpe foi “imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana”. O argumento do editorial, em resumo, é: “à luz da história, olhando 50 anos depois, foi um erro, mas naquele momento foi imprescindível para a manutenção da democracia”.
A mídia e a ditadura: uma história que deve ser contada
O exercício editorial de cinismo e memória seletiva de O Globo serve ao menos como oportunidade para trazer à luz um debate que permanece escondido nas sombras no Brasil. É uma oportunidade histórica para debater as relações entre as grandes empresas de comunicação do país e a ditadura civil-militar que atingiu o Brasil entre 1964 e 1985. Várias dessas empresas construíram seus impérios midiáticos gozando de favores e benefícios dos governos da ditadura. A imensa maioria da população brasileira não conhece essa história, especialmente as novas gerações.
O nosso país está muito atrasado neste processo. A Argentina, ao contrário do que aconteceu no Brasil, está acertando as contas com o período da ditadura militar (1976-1983). Além de dar prosseguimento ao julgamento dos militares e policiais acusados de crimes como tortura e assassinato, o governo argentino decidiu mexer em outro vespeiro e levantou o tapete que escondia as relações promíscuas entre a ditadura e meios de comunicação. No dia 24 de agosto de 2010, por exemplo, a presidente Cristina Fernández de Kirchner apresentou um relatório de mais de 20 mil páginas acusando os donos dos principais jornais do país de envolvimento em crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura.
No relatório, intitulado Papel Prensa, a Verdade, o governo argentino denunciou os proprietários dos jornais La Nación, Clarín e do extinto La Razón de terem se apropriado ilegalmente e mediante ameaças da maior empresa fornecedora de papel jornal do país na época da ditadura, a Papel Prensa, em novembro de 1976. O documento relata como os antigos proprietários da empresa, o banqueiro David Gravier e sua esposa Lídia, foram sequestrados pelos militares em 1977 e forçados a assinar papéis “vendendo” suas ações na empresa. Uma parte importante das investigações do governo argentino baseia-se no testemunho de Lídia Papaleo que, além ter sido sequestrada, foi torturada pelos militares argentinos.
Em um artigo, intitulado “O que há por trás de um jornal chamado Clarín“ (Carta Maior (04/06/2012), o jornalista Eric Nepomuceno relata um trecho de um novo depoimento de Lídia Papaleo à Justiça argentina. Ela afirmou: 
Até hoje lembro os rostos de meus torturadores. Porém, nenhum desses rostos, nenhum desses olhares, me persegue e amedronta mais em meus pesadelos que o olhar de Héctor Magnetto me dizendo que ou assinava a venda de Papel Prensa, ou eu e minha filha seríamos mortas.
Héctor Magnetto, assinala Nepomuceno, era e continua sendo o principal executivo do grupo Clarín. Foi quem, naquele distante 1976, e antes do sequestro e das torturas de Lidia Papaleo, se reuniu com ela, e foi diante dele que ela capitulou.
Os proprietários dos jornais acusados acusaram e seguem acusando o governo argentino de querer controlar a imprensa e impor um regime de censura. A verdade é que, como aconteceu também no Brasil, essas empresas apoiaram a ditadura, beneficiaram-se com ela e, possivelmente, são cúmplices diretos ou indiretos de vários crimes cometidos pelo regime ditatorial. Ao mexer na caixa preta da mídia, Cristina Kirchner comprou aquela que é, talvez, a mais pesada luta de seu governo.
Porta-vozes do interesse público?
As empresas de comunicação têm o hábito de se apresentarem como porta-vozes do interesse público. Em que medida uma empresa privada, cujo objetivo central é o lucro, pode ser porta-voz do interesse público? Essas empresas participam ativamente da vida política, econômica e cultural do país, assumindo posições, fazendo escolhas, pretendendo dizer à população como ela deve ver o mundo. No caso do Brasil, assim como ocorreu na Argentina, a história recente de muitas dessas empresas é marcada pelo apoio a violações constitucionais, à deposição de governantes eleitos pelo voto e pela cumplicidade com crimes cometidos pela ditadura militar (cumplicidade ativa muitas vezes, como no caso do uso de veículos da Folha de São Paulo para o transporte de presos políticos torturados durante a famigerada Operação Bandeirantes).
Até hoje nenhuma dessas empresas julgou necessário justificar seu posicionamento durante a ditadura. O Globo faz o primeiro ensaio disso agora, em um texto que, a todo momento, procura justificar o “erro” pelo “contexto histórico”. Muitas delas sequer usam hoje a expressão “ditadura” ao se referir àquele triste período da história brasileira, preferindo falar em “regime de exceção”. Agem como se suas escolhas (de apoiar a ditadura) e os benefícios obtidos com elas fossem também expressões do “interesse público”. Apoiar o golpe militar que derrubou o governo Jango foi uma expressão do interesse público? Ser cúmplice de uma ditadura que pisoteou a Constituição brasileira, torturou e matou é credencial para se apresentar como defensor da liberdade? O silêncio dessas empresas diante dessas perguntas, por outro lado, não deixa de ser uma resposta às mesmas.
No Rio Grande do Sul, temos também um triste capítulo dessa história que ainda está para ser devidamente contada. O jornal Zero Hora ocupou o lugar da Última Hora, fechado pelos militares por apoiar Jango. O batismo de nascimento deste jornal foi marcado por atos de violência contra o Estado Democrático de Direito. Três dias depois da publicação do Ato Institucional n° 5 (13 de dezembro de 1968), ZH publicou matéria sobre o assunto afirmando que “o governo federal vem recebendo a solidariedade e o apoio dos diversos setores da vida nacional”. No dia 1° de setembro de 1969, o jornal publica um editorial intitulado A preservação dos ideais, exaltando a “autoridade e a irreversibilidade da Revolução”. A última frase editorial fala por si: “Os interesses nacionais devem ser preservados a qualquer preço e acima de tudo”.
Interesses nacionais ou interesses empresariais? A expansão da empresa de mídia gaúcha se consolidou em 1970, com a criação da RBS. A partir das boas relações estabelecidas com os governos da ditadura militar e da ação articulada com a Rede Globo, a RBS foi conseguindo novas concessões e diversificando seus negócios. Hoje, quem falar em resgatar essa história será acusado de ser “inimigo da liberdade de imprensa”. 
Mas não foi apenas a Zero Hora. O Correio do Povo teve ativa participação no Golpe de 1964 que derrubou o governo de João Goulart. O artigo “1964: o Rio Grande do Sul no olho do furacão”, de Enrique Serra Padrós e Rafael Fantinel Lamiera, descreve o comportamento da publicação então pertencente ao grupo Caldas Junior:
“O jornal Correio do povo assumiu uma crítica violenta, acusando Goulart de agitador, violador da democracia, demagogo e de querer instalar um “neoperonocastrismo” no Brasil (seja lá o que isso quisesse dizer).
Adotava uma linha de questionamento como a que vinha sendo utilizada por Lacerda e a imprensa do centro do país nos ataques tanto ao governo federal quanto ao próprio Brizola. Tratava-se de uma referência explícita aos planos de instalar no Brasil um regime comunista aos moldes “caudilhescos” e populistas dos pampas; em decorrência, uma mistura de Perón e Fidel Castro, dois dos maiores pesadelos das direitas latino-americanas” (p.41, in A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul)”.
Repetindo posição assumida por outros jornais de grande circulação do país, o Correio do Povo publicou às vésperas do golpe de 1964, um editorial clamando “para que as Forças Armadas cumprissem sua histórica missão de serem sustentáculos da lei e da ordem, sob o espírito de sua vocação histórica, o cristianismo e a democratismo-liberal. O final do desse editorial afirma:
“O caminho a seguir nesta hora de decisão não comporta dúvidas ou vacilações: é o do saneamento ético das cúpulas políticas e administrativas e da anulação dos inimigos da pátria e da democracia, que se encastelaram funestamente na própria cidadela do poder”.
A participação da mídia brasileira no golpe de 64 e na ditadura que se seguiu a ele é um episódio que ainda está para ser plenamente contada. Há muitas lacunas e zonas cinzentas nesta história. E isso não parece ocorrer por acaso. Muitos dos compromissos que levaram uma parte importante da imprensa brasileira a se aliar com setores golpistas e autoritários permanecem presentes e se manifestam em outros debates da vida nacional. 
Enquanto a sociedade não decidir que abrir essa caixa preta é uma condição para o avanço da democracia no país, essas empresas, no Brasil, na Argentina e em outros países da América Latina seguirão praticando um de seus esportes preferidos: pisotear a memória e apresentar os seus interesses privados como se fossem interesses públicos.
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*Marco Aurélio Weissheimer é editor da Carta Maior
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DIRCEU: “FUI ALVO DA INVEJA DE SETORES DA ELITE”

10.09.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Prender Dirceu tornou-se uma obsessão para a Globo Overseas – PHA.

Saiu no Estadão, em comatoso estado:

‘FUI ALVO DA INVEJA DE SETORES DA ELITE’, DIZ DIRCEU


Durante entrevista transmitida por site de fundação do PT, ex-ministro afirma que o processo do mensalão não acaba no STF e nega intenção de deixar o País

Pedro Venceslau – O Estado de S. Paulo

No momento em que aguarda o desfecho do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, aproveitou uma entrevista exclusiva para a Fundação Perseu Abramo, do PT, nesta terça-feira, 10, para fazer um desabafo público. “Fui o principal alvo da inveja de setores da elite desse País que não se conformam com a liderança do (ex-presidente) Lula no mundo e a vitória de Dilma. Fui escolhido para ser símbolo dessa mágoa, inveja e ódio disseminados em parte da sociedade contra nós”, afirmou. 

Durante a entrevista, transmitida ao vivo pelo site da fundação, Dirceu disse ainda que o processo do mensalão “não acaba no STF” e reafirmou que pretende recorrer às cortes internacionais. “Vou continuar me defendendo”. Em tom emotivo, classificou a cassação de seu mandato de deputado federal como “uma mancha” na história da Câmara e disse que foi “obrigado” a se dedicar às atividades de advogado e consultor. “Essa nunca foi minha opção. Minha natureza é política”.

Dirceu também negou ter planos de fugir do Brasil. “Fico indignado quando dizem que vou fugir. Sou acima de tudo um brasileiro”. Por fim, Dirceu fez uma auto-crítica. “Cometi muitos erros, mas não sou responsável por esse de que me acusam”.

(…)



Clique aqui para ler “Hildegard e o linchamento de Dirceu”. 

aqui para ler “Dirceu a Edu: ‘Luta pela Justiça’.” 
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“FUI TRANSFORMADO NO PRINCIPAL ALVO DO ÓDIO DA ELITE”

10.09.2013
Do portal BRASIL247

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Ex-ministro José Dirceu diz que recebe críticas contra ele "com muita serenidade" e que se sente "muito forte" neste momento da sua vida, em que é julgado pelo STF na Ação Penal 470; "Eu acabei sendo escolhido um pouco o símbolo de todo esse ressentimento [pelo avanço do Brasil e do PT], uma mágoa, uma inveja", disse; segundo Dirceu, que concedeu entrevista ao economista Marcio Pochmann, na Fundação Perseu Abramo, o julgamento ainda está longe de acabar, uma vez que há os recursos nas cortes internacionais; petista declarou seu amor pelo País e garantiu que não pedirá asilo político: "Fico indignado quando dizem que vou sair do Brasil"

247 – Às vésperas do que pode ser o último dia do julgamento da Ação Penal 470 no STF, e que pode definir de uma vez por todas se os réus terão direito a um novo julgamento ou se serão condenados à prisão imediatamente, o ex-ministro José Dirceu declarou que chega ao final desta primeira fase "com a consciência tranquila" e se sentindo "muito forte" diante da série de críticas contra ele nos últimos anos, as quais diz receber com "muita serenidade".

As declarações foram feitas na manhã desta terça-feira 10, em entrevista concedida ao economista e ex-presidente do Ipea Marcio Pochmann, transmitida ao vivo, pela internet, pelo site da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. Ao responder perguntas feitas pelos internautas sobre essa fase do julgamento do chamado 'mensalão', Dirceu afirmou que isso não irá acabar agora, pois ainda há uma "luta a ser travada nas cortes internacionais".

"Eu recebo os ataques com muita serenidade. Dediquei 50 anos da minha vida ao Brasil, e os últimos 30 anos ao PT. E me sinto realizado pelos avanços, pelo progresso do Brasil nos últimos 11 anos. Infelizmente eu fui transformado no principal alvo do ódio, da inveja de setores da elite do Brasil com a ascensão do ex-presidente Lula, do PT, com a vitória da presidente Dilma. Eu acabei sendo escolhido um pouco o símbolo de todo esse ressentimento, uma mágoa, uma inveja. Porque não é natural", declarou Dirceu.

A cassação de seu mandato, disse o petista, foi feita "sem nenhuma prova" e mostra hoje ser "um nó" na história da Câmara dos Deputados. "Sou réu no Supremo Tribunal Federal, aceitaram uma denúncia contra mim que é inepta e vazia. Eu que tenho que provar minha inocência porque eu não tive a presunção da inocência", defendeu-se. Agradecendo ao apoio dos amigos e do PT, o ex-ministro acredita ter chegado "quase no final desta primeira etapa – já que isso não vai acabar, temos uma luta para travar ainda, nas cortes internacionais – com a consciência tranquila".

"Fiz o que eu tinha que fazer, continuei fazendo o que eu sempre fiz. A campanha que fizeram contra mim nesses últimos oito anos, eu não sei se alguém sofreu uma campanha tão intensa e caluniosa e sem direito de resposta [como essa]", continuou. Dirceu se disse "muito seguro e confiante" em relação a seu futuro. "Me sinto muito forte, com humildade, porque evidentemente cometi muitos erros, sou responsável por muitos desses erros, mas não dos que me acusam, esses jamais".

José Dirceu concluiu a entrevista declarando o amor que tem pelo País, numa negação à hipótese de que pedirá asilo político. "Fico indignado quando dizem que vou sair do Brasil", afirmou, lembrando que quis voltar para o Brasil (depois de ter ficado exilado) porque acredita no futuro do País. Condenado a dez anos e dez meses de prisão, o ex-presidente do PT pode ter seu destino definido na sessão desta quarta-feira 11 na corte suprema. O plenário decidirá se os embargos infringentes, que dão aos réus o direito a um novo julgamento, serão ou não aceitos pelo tribunal.

Outros temas

No primeiro bloco, o ex-presidente do PT falou sobre democracia, os avanços do Brasil no combate à pobreza e a necessidade de uma reforma política eleitoral e institucional no Brasil. "O sistema político brasileiro é dominado pelo dinheiro, pelo poder econômico. Por causa das doações das empresas privadas, ausência de investimento público e por conta do voto nominal – o Brasil é o único país que tem esse sistema, cada deputado tem sua própria campanha", disse Dirceu.

Além da reforma política, Dirceu defendeu também a reforma tributária e uma reforma urbana, que traria uma melhora no sistema de trânsito das grandes cidades, por exemplo. Segundo ele, a cobrança de impostos no Brasil é injusta, pois eles são regressivos, e não progressivos, uma vez que os ricos pagam menos e os pobres pagam mais. "Os impostos no Brasil são socialmente injustos", declarou. Ele disse que, apesar disso, o País avançou muito nas gestões públicas, ao citar a reforma feita no sistema judiciário.

Para Dirceu, as manifestações de junho devem ser vistas pelo PT como um "novo desafio". Ele avalia que a lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira 9, que destina 75% dos recursos do petróleo para a Educação e 25% para a Saúde, é uma resposta de Dilma às reivindicações das ruas. "Conseguimos uma fonte de financiamento, foi uma grande vitória. Ela [Dilma] se comprometeu com a nação brasileira depois das manifestações".

José Dirceu fez duras críticas à política de privatizações sugerida pela direita no Brasil. "Quem vai financiar os programas sociais?", questionou o ex-ministro, lembrando que boa parcela da população ainda depende do Sistema Único de Saúde (SUS). "O que a direita apresenta para o País?", perguntou, por fim. Quanto à pauta da esquerda, o político afirma que "existe, sim, um complexo de vira-latas" e que a esquerda está "sem discurso neste momento".

O baixo crescimento econômico não é motivado apenas por "causas externas", na avaliação de Dirceu. "Afirmar isso seria falso", disse ele. Mas em sua opinião, o País está "repensando a indústria brasileira" e enfrentando esse problema do crescimento. Um grande desafio do Brasil e que, segundo ele, "depende do poder do Estado", é como disputar no mercado tecnológico com o atraso que temos hoje. O País, disse ele,  também "está mantendo a renda e a criação de empregos".
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DEPREDADORES MASCARADOS: Lixo de gente

10.09.2013
Do blog ESQUERDOPATA
Por Janio de Freitas

Há quem pense que faz pouco quem passa a vida, para ganhá-la honestamente, lidando com os restos deixados pelos outros. É o que pensam --se os imaginamos capazes de pensar-- os depredadores que despejam nas ruas o lixo das caçambas públicas, a pretexto de manifestação e protesto. O que fazem é impor um acréscimo perverso de degradação aos garis, sem a mais mínima consideração humana a esses a quem devemos, mais do que a quaisquer outros, a possibilidade de vida em comum nas usinas de imundice chamadas de cidades.

Destruir utensílios urbanos e emporcalhar prédios públicos é antissocial. Quebrar porta de banco como "agressão ao capitalismo" é imbecilidade. Mas não é provável que os autores de tais façanhas sejam capazes de perceber que não produziram efeito algum, além da mera destruição.

Mas quando voltam a sua cretinice feroz contra alheios indefesos e, ainda pior, já subjugados pela vida, aí essas bestas de cara escondida ou descoberta se tornam revoltantes. Por mim, são indefensáveis. O que quer que lhes aconteça é problema estritamente seu. Nada tem a ver com democracia ou com direitos humanos.

Poderiam ser levados para a cadeia ou o hospital metidos em uma caçamba de lixo.
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Depois de prometer voltar ao jornalismo, Gabeira encara protestos com câmera na mão

10.09.2013
Do portal PODER ON LINE,IG, 09.09.13
Por Priscilla Borges*, iG Brasília
Gabeira, durante os protestos do último sábado.  (Crédito de imagem: Acesse Piauí)
Gabeira, durante os protestos do último sábado.  (Crédito de imagem: Acesse Piauí)

Gabeira, durante os protestos do último sábado. (Crédito de imagem: Acesse PiauíO ex-deputado Fernando Gabeira tem dito que seu plano é mesmo retomar o trabalho de jornalista. Quem desconfiava da afirmação acabou se deparando com uma cena inédita nos últimos anos, durante as manifestações que marcaram o 7 de setembro, em Brasília.

Gabeira circulava com câmera na mão e colete de fotógrafo, registrando os principais acontecimentos da manifestação.  A imagem foi flagrada pelo site Acesse Piauí.

A recepção, entretanto, não foi das melhores. Quando passava pela região da Rodoviária do Plano Piloto, no sentido do Estádio Nacional Mané Garrincha, Gabeira acabou vaiado por um grupo de manifestantes que gritavam “direita, direita”.

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PETROBRAS: Para Dilma, denúncias mostram que EUA espionam também por vantagens comerciais

10.09.2013
Do portal REDE BRASIL ATUAL, 09.09.13
Por  Redação RBA

Em nota, presidenta lembra que Petrobras não apresenta ameaça à segurança de ninguém, mas, aparentemente, foi vasculhada. Se confirmada a denúncia, diz, ficam evidenciados os motivos econômicos
AGÊNCIA PETROBRAS
petrobrasplataforma_petrobr.jpg
Para Dilma, denúncias como a da espionagem da Petrobras são incompatíveis com a convivência democrática
São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (9) em nota que o governo brasileiro está “empenhado” em obter esclarecimentos dos Estados Unidos sobre as denúncias de espionagem sobre cidadãos, empresas e instituições do país. Na semana passada, documentos revelados pelo ex-consultor de inteligência Edward Snowden, e publicados pelo Fantástico, da TV Globo, mostraram que Washington interceptou comunicações da própria presidenta. Ontem (8) o programa revelou que a Petrobras também foi vítima da bisbilhotagem.
“Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro”, explica Dilma, para quem os indícios de que a estatal brasileira foi espionada pelos Estados Unidos mostra que o país não monitora comunicações apenas para combater o terrorismo internacional, como argumenta o governo de Barack Obama. “Se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança, mas interesses econômicos e estratégicos.”
Em reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para tratar da primeira denúncia de espionagem de Washington sobre o Brasil, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, garantiu que seu país não realizava qualquer tipo de monitoramento com objetivos comerciais. “Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas”, conclui a nota da presidenta. “De nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas.”
Na última sexta-feira (6), antes de deixar a cúpula do G20 na Rússia, Dilma ofereceu uma entrevista em São Petersburgo em que relatou a conversa reservada que teve com seu par norte-americano para tratar do tema. A presidenta externou a Barack Obama seu descontentamento com as denúncias e exigiu ser informada sobre “tudo, tudinho” que os Estados Unidos possuem de informação confidencial brasileira. Obama teria garantido que assumiria pessoalmente a responsabilidade para acabar com a crise e disse que até quarta-feira (11) prestaria esclarecimentos ao Brasil.
Presente à coversa entre Dilma e Obama, o novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, desembarca amanhã (10) em Washington para uma reunião com a conselheira de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice. A conversa deve ocorrer entre quarta-feira (11) e quinta-feira (12). O objetivo é cobrar pessoalmente as explicações prometidas pelo presidente norte-americano. Enquanto espera explicações convincentes, a presidenta deixou em aberto a possibilidade de cancelar sua visita oficial aos Estados Unidos, marcada para 23 de outubro. “Se não houver condições políticas, obviamente, não se vai”, ameaçou, durante entrevista na última semana.
A Petrobras limitou-se a responder, em nota, aos temores do mercado financeiro sobre sua suposta vulnerabilidade cibernética: informou que dispõe de sistemas “altamente qualificados e permanentemente atualizados” para a proteção de sua Rede Interna de Computadores. “A companhia executa, de forma consistente, todos os procedimentos identificados e reconhecidos como melhores práticas de mercado na proteção de sua rede interna e de seus dados e informações”, atestou. “O trafego e o fluxo de dados são monitorados permanentemente.”
As denúncias de espionagem sobre a Petrobras – e a possibilidade de que empresas norte-americanas podem ter acessado informações privilegiadas da estatal – acenderam as luzes de alerta sobre a realização do primeiro leilão do pré-sal. Em Brasília, porém, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje (9) que o remate do campo de Libra, na Bacia de Santos, previsto para o dia 21 de outubro, segue como antes. “Está tudo mantido como foi programado, não cancela o leilão”. Perguntado se há riscos de dados do leilão terem vazado, ele respondeu: “Não”.
A licitação destinará blocos com potencial de reserva entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris equivalentes de petróleo. A Petrobras terá participação de 30% no consórcio. Lobão também garantiu que está mantido o cronograma do leilão, que prevê o prazo final para o pagamento da taxa de participação e a entrega de documentos para qualificação das empresas interessadas para a próxima semana. A empresa que vencer o leilão terá de pagar um bônus de assinatura à União de R$ 15 bilhões.
Em discurso também hoje, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou que os indícios de espionagem comercial demonstram “claramente” uma postura inaceitável de atentado grave à soberania brasileira. “Eles buscam adquirir segredos e informações fundamentais da Petrobras, seja no que se refere às tecnologias desenvolvidas pela Petrobras em prospecção de petróleo em águas profundas, reconhecidamente a tecnologia mais avançada do mundo, como também buscando saber o potencial dos campos de petróleo do pré-sal.” Para o parlamente, o Brasil deveria proibir que empresas norte-americanas participem dos próximos leilões do pré-sal.
Com informações da Agência Brasil e Agência Senado
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A CIA, o pré-sal e o sonho de Darcy Ribeiro

10.09.2013
Do portal Agência Carta Maior
Por Saulo Leblon


Egressa do trabalhismo, a presidenta Dilma Rousseff certamente não citou a frase do ex-reitor de Harvard, Dereck Bok, nesta 2ª feira, sem associá-la intimamente à memória de um parceiro de filiação.

‘Caro é a ignorância’, disse Dilma ao sancionar a lei que destina 75% da receita do Fundo do Pré-sal para a escola brasileira e 25% para a saúde pública.

Era exatamente assim que o educador, antropólogo, agitador e brizolista, Darcy Ribeiro (1922-1997), fuzilava o conservadorismo quando contestado em seus planos para a escola pública brasileira.

A carpintaria das rupturas foi uma especialidade desse mineiro que em 1961 ajudaria a fundar o Parque Nacional do Xingu, ao lado dos irmãos Villas Boas. 

Sem elas, o país, no seu entender, não sairia do conformismo incremental diante do miserê a que fora condenado pelas elites.

A estupefação conservadora manifestou-se inconsolável diante do seu projeto de ruptura mais querido:a escola de tempo integral, os Cieps, ou Brizolões, que marcariam os dois governos de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (83/87 e 91/94).

Antes que fosse arrebatada pelos interesses conservadores e conceituada no Banco Mundial como ferramenta de acomodação a frio dos conflitos sociais, a educação era vista assim pela geração de Darcy.

Como um espaço por excelência de ruptura com a miséria intergeracional

A paixão sanguíneo desse brasileiro pela construção de um povo que o fascinava levou-o, também, a conceber uma universidade inovadora para suprir essa finalidade.

Reinventar a educação superior e formar uma geração engajada na transformação das estruturas brasileiras foi a base de seu projeto para a UnB, a Universidade de Brasília.

O que não faria hoje Darcy diante dos desafios à universidade revelados pelo ‘Mais Médicos’?

Estar sempre bem acompanhado era um de seus trunfos. Na criação da UnB, o recheio pedagógico coube ao grande educador Anísio Teixeira; a viga estética, a Niemeyer.

Fundada em 1962, a universidade de Brasília teria em Darcy seu primeiro Reitor; cargo que deixou para assumir a Casa Civil do governo Goulart até o golpe de 64, quando foi cassado e se exilou no Uruguai.

No retorno ao país, sobretudo a partir de anistia , em 1980, apostou toda a energia na educação como espaço retificador da desigualdade histórico-metabólica entranhada na vida da sociedade. 

Nos Brizolões, com aulas das 8 às 17 horas, os alunos faziam três refeições completas, dispunham de atendimento médico e odontológico. 

Além do currículo regular, Darcy comprovaria a cepa de visionário acrescentando à grade uma inovadora sessão de tele-educação. 

Com programação marcada pela pluralidade destinava-se a desenvolver nas crianças o senso crítico em relação à mídia, desde os primeiros anos escolares. 

Enxergava longe o moço.

Contagiado pelo amigo, Brizola chegou a comprometer 50% da receita estadual ao sonho da educação emancipadora, que seus sucessores desmontariam.

Em primeiro lugar, por razões ideológicas nunca admitidas; secundariamente, pelo custo, demonizado, e de fato robusto.

Trintas anos, intercalados por uma década de neoliberalismo, separam os dois momentos. Intervalo suficiente para condenar ao ocaso uma geração inteira acossada pela violência, o tráfico, a semi-informação e a semi-afabetização.

Na sanção do Fundo do Pré-Sal, nesta 2ª feira, a Presidenta Dilma sublinhou a esperança de que o país possa caminhar agora, mais depressa, para implantar escolas de tempo integral. 

Poderia ter dito, “aquilo que Darcy e Brizola chamavam de ‘os pais sociais’ da infância pobre”.

Quis o destino que o hiato entre esse sonho e a realidade da educação pública entre nós, viesse a ser calafetado agora por uma fonte de receita originária da mesma recusa em aceitar, como destino, o projeto conservador de um Brasil pequeno.

A regulação do pré-sal, em 2009, combatida pela conjunção de interesses internos e externos que Darcy conheceu, assim como Vargas enfrentou, respondeu ao fatalismo com o repto da lógica que criou a Petrobrás em 1953. 

Normas soberanas, a contrapelo da lógica dos ‘livre mercados’ (leia-se, petroleiras internacionais), internalizam os encadeamentos da exploração dessa riqueza.

Entre elas, o regime de partilha, que destina à União 50% do óleo extraído; a alavanca industrializante a cargo dos índices de nacionalização de equipamentos; o programa de refinarias para exportação de valor agregado e não óleo bruto; a presença cativa da Petrobrás, operadora única dos campos, com no mínimo 30% de participação na exploração de cada poço; a elevação dos royalties pagos por barril, dos 10% atuais para 15%.

Mas, sobretudo, um diferencial de recorte político marca o divisor atual em relação ao nacionalismo dos anos 50: a criação do Fundo Social bilionário.

Sua receita cativa destina-se, predominantemente, à regeneração da esfera pública na qual, de forma mais bruta e desconcertante, calcificou-se a usina de reprodução do apartheid brasileiro entre nós: a escola republicana, teoricamente destinada a exercer o efeito inverso.

Acerca-se assim, organicamente, o interesse nacional e social de uma riqueza estimada entre 60 bilhões a 100 bilhões de barris de óleo: as maiores jazidas descobertas no século XXI.

Que não por acaso, sabe-se agora, constituem o foco central da espionagem da CIA no país.

Não se trata de uma ficção, mas de valores bilionários.

Para entender a pressão beligerante montada ao longo dessa nova fronteira econômica e geopolítica, basta reler os famoso despachos de dezembro de 2009 da embaixada norte-americana no Brasil, revelados pelo “WikiLeaks”,

Os telegramas elucidam as consequências se as urnas de 2010 tivessem dado a vitória ao tucano José Serra. 

Segue-se a frase conhecida dita pelo próprio:

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato no telegrama. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu: “Vocês vão e voltam” (trechos da matéria da Folha de S. Paulo, de 13/12/2010, intitulada ‘Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal’).

O fracasso da Petrobrás e do pré-sal, portanto, conta com a torcida de uma teia organizada de interesses que vai do PSDB, às petroleiras, passando pela CIA e a Casa Branca.

A cerimônia da 2ª feira percorre o sentido inverso.

Ela vincula aspirações sociais ao controle no uso dessa riqueza. 

Agrega viabilidade orçamentária às diretrizes e plataformas de uma escola pública sonhada por gerações inteiras de brasileiros visionários.

Gente como Darcy Ribeiro que nunca aceitou reduzir a educação a um adestramento rudimentar para o mercado. Que lutou por uma universidade engajada na construção de um desenvolvimento independente e solidário.

Seu sonho agora terá dinheiro para ressuscitar.

Resta saber quem irá sonhá-lo.


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