domingo, 8 de setembro de 2013

RELIGIÃO:Justiça autoriza transfusão de sangue em criança de Testemunha de Jeová

08.09.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Médicos obtiveram liminar autorizando transfusão de sangue em um bebê cujos pais são Testemunhas de Jeová, que não aceitam esse recurso da medicina; criança corria risco de morte

transfusão sangue testemunha jeová
Juiz autoriza transfusão de sangue em bebê Testemunha de Jeová (Reprodução)
Médicos do Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão (SC), obtiveram na segunda-feira (2) do juiz Elleston Lissandro Canali uma liminar autorizando transfusão sangue em um recém-nascido cujos pais são da religião Testemunhas de Jeová, que não aceitam esse recurso da medicina.
Os médicos recorreram ao Ministério Público de Jaguaruna, que acionou a Justiça e o Conselho Tutelar.
Sem a transfusão, a criança corria risco de morte. Ela nasceu no dia 31 com 900 gramas.
No entendimento do juiz, o artigo 5º da Constituição assegura a todos o direito à vida e à saúde, com prioridade sobre outros direitos, incluindo o de liberdade de crença religiosa.
Nem sempre esse é o entendimento dos magistrados. Em 2011, na mesma região, o Testemunha de Jeová Ademir Machado de Souza, 46, conseguiu que a Justiça impedisse a transfusão.
Ele tinha sido baleado quando negociava um programa sexual com menores de idade. Souza era um “ancião” (sacerdote).
O juiz Edir Josias Silveira Beck garantiu o direito de crença de Ademir, que não resistiu ao ferimento e morreu.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/09/transfusao-de-sangue-em-crianca-de-testemunha-de-jeova.html

Recomendação para Brasil fazer a reforma trabalhista divide opiniões

08.09.2013
Do portal Agência  Brasil
Por Wellton Máximo
Brasília – Apontada pelo Fórum Econômico Mundial como uma das medidas necessárias para o Brasil melhorar a competitividade, a liberalização do mercado de trabalho divide opiniões. Especialistas divergem sobre a necessidade de o país flexibilizar salários e demissões, ações defendidas pelo Relatório de Competitividade Global de 2013–2014.
Em entrevista à Agência Brasil, Benat Bilbao, economista sênior do Fórum Econômico Mundial e um dos autores do relatório, defendeu que o país reduza os encargos trabalhistas, facilite as demissões e torne os salários mais compatíveis com a produtividade do empregado. Segundo ele, a reforma trabalhista é um dos principais desafios que o Brasil precisa enfrentar à medida que o alto preço de bens primários e os juros baixos deixaram de impulsionar a economia doméstica.
O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, discorda da avaliação. Ele diz que o diagnóstico do Fórum Econômico Mundial está errado e reflete um desconhecimento em relação à realidade do Brasil. “O mercado de trabalho brasileiro é flexível, com rotatividade média de 40% [40% dos trabalhadores trocam de emprego em um ano] e grande informalidade. Uma forma de melhorar a produtividade seria reduzir a informalidade e a rotatividade”, alega.
O economista do Dieese questiona os fatores que determinam a competitividade de um país. Ele ressalta que, na Alemanha, quarta colocada no ranking, os salários são cinco vezes maiores que no Brasil e existem dificuldades para demitir um empregado. “A Alemanha é um país com mercado interno forte, renda alta e que investe em inovação e tecnologia. Daí vem a produtividade deles, não da precarização do mercado de trabalho”, destaca.
Para Ganz Lúcio, o Brasil deve atuar em outras frentes para aumentar a competitividade da economia, como melhorar a qualidade das instituições e investir em educação e em tecnologia. Essas recomendações também foram sugeridas ao Brasil no relatório do Fórum Econômico Mundial.
O diretor do Dieese reconhece que a produtividade da economia brasileira caiu nos últimos anos, mas não por causa de perda de competitividade e, sim, pela queda da demanda provocada pelo baixo crescimento econômico. “Isso está relacionado ao próprio conceito de produtividade, que é volume produzido por tempo trabalhado. A produção cresceu menos, mas os empresários não demitiram. Daí uma queda meramente conjuntural”, diz.
Pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) especializado em mercado de trabalho, Rodrigo Leandro de Moura tem opinião diferente. Ele acredita que, apesar de o Brasil ainda estar em pleno emprego, a reforma trabalhista é necessária para dinamizar a economia do país. “Tanto o custo de admissão, como de treinamento e de demissão do empregado, é alto no Brasil. Isso limita a competitividade das empresas”, comenta.
Moura, no entanto, diz que o país deve remodelar o sistema tributário, investir em infraestrutura e melhorar as instituições antes de flexibilizar o sistema de trabalho. “Como a economia está em pleno emprego, qualquer reforma no mercado de trabalho agora enfrentaria grande resistência e o país deixaria de avançar em outros pontos necessários para aumentar a competitividade”, observa.
Divulgado na última terça-feira (3), o Relatório de Competitividade Global de 2013–2014 classificou o Brasil em 56º lugar entre 148 países analisados no ranking de competitividade internacional. O país caiu oito posições em relação ao ano passado. O Fórum Econômico Mundial atribuiu a queda à piora de indicadores macroeconômicos, ao aperto no crédito e, principalmente, à falta de reformas estruturais.
Fundado por acadêmicos e executivos de empresas, o Fórum Econômico Mundial é uma organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de melhorar o ambiente de negócios e debater os principais problemas do mundo. Todos os anos, a organização promove um encontro em Davos, nos Alpes Suíços, que reúne líderes mundiais, empresários, intelectuais e jornalistas.
Edição: Davi Oliveira
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-09-08/recomendacao-para-brasil-fazer-reforma-trabalhista-divide-opinioes

Serra alimentou o ódio e agora é vítima dele

09.08.2013
Do blog MARIAFRÔ, 04.09.13

José Serra usou o ódio como arma eleitoral, e agora prova do próprio veneno. Quando, finalmente, toma uma atitude republicana e se solidariza com Dilma, repudiando a espionagem dos EUA à presidenta, seu público se volta contra ele, por não ter mantido o ódio incondicional que ele ensinou durante todos esses anos.
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) se solidarizou nesta quarta-feira (04/09), em sua página no Facebook, com a presidente Dilma Rousseff (PT) – adversária dele na última eleição presidencial, em 2010 – por conta das denúncias de espionagem do governo norte-americano contra autoridades brasileiras. A atitude provocou críticas dos seguidores de Serra na rede social.
“Presto aqui minha solidariedade à presidente Dilma pela espionagem de que foi alvo, revelada no último domingo pelo Fantástico da Rede Globo. É inaceitável que os Estados Unidos, de maneira ilegal e ilegítima, espionem ligações telefônicas, mensagens de celular e de correio eletrônico de um chefe de estado democraticamente eleito”, afirmou o ex-governador.
 

Os comentários do tucano provocaram protestos no Facebook. Seguidores do ex-governador se disseram “decepcionados” com a nota de solidariedade, além de afirmarem que Serra “perdeu uma oportunidade de ficar calado” ou preferirem “acreditar que o perfil foi hackeado”. Há também os que se mostraram arrependidos de ter votado no político.
Serra disse que é “surrada” a desculpa de usar o combate ao terrorismo para justificar a espionagem “Não valem agora justificativas formais para um ato tão ofensivo. Também não é aceitável a surrada invocação do combate ao terrorismo a fim de abonar as arbitrariedades dos órgãos de segurança americanos, dos quais o governo do presidente Obama é o responsável. Pistas sobre o terrorismo mundial em SMS ou e-mails da Dilma? Ridículo.”
Espionagem
A NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) teria investigado Dilma e seus principais assessores, além do então candidato à presidência do México (e atual presidente) Enrique Peña Nieto, de acordo com documentos ultrassecretos vazados da agência pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden. As informações foram repassadas pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que recebeu a maior parte dos documentos de Snowden, atualmente exilado na Rússia e procurado pelos EUA.
Os documentos vazados fazem parte de uma apresentação interna da NSA. Eles mostram que foi feita espionagem de Dilma nas comunicações, incluindo o conteúdo de mensagens de texto entre assessores e colaboradores do Planalto.
Na segunda-feira (02/09), o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que solicitou uma resposta “por escrito” do governo norte-americano. Só aí, afirmou Figueiredo, é que será decidido que eventuais ações tomar contra Washington.
“A reação dependerá do tipo de resposta que for dada. Por isso, queremos uma resposta formal e por escrito. Daí vamos ver”, afirmou Figueiredo. O governo brasileiro espera uma resposta ainda esta semana.
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Fonte:http://mariafro.com/2013/09/04/serra-alimentou-o-odio-e-agora-e-vitima-dele/

PML: CROCODILOS QUE RONDAM O STF DERROTADOS

08.09.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

 PML dá aula (Nota do C Af)


Conversa Afiada reproduz artigo de Paulo Moreira Leite, inicialmente publicado em seu facebook:

CROCODILOS DERROTADOS


Nossos cronistas que tentam impedir que os condenados da Ação Penal 470 tenham direito a uma revisão adequada de suas penas e mesmo uma segunda jurisprudência perderam um argumento depois de ontem. 

Numa postura autoritária, que confundia seus desejos com a realidade, falavam do monstro, do ronco, do demônio das ruas para justificar a prisão imediata dos condenados. 

Mas tivemos protestos de participação modesta, que confirmam não só a vergonhosa ignorância da fatia conservadora da elite de nossos meios de comunicação quanto às preocupações reais que afligem a maioria da população, mas também sua total falta de compromisso com a apuração e divulgação de fatos verdadeiros e informações confiáveis. 

Querem fazer propaganda, querem ideologia – e não é difícil entender a razão. 

Interessados num eventual proveito político do julgamento, tentam chantagear as instituições da democracia, sem importar-se, sequer, com outros prejuízos de natureza cultural que o estimulo à baderna possa produzir. 

Como observou Janio de Freitas, pela primeira vez na história as pessoas saíram a rua num 7 de setembro sem “incluir, sequer remotamente, algo da ideia de nacionalidade, ou de soberania, de independência mesmo.” 

Diz ainda Janio: “pelo visto, não faria diferença se, em vez do Sete de Setembro, a celebração mais próxima fosse o Natal. Ou Finados.”
Lembrando que somos uma pátria de desiguais, o Grito dos  Excluídos disse a que veio. Mas só. 

Os demais não disseram nada, embora fosse sobre eles que se disse tudo – especialmente, que o STF deveria se acovardar. 

Há um componente maligno e manipulador nesse esforço para anunciar que um protesto será uma manifestação grandiosa. 

Procura-se estimular o efeito manada naquele conjunto de cidadãos capazes de sair a rua porque acham que “todo mundo vai estar lá”. Numa sociedade pouco organizada como a nossa, onde os partidos políticos são o que são e as demais organizações sociais são aquilo que se conhece, muitas pessoas sentem-se desenraizadas e sem compromisso social maior. Ficam impressionadas com demonstrações de força. 

Tenta-se contaminar nestes indivíduos um sentimento de solidão e isolamento caso não acompanhem os atos daqueles que se quer transformar numa “maioria” que ninguém ouviu nem diz onde mora nem sabe o que pensa – e muitas vezes nem pode ver o rosto, o que não é casual. 

A leitura de Hanna Arendt, uma das mais fecundas estudiosas do nascimento de movimentos totalitários que levaram às piores ditaduras do século passado, permite interessantes comparações com aquilo que se diz e se faz no Brasil de hoje. Não tudo, mas boa parte, pelo menos. 

Hanna Arendt explicou que os movimentos contra uma democracia ainda em gestação na Europa entre as duas Guerras precisaram de “uma grande massa desorganizada e desestruturada de indivíduos furiosos, que nada tinham em comum exceto a vaga noção de que as esperanças partidárias eram vãs; que, consequentemente, os mais respeitados, eloquentes e representativos membros da comunidade eram uns néscios e que as autoridades constituídas eram não apenas perniciosas, mas também obscuras e desonestas.” (“Origens do totalitarismo”, página 444). 

É claro que, diante do fiasco comprovado de ontem, ninguém irá admitir que nunca houve uma relação direta nem clara entre a ação 470 e os protestos de junho.

Havia, há dois meses, quem protestasse contra os condenados. Era muita gente, sem dúvida. Mas havia uma raiva mais ampla e generalizada, que envolvia o sistema político, a saúde pública e, como causa inicial, não vamos esquecer, o transporte público. 

Reconhecer isso hoje seria aceitar que se fez uma descrição política interesseira, que pretende dar ao povo um tratamento de ralé, estimulando, acima de tudo, a busca de um líder autoritário – para empregar, mais uma vez, a análise de Hanna Arendt. 

Para ela, povo é aquele movimento social articulado a partir de interesses concretos e definidos, inclusive de classe social, que reage para defender seus direitos quando são atacados – e por isso ela identifica povo com a democracia. 

Já a ralé, no sentido político, é formada por uma massa de cidadãos de várias classes, alimentados por uma “ amargura egocêntrica” que produz uma forma de “nacional tribal” e também o “niilismo rebelde.”

Analisando a estratégia de um dos mais cruéis líderes de um movimento em si monstruoso como o nazismo, Arendt fala que Himmler procurava recrutar integrantes das SS entre cidadãos que não estavam interessados em “problemas do dia a dia” mas somente em questões ideológicas de quem acredita trabalhar “numa grande tarefa que só aparece uma vez a cada dois mil anos.” 

Vejam algumas semelhanças entre as coisas. 

No livro “ A Cozinha Venenosa, “ no qual estuda a emergência do nazismo a partir da história de um jornal socialdemocrata de Munique, a jornalista Silvia Bittencourt lembra uma frase do hino da SS: “a Alemanha desperta.” 

Descrevendo a “atomização social e a individualização extrema”, Hanna Arendt fala de massas que, “num primeiro desamparo de sua existência, tenderam para um nacionalismo especialmente violento.” 

Avaliando o comportamento dos partidos que tinham uma postura de cumplicidade nos ataques a democracia, diz que agiam assim “por motivos puramente demagógicos, contra seus próprios instintos e finalidades.” 

Na verdade, a falta de disposição espontânea para transformar o 7 de setembro numa jornada de confronto político real, como ocorreu em junho, não era tão difícil assim de ser percebida. 

Em 4 de setembro registrei neste espaço minhas dúvidas sobre o tão falado monstro e seu “ronco”, como dizem os adoradores de todo movimento capaz de ser usado para causar prejuízos ao condomínio Lula-Dilma. 

Falando dos crocodilos que rondam o Supremo, escrevi: 

“Tenho certeza absoluta de que muitos brasileiros querem a prisão dos condenados pela ação penal 470. São sinceros e estão convencidos de seus motivos. Acho que o massacre dos meios de comunicação, tendenciosos, tem muito a ver com isso.

Não custa lembrar, contudo, que o Brasil não se resume a essas pessoas. Todos os deputados indiciados na ação penal 470 e que disputaram cargos eleitos em 2010 tiveram boa votação. Em 2012 a lei ficha limpa tirou João Paulo Cunha do pleito em Osasco. Senão, teria sido eleito prefeito. Não pode concorrer e emplacou um substituto no posto. Dirceu só não foi eleito em 2010 porque perdeu os direitos políticos no Congresso.

(…)

O “povo”, “a rua”, “o monstro” compareceu em massa às urnas em 2006, 2010, 2012. Em nenhuma dessas ocasiões a ação penal 470 derrotou qualquer candidato a presidente, a governador, a prefeito. Ocorreram derrotas e vitórias espetaculares. Sei da opinião de quem vai aos protestos. Mas basta andar pela rua e perguntar a opinião da população sobre Dilma. Ou sobre Lula.” 

Seria ilusório no entanto, esperar por um balanço politicamente honesto deste 7 de setembro. Ninguém irá aplicar o mesmo critério e reconhecer que a população não está com tanta pressa assim –– e dar uma folga na chantagem sobre o Supremo, deixando que, nos últimos dias, seja capaz de encarar os fatos e reconhecer que tem o dever de abrir o debate para a discussão dos embargos infringentes, uma possibilidade de assegurar a pelo menos uma parcela dos réus o direito de uma revisão de suas penas. 

As “ruas “ e o “monstro” eram apenas pretextos convenientes para justificar uma postura autoritária para mobilizar a população, de qualquer maneira, para exigir punições exemplares. Não deu certo e agora se mudará de assunto para perseguir o mesmo alvo, que é criminalizar as mudanças ocorridas no país nas últimas décadas. Como se faz sempre, a retórica consiste em transformar o bom em regular em ruim, o ruim em péssimo – e dizer que tudo o que há de ótimo saiu da cartola da oposição, enxotada do Planalto com uma popularidade negativa de 13 pontos. 

A transmissão ao vivo do julgamento, ainda no ano passado, destinava-se a transformar uma decisão que deveria ser tomada num ambiente de serenidade e recolhimento num espetáculo público com várias demonstrações de autoritarismo e intolerância. 
Tivemos um ministro relator que jamais foi um juiz, mas um aliado da acusação e, em vez de ser questionado a respeito, foi aplaudido exatamente por isso. 

Este comportamento permitiu várias distorções e abusos. No último exemplo, o ministro Ricardo Lewandovski demonstrou, com dados irrefutáveis, o agravamento artificial das penas com a finalidade de impedir que, apesar das denúncias injustas, da falta de provas, da fraqueza de tantas acusações, os réus pudessem beneficiar-se de um direito universal – a prescrição de penas depois de determinado prazo de investigação. 

Estimulando atitudes de quem se coloca acima da lei, improvisa soluções sob encomenda a seus interesses, o que se quer é outra coisa. 
Convencer o “niilismo rebelde” e o “nacionalismo tribal” que é possível desrespeitar a democracia pois ninguém será capaz de reagir. Estamos sendo submetidos a um teste. 
Através do ataque aos direitos de 25 condenados, pretende-se atingir os direitos do povo inteiro É um plano para um prazo mais longo, amplo e profundo.

Se, em outubro de 2014, Dilma Rousseff e Lula confirmarem o dizem as pesquisas eleitorais de hoje, cravando uma quarta vitória eleitoral consecutiva sobre a “ a amargura egocêntrica” das elites, nós poderemos saber exatamente o que estava em jogo no espantalho do monstro de 7 de setembro — obter, fora das urnas, fora do respeito devido às instituições democráticas, vitórias que só a soberania popular pode assegurar.



Clique aqui para ler 
“PML: crocodilos rondam o Supremo”

E aqui sobre o “Escárnio: um vinho pela cabeça do Dirceu”
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/09/08/pml-a-derrota-dos-crocodilos-que-rondam-o-supremo/

Hospitais de luxo custam mais que o “Mais Médicos”

08.09.2013
Do blog TIJOLAÇO, 07.09.13
Por  Fernando Brito

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Os quase seis mil médicos formados no exterior – brasileiros, cubanos e de outras nacionalidades – custarão ao Brasil, se colocarmos aí uns 50% além de seus salários como custo administrativo, algo como R$ 90 milhões por mês ou R$ 1,18 bilhão por ano, para darem assistência a cerca de 10 milhões de brasileiros, se considerarmos a média de 1,8 médicos por mil habitantes hoje registrada no país.

Muito dinheiro?

Pois a Folha anuncia hoje que a ampliação da rede hospitalar de luxo no Rio de Janeiro – em hospitais “voltados para o público de renda alta, com serviços de hotelaria cinco estrelas e alta tecnologia, estão sendo alvo de investimentos que somarão R$ 1,2 bilhão em unidades a serem construídas ou reformadas até 2017. Serão três novos empreendimentos com esse perfil — um deles um complexo hospitalar– fora a expansão de outros dois”.

Mas o que tem a ver uma coisa com a outra, se um programa é público, com dinheiro do Estado e outro é privado, com investimento de particulares, entre eles grandes grupos médico-empresariais  norte-americanos, como o Esho,  e nacionais, com participação de bancos de investimento?

Simples.

Tudo isso vai ser pago com dinheiro de impostos. Porque os investidores vão recuperar o que vão aplicar e muito mais como retorno e seus clientes-pacientes vão descontar tudo o que lhes pagarem no seu imposto de renda a pagar.

Isto é, tudo sai – deixando de entrar – do dinheiro público.

Agora some o que vai ser investido no Rio com o que está sendo investido em São Paulo, Belo Horizonte e outras capitais e cidades com poder aquisitivo para estes “hospitotéis”? Dava para bancar todo o Mais Médicos e sobrava.

Mas isso não escandaliza nossos médicos. Não aparece um a sugerir que, para obter mais recursos para a saúde pública, é preciso rediscutir os limites da  renúncia fiscal para despesas médicas (imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas, excluídas as isenções em medicamentos e hospitais filantrópicos).

Só isso representa, hoje,  cerca de R$ 13 bilhões por ano, mais do que se gastará com o “Mais Médicos” nos três anos dos contratos.

Não é hora da sociedade discutir se continuará pagando indiscriminadamente despesas médicas realizadas com valores muito acima do necessário, por contemplarem atendimentos luxuosos? Será que não deve haver limite de dedução fixo e percentual sobre a renda, como existe com os fundos de previdência privada?

Mas o elitismo da sociedade brasileira é tão forte que mexer com isso vai ser recebido pela mídia e pelos médicos  como um atentado à Saúde.

Embora um atentado à Saúde pública seja transferir uma montanha de dinheiro para financiar os negócios privados de luxo na saúde, enquanto a rede pública vive à míngua de pessoal de recursos para melhorar.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/index.php/hospitais-de-luxo-custam-mais-que-o-mais-medicos/

ESPIONAGEM DOS EUA INVADIU COMUNICAÇÕES DA PETROBRAS

08.09.2013
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/114254/Espionagem-dos-EUA-invadiu-comunicações-da-Petrobras.htm

Propinoduto tucano sumiu da mídia

08.09.2013
Do BLOG DO MIRO, 05.09.13
Portal Terra/Levante Popular

Por Altamiro Borges

Nesta quarta-feira (4), cerca de 2 mil jovens realizaram uma manifestação em frente às sedes das multinacionais Siemens e Alstom, na zona oeste de São Paulo, para exigir a apuração das denúncias sobre o propinoduto tucano. O protesto foi organizado pelo Levante Popular da Juventude e pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), mas não obteve a mesma cobertura jornalística da mídia privada, que tentou pegar carona e pautar as mobilizações juvenis de junho. Na prática, a imprensa tucana – que abocanha fartos recursos em publicidade do governo de Geraldo Alckmin – já sumiu com o escândalo de corrupção do PSDB de São Paulo.

“Precisamos fazer um acerto de contas com as empresas corruptoras, que sempre ficam invisíveis nos escândalos de corrupção. A Siemens e a Alstom precisam ser investigadas e punidas, além dos políticos do PSDB. Não podemos admitir que a população sofra todo dia com a falta de qualidade do transporte público, enquanto empresas estrangeiras desviam recursos públicos”, protestou Thiago Pará, dirigente do Levante Popular da Juventude. “Não é mole não, o tucano é só corrupção”, cantaram os jovens durante o protesto. Na sede do grupo francês Alstom, os manifestantes picharam "empresa corruptora".

Já na sede da Siemens, os ativistas lembraram os sete mortos no acidente nas obras do Metrô-Linha Amarela. “O nome de cada um deles foi saudado e foi colocada uma cruz para cada um deles em frente da empresa alemã”, relata o sítio do Levante da Juventude. “Essas empresas eram responsáveis pelas obras na Linha Amarela e têm culpa na morte desses trabalhadores, que são símbolos da falta de respeito com o povo brasileiro. É preciso fazer justiça. Enquanto não houver justiça, haverá escracho popular”, prometeu Pará. O MAB também denunciou que a Siemens e a Alstom são responsáveis pelas obras de construção de barragens e são acusadas de formar um cartel para superfaturar os preços dos serviços.

Polícia Federal entra no trilho

Além dos protestos de rua exigindo a apuração das denúncias do propinoduto, o escândalo tem tido outros desdobramentos. Na quinta-feira passada (29), “agentes da PF entraram no edifício do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, centro da capital paulista, e subiram ao quinto andar em busca de documentos relacionados à formação de cartel das empresas ligadas ao transporte sobre trilhos em São Paulo. A ação policial teve como foco 21 contratos com indícios de irregularidades, de acordo com pessoas ligadas à investigação e ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, relata a revista IstoÉ em matéria assinada por Alan Rodrigues, Pedro Marcondes e Sérgio Pardellas.

Ainda segundo a reportagem, “os negócios, em valores corrigidos, somam cerca de R$ 11 bilhões. Cinco já foram julgados irregulares pelo Tribunal de Contas. Já três, estimados em R$ 6,3 bilhões, nem sequer foram julgados. Outros 13, como o projeto executivo para o trecho Ana Rosa/Ipiranga da Linha 2 Verde, que custou ao menos R$ 143,6 milhões, foram considerados regulares pelo tribunal. A Polícia Federal pretende usar as informações contidas nos procedimentos do TCE para complementar um inquérito que investiga as fraudes cometidas pelas 18 empresas participantes do cartel, que teria abastecido um propinoduto que percorreu as gestões do PSDB em São Paulo nos últimos 20 anos”.

Pressão das ruas é urgente

O ingresso da PF no caso também não teve maior repercussão no restante da mídia. As emissoras de televisão quase não falam mais sobre o propinoduto tucano. Os jornalões dão apenas pequenas notas e o assunto sumiu das manchetes. Entre as revistonas, a situação mais escabrosa é da Veja – que recentemente foi premiada com a compra de milhares de assinaturas pelo governo estadual. Ela simplesmente não toca no assunto explosivo. Caso não ocorram mais protestos de rua, como o organizado pelo Levante Popular da Juventude e o MAB nesta quarta-feira, a tendência é que o tema desapareça completamente da mídia seletiva nas próximas semanas.

E que ninguém se iluda que o Ministério Público de São Paulo irá investigar as graves denúncias. Em sua coluna na Folha, a jornalista Mônica Bergamo publicou uma curiosa notinha nesta semana: “O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) nomeou Carla Elias Rosa, mulher do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, para trabalhar no Palácio dos Bandeirantes. Ela integrará a assessoria jurídica do governo, na Casa Civil... Elias Rosa lidera o Ministério Público de SP, que tem entre suas prerrogativas investigar denúncias que envolvam o governo”. Só mesmo a pressão das ruas poderá desencavar o propinoduto tucano!

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Leia também:






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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/propinoduto-tucano-sumiu-da-midia.html

7 de setembro: Atirador treinado monta acampamento diante do palanque de Dilma

08.09.2013
Do blog LIMPINHO & CHEIROSO, 06.09.13
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Reprodução do site de O Globo.
Fernando Brito, via Tijolaço

Não sou policial, nem policialesco. Mas não sou irresponsável e peço a sua atenção para o que vou descrever e mostrar. Não estou sugerindo que seja um atentado. Mas a história é de arrepiar.

O Globo publicou na tarde de sexta-feira, dia 6, que um grupo de “manifestantes” acampou diante do palanque presidencial montado para o desfile de Sete de Setembro. Nada demais, todos têm o direito de se manifestar.

E a gente tem o direito de saber quem são.

O jornal os identifica como integrantes do Movimento Brasil Contra a Corrupção. Que tem um site na internet, o mbcc.com.br registrado por Geraldo Magela Abreu, um de seus autores e o dono do registro do domínio na internet. Do Movimento e de outro, como os “Amigos do Tiro”, ainda em construção.

Geraldo é um entusiasta de armas e pode ser visto aqui treinando tiros de pistola. Será que os alegres meninos que estão sentados ali sob a égide de seu “MBCC” sabem que seu líder é um sniper?

Não estou acusando Geraldo de nada, a não ser de pertencer a este grupinho de maníacos que realizam suas frustrações segurando um cano de pistola, como aliás ele deveria ter aprendido, já que se identifica como aluno de psicologia da Uniceub.

Mas é bom que todo mundo saiba com quem está se metendo e, ainda que, por precaução e civilizadamente, seja feita uma verificação de se Geraldo estará portando um arma, com o treinamento que fez para usá-la, ali bem de fronte ao palanque presidencial.

Todas as páginas que comprovam o que estou dizendo podem ser vistas aquiaquiaqui e aqui.

E, abaixo, o vídeo do treinamento de Geraldo com uma pistola Glock, que ele mesmo colocou no Youtube.


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Leia também:

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Repórter da Globo foi expulso da manifestação no Rio. TV Globo de Brasília quase foi invadida

08.09.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

TV Globo foi alvo novamente de protestos nas manifestações do 7 de setembro em Brasília e no Rio.


Em Brasília, um grupo de manifestantes tentou invadir a TV Globo. Seguranças da emissora contiveram o portão e jogaram água com mangueira de incêndio. Mas a dispersão só aconteceu com a chegada do batalhão de choque.

Somos contra agressões físicas, pois basta vaiar, cercar e disparar gritos de guerra contra a emissora, o que também foi feito. Mas um repórter da GloboNews no Rio de Janeiro foi chutado por manifestantes. Ele fazia a transmissão do protesto disfarçado, por celular, "à paisana", sem identificação da emissora. Por volta das 13h45 alguém percebeu e manifestantes chegaram a chutá-lo, aparentemente sem maiores consequências. Também jogaram tinta vermelha no cabelo. A turma do deixa disso e advogados que acompanhavam a manifestação ajudaram na retirada do tumulto. Um camburão da PM retirou o repórter das imediações.

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7 de setembro de 1963: Globo fala em “comunização do Brasil”

08.09.2013
Do blog  TIJOLAÇO
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Aproveitando a disposição global de pedir desculpas, e usufruindo do acervo de edições antigas que o jornal disponibilizou na internet, vamos lembrar de vez em quando à família Marinho que seus erros foram muito além do “apoio editorial” ao golpe. A Globo ajudou a preparar os espíritos, a construir um clima favorável na opinião pública a uma imperdoável agressão à nossa experiência democrática.
Por exemplo, no dia 7 de setembro de 1963, há exatos 50 anos, a Globo publicou um editorial afirmando que a Petrobrás estava sendo tomada por perigosos comunistas.
ScreenHunter_2490 Sep. 07 08.14
ScreenHunter_2489 Sep. 07 08.13
As acusações eram ridículas. O período mais radical do Macarthismo já havia terminado. Não havia razão para tanta paranóia.
A Petrobrás fora fundada sob terrível oposição do mesmo Globo, que agora fazia campanha sistemática contra a empresa e os nacionalistas que a dirigiam. Repare como o jornal opõe “comunistas” a “patriotas”, e alerta para a “comunização do Brasil”. Acusação mentirosa. Goulart fazia um governo de cunho nacionalista, e tinha o apoio da esquerda organizada: a UNE, partidos progressistas e movimentos sociais. Mas era totalmente inexato apontar a intenção de Goulart de “comunizar” o país.
Na mesma página, outra nota no mesmo tom:
ScreenHunter_2491 Sep. 07 08.28
Todo o dia, o Globo fazia diatribes assim, sempre promovendo o ódio ideológico contra a esquerda, criminalizando-a e produzindo uma atmosfera de paranoia, conspiração e intolerância política.
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O artigo sobre o IBAD está na página 5 da mesma edição de 7 de setembro de 1963. Hoje está provado que o instituto, espécie de think tank coxinha pró-América (parecido com instituto Millenium), recebeu sim dinheiro do governo americano.
Por: Miguel do Rosário
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Ricardo Kotscho. Fracassa em todo o país “o maior protesto da história”

08.09.2013
Do BLOG DO SARAIVA

"Se as oposições e seus aliados do Instituto Millenium esperavam o 7 de Setembro para dar uma guinada no cenário político-eleitoral do país, amplamente favorável à presidente Dilma e ao governo federal, como foi registrado nas últimas pesquisas, é bom que procurem logo outro povo e outro mote para "o maior protesto da história". Desta vez, foi um fiasco retumbante." 

Fracassou em todo o país "o maior protesto da história do Brasil", evento anunciado durante toda a semana nas redes sociais e amplificado por setores da grande imprensa, que divulgaram massivamente os atos de protestos marcados para 149 cidades.

Até as quatro da tarde deste sábado de 7 de setembro, hora em que começo a escrever, não houve nada que lembrasse as grandes manifestações das chamadas "Jornadas de Junho", que levaram milhões de brasileiros às ruas nas principais cidades brasileiras.

Ao contrário, não vimos nada de multidões protestando "contra tudo e contra todos", carregando faixas e cartazes com as mais diferentes reivindicações, mas apenas alguns bandos de arruaceiros, umas poucas centenas de integrantes dos grupos mascarados do Anonymous e dos Black Blocs, tentando invadir desfiles militares, queimando bandeiras e entrando em confronto com a polícia, principalmente no Rio e em Brasília.
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Onde está a indignação contra a violação da soberania nacional?

08.09.2013
Do blog TIJOLAÇO 
Por Miguel do Rosário

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Esse é um daqueles artigos que merecem rodar por todos os principais sites e blogs políticos do país.

Os patriotas que aliviam para a CIA

Por Saul Leblon, na Carta Maior

O governo brasileiro deve um pronunciamento à Nação sobre as violações cometidas pelo serviço de espionagem dos EUA contra o país.

Não há motivo para subtrair à sociedade aquilo que já está em mãos indevidas, fervilha nos bastidores e é intuído do noticiário.

A CIA recolheu ilegalmente e compartilhou, para uso comercialmente desfrutável, dados reservados e informações estratégicas, estas sobretudo de natureza econômica, configurando-se um ato evidente de transgressão de soberania.

Ademais de roubo, puro e simples de segredos comerciais.

A afanosa invasão, como outras mundo afora –ou não havia interesse no petróleo iraquiano?– faz-se acompanhar do inexcedível traço imperial.

Sempre em nome da luta contra o terrorismo, não se poupou, sequer, o circuito de informação no âmbito da Presidência da República brasileira.

Violou-se correspondência eletrônica reservada da Presidente Dilma.

Aparelhos celulares de seu uso exclusivo foram grampeados; mensagens capturadas. Quem garante que os de acesso particular não sofreram idêntico tratamento?

Não há limites.

Tudo feito com a complacência ou a parceria pura e simples de residentes. Empresas, inclusive.

Carta Maior já havia demonstrado, em reportagens exclusivas e exaustivas, em julho último, o intercurso entre espionagem e corporações norte-americanas no Brasil.

No caso, o protagonista era uma das maiores corporações de consultoria do mundo.

Contratada no governo FHC para ‘pensar’ planos estratégicos, a Booz Allen, na qual trabalhava o ex-agente da CIA, Edward Snowden, operou no Brasil pelo menos até 2002.

De um lado, como guarda-chuva de uma base de espionagem da CIA no país.

Simultaneamente, como mentora intelectual de uma série de estudos e pareceres, contratados pelo governo do PSDB.

O objetivo era pavimentar o alinhamento carnal do mercado brasileiro com a economia dos EUA. Tracejar a free way da ALCA.

No acervo desse ‘impulso interativo’ listam-se estudos como o dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento.

Realizados por um consórcio lierado pela Booz Allen, sugestivamente receberiam o nome fantasia, bote fantasia nisso, de “Brasiliana”.

Dois eixos centrais da adesão tucana ao desenvolvimento dependente e subordinado beberam desse manancial: o “Brasil em Ação” e o “Avança Brasil”.

A versátil Booz-Allen teria, ainda, robusta influência na reforma do sistema financeiro nacional.

A ênfase nas privatizações de bancos públicos obedecia a diretriz predominante então, de adesão incondicional à supremacia das finanças desreguladas.

O que antes era lubrificado assim, por uma identidade de propósitos e a natureza gêmea dos governos dos dois lados, hoje só se viabiliza na violação delinquente de informações que lastreiam o poder de Estado e o poderio econômico da Nação.

Um foco prioritário do grampo é o pré-sal. As petroleiras internacionais querem saber se a regulação soberana das maiores reservas descobertas no planeta, no século XXI, tem lastro político e financeiro para se sustentar.

Ou por outra, se os índices de nacionalização que guarnecem o impulso industrializante embutido na regulação do pré-sal vieram para ficar.

Interessa, naturalmente, o calendário da exploração, o fôlego da Petrobrás para assumir a condição de parceiro cativo em qualquer poço, ademais das avaliações sigilosas das novas descobertas em curso.

Enfim, tudo o que possa ser útil à apropriação da maior faia possível de uma riqueza estimada, por enquanto, em até 60 bilhões de barris.

Leia-se esse número seguido da informação de que a matriz energética do planeta ainda depende 57% do petróleo.

O resultado explica a gula que ordenou as violações, o despudor das escutas palacianas e a ousadia das decodificações perpetradas pela espionagem gringa.

Embora revelados originalmente pela TV Globo, de conhecidas tradições, avulta desse episódio a reação lhana e a cordura no trato que o assunto mereceu da parte de colunistas da indignação seletiva.

A exemplo deles, nenhum editorial, salvo engano, tampouco manchetes garrafais foram hasteadas no alvorecer nacional, com as cores da indignação patriótica.

Animadoras de programa de culinária não trocaram o colar de tomate pela túnica verde amarela para protestar contra Obama.

Uma sigla dotada de forte simbologia antipopular como a CIA foi poupada na identificação do braço operante da espionagem contra o país.

Em plena Semana da Pátria, a americanofilia do jornalismo embarcado aliviou para a CIA.

Não se diga que se trata de um traço constitutivo de serenidade editorial.

Recorde-se, por exemplo, a reação beligerante da emissão conservadora em maio de 2006, quando a Bolívia decidiu nacionalizar a exploração dos negócios de petróleo e gás no país.

O presidente Evo Morales ordenaria a ocupação pelo Exército dos campos de produção das empresas estrangeiras no país, entre elas a brasileira Petrobras.

Colunistas de brios nacionalistas até então desconhecidos, desembainharam seu amor recolhido pela estatal criada por Getúlio.

E cobraram do então governo Lula uma intervenção enérgica contra o atrevimento boliviano.

Respingava da ira espumante o desejo incontido de uma invasão reparadora.

Idêntico brado varonil ecoa com regularidade, sempre que se trata de cobrar do governo ‘petista’ uma respostas às medidas protecionistas adotadas pela Casa Rosada, para preservar o que restou da manufatura argentina depois de Menem & Cavallo.

Nem é preciso regredir tanto no calendário.

Tome-se o paradoxo dos dias que correm, protagonizado por jalecos corporativos, americanófilos golberianos e colunistas de baixa densidade intelectual, mas enorme disposição servil.

Formou esse pelotão uma verdadeira trincheira de animosidade ‘patriótica’ contra a ‘invasão negreira’, assim denominado o desembarque dos doutores cubanos engajados no programa ‘Mais Médicos’.

Pendores nacionalistas desconhecidos até então emergiram à flor da pele.

A aguerrida defesa da extensão dos direitos trabalhistas aos visitantes ecoava das mesmas gargantas, ásperas, de tanto requerer a extinção desse usufruto ao assalariado nacional.

A ausência do mesmo arrojo patriótico, quando o assunto é o estupro de sigilos nacionais por uma potencia de conhecidas tradições no ramo da sabotagem e derrubada de governos, soaria apenas desconcertante.

Não fosse também oportuno para discernir no interior do nacionalismo etéreo que reveste o 7 de Setembro, aquilo que, de fato, é o interesse do povo brasileiro, daquilo que se comete em seu nome.

O nacionalismo renova sua pertinência histórica quando associado à defesa da verdadeira fronteira da soberania no século XXI: a justiça social.

Postado por Saul Leblon às 06:14