sábado, 7 de setembro de 2013

Eles podem queimar uma bandeira, mas nunca queimarão os direitos do povo

07.09.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

bandeiraqueimada
Um bando de idiotas arrancar do mastro e queimar uma bandeira do Brasil , como fizeram hoje os Black Blocs, nos Rio, é só o que é: a ação de um bando de idiotas.
Bobagem torná-lo um crime – embora tecnicamente o seja – maior.
É um ato que só serve para identificar - mesmo mascarados - quem eles são: pessoas que, embora gritem “fora Globo”, tem o mesmo desprezo que ela por essa identidade que nos mantém íntegros e dá uma mínima – mínima mesmo – proteção contra a voracidade dos interesses dominantes do mundo.
Estes babacas não se deram conta que só nos arrancaram toneladas e toneladas de ouro, boa parte da riqueza porque não tínhamos uma bandeira a nos unir como Nação, e o seu primeiro ensaio, o triângulo vermelho da bandeira mineira de Tiradentes, serviu de mortalha a seu corpo retalhado.
E desde Castro Alves, que preferia vê-la “rota num campo de batalha” a servir ao povo negro de mortalha, lutamos para que ela nunca cobrisse a vileza, a desumanidade, refém de mãos indignas,  sem que nós jamais tenhamos confundido-a com a opressão que sob ela se exercia.
Por que? Se ela fosse desimportante, que nos doeria? Um pedaço de pano como qualquer outro, afinal…
Não, um milhão de vezes não. Ele é um símbolo da nossa igualdade, neste paìs que discrimina pobres, negros, nordestinos, índios e todos os que nao fazem parte da elite egoísta que a eles nega e quer negar tudo e só uma coisa não pode recusar: que sejam brasileiros e que tenham nas mãos calosas e ásperas o mesmo voto que as suas, brancas e cuidadas,
E, com isso, o direito de dizer quais serão os ventos que a farão tremular, se os da independência ou os da submissão colonial, que é o paraíso para sua mediocridade.
A bandeira negra que hastearam em seu lugar, enquanto ela ardia não é do anarquismo, é a da pirataria internacional, que nos saqueia e mais quer saltear e adoraria livrar-se deste único pedaço de pano que mitiga a vergonha de uma classe dominante que alimenta seus privilégios com a miséria do povo brasileiro, com o saque ne nosso solo e subsolo, com a predação da vida que viceja exuberante nesse trópico como não viceja lá, na frieza encruada de terras raquíticas com povos gordos.
Eles são apenas estúpidos, incapazes de perceber isso, porque incapazes de amar de verdade seus irmãos brasileiros, que consideram uma massa amorfa, incapaz de pensamentos e de sentimentos.
Não é de povo que querem que se encham as ruas, porque o povo lhes daria meia dúzia de cascudos e os reduziria ao que são, um guris inúteis, que jamais viram um trabalhador senão como porteiros do seu prédio ou faxineiras de suas imundíces.
Só quem os tolera, mesmo condenando suas depredações, aprecia sua utilidade como criadores de confrontos que afastam o povo e enfraquece suas aspirações.
Por eles são aceitos, impunes, nutridos dentro de manifestações que levantam “a moralidade” como razão, para as quais dão, pelo confronto violento, o destaque que de outro modo não teriam, pela esqualidez dos que protestam contra todos e contra tudo, embora só tenham um alvo: um governo que, mesmo com todos os seus imensos defeitos, encarna os sonhos de soberania e justiça social deste país.
É que eles nunca viram imoralidade na fome, na mortalidade infantil, no analfabestimo, no saque de nossas riquezas, na entrega do nosso petróleo.
Por isso é que toleram suas traquinagens adolescentes, até mesmo queimar a bandeira brasileira.
São uns tolos, que o monstro do autoritarismo – se conseguirem despertá-lo, com as suas barulhentas bagunças – varrerá de pata.
Entretanto, não o farão, porque o povo brasileiro não aceita mais ser tutelado, nem ser saqueado. Seja pelos trocados da corrupção seja, sobretudo, pelos bilhões das perdas que um sistema econômico injusto e pela não-distribuição da riqueza nacional, contra as quais não se vê um mísero cartazinho.
Eles nasceram da mídia e só por ela sobrevivem, porque lhes servem, mesmo enjeitados nos seus editoriais.
Porque eles, filhos de uma escuridão mais opaca que suas roupas e capuzes, não podem sobreviver à luz do dia e do debate.
Mais demoracia, mais! Isso é um veneno para os idiotas da sombra.
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LEBLON: PIG RECLAMA DO TOMATE E ESQUECE DO OBAMA

07.09.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Esse PiG (*) e a mania de ser colônia (Nota do C Af)


Conversa Afiada republica artigo de Saul Leblon, extraído da Carta Maior: 

OS PATRIOTAS QUE ALIVIAM PARA A CIA




O governo brasileiro deve um pronunciamento à Nação sobre as violações cometidas pelo serviço de espionagem dos EUA contra o país.

Não há motivo para subtrair à sociedade aquilo que já está em mãos indevidas, fervilha nos bastidores e é intuído do noticiário.

A CIA recolheu ilegalmente e compartilhou, para uso comercialmente desfrutável, dados reservados e informações estratégicas, estas sobretudo de natureza econômica, configurando-se um ato evidente de transgressão de soberania.

Ademais de roubo, puro e simples de segredos comerciais.

A afanosa invasão, como outras mundo afora –ou não havia interesse no petróleo iraquiano?– faz-se acompanhar do inexcedível traço imperial.

Sempre em nome da luta contra o terrorismo, não se poupou, sequer, o circuito de informação no âmbito da Presidência da República brasileira.

Violou-se correspondência eletrônica reservada da Presidente Dilma.

Aparelhos celulares de seu uso exclusivo foram grampeados; mensagens capturadas. Quem garante que os de acesso particular não sofreram idêntico tratamento?

Não há limites.

Tudo feito com a complacência ou a parceria pura e simples de residentes. Empresas, inclusive.

Carta Maior já havia demonstrado, em reportagens exclusivas e exaustivas, em julho último, o intercurso entre espionagem e corporações norte-americanas no Brasil.

No caso, o protagonista era uma das maiores corporações de consultoria do mundo.

Contratada no governo FHC para ‘pensar’ planos estratégicos, a Booz Allen, na qual trabalhava o ex-agente da CIA, Edward Snowden, operou no Brasil pelo menos até 2002.

De um lado, como guarda-chuva de uma base de espionagem da CIA no país.

Simultaneamente, como mentora intelectual de uma série de estudos e pareceres, contratados pelo governo do PSDB.

O objetivo era pavimentar o alinhamento carnal do mercado brasileiro com a economia dos EUA. Tracejar a free way da ALCA.

No acervo desse ‘impulso interativo’ listam-se estudos como o dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento.

Realizados por um consórcio lierado pela Booz Allen, sugestivamente receberiam o nome fantasia, bote fantasia nisso, de “Brasiliana”.

Dois eixos centrais da adesão tucana ao desenvolvimento dependente e subordinado beberam desse manancial: o “Brasil em Ação” e o “Avança Brasil”.

A versátil Booz-Allen teria, ainda, robusta influência na reforma do sistema financeiro nacional.

A ênfase nas privatizações de bancos públicos obedecia a diretriz predominante então, de adesão incondicional à supremacia das finanças desreguladas.

O que antes era lubrificado assim, por uma identidade de propósitos e a natureza gêmea dos governos dos dois lados, hoje só se viabiliza na violação delinquente de informações que lastreiam o poder de Estado e o poderio econômico da Nação.

Um foco prioritário do grampo é o pré-sal. As petroleiras internacionais querem saber se a regulação soberana das maiores reservas descobertas no planeta, no século XXI, tem lastro político e financeiro para se sustentar.

Ou por outra, se os índices de nacionalização que guarnecem o impulso industrializante embutido na regulação do pré-sal vieram para ficar.

Interessa, naturalmente, o calendário da exploração, o fôlego da Petrobrás para assumir a condição de parceiro cativo em qualquer poço, ademais das avaliações sigilosas das novas descobertas em curso.

Enfim, tudo o que possa ser útil à apropriação da maior faia possível de uma riqueza estimada, por enquanto, em até 60 bilhões de barris.

Leia-se esse número seguido da informação de que a matriz energética do planeta ainda depende 57% do petróleo.

O resultado explica a gula que ordenou as violações, o despudor das escutas palacianas e a ousadia das decodificações perpetradas pela espionagem gringa.

Embora revelados originalmente pela TV Globo, de conhecidas tradições, avulta desse episódio a reação lhana e a cordura no trato que o assunto mereceu da parte de colunistas da indignação seletiva.

A exemplo deles, nenhum editorial, salvo engano, tampouco manchetes garrafais foram hasteadas no alvorecer nacional, com as cores da indignação patriótica.

Animadoras de programa de culinária não trocaram o colar de tomate pela túnica verde amarela para protestar contra Obama.

Uma sigla dotada de forte simbologia antipopular como a CIA foi poupada na identificação do braço operante da espionagem contra o país.

Em plena Semana da Pátria, a americanofilia do jornalismo embarcado aliviou para a CIA.

Não se diga que se trata de um traço constitutivo de serenidade editorial.

Recorde-se, por exemplo, a reação beligerante da emissão conservadora em maio de 2006, quando a Bolívia decidiu nacionalizar a exploração dos negócios de petróleo e gás no país.

O presidente Evo Morales ordenaria a ocupação pelo Exército dos campos de produção das empresas estrangeiras no país, entre elas a brasileira Petrobras.

Colunisttas de brios nacionalistas até então desconhecidos, desembainharam seu amor pela estatal criada por Getúlio.

E cobraram do então governo Lula uma intervenção enérgica contra o atrevimento boliviano.

Respingava da ira espumante o desejo incontido de uma invasão reparadora.

Idêntico brado varonil ecoa com regularidade, sempre que se trata de cobrar do governo ‘petista’ uma respostas às medidas protecionistas adotadas pela Casa Rosada, para preservar o que restou da manufatura argentina depois de Menem & Cavallo.

Nem é preciso regredir tanto no calendário.

Tome-se o paradoxo dos dias que correm, protagonizado por jalecos corporativos, americanófilos golberianos e colunistas de baixa densidade intelectual, mas enorme disposição servil.

Formou esse pelotão uma verdadeira trincheira de animosidade ‘patriótica’ contra a ‘invasão negreira’, assim denominado o desembarque dos doutores cubanos engajados no programa ‘Mais Médicos’.

Pendores nacionalistas desconhecidos até então emergiram à flor da pele.

A aguerrida defesa da extensão dos direitos trabalhistas aos visitantes ecoava das mesmas gargantas, ásperas, de tanto requerer a extinção desse usufruto ao assalariado nacional.

A ausência do mesmo arrojo patriótico, quando o assunto é o estupro de sigilos nacionais por uma potencia de conhecidas tradições no ramo da sabotagem e derrubada de governos, soaria apenas desconcertante.

Não fosse também oportuno para discernir no interior do nacionalismo etéreo que reveste o 7 de Setembro, aquilo que, de fato, é o interesse do povo brasileiro, daquilo que se comete em seu nome.



Clique aqui para ver “Dilma a Obama: ‘Quero saber tudo, tudinho’”

Aqui para “Obama promete explicações a Dilma”

Já aqui para votar em “Dilma deve cancelar a viagem aos EUA? Não ! Sim ! Vote !”

E aqui para “Saul: a guerra que pode matar uma nação”
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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Após 43 anos, mascarados e democratas ainda se enfrentam

07.09.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
A imagem que encima este texto foi capturada em 1970. Mostra Dilma Rousseff, aos 22 anos, sendo interrogada em um tribunal da ditadura militar. Descoberta pelo jornalista Ricardo Amaral em arquivos esquecidos, a foto foi amplamente divulgada e comentada ao final de 2011 e chegou a ser reproduzida em uma matéria da revista Época.
A força da imagem está em seu simbolismo, o qual ganha sentido ainda maior tantas décadas depois. Ironicamente, no dia de comemoração da Independência do Brasil os mesmos grupos militares que esconderam os rostos naquele ano de 1970 continuam tentando dobrar a mesma jovem, hoje uma sexagenária, ainda protegidos pelo anonimato.
O mais doloroso é que esses covardes que escondiam os rostos ontem ao interrogar uma garota indefesa que tinham torturado cruelmente semanas antes, hoje manipulam jovens de classe média como era Dilma com o propósito, mais uma vez, de golpearem a democracia.
Os protestos convocados para ocorrer em 7 de setembro de 2013 contra o Partido dos Trabalhadores foram engendrados pelo grupo Anonymous, que se notabilizou por usar como símbolo e instrumento máscara elaborada pelo quadrinista britânico Alan Moore para uma “grafic novel” chamada “V for Vendetta” (V de vingança) lançada em 1982 com o fim de denunciar regimes autoritários. Ironicamente, o Anonymous e os militares usurparam aquele símbolo em favor dos entusiastas da ditadura militar brasileira.
O principal item da pauta de “reivindicação” do Anonymous nos protestos de 7 de setembro vem sendo comemorado por sites de extrema-direita de viés racista, homofóbico e que pregam um novo golpe militar.
O grupo que usa a máscara criada por Alan Moore exige “a prisão imediata dos mensaleiros”. E como alvo principal desse movimento, um companheiro de luta de Dilma durante a Ditadura, condenado à prisão em um processo obscuro e cheio de questionamentos. Mais uma vez, Dilma e José Dirceu enfrentam a ditadura.
Agora, porém, são seus filhotes, meninos e meninas de classe média entorpecidos por preconceitos de todo tipo e pelo desamor à democracia que lhes foi inoculado por uma criação irresponsável, perdulária, egoísta.
Brincando de “revolucionários”, os moleques mimados gostam de arrotar “coragem” apesar de se mascararem sem a menor necessidade, pois hoje os que estão por trás dos protestos de 7 de setembro vivem em um país democrático em que todos podem dizer o que quiserem publicamente sem medo de serem torturados e até assassinados.
Milhões de reais foram gastos para organizar os protestos de 7 de setembro. Gastaram fortunas com transporte, alimentação e tudo mais de que precisarem os mascarados que irão às ruas pedir violação do Estado de Direito ao exigirem que os que lutaram para defender a democracia sejam encarcerados antes do fim do julgamento obscuro a que foram submetidos.
A ironia final da situação que este texto comenta reside no fato de que os alvos dos protestos chegaram ao poder após lutarem para que os que agora manipulam jovens desorientados tivessem liberdade garantida para fazerem o que não permitiram durante os vinte anos de ditadura que impuseram ao Brasil: criticar o governo.
Os militares e o grupo Anonymous engendraram os protestos de 7 de setembro para pedir as cabeças, sobretudo, de José Dirceu e José Genoino, que lutaram para que todos pudessem ir às ruas dizer o que quisessem sob um governo do qual discordam. E sem necessidade de golpistas esconderem de novo os rostos, como fizeram na foto de 1970.
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Magistrados discutem ‘vacina’ contra efeito Joaquim Barbosa

07.09.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


Começam a ser discutidas entre magistrados a ideia de quarentena para juízes em atividade picados pela mosca azul da política.

A preocupação é de magistrados vocacionados para o poder judiciário que se preocupam em evitar que tribunais sejam usados como palanque para promover candidaturas futuras, sacrificando a isenção, imparcialidade e seriedade jurídica de julgamentos.

Juízes envolvidos em casos de grande projeção nacional estariam se utilizando desses holofotes para tentar se promover e fazer a transição para a seara política.

A busca pelo palanque, se traz dividendos políticos no curto prazo para alguns juízes-candidatos, trazem danos de longa duração à credibilidade do judiciário e sério risco de desmoralização da justiça brasileira nos fóruns jurídicos internacionais e nos meios acadêmicos.

A inspiração para a proposta está no presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. E embora negue intenção de disputar a eleição, se diz lisonjeado ao ser citado como pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Uma das ideias é ficar em "quarentena" na primeira eleição subsequente a sua saída da magistratura. (Com informações do Poder Online)

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O linchamento de José Dirceu

07.09.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Hildegard Angel, em seu blog:

Ao fim da transmissão, ontem, da sessão no STF, Maria Alice Vieira, a colaboradora braço direito de José Dirceu, anunciou que todos os presentes ali reunidos no salão de festas do prédio do ex-Chefe da Casa Civil estavam convidados para retornar na quarta-feira e, juntos, assistirem novamente à próxima sessão, que provavelmente deverá julgar os Embargos Infringentes, assim todos esperam.


Havia no ar uma certa sensação de alívio. Alguém atrás de mim comentou: “Mais uma semana!”. O que entendi como “mais uma semana de esperança”.

O irmão de José Dirceu, Luís, que naquela manhã teve um mal estar cardíaco e precisou ser atendido numa clínica, veio me cumprimentar e agradecer o apoio, “em nome da família”. Gesto inesperado e tocante, de quem estava claramente emocionado.

José Dirceu é o que a literatura define como “homem de fibra”. Impressionante como se manteve e se mantém de pé, ao longo de todos esses anos, mesmo atacado por todos os lados, metralhado por todas as forças, todos os poderosos grupos de mídia, os políticos seus detratores, todas as forças da elite do país, formadores de opinião de todos os segmentos e matizes, de forma maciça e ininterrupta, massacrante.

De modo como jamais se viu uma pessoa nesta Nação ser ofendida, ele vem sendo acossado, desmoralizado, num processo de demolição continuada, sem deixarem pedra sobre pedra, esmiuçando-se cada milímetro de sua intimidade, devassando, perseguindo, escarafunchado e, sem qualquer evidência descoberta, juízes o condenam proferindo frases do tipo “não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Nem mesmo o mais reles criminoso foi satanizado de tal forma ou sofreu linchamento tão perverso.

Com tal carga a lhe pesar sobre os ombros, ele não os curva. Às vezes mais abatido, outras aparentemente decepcionado, contudo sempre em combate, preparando-se para o momento seguinte. Não se queixa, não acusa, não lamenta, nem cobra a ausência de apoio daqueles que, certamente, deveriam o estar respaldando. É discreto. Não declina nomes. Nunca deixa transparecer quem está próximo dele, quem não. Um eterno militante de 68, que jamais despiu a boina.

“Família”, antes da reunião ontem, em seu prédio, com os companheiros que o apoiam nessa via crucis penal, para juntos assistirem à transmissão da TV Justiça, ele almoçou em casa com suas suas três ex-mulheres, filhas, irmãos, uma confraternização familiar necessária para quem poderia, dali a algumas horas, escutar o pior dos resultados.

E lá estávamos nós, aguardando sua chegada, falando baixo, sem grande excitação no ambiente, enquanto um técnico ajeitava, no laptop, o projetor das imagens da TV que seriam exibidas na parede.

A diretora de cinema Tata Amaral fez uma preleção sobre seu filme “O grande vilão”, um documentário sobre esse período da vida de Dirceu, “o homem mais perseguido da história da República”, e distribuiu termos de autorização de uso de imagem para que os presentes, que assim o desejassem, assinassem. Pelo que percebi, todos assinaram.

Dirceu cumprimentou um por um, agradecendo a presença de todos. Parecia calmo ao chegar. E calmo permaneceu até o final. Quando se despediu de mim, José Dirceu disse, elogiando: “O ministro Barroso estava certo, quando defendeu a suspensão da sessão até a próxima semana”.

Ele se referia à argumentação do ministro Luis Roberto Barroso, que, para garantir aos advogados plena defesa dos réus, usou a frase “seria gentil e proveitoso dar aos advogados a oportunidade de apresentar memoriais”. Ponderação que o presidente Joaquim Barbosa acolheu muito a contragosto.

Na próxima semana, estaremos lá todos com você de novo, José Dirceu. Acredito em sua inocência. Acredito em Mentirão, não em Mensalão, que para mim existe muito mais para desqualificar a luta dos heróis e mártires da ditadura militar do que para qualquer outra coisa. Mais para justificar o apoio dado pela direita reacionária de 1964 – as elites e a classe média manipulada – ao totalitarismo que massacrou nosso país, tolheu nossa liberdade e nosso pensamento, dizimou valores, destruiu famílias, acabrunhou, amedrontou, paralisou, despersonalizou e tornou apático o povo brasileiro por duas décadas.

E como alvo maior desse processo de desqualificação reacionária, que ressurge como um zumbi nostálgico assombrando o país, foi eleito José Dirceu, o qual, como bem analisa o cineasta Luiz Carlos Barreto, cometeu o grave delito de colocar no poder um sindicalista das classes populares, o Lula.

Pois foi por obra, empenho, articulação e graça de José Dirceu que Luís Inácio Lula da Silva chegou a Presidente da República. E chegou com um projeto político de sucesso, bem estruturado, com um discurso certo, que alçou Luís Inácio não só a um patamar diferenciado de Estadista em nossa História, como também a um conceito internacional jamais alcançado por um Chefe de Estado brasileiro.

Grande parte disso tudo pode ser creditada (ou, segundo interpretação de alguns,debitada) a José Dirceu.

Motivos não faltaram nem faltam para essa obsessão de tantos por destrui-lo.
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DILMA SOBRE MAIS MÉDICOS: "MUITA MORTE SERÁ EVITADA"

07.09.2013
Do portal BRASIL247, 06.09.13
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Esquerda unida venceu coxinhas de jaleco

07.09.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Miguel do Rosário

pelé-bicicleta
Em artigo publicado hoje na Folha, o cientista político André Singer avalia que as forças progressistas ganharam a batalha da comunicação em torno do programa Mais Médicos. Os coxinhas de jaleco não conseguiram esconder da população a sua postura profundamente corporativa e antipopular. A histeria anticomunista da mídia, por sua vez, que veio à tôna com a chegada dos médicos cubanos, foi derrotada pela imagem dos mesmos desembarcando, alegres e solidários.
Esquerda 1 vs. Direita 0
Por Andre Singer, na Folha
No fla-flu aberto com as demonstrações de junho, a esquerda ganhou a primeira partida. Não me refiro à redução no preço das passagens, pois esta foi concedida no susto, sob o impacto de protestos que mobilizaram o espectro ideológico inteiro. A vitória “gauche” se deu no campo da medicina.
Provavelmente orientado por pesquisas, o governo percebeu que a saúde unificava os jovens das passeatas à insatisfação popular expressa na queda de apoio aos governantes. Resolveu, então, desengavetar o Mais Médicos, apresentando-o como resposta à voz das ruas. Embora não se dirigisse às grandes cidades, onde os movimentos foram mais fortes, o programa tinha a sensibilidade social necessária para o momento.
Movida por um sentimento de força conjuntural, talvez pela presença massiva de bandeiras brasileiras e cartazes contra a corrupção nas avenidas, a direita encampou o corporativismo de uniforme branco, estimulando as associações de classe a uma oposição frontal ao projeto do Executivo. Engrossadas ainda pela irritação da classe média a tudo que venha do PT, as primeiras reações ao plano de trazer estrangeiros foram tão veementes que pareciam condenar a iniciativa a não sair do papel.
O erro da direita foi não ter percebido que a força da proposta estava na sua fraqueza. Com efeito, o Mais Médicos não vai reverter as graves deficiências vigentes nas extensas periferias metropolitanas. Para tanto, é provável que só uma reforma tributária, profunda o suficiente para gerar recursos de monta, fosse capaz de realizar o preceito constitucional de um verdadeiro sistema único e público de saúde.
Mas, justamente por se dirigir a comunidades afastadas –onde, aliás, está hoje a base eleitoral do lulismo– nas quais não há atendimento algum e os profissionais brasileiros não querem ir, a proposta tem legitimidade inquestionável. Em poucas semanas, as corporações ficaram isoladas, sendo obrigadas a recuar para um obsequioso silêncio. Enquanto isso, a aprovação governamental voltava a subir.
Para coroar, houve o condimento simbólico. Embora duramente criticada pelos setores democráticos da esquerda, Cuba ainda mora no coração de boa parte dos que sonham com uma sociedade igualitária. O despojamento e a disposição dos médicos cubanos que aqui desembarcaram, alvos de preconceitos absurdos, deu um quê de superioridade moral ao time vermelho.
Contudo, atenção: as batalhas decisivas se darão no terreno da política econômica, no qual, cumpre ressaltar, nada indica que o resultado, qualquer que seja, venha a ser obtido de modo tão ameno. O campeonato prenuncia-se longo.
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PRESIDENTA DILMA FALA O POVO BRASILEIRO

07.09.2013
Do Palácio do Planalto, no Youtube, 06.09.13


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Dilma: Mais Médicos não é decisão contra profissionais brasileiros

07.09.2013
Do portal Agência Brasil,06.09.13
Por Paulo Victor Chagas

Brasília - A presidenta da República, Dilma Roussseff, reforçou hoje (6) a importância da vinda de médicos estrangeiros ao Brasil. Durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, Dilma disse que trazer médicos de outros países para atender em locais onde há carências na saúde é uma medida “a favor da saúde”. “A vinda de médicos estrangeiros, que estão ocupando apenas as vagas que não interessam e não são preenchidas por brasileiros, não é uma decisão contra os médicos nacionais”, defendeu.

A presidenta declarou que o país tem feito investimentos na estrutura da saúde e que pretende liberar mais recursos para hospitais e equipamentos. “A falta de médicos é a queixa mais forte da população pobre. Muita morte pode ser evitada, muita dor, diminuída, e muita fila reduzida nos hospitais apenas com a presença atenta e dedicada de um médico em um posto de saúde”, disse.
De acordo com Dilma, o “Pacto da Saúde vai produzir resultados rápidos e efetivos”. A presidenta frisou que o Programa Mais Médicos “está se tornando realidade” e disse que os brasileiros vão sentir, a cada dia, “os benefícios e entender melhor o grande significado deste programa”. A presidenta disse que o Brasil “ainda tem uma grande dívida com a saúde pública e essa dívida tem que ser resgatada o mais rápido possível”.
Além de defender o crescimento da economia brasileira, o pronunciamento também relembrou os cinco pactos nacionais anunciados por Dilma anteriormente. “Estamos aprofundando os cinco pactos para acelerar melhorias na saúde, na educação e no transporte e para aperfeiçoar a nossa política e a nossa economia”, explicou. Os pactos para melhorias no transporte público, na estabilidade fiscal e na educação foram lembrados pela presidenta. Sobre a reforma política, a presidenta celebrou a “proposta de decreto legislativo para o plebiscito”.
Quanto à educação, reforçou a importância da destinação de 75% dos royalties do petróleo e de 50% do Fundo Social. “Esse será um dos maiores legados do nosso governo às gerações presentes e futuras e vai trazer benefícios permanentes à população brasileira por um período mínimo de 50 anos”.
O discurso, veiculado na véspera de 7 de Setembro, começou às 20h30 de hoje (6) e durou cerca de dez minutos. No mês de junho, em meio às manifestações populares que levaram milhares de brasileiros às ruas de centenas de cidades, a presidenta fez um pronunciamento em que prometia “trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do SUS”. Aprimorar a saúde pública foi um dos pontos do pacto firmado por Dilma em prol da melhoria dos serviços públicos, uma das principais reivindicações dos protestos. Três semanas depois, o governo lançava, por meio de medida provisória, o Mais Médicos.
A Medida Provisória (MP) 621, que cria o Programa Mais Médicos, é debatida pelos deputados. Na última quarta-feira (4), foi instalada a comissão geral na Câmara dos Deputados para apreciar o tema. Na sessão de instalação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que os médicos estão mal distribuídos no território nacional, faltam especialistas e há poucas vagas nas escolas de medicina. “O jovem que entra na faculdade de medicina hoje é filho da realidade urbana que estudou em escola particular. Ou trazemos ao jovem do interior, ao jovem indígena, a oportunidade de ser médico ou não vamos resolver o problema”, disse.
A prática de celebrar o Dia da Independência com um pronunciamento à nação é comum entre os presidentes brasileiros. No ano passado, Dilma anunciou a redução dos preços da energia elétrica para residências e indústrias.
Edição: Fábio Massalli
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