sexta-feira, 6 de setembro de 2013

HACKERS INVADEM O GLOBO POR MÍDIA DEMOCRÁTICA

06.09.2013
Do portal BRASIL247
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GLOBO, A TV DA DITADURA: A ingratidão da Globo

06.09.2013
Do blog  ESQUERDOPATA
Por Mino Carta 

Com desfaçatez suprema, o editorial de O Globo desculpa-se enquanto evoca
as razões que, 50 anos atrás, pretende terem justificado o apoio ao golpe
Ingratidão da Globo me espanta, ela vomita no prato em que comeu, com o perdão pelo uso do verbo, de eficácia indiscutível, no entanto. Aludo ao editorial com que o mais autorizado porta-voz das Organizações, O Globo, brindou seus leitores dia 1º de setembro. Diz-se ali que apoiar o golpe de 64 foi erro nascido de um equívoco. Veio a ditadura, como sabemos, provocada pelos gendarmes chamados pelos donos do poder civil, entre os quais figurava, com todos os méritos, Roberto Marinho, e os anos de chumbo de alguns foram de ouro para a Globo.

A empresa do doutor Roberto cresceu extraordinariamente graças aos favores proporcionados pelos ditadores, gozou de regalias incontáveis, floresceu até os limites do monopólio. O apoio de 64 prosseguiu impavidamente por 21 anos, enquanto o Terror de Estado imperava. Grassavam tortura e censura, repetiam-se os expurgos dentro do Congresso mantido como estertor democrático de pura fancaria. Só o MDB do doutor Ulysses Guimarães redimiu o pecado original ao reunir debaixo da sua bandeira todos os opositores do regime. Para desgosto da Globo.

Sim, O Globo apoiou o golpe, juntamente com os demais jornalões como o editorial não deixa de acentuar, e também apoiou os desmandos do regime, a começar pelo golpe dentro do golpe que resultou no Ato Institucional nº 5. E prisões e perseguições, e até as ditaduras argentina, chilena e uruguaia.

Em contrapartida, combateu Brizola governador, e de modo geral, os demais governos de estado conquistados pela oposição em conjunturas diversas, bem como o movimento sindical surgido sob o impulso de um certo Luiz Inácio, presidente do Sindicado dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, responsável pelas greves de 78, 79 e 80, finalmente preso e enquadrado na famigerada Lei de Segurança Nacional.

Derradeiro lance global, a condenação inapelável do movimento das Diretas Já, quando a Globo foi alvo da ira popular e um veículo da empresa foi incendiado na Avenida Paulista no dia 25 de janeiro de 84, ao término de uma manifestação que reuniu na Praça da Sé 500 mil pessoas. Rejubilou-se, contudo, o doutor Roberto, com a rejeição da emenda das Diretas, obra magistral da Arena de José Sarney, e com a formação da Aliança Nacional, nome de fantasia da enésima, inesgotável conciliação das elites.

Não se diga que a Globo deixou de ser coerente com seus ideais. Decisiva na eleição de Fernando Collor em 89, com a manipulação do debate de encerramento com Lula, comandada pelo doutor Roberto em pessoa. Nosso colega, como sustentavam seus assalariados, não hesitou em promover a festa carnavalesca contra o presidente corrupto, desmascarado somente pela IstoÉ ao descobrir a testemunha inesperada e fatal, o motorista Eriberto. Antes disso, o governo Sarney contara com o apoio irrestrito da Globo, sempre beneficiada por Antonio Carlos Magalhães, ministro da Comunicações, na mesma medida em que o fora por outro amigo insubstituível, Armando Falcão, ministro da Justiça do ditador Ernesto Geisel.
O governo Fernando Henrique quebrou o País três vezes, mas nunca lhe faltou o aplauso global oito anos a fio, tanto mais na hora do singular episódio intitulado “Privataria Tucana” e da compra dos votos para garantir a reeleição do príncipe dos sociólogos, sem falar do “mensalão" também tucano. Houve até o momento em que, tomado de entusiasmo, o doutor Roberto acreditou cegamente na sua colunista Miriam Leitão, segundo quem, eleito pela segunda vez, FHC garantiria a estabilidade da moeda até o último alento. Doze dias depois de reempossado, o príncipe desvalorizou o real e cobriu a Globo de dívidas. Havia, contudo, um BNDES à disposição para tapar o buraco.

FHC deixou saudades, a justificar o apoio compacto aos candidatos tucanos nas eleições de 2002, 2006 e 2010. E a adesão à maciça campanha midiática que, como em 1964, coloca jornalões e quejandos de um lado só, então a favor do golpe, nos últimos dez anos contra um governo tido como de esquerda, atualmente a carregar a herança de Lula. Vale observar, aliás, que mesmo no instante do pretenso arrependimento, O Globo de domingo passado desfralda os mesmos argumentos de 50 anos atrás. Donde a evocação da “divisão ideológica do mundo” à sombra álgida da Guerra Fria, aprofundada no Brasil “pela radicalização de João Goulart”. Enfim, renova-se o aviso fatídico: a marcha da subversão estava às portas. Eu a espero em vão até hoje.

Sim, o doutor Roberto acreditou ter agido acertadamente até sua morte e sempre chamou o golpe de revolução. Explicaria em um dos seus retumbantes editoriais da primeira página, no 20º aniversário daquele que seus pupilos agora definem como “equívoco”, que “sem povo não haveria revolução”. E quem seria o povo daquela quadra criminosa? As marchas dos titulares da casa-grande e dos seus aspirantes, secundados pelos fâmulos momentaneamente retirados da senzala.

Sim, é verdade que muitos jornalistas de esquerda tiveram abrigo na redação de O Globo, e alguns deles foram e são amigos meus, mas não me consta que o doutor Roberto se tenha posicionado “com firmeza contra a perseguição” de profissionais de quaisquer outras redações. Vezos nativos. O Estadão chegou a hospedar colunistas portugueses, inimigos do regime salazarista. Tinham eles a virtude de escrever em castiço os editoriais ditados pelo doutor Julinho. Este gênero de situações reflete a pastosidade emoliente da realidade do País, onde o dono da casa-grande pode permitir-se tudo o que bem entender.

De todo modo, não é somente deste ponto de vista que a Globo foi deletéria. Ensaios foram escritos no exterior para provar como a influência global foi daninha, inclusive com telenovelas vulgarizadoras de uma visão burguesota, movida a consumismo e cultura da aparência, visceralmente apolítica, anódina e inodora. Como tevê, e como jornal, a Globo já foi bem melhor. Ocorrem-me programas de excelente qualidade, conduzidos por humoristas como Chico Anysio e Jô Soares, capazes às vezes de ousar o desafio sutil à ditadura. Mas a queda foi brutal, como se deu em relação ao jornal à época da direção de Evandro Carlos de Andrade. Lamentáveis as opiniões, em compensação, boa, frequentemente, a informação.

O texto do editorial carece, é óbvio, da grandeza que a situação recomendaria, pelo contrário é de mediocridade e superficialidade doridas, não somente na lida difícil com o vernáculo, mas também pela demonstração, linha a linha, palavra a palavra, e, mais ainda, no desenrolar do raciocínio central, da sua insinceridade orgânica. Surge, de resto, da covardia diante das manifestações anti-Globo e, como de hábito, aferra-se à hipocrisia típica dos senhores da casa-grande, velhacos até a medula.

Esta é a gente que gosta de brigar na proporção de cem contra um, se possível mil, sem mudar o número de quantos ousam confrontá-los. Incrível, embora natural, inescapável, nesta pasta víscida e maligna que compõe a verdade factual do país da casa-grande e da senzala, a falta de um debate em torno da peculiar confissão global, como acentua Claudio Bernabucci na sua coluna desta edição. Que dizem os jornalões acusados de conivência pelo O Globo? Que dizem as lideranças partidárias? E o Congresso? Nem se fale das figuras governistas e parlamentares que até agora enxergam na Globo um sustentáculo indispensável.

Silêncio geral, entre atônito e perplexo.
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Serra se solidariza com Dilma e é criticado por seguidores

06.09.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 05.09.13

Serra se solidariza com Dilma por causa de espionagem norte-americana e é criticado por seguidores. Tucano classificou atitude dos EUA como "inaceitável"

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) se solidarizou nesta quarta-feira (04/09), em sua página no Facebook, com a presidente Dilma Rousseff (PT) – adversária dele na última eleição presidencial, em 2010 – por conta das denúncias de espionagem do governo norte-americano contra autoridades brasileiras. A atitude provocou críticas dos seguidores de Serra na rede social.
“Presto aqui minha solidariedade à presidente Dilma pela espionagem de que foi alvo, revelada no último domingo pelo Fantástico da Rede Globo. É inaceitável que os Estados Unidos, de maneira ilegal e ilegítima, espionem ligações telefônicas, mensagens de celular e de correio eletrônico de um chefe de estado democraticamente eleito”, afirmou o ex-governador.
josé serra dilma espionagem eua
Serra se solidariza com Dilma por causa de espionagem norte-americana e é criticado por seguidores (Reprodução / Facebook)
Serra disse que é “surrada” a desculpa de usar o combate ao terrorismo para justificar a espionagem “Não valem agora justificativas formais para um ato tão ofensivo. Também não é aceitável a surrada invocação do combate ao terrorismo a fim de abonar as arbitrariedades dos órgãos de segurança americanos, dos quais o governo do presidente Obama é o responsável. Pistas sobre o terrorismo mundial em SMS ou e-mails da Dilma? Ridículo.”
O ex-governador continuou. “Mais ainda, ampliando o tema, fico alarmado com esse papel que a democracia norte-americana está se atribuindo: de gendarme do mundo. Acontecem coisas lamentáveis num país e as forças armadas dos Estados Unidos vão intervir? Quais serão os limites desse poder?”
Espionagem 
Os comentários do tucano provocaram protestos no Facebook. Seguidores do ex-governador se disseram “decepcionados” com a nota de solidariedade, além de afirmarem que Serra “perdeu uma oportunidade de ficar calado” ou preferirem “acreditar que o perfil foi hackeado”. Há também os que se mostraram arrependidos de ter votado no político.
A NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) teria investigado Dilma e seus principais assessores, além do então candidato à presidência do México (e atual presidente) Enrique Peña Nieto, de acordo com documentos ultrassecretos vazados da agência pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden. As informações foram repassadas pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que recebeu a maior parte dos documentos de Snowden, atualmente exilado na Rússia e procurado pelos EUA.
Os documentos vazados fazem parte de uma apresentação interna da NSA. Eles mostram que foi feita espionagem de Dilma nas comunicações, incluindo o conteúdo de mensagens de texto entre assessores e colaboradores do Planalto.
Na segunda-feira (02/09), o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que solicitou uma resposta “por escrito” do governo norte-americano. Só aí, afirmou Figueiredo, é que será decidido que eventuais ações tomar contra Washington.
“A reação dependerá do tipo de resposta que for dada. Por isso, queremos uma resposta formal e por escrito. Daí vamos ver”, afirmou Figueiredo. O governo brasileiro espera uma resposta ainda esta semana.

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Opera Mundi
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Porque Barbosa não é mais o menino pobre, nem vai mudar o Brasil

06.09.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito 

barb06

Paulo Nogueira, em seu Diário do Centro do Mundo, traça um diagnóstico demolidor sobre o porquê de, com todo esforço da mídia a promovê-lo, o Ministro Joaquim Barbosa não se tornou um “herói do povo”. Ao que ele descreve, apenas uma coisa tenho a acrescentar: o menino pobre perdeu- se é que o teve tão forte – o amor pelas suas origens e atribuiu exclusivamente a si o sucesso que obteve.
Nenhum de nós tem esse poder. Somos todos frutos de circunstâncias, de oportunidades e, quando as minimizamos e passamos ver apenas em nossas pretensas virtudes a razão de nossa eventual ascensão, tornamo-nos mesquinhos e doentiamente vaidosos.
Joaquim Barbosa, por quem todos um dia nutrimos a simpatia natural em ver um de nossos irmãos negros ascender à mais alta Corte do país, embebeu-se do mesmo espírito excludente que impediu negros, pobres e nordestinos, tantas vezes, de terem a mesma oportunidade: o considerar-se superior aos demais, raiz e fonte do elitismo.
A generosidade  é própria dos homens grandes, dos quais um dos maiores, gigante mesmo, agora está lutando contra a morte: Nelson Mandela. Um quarto de século enjaulado, uma sociedade racista pior, muito pior do que o racismo sobrevive hoje aqui, a morte brutal de amigos e companheiros, nada disso o tornou um homem transtornado pelo ódio.
Apenas humanidade, a força que o manteve vivo e ainda o mantém e, quando for a hora, ainda assim o manterá na memória histórica.
É por isso, essencialmente por isso, que Joaquim Barbosa derrotou a si mesmo.

Onde Joaquim Barbosa fracassou

Paulo Nogueira
E eis que o caso do Mensalão chega a seu clímax. De todos os personagens da trama, o mais extraordinário é, por razões óbvias, Joaquim Barbosa.
Com seu jeito bruto e tosco, com suas palavras duras e inclementes contra os réus, ele rapidamente se converteu num heroi do 1% — o diminuto grupo de privilegiados que tem sua voz nas grandes empresas de mídia.
O maior esforço das empresas de mídia, em relação a JB, foi tentar convencer as pessoas de que elas genuinamente admiravam o “menino pobre que mudou o Brasil”. Ou, numa expressão, o “homem justo”.
Não foram bem sucedidas nisso: a sensação que ficou, com o correr dos dias, é que aquela admiração é fingida. Joaquim Barbosa foi e é conveniente para o 1%, mas as informações que foram surgindo sobre ele tornam difícil qualquer tipo de admiração que não seja simulada.
Fora da fantasia do “homem justo”, não é fácil admirá-lo na vida real. JB não tem notório saber, não se expressa com charme e clareza, não escreveu livros ou artigos dignos de nota.
Também não é fácil admirar um alpinista profissional que é capaz de abordar – aborrecer, na verdade — alguém num aeroporto para tentar cavar uma promoção.
E nem parece digno de aplausos quem, numa entrevista, cita um episódio ocorrido há quase quarenta anos – a reprovação no Itamaraty — com a raiva desagradável que temos de alguma coisa ocorrida há dias.
O 1% triunfou no uso de Joaquim Barbosa para que defendesse seus interesses no julgamento do mensalão. Ele se revelou excepcionalmente suscetível à adulação da mídia. Ninguém parece ter acreditado tanto na admiração da mídia por JB quanto o próprio JB.
O fracasso do 1% foi na tentativa de fazer de JB um “heroi do povo”, alguém capaz de conquistar a presidência da república nas urnas e zelar pela manutenção de seus privilégios com o uniforme de “menino pobre”.
Este fracasso se deu, em grande parte, por força da internet. Nos sites independentes, as informações sobre o real Joaquim Barbosa permitiram compor um perfil bem diferente daquele difundido pelas companhias jornalísticas.
A relação promíscua com a mídia (notadamente com a Globo, que deu emprego a seu filho não por filantropia, naturalmente), o apartamento comprado em Miami com o uso de uma pequena trapaça para evitar impostos – coisas assim acabaram desconstruindo o perfil montado por jornais e revistas, ao se tornarem públicas pela internet.
Nas pesquisas presidenciais, seu nome aparece com números acachapantemente baixos e decepcionantes para quem tem sido tão promovido.
Se Joaquim Barbosa estivesse nos corações e nas mentes dos chamados 99%, ele estaria brilhando nas pesquisas. Seria um contendor poderoso para 2014, na pele do “homem que acabou com a corrupção”.
Mas não.
Por mais que a mídia tenha se esforçado para fazer de JB um “heroi do povo”, ele já é amplamente reconhecido como um representante daquele grupo predador que fez do Brasil um recordista mundial em desigualdade – o 1%.
Por: Fernando Brito
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Fonte:

PROPINODUTO TUCANO: Então governador, José Serra inspeciona trem da Alstom em 2009

06.09.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 05.09.13
PorTadeu Breda, da RBA, e Vinícius Gomes, do Outras Palavras

Novos, trens fornecidos por cartel do metrô registram mais falhas que antigos Levantamento preliminar demonstra: embora novas e reformadas, composições adquiridas em concorrência manipulada quebram mais e contribuem para caos no dia-a-dia do sistema 

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São Paulo – Surgiu o primeiro sinal de que a série de fraudes que contaminou as concorrências do metrô paulista são parte da crise vivida todos os dias por milhões de usuários. Levantamento realizado por funcionários da Linha 3-Vermelha com base no registro oficial de falhas do sistema mostra que trens recentemente adquiridos ou reformados pelo governo estadual de São Paulo junto a empresas acusadas de formação de cartel apresentam problemas técnicos em frequência até quatro vezes maior que as composições antigas, com cerca de 30 anos de uso. Algumas chegam a registrar média de 35 defeitos por dia.

Os dados são preliminares. Foram levantados de maneira informal por trabalhadores impressionados com as constantes quebras e acidentes envolvendo as novas aquisições da empresa. Diante das denúncias, é essencial que a Companhia do Metropolitano (Metrô), ligada ao governo do estado, apresente as estatísticas oficiais sobre falhas. Só ela possui os registros completos de panes. Até o momento, porém, seus diretores têm se negado a colocá-los à disposição.

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Os números que seguem são resultado da análise do histórico de oito dos cerca de 50 trens que operam no trecho leste-oeste da malha metroviária paulista, e foram obtidos após consulta a um sistema conhecido como S-GUT, que registra informações sobre todas as composições do metrô, tais como localização, quilômetros rodados, tempo de operação e número de problemas técnicos denunciados pelos condutores. O S-GUT pode ser acessado a partir de computadores conectados à rede da empresa, mas apenas permite visualização dos dados na tela. As informações não podem ser gravadas. Por isso, a contagem de falhas teve de ser realizada manualmente.

Comparações

Funcionários do metrô analisaram os últimos 1.000 dias de operação de trens novos, reformados e antigos que circulam pela Linha 3-Vermelha. Entre os novos, foram averiguados os registros das composições conhecidas como H59 e H60, construídos pela espanhola CAF e entregues à companhia entre 2008 e 2010. Entre os reformados, foram escolhidos os trens K01 e K07, modernizados pelo consórcio MTTrens, composto pelas empresas MPE, Temoinsa e TTrans, em circulação desde 2011. E também os L26 e L27, recondicionados pela francesa Alstom em conjunto com a Iesa a partir do mesmo ano. Novos e reformados foram comparados aos antigos conhecidos como 302 e 335, fabricados pela Cobrasma e Mafersa nos anos 1980.

Alstom, TTrans e CAF estão diretamente envolvidas nas denúncias de formação de cartel para burlar a concorrência em editais do governo do estado de São Paulo para reforma de composições e ampliação da malha metroferroviária na região metropolitana da capital. De acordo com uma das empresas que integrou o esquema, a alemã Siemens, membros do alto escalão do governo paulista nas gestões Mário Covas (1995-2001), Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007-2010), todos do PSDB, teriam participado e acobertado a questão. Cálculos preliminares do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apontam que o conluio teria provocado prejuízos de R$ 425 milhões ao erário estadual.

De acordo com o levantamento dos funcionários do metrô, as composições das frotas K e L, reformadas pela MTTrens e Alstom, respectivamente, foram as que mais apresentaram falhas. Os defeitos podem variar de problemas no ar condicionado a problemas mais graves de segurança, como trepidações excessivas, deficiência nos freios, mau fechamento das portas e panes nos sensores de descarrilamento. Aliás, pertence à frota K o trem que saiu dos trilhos no último dia 5 de agosto nas proximidades da estação Palmeiras-Barra Funda, destruindo 150 metros do sistema de eletrificação e provocando “curto-circuitos, estouros e fumaça”. Por sorte, dizem metroviários, ninguém saiu ferido.

Números

O acidente foi provocado pela ruptura do “truque” ou “truck”, termo técnico que designa o sistema composto por rodas, tração, frenagem e rolamentos do trem, e provocou 9 horas de transtornos. Com o sistema paralisado, algumas estações ficaram superlotadas e tiveram de ser fechadas. Segundo testemunhas, houve “estouros e fumaça”. Funcionários avaliam que também houve risco de tombamento dos vagões – o que só não ocorreu, argumentam, porque a composição trafegava a 40 km/h e não aos 70 km/h que costuma atingir no trecho. Em condições normais, portanto, poderia ter acarretado em ferimentos e até mesmo morte dos passageiros.

A pesquisa dos funcionários do metrô mostra que, em seus últimos 1.000 dias de operação, os trens da frota K, reformados pela MTTrens, registraram 27,6 falhas por dia, somando as falhas repetidas – ou seja, as que são registradas mais de uma vez ao dia pelos condutores. Sem contar as repetições, o número cai para uma média de 3,75 defeitos diários. Nos trens da frota L, recondicionados pela Alstom-Iesa, os metroviários encontraram uma média de 35,75 problemas por dia, incluindo as repetidas. O registro de falhas únicas diárias chegou a um número diário de 2,6.

As composições novas da frota H, fabricadas pela CAF, conseguiram um desempenho melhor, mas ainda assim alta para uma frota recém-inaugurada: são 8,95 falhas por dia, contando as repetidas, e 0,8 falhas diárias únicas. Mas o melhor desempenho foi observado nos trens antigos. Apesar de estarem há cerca de 30 anos em circulação, as composições da Cobrasma/Mafersa registraram 1,75 defeitos repetidos por dia, bem menos que os novos trens da CAF, e 0,9 falhas únicas, praticamente a mesma média de uma frota que está em operação há menos de cinco anos.

Na comparação, a análise dos metroviários mostra que, em seus últimos 1.000 dias de atividade, os trens K01 e K07, reformados pela MTTrens, apresentaram média de falhas diárias 4,17 maior do que as composições antigas. E os trens L26 e L27, recondicionados pela Alstom-Iesa, registraram média diária de defeitos 2,8 vezes mais alta que as máquinas que operam há mais de 30 anos. A grande quantidade de problemas tem feito com que a média dos quilômetros rodados das composições novas e reformadas, que ficou em 234 km/dia no período analisado, seja bem menor que a média geral do metrô: 550 km/dia.
O Metrô foi procurado, mas não respondeu às perguntas da reportagem.
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MÍDIA NACIONAL É FAVOR DOS EUA:Cônsul dos Estados Unidos vibra! A histórica subordinação da mídia brasileira aos interesses de Washington

06.09.2013
Do blog VI O MUNDO, 05.09.13
Por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo


O que a grande imprensa brasileira diz agrada Washington há décadas. Diria mais. Não só cai bem nos ouvidos da Casa Branca e do Departamento de Estado como, fiel escudeira, defende os mesmos interesses. É o que transparece da leitura de um despacho diplomático que me chegou às mãos graças ao pesquisador Jeremy Bigwood, que há anos vasculha os arquivos norte-americanos.

Assinado pelo então Consul Geral americano no Brasil, William Cochran Jr., o despacho de duas páginas e meia (reproduzido na íntegra no post) foi escrito quando o golpe militar estava logo ali na esquina, no dia 3 de agosto de 1960. Nele, o diplomata faz uma análise dos editoriais dos principais jornais do país a respeito da denúncia feita pelo governador do Rio Grande do Sul na época, Leonel Brizola.

Como sempre sem papas na língua, Brizola denunciou, naquela semana, uma tentativa de suborno. Segundo ele, autoridades norte-americanas ofereceram um milhão de dólares a ele e a outros dois governadores brasileiros na tentativa de por as mãos e copiar aos arquivos secretos das polícias estaduais. O governo norte-americano dizia que tudo fazia parte de um programa de ajuda para tornar mais eficiente o trabalho da polícia. Para Brizola, a tal cooperação era apenas um dos aspectos de um programa mais amplo de espionagem, o chamado Ponto IV, que oferecia colaboração em todas as áreas da economia brasileira, além da saúde e da educação.

No despacho diplomático, o Cônsul diz que três jornais negaram, veementemente, as acusações e com isso, puseram fim à denúncia. A crítica “mais ácida”, segundo William Cochran, foi publicada em O Estado de São Paulo. “Ácida a ponto de ridicularizar”, descreve o norte-americano. No dia 29 de julho daquele ano, o Estadão disse que a denúncia de Brizola era muito improvável e ironiza, propondo um cenário fictício: o governo dos Estados Unidos e o Pentágono deixam de lado, por um momento, mísseis e U-2s e outros problemas de peso daquele período para tentar conseguir, através de suborno, os arquivos secretos da polícia do Rio Grande do Sul.

Como se os Estados Unidos não tivessem gente suficiente para fazer tudo isso ao mesmo tempo. E como se ficar de olho no Brasil não fosse prioridade para Washington. Sempre foi e continua sendo, como bem provaram agora os documentos revelados pelo ex-agente da Agência de Segurança Nacional, Edward Snowden.

O despacho do cônsul analisa, também, as respostas dos jornais Correio Paulistano e Diário de São Paulo. O primeiro diz que Brizola é irresponsável e tenta agitar o país apelando para o sentimento nacionalista, sob inspiração de Fidel Castro. Já  o Diário diz que as afirmações de Brizola foram tiradas de contexto, que ele questionou o programa Ponto IV e disse que a assistência oferecida custaria um milhão de dólares. Mas defende uma colaboração das polícias estaduais brasileiras com as autoridades norte-americanas em nome do combate ao crime.

No fim, o cônsul conclui, satisfeito: “É interessante notar que jornais de campos políticos opostos (o Diário é pró-governo e O Estado é contra) se uniram na rejeição das alegações de espionagem. Ainda mais satisfatória é a defesa vigorosa do acesso livre aos arquivos no programa de colaboração entre as polícias. Essa defesa deve calar de faz qualquer crítica do tipo “é, mas e se…” a respeito do recente acordo de modernização do sistema de comunicação da polícia dentro do programa Ponto IV”.

Leia também:

A espionagem dos EUA ao Brasil antes do golpe de 64

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Serra tenta fazer “média” e sua “torcida” vaia. Por eles, vinham os marines

06.09.2013
Do blog TIJOLAÇO, 04.09.13

serra
serraface
José Serra, que andava quieto que nem passarinho na muda (de partido), resolveu jogar para a torcida, hoje. E deu-se mal, muito mal.

Foi postar no facebook, de onde andava distante desde o último dia 14, uma “mensagem de solidariedade” a Dilma Rousseff sobre o caso da espionagem americana, que reproduzo aí ao lado.
Logo ele, que a insuspeita Folha de S. Paulo narrou, com base nos telegramas do Wikileaks, ter tranquilizado as petroleiras americanas de que, no poder, desfaria as regras criadas por Lula e Dilma para proteger nosso petróleo: “vocês vão, mas voltam”.
“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.”
O resultado foi que a “torcida” serrista caiu-lhe de pau.
Palavras estúpidas, deveria ter ficado calado desta vez, sempre te admirei mas agora arrependi de ter lhe dado o meu voto.
Serra , votei em você em 2002 e 2010, já não votarei mais mesmo que seja candidato, agora depois dessa , você me envergonha!!!
Se ele não se retratar, jamais votarei no Serra, seja para o que for. E sou eleitora dele desde sua primeira candidatura.
Muito obrigada Sr.José Serra, por fazer eu me arrepender de cada voto que lhe dei. Solidariedade com a Dilma Guerrilheira, enquanto até hoje o sr. não veio á público para ser solidário com os brasileiros? 
Depois, ele voltou ao Facebook e postou: “Alguns amigos acharam estranho eu ter prestado solidariedade à presidente e ter criticado os Estados Unidos pela espionagem. Pois eu quero esclarecer: essa questão não é partidária, não é de torcida e muito menos deve ser tratada na base da ofensa ou de xingamentos.”
Não, Serra, pelos seus admiradores a questão era para ser tratada logo com “marines” desembarcando aqui para depor o governo “comunista”.
O senhor não tem do que reclamar. Eles só estão cobrando coerência de quem nunca quis um Brasil independente.
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