sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PROGRAMA MAIS MÉDICOS: A medicina dos brancos

30.08.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Luciano Martins Costa, na edição 761  

Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 29/8/2013

Justiça Federal negou liminar ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, que pretendia conceder registros provisórios somente aos médicos estrangeiros ou formados no exterior que tenham seus diplomas validados no Brasil. Segundo a 5a. Vara Federal de Belo Horizonte, a anunciada intenção da entidade, de negar o registro aos profissionais recrutados pelo programa Mais Médicos, representaria uma prática de reserva de mercado e causaria prejuízos aos doentes e usuários do Sistema Único de Saúde. A decisão vale para todo o país e estabelece um paradigma de realidade numa discussão que já havia resvalado para o terreno das pantomimas.
O presidente do CRM de Minas Gerais é o mesmo que havia declarado que seus afiliados deveriam se negar a atender pacientes cuja saúde sofresse qualquer problema após o trabalho dos médicos estrangeiros. Essa e outras atitudes, como as vaias e declarações preconceituosas contra os cubanos que fazem treinamento em Fortaleza, provocaram repercussão negativa na opinião pública, segundo análises publicadas pelos jornais nas edições de quinta-feira (29/8).
A notícia da decisão judicial foi destacada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que publica também uma declaração da presidente da República condenando as manifestações de preconceito contra os profissionais trazidos ao Brasil pelo programa Mais Médicos.
Aos poucos, a imprensa vai municiando seus leitores com mais informações e menos declarações, embora ainda predominem nas páginas dos diários as frases deste ou daquele personagem. Ainda no Estado e também na Folha de S. Paulo podem-se ler textos sobre o teor do contrato firmado entre o governo brasileiro e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) para o recrutamento de médicos cubanos.
Folha de S. Paulo destaca em seu noticiário o fato de o convênio com a OPAS para importar profissionais de Cuba ter sido assinado antes do lançamento oficial do programa Mais Médicos. Mas essa diferença no calendário não tem a menor relevância, uma vez que o programa vinha sendo preparado desde 2011. Trata-se, claramente, de uma picuinha a mais no extenso rol das traquinagens jornalísticas que fazem o estilo do jornal paulista.
As raízes do preconceito
Os textos sobre o acordo com a OPAS são esclarecedores e desautorizam as manifestações que se referem a “trabalho escravo”, financiamento de ditaduras e outras bobagens abrigadas pela imprensa. Mesmo assim, alguns articulistas ainda gastam papel para demonstrar sua pouca afinidade com expressões como “solidariedade” e “interesse público”.
Um conhecido tributarista, que costuma ser convocado pela imprensa para falar de qualquer coisa, chama os profissionais arregimentados pela OPAS de “agentes públicos de Cuba que se intitulam médicos”. Na sua opinião, a Venezuela se tornou uma “semiditadura” depois que aquele país passou a importar médicos cubanos.
Por trás dessa e outras expressões de insensibilidade com relação às carências da saúde pública, pode-se encontrar informações interessantes para compreender a furiosa reação das entidades médicas brasileiras contra a importação de profissionais formados em outros países. O Globo, por exemplo, foi buscar nos dados estatísticos do IBGE os fundamentos para uma constatação preocupante: “Medicina ainda é curso de perfil elitista no Brasil”, diz o título da reportagem.
Trata-se de uma análise que mostra como, embora a população brasileira seja formada por 50,7% de cidadãos que se declaram pretos ou pardos, somente 1,5% dos médicos se consideram pretos e 13,4% se classificam como pardos.
Pesquisadores citados pelo jornal carioca ponderam que a vaia com que um grupo de médicos brasileiros recebeu os profissionais cubanos em Fortaleza, e a manifestação de uma jornalista do Rio Grande do Norte, que comparou as médicas daquele país a empregadas domésticas, resultam desse distanciamento elitista.
Embora programas sociais como o sistema de cotas para vagas nas universidades tenham amenizado essa diferença étnica nas escolas de medicina, esse é um setor do campo acadêmico que continua sendo reserva de jovens das classes mais abastadas, portanto, predominantemente brancos.
Por mais que rebusquem o dicionário e escarafunchem seus neurônios em busca de razões aceitáveis para condenar o programa, os representantes da classe médica do Brasil e seus apoiadores na imprensa não conseguem dissimular que, na verdade, falam em nome dessa elite preconceituosa.
  Leia também
Mídia não explica, demoniza – Alberto Dines
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Pedro Silveira Carneiro: E por falar em escravidão médica…

30.08.2013
Do blog  VI O MUNDO, 29.08.13

Médico cubano vaiado por brasileiros ao desembarcar em Fortaleza

Escravidão médica, exploração, e servidão: uma experiência no movimento de médicos residentes
agosto 29, 2013


Não estou falando do Mais Médicos. Trago essa reflexão pois a acusação de “escravidão” me parece bem estranha a partir do lugar onde ela é feita. Lembro sempre que se fala de exploração do médico, da questão das condições de trabalho, etc. da minha experiência na Associação dos Médicos Residentes de São Paulo, da qual fiz parte logo antes dos movimentos de greve de 2010, quando já estávamos nos articulando para a defesa do reajuste.

Recebíamos cotidianamente denuncias bizarras. Sabíamos da realidade cotidiana do médico residente, claro, já que éramos, nós mesmos, residentes. Sabíamos que era comum que diversos residentes trabalhassem mais que as 60 (uma das poucas legislações não recepcionadas pela constituição: prevê-se legalmente mais que o máximo constitucional) horas semanais previstas por lei. Sabíamos que eram comuns plantões acima de 24 horas, principalmente nas áreas cirúrgicas. Sabíamos da cultura perversa de hierarquia, onde o R2 (residente do segundo ano de residência) já aprendia a cagar na cabeça do R1.

No entanto, recebíamos denuncias muito mais absurdas. Práticas como o “plantão punição”, onde residentes eram punidos com plantões adicionais após cometerem erros (por exemplo, por estarem muito cansados e esquecerem de agendar um exame para um paciente). Dificuldades de garantir direitos básicos, como a licença maternidade (extremamente comum os serviços e preceptores médicos tentarem negar esse direito!). Assédio moral e abusos de autoridade, como o preceptor ordenar ao residente que troque o pneu de seu carro, ou busque sua mulher no aeroporto.

Levávamos esses casos para a Comissão Estadual de Residência Médica, e encontrávamos ouvidos pouco receptivos. Vejam bem, a comissão é composta, basicamente, por preceptores médicos de programas de residência! Então, como a lógica é de que uma mão lava a outra nas fiscalizações entre os programas, e os preceptores se revezavam fisiologicamente na comissão, ninguém queria mexer muito com ninguém.

Nos piores casos, havia algumas tentativas de mediação, uma ou outra fiscalização, um ofício para afirmar que um direito é realmente um direito (no exemplo da licença maternidade). Mas aquilo que era comum, o assédio, o abuso de horas, plantões, etc. ninguém mexia com ninguém. E ninguém mexia também, é claro, com a prática de levar residentes para serviços particulares como “parte” da residência. Sem ganhar, claro! A remuneração vai para o preceptor.

Isso para não falar da modalidade mais bacana de hiperexploração do jovem médico, que é o estágio. Com a competição crescente para buscar vagas de residência e se especializar, os que ficam de fora muitas vezes se sujeitam a trabalhar de graça (e às vezes até pagar para trabalhar!) para no fim receber um título de especialista pela sociedade de especialidade “equivalente” ao de residência. Esse então, não tinha direito nenhum.

O assédio é maior, e não precisa ter medo de fiscalização, pois não há. Esses aí, comumente eram levados a trabalhar inclusive nos consultórios particulares dos figurões que os aceitavam. Pois, é obvio, quem consegue estagiários são os figurões das sociedades de especialidades. Que conseguiriam para os “aprendizes” os títulos dessa sociedade.

Os mesmo figurões que vão processar o governo por trabalho escravo dos médicos cubanos. Ficamos combinados então que trabalhar de graça para receber um título é “aprendizado”. Cubanos no Brasil, é escravidão.
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Mensalão mineiro deve ter tratamento “isonômico”, diz Janot

30.08.2013
Do blog A JUSTICEIRA DE ESQUERDA, 

O caso saiu da pauta do STF, e nem mesmo os ministros sabem explicar por que isso aconteceu.  - as explicações estão no vídeo no link abaixo

Indicado à PGR, Janot foi aprovado na sabatina
 da CCJ; próximo passo é o plenário, em votação secreta
Wilson Dias/ABr
























Aprovado em sabatina pela CCJ do Senado, atual subprocurador-geral da República disse que “pau que bate em Francisco também tem que bater em Chico”. Ele defendeu maior diálogo do MP com a sociedade e transparência nos processos do órgão

Sabatinado nesta quinta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o subprocurador-geral da República Rodrigo Janot defendeu transparência e isonomia nos processos conduzidos pelo Ministério Público Federal (MPF). Indicado por Dilma para suceder Roberto Gurgel como procurador-geral da República, Janot deve ter seu nome submetido até a próxima semana ao plenário da Casa. Na CCJ, sua indicação foi aprovada por 22 votos a favor e dois contra.
Questionado sobre o julgamento do mensalão mineiro, Janot afirmou que todos os processos devem ser tratados de forma “isonômica”. “Como dizem na minha terra, pau que bate em Francisco também tem que bater em Chico”, disse. Conforme publicou o Congresso em Foco, foi diferente o tratamento dado ao mensalão mineiro pelo Supremo Tribunal Federal e a forma com que a mesma corte lidou com o mensalão do PT e dos partidos aliados, que teve uma tramitação bem mais célere.

Imperdível! Vídeo mostra Britto adiando julgamento do mensalão tucano


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O mensalão tucano aconteceu antes do mensalão petista, e uma investigação sobre ele ajudaria a esclarecer vários pontos obscuros do que aconteceria mais tarde. A lógica mandava, portanto, que o julgamento do caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo ocorresse antes. Mas predominou uma outra lógica, a política, sob orientação da mídia. E o presidente Ayres Britto obedeceu caninamente as orientações de seus patrões, a família Marinho.

O vídeo abaixo, preparado pelo site Congresso em Foco, revela os adiamentos sucessivos de Britto, com apoio de outros ministros, do julgamento do mensalão tucano.
Note a calma de Joaquim Barbosa, que em certo momento diz que “tanto faz” para ele adiar ou julgar imediatamente. Tão diferente do Barbosa furiosamente apressado que estamos vendo agora, não?
Abaixo, trechos da matéria do Congresso em Foco, assinada por Eduardo Militão:
(…)O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto disse que o calendário do mensalão do PT foi uma das muitas “intercorrências” para adiar ovalerioduto do PSDB. “Qual foi a intercorrência? O mensalão. Nós fizemos o calendário da AP 470 e fizemos uma pauta temática para ganhar um pouco de tempo enquanto não viesse o julgamento do mensalão. Uma pauta com processos de maior relevância”, disse ele à reportagem. “Com essa definição, não houve mais condições de julgar esse processo [do PSDB]”, continuou.
O julgamento do mensalão mineiro foi adiado duas vezes em maio do ano passado, umas delas após um aviso antes do lanche dos ministros, revela vídeo publicado pelo Congresso em Foco(veja aqui). Duas semanas depois, em 6 de junho de 2012, o STF definiria o calendário do valerioduto do PT. Nas últimas semanas de agosto, o site questionou os ministros que participaram desses julgamentos se houve algum eventual pedido de adiamento do mensalão mineiro em razão da definição de calendário do outro mensalão. Nenhum deles disse se recordar dos fatos na sessão de 23 de maio.
Em entrevista à reportagem, Ayres Britto disse que provavelmente não obteve “condições” de pautar o processo na volta do intervalo.
De acordo com o ex-ministro, “desde o começo”, o processo do valerioduto mineiro sofreu “intercorrências”, como pedidos de colegas para não julgar, ministros ausentes, sugestão para julgar em conjunto com outros processos. Ele apresentou seu voto para julgamento em 2005, mas o caso só foi ao plenário sete anos depois, em 2012, já na sua gestão.
Britto afirma que colocar o valerioduto do PSDB em votação naquela sessão de 23 de maio de 2012 – depois do lanche, mesmo com o seu aviso prévio – poderia causar atritos entre os ministros. “Se eu não levei, é porque seria temerário colocar em votação, do ponto de vista de um dissenso mais sério, e comprometendo uma pauta temática”, afirmou. “Sou uma pessoa atenciosa, eu converso com os ministros, ninguém vai me negar essa qualidade de buscar a todo instante o consenso.”
A pauta temática era um conjunto de processos de impacto social que Ayres Britto concordou com os ministros para julgarem durante sua gestão antes do julgamento do mensalão do PT, que consumiu seis meses de trabalho do Supremo. Entre os projetos, estavam cotas sociais e questões indígenas (…)
A matéria do Congresso em Foco pode ser lida, na íntegra, aqui.
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Xeque-Mate: Raimundo Pereira desafia STF

30.08.2013
Do blog MEGACIDADANIA, 28.08.13

baner01
Xeque - Marcelo Bancalero
Nesta segunda-feira 26/08  o entrevistado do programa Roda Viva,  foi o advogado e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior.
O tema da entrevista foi o “mensalão”
O cara parecia porta voz de Joaquim Barbosa e Gurgel...
O jornalista Raimundo Pereira, aproveitou a ocasião e fez uma defesa pela anulação do julgamento da AP 470.
Reale, não conseguindo dar explicações, que  na verdade não existem, desviou-se das perguntas...
Tentou continuar afirmando, um  discurso que era claramente o mesmo que você assiste na Globo, ou lê na Veja.
E Raimundo Pereira desafiou em horário nobre o supremo..."Se o que eu afirmo na minha revista, que tem erro, é mentira, me processem!"
Eu nem postei o vídeo completo,, pois não vale à pena...
Fiz uma edição com as palavras de Raimundo Pereira da Revista Retrato do Brasil.
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MENSALÃO TUCANO DEVE SER JULGADO - JANOT PARECE NÃO SER GURGEL

30.08.2013
Do blog 007BONDeblog

O Procurador Geral da República, Janot, que deve tomar posse em breve,defendeu ontem durante sua sabatina no Congresso Nacional, que o MENSALÃO TUCANO seja levado a julgamento logo. Segundo Janot, "PAU QUE BATE EM CHICO (PT), DEVE BATER EM FRANCISCO (PSDB)".

Deprimente foi a intervenção do Senador Aécio Neves (PSDB) tentando passar a mensagem subliminar de que o MENSALÃO dos TUCANOS não foi tão grave quanto o Mensalão do PT e base aliada, e por isso pode esperar para entrar na pauta do STF.

Por Gabriela Guerreiro e Severino Motta 

BRASÍLIA, DF, 29 de agosto (Folhapress) - 

O procurador Rodrigo Janot, indicado para o cargo de procurador-geral da República, disse hoje que vai tratar de forma "isonômica" os processos do mensalão e do mensalão mineiro que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Janot afirmou que não vai priorizar "cor partidária" enquanto estiver no cargo. 

"Na minha terra se diz que pau que dá em Francisco, dá em Chico. O tratamento tem que ser isonômico, absolutamente igual. Não temos que ter prioridade porque o sujeito tem uma cor partidária ou outra. Isso não passa no figurino do Ministério Público", afirmou. 

Em sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Janot respondeu a questionamentos dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG) sobre a atuação partidária da PGR. Costa questionou os motivos pelos quais o ex-procurador Roberto Gurgel não deu prioridade ao chamado mensalão mineiro, enquanto Aécio perguntou se ele vai levar em conta "nome do acusado e seu partido" nas ações penais. 

Janot disse que procuradores, promotores e juízes não têm um "processo da sua vida", por isso devem atuar de forma igualitária em todos os julgamentos. 

"Não faço crítica a ninguém, mas não passa também no meu cardápio que um juiz, membro do Ministério Público, possa ter o processo da sua vida. Eu admito que um advogado tenha um processo da sua vida, porque vai ganhar honorários que vão garantir estabilidade par ao resto da vida. Mas procurador, promotor, juiz, tem que ter tratamento absolutamente profissional." 


O futuro procurador-geral da República também disse que, sob sua gestão, não haverá vazamento de informações e de futuras ações da procuradoria. "Promotor e procurador não vão dizer à imprensa o que vão fazer. Você não anuncia futura atuação sua. Você age sem estrelato e comunica, participa ou presta contas de maneira tranquila através de uma comunicação social profissional."
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É hora dos partidos investirem nos seus intelectuais

30.08.2013
Do portal LUIS NASSIF ON  LINE, 29.08.13

Houve um longo período na política brasileira em que se superestimou o papel dos intelectuais na atividade política. Nos últimos anos ocorreu processo inverso, com fundas consequências na vida dos partidos, especialmente da oposição.

É interessante analisar o tiro no pé dado pela velha mídia, em sua militância partidária, ao abandonar propostas legitimadoras e aderir ao vale-tudo do modelo Rupert Murdoch de jornalismo, explorando o anticomunismo mais tacanho, a criminalização das políticas sociais, o elitismo mais obtuso.
O episódio do mensalão deflagrou uma debandada de intelectuais do PT. O sucesso das políticas sociais e, especialmente, a campanha de Serra em 2010 os trouxeram de volta.
No segundo turno das eleições, ante a ameaça da volta do obscurantismo, velhos militantes das diretas, intelectuais que fizeram nome na luta contra o arbítrio tiraram suas armaduras do armário e voltaram às praças acadêmicas, em apoio à candidatura Dilma. Órfãos do PT, poderiam ter buscado abrigo em outro partido. Mas o que viam, do outro lado, era Serra com olhos de pastor alucinado, lendo a Biblia em casas humildes, par atrair eleitores crédulos.
O que cativa os militantes, o que conquista adesões, são as ideias, as propostas legitimadoras, generosas, a criação da utopia, em contraposição à realpolitik, inevitável nas relações de poder. É esse círculo que forma as ideias; são as ideias legitimadoras que atrem os formadores de opinião. O resto, vem atrás. E, nas democracias, não existe nada de mais legitimador que a busca da igualdade, o apoio às minorias, a defesa dos fracos - sem o oportunismo do "populismo" clássico.
No entanto, o padrão Murdoch de mídia criou a figura do colunista agressivo, misturando o neoliberalismo mais obtuso e atrasado (porque crítico de qualquer avanço social) com a exploração de figuras ancestrais da superstição internacional (o inimigo sibilino, infiltrado em todos os cantos, comedor de criancinhas) e com níveis de raciocínio similares aos polemistas de botequim.

O fim da ética dos guerreiros

Aberta a temporada do "procuram-se polemistas de esgoto", não faltaram candidatos a preencher a vaga de colunista de olhar rútilo de sangue, a baba escorrendo pelos cantos da boca, a insensibilidade total em relação à miséria, combatendo o inimigo de forma incessante e selvagem. Conseguiram avacalhar até a ética do guerreiro – de não chutar adversário caído.
Aliás, o episódio dos dois comentaristas da CBN apostando garrafas de vinho na condenação dos “inimigos” talvez tenha sido o momento mais revelador desses tempos. Justificaram bem o que certa vez escreveu Luiz Fernando Veríssimo: cada vez que critico o governo e olho ao lado de quem eu fico, perco a vontade de continuar. 
Para conferir alguma densidade intelectual à discussão, a mídia tentou a adesão de intelectuais orgânicos. Mas nenhum intelectual sério quis se comprometer com a companhia. Restou meia dúzia de acadêmicos, recorrentes, brandindo os mesmos bordões anti-comunistas, o discurso da ética seletiva, fazendo qualquer coisa por um espaço na mídia.
Até Boris Fausto, o respeitável Boris Fausto, para quem existe Deus no céu e FHC na terra, recusou a companhia desses halterofilistas das ideias e se recolheu à seriedade habitual de seus estudos acadêmicos.
Com os intelectuais tucanos da USP encolhendo, com receio de serem confundidos com os intelectuais tucanos da mídia, o discurso acadêmico da oposição restringiu-se aos mesmíssimos economistas do Plano Real – cuja eficácia acabou nos anos 90.

A reconstrução das ideias

Há a necessidade urgente dos partidos reconstruírem suas utopias, suas bases ideológicas mas, principalmente, renovar sua geração de intelectuais – sem abrir mão das linhas condutoras dos intelectuais históricos.
A Fundação Perseu Abramo – dirigida por Márcio Pochmann – esforça-se por desbravar os novos tempos políticos e sociais, levantando novas teses para discussão. É o que tem mais avançado no conhecimento do novo mundo.
No PSDB há um conjunto de intelectuais tentando definir novos pontos, mas ainda submersos. O Instituto Teotônio Vilella foi entregue a um parlamentar agressivo e intelectualmente inexpressivo, como Sérgio Guerra, a mais perfeita tradução de Roberto Freire.
Desde que foi eleito presidente, FHC passou a estigmatizar como “populista” qualquer proposta que trouxesse um mínimo de benefício aos cidadãos. No auge das manifestações de rua, “descobre” que o discurso eficaz é o que prometer melhorar a vida do contribuinte. Julga que com uma declaração remove vinte anos de atraso no seu discurso político.
Para avançar, o PSDB terá que desenvolver um discurso pós-FHC, com foco nos temas centrais – inclusão social, educação, inovação, enfase nos serviços públicos -, tratando-os de acordo com sua ótica mais liberalizante. Não poderá mais colocar os meios (redução do Estado, privatização, redução dos gastos sociais) à frente dos fins, mas apresentando propostas alternativas que atinjam os objetivos finalísticos.
O PSB conta com o respaldo de Roberto Amaral, velho militante nacionalista. Mas ainda não mostrou o discurso adaptado ao século 21. O velho Miguel Arraes teve experiências bastante interessantes, de levar inovação às pequenas comunidades, uma bandeira contemporânea, que casa preocupação social com modernização.
O Instituto Ulisses Guimarães, do PMDB, está entregue ao deputado gaúcho Eliseu Padilha, notório por seu estilo político, não por suas ideias. Se houvesse um mínimo de esperteza do partido, entregaria a alguém mais aparelhado, como Gabriel Chalita. Ou recuperaria intelectuais históricos, mas que se afastaram do partido – como os economistas da Unicamp, trabalhando de forma integrada o conceito de desenvolvimento com a nova geração de acadêmicos da instituição.
O primeiro passo para recuperar a legitimidade da política e dos partidos será trazer de volta os intelectuais e valorizar os programas partidários. A discussão tem que sair do campo dos ataques pessoais e da escandalização disseminada para o das propostas e ideias. 
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Contraponto entrevista Palmério Dória

30.08.2013
Do BLOG DO MIRO
Por  Cecília Negrão



O jornalista Palmério Dória será entrevistado nesta segunda-feira (2) no programa Contraponto, exibido ao vivo via webtv pelo site www.spbancarios.com.br e Rede Brasil Atual (www.redebrasilatual.com.br) e retransmitido em diversos blogs do país. A entrevista vai ao ar às 19 horas.


O programa terá como entrevistadores os jornalistas Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Paulo Salvador (Rede Brasil Atual) e Renata Mielli (Barão de Itararé). Será mediado pela presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira.

O livro “O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição” foi lançado nesta sexta-feira (30).

O jornalista Palmério Dória já publicou seis livros, entre eles: “A Guerrilha do Araguaia”, “Mataram o Presidente — Memórias do pistoleiro que mudou a História do Brasil”, “A Candidata que Virou Picolé (sobre a queda de Roseana Sarney na corrida presidencial de 2002, em ação orquestrada por José Serra)” e “Honoráveis Bandidos — Um retrato do Brasil na Era Sarney”.

Contraponto


O programa é uma parceria do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Ao vivo, todas as primeiras segundas-feiras do mês.

Após a exibição do programa, o conteúdo será disponibilizado na íntegra no site do Sindicato dos Bancários (www.spbancarios.com.br) e no youtube.
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ESCÂNDALO OCULTADO PELA MÍDIA TUCANA: Palmério, sobre O Príncipe da Privataria: roubo do tucanato foi incomensurável

30.08.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito
principe
Reproduzo, abaixo, a entrevista de Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada, com o jornalista Palmério Dória, que está lançando este final de semana O Príncipe da Privataria, onde descreve o enredo de corrupção, traição e entrega criminosa do patrimônio público. Nela, Palmério revela, finalmente, quem era o senhor X, autor das gravações que documentaram a compra de votos para estabelecer a reeleição presidencial.
Leia e prepare-se, vem muito mais no livro.

Quem é o Sr.X que gravou a compra da reeleição de FHC

PHA: Esse livro tem uma revelação – entre muitas – que é a identidade do ”Senhor X”, o homem que conta tudo sobre a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Palmério, quem é o “Senhor X”?
Palmério: O “Senhor X” é uma eminência parda do Acre, isso a gente percebeu logo que o encontrou.

Uma figuraça, elétrica!
Ele é dono de uma retransmissora do SBT; dono de academias de ginástica; prédios e até de um cemitério.
Na campanha da reeleição, ele pegou pela proa a bancada acreana e tirou deles a confissão de que a reeleição estava sendo comprada pelo Serjão Motta (ex-ministro das Comunicações do Governo FHC); Orlei Cameli, então governador do Acre; e pelo Amazonino Mendes (ex-governador do Amazonas).
Isso era só a frente acreana. Na verdade essa compra, pelas contas do Senador Pedro Simon (PMDB-RS), chega a 150 deputados, pelo menos.
PHA: Ele (o ”Senhor X”) se chama Narciso Mendes, não é isso?
Palmério: Isso, chama-se Narciso Mendes.

É um potiguar; passou por Belém; casou com uma moça chamada Célia; foi viver no Acre e fez a vida lá.
Foi deputado na Constituinte, depois não se reelegeu, mas a mulher dele se elegeu. Daí ele tinha acesso livre ao Congresso.
Como é um cara muito simpático, despachado, desempenado, ele foi procurado pelo repórter Fernando Rodrigues, da Folha (*), que através de uma intermediação feita pelo Carlos Aírton – outro deputado da época (também do estado do Acre) – Narciso começou a gravar com um gravadorzinho pequenino, que o Fernando Rodrigues tinha, japonês.
Nem precisava perguntar, as pessoas já chegavam contando tudo.
Isso dessa porção acreana da compra de votos.
Agora, o Narciso é também um segredo de polichinelo, né?
PHA: Por quê?
Palmério: Porque todo mundo sabe que esse homem existe, que é o Narciso Mendes, e ninguém se ocupou, ninguém quis ouvi-lo; chegar lá e dizer: “então, o senhor é o ”Senhor X”, vamos conversar”.

PHA: E o Fernando Rodrigues reproduziu as gravações na Folha…
Palmério: O Fernando Rodrigues reproduziu, essa matéria teve grande repercussão, o Fernando Rodrigues na época foi capa na revista Caros Amigos. Aliás, a capa foi o próprio gravador que ele usou nas gravações com o ”Senhor X”.

Pena que tenha chegado dez dias depois de a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) – que naquela época era a CNBB de guerra – denunciar que havia um esquema de compra de votos. Algum tempo depois, veio a matéria (da Folha).
PHA: Então, o Narciso Mendes gravou, passou a gravação ao Fernando Rodrigues, que transcrevia a gravação e sempre se referia a ele, Narciso, como ”Senhor X”?
Palmério: Sempre se referia a ele como ”Senhor X”, e assim ele apareceu na capa de Caros Amigos. 


PHA: Por que o ”Senhor X”, que era um segredo de polichinelo, resolveu sair da toca e se identificar agora ?
Palmério: Ele passou por maus bocados de saúde e achou que tinha de contar essa história antes de morrer.

Mas, o fato é que ele está muito longe disso, ele tem saúde para dar e vender e, seguramente, vai viver mais do que eu.
Ele tem um cemitério lá, né? Ele me levou para conhecer o cemitério e eu me candidatei a uma vaga para quando eles implementarem a cremação.
PHA: Você diz que as gravações se referem à compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique na bancada do Acre. Quanto se pagava por deputado na bancada do Acre?
Palmério: Pagava 200 mil reais. Era um esquema dos tempos dos coronéis, pagava-se em cheque.

Era uma espécie de pré-pago. Depois (de votar) eles trocariam o cheque.
Mas, ai, alguém os advertiu: cheque, né? É como alguém dar um cheque para um traficante – não estou comparando os deputados com os traficantes, mas é por ai.
Ai alguém falou: “é melhor pagar em dinheiro”. Ai passaram a fazer o pagamento em dinheiro, os deputados saiam com sacolas de dinheiro.
PHA: E quem é que comprava?
Palmério: Nessa operação, no caso do Acre, o Amazonino Mendes, então governador do Amazonas; o Orlei Cameli, do Acre, e outros que eu não sei.

Mas, o Acre é apenas uma ponta, como o Pedro Simon deixa claro.
PHA: O seu livro fala que, nas conversas (gravadas) aparecia claramente, como última instância do processo, o Sérgio Motta, ministro das Comunicações do Fernando Henrique.
Palmério: Isso. Aparece na época claramente nos jornais. Publicaram o envolvimento dele, as acusações contra ele.

E depois, o Fernando Henrique, sem citar o nome de Narciso Mendes, fala desse episódio no livro ”Arte da Política” – um catatau de umas setecentas páginas, naquele estilo gorduroso de que você fala, né?
PHA: Isso, cheio de colesterol…
Palmério: Cheio de colesterol!

O fato é que é segredo de polichinelo, Paulo, porque todo mundo sabia quem era a peça, quem era a figura, quem fez as gravações. A certa altura do livro, o Fernando Henrique, sem citá-lo, começa a falar dele, começa a desqualificá-lo.
Mas, o fato é que falaram em CPI nessa época, e não houve CPI. A Comissão de Constituição e Justiça ouviu alguns deputados – como você sabe, dois deputados acreanos renunciaram logo em seguida, sobre pressão.
Muito bem, o fato que é que quando se falava em ”Senhor X”, ninguém quis ouvi-lo, nem CPI nem a Comissão de Constituição e Justiça.
PHA: Então são 200 mil em dinheiro, para a bancada do Acre. O Pedro Simon calcula que tenham sido comprados 150 deputados. Então é 200 mil, vezes, 150, não é isso? E em dinheiro vivo!
Palmério: Em dinheiro vivo! Bufunfa; maçaranduba; e em sacolas.

E eu acredito que os comprados do “sul maravilha” não se venderam por 200 mil reais.
PHA: Então deve ter sido mais ? Mais de 30 milhões de reais ?
Palmério: Eu acho que sim, acho que sim.

O problema do tucanato é o seguinte: eu até te perguntei de quanto deveria ter sido a roubalheira e você não consegue mensurar. Eu acho que nem um computador de última geração desses da NASA consegue mensurar a escala de roubo quando você fala de tucanato.
PHA: Agora tem esse negócio de Trensalão.
Palmério: É, não dá pra você calcular… 

PHA: Palmério, o Fernando Henrique já se referiu a esse episódio dizendo que ele e o PSDB não precisavam comprar ninguém, porque a maioria absoluta era a favor da reeleição. No seu livro,  o Narciso Mendes contesta esse argumento. Como é que o Narciso contesta isso?
Palmério: Ele diz que, por exemplo, o Orlei Cameli não se candidatou à reeleição.

Já começa por ai. No caso acreano, o governador não se candidatou à reeleição. Ele desmonta a tese do Fernando Henrique com esse simples fato.

PHA: Outro argumento do Fernando Henrique é que ele não precisava (buscar a reeleição), mas quem precisava eram os governadores, que estavam tão interessados na reeleição quanto ele. Porque se beneficiariam. Então, pelo mesmo raciocínio do Cameli, você desmonta esse argumento. 
Palmério: Claro, Claro, sem a menor dúvida.

Então, você vê o esforço que foi feito para ele ( Narciso) não ser ouvido. Como se passam 13 anos e esse cara nunca foi procurado para falar ? Nunca.
PHA: Você acredita que o Luís Eduardo Magalhães – você cita ele no seu livro como presidente da Câmara – interveio nesse processo bombardeando a ideia de uma CPI, é isso?
Palmério: Sim, sim, foi criado ali um bloqueio total.

Era o bate-bola permanente entre os dois, os dois que faleceram, o Luís Eduardo e o Serjão.
O Serjão era o grande operador, ele e seu projeto de 20 anos (de tucanos no poder).

PHA: Você reproduz no livro uma frase muito interessante do Serjão: “95% das coisas que eu digo foi o Fernando Henrique quem falou; os os outros 5% é o que ele pensa e não diz”.
Palmério: Ou seja, é impossível, que o Fernando Henrique não soubesse do que estava rolando nos bastidores.

O desconforto com o qual ele fala disso no livro é a maior bandeira.
PHA: O livro “Príncipe da Privataria” é, na verdade, um perfil muito rico, muito detalhado, uma pesquisa minuciosa feita por você e pela sua equipe, e que trata de muitos assuntos.
Trata da Privataria de uma forma geral; trata de outros tipos de financiamento da campanha do Fernando Henrique, como a ligação dele com o então presidente do Banco Bamerindus (Andrade Vieira); trata do processo vil que foi a venda da Vale do Rio Doce.
Tem um episódio muito importante narrado pelo delegado Protógenes Queiroz, que é uma ligação muito mal explicada pelo Fernando Henrique – a relação dele com títulos da dívida externa brasileira em posse do banco francês Paribas.
Palmério: De quando ele era ministro da Fazenda e o Armínio Fraga era o homem do Banco Central. 

PHA: Tem um componente importante desse seu livro que é a cumplicidade da imprensa brasileira no episódio do filho que o Fernando Henrique Cardoso pensou por muito tempo ter tido com uma jornalista da TV Globo.
Qual é a relação desse episódio com a TV Globo? Como que a Globo participa desse processo de acobertar um fato público, que é o presidente da República ter um filho, ou supor ter um filho, com uma jornalista de vídeo, da emissora de televisão mais vista do país.
Onde se casam – sem trocadilhos – Fernando Henrique Cardoso e a Globo nesse caso do filho que ele reconheceu e que, na verdade, não era dele.
Palmério: É o Proer da imprensa, eis aí uma tese de doutorado, Paulo Henrique. A figura central da TV Globo nesse caso é o Alberico Souza Cruz – que tomou o lugar do Armando Nogueira depois que manipulou aquele debate Lula x Collor.

Então, ele passou a circular com desenvoltura por Brasília.
Ele era amigo da Míriam Dutra (jornalista que teve o suposto filho de FHC) – ela era subordinada dele, né? – e era muito amiga da Rita Camata (ex-deputada federal), que, por coincidência, começou a aparecer em todos os espaços (da Globo), especialmente no Jornal Nacional.
Ele (Alberico) era um dos bombeiros. O  outro era o José Serra, o planejador; e o Serjão, o operador.
Foram eles que operaram a transferência da Míriam para SIC, (Sociedade Independente de Comunicação), em Portugal (associada à Globo).
Não à toa: o Alberico é padrinho do Tomás (suposto filho de FHC).
PHA: Então, o Alberico remove a Míriam para Lisboa e apadrinha o menino?
Palmério: Apadrinha o menino, depois ela é transferido para Barcelona.

Agora, como houve o Proer dos bancos houve um Proer da imprensa.
Um dinheiro oficial, e até mesmo privado, em uma quantidade imensa, incalculável, para comprar o silêncio da mídia sobre o filho de Míriam Dultra, o “bolsa pimpolho”, como muitos denominaram.
Eu acho que todos os veículos de comunicação investigaram o caso, mas não publicaram. Alegaram que era para ter e usar apenas se o concorrente furasse; matéria de gaveta, como se diz.
Isso lembra um arsenal dissuasório, como se diz: ”olha, há bombas nucleares suficientes para destruir o planeta ‘N’ vezes, mas não é para usar, é para ter”. Então a chantagem campeia pela imprensa, né?
PHA: Na verdade, o que eu chamo de PIG, aqui, no nosso site, não chegou a usar essa bomba.
Palmério: Não, não usou. E depois na matéria da Caros Amigos nós ouvimos, um a um, os diretores de redação de jornais e revistas da época. 

PHA: E isso está no livro também. Palmério, só para concluir: depois de muito tempo, ficou confirmado que o filho que o Fernando Henrique supunha ter não era dele, era de outra pessoa.
E tem no livro – e é evidentemente que não podemos revelar aqui – uma cena de comédia italiana, que é o diálogo de Fernando Henrique e Míriam Dutra depois que ficou comprovado que o filho não era dele.
Palmério: É, um amigo meu disse que deu uma estrondosa gargalhada com o fim do livro.
Agora eu só queria dizer uma coisa para você, Paulo Henrique, esse é um bom livro para ler na Semana da Pátria, não é? 

PHA: Aliás, o 7 de Setembro que Fernando Henrique qualificou como uma palhaçada.
Palmério: Exatamente, Exatamente… 

PHA: Parabéns, Palmério, depois de desmontar o pessoal do ”Honoráveis Bandidos”, do José Sarney – quantos livros já vendeu o José Sarney?
Palmério: O Zé Sarney já vendeu cerca de 130 mil livros. Mas, a turma do Zé Sarney, perto dessa turma do Fernando Henrique, não passa de amadores. É outra escala. 

PHA: Os ”Honoráveis Bandidos” são amadores…
Palmério: É, é outra escala, outra escala…

Serviço:
Príncipe da Privataria, da Geração Editorial;
Páginas: 400;
Preço: impresso, R$ 39,90 / e-Book, R$ 24,90;

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