segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Até Noblat passou a defender médicos cubanos! A coisa tá feia…

26.08.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por  Fernando Brito

raiva
O blogueiro Ricardo Noblat está sendo massacrado por seu leitores em O Globo.
Seja por convicção ou por ter percebido que se forma uma imensa maré de opinião pública, Noblat resolveu enfrentar o público udenista de seu blog e declarar-se a favor da importação de médicos cubanos.
Adota o discurso de que, bem, isso é marquetagem do Governo Dilma, mas ainda assim é bom.
Abriu uma enquete para apurar a opinião dos leitores, embora o jornal já estivesse fazendo outra que, ao que parece, foi retirada do ar e dava apenas 27% de aprovação à vinda dos estrangeiros.
É aquela história do Pulitzer: ”Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”
Importa no episódio, porém, a sua leitura política.
É o “adiram ou serão devorados” que está sendo gritado às forças do conservadorismo, que estão mudas, com esparsas manifestações como o editorial da Folha e o artigo da Eliane Cantanhênde, um que ninguém lê e outro que ninguém dá importância.
Segue o texto de Noblat, cujo título – Só vejo vantagens – é rapidamente esclarecido com a observação “sobre a vinda de médicos estrangeiros”

‘Só vejo vantagens’ (sobre a vinda de médicos estrangeiros) 

Ricardo Noblat 
Sem tolices, por favor. Queriam o quê? Que precisando contratar médicos para fixar no interior do país o governo não o fizesse só por que os nossos têm outros planos? Ou então que contratasse estrangeiros, mas não cubanos por que eles vivem sob uma ditadura?
Com quantas ditaduras o Brasil mantém relações? Sabe em que governo o Brasil reatou relações diplomáticas com Cuba? No do conservador José Sarney. Pois não é?
Desembarcaram por aqui no último fim de semana os 400 médicos cubanos que aceitaram trabalhar durante três anos nos 701 municípios rejeitados por brasileiros e estrangeiros em geral inscritos no programa “Mais Médicos”.

São municípios que exibem os piores índices de desenvolvimento humano do país, 84% deles situados no Norte e no Nordeste. Os nossos médicos brancos e de olhos azuis não topam servir onde mais precisam deles.
Médicos brancos e de olhos azuis… (Olha o racismo aí, gente!) O que eles querem mesmo é conforto, um consultório para chamar de seu e bastante dinheiro. Igarapés? Mosquitos? Casas de pau a pique? Internet lenta? Medicina, em parte, como uma espécie de sacerdócio? Argh!
Mas a Constituição manda que o Estado cuide da saúde das pessoas. E para isso ele lançou um programa. Acusam o programa de ter sido concebido sob medida para reeleger Dilma. E eleger governador de São Paulo o ministro Alexandre Padilha, da Saúde. 
Outra vez suplico: “sin tonterías, por favor”. Queriam o quê? Que podendo atender o povo e ganhar uns votinhos eles abdicassem dos votinhos?
Sarney (ele insiste em voltar!) inventou o Plano Cruzado em 1986 para manietar a inflação. Manietou-a tempo suficiente para vencer a eleição daquele ano. Com a falência do plano foi apedrejado no Rio.
O Plano Real elegeu Fernando Henrique. O que restou do plano o reelegeu.
O Bolsa Família reelegeu Lula, que elegeu Dilma, que terá de suar a camisa para se reeleger. Andar de moto não sua…
Ah, mas um programa ambicioso como o “Mais Médicos” deveria ter sido discutido exaustivamente pela sociedade antes de começar. Deve ter sido discutido, sim, pelo governo, ouvidos também seus marqueteiros.
Importa que funcione bem. Do contrário a gente mata a bola no peito e sai por aí repetindo até perder a voz: “Eu não disse? Não disse?”
Outra coisa: quem sabe o fracasso do programa não derrota Dilma? Hein? Hein? Ela é tão fraquinha… Não fará falta. Se comparado com ela, Lula faz. No mínimo era mais divertido.
Médico cubano não fala português direito! (Ora, tenham dó. Eu passo.) Não podem ser tão bem preparados. Podem e são. Estão em dezenas de países. Até no Canadá. Até na Inglaterra.
Ministro da Saúde, José Serra foi à Cuba conhecer como funcionava o sistema de atendimento médico comunitário. Voltou encantado.
No final dos anos 90, o governo do Tocantins importou 210 médicos, 40 enfermeiros e oito técnicos cubanos. Sucesso total.
Sei: coitado do médico cubano! A maior parte dos R$ 10 mil mensais a que terá direito ficará com o seu governo. E ele não poderá trazer a família. Os demais médicos estrangeiros poderão trazer a mulher e até dois filhos.
Também tenho pena deles. E deixo aqui como sugestão: entre tantas passeatas marcadas para 7 de setembro por que não fazemos uma pedindo o fim da ditadura cubana? Ou pelo menos melhores salários para os médicos da ilha? Já pensou? Abrindo a passeata, representantes de entidades médicas. De jaleco. Atrás, um mar de bandeiras vermelhas para animar a turma. Fechando a passeata, o bloco dos vândalos. E tudo filmado pelos ninjas!
Compartilho o receio de os médicos estrangeiros se frustrarem com a carência de equipamentos no Brasil. Se eles faltam até nas maiores cidades, imagine nas terras do fim do mundo? Se faltam remédios… Ainda assim é melhor ter médicos a não tê-los.
Em certos casos só se resolve problema criando problema. E haverá sempre o recurso à passeata. Se negarem o que pedimos… Se rolar grossa pancadaria…
Cuide-se, Dilma!

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Itamaraty ouve hoje diplomata apontado como responsável pela vinda de Pinto Molina ao Brasil

26.08.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Renata Giraldi
Brasília – O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, ouve hoje (26) o diplomata Eduardo Saboia, apontado como principal responsável pela retirada do senador Roger Pinto Molina, 53 anos, da capital boliviana, La Paz, e o transporte para o Brasil. Ao longo da manhã, houve reuniões conduzidas pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Eduardo dos Santos, que deverá conversar com Saboia na tarde desta segunda-feira.
O clima no Itamaraty é de tensão, pois é a primeira vez na história recente que, em uma carreira guiada pela disciplina e hierarquia, um profissional tem sua conduta investigada por supostamente não seguir orientações de superiores, em uma questão envolvendo dois Estados – Brasil e Bolívia.
Após nota divulgada pelo Itamaraty, informando que o Ministério das Relações Exteriores abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, o assunto é tratado com o máximo de sigilo pelos diplomatas. A ideia é que Saboia chegue ao ministério de forma discreta, sem chamar a atenção da imprensa, para evitar entrevistas.
Com mais de 20 anos de carreira, Saboia é apontado como um profissional disciplinado, competente e dedicado. No entanto, desde que assumiu como encarregado de negócios (substituto temporário do embaixador) na Bolívia, há dois meses, Saboia reitera ao Itamaraty as dificuldades vividas por Pinto Molina, que ficou 455 dias abrigado na representação diplomática.
Saboia esteve duas vezes em Brasília relatando que o senador boliviano sofria de depressão e estava com problemas renais. Na última ocasião em que esteve no Itamaraty, o diplomata pediu para ser removido (deixar o posto) de La Paz para outro posto no exterior ou mesmo no Brasil.
No Itamaraty, os diplomatas não informam ao certo como será um eventual inquérito envolvendo Saboia. As punições, em geral, vão desde uma simples advertência oral até a exoneração da carreira profissional. Porém, há os defensores de uma sanção intermediária que é a da suspensão (provisória) da carreira, considerando que seus antecedentes são todos positivos e que tem um histórico de bons serviços prestados.
Edição: Denise Griesinger
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A vilania de Merval Pereira e de C.A. Sardenberg

26.08.2013
Do Blog Palavra Livre, 24.08.13
Por Davis Sena Filho
MERVAL E SARDENBERG: APOSTA, VINHOS E A VOCAÇÃO PARA O ESCÁRNIO.
A vilania está presente na humanidade. Sem sombra de dúvida. Em algumas pessoas a perversidade é marcada em suas almas como a tatuagem marca a pele. Se comportar como biltre em público é sinal que tal pessoa renunciou de vez a compostura, e, por seu turno, o sentimento de pudor deixou de ser importante para os valores e princípios do ser vivente que substituiu a prudência pela imprudência e o respeito pelo escárnio.

Há muito tempo os jornalistas Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg militam como políticos nos diversos meios de comunicação privados. Eles pertencem a um sistema de imprensa de mercado que combate sistematicamente e de forma intransigente os políticos, partidos e governos que os seus patrões, no caso os irmãos Marinho, são inquestionavelmente inimigos, e que, se pudessem, derrubariam, sem titubear, os governantes trabalhistas que assumiram o poder da República desde o ano de 2003.

Merval Pereira, juntamente com o diretor-geral de Jornalismo e Esportes da TV Globo, Ali Kamel, abriu mão de ser um analista ou comentarista político e passou a fazer política, com a autorização de seus patrões, no decorrer desses 11 anos em que o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff administram o Brasil e paulatinamente tentam modificar o panorama de miséria material e violência social que aflige há séculos parcela enorme da população brasileira.

Com canais abertos com juízes do STF, Merval Pereira se tornou portador de recados de alguns magistrados, aposentados ou não, que lhes passam informações de coxia e, por intermédio delas, cobra, sem ter autoridade e conhecimento para isso, a prisão de pessoas que ele chama, propositalmente, de mensaleiros, a fim de desqualificá-los perante a sociedade e, consequentemente, tentar fazer com que o público acredite piamente em sua opinião publicada ou irradiada pela CBN e Globo News.

Merval deve se considerar o 12º juiz do Supremo Tribunal Federal. Com trânsito junto a juízes e ex-juízes conservadores, a exemplo de Gilmar Mendes, Cézar Peluso, Ayres Britto, Luiz Fux, Ellen Grace, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio de Mello, o colunista de O Globo deita e rola e manda recados e, irresponsavelmente, cobra prisões dos políticos do PT, bem como comemora o possível cárcere daqueles que ele e seus patrões consideram como inimigos políticos, a serem derrotados, humilhados e presos, se possível em Guantánamo, com as cabeças encapuzadas e os punhos e os tornozelos algemados com grossas correntes.

Este é o Merval Pereira, aquele que faz aposta ao vivo com o jornalista ultradireitista da CBN, Carlos Alberto Sardenberg. Os dois, como estivessem a fazer uma comédia pastelão, divertiram-se com a tragédia alheia, com a dor de quem se defende de punições que certamente vão lhes levar à cadeia. Políticos históricos, que há 40 anos enfrentam uma das piores e mais cruéis elites econômicas e políticas do planeta.

A burguesia violenta, privatista e individualista, rentista e consumista, de passado escravocrata e que sempre foi cúmplice, sabotadora e criminosamente golpista, a exemplo de 1932, 1938, 1945, 1955, 1964 e 2005, judicializou a política e criminalizou o PT, partido forjado nas lutas populares, de essência socialista e trabalhista e que mudou as condições de vida do povo brasileiro para muito melhor e em apenas dez anos, como demonstram, irrefutavelmente, os números e índices governamentais e acadêmicos.

Por isto e por causa disto, surgem figuras moralmente dantescas e politicamente andrajosas, como, por exemplo, o Carlos Alberto Sardenberg, porta-voz dos interesses de banqueiros nas Organizações(?) Globo e irmão de Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), instituição que tem grande interesse na manutenção de juros altos no Brasil e que atualmente, por intermédio do Itaú-Unibanco, tenta vencer uma queda de braço com o Governo trabalhista de Dilma Rousseff, que já deixou claro aos banqueiros que elevar ou baixar os juros é uma política de estado e não, como acontecia no passado, uma ação meramente monetária e financeira para atender aos interesses de uma classe banqueira apátrida, alienígena e que não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento social de qualquer povo ou país.

O jornalista neoliberal e adversário das políticas públicas desenvolvimentistas na verdade critica a estabilidade do poder de compra do real e, por conseguinte, dos cidadãos e consumidores brasileiros, porque não quer um sistema financeiro sólido e eficiente e que rejeita há 11 anos a jogatina do mercado bancário e financeiro que levou o Brasil e todos os países da América Latina à insolvência e à total dependência de recursos financeiros oriundos de bancos internacionais e cobrados com juros escorchantes.

Sardenberg é irmão de banqueiro. Como tal, sua relação familiar denota um conflito de interesse em sua posição como jornalista de economia, o que é comprovado através de suas intervenções como comentarista e colunista que, recorrentemente, pede (quase exige) a elevação dos juros, além de defender o que é indefensável, justificar o que é injustificável, que é apregoar a efetivação do estado mínimo, a regulação do mercado pelo mercado sem a intervenção quando necessária do Governo, e cortar os investimentos sociais e estruturais.

Esta é a cabeça de Sardenberg e do partido que ele e o Merval Pereira apoiam, o PSDB, agremiação conservadora que vendeu o patrimônio público do Brasil e mesmo assim teve de ir pedir esmolas ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos. O Sardenberg e o Merval que defendem, diuturnamente, um Brasil atrelado e subserviente aos interesses dos Estados Unidos, pois colonizados e portadores lamentavelmente orgulhosos de um inenarrável, pois inacreditável complexo de vira-lata.

Pouco antes de a crise mundial explodir em 2008 e derreter as economias dos países que esses jornalistas colonizados tanto admiram como macacos de auditório, um deles, que é o Sardenberg, disse: “A economia mundial segue em marcha de sólido crescimento. Sólido porque não é nenhuma bolha financeira”. Meses depois veio o tsunami que levou à bancarrota as economias “sólidas” de Sardenberg e fez com que cidadãos e empresários de inúmeras nacionalidades se suicidassem. É mole ou quer mais?

Esse é o jornalismo de esgoto elaborado e calculado por jornalistas como Carlos Alberto Sardenberg e Merval Pereira, este o 12º juiz do STF e que, debochadamente, apostou, em viva voz na CBN, quando seriam presos os “mensaleiros” e quantos irão para a cadeia. A conversa entre ambos é de uma desfaçatez que deixaria a pessoa mais insensata ou sem noção negativamente admirada com tanta leviandade e infâmia a serem irradiadas de uma só vez. Isto acontece porque eles não fazem jornalismo e, sim, política.

Os dois sequazes dos políticos petistas julgados e condenados pelo “mensalão”, que é o mentirão, pois o tempo vai cuidar de dar transparência à verdade desse julgamento tendencioso e seletivo, comportaram-se como torcedores em estádio e mais uma vez, de maneira arrogante e pérfida, apostaram jantar e vinhos e ainda consideraram realizar uma enquete para que os ouvintes da CBN escolhessem a marca do vinho a ser paga pelo perdedor da aposta.

A dupla dinâmica do mau jornalismo trata a vida de pessoas que estão a se defender politicamente com uma insanidade que deixaria um cidadão com problemas psicológicos graves estupefato e realmente surpreso com tanta mediocridade de jornalistas que são considerados importantes pelo establishment, mas que na verdade são dois capatazes a serviço do sistema de capitais, dos seus patrões e de tudo aquilo que não condiz com o jornalismo, que é buscar a verdade, defender a sociedade e lutar pelos que podem menos. Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg são as antíteses do que é ser razoável, prudente e ajuizado. O dom do escárnio e da vilania. É isso aí.
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JORNAL CIÊNCIA: Conheça a triste história do chinês que nasceu com seu coração na barriga

26.08.2013
Do portal do JORNAL CIÊNCIA, 25.08.13
Por OSMAIRO VALVERDE 

  Um homem que sempre viveu com o coração no abdômen respira aliviado após receber ajuda.

  Huang Rongming, da província de Henan, China, passou por uma cirurgia para mudar radicalmente sua condição de vida, removendo um órgão tão vital quanto o coração do seu abdômen e o encaixando onde deveria estar, na caixa torácica.

  Ele viveu durante 24 anos com o problema, até que um médico soube de sua condição, oferecendo-lhe uma cirurgia para melhorar sua vida que estava em estado precário. Apesar da atitude do cirurgião, era necessário dinheiro para o procedimento.

O deslocamento cardíaco congênito é uma condição extremamente rara e ocorre em apenas 5 de cada 1 milhão de bebês que nascem. Rongming nunca pode pagar a cirurgia e só recebeu ajuda após seu caso ser amplamente divulgado pela mídia.

“É um sonho tornando-se realidade. Vou levar uma vida normal como todos os outros”, disse Rongming em entrevista ao jornal China Daily.

Antes da cirurgia, era possível ver com muita clareza o coração de Rongming bombeando sangue para o seu corpo. Ele ficava protegido apenas por uma fina camada de pele, deixando sua barriga com aspecto abaulado na parte superior.

Quando nasceu, os médicos não acreditavam que ele pudesse sobreviver por muito tempo, pois seu coração tinha defeitos e era extremamente vulnerável a lesões.

Seus pais comentaram que ele sempre ficava ansioso para brincar com os meninos, mas era proibido porque qualquer queda ou pancada poderia matá-lo.

O médico Dong Nianguo, cirurgião cardíaco do Hospital de Wuhan, ficou surpreso quando soube que existia um caso assim em um rapaz de 24 anos. Os testes mostraram que seu estado de saúde estava se deteriorando e necessitava de cirurgia imediata no total de R$ 80 mil reais.

A mídia deu a ele uma grande divulgação e em menos de 6 dias ele já havia recebido o valor necessário para a cirurgia através de doações.

A cirurgia, que durou mais de 10 horas, foi um sucesso e seu abdômen agora está plano e o defeito congênito em seu coração foi corrigido: “Eu sou normal agora graças a muitas almas gentis”, declarou.
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A coisa tá tão feia assim para Aécio, a ponto do Estadão esconder a pesquisa de intenção de votos?

26.08.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O jornal Estadão publicou na sexta-feira (23) pesquisa do Ibope que registrou o aumento da aprovação do governo Dilma. O número dos que avaliam o governo como bom e ótimo subiu de 31% para 38%. Regular se manteve com 37% e ruim/péssimo caiu de 31% para 24%.

A aprovação pessoal da presidenta também subiu de 45% para 52%.

A pesquisa foi nacional em 143 municípios, entrevistando 2.002 pessoas entre os dias 15 e 19 de agosto.

Por que não aparece na pesquisa aquelas perguntinhas básicas sobre intenções de votos para presidente em 2014, como sempre fez?

É muito provável que a pesquisa tenha incluído estas perguntas, afinal o Estadão não é tão burro de jogar dinheiro fora, encomendando uma pesquisa e deixando de incluir esse tópico. Por isso fica com forte cheiro de que os números foram bons para Dilma, mas tão ruins para os demotucanos, apoiados pelo jornalão, que o melhor para eles tenha sido não publicar.

O efeito das pesquisas em épocas tão distantes das eleições é avaliar a expectativa de vitória. É essa expectativa que atrai apoios que fazem candidaturas crescerem ou não. A última pesquisa Datafolha que publicou intenções de votos, após a conjuntura das manifestações populares, foi catastrófica para o PSDB, o maior partido de oposição. Mostrou Dilma subindo, Marina Silva subindo, Aécio Neves e Joaquim Barbosa caindo e Eduardo Campos parado. Traduzindo: Dilma é quem tem a maior expectativa de vitória.

Se outra pesquisa desastrosa para Aécio Neves fosse publicada, seria grande a chance de esvaziar a candidatura tucana antes mesmo dela decolar. Inclusive há um racha no ninho tucano, com gente achando que, se é para perder, José Serra teria mais votos do que Aécio.

Isso explica o jornalão, possivelmente, ter guardado a pesquisa para consumo interno.
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E SE OS MÉDICOS FOSSEM AMERICANOS ?

26.08.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 24.08.13
Por Paulo Henrique Amoriim

Por que os conselhos médicos passavam a mão na cabeça (notável) do Dr Abdelmassih ?

Saiu na Folha (*):

CONSELHO MÉDICO DIZ QUE IRÁ À POLÍCIA CONTRA PROFISSIONAIS CUBANOS


Presidentes de CRMs (Conselhos Regionais de Medicina) também chamaram o programa de “afronta” e disseram que eventuais erros cometidos por cubanos não serão corrigidos por brasileiros.

Saiu no Globo, pág. A4, na edição nacional:

PROCURADOR GERAL DO TRABALHO QUER EXPLICAÇÕES SOBRE MÉDICOS DE CUBA


Ministério Público do Trabalho quer detalhes sobre a contratação dos médicos.


Representante do Ministério Público do Trabalho, em trepidante entrevista, nesta sexta-feira, a “suaves apresentadores” da GloboNews, teceu severas críticas à política de Saúde do Governo.

Omitiu-se, porém, quanto à Política Externa, à de Geração de Hidreletricidade e a Bolsa Família.

Mas, quase !

O guardião da CLT (oh !, Vargas, onde estás ?) deu a entender, por elipse, diante do obsequioso silencio dos “suaves”, que os médicos cubanos trabalham sob regime de Escravidão.

(Bom era no tempo do Fulgêncio Batista !)

O amigo navegante provavelmente não assistirá a espetáculo mais deprimente e revelador do que essa resistência feroz à vinda de médicos estrangeiros.

Na verdade, a reação não é a médicos estrangeiros em geral, mas, porque, desde sempre, se soube que  os cubanos viriam, como vão, com competência de abnegação, a mais de 60 países no mundo.

Os cubanos virão para trabalhar onde os médicos brasileiros NÃO vão !

E é melhor que os brasileiros morram a serem atendidos por cubanos comunistas.

A campanha de ódio contra o Mais Médicos é a representação mais crua do reacionarismo brasileiro.

Da resistência dessa elite, que, segundo o Mino, é a pior do mundo !

Como diz a amiga navegante baiana, e se os médicos cubanos fossem americanos ?

O que diria o Conselho Federal de Medicina ?

E o Conselho Regional de Medicina de São Paulo ?

O mesmo CRM que abrigou sob cumplicidade renovada as atividades do notável médico brasileiro Dr Roger Abdelmassih.

Viva o Brasil !

O consolo é que o Padilha vem aí, do jaleco branco !

E vamos ver o Alckmin levar o CRM para o palanque.

Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.


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Duas versões delirantes da direita burra sobre os médicos cubanos e uma suspeita

26.08.2013
Do blog COM TEXTOLIVRE

1. O médico cubano malvado: Fidel Castro e Dilma Rousseff estão planejando fazer uma revolução comunista no Brasil em pleno século 21, liderada pelos 4 mil médicos que virão ao País. Ao chegar às cidades do interior, os médicos cubanos imediatamente convencerão as pessoas mais humildes a se juntar a eles para discutir o marxismo fora do expediente. Dentro das cadernetas de vacinação das crianças, os médicos ocultarão exemplares de O Capital  (2.500 páginas, mas isso é um detalhe) e do Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano de Carlos Marighella. Lavradores esconderão coquetéis molotov entre as mandiocas de sua plantação para serem usados na hora em que o povo tomar o poder. Entre uma consulta e outra, os médicos cubanos irão fazer lavagem cerebral nas donas-de-casa que levaram até lá seus filhos pequenos com febre e que antes eram tratados pelos atendentes das farmácias, porque os médicos brasileiros se recusavam a trabalhar ali. Depois de plantar a semente do comunismo nos rincões, os médicos marcharão junto com os recém-convertidos até as grandes cidades com o apoio do governo federal, acabarão com todos os partidos e todos os jornais e emissoras de televisão e então instalarão o comunismo no Brasil. O Exército assistirá a tudo sem fazer nada porque está sucateado e nem armas possui.
Os fatos: só uma pessoa imbecil pode acreditar num conto da carochinha desses, eu nem vou rebater.
2. O médico cubano coitadinho: o governo federal vai importar 4 mil médicos de Cuba para mantê-los escravizados em cidades do interior do País. Os médicos não terão acesso à internet nem à televisão. De vez em quando, poderão escutar rádio, mas apenas músicas da Nova Brasil FM. Só poderão sair de casa para atender os pacientes, mas estarão proibidos de falar com os brasileiros qualquer coisa além de “dói onde?” ou “diga 33″. Haverá vigilância permanente sobre os cubanos para que não queiram conhecer o estilo de vida daqui, o que poderia alimentar neles o desejo de desertar. Todos receberão menos que um salário mínimo e só poderão comer o que comiam em Cuba: pão e água. Dormirão em alojamentos do Exército cercados com arames farpados e com câmeras de segurança vigilando inclusive durante a madrugada. Como chegaram maltrapilhos ao Brasil (afinal, em Cuba passam até fome), usarão jalecos doados pelos compreensivos colegas brasileiros, graças a uma campanha feita pelo Conselho Federal de Medicina.
Os fatos: segundo o governo, os médicos ganharão até 4 mil reais para viverem no Brasil, a depender do custo de vida das cidades para onde serão destinados. 74% deles irão para cidades do interior do Norte e Nordeste onde não há médicos porque nossos compatriotas de branco simplesmente não querem morar ali. Os primeiros 400 profissionais que já estão chegando irão para 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum médico brasileiro que se inscreveu para o programa. Terão previdência paga pelo governo federal e alimentação e moradia arcadas pelos governos municipais. Mais importante: se houver qualquer problema em sua estada no Brasil, todo mundo irá saber, porque hoje, com a internet, é praticamente impossível uma denúncia deixar de ser feita até mesmo em Cuba –que o diga a blogueira Yoani Sanchez. Os cubanos são médicos, não robôs. Eles falam! E saberão criticar os problemas que encontrarem. Estarão livres para isso.
A SUSPEITA: Fiquei pensando no porquê de tanta rejeição das associações médicas brasileiras aos colegas cubanos. Não se vê tanta ojeriza quando se fala que o Brasil também importará médicos de Portugal e Espanha. Por que, afinal, os médicos de Cuba são tão criticados? Existirá alguma razão além do corporativismo para o rechaço?
Ora, a medicina cubana é reconhecida mundialmente por ser preventiva. Ou seja, por fazer o possível para impedir que a pessoa adoeça. O que isto significa? Que em Cuba, ao contrário do Brasil, se usam menos remédios. Isso tem se mostrado positivo. Hoje a ilha consegue superar até mesmo os Estados Unidos (ohhh!) na taxa de mortalidade infantil: enquanto na terra de Obama morrem 5,9 crianças a cada mil nascidos vivos, na terra de Fidel e Raul o número é de 4,7 por mil –no Brasil a taxa é quase quatro vezes maior, 16,7 por mil, embora tenha caído muito nos últimos anos.
Será que, na verdade, o que as associações médicas brasileiras temem é que chegue ao Brasil, com os cubanos, uma nova forma de praticar medicina que não a exercitada por eles aqui, uma parceria –praticamente um conluio– com os grandes laboratórios farmacêuticos? Três anos atrás, o CFM (Conselho Federal de Medicina), que agora grita contra os cubanos, desistiu de proibir as escandalosas viagens de médicos brasileiros (leia aqui) financiadas pelos laboratórios multinacionais produtores dos remédios que eles receitam a rodo para a população. Você sabia disso?
Será que o medo real do CFM não é que os cubanos tragam uma, essa sim, revolução? Uma revolução contra o excesso de medicamentos que o Brasil consome, por culpa não dos médicos cubanos, mas dos mesmos profissionais brasileiros que se recusam a atender a população do interior? Fica a pergunta.
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SABOTAGEM POLÍTICA: ‘Mais Médicos’: eles agem como Bush em Nova Orleans

26.08.2013
Do BLOG DAS FRASES
Por Saulo Leblon


Há oito anos, no dia 26 de agosto de 2005, o furacão Katrina chegou aos EUA. 

No dia 29 atingiu Nova Orleans. Desencadearia uma espiral de devastação que associou desabamentos, inundações, afogamento, fome, sede e saque.

Pretos, pobres, velhos e crianças foram as principais vítimas do desastre que custou 1.800 vidas.

Muitas poderiam ter sido poupadas se o socorro tivesse a agilidade requerida nessas horas.

O governo Bush demorou quatro dias para reagir. 

O presidente republicano sequer visitou o local logo após a tragédia.

Com uma semana da passagem do Katrina, inúmeras áreas continuavam isoladas. 

O abandono cuidou de eliminar muitos dos que sobreviveram à tormenta. 

A palavra caos nunca esteve tão associada à ausência de governo como em Nova Orleans. 

Tropas para conter saques e violência chegaram logo. Mas continuou faltando suprimentos, médicos, remédios e gente especializada em atuar em situações limite.

A popularidade de Bush vergou sob o peso dos mortos.

Não era uma guerra, não cabiam desculpas patrióticas.

Novas Orleans deixou patente a inadequação social de uma governo que se evocava um anexo dos mercados. 

Em meio ao desespero, Fidel Castro ofereceu ajuda. Cuba se propôs a colocar 1.600 médicos experimentados em catástrofes para atuar em Nova Orleans. 

‘Em 48 horas’, prontificou-se o governo cubano.

Bush não respondeu. 

Fidel insistiu. Cuba providenciaria todo o equipamento necessário e 36 toneladas de medicamentos. 

Silêncio.

Dias depois, um porta-voz da Casa Branca dispensou a oferta.

Há um ciclone de abandono e isolamento médico cujo vórtice atinge cerca de 3500 municípios brasileiros.

A demanda para atender à emergência é superior a 15 mil médicos.

As inscrições validadas pelo programa Mais Médicos resolvem 10% dessa defasagem.

Cerca de 4 mil médicos cubanos foram contratados pelo governo brasileiro para mitigar a emergência, em um acordo mediado pela Organização Pan Americana de Saúde.

Os primeiros grupos a desembarcar neste final de semana, em Recife e Salvador, receberam do conservadorismo local o mesmo tratamento seboso e deselegante endereçado por Bush a Fidel, durante o Katrina.

A exemplo do republicano, o conservadorismo brasileiro prefere ver a pobreza morrer doente a ter um médico cubano prestando assistência emergencial nas áreas mais carentes do país.

Se dependesse dos gásparis, elianes, tucanos e assemelhados o Katrina da carência médica continuaria a devastar o Brasil miserável.

Enquanto a hipocrisia conservadora pontifica elevadas razões humanistas para recusar a ajuda emergencial de Cuba. 

A verdade, porém, é que o ‘Mais Médicos’ caiu na simpatia da população. 

A reação foi oposta ao que pretendia a resistência corporativa ao programa.

Descaradamente elitista, o boicote criou uma referência pedagógica dos interesses em disputa neste caso.

Hoje, o ‘Mais Médicos’ conta com o apoio de 54% da população, no que diz respeito à vinda de profissionais estrangeiros.

Diante do revés, o conservadorismo acionou a sua tropa de elite.

As mesmas gargantas que vociferam contra o ‘Custo Brasil’, o salário mínimo e toda a herança de leis trabalhistas trazida do ciclo Vargas, agora discursam em defesa dos direitos e salários dos cubanos.

Alguns, os mais afoitos, já acalentam uma saia justa diplomática, diante de eventuais ‘desertores...’

Veteranas da crônica conservadora evocam Castro Alves e falam em ‘aviões negreiros’.

O degrau promete não ser o último da desfaçatez.

A má fé ideológica tem gordura para queimar. 

Mas não só isso.

Há uma real dificuldade de ir além da lógica plana e rasa, fruto do comodismo cevado na ausência de debate real no jornalismo, ambiente no qual foram adestrados os vulgarizadores mencionados. 

Ouvir os cubanos, por exemplo, para quê se a concorrência também não o fará? 

Uma reportagem de fôlego em lugares e países onde acordos semelhantes já funcionam? 

Desnecessário, pelo mesmo motivo. 

Uma visita às escolas de medicina cubanas, para discutir a suspeita de baixa qualificação de que são acusados seus formandos?

Idem, ibidem.

Sonega-se aos protagonistas do acordo brasileiro qualquer possibilidade de motivação solidária, competência profissional e discernimento do seu papel no mundo, distinto dos critérios exclusivamente pecuniários que movem o corporativismo branco aqui e alhures.

Médicos, cu-ba-nos? 

É mais fácil desdenha-los, como fez Bush, mesmo que isso tenha custado a chance de sobrevivência de muitas das 1800 vítimas fatais em Nova Orleans. 

Fazem o mesmo os nossos ‘bushs’. 

A usina plana e rasa da emissão conservadora impede que se discuta em profundidade qualquer tema. Desde problemas na esfera da saúde pública, até impasses e desafios reais da construção do socialismo no século 21, dos quais Cuba é um exemplo.

E não é preciso recorrer a Marx para aquilatar o ônus desse entorpecimento.

O economista Paul Krugman, a quem os nossos ‘bushs’ não podem acusar de ‘petismo’, escreveu, a propósito da visão conservadora sobre saúde pública, algumas linhas que caem como uma luva no debate brasileiro sobre o ‘Mais Médicos’. Pergunta: quem, na indigência do nosso colunismo, seria capaz de articular um raciocínio não previsível e nuançado, como esse? 

(...) “A relação médico-paciente já foi considerada especial, quase sagrada. Agora, políticos e supostos reformistas tratam o atendimento médico como se ele fosse uma transação comercial igual à compra de um carro (...) A medicina, afinal de contas, é uma área em que decisões cruciais – decisões de vida ou morte – devem ser tomadas. Para que esse arbítrio ocorra de maneira inteligente, requer-se um vasto conhecimento técnico dos profissionais do setor. Como se isso não bastasse, as escolhas dos médicos são frequentemente feitas enquanto o paciente está incapacitado, sob muito estresse ou quando a ação precisa ser imediata, sem tempo para discussões, muito menos para a pesquisa de preços.(...) É por isso que existe a ética médica. É por isso que os médicos são tradicionalmente vistos como uma categoria especial, da qual se espera um comportamento de padrão mais elevado do que a média dos demais trabalhadores. Há um motivo sobre por que assistimos a séries televisivas que retratam médicos – e não gerentes administrativos – como heróis. Sugerir que essa realidade possa ser reduzida a um simples comércio – que os médicos sejam meros “fornecedores” vendendo serviços a “consumidores” de saúde – é, com o perdão do trocadilho, uma ideia doentia. O fato de essa noção equivocada ter se tornado dominante é sinal de que há algo de muito errado não apenas nessa discussão, mas também nos valores da sociedade ... “ (Paul Krugman; NYT 22/04/2011)

Leia também, abaixo, dois textos extraídos do dossiê sobre Cuba, produzido em 2011 pelo Instituto de Estudos avançados da USP (IEA). 

Um olhar para a saúde pública cubana foi escrito pelo jornalista cubano José A. de la Osa, especializado na área científica. O texto bastante informativo traça um panorama do ensino médico, da pesquisa, das descobertas e avanços técnicos na ilha, de onde provém os profissionais que agora vão trabalhar no Brasil. O preconceito conservador, sugestivamente, dispensa-se de consultar esses dados antes de proferir sentenças nutridas em ignorância e frivolidades. 

Cuba: a sociedade após meio século de mudanças, conquistas e contratempos é outro exemplo de consistência, da qual se ressente o colunismo conservador ao criticar as dificuldades da revolução cubana. O artigo traça um panorama denso e crítico do quadro atual cubano, sem concessões à conveniência ou à visão direitista. O sociólogo Aurelio Alonso, autor do trabalho, é professor adjunto da Universidade de Havana e subdiretor da revista Casa de las Américas.
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Marina Silva e a força do personalismo político

26.08.2013
Do blog ESCREVINHADOR
Por Marcos Coimbra na Carta Capital
Um dos traços mais problemáticos de nossa cultura política reside no fato de a vasta maioria da população tender, nas escolhas eleitorais, a dar mais valor aos candidatos do que aos partidos.


Nas pesquisas, quando se pergunta ao eleitor o que ele leva em consideração na hora de definir seu voto, mais de 80% costumam responder: “A pessoa do candidato”. Menos de 10% apontam o partido.

Por mais extraordinário, o mais grave não são os números. Pior é vê-los como naturais. No Brasil, ninguém estranha o discurso da primazia da dimensão pessoal. Todos acreditam ser normal pensar assim. Não é. Ao contrário, é sintoma de subdesenvolvimento político. Nas democracias maduras, acontece o inverso. Nelas, não faz sentido achar secundário o partido ao qual pertence um candidato.

Dá para imaginar um eleitor norte-americano não interessado em saber se um candidato, especialmente ao cargo de presidente, é democrata ou republicano? Que prefere fantasiar a respeito de sua “pessoa”?

Atribuir importância decisiva a essa dimensão pessoal é pueril, para dizer o mínimo, até por ser impossível conhecer “no íntimo” os candidatos. Ou alguém se considera capaz de “conhecer” um candidato ou candidata depois de vê-lo ou vê-la de vez em quando na televisão? Como se sua imagem televisiva, construída por meio de alta tecnologia e altíssimos custos, fosse sua “essência”.

Quando o assunto é provocado em pesquisas qualitativas, vemos o esforço do eleitor comum para insistir na tese. Inventa a capacidade de enxergar a “verdade interior” dos candidatos, olhando-os “nos olhos”. Que “sente” quando pode confiar em alguém. Que consegue discernir as “pessoas de bem”.

E assim escolhe. Para que se preocupar com os partidos, se imagina possuir uma espécie de comunicação transcendental com os postulantes?

Essa ficção ingênua e despropositada tem raízes em nossa experiência. Não se mexe impunemente com a estrutura partidária de um país tantas vezes quanto aquelas ocorridas aqui. Sempre há sequelas. O que os militares fizeram em 1966 ao extinguir partidos que mal tinham 20 anos de vida e ao impor um bipartidarismo artificial, repercutiu em todos os acontecimentos da vida política depois da volta das eleições diretas.

Por termos criado tantos partidos e estabelecido uma legislação tão instável a seu respeito, é compreensível que muitos eleitores fiquem confusos e procurem se refugiar no personalismo como critério. Por mais infantil que seja a argumentação.

Agora, depois das manifestações de junho e sua ojeriza aos partidos, o personalismo encontra ambiente ainda mais propício. Aumentou em muito a proporção daqueles que partilham da velha ilusão de que a melhor maneira de escolher candidatos é procurar sua “alma”.

Como se as campanhas fossem uma espécie de concurso de Miss Brasil, os candidatos e candidatas desfilam diante dos eleitores, que definem seu preferido ou preferida pelas virtudes exibidas: quem tem “os mais belos sentimentos”, quem é o “mais sincero ou sincera”, o “mais humano ou humana”, o portador da biografia mais bonita, o que “emociona mais”.

Dos candidatos em campo, a grande beneficiária desse estado de coisas é Marina Silva, ainda mais por adotar uma estratégia política que reforça os estereótipos antipartido presentes em nossa cultura. Ela se oferece como opção para aqueles que acreditam na puerilidade personalista.

Com sua Rede Sustentabilidade, a ex-senadora não constrói partido algum. Basta ver: quase sete meses depois de fundá-la, nem sequer conseguiu a metade das assinaturas necessárias para solicitar o registro da legenda na Justiça Eleitoral. E apesar de contar com milhares de simpatizantes na juventude de classe média, tão fácil de ser mobilizada. Talvez lhe falte empenho para resolver uma questão tão burocrática quanto institucionalizar o seu partido.

Para os conhecedores da política, isso não seria muito grave, pois Marina poderia se candidatar por outra agremiação. Quem sabe o PV? No fundo, ela e seus seguidores parecem estar apenas a escrever um novo capítulo na história dos partidos personalistas no Brasil. Ademar de Barros não criou o PSP para fazer carreira? Fernando Collor não lançou o PRN para ser candidato? E Enéas Carneiro, com seu Prona?

É a vez do partido da Marina. Para quem não acredita nas legendas políticas, trata-se de um prato cheio.

Leia outros textos de Outras Palavras
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MENSALÃO TUCANO: Assista o vídeo sobre o misterioso adiamento do mensalão mineiro

26.08.2013
Do blog CONGRESSO EM FOCO
Por  EDUARDO MILITÃO 

Em duas sessões do ano passado, ministros ensaiaram julgar destino do processo cível do valerioduto tucano. Nenhum deles sabe explicar por que ação saiu de pauta  

Um mistério ronda o Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio do ano passado, o então presidente da corte, Carlos Ayres Britto, chegou a chamar o julgamento da ação cível, aquela que permite a recuperação de recursos desviados, do mensalão mineiro, também conhecido como valerioduto tucano. Por algum motivo, que nem Ayres Britto nem os demais ministros sabem explicar, o processo saiu da pauta. E não voltou mais. Esta foi a primeira denúncia envolvendo o esquema de caixa dois do empresário Marcos Valério Fernandes com políticos a chegar ao Supremo, ainda em 2003, dois anos antes, portanto, das primeiras acusações que abalaram o governo petista, como revelou a Revista Congresso em Foco. Enquanto a ação cível contra os tucanos não sai da gaveta, o Supremo já condenou 25 réus envolvidos no esquema de desvio de dinheiro montado pelo PT e analisa agora os respectivos recursos.

Exclusivo: veja vídeo em que valerioduto tucano é adiado duas vezes pelo STF
Congresso em Foco teve acesso à íntegra da transmissão das duas sessões em que o Supremo ensaiou julgar o mensalão mineiro – de acordo com o Ministério Público, um esquema de desvio de dinheiro do governo tucano de Minas Gerais em benefício da campanha eleitoral do hoje deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e do atual senador Clésio Andrade (PR-MG), que disputaram o governo estadual em 1998.
Produzido pelo site com base em imagens da TV Justiça, o vídeo acima mostra a tentativa do então presidente e relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, de levar a julgamento uma questão técnica para destravar o andamento da denúncia do Ministério Público, proposta em 2003 pelo então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles.
Apesar de pautado duas vezes em maio de 2012, a última antes do intervalo para um lanche, o caso não foi julgado até hoje. Duas semanas depois, em 6 de junho de 2012, o STF definiria o calendário do mensalão do PT. Ayres Britto disse que esse calendário contribuiu para adiar o valerioduto do PSDB. “Qual foi a intercorrência? O mensalão. Fizemos uma pauta temática para ganhar um pouco de tempo enquanto não viesse o julgamento do mensalão”, disse ele.
Ouvidos pela reportagem nas últimas semanas, os ministros disseram não se lembrar de eventuais conversas no cafezinho que teriam tirado o mensalão mineiro de pauta pela segunda vez.
Joaquim: “Por que não julgar o mensalão mineiro?”
Ministros em falta
O objetivo do julgamento do mensalão mineiro nem era o conteúdo da denúncia da primeira versão do valerioduto, mas apenas julgar se um caso de improbidade administrativa como aquele deveria ser analisado pela Justiça de primeira instância de Minas Gerais ou pelo próprio STF. Em 2005, o Supremo já havia decidido, na ação direta de inconstitucionalidade (Adin) 2797, que situações de improbidade deveriam ser analisadas nos estados, sem direito a foro privilegiado para deputados e senadores. Mas Eduardo Azeredo e Ruy Lage, outro réu no mensalão do PSDB, recorreram para manter o caso no Supremo.
Em 16 de maio de 2012, os ministros tinham acabado de julgar justamente recurso sobre a Adin 2797, cujas decisões determinaram que casos de improbidade deveriam correr nos estados, sem foro especial.
Ao anunciar o julgamento do recurso no mensalão mineiro cível (petição PET 3067), Ayres Britto, relator do caso, informa que o ministro Gilmar Mendes havia pedido o adiamento do caso. O motivo era a ausência de Dias Toffoli e Celso de Mello no plenário. Pela mesma lógica, também seria adiado um outro processo semelhante (PET 3030), que decidiria se mantinha no Supremo ou mandava para a primeira instância de Rondônia uma ação de improbidade contra políticos locais.
“Por que não julgar?”
Inicialmente, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio questionam o motivo de adiar o mensalão mineiro e o outro processo. O atual presidente do STF lembra que, pouco antes, haviam acabado de julgar uma Adin sobre o mesmo tema com a ausência de ministros.
“Se nós julgamos o mais importante, por que não podemos julgar o agravo regimental [no mensalão mineiro]?”, questionou Joaquim. “É consequência do que ficou acertado ainda há pouco”, continuou.
Ricardo Lewandowski é um dos que defendem o adiamento para a semana seguinte, quando o plenário estivesse completo. Ayres Britto se diz, então, pronto para julgar o valerioduto do PSDB, mas consulta o plenário. Joaquim Barbosa desiste da tese e apoia a postergação do caso, mas Marco Aurélio mantém-se contra. “Há quórum até para matéria de maior envergadura [Adin]”, reclamou. O caso é adiado para 23 de maio de 2012.

Voto longo
Naquela data, os ministros julgam o outro caso de improbidade administrativa, a PET 3030. Como era de se esperar, mandam o processo para a primeira instância de origem. Chega a vez de julgar a PET 3067 e Ayres Britto anuncia seu voto. “Mas é um voto longo. Faço o pregão propriamente dito quando do retorno”, disse ele. Os ministros vão para o lanche.
Entretanto, o presidente volta do intervalo e não chama o processo. Procurado pela Revista Congresso em Foco, o hoje ex-ministro diz que provavelmente não teve condições de pautar o processo na volta do intervalo. “É porque eu não obtive condições de colocar [em votação]”. “Sou uma pessoa atenciosa, eu converso com os ministros, ninguém vai me negar essa qualidade de buscar a todo instante o consenso”, disse ele.
O voto de Britto fora feito em 2005, determinando a remessa da papelada do mensalão mineiro para a Justiça de primeira instância de Minas Gerais. O ex-ministro é um conhecido opositor do foro privilegiado. O caso agora está com o ministro Roberto Barroso, que ainda não estudou o processo porque, segundo sua assessoria, está concentrado nos embargos de declaração do mensalão do PT.
Os mensalões
No caso do PT, o Supremo condenou réus por esquema que desviou dinheiro público e privado para a compra de apoio político de deputados durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula por meio do empresário Marcos Valério e dos bancos Rural e BMG entre 2002 e 2004. O esquema, segundo a PGR e o STF, era chefiado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
No caso do PSDB, o Ministério Público abriu três ações no STF por esquema de desvio de dinheiro do governo de Minas Gerais em benefício da campanha eleitoral do hoje deputado Eduardo Azeredo e do atual senador Clésio Andrade, que disputaram o governo estadual em 1998. Os valores foram repassados, segundo a denúncia, por patrocínios operados pela agência de publicidade de Marcos Valério.
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