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sábado, 10 de agosto de 2013

MANIPULAÇÃO DA MÍDIA TUCANA: É CARTEL OU É ESQUEMA DE PROPINA MESMO???

10.08.2013
Do blog SALA FÉRIO, 09.08.13
COMO É FÁCIL MANIPULAR A GALERA ...
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UM JANGUÇO MIDIÁTICO EM DESESPERO

10.08.2013
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

Merdal em desespero!

Me dêem licença para interromper por um dia minhas investigações sobre as maracutaias da Globo e me divertir um pouco. A coluna do Merdal hoje nos dá uma oportunidade ímpar de aplicar aliviantes chutes no traseiro de um cafumango.
Entendo que o excesso de adjetivos deve ser evitado em nome da elegância e do estilo, mas creio que uma exceção, neste caso, é benvinda. Sobretudo porque é uma chance de observarmos a maravilhosa contribuição do Brasil ao patrimônio da língua portuguesa! Ao final do post, há um glossário, para que ninguém me chame de “mulato pernóstico”, conforme a horrível expressão racista usada pelas elites até os anos 60. E também para vocês verificarem que tentei ser absolutamente preciso
Como já chamei, com todo respeito, Ali Kamel de sacripanta, procuremos outros epítetos para Merdal Pereira. Boa oportunidade para tirar o pó dos cinco volumes do meu Caldas Aulete!
Merdal está tão pi-pi-ri-pi-pi-piradinho com as denúncias contra o PSDB paulista que perdeu a pose. Sua coluna de hoje, porém, pode fazer um grande mal à blogosfera: destruir o nosso querido professor Hariovaldo!
Sim, porque a coluna de Merval revela um Hariovaldo de carne, osso e uma geléia estragada no lugar do cérebro. É uma competição desleal com nosso humorista! Força, Hariovaldo!
Vamos ao Merdal:
Corrupção e democracia
Outro dia escrevi aqui na coluna, a propósito das investigações sobre a formação de um cartel de empresas estrangeiras na construção do metrô paulista, que “o pior dos mundos para a democracia seria se ficar provado o que os petistas chapa-branca já dão como certo nos blogs e noticiários oficiais: que o esquema seria uma espécie de irrigação permanente de dinheiro ilegal para as campanhas eleitorais dos tucanos desde o governo Covas”.
Foi o que bastou para que esses mesmos pseudo-jornalistas a serviço do governo petista distorcessem minhas palavras, atribuindo a mim a tese de que as acusações contra o PT são boas para a democracia, e as contra o PSDB seriam prejudiciais.
Para um leitor de boa-fé, está claro que não tratava da corrupção em si, mas da maneira como ela fora praticada. Uma coisa são casos de corrupção de agentes políticos isolados, que acontecem em todos os países, outra bem diferente é a organização política transformar-se em criminosa para garantir recursos ilegais para a manutenção do poder.
Vamos copiar a expressão do Paulo Nogueira e fazer uma longa pausa para risadas.
Merdal pagou um mico federal ontem e hoje, ao tentar emendar o soneto, paga um orangotango gigante! Petista chapa-branca! Aí é demais, não dá nem para comentar. Adiante.
Merdal, que é um labrosta, um burdo e um biltre, reage às denúncias contra o PSDB atacando não a corrupção, não os desvios de milhões em verba pública, não a desonestidade e a nojenta ausência de ética e espírito republicano das autoridades do governo paulista, que protagonizaram o maior escândalo de superfaturamento da história brasileira. Merdal ataca os… blogs!
É um chibéu metido a chibante!
E dá-lhe choradeira! Dá pra notar, em meio ao desespero do Merdal, as suas lágrimas ácidas de crocodilo escorrendo pela coluna. Os tucanóides da mídia nem disfarçam. Na primeira encrenca, gritam “mensalão!”, “mensalão!”, à maneira de bandidos que, vendo a polícia se aproximar, se enfiam na muvuca e gritam: “pega ladrão!”.
Ora, Merval, não nos faça rir com essa nova filosofia que distingue a corrupção em duas hierarquias: regional e federal. A regional seria aceitável, pois se destina apenas a pagar vestidos de luxo para as esposas dos corruptos e viagens ao redor do mundo. Muito pior mesmo é a corrupção federal petista, não é?, que visa pagar deputados para aprovarem a reforma da previdência!
Desta vez, Merdal se descuidou. Não se pode exagerar, senão entorna o caldo. Há muitos leitores do Globo, imagino eu, que já desenvolveram danos mentais irreversíveis, e acreditam num peteiro como o Merval. Mas textos como esse nos são de grande serventia. É como se ele tirasse a máscara e o fardão da Academia e víssemos um idiota furioso discutindo com uma criança de três anos. A criança é o “leitor de boa fé”, doravante uma belíssima expressão para designar os tabaréus que ainda acreditam na Globo.
A ação individual de um político desonesto é menos danosa para a democracia do que a de um grupo político organizado, que se utiliza dos esquemas de poder a que chegou pelo voto para se eternizar nele. Foi o que aconteceu justamente no mensalão do PT. Se as investigações do caso Siemens em São Paulo levarem à conclusão de que o PSDB montou um projeto de poder em São Paulo desde o governo Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra financiado pelo desvio de verbas públicas, estaremos diante de uma manipulação política com o mesmo significado, embora com alcance regional, enquanto o mensalão tentou manipular nada menos que o Congresso Nacional.
Inacreditável. Merdal acha mesmo que existe uma corrupção “boa”, a do PSDB, que envolve valores muito maiores que o mensalão, e tudo dinheiro público; e uma corrupção “ruim”, que é a do PT, usada para se “eternizar” no poder. Além de burrice, é uma falácia, comprovada pelos fatos. O PT está no poder federal há 11 anos. O PSDB está no poder em São Paulo há mais de 20. Merdal deve achar que seu leitor é um asno e vai acreditar que o PSDB paulista roubou centenas de milhões em São Paulo, mas jamais fez esquema para se perpetuar no poder.
Aí ele insiste na história de que os mau feitos paulistas tem alcance “regional”. É mesmo um caurineiro, um naique, um litodonte, porque esquece, ou omite, que a corrupção do metrô em São Paulo teve início quando o PSDB ainda ocupava o Palácio do Planalto. E não só isso. Omite que FHC mudou as regras eleitorais para si mesmo; sem a dignidade de fazer ao menos um plebiscito e consultar o povo, patrocinou uma suja negociata palaciana para aprovar a emenda da reeleição. Onde você estava em 1997, Merdal? Estava tratando de alguma sequela da sua notória cacosmia?
Só para você lembrar:
Na definição do presidente do Supremo, Ayres Britto no julgamento do mensalão, “(…) sob a inspiração patrimonialista, um projeto de poder foi feito, não um projeto de governo, que é exposto em praça pública, mas um projeto de poder que vai além de um quadriênio quadruplicado. É um projeto que também é golpe no conteúdo da democracia, o republicanismo, que postula a renovação dos quadros de dirigentes e equiparação das armas com que se disputa a preferência dos votos”.
Segundo outro ministro do STF, o decano Celso de Mello, “há políticos, governantes e legisladores que corrompem o poder do Estado, exercendo sobre ele ação moralmente deletéria, juridicamente criminosa e politicamente dissolvente”.
E quem é Ayres Britto, senão aquele que escreveu o prefácio do seu livro? Um poetastro cacóstomo, cujos discursos no julgamento do mensalão quase nos provocaram crises de otorréia! Quanto a Celso de Mello, é um reacionário empedernido e obtuso, fingindo cantar de galo num terreiro onde não passa de uma galinha.
A palhaçada deste julgamento foi justamente essa: discursos palavrosos e vazios, cheios de adjetivos fáceis, clichês midiáticos e uma carga de preconceito antipolítica que demoraremos anos para extirpar da nossa consciência coletiva. A propósito, o que uma coisa tem a ver com a outra? Merdal não tem noção do ridículo? O que o roubo do PSDB paulista tem a ver com a farsa inventada pela Procuradoria e chancelada por Joaquim Barbosa, presidente da Assas JB Corporation e dono de um aconchegante apê em Miami?
Não há nada, no entanto, até agora, que aponte para um esquema dessa envergadura, pelo menos na parte da documentação do processo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) a que tive acesso. Há, aliás, indicações claras de que o acordo de leniência entre a Siemens e o CADE se destinava a investigar as ações daquela empresa na formação de cartel “no Brasil” todo.
Claro, Merdal! Que petulância a nossa, e do CADE, e da Folha, e do Estadão, de desviar o foco do único, autêntico e absoluto problema da sociedade brasileira: o mensalão! Os homens de bem, que pregam a virtude e a ética, não podem se afastar um milímetro da luta contra o verdadeiro mal, que é o mensalão. Falar de qualquer outra coisa é dar ouvidos ao capeta. O PSDB pode continuar roubando à vontade em São Paulo, isso é de somenos importância. O importante é prender Genoíno, que não tem um centavo no bolso. Aí sim o Brasil terá mudado!
Não há explicações para o fato de a investigação estar limitada a São Paulo e Distrito Federal, quando os diretores da Siemens citam contratos de trem e metrô em sete estados. Em cinco deles a empresa responsável é a estatal federal Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). São citados contratos da CBTU que foram vítimas do cartel em Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte.
Calma, santa! Há explicação sim. Os executivos prestaram depoimentos que incriminam principalmente as autoridades desses dois estados. Querer tirar o foco é uma estratégia malandra para não pegar ninguém. Depois que prendermos os corruptos de São Paulo, podemos ir atrás de outros, em todo o Brasil. Só em São Paulo, prezado Merdal, são 45 inquéritos simultâneos! Ou agora você, além de se pretender o décimo segundo ministro do STF, também quer dar ordens ao Ministério Público? Mas eu vou rir um bocado se o MP iniciar investigação a nível federal e descobrir mais papagaios da era FHC… Aliás, tem um livro aí na praça que é um sucesso, chama-se Privataria Tucana.
O PSDB considera que, ao escolher dois estados governados por partidos de oposição (PSDB em São Paulo e DEM no Distrito Federal na época) para investigar, o CADE assumiu um viés político. Outro fato importante é que pessoas que tiveram acesso às mais de 1.500 páginas do inquérito garantem que os documentos, depoimentos e trocas de e-mails de executivos da Siemens em poder do CADE não citam uma única vez o PSDB e o governador Geraldo Alckmin.
Claro, né. O ladrão jamais estará satisfeito com o trabalho da polícia. Me admira muito que Merdal não saiba disso. Quanto a citação de nomes, sugiro que Merdal passe a vista na Folha de hoje. Há uma citação totalmente comprometedora de José Serra, embora a gente saiba que Merdal dará um jeito amanhã de tentar livrar a cara do vampiro.
Os delatores premiados da empresa também não citam nominalmente em nenhum momento os funcionários públicos da CPTM ou do Metrô como praticantes de atos ilícitos como recebimento de propinas e comissões em licitações públicas. Como o CADE cuida apenas da parte referente à tentativa de neutralizar a competição nas licitações públicas, outras investigações do Ministério Público e da Polícia Federal revelarão mais detalhes da formação do cartel, que a Siemens praticou em mais de uma centena de países.
Esqueceu de tomar seus remedinhos, Merdal? Repito, leia a Folha de hoje. Aliás, leia novamente os jornais dos últimos dias. Em todas as notícias, se diz exatamente o contrário, que o Ministério Público já tem provas de envolvimento de servidores e políticos paulistas. Tanto que o Matarazzo e outros tucanos já foram indiciados pela Polícia Federal. Fale a verdade, seu cafangoso!
Glossário:
cafumango: Indivíduo sem importância; vagabundo.
labrosta: rústico, ignorante.
burdo: grosseiro, de má qualidade.
biltre: homem desprezível, vil, tratante.
chibéu: porco fraco.
chibante: valentão, brigão.
caurineiro: caloteiro, velhaco.
naique: empregado inferior.
litodonte: gênero de molusco.
peteiro: contador de petas, lorotas; mentiroso.
cacosmia: perversão do olfato, que faz o doente apreciar cheiros repugnantes.
poetastro: poeta medíocre que se dá ares de importância.
otorréia: hemorragia nos ouvidos.
cacóstomo: que tem hálito fétido.
cafangoso: quem finge desdém por aquilo que deseja.

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Trilhos tortos: o cartel dos trens e o cartel da mídia

10.08.2013
Do blog ESQUERDOPATA
Por Weden Alves, no Facebook 

De novo, só a IstoÉ dedicou capa ao caso do tucanoduto paulista. O Cartel G.A.F.E de Mídia (Globo, Abril, Folha e Estadão), que é governista em São Paulo, ou silencia ou usa de subterfúgios um tanto quanto infantis.

A reportagem da revista da Editora 3 mostra documentos que provam que os governos de SP sabiam, porque foram avisados pelo MP. (Ver aqui).
Veja prefere falar de "músculos" na capa. Mesmo que o musculoso esquema possa ter embolsado meio bilhão dos cofres públicos. Época prefere denunciar Petrobrás. E destaca, como uma tentativa desesperada de produzir cortina de fumaça, a palavra "propina": estratégia velha de séculos. Internamente, publica um release de Alckmin.

Até agora o Jornal Nacional não estampou a capa da IstoÉ nas suas edições de sábado. Não escalou o Cesar Tralli para reportagens de 10 minutos. Nem fez "pirâmide de figurinhas" para ilustrar a chegada do esquema às "portas do poder". Os apresentadores do telejornal também não espicharam as sobrancelhas.

Por enquanto, só os jornais paulistas vêm dando destaque razoável. Mesmo assim com subterfúgios, como anteontem o Estadão, noticiando "propinas a partidos". Assim mesmo no plural. Mesmo que "os partidos" sejam antes de tudo um só.

A Folha pisa em ovos. Procura evitar ao máximo a citação do partido. Quando cita, evita falar da cúpula. Quando fala, evita nomear os governadores. Quando nomeia, evita expor demais. Na maioria das vezes, mostra os dois lados: o lado de Alckmin e o lado de Serra.

O mais importante: é tolice acreditar que este silêncio ou estes subterfúgios tenham a ver somente com preferência partidária. Podemos desconfiar que este silêncio tem um preço. Um preço além dos anúncios e dos contratos de distribuição.

De qualquer maneira, ou a fatura da "mercadoria silêncio" vai chegar; ou, na verdade, já está sendo paga há muito tempo - o que é mais provável; visto que, pelo menos no caso da Alstom, as denúncias são bem antigas.

Enfim, é o contribuinte que paga a conta. Por falta de trilhos e por falta de informações, que o ajudariam a se defender da primeira.
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EM 24 HORAS, "BOMBA" DE ÉPOCA É DESMENTIDA

10.08.2013
Do portal BRASIL247
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Mídia blinda tucanos paulistas envolvidos em escândalos de R$ 425 milhões

10.08.2013
Do blog PALAVRA LIVRE, 30.08.13
Por Davis Sena Filho




O Ministério Público Estadual entra na investigação sobre propina e superfaturamento de obras no metrô e nos trens metropolitanos de São Paulo, denunciados pela empresa alemã, Siemens, que integra o cartel, juntamente com a francesa Alstom, que confessou a distribuição de U$ 6,8 milhões, entre 1998 a 2001, a membros do PSDB paulista.

O MP pedirá às Justiças suíça e alemã cópias de depoimentos e de documentos bancários com indícios de supostos pagamentos feitos por executivos a "agentes públicos" que trabalharam no governo do Estado de São Paulo. A Siemens revelou que 7,5% do valor de contratos de 15 empresas, entre 1995 e 2010, iam para as mãos dos tucanos.

Nos EUA, recentemente importante executivo da Alstom foi preso por corrupção. A multinacional francesa também foi condenada em vários países por ter corrompido servidores públicos. Mário Covas, já falecido, José Serra e Geraldo Alckmin estão no olho do furacão.

O então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, David Zylbersztain, estava à frente da Secretaria de Energia de São Paulo e participou das negociações de assinaturas de contratos de consultoria, além de ser um dos "gênios" quando esteve no comando da Agência Nacional de Petróleo, que quiseram transformar a Petrobras em Petrobrax, com a finalidade de facilitar uma possível privatização da mais importante estatal brasileira. Andrea Matarazzo,atualmente vereador do PSDB, também participou desse processo de consultoria, bem como também foi secretário de Energia.

Enquanto isso, com exceção da revista Istoé, que deu detalhes do caso, a imprensa de mercado blinda as autoridades tucanas envolvidas em um escândalo de R$ 425 milhões, e que teve seu começo há 20 anos. Em meio às manifestações no Brasil, a alemã Siemens demite seu presidente-executivo, Peter Loescher.

A imprensa de mercado se cala, torna-se cúmplice dos que cometeram malfeitos e mostra mais uma vez que fazer jornalismo é apenas um mero detalhe, pois esconde tamanho escândalo do povo brasileiro, porque a imprensa de negócios privados tem lado, cor, partido político e ideologia. É isso aí.
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Projeto São Francisco: quilombolas mudam de vida

10.08.2013
Do blog PAULISTA EM PRIMEIRO LUGAR, 08.08.13
Postado por 

As comunidades adquirem nova fonte de renda, após oficinas de capacitação promovidas pelo Ministério da Integração Nacional

Mirandiba-PE, 08/08/2013 – Até março deste ano, o agricultor Marcelo Nogueira não sabia que usar esterco de animais como adubo era um impedimento para o desenvolvimento dos vegetais cultivados em sua pequena lavoura. Depois de participar de oficinas do Projeto de Integração do Rio São Francisco – executado pelo Ministério da Integração Nacional –, o morador da comunidade quilombola Pedra Branca, situada em Mirandiba (PE), descobriu que o material orgânico dos animais acumulava alto grau de ureia. A substância é inibidora da produção agrícola. Durante as aulas, aprendeu a preparar um biofertilizante mais eficiente e saudável para os vegetais que planta.

A descoberta de Marcelo mostra parte da importância dos programas socioambientais realizados, desde o ano passado, nas remotas comunidades quilombolas localizadas em áreas de influência das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco. A iniciativa levou biólogos, agrônomos e outros técnicos para doze quilombos, a fim de atualizar as técnicas de produção rural e ensinar os moradores sobre a melhor convivência com o clima do semiárido.

Um dos principais aprendizados dos quilombolas foi a subsistência por meio de culturas típicas do sertão. Marcelo, por exemplo, aprendeu a produzir feno e reduziu os custos com a alimentação de animais. O quilombola adotou também o cultivo do maracujá nativo e do umbu para o processamento de doces e outros produtos. “Antes a gente só plantava o milho e o feijão, que geram mais trabalho e mais gastos com mão de obra. No final, nem dava lucro. O umbu é mais fácil de produzir porque cresce naturalmente e é só colher direto do pé, fazer o doce e vender”, conta o agricultor.

Empreendedorismo - Além do estímulo ao cultivo de espécies mais adequadas para a região, o Projeto de Integração do Rio São Francisco promove palestras de associativismo e empreendedorismo, com o objetivo de possibilitar aos pequenos produtores quilombolas melhores condições para competir no mercado e obter financiamentos. "Após as oficinas, os participantes têm superado nossas expectativas. Além de produzirem e aumentarem a renda familiar com os seus produtos, estão trocando informações e experiências entre si, fortalecendo as comunidades e buscando o maior desenvolvimento das atividades aprendidas” destaca Juliana dos Santos, psicóloga que atua no Projeto.

Compensação ambiental - As ações para o desenvolvimento das comunidades quilombolas integram as 38 estratégias ambientais desenvolvidas pelo Ministério da Integração Nacional com vistas à minimização, à compensação e ao controle dos impactos ambientais provocados pela implantação e operação do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Ao todo, os recursos para a compensação ambiental somam cerca de R$ 1 bilhão e vão trazer benefícios econômicos, sociais, científicos e ecológicos para as localidades da área de abrangência do empreendimento.


O Projeto é a maior obra de infraestrutura hídrica do governo federal, com quase seis mil profissionais envolvidos e cerca de R$ 8,2 milhões de orçamento previsto. O objetivo principal da intervenção é levar água para 12 milhões de habitantes, de 390 cidades localizadas nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. 
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MÍDIA NINJA, A CRISE DA ABRIL E O EFEITO ESTUFA COMO CRITÉRIO DE DESEMPATE NA COPA DO MUNDO 3

10.08.2013
Do portal FAZENDO MEDIA, 08.08.13
Por Gustavo Gindre

Acompanhei de perto o trabalho que o Mídia Ninja fez nas manifestações de junho/julho no Rio de Janeiro e vi a importância da sua cobertura. Assisti a coragem desses jovens, dispostos a fazer um relato em tempo real das ações violentas de nossa polícia. Como tantos brasileiros, vi inúmeras mentiras oficiais serem desmentidas por reveladoras imagens geradas pelo Mídia Ninja. Também foi fantástico ver como a grande mídia teve sua parcialidade exposta pelo simples contraste com a cobertura em tempo real dos ninjas.
Em grande parte o Mídia Ninja é consequência de dois fatores que se somam para construir a mais radical transformação que se abate sobre a mídia tradicional.
De um lado, o cenário de convergência tecnológica vai tornando a Internet um ambiente multimídia que fagocita as demais mídias. A inerente interatividade da Internet coloca em xeque os modelos unidirecionais da grande mídia. E, ao mesmo tempo, embora não elimine as assimetrias entre grandes grupos econômicos e pequenas experiências colaborativas, a Internet permite que todos possam postar seus próprios conteúdos, ameaçando o oligopólio da grande mídia. Essa parece ser a lição que a bancada do Roda Viva não entendeu.
De outro lado, esse cenário de convergência expôs de uma maneira inevitável os problemas de gestão das empresas familiares que controlam a mídia no Brasil. Com a convergência não é mais possível jogar a sujeira para baixo do tapete e vai ficando cada vez mais evidente que quase todos os grandes grupos de mídia do Brasil estão na bacia das almas, falindo, vendendo patrimônio e diminuindo de tamanho.
É nesse contexto que surgem o Mídia Ninja e diversas outras experiências de mídia colaborativa.
Euforia
Contudo, há que se controlar a euforia. O Mídia Ninja não é a resposta para todos os problemas gerados pelo oligopólio da grande mídia. Eles não são nem mesmo a resposta completa para o desafio de construirmos um jornalismo realmente democrático. Aliás, seria muito injusto cobrar-lhes algo desta envergadura.
Há pelo menos dois grandes desafios que o modelo de jornalismo do Mídia Ninja não consegue responder.
Quando eu ainda ouvia rádio FM, lembro que uma estação jovem do Rio de Janeiro fazia entrevistas na rua com perguntas estapafúrdias como o que o entrevistado achava do efeito estufa como critério de desempate na Copa do Mundo. E as falas postas no ar mostravam pessoas levando a sério aquelas perguntas e buscando oferecer respostas igualmente sérias. Minha hipótese é que o mundo tem ficado cada vez mais complexo, há cada vez mais informação disponível e a grande maioria é totalmente irrelevante. Encontrar sentido nessa barafunda não é tarefa simples.
A grande mídia nasceu e cresceu nos vendendo um serviço de construção de sentido nessa massa crescente de informações. Claro que o sentido que nos vendem traz embutido uma profunda orientação ideológica. Nem poderia ser diferente.
Ora, uma mídia democrática não deveria nos imputar um sentido único para os fatos. Mas, tampouco poderia abrir mão de tentar construir sentidos possíveis. O jornalismo não pode abdicar do seu papel socialmente relevante de construir cenários, analisar contextos, propor alternativas e sugerir nexos causais. E isso a simples cobertura em tempo real não nos fornece.
Muita informação sem contexto pode acabar sendo informação nenhuma.
A grande mídia também cumpriu um importante papel de construir pautas coletivas, que orientassem o debate na sociedade. Novamente, esse serviço vem acoplado com uma visão de mundo conservadora, quando não reacionária. Mas, não devemos jogar o bebê fora junto com a água suja. Essa massa de mídias pode ser muito democrática, mas também pode nos empurrar para um mundo de hiper-fragmentação ou, pior, de segmentação por nichos de mercado. Assim, militantes ambientalistas consomem apenas informações sobre meio-ambiente enquanto fãs do BBB sabem cada vez mais sobre seu reality show favorito e cada um se isola no seu universo informativo. Sem negar a conquista da interatividade e da oferta de informações segmentadas, resta o desafio de saber como construir pautas coletivas a partir de um jornalismo democrático e colaborativo.
Hipocrisia e uma questão para o debate
De uma hora para outra, um bando de jornalistas passou a estar muito preocupado com a origem dos recursos do Mídia Ninja. Esses mesmos jornalistas jamais levantaram sua voz para criticar os empréstimos de pai para filho que sucessivos governos fizeram à grande imprensa brasileira. Ou ao fato da TV Globo ter surgido a partir de dinheiro recebido ilegalmente, vindo da norte-americana Time Life. Ou de como políticos lotearam entre si as outorgas de TV em boa parte do país. Ou ainda à venda de 30% da Abril para o grupo de mídia que deu sustentação ao apartheid sul-africano. Seu obediente silêncio de antes contrasta com o falatório de hoje para demonstrar o tamanho de sua parcialidade em favor de seus patrões.
Por outro lado, há tempos militantes da cultura criticam o Circuito Fora do Eixo (berço do Mídia Ninja) pela suposta contradição entre seu discurso em busca de alternativas para a produção cultural e sua dependência dos mecanismos de renúncia fiscal e dos editais estatais. Esse me parece ser um debate fundamental, não apenas no que se refere ao Fora do Eixo, mas, de uma forma mais ampla, para sermos capazes de entender como o fomento influencia a cultura produzida.
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DIAS: ATAULFO NÃO VAI ALGEMAR O DIRCEU

10.08.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Os acusadores se apoiaram na duvidosa teoria do domínio do fato do que, propriamente, como exige a lei, no fato.

Conversa Afiada reproduz irretocável – como sempre – artigo do Mauricio Dias na Carta Capital.

Ataulfo (*), como se sabe, é forma carinhosa de o Conversa Afiada se referir ao 12.o juiz do Supremo.

A PEDRA NO CAMINHO


Para o STF, à vista do retorno ao “mensalão”, chama-se embargos infringentes


Após o Acórdão de cerca de 8 mil páginas compostas a partir das discutidas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em torno da Ação Penal 470, batizada popularmente de “mensalão”, surge, como se previa, a controvérsia relativa aos “embargos infringentes”. Isso significa uma pedra no caminho do tribunal, que se reúne a partir do dia 14 para dar continuidade ao julgamento. Uma pedra não no meio, como na poesia de Drummond, mas no fim.

A Corte está dividida. Para alguns cabe o embargo e para outros não cabe. Embargo infringente é um instrumento que permite uma retratação, uma mudança radical na decisão tomada dentro de certas condições. Isso significa a possibilidade de transformar água em vinho. O réu condenado, sem a maioria dos votos, pode vir a ser absolvido. Bom para quem perdeu, por decisão arbitrária, o direito de se defender em uma instância superior.

As cartas estão embaralhadas. O ministro Celso de Mello já se manifestou pelo cabimento dos embargos infringentes. E o ministro Marco Aurélio já se disse contrário a essa possibilidade. Ambos votaram pela condenação dos réus.

O conflito pode ser sintetizado assim, considerando o argumento básico de quem defende os embargos: o regimento interno do Supremo Tribunal Federal, de 1980, considera cabíveis os embargos quando se condena um réu em decisão que conte com, pelo menos, quatro votos vencidos. Por outro lado, quem discorda invoca a Lei nº 8.038, de 1990. Ao dispor sobre o processo no STF e no STJ, essa lei não prevê os embargos infringentes.

Tudo repousa sobre uma definição: ao regular inteiramente a matéria sem mencionar os embargos à Lei nº 8.038, o STF teria revogado o regimento interno? Ou, ao contrário, o silêncio da lei importaria na manutenção do sistema tal como ele é nesse particular? A própria lei prevê a aplicação supletiva do regimento às questões que ela não tratou.


“O debate existente envolve, portanto, conciliação entre o regimento e a lei”, considera um dos ministros do STF. Para além do debate técnico, surge a ponta de uma questão com nítidas características políticas. Há quatro punições enquadradas nessa circunstância. Entre elas uma carta marcada: José Dirceu.

Dirceu foi condenado por corrupção ativa e, também, por formação de quadrilha, cuja pena gira em torno de 2 anos e 11 meses. Os acusadores se apoiaram na duvidosa teoria do domínio do fato do que, propriamente, como exige a lei, no fato.

Há dois juízes novos que não participaram do julgamento: Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso. Caso votem contra a condenação por formação de quadrilha, e considerando que os seis ministros mantenham a punição, o resultado será o empate: 6 a 6. Isso beneficia o réu.

Beneficiaria José Dirceu. Ele cumpriria o restante da pena em regime aberto.

Um desespero para a mídia conservadora, que guia a volúpia daqueles que se contentariam em ver o ex-ministro Dirceu com as algemas nos pulsos pelos erros cometidos. Meu palpite: não verão.



(*) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais medíocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão mediocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notoria mediocridade.
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DILMA VIRA O JOGO!

10.08.2013
Do blog TIJOLAÇO

Os analistas da mídia vão demorar alguns dias para admitir isso de maneira franca e transparente. Mas os números do Datafolha divulgados hoje mostram uma espetacular virada nas expectativas políticas e eleitorais. Até então, os opositores de Dilma apostavam numa degeneração constante e gradual da popularidade presidencial, arrastada pelos protestos de junho, inflação crescente e deterioração geral de índices econômicos.
Entretanto, política – especialmente no Brasil – é um jogo cheio de reviravoltas surpreendentes. Quer dizer, talvez se tivéssemos olhado com mais atenção pudésssemos ter previsto, mas depois que as coisas acontecem é sempre mais fácil compreender o que aconteceu. Difícil é entender o futuro.
Os seis pontos recuperados por Dilma em sua popularidade, passando de 30% para 36%, representam um golpe na campanha de grandes proporções que setores de oposição vinham patrocinando, até então com sucesso, para reverter a expectativa de uma vitória de Dilma em 2014. Era importante que o “baixo astral” de Dilma se mantivesse até outubro, quando se encerram prazos eleitorais importantes para as eleições.
A campanha, que tinha apoio eufórico da grande mídia, deu nos burros. O emprego se manteve firme, a inflação caiu, com ênfase na cesta básica e transportes. A produção industrial registrou um sólido crescimento em junho, com destaque para a indústria de bens de capital, que cresceu quase 20% sobre o ano anterior.
O escândalo do propinoduto tucano, que a Istoé, redes sociais e imprensa internacional, fizeram a mídia tradicional engolir à força, cumpriu um papel fundamental de romper um dos últimos bastiões da hipocrisia partidária, e produziu uma perigosa fissura na principal fortaleza tucana, o Palácio dos Bandeirantes.
Os ânimos se acalmaram em relação aos protestos. A ficha parece ter caído na população de que protestar é legal, mas com foco, objetivo, métodos civilizados, e prazo. Há hora de protestar, há hora de comemorar as conquistas, e há hora de trabalhar. Segundo o Datafolha, o apoio popular aos protestos registrou forte queda. No auge deles, 65% achavam que eles lhes trariam melhoras pessoais: agora são 49%.
Interessante notar que Dilma recuperou terreno principalmente no Sudeste, onde seu índice de ótimo/bom cresceu de 26% em 28 de junho para 32% agora; e seu índice de ruim/péssimo caiu de 30% para 24%. Como se diz em tempos eleitorais, a boca do jacaré voltou a se abrir.
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Na análise segmentada por renda e escolaridade, a recuperação de Dilma também é notável junto aos setores onde ela mais perdeu em junho: classe média e mais escolarizados. Vale lembrar que Dilma, à diferença de Lula, vinha se caracterizando por uma sólida popularidade nestes dois segmentos, conforme se pode verificar na tabela abaixo, com dados até o final de junho. Dilma possuía, até pouco tempo, muita força na classe média, perdida subitamente após os protestos de junho; e que agora inicia um processo de recuperação.

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Observe que Dilma chegou a possuir 70% de ótimo/bom entre os que ganham mais de 10 salários; era o seu maior índice, uma anomalia para um governo progressista. Após os protestos, esse índice cai para 21%; e agora está em 29%. Na faixa de renda mais representativa da classe média, a que ganha entre 5 e 10 salários, o ótimo/bom de Dilma passou de 25% ao fim de junho para 32% agora, e o ruim/péssimo caiu de 31% para 26%.
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À guisa de conclusão, podemos dizer que a recuperação de Dilma está ligada à uma mudança de estratégia, com a presidente estabelecendo diálogos com diversos movimentos sociais, coisa que não vinha fazendo antes. Tudo que não pode acontecer é a melhora dos números fazer o staff da presidente “relaxar” novamente e voltar a se isolar em seu tecnicismo frio e apolítico. Falta ainda aprimorar, e muito, a estratégia de comunicação, com uso mais assertivo, intenso e criativo das redes sociais; seria ótimo que isso acontecesse antes do 7 de setembro, data que os movimentos de protesto – desta vez com muita participação de grupos truculentos, de um lado, e reacionários, de outro, – devem usar para acordar novamente o “gigante”.
Por: Miguel do Rosário



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