domingo, 4 de agosto de 2013

FASCISTA E TRAIDOR DO BRASIL: “Tentei sujar o governo do Brasil no mundo”

04.08.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 25.06.13

#Changebrazil: “O que eu fiz foi uma tentativa de sujar o governo brasileiro no mundo”. Onda da desinformação se alastra velozmente na Web, aproveitando marcas de protesto em outras partes do mundo

“O que eu fiz foi uma tentativa de sujar o governo brasileiro no mundo, exatamente como o vídeo diz.” Assim definiu Thismr Maia, pseudônimo de Silvio Roberto Maia Junior, porta-voz do movimento Change Brazil, o objetivo dos vídeos que postou na Web, segundo o site Direto da Aldeia. Nascido em 14 de junho, no momento em que uma onda de manifestações eclodiu no país, o movimento vocalizou por meio de vídeos de Maia pedindo – em inglês – um pedido de “ajuda” internacional.
No vídeo, que já tem mais de um milhão de acessos no YouTube, Maia fala da repressão sofrida por manifestantes em 13 de junho. Nesse dia, a polícia militar, controlada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), reprimiu com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha o protesto, ferindo também jornalistas. Boa parte da mídia, que anteriormente havia criminalizado os protestos – especialmente por meio de editoriais raivosos pedindo a “retomada da Paulista” –, mudou completamente o tom e passou a defender o movimento Passe Livre.
Ali, naquele momento, nascia também o Change Brazil, ou #changebrazil. Nas redes sociais, pipocou um vídeo, em inglês, com legendas em inglês, que se intitulava “Please Help Us” (Por favor, nos ajude). Em um estúdio bem iluminado, em gravação de qualidade profissional, Maia começa falando sobre o aumento da tarifa de ônibus e imediatamente cita os levantes populares na Turquia e na Síria – “espontâneos”.
Leia também
De fato, o caso turco foi rapidamente comparado ao brasileiro pela mídia brasileira e internacional, que apontou como o denominador comum o caos das grandes metrópoles. Manifestantes aqui e lá trocaram afagos, com brasileiros levando aos protestos bandeiras da Turquia e vice-versa. O premiê turco, Tayyip Erdogan, porém, avalia que não se trata de uma coincidência e que os dois países são alvo, na verdade, de conspiração internacional. Não está claro que haja uma articulação externa, mas a correia da desinformação gira velozmente na Web.
changebrazil facebook mentiras anonymous
(Imagem: Reprodução/Facebook)
O Anonymous Brasil, um perfil que, como o próprio nome indica, preserva a identidade de quem o dirige, precisou desmentir que tinha publicado um vídeo que também teve mais de um milhão de visitas, que elencaria cinco bandeiras do movimento que segue nas ruas. Entre os perfis que espalharam este vídeo, um deles, talvez o mais acessado, é assinado por “Dilma Bolada” — ao que tudo indica, um perfil no Youtube falso que se aproveita da popularidade da personagem, essencialmente pró-governo, do Facebook.
Falando rápido, Maia critica a mídia, pedindo que o espectador tenha em mente que a “verdade” sobre os protestos não será reportada nem no Brasil nem no exterior. Por isso a “boa ação” do vídeo. Ainda antes de completar um minuto de fala – o vídeo tem mais de cinco minutos –, Maia já condena a classe política brasileira e aponta que a motivação dos manifestantes é justamente um rechaço contra a roubalheira e má fé, generalizadas. Ele não menciona nomes de partidos ou políticos.
Nos protestos seguintes, coincidentemente, muitos gritos eram direcionados exatamente contra os políticos, vários pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em 17 de junho, a matriz foi repetida pelos apresentadores de telejornais, enquanto as imagens da multidão espalhada pelas ruas das principais cidades brasileiras eram transmitidas ao vivo. Alguns jornalistas, enquanto narravam “o despertar do Brasil”, se emocionaram. Poucos dias antes, os mesmos reclamavam do trânsito provocado pelos protestos do Passe Livre e chegavam a chamar alguns manifestantes de “vândalos”.
No dia seguinte, os principais jornais, como Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, seguiram disseminando o “basta” escutado nas ruas brasileiras. Não demorou para o espírito do Change Brazil se espalhar. Mais tarde, na quinta-feira passada, membros de partidos de esquerda foram agredidos na Avenida Paulista. Organizada pelo Passe Livre para comemorar a redução da tarifa, a manifestação logo perdeu o intuito inicial. “Sem partido” e “Aqui é Brasil” eram as consignas tanto dos agressores como do resto dos manifestantes, muitos enrolados na bandeira nacional, com pinturas em verde e amarelo no rosto.
change brazil facebook mundo
Foto simula Maia levando um tiro na cabeça de uma arma – desenhada na parede com as cores da bandeira dos Estados Unidos. (Facebook)
Também se ouviu “Quem não pula quer a Dilma”, adaptado do protesto pelo aumento da passagem do transporte público, “Quem não pula quer tarifa”. Com o aumento da violência nos protestos, cada dia mais numerosos, a presidente se dirigiu à nação em cadeia de rádio e TV, onde deixou claro seu respeito aos manifestantes pacíficos. Ela também se disse disposta a analisar todas as demandas apresentadas nas ruas. “Eu estou escutando vocês”, sublinhou Dilma.
Maia comemora o êxito. “Essa tática sempre funcionou bem historicamente. Como também diz no vídeo, a Dilma não pode deixar o Brasil ficar feio no mundo agora. Eu só queria trazer a atenção mundial para o Brasil, e junto com a companheira que não conheço, do vídeo ”No, I’m not going to the world cup”, tenho orgulho de dizer que conseguimos. Agora, com pressão internacional, a Dilma e companhia são mais obrigados a nos ouvir”, comemora o brasileiro, em entrevista dada ao Aldeia.
Ainda segundo ele, “historicamente, pressão mundial tem se provado extremamente eficaz em relação a mudar governos opressores. Recentemente pedi para pessoas mandarem outro vídeo nosso para organizações humanitárias, e agora fiquei sabendo que a Greenpeace tem se pronunciado sobre o que está acontecendo aqui também”. Após celebrar a grande adesão ao movimento, Maia lança a chantagem: “se a Dilma quer que sua administração seja vista favoravelmente, ela terá que nos ouvir”.
Uma visita à página no Facebook do porta-voz do Change Brazil nos revela ainda mais sobre esse curioso personagem, que sublinhou na entrevista ser contra governos repressores. A foto acima simula Maia levando um tiro na cabeça de uma arma – desenhada na parede com as cores da bandeira dos Estados Unidos. Os “miolos” também estão pintados nas cores azul e vermelha. No resto da página, mais fotos de armas, com mensagens apoiando o porte civil. “Quando eu falei ‘o Brasil terá que se dobrar’, é óbvio que eu me referia ao governo brasileiro, né. Pelo amor de deus, gente”, justifica o porta-voz do Change Brazil.
Ps de Pragmatismo Politico.: Jeferson Monteiro, autor do perfil original da personagem Dilma Bolada, entrou em contato para confirmar as informações da matéria. O jovem afirma que a o nome ‘Dilma Bolada’ foi utilizado por outro grupo para plagiar sua página original. A página falsa pertence a uma pessoa ligada à direção da juventude do PSDB e foi criada estrategicamente para pegar carona no sucesso da personagem original.
Marina Terra, Opera Mundi
*****

Grupo de direita agride participantes do Foro de São Paulo

04.08.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 

Pancadaria, segundo testemunhas, teria começado quando os “nacionalistas” xingaram militantes que participavam do Foro de São Paulo

O encontro entre “nacionalistas” de extrema direita que voltavam de um protesto de médicos e militantes de esquerda que participavam do encontro do Foro de São Paulo terminou em pancadaria, quatro pessoas levadas para a delegacia e a destruição de um bar, quarta-feira à noite, no centro da cidade.
Segundo o boletim registrado no 78º distrito policial, a polícia encontrou um canivete com um dos nacionalistas e um explosivo no chão. Ainda de acordo com o boletim, um militante de esquerda afirmou ter sido agredido e foi levado ao Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito. Os nacionalistas negam a agressão.
agressão direita foro de sp
Durante as agressões, os manifestantes quebraram o vidro do restaurante próximo ao hotel que recebe o Foro de SP (Foto: Dodô Calixto / Opera Mundi)
A confusão começou por volta das 22h de quarta-feira. Um grupo de aproximadamente 25 nacionalistas passava pela rua Martins Fontes depois de apoiar um protesto organizado por médicos contra o governo federal enquanto integrantes do Foro de São Paulo jantavam e tomavam cerveja em um bar ao lado do hotel onde acontece o encontro dos partidos de esquerda.
O boletim não identifica quem começou a briga, mas testemunhas que trabalham no local e não quiseram ter seus nomes identificados disseram que os extremistas de direita começaram a confusão. Eles teriam provocado e xingado os militantes de esquerda que teriam respondido com gritos de “fascistas”. Segundo relatos, um nacionalista jogou uma lata de cerveja e um esquerdista revidou atirando um copo.
“Eles chamaram uma menina do nosso grupo de puta e um dos nossos respondeu de uma forma mais exaltada. Depois disso começou a confusão. Chegaram a jogar uma cadeira em uma mulher de mais de 50 anos que participava do Foro de São Paulo”, disse Renan Moreira, 26 anos, militante de esquerda. “Todos tinham as cabeças raspadas e lutavam artes marciais. Ninguém se machucou seriamente, mas fiquei com vários hematomas”, completou.
Leia também
A partir de então a confusão foi generalizada. Cadeiras e garrafas voaram, a porta de vidro do bar foi quebrada. Quatro pessoas foram levadas para o 78 DP, os direitistas Marco Antonio Boncompanho Lieb, 30 anos, e R.M.M., 17 anos, que portava o canivete, e os esquerdistas Ismael de Almeida Cardoso, 27 anos, e Renan Thiago Alencar Moreira, 26 anos.
Lieb foi procurado, mas não atendeu os telefonemas. Em sua página no Fabebook, ele se diz fã do deputado Jair Bolsonaro, grupos anticomunistas e do movimento integralista, corrente ideológica ultranacionalista brasileira que possui vínculos com o nazismo e o fascismo.
O menor R. nega ligações com o nazismo. “Somos nacionalistas e integralistas. Não temos nada a ver com os fascistas”, disse R., que faz parte do grupo Comando, da Zona Sul. Ele afirmou portar o canivete para se defender de possíveis agressões de grupos skinheads intitulados antifascistas como RASH (Red Anarquist Skin Heads).
Os nacionalistas carregavam uma faixa defendendo a volta dos militares ao poder com as siglas do Movimento de Combate à Corrupção (MCC), Organização de Combate à Corrupção (OCC), Associação Nacional dos Militares do Brasil (ANMB), grupos de direita que participaram dos protestos de junho.
Desde a semana passada, integrantes destes grupos convocam no Facebook militantes de direita a participarem de “ações” contra o Foro de São Paulo.
Ninguém foi indiciado e a Polícia Civil não instaurou inquérito.
É prevista a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e Bolívia, Evo Morales, no encontro do Foro que vai até domingo.
*****

FHC EXPÕE O ÓDIO A LULA E AO BRASIL

04.08.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Um safado, preguiçoso que explora os que vivem no mato – que ódio, meu !


Da pág. 16 da edição nacional do Globo (daquela empresa que não paga à Receita), artigo do Farol de Alexandria – aquele que iluminava a Antiguidade e se desfez num terremoto chamado “Lula” – tem o título “Cartas na Mesa” (originalíssimo !, aliás).

Naquele estilo besuntado de colesterol, que levou o New York Times a dispensá-lo, ele se propõe a dar um “basta à corrupção” e “a falsas manias de grandeza”.

O Tartufo esquece que governou o Brasil – “um mato” … – durante oito sombrios anos, e que presidiu a Privataria.

Depois de avisar que “saí do Brasil”- ele esteve sempre fora do Brasil, agora, na Avenue Foche – diz que Lula, “líder supremo” do “lulo-petismo”, “como Macunaima aconselhou a presidenta a fazer oposição a si mesma”.

Agora Imortal, da Academia das Letras (porque, se fosse dos Números, lá não entrava) ele se deu a recorrer à literatura.

Deu-se mal.

Porque expressou um ódio insuperável ao Lula, que o superou, e ao Brasil, que o ignora.

Perceba, amigo navegante, o despeito e o menosprezo com que ele se refere à liderança do Lula e seus liderados (os habitantes do mato …).

Navalha
Sobre Macunaíma:
“Preguiçoso, egoísta, safado, inteligente, capaz de exercer influência sobre todos à sua volta.”
Assim é Macunaíma, o Imperador do Mato
Macunaíma O Herói sem Nenhum Caráter Mario de Andrade, 1928 Capitulo 1
No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro: passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava: If. Ai! que preguiça!. . . e não dizia mais nada.” Ficava no canto da ma loca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganharvintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz que habitando a água doce por lá. No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. (…) Quando era pra dormir trepava no macuru pequeninho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava por debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia sonhando palavras feias, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar. Nas conversas das mulheres no pino do dia o assunto eram sempre as peraltagens do herói. As mulheres se riam muito simpatizadas, falando que “espinho que pinica, de pequeno já traz ponta”, e numa pagelança Rei Nagô fez um discurso e avisou que o herói era inteligente.
Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e Macunaíma principiou falando como todos. (…)




Paulo Henrique Amorim (com Mario de Andrade, que seria fã do Farol…)

Na foto, Lula, no papel de Grande Otelo, na obra de FHC
*****